Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 13 de outubro de 2026

China - Festival Cultural Lusófono arranca esta sexta-feira em Hengqin

A segunda edição do Festival Cultural Lusófono vai ter lugar em Hengqin no próximo fim-de-semana, entre os dias 16 e 18 de Outubro, contando com uma zona de gastronomia lusófona, espectáculos, jogos interactivos, oficinas artesanais e uma feira de produtos típicos dos países de língua portuguesa


Hengqin vai acolher novamente o Festival Cultural Lusófono. O evento, organizado em conjunto pelo Instituto Cultural (IC) e pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Subsistência da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, será realizado no próximo fim-de-semana, entre os dias 16 e 18 de Outubro, das 16:00 às 21:00, no Centro Cultural e Artístico de Hengqin.

A feira, que se realiza pelo segundo ano consecutivo, vai ter lugar exactamente uma semana mais cedo do que o Festival da Lusofonia em Macau, e vai apresentar ao público actividades semelhantes como bancas de comida típica e espectáculos de música e dança, além de jogos interactivos e feira de artesanato.

De acordo com um comunicado das autoridades de Hengqin, a zona gastronómica lusófona do festival destaca a chef de culinária macaense Antonieta Manhão, também conhecida por Neta, que irá preparar pratos clássicos de inspiração lusófona, incluindo pão de costeleta ao açafrão e pão com chouriço.

Serão ainda organizadas demonstrações culinárias com duas sessões por dia, com a preparação ao vivo de pratos icónicos como Minchi e Porco Balichão. Haverá 30 vagas gratuitas para degustação por sessão, por ordem de chegada.

Além da banca principal da chef, o evento contará com diversas bancas gastronómicas repletas de pratos clássicos, como churrasco de estilo português e bebidas variadas.

A organizadora revelou ainda que, pela primeira vez, o festival apresentará uma exposição dedicada aos países de língua portuguesa, reunindo comerciantes e representantes culturais da comunidade macaense local e de nove países de língua portuguesa para dar a conhecer os seus costumes e património.

Na zona de oficinas artesanais vai haver workshops de pintura em azulejos de estilo português, leques de papel, crochê e arte em areia, enquanto a zona de produtos culturais contará com bancas de venda de cerâmica artística, artesanato de sardinhas e outros produtos típicos dos países de língua portuguesa.

Segundo o comunicado, para diversão, haverá no local jogos como matraquilhos e circuitos de obstáculos de minifutebol. Além disso, o evento recriará a tradição das festas de São João no Porto, podendo os visitantes, ao preencher um questionário, receber um martelo de plástico para “trocar saudações” com os outros.

Serão organizadas também mais de 20 apresentações artísticas com música e dança, incluindo espectáculos de grupos de arte lusófona com dança brasileira e fado. Estudantes de várias escolas de Hengqin e Macau também subirão ao palco para apresentações que integram elementos da cultura sino-portuguesa.

No recinto vai ser instalado um stand do Grande Prémio de Macau, com instalações para fotos, bem como mini-jogos no WeChat para interagir com o público. Catarina Chan - Macau In “Ponto Final”


Moçambique - Emerson Chiloveque anuncia lançamento do seu primeiro livro “O Ninar do Silêncio”

O escritor e activista moçambicano Emerson Chiloveque vai lançar a sua primeira obra literária individual intitulada O Ninar do Silêncio, no dia 26 de Outubro, às 17h30, no auditório da sede do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), na cidade de Maputo, sob chancela da Editora Phata.


Aos 37 anos, Emerson Chiloveque é licenciado em Relações Internacionais e História pela Universidade Pedagógica de Tula, na Rússia, onde realizou a sua formação superior entre 2010 e 2015. O autor escreve desde 2010 e considera esta publicação um marco importante no seu percurso literário, por se tratar do seu primeiro trabalho publicado a título singular.

Além da escrita, Chiloveque dedica parte da sua trajectória ao activismo em defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Surdo desde 2007, tem contribuído para a promoção da acessibilidade, da inclusão e da participação plena das pessoas com deficiência na sociedade moçambicana.

Nas redes sociais, o escritor anunciou o lançamento da obra e convidou os leitores, amigos e admiradores a participarem neste momento, que considera especial e representativo da sua identidade como escritor, activista e ser humano. Chiloveque destacou ainda a importância de quem acompanha a sua escrita desde os primeiros anos. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Angola e Portugal avaliam Programa Estratégico de Cooperação 2023-2027

Angola e Portugal analisaram, segunda-feira, em Luanda, o Programa Estratégico de Cooperação 2023-2027, cuja vigência termina no próximo ano


A análise foi feita durante um encontro entre o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Vieira Lopes, e a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, Ana Isabel Xavier, informa uma nota do MIREX, enviada ao JA Online.

Na ocasião, os dois diplomatas concordaram com o início dos trabalhos de avaliação e balanço do actual programa, com vista à preparação e posterior negociação do novo instrumento de cooperação.

A retoma das Consultas Políticas entre os dois países, em 2027, mereceu igualmente atenção, tendo a secretária de Estado, Ana Isabel Xavier, defendido a sua realização como mecanismo de concertação e preparação das negociações do próximo Programa Estratégico de Cooperação.

O diálogo incidiu sobre o aprofundamento da cooperação político-diplomática, económica e comercial entre Angola e Portugal, com particular atenção ao incremento das trocas comerciais, às questões migratórias e consulares e à concertação sobre matérias regionais e internacionais.

Ao tomar a palavra, o secretário de Estado, Domingos Vieira Lopes defendeu uma cooperação cada vez mais pragmática, assente em resultados concretos para os dois países, e referiu que Angola atribui importância estratégica à parceria com Portugal, alicerçada na história comum, no respeito mútuo e na confiança.

No domínio económico, evocou a necessidade de maior envolvimento do sector empresarial angolano em Portugal, e apelou maior atenção dos investidores portugueses às potencialidades da economia angolana, tendo em conta os esforços do país para a diversificação económica.

