O bloqueio do Estreito de Ormuz, crucial para o transporte marítimo de petróleo, poderá provocar atrasos superiores a três meses nas rotas entre a Europa e a Ásia. Segundo Sunny Ip, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, os actuais desafios geopolíticos poderão afectar o transporte e a importação de produtos portugueses como vinho, azeite e sardinhas
O conflito no Médio Oriente está a
impactar o transporte marítimo de mercadorias entre a Europa e a Ásia, com
possíveis consequências para os preços de alguns produtos de origem europeia
vendidos em Macau.
De acordo com o jornal Ou Mun, o recente bloqueio
do Estreito de Ormuz e as restrições à navegação comercial no Mar Vermelho
estão a repercutir-se no “aumento persistente” da duração e do custo do
transporte marítimo entre ambos os continentes.
O prolongamento do conflito poderá também resultar na
subida dos preços das importações europeias. Sunny Ip, presidente da Associação
da União dos Fornecedores de Macau, nota que incidentes anteriores no Mar
Vermelho já tinham prolongado o transporte marítimo euro-asiático “de um mês
para mais de dois meses”, afectando produtos portugueses como vinho, azeite e
sardinhas.
Após o Irão ter anunciado esta segunda-feira o
encerramento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes e
estratégicas a nível mundial, o tempo de trânsito poderá subir “para três meses
ou mais”, afirma o responsável – o que, por sua vez, contribuirá para aumentar
os custos de armazenamento e manuseamento das mercadorias.
Também o aumento do preço do petróleo Brent, que já subiu
mais de 12% em apenas três dias, vem elevar os custos de transporte. Segundo a
mesma fonte, as tarifas para o transporte de um único contentor entre a Europa
e a Ásia já atingiram mais de 10.000
renminbis. Por outro lado, as taxas de câmbio dos países envolvidos
encontram-se actualmente numa fase de elevada volatilidade, fazendo com que o
mercado financeiro passe a operar sob maior tensão.
Sonny Ip refere que as mercadorias com origem na Europa e
na África “representam apenas 10% a 20% do total das importações de Macau”, com
destaque para os produtos de luxo e os lacticínios. As reservas do inventário
de mercadorias garantem, por enquanto, a estabilidade do abastecimento por mais
“dois a três meses”, ao mesmo tempo que a diversificação das fontes de
fornecimento – com a crescente importação de produtos lácteos do interior da
China, da Austrália e da Nova Zelândia – reduz a dependência do mercado
europeu.
Por sua vez, a cadeia logística dos produtos do mercado
de massa não deverá ser afectada pelo conflito do Médio oriente, uma vez que
estes bens são maioritariamente originários da China continental e do Sudeste
Asiático.
Os Estados Unidos e Israel lançaram um
ataque militar contra o Irão no passado sábado, que o presidente
norte-americano justificou com o objectivo de “eliminar ameaças iminentes do
regime iraniano”. O Irão respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra
o Iraque, a Jordânia, o Kuwait, o Bahrein, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes
Unidos e Israel. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês)
anunciou esta segunda-feira o encerramento do Estreito de Ormuz, que já tinha
sido parcialmente encerrado em Fevereiro, com consequências para o preço do
petróleo e de bens e serviços em todo o mundo. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto
Final”
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