A economia timorense deverá crescer 5% em 2026, contra 4,6% de 2025, e a inflação subir para 1,2%, devido à instabilidade dos preços dos alimentos e energia, segundo previsões divulgadas pelo banco central do país
“Prevê-se que o crescimento real do
PIB [Produto Interno Bruto] atinja os 5% até 2026, sustentado por uma política
orçamental expansionista, pelo reforço da capacidade de absorção, por efeitos
positivos sobre o consumo privado e o investimento, bem como por reformas
estruturais em curso destinadas a dinamizar o crescimento liderado pelo setor
privado”, pode ler-se no relatório económico anual de 2025 do Banco Central de
Timor-Leste (BCTL).
O documento adverte, contudo, que a economia continua
“altamente dependente da despesa e do consumo públicos, com uma contribuição
limitada do investimento privado e dos setores transacionáveis”.
Em 2025, segundo o BCTL, o crescimento foi impulsionado
pelo consumo público, que aumentou 9,5%, e pelo investimento público que
cresceu 14,5%, a maioria do qual em infraestruturas.
O consumo das famílias também aumentou para 3,6% e as
importações cresceram 5,7%, demonstrando a dependência da economia de bens
importados.
As “exportações não petrolíferas permaneceram modestas,
sendo o café responsável pela maioria das receitas de exportação”, cerca de
35,8 milhões de dólares.
A actividade económica continua dominada pela
administração pública, representando cerca de 34,2% do PIB. O setor da
construção expandiu-se, mas devido aos projetos de infraestruturas públicas, e
a agricultura representou apenas 19% do PIB. “A indústria transformadora e os
serviços financeiros permanecem marginais, evidenciando a estreita base
produtiva e a limitada diversificação da economia”, salienta o relatório.
Aquele cenário contribuiu para um défice comercial e uma
balança corrente “persistentemente elevado”, refere o BCTL.
O défice da balança corrente de Timor-Leste aumentou para
701,4 milhões de dólares no final de 2025, mais 16% face ao ano anterior.
Em relação à inflação, que em 2025 caiu para 0,5%, deverá
ser em 2026 de 1,2%, devido à volatilidade dos preços dos alimentos e energia,
nota-se no documento.
A redução em 2025 ficou a dever-se à queda dos preços
globais das matérias-primas. “Embora a baixa inflação tenha contribuído para
restaurar o poder de compra e a confiança, também reflete respostas limitadas
da oferta interna e a contínua dependência de importações numa economia
totalmente dependente do dólar”, afirmou o BCTL.
O relatório adverte também que o Orçamento do Estado
continua dependente de transferência do Fundo Petrolífero, o que levanta
preocupação quanto à sustentabilidade orçamental a longo prazo. “Em termos
gerais, embora as perspetivas de crescimento a curto prazo sejam favoráveis, o
atual modelo de crescimento apresenta riscos crescentes para a sustentabilidade
orçamental, a resiliência externa e a criação de emprego inclusivo, sublinhando
a necessidade de um reequilíbrio gradual, mas decisivo, em direcção a um
crescimento liderado pelo sector privado e orientado para o investimento”,
conclui o BCTL. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”
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