Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Centro de Estudos Internacionais – Iscte - Concurso Estímulo ao Emprego Científico-individual

No âmbito da abertura da 7ª edição do Concurso Individual ao Estímulo ao Emprego Científico (CEEC) 2024, promovido pela FCT, o CEI-Iscte aceita, até ao dia 30 de setembro de 2024, manifestações de interesse por parte de investigadores que queiram candidatar-se ao CEEC tendo o CEI como instituição de acolhimento


O CEI-Iscte (Centro de Estudos Internacionais do Iscte – Instituto Universitário de Lisboa) é um centro de investigação multidisciplinar, centrado nos desenvolvimentos internacionais do século XXI e na complexidade dos desafios sociais, políticos e económicos que transcendem as barreiras nacionais e internacionais. Neste sentido, convidamos todos/as os/as interessados/as em desenvolver o seu plano de investigação com o CEI como instituição de acolhimento, a manifestarem o seu interesse através do e-mail cei@iscte-iul.pt, enviando:

  • Nível a que se candidata (se investigador Júnior ou Auxiliar).
  • Curriculum vitae redigido em língua inglesa.
  • Percurso científico e curricular, redigido em língua inglesa, com destaque para as principais atividades e resultados obtidos nos últimos 5 anos ou menos no caso dos investigadores juniores.
  • Plano de desenvolvimento de carreira, redigido em língua inglesa, enquadrando a presente candidatura e realçando o seu impacto nos objetivos de carreira e nas metas científicas a atingir.
  • Título do plano de investigação.
  • Plano de investigação, redigido em língua inglesa, com a definição e contextualização dos objetivos e questões científicas, atividades a desenvolver, resultados esperados e a identificação da missão e desafio científico a enquadrar nos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas para 2030.

Investigador júnior – doutorados/as há 5 anos ou menos, contabilizados à data de encerramento do período de submissão de candidatura, com experiência de investigação pós-doutoral reduzida na área científica a que se candidata.

Investigador auxiliar – doutorados/as à data de encerramento do período de submissão de candidatura, com currículo relevante na área científica a que se candidatam.

O prazo para submissão das manifestações de interesse foi prolongado até 30 de setembro por e-mail para cei@iscte-iul.pt tendo por assunto "Concurso Estímulo ao Emprego Científico - 7ª edição".

Saiba mais sobre a call aqui. Centro de Estudos Internacionais – Iscte - Portugal

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Portugal - Faculdade de Ciências da Universidade do Porto testa bebidas funcionais para prevenir doenças cardiovasculares

Bebidas produzidas pela Sumol + Compal e Tetrapack serão testadas no âmbito do projeto FERMEN.TO, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia


São fermentadas de forma análoga a um vinho, mas não têm álcool e podem ser a chave para a prevenção de doenças cardiovasculares (DCV). Uma tese a comprovar ao longo dos próximos meses nos laboratórios da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), onde serão testadas as primeiras receitas formuladas pela Sumol + Compal e Tetrapack no âmbito do projeto FERMEN.TO, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT)

Ricos em fruta contendo compostos fenólicos (antioxidantes) associados à saúde, estes “néctares do futuro” utilizam a tecnologia de fermentação alcoólica através de leveduras para reduzir o teor de açúcar dos sumos sem lhes alterar o sabor. Para além desta vantagem para a saúde, acredita-se que podem prevenir ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais, a principal causa de morte em todo o mundo.

Numa primeira fase, o foco dos cientistas vai centrar-se nas características químicas e nutricionais das receitas. A ideia é perceber o que muda num sumo ao ser fermentado e quais as moléculas e nutrientes mais promissores.

Um estudo inicial para um objetivo bem claro: “Queremos perceber se estas bebidas são capazes de reverter um conjunto de alterações metabólicas, como a diabetes e a hipertensão, porque sabemos que quem as desenvolve tem 3,5 vezes mais propensão para desenvolver DCV”, explica a líder do projeto, Iva Fernandes, docente da FCUP e investigadora do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE).

No projeto FERMEN.TO, os investigadores querem perceber todo o impacto do processo de fermentação numa bebida durante a sua produção e a viagem e transformação dos diferentes componentes após ingestão por via oral. “Para perceber o impacto das bebidas fermentadas na saúde humana, vamos simular, numa plataforma in vitro o processo de ingestão dos sumos desde a boca, passando pelo estômago e intestino, retirar amostras ao longo do processo e perceber o que é absorvido em cada compartimento”, antecipa a investigadora.

