Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Portugal - Investigadoras do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde inovam no estudo das doenças inflamatórias do intestino

Sofia Barros e Inês Alves vão receber duas ECCO Grant de 80 mil euros para desenvolverem projetos focados na Doença de Crohn, entre outras patologias


As investigadoras Sofia Barros e Inês Alves, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) foram distinguidas com duas ECCO Grant, atribuídas pela European Crohn’s and Colitis Organisation (ECCO). As duas cientistas vão receber um financiamento de 80 mil euros, cada uma, para desenvolverem projetos inovadores focados na Doença de Crohn e nos mecanismos imunológicos associados à Doença Inflamatória Intestinal.

O projeto de Sofia Barros propõe uma abordagem terapêutica inovadora para o tratamento da Doença de Crohn, uma doença inflamatória crónica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal.

A investigação assenta no desenvolvimento de uma terapia oral de dupla ação, combinando dois fármacos – budesonida, para o controlo da inflamação, e teduglutida, para promover a regeneração epitelial – administrados através de nanopartículas responsivas a espécies reativas de oxigénio. Este sistema permite a libertação localizada dos fármacos nas zonas de inflamação intestinal, aumentando a eficácia terapêutica e reduzindo os efeitos secundários.

“Esta distinção representa o reconhecimento do trabalho que tenho vindo a desenvolver e dá-me condições para consolidar a minha linha de investigação em novas abordagens terapêuticas para a Doença de Crohn”, sublinha Sofia Barros, do grupo «Nanomedicines & Translational Drug Delivery», liderado por Bruno Sarmento.

Já o projeto de Inês Alves centra-se na compreensão dos mecanismos imunológicos precoces que conduzem ao desenvolvimento da Doença Inflamatória Intestinal, que inclui Doença de Crohn e Colite Ulcerosa.

Resultados recentes obtidos pelo grupo «Immunology, Cancer & Glycomedicine» do i3S, liderado por Salomé Pinho, demonstram que alterações específicas nos açúcares presentes à superfície das células intestinais (glicanos) podem desencadear respostas imunes prejudiciais vários anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas clínicos da doença.

Com esta ECCO Grant, Inês Alves pretende identificar quais as células imunes responsáveis pelo reconhecimento desses açúcares e caracterizar os anticorpos envolvidos nesse processo, abrindo caminho à identificação de novos biomarcadores no sangue, que permitam uma deteção mais precoce da doença, a monitorização da sua progressão ou mesmo a sua prevenção.

“Esta distinção representa uma oportunidade única para aprofundar o conhecimento da Doença de Crohn e desenvolver novas abordagens de diagnóstico e prevenção, com impacto direto na qualidade de vida dos doentes”, destaca a investigadora. Universidade do Porto - Portugal


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Macau - Cáritas pede mais atenção à saúde mental da população que não fala chinês

A Cáritas alertou para o bem-estar mental da população que não fala chinês, após um aumento de 86% nos pedidos de ajuda ‘online’ em 2025. Nesse ano, o serviço recebeu 138 pedidos de ajuda ‘online’ através do serviço em inglês, mais 86%. Os pedidos de assistência telefónica também cresceram, atingindo 98, um aumento de 17%


A Cáritas Macau pediu maior atenção para o bem-estar mental da população que não fala chinês, após um aumento de 86% nos pedidos de ajuda ‘online’ em 2025. Os Serviços de Prevenção do Suicídio da Cáritas operam uma linha de apoio em cantonês, mandarim, português e inglês.

No ano passado, o serviço recebeu 138 pedidos de ajuda ‘online’ através do serviço em inglês, mais 86%. Os pedidos de assistência telefónica também cresceram, atingindo 98, um aumento de 17%. “A maioria dos não falantes de chinês sente-se sozinha em Macau. Devemos preocupar-nos mais com eles”, disse Benedict Lok, conselheiro do serviço.

Os pedidos de ajuda vieram de pessoas com origens diversas, incluindo Países Baixos, Filipinas, Canadá, Estados Unidos, Índia e da comunidade macaense. Os macaenses são uma comunidade euro-asiática, a maioria dos quais lusodescendentes, com raízes no território. Lok indicou que 30% dos pedidos estavam relacionados com o acesso a recursos comunitários, 14% envolviam temas ligados ao suicídio, e 2% eram de indivíduos “que simplesmente se sentiam sozinhos e procuravam alguém com quem conversar”. “Normalmente, à noite, as pessoas sentem-se mais emocionais. Mais de metade dos pedidos acontecem entre as 16:00 e a meia-noite”, notou Lok. “Alguns deles só querem falar em inglês, sentindo que se podem expressar melhor,” explicou.

Dados oficiais indicam que existem 57.688 habitantes cuja nacionalidade não é nem chinesa nem portuguesa, representando 8,5% da população. Os censos de 2021 indicam mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

O director da Cáritas Macau, Paul Pun, explicou que a população que nasceu fora da China geralmente prefere consultas presenciais. “Até agora, os nossos voluntários que sabem línguas estrangeiras também sabem chinês, o que é suficiente para ajudar a maioria deles. Mas, claro, quanto mais [voluntários], melhor”, disse à Lusa.

Os Serviços de Prevenção do Suicídio da instituição são apoiados por mais de 90 voluntários e dez funcionários a tempo inteiro. Dentro deste grupo, 20 voluntários e três trabalhadores a tempo inteiro são proficientes em línguas estrangeiras. Pun expressou o desejo de expandir a equipa.

Na primeira metade de 2025 houve pelo menos 101 tentativas de suicídio, incluindo 14 crianças dos 5 aos 14 anos, o dobro do registado no mesmo período de 2024, avançou em Outubro a emissora pública do território. Ainda de acordo com o canal de língua portuguesa da TDM – Teledifusão de Macau, desde que saíram, no final de maio, os dados sobre suicídios entre janeiro e março, os Serviços de Saúde não voltaram a divulgar esta estatística, habitualmente publicada de forma trimestral. No mais recente balanço, Macau registou 18 mortes por suicídio, menos quatro do que nos primeiros três meses de 2024. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Moçambique - Aumento de casos de malária preocupa Governo Provincial de Tete

A província de Tete registou, no ano passado, mais de um milhão de casos de malária e cerca de 34 óbitos. Para travar a doença, o sector da saúde vai levar a cabo uma campanha de quimio-prevenção sazonal, que arranca a 23 de Janeiro e vai abranger os 12 distritos com excepção dos distritos de Tete, Tsangano e Mutarara.