No domínio da Educação, os dois Secretários de Estado debruçaram-se sobre os projectos desenvolvidos pelo Instituto Camões em Angola.

A cooperação multilateral e as questões de paz e segurança ocuparam também lugar de destaque nas conversações.

A secretária de Estado portuguesa agradeceu o apoio de Angola à candidatura de Portugal a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 2027-2028, que culminou na eleição do país à primeira volta, com o melhor resultado da sua história.

Referiu que a prevenção, através do reforço da diplomacia preventiva e da antecipação de crises, representa um dos eixos prioritários da actuação portuguesa no Conselho de Segurança.

Neste sentido, manifestou o interesse de Portugal em contar com a experiência e a colaboração de Angola, tendo em conta o papel do país nos esforços de promoção da paz e da estabilidade no continente africano. In “Jornal de Angola” - Angola


Angola - Orlando Paca lança obra “O Portador de Esperança” no dia 26 de Outubro

O administrador municipal da Maianga, Orlando Paca, vai lançar, no dia 26 de Outubro, em Luanda, o livro O Portador de Esperança – Crónicas de um Servidor Público, uma obra que reúne 19 crónicas escritas entre Fevereiro de 2025 e Maio de 2026, durante o exercício das suas funções na administração municipal.

O lançamento está marcado para as 16h00, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, sob a chancela da Asas de Papel Editora.

Escritas na primeira pessoa, as crónicas retratam experiências vividas pelo autor durante o exercício das funções públicas, com destaque para as histórias e os testemunhos dos munícipes da Maianga, bem como para o quotidiano das comunidades e o papel dos servidores públicos.

Segundo Orlando Paca, cada texto nasceu do contacto directo com os habitantes do município, das conversas nas ruas e das experiências que marcaram o seu percurso na administração pública.

“São textos que carregam o cheiro da terra molhada após a chuva e o ruído dos mercados ao amanhecer; que falam de mulheres corajosas, de crianças com sonhos grandes, de jovens que agregam valor e de líderes que servem em silêncio”, afirmou o autor, citado na nota de imprensa.

Na mesma declaração, Orlando Paca explica que a obra procura homenagear a sua gente, as heroínas da liberdade e os camaradas cujos gestos e atitudes continuam presentes na sua memória, reunindo, nas páginas do livro, as suas vivências enquanto administrador, filho, pai, amigo e político.

Mara Quiosa assina o prefácio

A obra tem como prefaciadora a vice-presidente do MPLA, Mara Quiosa, que considera que o livro ultrapassa a dimensão autobiográfica, ao colocar no centro das narrativas as pessoas e as suas experiências.

No prefácio, Mara Quiosa destaca o papel das mulheres que sustentam as famílias, dos jovens que procuram oportunidades, das crianças que representam o futuro do país, dos líderes comunitários e dos servidores públicos que asseguram a presença do Estado junto das populações.

Percurso profissional e político

Natural de Vista Alegre, província do Uíge, onde nasceu a 28 de Dezembro de 1979, Orlando Paca é licenciado em Relações Internacionais e Ciências Políticas e mestre em Ciências Políticas e Administração Pública.

Iniciou a carreira profissional como professor, tendo posteriormente exercido funções de subdirector pedagógico e director de escolas públicas.

No percurso político e administrativo, foi administrador dos Distritos Urbanos do Ngola Kiluanje e do Sambizanga, antes de assumir funções na Maianga. Exerceu igualmente responsabilidades na JMPLA e no MPLA, incluindo os cargos de primeiro secretário do partido nos Distritos Urbanos do Ngola Kiluanje e do Sambizanga.

Actualmente, é administrador municipal da Maianga, membro da Comissão Executiva do Comité Provincial do MPLA em Luanda e primeiro secretário do partido naquele município. In “O País” - Angola


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Centro de Estudos Internacionais Iscte - Apresentação do Relatório Variedades da Democracia 2026: Desvendar a Era Democrática?

Como está a evoluir a democracia no mundo? Que transformações estão a marcar os regimes políticos contemporâneos?


No próximo 19 de outubro, o CEI-Iscte, parceiro do V-Dem – Varieties of Democracy, promove a apresentação do Relatório Variedades da Democracia 2026 – Desvendar a Era Democrática?.

O V-Dem é um dos principais projetos internacionais de investigação sobre democracia, reunindo dados comparativos sobre diferentes dimensões da democracia e dos regimes políticos em todo o mundo.

Através da parceria com o V-Dem Regional Center Southern Europe, o CEI-Iscte contribui para a investigação e para o debate sobre a evolução da democracia, com particular atenção às dinâmicas políticas do Sul da Europa e do mundo lusófono.

Programa

18h00 - Abertura

Ana Mónica Fonseca, Diretora do CEI-Iscte

Apresentação do relatório

Tiago Fernandes, Diretor do Centro Regional V-Dem da Europa do Sul e Investigador do CEI-Iscte

Comentário

Carlos Meléndez, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa)

Entrada livre.

Poderá consultar o relatório completo aqui.


Macau - Director da Escola Portuguesa de Macau defende que expansão faria “todo o sentido”

O novo director da Escola Portuguesa de Macau (EPM) declarou que, para já, não existem planos para a expansão da instituição, embora fizesse “todo o sentido”, já que “está na capacidade máxima”, com um total de 828 alunos.


“A escola está na sua capacidade máxima. Eu diria que, quer obras de requalificação, quer alguma expansão – que tem sempre de ser muito bem pensada – naturalmente que teriam todo o sentido, porque viriam melhorar as condições globais, eventualmente criar um pouco mais de capacidade para acolhermos mais alunos”, disse, em entrevista à Lusa, João Miguel Gonçalves, recém-chegado ao cargo.

Questionado sobre se há novidades neste sentido, o director respondeu negativamente. Quer a expansão quer a requalificação estão em “cima da mesa já há muitos anos”, lembra, notando ainda “ser prematuro” falar sobre o tema, já que “são decisões que passarão necessariamente, quer pela Fundação Escola Portuguesa de Macau, quer pelos órgãos de governo” de Portugal e Macau.

