O programa apoiou milhares de estudantes, professores, artistas e empreendedores culturais em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e Timor-Leste, nas áreas da música, artes cénicas e literatura infanto-juvenil.
A presidente do instituto Camões, Florbela Paraíba,
admitiu em Maputo, que o projecto Procultura mudou, em sete anos, a vida de
milhares de pessoas que, nos países africanos de língua portuguesa e
Timor-Leste, querem trabalhar na cultura.
“Houve formação, houve espaço de criação, os artistas
precisam ter espaços tranquilos para criar, para aprender, para crescer
juntos”, disse a presidente do Camões, à margem da apresentação dos resultados
e encerramento do Procultura, que arrancou a 01 de Abril de 2019 e termina a 31
de Março, sessão que decorreu na cidade de Maputo.
Na ocasião, Paraíba disse que o projecto “permitiu-lhes
internacionalizar as suas carreiras” e que “mais de 80% tiveram uma projecção
internacional e regional, que é muito bom, mais de 60% têm hoje carreiras no
sector”.
Para a Presidente do Instituto Camões, este sector da
cultura “é sempre muito volátil, digamos assim, em termos de empregabilidade e
fixar estas pessoas num sector em que elas querem trabalhar, em que elas sonham
expressar-se, é muito importante. Portanto, os resultados são muito, muito
positivos”, disse.
O programa apoiou, neste período, sob implementação do
Instituto Camões com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e financiamento da
União Europeia (UE), avaliado em 19 milhões de euros, milhares de estudantes,
professores, artistas e empreendedores culturais em Angola, Cabo Verde,
Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, Países Africanos de Língua
Oficial Portuguesa (PALOP), e Timor-Leste, nas áreas da música, artes cénicas e
literatura infanto-juvenil.
“Envolveu mais de 1800 estudantes, artistas, teve uma
acção muito abrangente nas áreas da música, nas áreas da produção de literatura
infanto-juvenil, nas artes cénicas e o objectivo era criar maior renda, maior
possibilidade de emprego a estes profissionais, tanto aqueles que se exibem nas
câmaras como aqueles que estão atrás das câmaras, técnicos de som, de
iluminação, cenógrafos, no sentido de possibilitar espaço de criação cultural e
artística”, apontou Florbela Paraíba.
Acrescentou a importância da formação que foi permitida a
esses profissionais, além das várias residências artísticas e da mobilidade
internacional, com a “possibilidade de intercâmbio de experiências”, incluindo
entre as entidades de ensino superior e de ensino secundário destes países, que
“puderem replicar” conhecimentos.
O Procultura, que terá continuidade para o Procultura II
com 10 milhões de euros da UE entretanto anunciado, financiou o lançamento de
cursos técnicos e de ensino superior na área cultural, actividades de 108
entidades, a maioria sem fins lucrativas, bolseiros do Ensino Superior, em que
106 estudantes terminaram os cursos.
Levou ainda à criação de mais de 600 postos de trabalho,
além da realização de residências artísticas por 50 artistas e a mobilidade
académica entre 11 universidades portuguesas e nove destes países.
“Formámos muitos professores também, formámos muitos
estudantes, dando-lhes sensibilização. E, no fundo, isto é, um projecto para o
Camões que corporiza aquilo que nós fazemos: O nexo cultura-desenvolvimento, a
possibilidade de termos aqui um crescimento, uma cocriação em que nós e as
entidades destes países agimos em parceria, potenciámos sonhos e damos acesso a
igualdade de oportunidades a todos”, reconheceu Florbela Paraíba.
“A cultura não é residual, a cultura é investimento, é
economia, é promoção da diversidade, é promoção da coesão nacional, de
apropriação comunitária e, acima de tudo, é um factor de identidade e de futuro
para todos aqueles que estão envolvidos”, enfatizou,
O Camões vai implementar o Procultura II, cuja nota
conceptual já está a ser desenhada.
“Vai permitir, nesta segunda fase, consolidar as
aprendizagens, continuar o crescimento e a mobilidade entre os artistas dos
países, entre os técnicos dos países, entre os agentes culturais destes países,
e dar-lhes também uma possibilidade de fortalecimento das capacidades a nível
das entidades públicas de promoção da cultura nestes países, o que é também
muito importante”, concluiu Florbela Paraíba. In “O País”
- Moçambique
Sem comentários:
Enviar um comentário