Isto acontece numa altura em que a província de Tete regista elevados índices de contágio da malária, o que levou o sector da saúde a reunir-se esta segunda-feira, no Fórum anual Provincial da Malária.

O encontro tinha como objectivo delinear estratégias mais eficazes para o combate à doença.

Dados apresentados no encontro indicam que, só no ano passado, a província notificou mais de um milhão de casos de malária, tendo sido registados cerca de 34 óbitos, um cenário que continua a preocupar as autoridades governamentais.

Para fazer face ao crescente número de casos e prevenir a doença nas crianças, o sector da Saúde vai levar a cabo, a partir de 23 de janeiro, uma campanha de quimio-prevenção sazonal, uma iniciativa que vai abranger os 12 distritos da província com excepção dos distritos de Tete, Tsangano e Mutarara, e será destinada a crianças dos 3 aos 59 meses de idade.

Para além da campanha de quimio-prevenção, o Governo de Tete prevê distribuir, ainda este ano, mais de dois milhões de redes mosquiteiros em toda a província. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Internacional - Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolvem sistema para prevenir perda auditiva provocada pela quimioterapia

Um grupo de investigadores do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) integra o consórcio europeu CHAFT – Monitorização domiciliária para identificar riscos de deficiência auditiva causada pela cisplatina, financiado pelo programa EU-INTERREG-SUDOE.


Coordenado pelo Centro Hospitalar Universitário de Montpellier (CHUM), este projeto reúne instituições de Espanha, França e Portugal, entre as quais a Universidade de Coimbra e o Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto).

De acordo com Joel P. Arrais, docente do DEI e investigador do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), este projeto pretende desenvolver e validar um sistema de telemedicina que permita a monitorização auditiva domiciliária de doentes submetidos a quimioterapia com cisplatina, um fármaco amplamente utilizado em oncologia, mas frequentemente associado a toxicidade auditiva irreversível.

«Através de uma aplicação instalada num tablet com auscultadores de redução ativa de ruído, os doentes poderão realizar testes audiométricos em casa, eliminando deslocações desnecessárias e garantindo um acompanhamento mais equitativo, especialmente em zonas rurais ou com menor acesso a cuidados especializados», explica o coordenador do projeto na FCTUC.

«Para além de propor uma solução tecnológica inovadora de monitorização e prevenção, o CHAFT pretende ainda reduzir as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde e contribuir para a sustentabilidade ambiental, ao diminuir deslocações e otimizar recursos hospitalares», sublinha o especialista.

O papel da FCTUC é central na componente de Inteligência Artificial do projeto. A equipa será responsável pelo desenvolvimento de modelos de aprendizagem automática e de análise de dados de sequenciação genómica. O objetivo é identificar novos padrões farmacogenómicos que permitam prever quais os doentes com maior predisposição genética para a perda auditiva induzida pela cisplatina, contribuindo assim para tratamentos personalizados e mais seguros.

«A integração de dados clínicos, audiométricos e genómicos através de IA permitirá antecipar o risco de toxicidade auditiva antes que esta se manifeste, abrindo caminho a uma medicina verdadeiramente personalizada», conclui Joel P. Arrais. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Brasil - Instituição que protege a Amazónia está entre os “Campeões da Terra”

Premiação internacional reconheceu trabalho pioneiro do Imazon que usa inteligência artificial para prever e impedir desmatamento na floresta amazónica. A abordagem já ajudou a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco, 71% das quais foram posteriormente preservadas


O instituto de pesquisa brasileiro Imazon, que utiliza tecnologia de ponta para combater o desmatamento na Amazónia, é um dos cinco vencedores do prémio “Campeões da Terra” de 2025.

A distinção, anunciada nesta terça-feira, foi concedida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, na 7.ª sessão da Assembleia Ambiental da ONU, Unea-7, que acontece em Nairóbi, no Quénia.

Alertas precoces para a proteção da floresta

O Imazon desenvolveu modelos de inteligência artificial para previsão do desmatamento, causado principalmente pela pecuária e pela exploração madeireira. O objetivo é criar alertas precoces, orientar políticas públicas e auxiliar as autoridades na proteção da floresta.

O pesquisador associado do Imazon, Carlos Souza Jr., explicou que nem o Brasil nem o mundo serão os mesmos sem a floresta amazónica.

“Se a Amazónia chegar num ponto de não retorno nós vamos ter vários impactos. Primeiro, a perda de biodiversidade. Segundo, a emissão de gases de efeito estufa, pois a Amazónia armazena muito carbono nas florestas e no subsolo.”

O instituto usa um mapa digital onde são lançados pontos amarelos, laranjas e vermelhos. Cada ponto representa um local onde o Imazon acredita que ocorrerá desmatamento, e cada cor indica o grau de risco, com base em dados de satélite e modelagem de inteligência artificial.

Uso da tecnologia ajudou a descobrir 99% dos casos de desmatamento ilegal

Em 2021, ano de lançamento do mapa, esses pontos ajudaram a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco, 71% das quais foram posteriormente preservadas.

Os dados também serviram de base para mais de 4,4 mil processos judiciais ambientais e ajudaram a descobrir 99% dos casos de desmatamento ilegal.

Carlos destacou a importância da tecnologia na defesa do meio ambiente.

“É uma mudança de paradigma significativa que a inteligência artificial, a computação em nuvem e os novos algoritmos permitem para que a gente tenha informações ainda mais precisas sobre o futuro próximo da Amazónia e tentar evitar estes cenários de destruição por desmatamento e degradação florestal.”

União da ciência com conhecimento ancestral

Os pesquisadores acompanharam a dinâmica do desmatamento na Amazónia de 1985 a 2024, para desenvolver uma ferramenta prática que permitisse à sociedade brasileira trabalhar em conjunto para evitar a destruição da Amazónia.