Há vários anos que se fala numa possível expansão da EPM, com falta de espaço crónica, tendo-se inclusivamente aventado a hipótese de deixar o edifício actual e criar de raiz uma nova estrutura na ilha da Taipa.

No presente ano lectivo, estão inscritos 828 alunos – mais 18 do que no ano anterior – de cerca de dezena e meia de nacionalidades, sendo a maioria portugueses e chineses. Apesar do aumento de inscritos não representar uma variação significativa, “é um sinal positivo”, destaca João Miguel Gonçalves, lembrando a “forte redução de alunos” no território.

“A EPM está numa situação ímpar desse ponto de vista, porque tem especificidades que fazem com que a procura não seja a procura normal do mercado na área da educação. E aqui, pelo menos, nota-se que se mantém uma dinâmica de procura importante”, reforça.

No que diz respeito aos professores – 83 a cargo de 38 turmas -, este ano o estabelecimento conta com novos cinco profissionais contratados em Portugal, de acordo com o director, que recusa a falta de educadores, contrariando, desta forma, a existência de instabilidade no corpo docente de anos passados.

Em Junho, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, reconheceu dificuldades na contratação de docentes para instituições de ensino portuguesas em Macau devido a alterações nas autorizações de residência e, segundo disse, a melhores condições em Portugal.

Macau não aceita desde Agosto de 2023 novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território.

João Miguel Gonçalves olha com naturalidade para as circunstâncias actuais: “Isso talvez seja uma questão para quem já cá vivia. Para quem chega hoje, chega com as condições que existem hoje”.

Sobre o arranque do novo ano lectivo, o director garante que decorreu “com toda a tranquilidade” e após obras de melhorias do espaço. A escola, defende, deverá continuar a afirmar-se como “uma plataforma de encontro entre as culturas portuguesa e chinesa”, focada na promoção da multiculturalidade.

A língua e a cultura portuguesas continuam a ser a marca identitária e o núcleo do projecto educativo da EPM, embora João Miguel Gonçalves defenda, simultaneamente, continuar a investir no mandarim.

Sobre o que se segue, diz que “o primeiro grande desafio é que esta é uma escola única”, que cumpre finalidades “que estão muito além” das escolas em Portugal ou de outras escolas portuguesas no estrangeiro: “ser um baluarte da língua e cultura portuguesas na Ásia, na RAEM, República Popular da China, com uma configuração no seu modelo gestionário, que é também única”.

A EPM leva a cabo a realização de uma cerimónia semanal do hastear da bandeira da China. A EPM “vem desenvolvendo há pelo menos dois anos”, às segundas-feiras, esta cerimónia, diz o director, notando, porém, ser uma actividade de carácter voluntário.

“Tudo o que seja regulamentos e leis são para cumprir (…), tudo o que tenha a ver com a cerimónia está de tal forma balizado que penso que não nos cabe entrar nesse debate”, acrescenta, quando questionado sobre o tema.

Ensino além da sala de aula com apoio da IA

João Miguel Gonçalves defende o reforço da utilização da Inteligência Artificial (IA) na educação, inspirando-se em modelos observados em escolas chinesas e admitindo uma possível colaboração com uma instituição de Hangzhou. À frente da EPM desde Setembro, integrou recentemente uma delegação do sector educativo numa visita ao Interior da China. Uma das paragens foi a escola pública Qian Xuesen, em Hangzhou.

“A abordagem que estão a fazer vem ao encontro de algumas ideias que eu já preconizava em Portugal, que é um pouco a utilização da IA, das novas tecnologias, não só dentro do próprio espaço da sala de aula, mas que toda a escola, que é isso que acontece um pouco lá, se possa transformar em local de aprendizagem”, disse.

“Ou seja, as crianças, os jovens, quando saem para os corredores – nos corredores também há permanentemente nas paredes coisas a acontecer com que eles podem interagir e em que há aprendizagem”, especifica.

João Miguel Gonçalves diz que falou com a DSEDJ para criar uma “relação especial-protocolar” com a escola em Hangzhou.

A ideia, diz, passa por “desboroar um bocado o conceito” de que apenas na sala de aula se concretiza a aprendizagem e transformar “todos os espaços e todos os momentos em momentos de aprendizagem”.

O director da EPM sublinha que “é inevitável” o caminho em direcção à IA, o que “não quer dizer ecrâs e salas cheias de computadores”.

“Hoje não é isso, é uma espécie de uma domótica global que recolhe dados das mais diversas áreas e que, ao monitorizar a própria gestão e administração, o funcionamento pedagógico, as instalações, começa a gerar informação que, para os educadores, é altamente valiosa para tomar decisões”, explica.

O responsável nota que a utilização de IA e da gamificação – uso de elementos, mecânicas e dinâmicas de jogos em contextos que não são jogos – pode aumentar o tempo efectivo de aprendizagem, gerar mais informação sobre o desempenho dos alunos e facilitar um acompanhamento mais individualizado.

Num modelo clássico, exemplifica, a aprendizagem numa aula de português depende do número de minutos que se passa a exercitar. Em cada aula de 45 minutos, cada aluno, efectivamente lerá ou terá escrito 20 ou 25 minutos, sugere o director.

Mas, se for utilizada tecnologia – não necessariamente um computador, “pode ser um tipo de aprendizagem com outro tipo de experiência” -, aumentar-se-á o número de minutos efectivos em que o aluno está a aprender.

“Enquanto numa aula – a não ser que estejamos lá com o cronómetro – nós nunca conseguimos ter certeza absoluta de qual foi o tempo aproveitado, se tivermos instrumentos em que o aluno esteja a trabalhar, vamos ter mais dados sobre essa aprendizagem, que tempo é que é efectivamente aproveitado, em que conhecimento ou proficiência leitora se transformou”, diz.

Se um professor estiver sozinho numa sala a ensinar português, também não terá capacidade de “criar individualização”, ao contrário destes novos “processos de apoio ao professor”: “vai ser um pouco como se tivéssemos 21 professores a trabalhar individualizadamente, personalizadamente, com cada aluno”.

