A Casa de Portugal em Macau está a organizar o festival “Conta-me histórias”, que leva arqueólogos e uma companhia teatral de Tondela a escolas locais, para despertar o interesse pelo património e pela memória.
Na
sexta-feira, a Trigo Limpo Teatro Associação Cultural e Recreativa de Tondela
(ACERT) leva ao auditório da Escola Portuguesa de Macau (EPM) a peça “Queres
que te conte?”. Ilda Teixeira, que concebeu e interpreta a peça, disse à Lusa
que “o espectáculo, basicamente, é um tear, o cenário e uma dobadoira, com lã,
e é tudo contado com recurso a novelos de lã”.
Para
preparar “Queres que te conte?”, Teixeira foi falar com uma associação que
trabalha com linho e com a Universidade Sénior para “ouvir contar histórias, as
músicas antigas que os avós lhe cantavam”. A peça, explicou a actriz, “tem tudo
a ver com as histórias que se transmitiam dos avós para netos e que iam
passando de boca em boca. E todo o espectáculo foi construído com base nessa
tradição oral”.
Outras histórias
“Queres
que te conte?” é um dos dois espectáculos do festival abertos ao público em
geral. O outro é “O Bosque”, que a Trigo Limpo irá apresentar na Universidade
de Macau, no domingo.
“Além
de serem os nossos espectáculos mais portáteis, trabalham ambos sobre o que é a
memória e a passagem da memória”, disse Ilda Teixeira, encenadora de “O
Bosque”, interpretada por Pedro Sousa, Ricardo Augusto e Sandra Santos. A peça
é “sobre as memórias antigas de uma cidade, fala sobre as árvores que vão
ficando, os edifícios, as moedas que se vão encontrando”, explicou Pedro Sousa
à Lusa.
O
objectivo, disse o actor, é “deixar sementes para os mais novos e os mais
velhos conversarem entre eles”. “Nós damos a matéria-prima, mas também há
trabalho que tem de ser feito pelos pais e pelos professores”, acrescentou.
O
festival arrancou na segunda-feira e decorre até 23 Outubro, com o Trigo Limpo
a levar os dois espectáculos e momentos de formação em representação e música à
EPM e à Escola Luso-Chinesa Luís Gonzaga Gomes.
O
Trigo Limpo ACERT, que está a comemorar 50 anos de vida, já apresentou
espectáculos em países como Angola, Cabo Verde, Brasil, Moçambique, Luxemburgo,
Bélgica, Grécia e Alemanha, e irá também à Guiné-Bissau, de 24 de Novembro a 01
de Dezembro.
Ontem, hoje e amanhã
Além
do teatro, o festival inclui sessões de promoção de arqueologia para crianças,
contadas em escolas por Natalina Guerreiro e José Luís Monteiro, ambos
funcionários do Património Cultural de Portugal.
Natalina
Guerreiro, do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, vai contar
histórias de tesouros perdidos no mar devido a dois naufrágios que aconteceram
em Portugal. “Tentamos mostrar que, para arqueologia, o tesouro não é só ouro,
porque às vezes, um fragmento de cerâmica pode nos dar muito mais informação
sobre de onde ela veio”, explicou Guerreiro.
Já
José Luís Monteiro quer apresentar “uma perspectiva da arqueologia não
tradicional”, graças às “tecnologias que revolucionaram completamente” este
campo de conhecimento. Há situações “em que já nem é necessário escavar, porque
temos tecnologia que nos consegue identificar o que está no solo”, incluindo
drones, fotografia área e modelos a três dimensões a partir de fotografia de
objectos, disse.
Mas
mais do que encorajar futuros arqueólogos, o objectivo é “tentar motivar e
incentivar os miúdos para as questões do património, seja ele arqueológico ou
qualquer património cultural”, sublinhou Monteiro. In “Hoje
Macau” – Macau com “Lusa”

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