Outro foco da ONG é estimular o crescimento económico sustentável na região. Isso envolve trabalho de campo com as comunidades locais para apoiar práticas sustentáveis ​​e áreas florestais protegidas.

A entidade acredita na junção do conhecimento científico com o conhecimento ancestral local e a sabedoria dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

A pesquisa do Imazon demonstrou que a extração sustentável de madeira é possível e que as regulamentações de gestão florestal poderiam reduzir significativamente o impacto ambiental, mantendo os ganhos económicos. 

Com sede em Belém, no Pará, o Imazon é uma instituição científica sem fins lucrativos, que atua há 35 anos para promover a conservação e o desenvolvimento sustentável na Amazónia. ONU News – Nações Unidas



segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Suíça - Vota serviço cívico e fim do serviço militar, ambos obrigatórios

Os eleitores votam em 30 de novembro um projeto de lei que substitui o atual serviço militar obrigatório por um serviço cívico universal, que inclui mulheres e pode abranger estrangeiros. A proposta, apoiada por partidos e organizações diversas, visa promover a igualdade de género


A Suíça está prestes a conduzir um debate de alcance nacional sobre o valor e o futuro do engajamento cívico. Submetida ao veredito das urnas em 30 de novembro, a iniciativa “Por uma Suíça engajada“, também chamada de iniciativa pelo serviço cidadão, propõe uma reforma profunda do serviço militar.

O que a iniciativa pede?

O texto exige que toda pessoa de nacionalidade suíça realize um serviço em benefício da coletividade e do meio ambiente. Diferentemente do sistema atual, essa obrigação também se aplica às mulheres. A iniciativa prevê ainda que o legislador possa estendê-la a pessoas não suíças.

Hoje, a obrigação de servir limita-se ao exército, à proteção civil e ao serviço civil. Os proponentes da iniciativa querem abrir o serviço a outras formas de contribuição à sociedade.

Esse serviço de milícia poderá ser realizado em diversas áreas. O comité da iniciativa cita alguns exemplos: proteção ao meio ambiente, assistência a pessoas vulneráveis, segurança alimentar e prevenção de desastres. Caberá às autoridades definirem as tarefas concretas, de acordo com as necessidades do país.

Este novo sistema pretende substituir o serviço militar como existe atualmente, que obriga os homens suíços a servirem no exército ou na proteção civil. Aqueles que recusam o serviço armado por motivos de consciência podem optar pelo serviço civil, que é mais longo e geralmente realizado nos setores social, de saúde ou ambiental. Os homens que não cumprem nenhuma dessas obrigações devem pagar uma taxa de isenção.

Quem está por trás dessa proposta?

A iniciativa foi lançada pela associação genebrina servicecitoyen.ch, fundada em 2013. Ela foi registada em 26 de outubro de 2023 com 107.613 assinaturas. O texto conta com o apoio do Partido Verde-Liberal, do Partido Evangélico, do Partido Pirata, dos Jovens do Centro, além de diversas associações.

Quais são os argumentos das defensoras e defensores da reforma?

As proponentes e os proponentes da iniciativa consideram que o sistema atual está ultrapassado e é desigual. Eles criticam o facto de que apenas os homens suíços estão sujeitos à obrigação de servir, enquanto mulheres e pessoas estrangeiras estão isentas.

O comité da iniciativa acredita que um serviço cidadão universal permitirá concretizar a igualdade de género, reforçar a coesão social e valorizar o engajamento cívico.

Aos olhos dos seus defensores, a reforma também poderá garantir os efetivos necessários para o exército e para a proteção civil, ampliando o pool de pessoas mobilizáveis.

O comité da iniciativa destaca ainda que o texto permitirá reconhecer formas civis de engajamento como equivalentes ao serviço militar, atendendo assim às necessidades crescentes em áreas como meio ambiente, saúde e ação social.

Qual é a posição do governo federal e do Parlamento?

O Conselho Federal (gabinete de sete ministros que governa a Suíça) e o Parlamento saúdam o objetivo da iniciativa, ou seja, o desejo de fortalecer o engajamento dos cidadãos suíços em prol da sociedade. No entanto, consideram que o serviço cidadão não constitui uma solução adequada.

O governo preocupa-se, sobretudo, em manter efetivos suficientes para o exército e para a proteção civil, que, segundo um estudo realizado em 2021, poderiam em breve deixar de ser assegurados. Contudo, considera que a iniciativa vai longe demais. Com o serviço cidadão, o Conselho Federal estima que quase 70 mil pessoas seriam mobilizadas a cada ano. No entanto, a necessidade real é de cerca de 30.400 pessoas obrigadas ao serviço civil por ano. Assim, o número de recrutados superaria amplamente a procura real.

Para o Conselho Federal, não seria igualmente prudente alocar tantas pessoas em tarefas que não correspondem às suas competências profissionais e para as quais estão menos qualificadas. O governo também alerta para os custos adicionais: as despesas anuais relacionadas ao subsídio por perda de ganho (APG, na sigla em francês) e ao seguro militar dobrariam, atingindo, respectivamente, 1,6 bilhão de francos e 320 milhões. O mercado de trabalho ficaria privado de duas vezes mais mão de obra do que atualmente, e os empregadores teriam de arcar com custos elevados para compensar as ausências.

Quem é contra a iniciativa?

Embora políticos de diferentes espectros apoiem o serviço cidadão, o texto não convence nenhum partido do governo. O Grupo por uma Suíça sem Exército também está entre os seus críticos.

Argumentos dos opositores

Os adversários da iniciativa apontam lacunas na implementação do texto. Perguntam, por exemplo, como garantir os efetivos do exército e da proteção civil, se as pessoas obrigadas a servir podem escolher em qual área cumprirão o seu serviço.

Os partidos de direita e centro temem impactos negativos na economia, enquanto a esquerda afirma que o serviço cidadão poderia ser assimilado a trabalho forçado, violando o direito internacional.