No final da “viagem” simulada destas bebidas pelo corpo humano, vão ser selecionadas as moléculas mais relevantes que poderão chegar aos diferentes órgãos através da corrente sanguínea. Para testar se revertem ou não as condições metabólicas, no final, o que resulta deste projeto é testado com células adiposas e do tecido muscular, onde serão simuladas condições como a diabetes ou a hipertensão.

O objetivo é confirmar se estes sumos fermentados são “mais fáceis de digerir” e se fortalecem a flora intestinal e para isso também se estuda a microbiota após a ingestão destas bebidas.

O passo seguinte, que ficará para um novo projeto, será validar estes resultados em voluntários com e sem síndrome metabólica. Se os resultados forem os esperados, os produtores poderão avançar com estas novas bebidas funcionais e prepará-las para chegar às prateleiras e fazer a diferença.

O projeto FERMEN.TO tem a duração de 18 meses e conta com o envolvimento de investigadores da FCUP e LAQV-REQUIMTE, da NOVA Medical School (NMS), do Instituto de investigação em Ciências da Alimentação da Universidade de Madrid, da Sumol+Compal e da Tetrapack. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 21 de janeiro de 2023

Portugal - Bolsas de investigação nas áreas de História, Ciência Política e Relações Internacionais

Está aberto concurso para atribuição de duas Bolsas de Investigação para Doutoramento, nas áreas científicas de História, História Diplomática, Ciência Política e Relações Internacionais

As bolsas são financiadas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) ao abrigo do Protocolo de Colaboração celebrado entre a FCT e o Instituto Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

O concurso encerra às 23h59 (hora de Lisboa) de 15 de março de 2023.

O edital está disponível aqui e o anúncio pode ser consultado nesta ligação. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 23 de maio de 2022

Portugal - Cientistas desenvolvem novo material que pode substituir o plástico

Uma equipa de investigadores liderada pela Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um substituto do plástico a partir de nanocelulose combinada com um mineral fibroso, totalmente biodegradável e biocompatível, com várias aplicações, por exemplo, em embalagens alimentares e impressões eletrónicas, abrindo portas à fabricação de plásticos mais sustentáveis.

O novo material foi desenvolvido ao longo dos últimos três anos, em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e a Universidade da Beira Interior (UBI), e com a colaboração da empresa espanhola TOLSA,  no âmbito do projeto “FilCNF: Nova geração de filmes compósitos de nanofibrilas de celulose e partículas minerais como materiais de elevada resistência mecânica e propriedades de barreira a gases”, financiado, no valor de 190 mil euros, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Esta nova solução ecológica, que na prática se traduz numa nova classe de filmes compósitos, foi produzida a partir de «nanocelulose, obtida através de processos mecânicos, químicos e enzimáticos, combinada com um mineral fibroso, um recurso geológico que permite a redução de custos e a melhoria de propriedades mecânicas e de barreira muito importantes. Mecânicas, porque estes filmes têm de ser resistentes, e de barreira, dado que estes filmes têm de possuir impermeabilidade aos gases, ou seja, resistência ao ambiente», afirmam José Gamelas e Luís Alves, coordenador do projeto e investigador principal do estudo, respetivamente.

A grande inovação deste novo substituto do plástico, segundo os dois investigadores do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), é o uso de «minerais fibrosos, que não têm qualquer risco para a saúde, e também a preparação dos filmes por filtração, o que acelera muito o processo de produção. Por exemplo, com o processo convencional pode durar uma semana até se obter os filmes, enquanto que, através do método por filtração, nós conseguimos ter os mesmos filmes em poucas horas e com melhores propriedades».

Os resultados obtidos até agora são altamente promissores, demonstrando que esta pode ser uma solução de futuro viável. Aumentar a escala de produção, otimizar processos e explorar as propriedades destes filmes para outras aplicações, nomeadamente para restauro de livros antigos, serão os próximos passos do projeto. Isto porque, avançam José Gamelas e Luís Alves, «embora o projeto tenha sido pensado para embalagens alimentares e eletrónica impressa, há muitas outras aplicações que podem beneficiar desta solução, tais como a conservação/restauro de documentos importantes em suporte de papel que tenham problemas de degradação com o envelhecimento».

