Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Macau - Arbitragem ‘entra’ na ponte sino-lusófona

Macau tem “todas as condições” para se assumir como uma importante plataforma de arbitragem comercial entre a China e os países de língua portuguesa, defendeu o Secretário para a Administração e Justiça no 2º Congresso de Arbitragem Lusófona


Beneficiando das suas “características institucionais únicas do sistema jurídico continental”, da “vantagem do bilinguismo sino-português” da posição de plataforma de ligação entre o Interior da China e o mundo lusófono, a RAEM “dispõe de todas as condições e capacidades para se tornar numa importante plataforma de arbitragem comercial e de resolução de litígios entre a China e os Países de Língua Portuguesa (e de Língua Espanhola)”. Esta convicção foi manifestada na sexta-feira pelo Secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, na cerimónia de abertura do 2.º Congresso de Arbitragem Lusófona, evento que decorreu até domingo na Universidade de São José, em torno do tema “Construindo Plataformas Globais para uma Justiça Inovadora”.

Para Wong Sio Chak, a realização deste congresso, um dos eventos oficiais comemorativos do 60.º Aniversário da Comissão das Nações Unidas para o Direito Comercial Internacional, constituiu “um elevado tributo à posição de Macau enquanto centro de cooperação comercial sino-lusófona”. Além disso, acentuou, “também evidencia claramente o papel fundamental de Macau como plataforma internacional de intercâmbio jurídico que liga o Interior da China e os Países de Língua Portuguesa”.

No seu discurso, o Secretário para a Administração e Justiça salientou que o 15.º Plano Quinquenal Nacional estabelece claramente o “apoio às entidades prestadoras de serviços profissionais, tais como no âmbito da mediação e da arbitragem, para a expansão da rede de serviços no exterior”, bem como a “aceleração da construção do sistema e da capacidade do Estado de Direito relacionado com o exterior e o aperfeiçoamento dos mecanismos de mediação, de arbitragem e processuais no âmbito comercial internacional”.

“Enquanto importante plataforma de serviços destinada à cooperação comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, sob a conjuntura da abertura de alto padrão do País ao exterior, Macau assume o seu papel único de ‘interlocutor de precisão’, com vista a reforçar plenamente a cooperação com os Países de Língua Portuguesa e de Língua Espanhola”, afirmou Wong Sio Chak, reiterando que a RAEM também pretende alargar o “círculo internacional de amigos”.

Na mesma linha, recordou que, durante a visita que o Chefe do Executivo da RAEM realizou em Abril a Portugal e à Espanha, foram celebradas centenas de protocolos de cooperação e concretizados 109 projectos, consolidando-se ainda mais o papel de “interlocutor de precisão” de Macau.

“Com o ritmo crescente de ‘expansão para o exterior’ das empresas, aumenta a frequência das actividades comerciais transfronteiriças, pelo que os mecanismos de resolução de litígios diversificados, eficientes e de prestígio tornaram-se numa garantia jurídica nuclear para as empresas explorarem os mercados no exterior”, observou o Secretário, ao sustentar que “a arbitragem desempenha um papel insubstituível na criação de um ambiente de negócios assente no Estado de Direito estável, justo, transparente e previsível”. Na sua perspectiva, isso “permite promover eficazmente a articulação das regras entre diferentes jurisdições e a construção conjunta da confiança mútua, proporcionando-se assim uma sólida garantia jurídica para as empresas que recorrem à estratégia de ‘expandir para o exterior e atrair investimento estrangeiro’”.

Nesse sentido, Wong Sio Chak asseverou que a RAEM continuará a promover a construção de uma plataforma internacional de arbitragem para servir a cooperação económica, comercial e de investimento entre a China e os países lusófonos e hispânicos, e a reforçar a capacidade jurídica em matérias que envolvam legislação do exterior, com enfoque nos serviços jurídicos dessas nações e das que participam na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Sem comentários:

Enviar um comentário