As opositoras e opositores também argumentam que a obrigação de servir para as mulheres não representaria um verdadeiro progresso em termos de igualdade, considerando que a equidade no mundo profissional e na sociedade ainda não é uma realidade. Isso poderia sobrecarregar ainda mais as mulheres, que já assumem grande parte do trabalho não remunerado. Samuel Jaberg – Suíça in “Swissinfo”


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Internacional – Universidade de Coimbra integra projeto que alia IA e computação quântica na luta contra o cancro gastrointestinal

Mais de dois milhões de novos casos de cancro colorretal são diagnosticados anualmente em todo o mundo. Um projeto internacional, no qual participa a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a Faculdade de Medicina (FMUC) e o Centro de Estudos Sociais (CES), está a explorar tecnologias de computação quântica e inteligência artificial (IA) para revolucionar a deteção e prevenção de patologias gastrointestinais.


 

De acordo com Gabriel Falcão, professor do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) e investigador do Instituto de Telecomunicações (IT) de Coimbra, «este tipo de cancro pode muitas vezes ser detetado precocemente graças à identificação de pólipos existentes no trato digestivo. Em muitos países, os rastreios começam por volta dos 45 ou 50 anos, sendo uma ferramenta essencial na prevenção e diagnóstico precoce». 

Atualmente, procedimentos como a cápsula gastrointestinal, que gera cerca de 10 horas de imagens, e a colonoscopia, que produz uma grande quantidade de dados em apenas 20 a 30 minutos, criam desafios significativos na análise de dados. «Num cenário ideal, se conseguíssemos fazer uma monitorização em massa de uma grande parte da população, o volume de dados gerado seria tão grande que nenhum computador clássico seria capaz de processar toda essa informação de forma eficiente», explica o responsável pelo projeto em Portugal.

É aqui que entra a computação quântica. Diferente dos computadores clássicos, esta tecnologia é capaz de processar um grande volume de dados em tempo real, algo crucial para a análise de imagens e deteção de anomalias. A FCTUC vai desenvolver novos algoritmos de IA adaptados às capacidades da computação quântica. 

«O objetivo final é criar algoritmos de IA que possam diferenciar de forma precisa imagens normais de imagens com patologias. Embora a tecnologia atual já permita detetar algumas diferenças, acreditamos que a computação quântica pode ser decisiva para aumentar a eficiência e precisão dos diagnósticos», conclui o docente. 

O projeto G-quAI iniciou em janeiro de 2025 e conta com o apoio do Open Quantum Institute (OQI), da Suíça, em parceria com o Geneva Science and Diplomacy Anticipator (GESDA), além da colaboração da Organização Mundial da Saúde (OMS). Este projeto enquadra-se nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pelas Nações Unidas: Saúde de Qualidade.

O OQI tem como objetivo principal explorar o potencial da computação quântica na aceleração de soluções que permitam atingir os ODS, unindo forças de investigadores, das Nações Unidas, de Organizações Não-Governamentais (ONG), e de investidores espalhados pelo mundo. 

Para mais informações, consultar o sítio do OQI. Universidade de Coimbra - Portugal


Macau e Angola vão assinar acordo para combater lavagem de dinheiro

Macau e Angola vão assinar um acordo para trocar informações de formar a prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo, anunciou o Governo

De acordo com um despacho publicado em Boletim Oficial, o memorando de entendimento para a troca de informação relativa ao combate ao branqueamento de capitais, crimes precedentes associados, financiamento ao terrorismo e financiamento à proliferação de armas de destruição maciça será assinado com a Unidade de Informação Financeira da República de Angola.

Segundo o despacho, assinado pelo chefe do Executivo, Sam Hou Fai, em 14 de Fevereiro, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, pode delegar esta missão ao comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Leong Man Cheong.

O Gabinete de Informação de Macau (GIF), responsável pelo combate ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e à proliferação de armas de destruição maciça, está sob a tutela dos SPU.

Em Março de 2022, um relatório anual do Departamento de Estado dos EUA designou Macau como um dos principais pontos de branqueamento de capitais a nível mundial.

Segundo o relatório anual do GIF, Macau tornou-se em 2019 o único membro do Grupo Ásia-Pacífico Contra o Branqueamento de Capitais (GAFI) que cumpria “todos os 40 padrões internacionais” sobre a prevenção da lavagem de dinheiro, do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa.

Angola foi acrescentada à ‘lista cinzenta’ do GAFI em 2024, depois de ter ficado aquém dos seus regimes legais e de regulamentação financeira.

O GAFI, uma organização intergovernamental, estabelece normas internacionais em matéria de luta contra o branqueamento de capitais, o financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição maciça.

A ‘lista cinzenta’ identifica os países que estão a trabalhar ativamente com o GAFI para resolver deficiências estratégicas nessas áreas.

O GIF assinou acordos para a troca de informação com 33 países e territórios, incluindo a Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária de Portugal, em 2008, a Unidade de Informação Financeira do Banco Central de Timor-Leste, em 2018, e, em 2019, o Conselho de Controlo de Atividades Financeiras do Brasil e a Unidade de Informação Financeira de Cabo Verde.

O número de transacções suspeitas registadas nos casinos de Macau atingiu um novo recorde em 2024 devido à recuperação da economia e do turismo, disse o GIF à Lusa no início de Fevereiro.

De acordo com dados divulgados em 15 de Janeiro pelo GIF, as seis operadoras de casinos em Macau submeteram, no total, 3837 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo em 2024, mais 11,8% do que no ano anterior. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sábado, 15 de junho de 2024

Cabo Verde - Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente lança música oficial da campanha "PROTEJA"

O Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) lançou, nas plataformas digitais, “Protegem” a música oficial da campanha “PROTEJA - Crianças e Adolescentes Livres da Violência Sexual”


A música foi lançada esta terça-feira, 4 de Junho, Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão, e Dia Nacional Contra o Abuso e Exploração Sexual de Menores em Cabo Verde.

O tema é da autoria da artista cabo-verdiana Sandra Horta, conta com a participação de Lua Alinho e Daniela Garcia, e produção de Hernâni Almeida. “A letra apela à responsabilidade de todos de proteger os sonhos e direitos das crianças”.

Segundo uma nota enviada, a campanha foi lançada no passado mês de Maio, com o objectivo de informar e mobilizar a sociedade cabo-verdiana para a prevenção e combate à violência sexual contra crianças e adolescentes.

