Medos
Não sei dizer
porque tenho medos
sei que os tenho
sou dona de cada um
proprietária absoluta
escritura lavrada
em purgatório
fiel depositária
de um por um
quando me esqueço
eles saem a passeio
vão ao largo
vão ao fundo
bem ao leito
rio seco
enxurradas
em segundos.
Não sei dizer
por que existem
os meus medos
não me atrevo
a detê-los
são rebeldes
são peraltas
pulam muros
abrem asas
voam longe
voltam fortes
me devoram
bem aos goles.
Não sei dizer
porque persistem
os meus medos
são altivos
são vorazes
andam sozinhos
pelos ares
fazem festa
ou alarde
destemidos
são meus medos.
Não sei dizer
porque tenho medos
só sei dizer
que os temo
um por um
em segredo
bem por isso
são meus medos.
Nic Cardeal – Brasil
Sem referência
bibliográfica com a data de 08 de junho de 2017 na web.
__________________
Eunice Maria Cardeal (Nic Cardeal), natural de Brusque (SC) onde
nasceu em 1963, reside em Curitiba (PR) desde 2006. Graduada em direito, é
funcionária pública federal aposentada pelo TRF da 4ª Região, com atuação como
assessora jurídica / oficial de gabinete na Justiça Federal do Paraná e de
Santa Catarina. Seus textos literários estão compilados na página do Facebook Escrevo porque sou rascunho.
Colabora, como autora e editora adjunta, na publicação eletrônica Revista
Feminina de Arte Contemporânea Ser MulherArte.
Para
conhecer a sua bibliografia e alguns dos seus poemas aceda aqui.
Quantos
mortos
Quantos
mortos na Palestina?
Não
há contas que sustentem
os
horrores, os temores
nem
memórias ou histórias.
A
mídia desconhece
(ou
conhece
mas
se esquece).
Nos
pratos em estilhaços
nem
comida
-
ou seu resto -
que
pague o preço.
Tantos
mortos caem em Gaza
às
avessas
escondidos
em escombros
sem
futuro
sem
mais nada.
Nós,
aqui
-
sem sentido -
prosseguimos
aos tropeços
preocupados com desejos
ocupados com as vestes
e os
festejos.
O
que faremos dos nossos gestos
desumanos indigestos?
Nic Cardeal – Brasil
in Facebook Escrevo porque sou rascunho em 09 de
junho de 2025
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