Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 5 de março de 2026

Macau - Paralisação do Estreito de Ormuz provoca atrasos no transporte de produtos portugueses

O bloqueio do Estreito de Ormuz, crucial para o transporte marítimo de petróleo, poderá provocar atrasos superiores a três meses nas rotas entre a Europa e a Ásia. Segundo Sunny Ip, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, os actuais desafios geopolíticos poderão afectar o transporte e a importação de produtos portugueses como vinho, azeite e sardinhas


O conflito no Médio Oriente está a impactar o transporte marítimo de mercadorias entre a Europa e a Ásia, com possíveis consequências para os preços de alguns produtos de origem europeia vendidos em Macau.

De acordo com o jornal Ou Mun, o recente bloqueio do Estreito de Ormuz e as restrições à navegação comercial no Mar Vermelho estão a repercutir-se no “aumento persistente” da duração e do custo do transporte marítimo entre ambos os continentes.

O prolongamento do conflito poderá também resultar na subida dos preços das importações europeias. Sunny Ip, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, nota que incidentes anteriores no Mar Vermelho já tinham prolongado o transporte marítimo euro-asiático “de um mês para mais de dois meses”, afectando produtos portugueses como vinho, azeite e sardinhas.

Após o Irão ter anunciado esta segunda-feira o encerramento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas a nível mundial, o tempo de trânsito poderá subir “para três meses ou mais”, afirma o responsável – o que, por sua vez, contribuirá para aumentar os custos de armazenamento e manuseamento das mercadorias.

Também o aumento do preço do petróleo Brent, que já subiu mais de 12% em apenas três dias, vem elevar os custos de transporte. Segundo a mesma fonte, as tarifas para o transporte de um único contentor entre a Europa e a Ásia já atingiram mais de 10.000 renminbis. Por outro lado, as taxas de câmbio dos países envolvidos encontram-se actualmente numa fase de elevada volatilidade, fazendo com que o mercado financeiro passe a operar sob maior tensão.

Sonny Ip refere que as mercadorias com origem na Europa e na África “representam apenas 10% a 20% do total das importações de Macau”, com destaque para os produtos de luxo e os lacticínios. As reservas do inventário de mercadorias garantem, por enquanto, a estabilidade do abastecimento por mais “dois a três meses”, ao mesmo tempo que a diversificação das fontes de fornecimento – com a crescente importação de produtos lácteos do interior da China, da Austrália e da Nova Zelândia – reduz a dependência do mercado europeu.

Por sua vez, a cadeia logística dos produtos do mercado de massa não deverá ser afectada pelo conflito do Médio oriente, uma vez que estes bens são maioritariamente originários da China continental e do Sudeste Asiático.

Os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque militar contra o Irão no passado sábado, que o presidente norte-americano justificou com o objectivo de “eliminar ameaças iminentes do regime iraniano”. O Irão respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra o Iraque, a Jordânia, o Kuwait, o Bahrein, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e Israel. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) anunciou esta segunda-feira o encerramento do Estreito de Ormuz, que já tinha sido parcialmente encerrado em Fevereiro, com consequências para o preço do petróleo e de bens e serviços em todo o mundo. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


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