“Pretende-se, desta forma, promover uma mudança efetiva de atitudes e comportamentos em prol do direito à proteção das crianças e adolescentes, visando reduzir os casos de violência sexual”, revela.

Promovida pelo ICCA, com o apoio do UNICEF, a campanha tem como símbolo um papagaio de papel, que representa a liberdade, a alegria e a inocência da infância que devem ser protegidas. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


sábado, 20 de janeiro de 2024

Internacional - Universidade de Coimbra recebe investigadores para curso sobre medidas de monitorização, prevenção e remediação do radão em edifícios

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai receber de 22 a 26 de janeiro dezenas de investigadores internacionais para um curso sobre medidas de monitorização, prevenção e remediação do gás radão em edifícios, organizado pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

Este curso tem o apoio e participação do Laboratório de Radioatividade Natural (LRN) do Departamento de Ciências da Terra (DCT), da Agência Portuguesa do Ambiente, da Empresa de Desenvolvimento Mineiro e ainda da Associação Europeia de Especialistas na área do Radão (ERA). A cidade de Coimbra foi eleita para a realização do curso devido ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no LRN nesta área. 

Os principais tópicos que serão abordados durante o curso incluem efeitos da exposição ao radão, fontes de radão, protocolos de medição e garantia de qualidade, técnicas de prevenção e mitigação do radão e comunicação de riscos e envolvimento público.

O curso conta com representantes oriundos de 22 países, da Europa e da Ásia. Os formadores externos vêm dos Estados Unidos da América, Reino Unido e República Checa. Universidade de Coimbra - Portugal

 

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Portugal - Faculdade de Ciências da Universidade do Porto testa bebidas funcionais para prevenir doenças cardiovasculares

Bebidas produzidas pela Sumol + Compal e Tetrapack serão testadas no âmbito do projeto FERMEN.TO, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia


São fermentadas de forma análoga a um vinho, mas não têm álcool e podem ser a chave para a prevenção de doenças cardiovasculares (DCV). Uma tese a comprovar ao longo dos próximos meses nos laboratórios da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), onde serão testadas as primeiras receitas formuladas pela Sumol + Compal e Tetrapack no âmbito do projeto FERMEN.TO, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT)

Ricos em fruta contendo compostos fenólicos (antioxidantes) associados à saúde, estes “néctares do futuro” utilizam a tecnologia de fermentação alcoólica através de leveduras para reduzir o teor de açúcar dos sumos sem lhes alterar o sabor. Para além desta vantagem para a saúde, acredita-se que podem prevenir ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais, a principal causa de morte em todo o mundo.

Numa primeira fase, o foco dos cientistas vai centrar-se nas características químicas e nutricionais das receitas. A ideia é perceber o que muda num sumo ao ser fermentado e quais as moléculas e nutrientes mais promissores.

Um estudo inicial para um objetivo bem claro: “Queremos perceber se estas bebidas são capazes de reverter um conjunto de alterações metabólicas, como a diabetes e a hipertensão, porque sabemos que quem as desenvolve tem 3,5 vezes mais propensão para desenvolver DCV”, explica a líder do projeto, Iva Fernandes, docente da FCUP e investigadora do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE).

No projeto FERMEN.TO, os investigadores querem perceber todo o impacto do processo de fermentação numa bebida durante a sua produção e a viagem e transformação dos diferentes componentes após ingestão por via oral. “Para perceber o impacto das bebidas fermentadas na saúde humana, vamos simular, numa plataforma in vitro o processo de ingestão dos sumos desde a boca, passando pelo estômago e intestino, retirar amostras ao longo do processo e perceber o que é absorvido em cada compartimento”, antecipa a investigadora.

No final da “viagem” simulada destas bebidas pelo corpo humano, vão ser selecionadas as moléculas mais relevantes que poderão chegar aos diferentes órgãos através da corrente sanguínea. Para testar se revertem ou não as condições metabólicas, no final, o que resulta deste projeto é testado com células adiposas e do tecido muscular, onde serão simuladas condições como a diabetes ou a hipertensão.

O objetivo é confirmar se estes sumos fermentados são “mais fáceis de digerir” e se fortalecem a flora intestinal e para isso também se estuda a microbiota após a ingestão destas bebidas.

O passo seguinte, que ficará para um novo projeto, será validar estes resultados em voluntários com e sem síndrome metabólica. Se os resultados forem os esperados, os produtores poderão avançar com estas novas bebidas funcionais e prepará-las para chegar às prateleiras e fazer a diferença.

O projeto FERMEN.TO tem a duração de 18 meses e conta com o envolvimento de investigadores da FCUP e LAQV-REQUIMTE, da NOVA Medical School (NMS), do Instituto de investigação em Ciências da Alimentação da Universidade de Madrid, da Sumol+Compal e da Tetrapack. Universidade do Porto - Portugal


sexta-feira, 23 de junho de 2023

Moçambique - Quer levar educação sobre clima e prevenção a mais níveis escolares

Moçambique tem clubes ambientais para que crianças aprendam as ações que ajudam na prevenção e mitigação de desastres. Manter e ampliar a experiência a níveis mais elevados de ensino é uma das metas, segundo a ministra moçambicana da Terra e Ambiente, Ivete Maibaze.


“Só de 2015 a esta altura, o país já sofreu cerca de 11 ciclones, o que é muito para um país tão pobre, tão vulnerável e em vias de desenvolvimento como o nosso. Isto tem desafiado a todos nós, aos líderes e em todos os níveis do nosso país, para que possamos, cada vez mais, melhorar a nossa capacidade de resposta para adaptarmo-nos a estes eventos extremos das mudanças climáticas.”

Eventos extremos devido às alterações do clima

Em meados de maio, Ivete Maibaze explicou à ONU News por que o conceito de clubes ambientais e discussões relacionadas ao tema em disciplinas escolares podem apoiar a ação de países mais vulneráveis aos eventos extremos causados pelas alterações do clima.