A utilização massiva de plásticos e a «incapacidade de fazer uma reciclagem apropriada é cada vez mais um tema de grande importância na sociedade contemporânea. Por isso, é fundamental a procura de novos materiais produzidos a partir de recursos não fósseis, isto é, de recursos renováveis, para reduzir o uso do plástico», finalizam.

Deste projeto resultaram várias publicações científicas, a última pode ser consultada aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Internacional - MORfood, o projeto que quer ajudar a combater a má nutrição no mundo

Combater a desnutrição infantil em países em vias de desenvolvimento é o grande objetivo do projeto “MORfood - Microencapsulação de extratos de Moringa oleifera e sua aplicação em alimentos funcionais”, liderado pelo investigador Licínio Ferreira, da Universidade de Coimbra (UC).

O projeto, com a duração de três anos, tem um financiamento de cerca de 230 mil euros, atribuído pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela Aga Khan, uma fundação que apoia projetos nos domínios da saúde e educação, nomeadamente o desenvolvimento científico e tecnológico dirigido ao progresso da qualidade de vida no continente africano.

Além da equipa da Universidade de Coimbra, através da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), da Faculdade de Farmácia (FFUC) e da PRODEQ - Associação sem fins lucrativos do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da FCTUC, também participam no projeto investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e da Universidade Agostinho Neto (UAN), em Angola.

O MORfood foca-se em produzir microcápsulas ricas em compostos bioativos extraídos de Moringa oleifera, conhecida como a planta da vida, que serão incorporadas em determinados alimentos (pão, iogurtes e sumos) para crianças em idade escolar, entre os 4 e 10 anos.

A Moringa oleifera, uma espécie nativa do norte da Índia, Paquistão e Afeganistão, e muito cultivada em países tropicais e subtropicais de África, Ásia e América Latina, é uma das plantas «mais nutritivas do mundo, muito rica, por exemplo, em proteínas, vitaminas e minerais, como cálcio e potássio. É uma planta que já é utilizada pelas populações africanas para combater um conjunto alargado de patologias, tais como asma, bronquite, hipertensão, diabetes, entre muitas outras. O nosso estudo centra-se nos extratos das folhas, a parte da planta mais rica em nutrientes», explica Licínio Ferreira, docente da FCTUC e investigador do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF).

A equipa apostou na microencapsulação para enriquecer os alimentos, porque, segundo o coordenador do estudo, é uma tecnologia que apresenta muitas vantagens, neste caso «protege a atividade biológica de alguns compostos que são extraídos da planta e que de outra forma se degradariam. Por exemplo, no caso do pão, um dos alimentos que selecionámos, as microcápsulas podem ser introduzidas na própria farinha, e se os compostos não estiverem incorporados dentro destas microcápsulas, as suas propriedades iriam degradar-se e desaparecer durante o fabrico do pão, daí a importância das microcápsulas».

Nesta primeira etapa do projeto, os investigadores estão a caracterizar as amostras de folhas de moringa provenientes de Angola, de modo a obter a composição fitoquímica e nutricional das folhas. Após essa caracterização, que é fundamental, seguem-se os estudos de extração de compostos e seleção dos mais adequados ao objetivo do projeto, ou seja, compostos importantes para combater a desnutrição infantil.

Antes da fase da microencapsulação, os extratos serão selecionados, «porque eventualmente haverá compostos indesejáveis que têm de ser removidos. Desta seleção, obteremos frações enriquecidas de macronutrientes e micronutrientes que são benéficos para combater a desnutrição infantil, nomeadamente hidratos de carbono, vitaminas, sais minerais, entre outros», esclarece Lícino Ferreira.

No final do projeto, os alimentos funcionais (enriquecidos) com microcápsulas carregadas de nutrientes extraídos de moringa vão ser testados junto de crianças angolanas. São os chamados testes de aceitabilidade sensorial, para aferir a reação da população infantil a este tipo de alimentos.

Natural de Angola e conhecedor da realidade da desnutrição infantil naquele país, Licínio Ferreira nota que a desnutrição infantil é um grande flagelo mundial. «Segundo o relatório de 2020 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cerca de 8,9% da população mundial estava desnutrida em 2019, o que representa 690 milhões de pessoas. Ainda segundo esse relatório, este número corresponde a um aumento de 60 milhões de pessoas em comparação a 2014. É um flagelo que tende a agravar-se ao longo dos anos».

