O linguista e docente universitário Nelson Soquessa vai lançar, amanhã, 04, na União dos Escritores Angolanos, a sua mais recente obra literária, com o título, “O Jardim das Almas”, sob a chancela da Editora Kukoma, com a qual almeja incitar uma reflexão sobre a angolanidade e as instituições
O livro, com o prefácio de Gabriel
Caia, historiador e investigador do Instituto de História Contemporânea da
Universidade de Évora, reúne 117 páginas distribuídas por 13 capítulos
complementares e surge como um manifesto profundo sobre a Identidade Angolana,
explorando as complexas relações entre o Estado e a Igreja.
A obra foi escrita num período de vulnerabilidade
pessoal, propondo uma crítica à desigualdade e uma renovação necessária no
sistema educacional e literário do país. O trabalho é descrito como uma
manifestação de repúdio contra a desigualdade em todas as suas vertentes,
focando-se no papel da Igreja na construção do indivíduo e da sociedade.
Aqui, o autor não se limita a uma análise teórica, mas
reflecte a “Angolanidade”, uma experiência de identidade que transcende a
sabedoria tradicional e se manifesta na actuação real perante os dilemas
nacionais. Em conversa, Nelson Soquessa afirmou que a escrita ocorreu num
momento delicado de reencontro pessoal, marcado pela ausência de figuras
próximas, o que conferiu à obra uma carga emocional e crítica significativa.
Um dos pontos centrais desta obra é, sobretudo, a sua
abordagem estilística única: o autor trata de temas densos e sérios, como a
dicotomia entre Estado e Igreja, através de um prisma humorístico.
Por isso, considera que a referida obra não é apenas
estética, mas um desafio às convenções da prosa angolana actual. A par disso, a
publicação é impulsionada pela experiência do autor como docente, que
identifica uma lacuna crítica no sistema de ensino: a dependência de textos
gramaticais obsoletos da década de 80, que já não reflectem a realidade
contemporânea.
“O motivo da publicação é mais pelo facto de ser docente
e achar que o nosso sistema de educação precisa de se actualizar. Como é
possível ensinar gramática com texto escrito nos anos 1980?”, questionou
Soquessa.
O livro desperta curiosidades e atenção pela tríade:
título, tema e estilo, visto que não é habitual na prosa angolana, mas
sobretudo pela Escola dos Lexemas. “Se me perguntar o porquê, não lhe
responderei aqui.
O tema é o outro desafio. Não é fácil
escrever um livro sobre duas instituições: Estado e Igreja. Parece um desafio
inconcebível. O terço, penso ser estilo, que é meu, trato de assuntos sérios
humoristicamente”, salientou. Augusto Nunes – Angola in “O País”
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