“Há um esforço do nosso governo, através do Ministério da Educação, de garantir que matérias sobre mudanças climáticas, gestão de risco de desastres, recursos naturais e outras matérias transversais, sejam integrados nos currículos. Particularmente no ensino primário, nós temos uma disciplina de ciências naturais, onde estas matérias todas são abordadas ao nível básico com as nossas crianças. Depois tem também uma disciplina de conteúdo local. Dependendo das circunstâncias de cada localização, este tempo é dedicado para que as crianças aprendam sobre as características daquele local e os problemas que lá ocorrem.”

Rio+20

O Ministério do Ambiente de Moçambique foi criado na sequência da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro, a Rio+20, realizada em 2012.

Cerca de 21 anos depois, a ONU acaba de fazer uma reunião para mobilizar ação humanitária, em Genebra, onde alertou para a piora do impacto de eventos extremos e desastres na vida das populações.

Moçambique está na região da África Austral, mencionada pelo aumento da frequência de tempestades tropicais que assolam casas, vidas e meios de subsistência.

Desde 2019, Moçambique foi atravessado pelos severos ciclones Idai, Kenneth e Freddie, numa tendência que exige “investimento em preparação de comunidades mais vulneráveis para desastres, adaptação e infraestrutura resiliente ao clima”.

Entendimento do risco de desastres

“Sentimos que é um desafio enorme, porque é preciso que esta consciencialização continue a todos os níveis do currículo estudantil. Estamos a falar do ensino secundário e do nível universitário. Já temos algumas universidades também a lecionarem cursos ligados ao ordenamento territorial, aos desastres e a questões ambientais. Então, esse é um esforço do nosso governo para garantir que se crie esta consciência ao nível das nossas comunidades. Particularmente em nível das escolas, o que temos feito é também garantir que se criem clubes ambientais. São grupos onde crianças têm a oportunidade de transformar a teoria em prática: trocando experiências sobre diferentes matérias ligadas à natureza e às questões ambientais. Então, sentimos que existe um esforço em nível do nosso governo para que se crie esta capacidade ao nível de ensino mais básico e primário das nossas crianças.”

No âmbito do recente encontro de alto nível na ONU sobre a avaliação do Marco de Ação de Sendai, a ministra Ivete Maibaze disse que a atuação das autoridades do país tem em conta que nunca existe preparação ideal para desastres.  

O instrumento internacional, lançado há oito anos, prevê que governos promovam o entendimento do risco de desastres.

Em nível das autoridades prevê o reforço da governança para gerir o tipo de situações, investimento em favor da resiliência e melhora na preparação para desastres pela eficácia na recuperação, reabilitação e reconstrução. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 17 de abril de 2023

Internacional - Instituto de investigação e Inovação em Saúde cria próteses inteligentes para prevenir acidentes cardiovasculares

Dispositivos a desenvolver no âmbito do projeto «Blood2Power» serão capazes de enviar alertas antes das falhas acontecerem, permitindo uma intervenção médica precoce


Um consórcio europeu liderado por uma equipa portuguesa do Instituto de investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) recebeu recentemente um financiamento de quase três milhões de euros atribuído pelo Conselho Europeu de Inovação (EIC) Pathfinder Challenge, no âmbito do programa Horizonte Europa. Denominado «Blood2Power», o projeto tem como objetivo desenvolver dispositivos médicos vasculares inteligentes capazes de enviar alertas antes das falhas se verificarem, permitindo, assim, uma intervenção médica precoce e evitando um novo evento cardiovascular.

Liderado pela investigadora Inês Gonçalves, este consórcio integra mais três parceiros – o Instituto de Física dos Materiais da Universidade do Porto (IFIMUP), a Universidade de Navarra, em Espanha, e a Universidade Médica de Viena, na Áustria – e pretende diminuir a mortalidade causada por doenças cardiovasculares, que é de 16,8 milhões de óbitos/ano em todo o mundo.

Embora o uso de stents e próteses vasculares para reestabelecer o fluxo sanguíneo de artérias obstruídas tenha melhorado o prognóstico destas doenças, estes dispositivos falham frequentemente sem aviso prévio, muitas vezes com efeitos catastróficos para o paciente.

“No âmbito deste projeto de três anos, queremos desenvolver a próxima geração de dispositivos médicos vasculares, introduzindo o conceito de próteses vasculares inteligentes com capacidade de gerarem energia e auto-monitorizarem o seu desempenho”, explica Inês Gonçalves.

Em caso de diminuição de desempenho destas novas próteses vasculares, “são enviados alertas ao sistema de saúde, o que permitirá uma intervenção médica precoce, antecipando a falha da prótese, por formação de um coágulo, e evitando um novo evento cardiovascular, por exemplo um enfarte do miocárdio”, acrescenta a investigadora, líder do grupo «Advanced Graphene Biomaterials». Desta forma, os cuidados médicos passarão a ser contínuos e não episódicos.

Trabalho em equipa

Para alcançar esta tecnologia pioneira, adianta Andreia Pereira, que também integra a equipa do i3S, “serão desenvolvidos novos nanogeradores triboelétricos biocompatíveis (TENG), que convertem a energia mecânica do corpo em energia elétrica”. Estes nanogeradores serão feitos em colaboração com os investigadores João Ventura e André Pereira, do IFIMUP.

“Será também desenvolvida uma unidade de gestão de energia e sistema wireless miniaturizada e de ultrabaixo consumo, que será acoplada à prótese vascular, permitindo armazenar a energia gerada e recolher e transmitir os dados para um dispositivo eletrónico externo (ex. smartphone/relógio)”, esclarece Andreia Pereira. Esta componente contará com a colaboração de uma equipa da Universidade de Navarra, liderada pelo investigador Andoni Beriain.

O desempenho da nova prótese vascular inteligente será validado num modelo animal com a colaboração da investigadora Helga Bergmeister, da Universidade Medica de Viena. O projeto conta também com um conjunto de consultores clínicos, que ajudarão a desenvolver um produto que responda às necessidades dos pacientes e dos médicos.

Além das investigadoras Inês Gonçalves e Andreia Pereira, a equipa do i3S, que irá receber mais de 1,1 milhões de euros, integra dois estudantes de doutoramento, Duarte Moura e Helena Ferreira, estando ainda prevista a contratação de mais quatro jovens investigadores.