Formação de lideranças “é importante”

O director da EPM defendeu uma “componente forte” na formação de lideranças desde os primeiros graus de ensino, notando que esta é uma área que interessa à instituição desenvolver.

“Pensamos na formação de lideranças já quando as pessoas são profissionais. Não, a formação de lideranças está hoje em diversos programas que já se implementam desde o primeiro, segundo, terceiro ciclos, o ensino secundário, em conjunto com universidades, escolas de negócios, de economia, e isso é importante”, diz João Miguel Gonçalves.

O director nota que já existem projectos na EPM que se vão “fazendo de forma mais informal”, mas é necessário apresentá-los agora com uma estrutura e uma identidade “mais clara”. “Temos de ambicionar também criar novas dinâmicas”, explica. Para já, refere, existem apenas ideias.

“No âmbito destas áreas de melhoria [da escola], da visão que vou construindo cooperativamente (…), temos que ter uma componente forte de formação de lideranças”, considera. Pode vislumbrar-se parcerias com instituições de Macau, Portugal ou do interior da China.

No âmbito das comemorações dos 30 anos da EPM, que se celebram em 2028, o responsável indica que a direcção da EPM quer perceber onde andam os antigos alunos, o que fazem hoje e que impacto teve a EPM. O levantamento sobre o percurso dos alunos poderá ser apresentado em forma de um livro com entrevistas, antecipa, notando, porém, que o programa das comemorações ainda está a ser delineado. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Brasil - Do suicídio eleitoral à dinastia Bolsonaro

Se Lula não conseguir o apoio popular necessário no Segundo Turno, dia 25, o país ficará em mãos de uma família, a família Bolsonaro. Podemos dizer em mãos ou nas mãos de uma dinastia. A Dinastia Bolsonaro.

Dinastia quer dizer um regime político onde o poder passa de um parente para outro, de pai para filho, para esposa, depois para o irmão, etc.

Por exemplo, na Nicarágua, a família Somoza governou mais de 40 anos. O pai Anastácio passou para os filhos Luís e Anastácio. Outros exemplos: a família Duvalier no Haiti, a família Trujillo na República Dominicana. A família Assad, na Síria, e a família Heydar Aliyev no Azerbaijão. Mas há também a dinastia Kim, na Coreia do Norte. E sem querer magoar meus companheiros, havia a dinastia Castro em Cuba.

O já quase presidente Flávio Rachadinha promete acabar com a reeleição. Excelente! Mas que em lugar de 4 anos, o presidente terá 5 anos. Assim, todo mundo pode bater palmas, Flávio não irá pleitear reeleição, mas como os Bolsonaro formam uma dinastia, é quase certo que, em 2031, se o Brasil não tiver virado uma ditadura, que o candidato à sua sucessão será...

Será quem? Ora, ninguém precisa ser profeta - o candidato para suceder a Flávio será Jair Bolsonaro,o retorno do pai, com eleição garantida pelas orações dos evangélicos.

Com uma grande decepção para o governador Tarcísio de Freitas, cuja reeleição não lhe garantirá a presidência. E por um defeito, impossível de corrigir, Tarcísio é de Freitas e não tem o sobrenome Bolsonaro, ou seja, não pertence à Dinastia.

Coitado do Tarcísio? Nem tanto, coitado dos pobres evangélicos aos quais será garantido, sem recibo, o céu, depois de uma vida bem dura, já acostumados a viver sem o SUS, com aposentadoria reduzida, sem universidades e sem ginásios gratuitos para seus filhos e sem as cotas, mas que continuarão a votar num dos Santos Bolsonaros.

Feliz domingo 25 de outubro, será o que estou chamando dia do Suicídio Eleitoral. Rui Martins - Suíça

 

Portugal - Cientistas desenvolvem hidrogel inovador para tratamento do melanoma

Equipa da FCUP e da U.Minho desenvolveu um sistema de libertação controlada de um fármaco anticancerígeno para aplicação localizada na pele


Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do CBMA – Centro de Biologia Molecular e Ambiental da Universidade do Minho desenvolveu um hidrogel inovador com potencial para tratamento do melanoma, a forma mais grave de cancro da pele. Só em Portugal, surgem mil a 1500 novos casos por ano.

O que tem este hidrogel de particular? É um material híbrido composto por nanocápsulas esféricas (vesículos), que incorporam a doxorrubicina, um fármaco utilizado no tratamento de vários tipos de cancro, e por um polímero em forma de malha (gel), que funciona como uma espécie de barreira, permitindo controlar a libertação do medicamento.

“Desenvolvemos um sistema de libertação controlada de um fármaco, que permite que este seja libertado de forma gradual no local da aplicação, mantendo a sua atividade e podendo reduzir a exposição a tecidos saudáveis”, descrevem Isabel Oliveira e Eduardo Marques, investigadores do Centro de Investigação em Química da Universidade do Porto (CIQUP) e docentes da FCUP.

Este hidrogel foi concebido para aplicação localizada na pele, por exemplo na área afetada pelo melanoma, podendo futuramente ser explorado como complemento de outras abordagens terapêuticas, nomeadamente após cirurgia.

A libertação localizada e controlada do fármaco poderá reduzir a exposição de tecidos saudáveis e, consequentemente, alguns dos efeitos secundários associados à quimioterapia.

Características únicas do hidrogel

Para além de apresentar boa biocompatibilidade nos ensaios laboratoriais realizados no CBMA, os cientistas verificaram, em estudos anteriores, que as nanocápsulas utilizadas neste hidrogel são sensíveis ao pH. Assim, em contacto com os tumores, que geralmente apresentam um ambiente mais ácido, este sistema poderá facilitar a libertação do medicamento.

O hidrogel apresenta também a característica particular de ser sensível à temperatura. “À temperatura ambiente, o material é uma solução que pode ser facilmente manipulada e aplicada. Quando entra em contacto com a pele, devido à diferença de temperatura, ocorre rapidamente a transição para o estado de gel, o que favorece a sua permanência no local de aplicação”, descrevem os cientistas do CIQUP.

