Canção da Partida
Ao meu coração um peso de
ferro
Eu hei de prender na volta
do mar.
Ao meu coração um peso de
ferro... Lançá-lo ao mar.
Quem vai embarcar, que vai
degredado,
As penas do amor não
queira levar...
Marujos, erguei o cofre
pesado, Lançai-o ao mar.
E hei de mercar um fecho
de prata.
O meu coração é o cofre
selado.
A sete chaves: tem dentro
uma carta...
_ A última, de antes do
teu noivado.
A sete chaves, _ a carta
encantada!
E um lenço bordado... Esse
hei de o levar,
Que é para o molhar na
água salgada
No dia em que enfim deixar
de chorar.
Camilo Pessanha – Portugal
/ Macau
In Clepsidra, (1920, Lisboa, Lusitânia Editora)
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Há
alguns meses que o Blogue Baía
da Lusofonia apresenta aos domingos um poeta e a sua
poesia. Associamo-nos às diversas homenagens do centenário
da morte de Camilo de Almeida Pessanha, que nasceu em Coimbra a
07 de setembro de 1867 e faleceu em Macau a 01 de março de 1926, há
precisamente 100 anos, que estão a realizar-se nesta última cidade.
Uma
das Entidades de Macau que vai assinalar o centenário da morte de Camilo
Pessanha é o Instituto Português do Oriente
(IPOR) que dinamizará um conjunto de atividades ao longo do ano de 2026.
A
primeira será um Clube de Leitura onde se irá falar da vida e obra do autor que
viveu em Macau. Acontece já no dia 3 de março de 2026, na Biblioteca do IPOR,
batizada com o nome do escritor.
Esta é uma organização do IPOR, em parceria com o Clube de Leitura de Macau, o Festival Rota das Letras e que conta com o apoio do Camões, I.P.
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