Apostar na inovação

Para Inês Gonçalves, o financiamento atribuído pela Conselho Europeu de Inovação “valida a recente aposta do grupo numa área inovadora de investigação, impulsionada pela Andreia Pereira, que visa a geração de energia para dispositivos cardíacos eletrónicos”.

Por outro lado, permite “reforçar a equipa que está a trabalhar no desenvolvimento de biomateriais e dispositivos médicos para aplicações cardiovasculares”.

Além disso, acrescenta a investigadora, “teremos assim mais um grande projeto internacional no grupo para apoiar o desenvolvimento e a transferência de uma tecnologia desde a ciência fundamental até um produto que poderá vir a beneficiar a sociedade”. Universidade do Porto - Portugal




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

União Europeia - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde integra projeto europeu para prevenir o cancro gástrico

O projeto europeu «AIDA» conta com um financiamento de mais de sete milhões de euros, atribuído ao abrigo do Programa Horizon Europe da Comissão Europeia


O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) é um dos parceiros do projeto europeu «AIDA», recentemente financiado com mais de sete milhões de euros pelo Programa Horizon Europe da Comissão Europeia. Este projeto, que terá a duração de quatro anos e meio, tem como objetivo criar uma ferramenta baseada em Inteligência Artificial que ajude os clínicos no diagnóstico, acompanhamento e tratamento personalizados de doentes com lesões que normalmente antecedem o aparecimento do cancro gástrico.

Coordenado pelo INCLIVA Instituto de Investigación Sanitaria, de Espanha, o AIDA (An Artificially Intelligent Diagnostic Assistant for Gastric Inflammation) foca-se na prevenção de um cancro com grande prevalência, que normalmente tem um diagnóstico muito tardio, e, por isso mesmo, uma taxa de sobrevivência muito baixa.

O cancro gástrico é o quinto tipo de cancro mais comum e a terceira principal causa de morte por cancro no mundo, em ambos os sexos. Afeta quase um milhão de pessoas, causa 783 mil mortes por ano, e a taxa de sobrevivência dos doentes numa fase avançada é de apenas 12 meses.

Apesar dos avanços nos tratamentos, até à data nenhuma estratégia melhorou o prognóstico da doença, pelo que se torna urgente investir mais na prevenção primária e secundária, intervindo numa fase pré-sintomática, antes do cancro se desenvolver.

O objetivo do projeto AIDA é precisamente criar uma ferramenta alimentada por IA para ajudar os clínicos a diagnosticar inflamações pré-cancerígenas, fornecer acompanhamento médico personalizado, recomendar ações para monitorizar o estado de saúde dos doentes, e selecionar o tratamento mais adequado e eficaz.

O projeto compreende, entre outros aspetos, um estudo clínico onde serão avaliados perfis histopatológicos, moleculares, imunológicos e do microbioma de doentes com lesões precursoras do cancro do estômago, que serão depois comparados com os de doentes sem este tipo de lesões.

Dois grupos. Um objetivo comum

A equipa do i3S, que irá receber mais de 500 mil euros de financiamento, é coordenada por Fátima Carneiro, do grupo «Intercellular Comunication and Cancer», e conta com a participação do grupo «Microbes & Cancer», liderado por Céu Figueiredo.

Fátima Carneiro, que é também professora catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), ficará responsável pela seleção de lesões gástricas pré-malignas, através de estudo histopatológico, que é o melhor método de diagnóstico.

Estas imagens histológicas, explica a investigadora, “serão depois utilizadas para a aplicação de metodologias de Inteligência Artificial com o objetivo de identificar lesões de alto risco. Desta forma, os patologistas terão mais um instrumento para melhorar a acuidade de diagnóstico de rotina das lesões precursoras do cancro do estômago”.

Já o grupo liderado por Céu Figueiredo, igualmente docente da FMUP, será responsável pela identificação dos fatores de virulência da bactéria Helicobacter pylori e pela caracterização do microbioma do estômago, com o objetivo de estabelecer relações entre estes fatores e a presença de lesões de alto risco.

“Além do microbioma gástrico, será ainda estudado o microbioma oral dos doentes, com o objetivo de identificar perfis que possam vir a ser utilizados como marcadores de diagnóstico não-invasivos”, acrescenta a investigadora.

O consórcio do projeto integra 15 centros de excelência de oito países europeus, reunindo uma equipa multidisciplinar que inclui os melhores especialistas europeus em inflamação gástrica e cancro (áreas da epidemiologia, imunologia, oncologia, patologia e gastroenterologia), peritos em bioinformática, inteligência artificial e em gestão e proteção de dados, representantes da administração pública e associações de doentes.

Para além do i3S, o projeto AIDA conta ainda com a participação do IPO-Porto. Universidade do Porto - Portugal


quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Timor-Leste – Nova chefe das Nações Unidas no país quer mudar mentalidades na organização

A nova coordenadora residente das Nações Unidas em Timor-Leste disse que a sua principal acção será com as próprias agências da ONU no país, defendendo a necessidade de uma mudança de mentalidades sobre a forma como opera


“O papel mais importante que vou fazer aqui vai ser com a própria ONU. A ONU precisa de uma mudança de mentalidades sobre a forma como opera”, disse Funmi Balogun em entrevista à Lusa. “O papel da ONU está alinhado com o processo de reforma da ONU, que começou em 2019, globalmente, para ver exatamente o que os países e as pessoas precisam e como é que as Nações Unidas podem verdadeiramente contribuir”, referiu.

Em Timor-Leste há cerca de um mês, e reconhecendo que ainda está no processo de aprendizagem sobre a situação local, Funmi Balogun aponta a necessidade de maior coordenação entre as próprias agências da ONU e a forma como atuam com o Governo.

“Aqui em Timor-Leste, o que vejo, apesar do meu curto tempo aqui, tem a ver com coerência em governação, política e sistemas. Olhar para a ‘big picture’ e ver como a ONU pode ajudar a identificar quais são os passos mais críticos e estratégicos que podem ser integrados, de forma sistemática”, explicou. “Que políticas, que passos, como estão a ser implementadas, se os vários setores envolvidos estão alinhados e se falam entre si. O papel da ONU é poder identificar essas questões críticas, reunindo especialistas”, frisou.