Um dos principais desafios foi precisamente combinar os dois componentes do hidrogel sem comprometer as suas propriedades individuais. “Foi necessário compreender como os vesículos e o gel polimérico interagem entre si, para encontrar as condições que permitem obter um material estável, capaz de transportar e libertar o medicamento de forma controlada”, explica Rui Machado, primeiro autor do estudo, desenvolvido no âmbito da sua tese de doutoramento em Química, defendida em abril na FCUP.

Testes em culturas 2D e 3D em células de melanoma

Para realizar este estudo multidisciplinar, os investigadores da FCUP desenvolveram e caracterizaram o hidrogel híbrido, que foi posteriormente testado pela equipa do CBMA, na Universidade do Minho.

Os cientistas do CMBA utilizaram culturas 2D e 3D de células de melanoma, sendo estas últimas capazes de reproduzir algumas características da organização de um tumor.

“Verificámos que o hidrogel permite a libertação do fármaco e a sua entrada nas células tumorais, incluindo nas regiões mais profundas dos modelos 3D, mantendo a sua atividade anticancerígena”, explicam Andreia Gomes e Bruna Silva, investigadoras do CBMA.

Os ensaios mostraram ainda que o hidrogel desenvolvido aumentou a quantidade de fármaco introduzido nas células de melanoma, em comparação com o gel polimérico ou as nanocápsulas em separado.

Os resultados deste trabalho, desenvolvido ao longo de dois anos, foram recentemente publicados na revista ACS Applied Bio Materials, da American Chemical Society.

Os cientistas querem agora avançar para estudos in vivo de forma a avaliar a interação do hidrogel e do fármaco com o organismo. O objetivo é continuar a explorar o potencial deste sistema inovador para se chegar a um tratamento anti-melanoma mais localizado e com menos efeitos secundários. Universidade do Porto - Portugal


domingo, 11 de outubro de 2026

França - Deputado diz que origens portuguesas moldaram a sua visão política

O deputado francês Ludovic Mendes acredita que as suas origens portuguesa e espanhola contribuíram para ser um político centrista e moderado, evitando os extremos da sociedade francesa

“Eu tenho a vantagem de ter três nacionalidades, porque sou francês, espanhol e português”, afirmou à Agência Lusa, à margem do congresso da associação Cívica em Paris.

Esta tripla identidade, salientou, permite-lhe “compreender outras perspetivas”.

Por outro lado, a história dos pais e dos avós “leva-me a lutar contra o extremismo”, referindo a oposição e fuga das famílias às ditaduras fascistas de Portugal e Espanha no século passado.

“Eu tenho um bisavô que foi fuzilado em Espanha pelos franquistas. Sabemos o que é lutar pela democracia e pela República. E acredito que, hoje em dia, esta é uma luta que não podemos perder”, enfatizou.

Mendes foi um dos intervenientes do congresso da associação de autarcas franceses de origem portuguesa, realizado numa sala do Senado.

Nascido em Metz, Ludovic Mendes, de 39 anos, é eleito desde 2017 pelo departamento de Moselle, nordeste de França, pela coligação Juntos (Ensemble), do Presidente, Emmanuel Macron.

Os outros quatro deputados franceses de origem portuguesa são Emmanuel Fernandes, Christine Pirès Beaune e Christophe Proença, todos da coligação de esquerda Nova Frente Popular, e Nathalie da Conceição Carvalho, do partido de extrema-direita União Nacional.

A menos de um ano das eleições presidenciais francesas, em abril de 2027, Mendes alertou para “um debate complicado em França, uma vez que os extremos estão enredados num debate identitário que muitos franceses também prefeririam não ter”.

A discussão em torno da identidade francesa é um dos temas que está a marcar o período pré-campanha, opondo a direita e extrema-direita, críticas do multiculturalismo e da imigração, à esquerda e extrema-esquerda, defensoras dos valores republicanos e do universalismo.

“Hoje em dia, falar de identidade num país que está a atravessar dificuldades económicas não vai resolver essas dificuldades”, argumentou Mendes. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Cabo Verde - Comunidade lusófona tem “razões legítimas” para aspirar a língua oficial da ONU

A Presidente da República interina de Cabo Verde afirmou sábado, durante um encontro de escritores de língua portuguesa, na Praia, que a comunidade lusófona tem “razões legítimas” para aspirar ao reconhecimento do português como língua oficial das Nações Unidas

Janira Hopffer Almada falava na sessão de encerramento do XIV Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, promovido pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e a Câmara Municipal da Praia, e que decorreu desde quinta-feira até sábado na capital cabo-verdiana.

“Tal aspiração encontra fundamento não apenas na dimensão demográfica dos seus falantes, mas também na relevância crescente dos países que integram a comunidade de língua portuguesa e no contributo que estes oferecem para o diálogo intercultural, para a paz, para a cooperação internacional e para o desenvolvimento sustentável”, disse.

Para Janira Hopffer Almada, é fundamental o reforço da presença da língua portuguesa nos domínios da ciência, da investigação, da inovação tecnológica e da produção académica”.

A língua portuguesa como elemento de adaptação num mundo em mudança foi o tema deste encontro de escritores, que contou com a participação de autores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe. Timor-Leste está representado pelo ministro da Administração estatal, Tomás do Rosário Cabral.

Para a secretária-geral adjunta da UCCLA, Paula Leal da Silva, o encontro que hoje terminou resultou num “conjunto inovador e interessante”.

A embaixadora congratulou-se também com a disponibilidade de Timor-Leste em acolher a próxima edição deste encontro de escritores, comunicada durante o mesmo pelo ministro da Administração Estatal, Tomás do Rosário Cabral, sublinhando que na cidade da Praia os participantes de vários países têm-se sentido “verdadeiramente em casa”.

E prometeu repensar o Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa, cuja análise foi hoje o tema do último painel do encontro, antes do encerramento do evento.

