A Ministra do Trabalho, Género e Ação Social apresentou proposta em evento paralelo da 70.ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, em Nova Iorque. Moçambique aposta no empoderamento económico como caminho para reduzir agressões, em nível nacional iniciativas reforçam rede de atendimento a vítimas e envolvem influenciadores digitais na sensibilização da população
Para acabar com a violência de género
é preciso eliminar a pobreza feminina. Essa é a mensagem que Moçambique quer
marcar na 70.ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, que
acontece na sede da ONU, em Nova Iorque, até 19 de março.
Em entrevista para a ONU News, a ministra do Trabalho, Género e Ação Social
de Moçambique, Ivete Alane, revelou que o país está a propor a criação de uma
articulação internacional para proteger as mulheres com abordagens que passam
pelo empoderamento económico.
Relação entre pobreza e violência de género
“Assumimos dois compromissos, que é a zero violência e a
eliminação da pobreza feminina. E nós viemos para esta sessão da CSW com um
evento paralelo com a intenção de criarmos uma rede global de justiça social
para o fim da violência baseada no género e a eliminação da pobreza feminina. E
foi um evento bastante importante que nós realizamos à margem da CSW, em que
tivemos diversos países que partilham dos mesmos objetivos e opiniões que nós
temos, que assumem que existe uma ligação intrínseca, difícil de separar, entre
a pobreza e a violência baseada no género”.
A ministra disse que o evento paralelo também serviu para
colher experiências de outros países e definir novas parcerias para avançar em
ações de igualdade de género.
Expansão do atendimento às vítimas
A nível nacional, ela destacou o lançamento recente do
programa “Empodera”, que é focado na prevenção da violência baseada no género
por meio de estratégias de sensibilização e reforço da rede de cuidados para
sobreviventes.
“Vai ser um programa que prevê a expansão dos centros de
atendimento integrados. Portanto, são centros que atendem vítimas da violência,
onde as vítimas encontram no mesmo local todos os serviços que elas precisam
para poderem ser devidamente atendidas sem ter de passar por várias portas de
entrada, temos uma única porta de entrada. Aí a vítima evita passar por uma
questão de revitimização. Não tem de contar a história várias vezes sobre o que
aconteceu”.
Ivete Alane explicou que, nesses centros, as vítimas que
forem vítimas atendidas poderão ter acesso a pacotes de empoderamento económico
da mulher.
Influenciadores digitais apoiam combate ao feminicídio
A ministra destacou a importância do envolvimento de
diversos setores da sociedade no combate à violência de género, inclusive
celebridades e influenciadores das redes sociais.
“Nós estamos agora a iniciar uma campanha de combate ao
feminicídio, que é uma das formas mais agressivas da violência baseada no género.
E estamos a envolver os influenciadores, estamos neste momento a produzir um
vídeo, spots de divulgação, uma campanha, e ainda ontem recebi com muita
satisfação um vídeo produzido pela sociedade civil, porque as sociedades civis
também são parceiros importantes, complementam a ação do governo. E a sociedade
civil fez um vídeo muito recente com vários influenciadores em que eles falam
da importância do combate à violência baseada no género, em que eles assumem o
papel, e eles como homens devem sensibilizar outros homens”.
Ela ressaltou a importância de criar peças de comunicação
que abordem o papel do homem na mobilização pelos direitos das mulheres.
“Estamos agora também a desenvolver e a desenhar a
estratégia do engajamento masculino. Portanto, estamos a trabalhar com
influenciadores masculinos, pois sentimos que é preciso trazer o homem para o
barco. A mulher não pode ser a única que deve lutar ou promover a igualdade de
género e combater a violência baseada no género. Se nos referimos à violência
baseada no género, nós estamos a falar de duas pessoas: homem e mulher. Então
precisamos de ter o homem. Precisamos de engajar o homem nesta luta”.
Uma luta de toda a sociedade
A representante moçambicana também mencionou o papel da
primeira-dama do país, Gueta Chapo, que foi convidada para ser patrona da
iniciativa “Empodera”.
O objetivo é fazer com que a mensagem chegue para
diversas comunidades sobre a importância de prevenir a violência baseada no género,
a exemplo de uma intervenção feita no lançamento do Mês da Mulher, na província
de Cabo Delgado.
A ministra relatou que Gueta Chapo conseguiu transmitir
para as comunidades mensagens sobre a necessidade de deixar as meninas
estudarem e de pôr fim às agressões praticadas por homens.
A ministra enfatizou que os
influenciadores, os membros do governo e todos os estratos da sociedade
moçambicana devem reforçar a luta por igualdade e justiça para a população
feminina. Felipe de Carvalho ONU News – Nações Unidas
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