Mais do que trazer recursos financeiros, vincou, a ONU pode contribuir com “experiência, lições aprendidas, que se deve somar à experiência existente no país, procurando assim ajudar o Governo”. “Muitas vezes quando se está a fazer um trabalho, as pessoas ficam amarradas aos seus mandatos e aos seus serviços. Focam-se independentemente nos problemas, decide-se o que se deve fazer em cada uma das áreas, mas esquecemos que tudo tem que ser integrado”, enfatizou.

Reconhecendo que os recursos da ONU são limitados, e que os recursos disponíveis do Governo timorense são muito maiores, Funmi Balogun questiona-se sobre a forma mais estratégica de atuar, ajudando a mobilizar todos os setores para que os programas possam ser “estrategicamente implementados”.

E entre os objectivos prioritários, alinhados com os do Governo, destaca “nutrição, sistemas alimentares, educação, reforma do setor público”, setores onde deve ser feita “uma análise adequada e implementados passos simples e estratégicos com metas alcançáveis que definam recursos necessários para as alcançar”.

Admitindo favorecer o modelo de apoio orçamental direto, Funmi Balogun nota que isso exige a construção de “confiança no sistema”, procurando “garantir que os sistemas são confiáveis, trabalham bem e assim tornar mais fácil o apoio orçamental”.

Recordando que, tradicionalmente, o principal papel da ONU em Timor-Leste tem sido de serviços humanitários, a nova coordenadora residente vinca que esse modelo deve ser reservado apenas para situações graves.

A ONU “deve antes estar a apoiar o Governo nos trabalhos de prevenção e planeamento, alocar recursos para lidar com desastres”, disse. “Sim, é fácil fazer projetos. Toda a gente gosta de projetos, servem como montra. Muitas vezes a equipa nacional e internacional muda. Ficam alguns anos e querem deixar algum legado, alguns projetos. Mas isso não vai levar às mudanças estruturais que são necessárias”, sublinhou.

Por isso reitera a necessidade de análise interna, de ver como as agências da ONU podem “trabalhar de forma diferente, melhorar os próprios sistemas internos. “Ver como operamos, se somos coerentes, ver até se as agências que estão aqui são atualmente as mais adequadas tendo em conta o que há para fazer. Quando se fala de mudança há sempre resistência, porque as pessoas estão habituadas a trabalhar de uma certa forma”, nota.

Vincando a paixão que une os quadros das Nações Unidas no terreno em torno em garantir a melhor prestação de serviços, Funmi Balogun defende que importa capitalizar nessa força e ver “que mudanças pequenas podem ser feitas para aumentar o impacto” das iniciativas. “Não devemos ver desafios como um falhanço, mas como uma oportunidade para ver se podemos mudar algumas coisas para conseguir melhores resultados”, vincou.

Funmi Balogun conta mais de 30 anos de experiência a trabalhar e a liderar projectos humanitários, de paz e desenvolvimento na ONU e em organizações não-governamentais (ONG) internacionais.

Antes de ser nomeada para Timor-Leste, Balogun era responsável da Normativa Humanitária e Coordenadora de Ação da ONU Mulheres, agência onde liderou a resposta global das mulheres da ONU às crises humanitárias.

Nas anteriores funções, deu ainda apoio aos escritórios da ONU Mulheres para reforçar a integração de temas de igualdade de género na resposta humanitária das Nações Unidas em países afectados pela crise.

A nigeriana esteve também destacada na Etiópia e no Quénia, trabalhando com várias instituições, incluindo a ONG Federação Internacional do Planeamento Familiar (International Planned Parenthood Federation).

Balogun liderou a coordenação interagências das Nações Unidas em avaliações conjuntas, no desenvolvimento e aplicação de programas conjuntos da organização, incluindo sobre violência de género, governação e proteção contra a exploração e abuso sexuais. Actualmente, a presença da ONU em Timor-Leste engloba 21 agências residentes e não residentes. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

América - Número de diabéticos triplica em 30 anos, aponta novo relatório da Opas

Crescimento está associado ao aumento dos fatores de risco, como a obesidade, segundo a organização internacional

O número de diabéticos triplicou nos últimos 30 anos na América, mostra um novo relatório da Organização Panamericana da Saúde (Opas). Segundo o documento, o aumento está relacionado ao crescimento dos fatores de risco, como altas taxas de obesidade, falta de atividade física e uma maior aderência a dietas poucos saudáveis.

"Nossa preocupação é o crescimento da doença não só entre adultos, mas também nos jovens, algo que antes era raro", diz o médico Levimar Araújo, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. Atualmente, dois terços dos adultos no continente estão com sobrepeso ou são obesos. Além disso, cerca de 40% não segue uma rotina de atividade física. Entre os jovens, 30% estão acima do peso.

"Observamos que as pessoas estão mais sedentárias, com uma alimentação menos regrada. Acho que há muito desconhecimento sobre esses riscos", afirma o especialista. O documento da Opas reafirma a necessidade de prevenção e promoção de um estilo de vida saudável, além de um diagnóstico precoce e um controle da doença para prevenir complicações.

Ao contrário do diabetes tipo 1, que não pode ser prevenido pois há uma falha do pâncreas em produzir insulina, no diabetes tipo 2 os hábitos de vida têm grande impacto no desenvolvimento da doença. O corpo se torna resistente a esse hormônio, ou não produz em quantidade suficiente. Daí a importância de manter uma dieta saudável, peso adequado e praticar atividade física.

Doença subdiagnosticada

Hoje, há cerca de 62 milhões de diabéticos nas Américas. No entanto, a estimativa é que o número seja ainda maior, pois 40% desconhecem o diagnóstico.

Muitos países do continente não possuem em seu serviço público de saúde equipamentos básicos, como os utilizados para medir a glicemia ou diagnosticar corretamente as complicações. A doença é a sexta causa de morte nas Américas e a segunda causa de problemas como cegueira, amputações e doença crônica renal. Além disso, o diabetes triplica o risco de morte por doença cardiovascular. Gabriela Cupani – Brasil in “247” com “Agência Einstein”