Segundo o assessor cultural da UCCLA, Manuel Sousa Guedes, o valor monetário, que atualmente se situa nos 3000 euros, vai aumentar para 5000 euros.

O prémio da edição deste ano foi atribuído ao indigenista ítalo-brasileiro Ricardo Rao, pelo livro Antologia Brutalista. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Se o jardim secar

 












Vamos aprender português, cantando

 

Se o jardim secar

 

Hás de sempre estar longe demais

e eu nunca vou chegar onde não posso estar

e não há outra forma de ir embora

se não esta de ficar, se não esta de adiar

uma brutal tempestade que me espera

e que nos vai levar ou para a terra ou mar

 

Se o jardim secar e por uma hora

como desfaço a morte? Não se desfaz, a morte

então prende-te ao meu corpo e faz amor comigo

e nada mais importante, e nada mais me falta

 

Milhanas - Portugal


sábado, 10 de outubro de 2026

Cabo Verde - Mureno lança novo single "Fastenta"

O cantor Mureno lançou na sexta-feira, 9, o seu mais novo single intitulado “Fastenta”. O single já se encontra disponível em todas as plataformas digitais e com videoclipe no Youtube


Segundo uma nota da produtora Harmonia, em “Fastenta”, Mureno fala sobre um amor maduro e compreensivo, capaz de suportar as fases mais difíceis de uma relação a dois.

“Fastenta retrata a realidade de muitas pessoas. Sempre existe aquele outro lado da relação, com desentendimentos, ciúmes, manias ou reclamações. Em contrapartida existe a outra parte que entende, suporta. Todo mundo tem uma ´Fastenta´ em sua vida, e mesmo com desentendimentos, no fim acaba sempre escolhendo um ao outro”, relata.

A mesma fonte indica que o tema mostra ainda que amar significa muitas vezes “equilibrar”, tendo o sentimento como a base que sustenta a relação.

O tema é um estilo Compa composição de Mureno e Manolo, enquanto o beat esteve a cargo de Aldo Baby e Mayou Beats.

De lembrar que Mureno lançou o seu primeiro EP intitulado “Garota” em Novembro de 2025, mas já era conhecido através dos temas como “Mor Di Nha Vida”, “Pikiniki Na Lua”, “Kusas d Coraçon” entre outros. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


Portugal - Festival Guadiana aproxima o país, África e América Latina através da literatura

A presidente da entidade gestora de Évora_27 considerou sexta-feira que o festival literário afro-ibero-americano da cidade mostra que a literatura “está viva” e é “uma disciplina artística poderosíssima” para aproximar continentes e pessoas


Em declarações aos jornalistas, à margem da abertura do 1.º Guadiana – Festival de Literaturas Afro-Ibero-Americanas, que decorre até domingo na cidade, Maria do Céu Ramos, presidente da Associação Évora 2027, gestora da Capital Europeia da Cultura (CEC) Évora_27, argumentou que a literatura “é um oceano de possibilidades artísticas”.

“O nome que o curador [do festival] escolheu para este projeto, Guadiana, simboliza esta raiz comum de água, esta matéria que é fluxo de união entre Espanha e Portugal” e “que nos leva até à Ibero-América e a África, com a nossa língua portuguesa [e] com a língua espanhola, ampliadas pelo tempo, revistas na imaginação de cada um dos autores”, continuou.

Segundo Maria do Céu Ramos, o festival literário Guadiana constitui “um espaço aberto ao encontro da Europa com África e com a América Latina”.

“E é uma demonstração de que a literatura está viva e é uma disciplina artística poderosíssima, não apenas para aproximar continentes, escritores e leitores, mas para aproximar pessoas, para estimular a imaginação e ajudar cada um de nós a encontrar o seu lugar no mundo”, argumentou.

Aludindo ao festival que arrancou sexta-feira no Teatro Garcia de Resende, com a participação de 28 autores, oriundos de nove países, a presidente de Évora 2027 afiançou que é “um pilar estruturante” do livro de candidatura que granjeou para a cidade alentejana o ‘selo’ de Capital Europeia da Cultura.

“Quando propusemos este projeto dentro do livro de candidatura de Évora_27 pensámos em abrir a Europa ao mundo através dos livros, das várias correntes de escrita que estão subterrâneas a este Oceano Atlântico que nos aproxima”, referiu.

E por isso, o que se pretende com o evento literário “é criar um grande espaço” para esta disciplina artística e cultural que é a literatura, frisou.

E, acrescentou, “aproximar as culturas que, tendo raiz nesta Península Ibérica, são de tês continentes e aproximam escritores, leitores e vários géneros literários, do ensaio à poesia e à ficção”.

Questionada sobre qual a marca que espera que seja deixada pelo festival literário, que vai ter segunda edição em outubro do próximo ano, em plena Évora_27, Maria do Céu Ramos escolheu “a marca da continuidade”.

O festival, precisou, “tem estrutura e ambição para ter um novo fôlego, isto é, para não se esgotar na Capital Europeia da Cultura no ano de 2027 e poder ficar no seu legado pós-27”.

“É muito importante o que fica daquilo que se passa e, portanto, o festival Guadiana, durante uns dias, vai estar aqui, aproximando escritores, leitores, pensando a escrita, mas a grande ambição é que possa repetir-se, consolidar-se e fazer parte de um legado que enriqueça a paisagem cultural de Évora e da região”, vincou.

Já o presidente da Câmara de Évora, Carlos Zorrinho, considerou “muito importante” o festival e argumentou que “a literatura e o vagar [mote de Évora_27] são irmãos gémeos”.

“A nossa cultura decorre muito de um cruzamento entre o Atlântico Sul e o Mediterrâneo, a ligação à América do Sul, aos países ibero-americanos, a ligação a África”, disse, defendendo ser “muito positivo” acolher estes escritores em Évora, para demonstrar o potencial de uma cidade que já é “capital da cultura”, mas que, em 2027, vai ter “a particularidade de ser capital europeia da cultura”.

