Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Caretos de Podence e Kankuram aproximam Portugal e a Guiné-Bissau

As tradições dos mascarados proporcionaram um encontro entre Portugal e a Guiné-Bissau num momento que junta os Caretos de Podence Património da Humanidade e o Kankuran, um símbolo cultural do povo guineense.


O encontro aconteceu, em Bissau, proporcionado pelo Centro Cultural Português em Bissau, que convidou os Caretos de Podence, os tradicionais mascarados de Trás-os-Montes, em Portugal, e o emblemático Kankuran da Guiné-Bissau para “celebrar a cultura como ponte entre tradições”.

Trata-se, como explica o Centro Cultural Português, numa nota enviada à Lusa, de aproximar “Portugal e a Guiné-Bissau através de duas expressões culturais profundamente enraizadas nas suas tradições”.

“Vindos de contextos distintos, partilham algo essencial: a força da máscara, do ritual, do movimento e da comunidade”, descreve, destacando que partilham ainda “a capacidade de transformar a rua em palco, a tradição em identidade viva, e a celebração em momento de pertença colectiva”.

A figura endiabrada, a máscara e o colorido das vestes é comum aos Caretos de Podence, com os fatos de lã amarelos, verdes e vermelhos, e ao Kankuran, com um fato todo vermelho, tradicionalmente feito de material de uma árvore local.


A tradição dos caretos esteve praticamente extinta na aldeia portuguesa de Podence, em Macedo de Caveleiros, que conseguiu nas últimas décadas levar os tradicionais mascarados do Entrudo Chocalheiro, que saem à rua pelo Carnaval, à categoria de Património da Humanidade.

O Kankuran é uma figura mítica da Guiné-Bissau associado sobretudo às cerimónias do fanado (circuncisão) dos jovens homens, mas também à protecção da floresta e ao combate a feitiçarias.

O Centro Cultural Português em Bissau deu a conhecer melhor “estas duas expressões do património imaterial de Portugal e da Guiné-Bissau” numa cerimónia no espaço Camões, no final de sexta-feira.

Além da actuação dos tradicionais mascarados, o momento serve para a apresentação do livro Ser Careto - Caminhada Rumo à Unesco de António Carneiro, o rosto dos Caretos de Podence, que tem acompanhado esta caminhada nas últimas décadas.

António Carneiro disse à Lusa que esta deslocação a Bissau “é um momento único e histórico” para os Caretos de Podence, que vieram actuar pela primeira vez em África, no país irmão que é a Guiné-Bissau.

Depois da passagem por “dezenas de países”, da Europa à Ásia, os Caretos de Podence estão na Guiné-Bissau a convite da Embaixada de Portugal, imediatamente a seguir ao Entrudo Chocalheiro, que no último fim de semana e até ao dia de Carnaval encheu com milhares de forasteiros nacionais e estrangeiros as ruas da pequena aldeia transmontana com cerca de 200 habitantes.

O Carnaval de Podence ganhou novo impulso com a elevação a Património Mundial da Unesco em 2019 e António Carneiro espera que possa ser “uma inspiração” para outras tradições e símbolos culturais.

De Bissau, os Caretos de Podence seguem para Itália e têm já agendadas novas apresentações além-fronteiras, em Macau e nos Estados Unidos. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”




domingo, 11 de maio de 2025

Guiné-Bissau - Documentário português “Nteregu” estreia na cidade de Bissau

O documentário “Nteregu”, dos realizadores portugueses Roger Mor e Manuel Loureiro, teve a sua anteestreia este sábado, 10 de maio, no Espaço Camões – Centro Cultural Português, em Bissau. Com entrada livre o evento faz parte da mostra de cinema de Mandjuandadi 3, no âmbito da Bienal MoAC Biss



O documentário foi apresentado pelo realizador Roger Mor e pela diretora de produção Maria M. Andrade. A atividade começou com mini-concerto de abertura com Juca Delgado e Alana Sinkëy.

Dirigido ao público em geral, com especial enfoque nos jovens e nos artistas, “Nteregu” é um poema visual e oral que conta e canta a história da música da Guiné-Bissau. Da Tina à cultura dos mandjuandadi, das tabancas dos Djidjius às pistas de dança da Europa, esta é uma viagem secular que revela as origens e o destino da música guineense moderna.

“Nteregu” mergulha no património imaterial do país, destacando as tradições orais, as músicas ancestrais e os saberes populares que têm passado de geração em geração. O filme é uma homenagem à memória coletiva guineense e àqueles que a vivem e preservam.

Cada história contada, cada canto entoado e cada gesto partilhado pretendem transportar o espectador para uma realidade onde a oralidade continua a ser uma das formas mais ricas de transmissão de conhecimento e identidade.

Com uma duração de 70 minutos, o documentário é também uma homenagem às mulheres guineenses que, graças à Tina — instrumento tradicional —, lançaram as bases culturais da nação, abolindo barreiras culturais e unindo grupos étnicos em torno da música. Curiosamente, “Nteregu” é uma palavra que evoca escuta e respeito — princípios que norteiam todo o trabalho dos realizadores.

As filmagens decorreram na Guiné-Bissau entre abril e maio de 2023. O documentário conta com a produção da Associação Ser Mudança e apoio à pós-produção do Instituto Camões e da União Europeia.

A estreia no Centro Cultural Português reforça o papel deste espaço como ponto de encontro entre culturas e como promotor de iniciativas artísticas que dão voz a narrativas africanas contadas por quem delas faz parte.

Acrescente-se que a Bienal MoAC Biss decorre de 1 a 31 de maio e é a primeira edição deste evento dedicado à arte e cultura da Guiné-Bissau, com o lema “Mandjuandadi: Identidades em Liberdade”. A bienal pretende fortalecer a produção cultural guineense e criar espaços de intercâmbio entre artistas locais e internacionais. Esta iniciativa conta com o apoio da Equipa Europa, entre outros parceiros nacionais e internacionais. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Guiné-Bissau - Figuras do Estado acusadas de estarem ligadas ao tráfico

A coligação Aliança da Plataforma Inclusiva (PAI – Terra Ranka), vencedora das últimas eleições legislativas na Guiné-Bissau, defendeu, ontem, que “é do conhecimento público” que “altas figuras do Estado” estão envolvidas na “prática recorrente” do tráfico de droga

Em comunicado de imprensa divulgado em Bissau, a coligação, que estava no Governo e liderava o Parlamento, entretanto dissolvido pelo Presidente guineense, em Dezembro de 2023, afirma que "relatos credíveis têm indicado que aviões suspeitos, carregados de droga têm aterrado com frequência” no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, de Bissau.

A coligação, liderada pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), elenca uma série de alegadas descargas de produtos ilícitos no Aeroporto Osvaldo Vieira, por parte "de elementos da Presidência da República”, a partir de Outubro de 2021 até esta data.

A PAI-Terra Ranka, aponta, ainda, para casos de pilotos e envolvidos com o tráfico internacional de droga para a Guiné-Bissau "misteriosamente desaparecem” do país, depois de capturados, julgados e condenados pela Justiça guineense. In “Jornal de Angola” - Angola