Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 1 de março de 2026

Canto











Vamos aprender português, cantando

 

Canto

 

Se te abrisse a porta da minha cabeça

pegavas-me ao colo como uma criança,

sinto que não há amor que eu mereça

e sentir muito, sentir tudo cansa.

 

O corpo que eu rejeito,

amor violento que eu aceito e justifico.

Nasci com um peso no peito

que um dia hei-de levantar,

por enquanto sobrevivo.

 

Canto, canto, canto,

p’ra calar o ruido ou só p’ra existir.

Canto, canto, canto, canto,

canções repetidas para conseguir dormir.

Canto, canto, canto, canto,

até sentir que a voz me sai da pele.

Canto, canto, canto, canto.

Não quero calar o silêncio,

vou dançar com ele.

 

Queres tu que seja uma, eu sou muitas,

dizes não ter sentido nenhum mas

toda a mulher é mil mulheres

que se erguem e se vingam

de homens como tu.

 

Que não se tratam, não se curam,

os que batem e desculpam

cobardia com amor.

Deixam marcas tão profundas

que as palavras saem mudas,

guardo-as, digo que é melhor.

 

Canto, canto, canto,

p’ra calar o ruido ou só p’ra existir.

Canto, canto, canto, canto,

canções repetidas para conseguir dormir.

Canto, canto, canto, canto,

até sentir que a voz me sai da pele.

Canto, canto, canto, canto.

Não quero calar o silêncio,

vou dançar com ele.

 

Canto, canto, canto,

p’ra calar o ruido ou só p’ra existir.

Canto, canto, canto, canto,

canções repetidas para conseguir dormir.

Canto, canto, canto, canto,

até sentir que a voz me sai da pele.

Canto, canto, canto, canto.

Não quero calar o silêncio,

vou dançar com ele.

 

Sara Correia – Portugal

Composição:

(Letra) Carolina Deslandes – Portugal

(Música) Carolina Deslandes – Portugal

                Rodrigo Correia - Portugal   
 

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