Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 13 de março de 2026

Moçambique propõe rede global de justiça social para fim da violência contra mulher

A Ministra do Trabalho, Género e Ação Social apresentou proposta em evento paralelo da 70.ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, em Nova Iorque. Moçambique aposta no empoderamento económico como caminho para reduzir agressões, em nível nacional iniciativas reforçam rede de atendimento a vítimas e envolvem influenciadores digitais na sensibilização da população


Para acabar com a violência de género é preciso eliminar a pobreza feminina. Essa é a mensagem que Moçambique quer marcar na 70.ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, que acontece na sede da ONU, em Nova Iorque, até 19 de março.

Em entrevista para a ONU News, a ministra do Trabalho, Género e Ação Social de Moçambique, Ivete Alane, revelou que o país está a propor a criação de uma articulação internacional para proteger as mulheres com abordagens que passam pelo empoderamento económico.

Relação entre pobreza e violência de género

“Assumimos dois compromissos, que é a zero violência e a eliminação da pobreza feminina. E nós viemos para esta sessão da CSW com um evento paralelo com a intenção de criarmos uma rede global de justiça social para o fim da violência baseada no género e a eliminação da pobreza feminina. E foi um evento bastante importante que nós realizamos à margem da CSW, em que tivemos diversos países que partilham dos mesmos objetivos e opiniões que nós temos, que assumem que existe uma ligação intrínseca, difícil de separar, entre a pobreza e a violência baseada no género”.

A ministra disse que o evento paralelo também serviu para colher experiências de outros países e definir novas parcerias para avançar em ações de igualdade de género.

Expansão do atendimento às vítimas

A nível nacional, ela destacou o lançamento recente do programa “Empodera”, que é focado na prevenção da violência baseada no género por meio de estratégias de sensibilização e reforço da rede de cuidados para sobreviventes.

“Vai ser um programa que prevê a expansão dos centros de atendimento integrados. Portanto, são centros que atendem vítimas da violência, onde as vítimas encontram no mesmo local todos os serviços que elas precisam para poderem ser devidamente atendidas sem ter de passar por várias portas de entrada, temos uma única porta de entrada. Aí a vítima evita passar por uma questão de revitimização. Não tem de contar a história várias vezes sobre o que aconteceu”.

Ivete Alane explicou que, nesses centros, as vítimas que forem vítimas atendidas poderão ter acesso a pacotes de empoderamento económico da mulher.

Influenciadores digitais apoiam combate ao feminicídio

A ministra destacou a importância do envolvimento de diversos setores da sociedade no combate à violência de género, inclusive celebridades e influenciadores das redes sociais.

“Nós estamos agora a iniciar uma campanha de combate ao feminicídio, que é uma das formas mais agressivas da violência baseada no género. E estamos a envolver os influenciadores, estamos neste momento a produzir um vídeo, spots de divulgação, uma campanha, e ainda ontem recebi com muita satisfação um vídeo produzido pela sociedade civil, porque as sociedades civis também são parceiros importantes, complementam a ação do governo. E a sociedade civil fez um vídeo muito recente com vários influenciadores em que eles falam da importância do combate à violência baseada no género, em que eles assumem o papel, e eles como homens devem sensibilizar outros homens”.

Ela ressaltou a importância de criar peças de comunicação que abordem o papel do homem na mobilização pelos direitos das mulheres.

“Estamos agora também a desenvolver e a desenhar a estratégia do engajamento masculino. Portanto, estamos a trabalhar com influenciadores masculinos, pois sentimos que é preciso trazer o homem para o barco. A mulher não pode ser a única que deve lutar ou promover a igualdade de género e combater a violência baseada no género. Se nos referimos à violência baseada no género, nós estamos a falar de duas pessoas: homem e mulher. Então precisamos de ter o homem. Precisamos de engajar o homem nesta luta”.

Uma luta de toda a sociedade

A representante moçambicana também mencionou o papel da primeira-dama do país, Gueta Chapo, que foi convidada para ser patrona da iniciativa “Empodera”.

O objetivo é fazer com que a mensagem chegue para diversas comunidades sobre a importância de prevenir a violência baseada no género, a exemplo de uma intervenção feita no lançamento do Mês da Mulher, na província de Cabo Delgado.

A ministra relatou que Gueta Chapo conseguiu transmitir para as comunidades mensagens sobre a necessidade de deixar as meninas estudarem e de pôr fim às agressões praticadas por homens.

A ministra enfatizou que os influenciadores, os membros do governo e todos os estratos da sociedade moçambicana devem reforçar a luta por igualdade e justiça para a população feminina. Felipe de Carvalho ONU News – Nações Unidas


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