O Guadiana – Festival de Literaturas Afro-Ibero-Americanas, que tem como curador António Sáez Delgado, escritor e tradutor espanhol, professor e atual vice-reitor para a Cultura e Sociedade da Universidade de Évora (UÉvora), está integrado na programação da CEC Évora_27.

Organizado por Évora_27, UÉvora e Cátedra de Estudos Ibéricos da academia alentejana, o certame inclui mesas de conversa, música, oficinas de desenho e literatura, uma sessão de ‘spoken word’ e momentos de encontro entre autores e leitores. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Portugal - Leitores de português no estrangeiro criam sindicato

Os leitores de português no estrangeiro anunciaram a criação do SiLPE – Sindicato dos Leitores de Português no Estrangeiro, numa reação ao processo de revisão do Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro (RJEPE), que consideram não responder às especificidades da profissão nem garantir uma adequada valorização destes docentes


Num comunicado divulgado na passada terça-feira, 6 de outubro, os promotores do novo sindicato afirmam que as informações que têm sido divulgadas pelo Governo sobre o novo RJEPE não correspondem à realidade vivida pelos leitores e lamentam não terem tido representação efetiva à mesa das negociações.

Entre as principais críticas está o aumento das responsabilidades atribuídas aos leitores, que, segundo o comunicado, acumulam atualmente funções de docência universitária com a gestão de atividades culturais de embaixadas, Centros de Cultura Portuguesa, Centros de Língua Portuguesa, redes de professores, cátedras de investigação e centros de exames de certificação, entre outras tarefas.

Os leitores afirmam que o novo regime não limita esta acumulação de funções, nem prevê uma redução da carga letiva, o pagamento de horas extraordinárias ou compensações financeiras pela acumulação de responsabilidades.

Outra questão considerada particularmente grave pelo recém-criado sindicato é a eliminação do subsídio de residência. Segundo os leitores, muitos trabalham fora da União Europeia, em países onde enfrentam condições de vida e trabalho particularmente exigentes, incluindo dificuldades no acesso a cuidados de saúde, educação para os dependentes, isolamento geográfico e riscos para a segurança pessoal.

O SiLPE contesta igualmente os números apresentados pelo Governo relativamente à atualização das remunerações. Os Leitores sustentam que o vencimento base não é atualizado desde 1999 e que os subsídios de residência não acompanham há décadas a evolução do custo de vida.

O novo RJEPE prevê, segundo o comunicado, aumentos remuneratórios que o Governo apresenta como podendo atingir, em média, cerca de 20% entre 2027 e 2029. Os leitores contrapõem que, devido à alteração da fórmula de tributação, a maioria poderá acabar por receber menos em termos líquidos.

De acordo com os dados apresentados pelo sindicato, 49 dos atuais 56 leitores poderão sofrer uma redução do rendimento líquido, que em alguns casos poderá chegar aos 31%, com perdas superiores a mil euros mensais. Os restantes sete Leitores teriam aumentos líquidos que, segundo o comunicado, variariam entre 0,8% e 13,6%.

O SiLPE critica ainda a ausência de valorização da experiência profissional e do percurso académico dos Leitores. Os docentes consideram particularmente problemática a manutenção da obrigação de voltar a realizar provas de admissão sempre que pretendam mudar de posto, defendendo que a experiência acumulada deveria ser reconhecida no processo de recrutamento e progressão.

Os promotores do sindicato alertam também para a falta de atratividade da rede de leitorados. Segundo os números apresentados no comunicado, 17 dos 58 leitorados existentes, cerca de 29%, não estão atualmente preenchidos por leitores em comissão de serviço.

Na sua perspetiva, as condições remuneratórias e profissionais contribuem para esta falta de atratividade, situação que poderá agravar-se com o novo regime, que, alegam, prevê condições menos favoráveis para os novos Leitores e limita a renovação das comissões de serviço dos novos profissionais da Rede EPE a um máximo de nove anos.

É neste contexto que surge o SiLPE – Sindicato dos Leitores de Português no Estrangeiro. Os seus promotores explicam que, apesar de muitos leitores estarem já sindicalizados noutras estruturas, entenderam ser necessário criar uma organização sindical própria, capaz de representar especificamente as características e reivindicações desta profissão.

O novo sindicato afirma ter como objetivo “visibilizar as especificidades da profissão de leitor e as condições nas quais desempenham as suas funções, próprias e acumuladas”, bem como defender “a justa valorização da profissão”.

A criação do SiLPE acontece num momento de particular importância para a rede de ensino português no estrangeiro, perante a revisão do regime jurídico que enquadra a atividade dos leitores e as restantes estruturas da Rede EPE.

No comunicado de apresentação, os leitores deixam claro que pretendem continuar a contestar aquilo que consideram ser uma desvalorização da profissão e defender uma revisão das condições remuneratórias, profissionais e de exercício de funções.

O sindicato apresenta-se, assim, como uma nova voz organizada dos leitores de português no estrangeiro, numa altura em que as alterações ao RJEPE estão a suscitar forte preocupação entre estes docentes. In “Bom dia Europa”


Moçambique - Eduardo Quive e Sangare Okapi vencem Prémio Literário Mia Couto

Os escritores moçambicanos Eduardo Quive e Sangare Okapi são os vencedores da quarta edição do Prémio Literário Mia Couto, nas categorias de Prosa e Poesia, respectivamente. Os resultados foram anunciados na cidade da Beira.


Sangare Okapi foi distinguido na categoria de Poesia pela obra Utse, enquanto Eduardo Quive conquistou o prémio de Prosa com o livro Mutiladas. Cada vencedor recebe um valor de 400 mil meticais.

Os dois autores integravam a lista dos dez finalistas seleccionados pelo júri entre 63 candidaturas, das quais 34 correspondiam a obras de poesia e 29 a obras de prosa.

