Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 31 de outubro de 2026

Brasil - É destaque em relatório sobre avanço da restauração da natureza no mundo

Estudo da ONU revela que 252 milhões de hectares estão a ser restaurados, no maior esforço já visto para salvar a biodiversidade. O Brasil tem 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação e está a conseguir assegurar o retorno de espécies que estavam ameaçadas de extinção


O mundo está a realizar, neste momento, o maior esforço global já documentado de restauração da natureza com 252 milhões de hectares sendo recuperados em 149 países. Além de beneficiar plantas e animais, a iniciativa está a gerar um milhão de empregos verdes.

Mas para alcançar a meta acordada entre os países, de restaurar mil milhões de hectares até 2030, o financiamento precisa quadruplicar e o ritmo das ações deve ser mais rápido com um foco em ecossistemas de água doce, marinhos e costeiros.

Retorno de onças-pintadas e micos-leões-de-cara-dourada no Brasil

O Relatório de Progresso da Restauração: O Retorno da Natureza, divulgado nesta quinta-feira, é a primeira avaliação abrangente do progresso dos países na recuperação da biodiversidade.

O documento inclui iniciativas de sucesso no Brasil como a recuperação da Mata Atlântica, em parceria com o Paraguai e Argentina. Mais de 300 organizações estão a restaurar a paisagem, criando corredores ecológicos para espécies ameaçadas de extinção.

O projeto, conhecido como Pacto Trinacional da Mata Atlântica, é reconhecido como uma das 35 Iniciativas de Referência da ONU para a Restauração Mundial e está a assegurar o retorno de onças-pintadas e micos-leões-de-cara-dourada à Mata Atlântica brasileira. As ações já estão a contribuir para salvar 700 mil hectares de floresta no caminho para restaurar 1 milhão até 2030.

No país como um todo, os sistemas de satélite e monitorização indicam que 3,4 milhões de hectares estão a ser recuperados.

Reconhecimento do papel dos povos indígenas

O relatório está a ser lançado na metade da Década da Restauração de Ecossistemas, um esforço global criado pela ONU em 2021, sob liderança do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e pela Organização da ONU para Alimentação e Agricultura, FAO, que também são responsáveis pelo relatório.

Dentre as fontes de dados utilizadas estão os documentos nacionais apresentados pelos países no marco da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Apesar da contribuição significativa dos Povos Indígenas para a gestão dos ecossistemas, apenas duas nações, Brasil e Iêmen, relataram a existência de áreas em processo de restauração em territórios indígenas nos seus relatórios nacionais.

Os povos indígenas administram ou detêm direitos de posse sobre pelo menos 3,9 mil milhões de hectares de terra ao redor do globo, o que representa mais de um quarto da superfície terrestre do planeta. Estas áreas abrangem cerca de 40% de todas as zonas protegidas e paisagens ecologicamente intactas.

Iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre alcança US$ 7,8 mil milhões

O Brasil também é reconhecido por liderar a iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre, Tfff, na qual os rendimentos do capital aportado pelos patrocinadores são usados para financiar a manutenção e restauração das matas em países com florestas tropicais.

Até o encerramento da 30.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas, COP30, realizada em 2025 no Brasil, mais de US$ 6,7 mil milhões haviam sido prometidos frente a uma meta inicial de US$ 25 mil milhões. A meta total de capitalização é de US$ 125 mil milhões.

Compromissos recentes, como dos Países Baixos, em 26 de outubro, e do Reino Unido, no mês passado, elevaram a captação para US$ 7,8 mil milhões. No momento, o mecanismo está a ser copresidido pelo Brasil e pela Noruega.

Restauração ajuda a enfrentar os maiores desafios globais

O relatório do Unep e da FAO ressalta que restaurar 15% das áreas prioritárias no mundo poderia evitar 60% das extinções projetadas de espécies. Também poderia absorver grandes quantidades do gás dióxido de carbono, CO², que aquece o planeta, uma função crucial para manter o aquecimento global abaixo de 2°C.

Ao mesmo tempo, a agrofloresta, que combina árvores com culturas ou gado, poderia melhorar a segurança alimentar de 1,3 mil milhões de pessoas.

A coordenadora da Divisão de Ecossistemas do Pnuma, Natalia Alekseeva, destaca que restaurar ecossistemas degradados está entre as formas mais eficazes de enfrentar alguns dos maiores desafios do mundo.

Segundo ela, as ações de restauração podem reverter a perda de biodiversidade, ajudar as comunidades a se adaptarem às alterações climáticas, produzir alimento suficiente para uma população global em rápido crescimento e garantir meios de subsistência. Felipe de Carvalho – Brasil ONU News


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