Promovido pela Cornelder de Moçambique, em parceria com a Associação Kulemba, o Prémio Literário Mia Couto tem como objectivo reconhecer e incentivar a produção literária moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Macau - Defendida aposta na publicação bilingue chinês-português

O deputado Lam Fat Iam defende que Macau pode desempenhar uma “função única” na publicação bilingue chinês-português e chinês-espanhol. “No futuro, poderá impulsionar, com prioridade, a tradução e divulgação de publicações chinesas de excelência para o mundo lusófono e hispânico”, sugere, querendo também que mais obras académicas, literárias e históricas dos Países de Língua Portuguesa e Espanhola sejam trazidas para o conhecimento dos leitores chineses

Na óptica do deputado e presidente da Associação de Publicações de Ensino Cultural de Macau, Lam Fat Iam, Macau, enquanto plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), pode desempenhar uma “função única” na publicação bilingue chinês-português e chinês-espanhol, no intercâmbio sobre direitos de autor, na cooperação em tradução e nas feiras internacionais do livro.


“No futuro, poderá impulsionar, com prioridade, a tradução e divulgação de publicações chinesas de excelência para o mundo lusófono e hispânico, bem como trazer obras académicas, literárias e históricas excelentes dos PLP e dos Países de Língua Espanhola para o conhecimento dos leitores chineses”, defendeu. No geral, apelou à RAEM para que se esforce para se tornar “um importante intermediário editorial e um centro de conhecimento para a entrada da cultura chinesa no mundo lusófono e hispânico”.

As declarações do deputado nomeado pelo Chefe do Executivo foram feitas em reacção ao “Plano de Desenvolvimento da Indústria Editorial para o 15.º Plano Quinquenal”, divulgado recentemente pela Administração Nacional de Imprensa e Publicações. Para Lam Fat Iam, este Plano “proporciona uma orientação clara para a causa editorial e cultural de Macau” e significa “uma oportunidade importante para Macau se integrar na conjuntura geral de desenvolvimento cultural do país, e fazer uso das vantagens institucionais de ‘Um País, Dois Sistemas’ e das características de confluência cultural entre a China e o Ocidente”.

O Plano determina que, até 2030, a indústria editorial deve ser impulsionada a alcançar resultados notáveis no desenvolvimento de alta qualidade. Sobre Macau, o deputado vincou que “desde que a RAEM consiga transformar os recursos culturais locais em frutos editoriais de elevada qualidade, converter as vantagens derivadas da plataforma sino-lusófona em capacidades de transmissão internacional e transformar a força académica das instituições de ensino superior num novo motor para a inovação editorial, Macau poderá certamente dar o seu contributo com características próprias para o desenvolvimento de alta qualidade da indústria editorial nacional”.

O Plano sugere ainda a organização e publicação de obras clássicas com grande valor cultural e impulso dado à publicação académica inovadora, de literatura juvenil e de obras literárias “de excelência”. Na opinião de Lam Fat Iam, nesse sentido, Macau deve elevar a sua identidade cultural, através da publicação de obras de alta qualidade.

Especificamente, propôs que, em torno de temas como “a prática bem-sucedida de ‘Um País, Dois Sistemas’, o desenvolvimento social alcançado desde o regresso de Macau à Pátria, a tradição de amor à Pátria e a Macau e a transmissão da cultura chinesa em Macau”, se planeie “uma série de projectos editoriais de excelência”.

Neste ponto, defendeu ainda que é necessário reforçar prioritariamente “a organização sistemática de livros e documentos antigos, materiais de jornais e revistas, arquivos locais, documentos familiares e memórias populares”, para impulsionar projectos editoriais “emblemáticos”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Cabo Verde - Carla Semedo lança livro que propõe uma “nova narrativa” sobre a migração cabo-verdiana para São Tomé e Príncipe

Cidade da Praia - A investigadora Carla Semedo lançou na Livraria Pedro Cardoso, na Praia, o livro Ilusões do Contrato?, obra que dá voz aos migrantes cabo-verdianos e analisa as vivências construídas nas roças de São Tomé e Príncipe.

Em entrevista à Inforpress, a autora explicou que a publicação nasceu da necessidade de desconstruir narrativas exclusivamente negativas associadas à presença cabo-verdiana naquele arquipélago.

O objectivo é apresentar outras dimensões dessa experiência migratória, dando visibilidade às relações sociais, às expressões culturais e ao quotidiano comunitário edificado ao longo do tempo.

Segundo Carla Semedo, o livro procura mostrar que, para além das tensões, dos maus-tratos e das dificuldades enfrentadas pelos migrantes nas roças, existem também pessoas, famílias e comunidades que construíram as suas vidas naquele país.

“Com esse livro, quero poder trazer uma outra narrativa”, afirmou a autora, sublinhando a importância de compreender outras dinâmicas e relações para além das representações negativas que têm marcado o discurso sobre os cabo-verdianos em São Tomé.

A obra resulta de uma investigação na área da Antropologia Social, desenvolvida no âmbito do seu doutoramento e que começou com uma primeira aproximação a São Tomé, em 2010, e prosseguiu com a investigação académica iniciada em 2012.

Carla Semedo realizou trabalho de campo no país em 2013 e regressou em 2015, antes de apresentar a investigação em 2016.

Inicialmente, o interesse da investigadora estava relacionado com o batuque, prática musical e cultural cabo-verdiana que pretendia conhecer no contexto são-tomense. Contudo, a investigação evoluiu para uma abordagem mais ampla sobre a migração, as representações sociais dos cabo-verdianos e a forma como estes compreendem a sua própria trajetória.

Carla Semedo esclareceu que Ilusões do Contrato? não é uma obra exclusivamente histórica, mas um estudo antropológico que privilegia os testemunhos e as narrativas das pessoas que viveram essa experiência.

A investigação procura, assim, compreender o processo migratório a partir das vozes dos próprios protagonistas, complementando as interpretações construídas com base nos arquivos históricos.

Com esta publicação, Carla Semedo pretende contribuir para um conhecimento mais abrangente da história da migração cabo-verdiana, acrescentando novas perspetivas ao debate sobre os deslocamentos, a memória e a identidade.

A apresentação do livro aconteceu na Livraria Pedro Cardoso, no bairro da Fazenda, na cidade da Praia. In “Inforpress” – Cabo Verde