Se o projeto alcançar os resultados esperados, a equipa tentará depois estabelecer uma parceria com a UNICEF, de modo a que os alimentos enriquecidos com extratos de moringa possam chegar a um maior número de países em vias de desenvolvimento. Universidade de Coimbra - Portugal



domingo, 24 de abril de 2022

África - Português descobriu fósseis raros

O paleontólogo português Ricardo Araújo integra uma equipa internacional que encontrou pela primeira vez em Moçambique e na Zâmbia fósseis do Dicinodon angielczyki, um ancestral dos mamíferos


“Até agora só se conhecia a sua presença na Tanzânia, mas começamos a expandir a sua distribuição e é a primeira vez que descobrimos esta espécie em Moçambique e na Zâmbia”, afirmou Ricardo Araújo à agência Lusa. Os fósseis daquela espécie de dicinodonte, um ancestral dos mamíferos, foram encontrados no âmbito de uma expedição realizada em 2019 em Graben Metangula, na província moçambicana do Niassa, e são importantes para a comunidade científica.

“Conseguimos agora perceber, com muito mais certeza, as idades entre as várias bacias sedimentares do leste africano, nomeadamente as bacias de Moçambique, Tanzânia e Zâmbia”, disse o investigador do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico.

Para o paleontólogo, os cientistas apontam para a hipótese de ser uma “espécie restrita ao Leste africano, porque não só não está reportada noutros sítios, como também tem uma característica distintiva ao nível do crânio que não é encontrada noutras espécies e que é derivada do tipo de alimentos que ingeriam” nessa região.

Publicado esta semana na revista Journal of Vertebrate Paleontology, o artigo científico é ainda subscrito pelos norte-americanos Christian Kammerer (Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte) e Kenneth Angielczyk (Museu de História Natural de Chicago) e pelos moçambicanos Keila Cumbane e Zanildo Macungo, do Museu Nacional de Geologia de Moçambique. O projeto é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, em parceria com a Fundação Aga Khan. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 8 de abril de 2022

Internacional – Equipa liderada pela Universidade de Coimbra faz importantes descobertas no Curdistão iraquiano

Uma nova campanha arqueológica realizada em Kani Shaie, no Curdistão iraquiano, por uma equipa internacional liderada por investigadores da Universidade de Coimbra (UC), resultou em várias descobertas.


Esta campanha, efetuada no âmbito do projeto de investigação “KSAP – Projeto Arqueológico de Kani Shaie”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), foi coordenada por André Tomé, Maria da Conceição Lopes e Steve Renette, do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP) da UC, e contou com a participação de investigadores de oito nacionalidades e de várias universidades como Cambridge, Toronto e Carolina do Norte.

Kani Shaie, às portas das montanhas, entre a planície e as altas montanhas conhecidas como Zagros, é um pequeno sítio que se encontra longe do coração da Mesopotâmia, mas plenamente integrado no contexto regional dos grandes desenvolvimentos tecnológicos e transformações societais que, num período entre o VI milénio a.C. e o final da primeira metade do III, desenham o futuro da humanidade.

Nesta campanha de escavações, os objetivos centraram-se nos contextos do início do terceiro milénio, tendo a equipa de arqueólogos descoberto «parte de uma ocupação com arquiteturas unicelulares com acesso para espaços de trabalho exteriores equipados com pequenos fornos e outras estruturas de processamento de alimentos, bem como materiais pouco comuns para a época, tais como metal», revelam André Tomé e Maria da Conceição Lopes.


«De uma fase ligeiramente mais antiga, ainda mais do início desse milénio em que a escrita e outros instrumentos burocráticos se generalizam, foi descoberta uma grande estrutura de armazenamento de cereais que terá sido destruída por um incêndio, cujas causas são, por ora, difíceis de aferir, e que pôs fim a esta ocupação», relatam.

No interior, prosseguem os cientistas da UC/CEAACP, foram encontradas «várias impressões de selos cilíndricos, testemunhando práticas de selagem, de controlo de mercadorias e propriedade. Essas impressões, por norma associadas a contextos urbanos, das quais recolheram-se várias dezenas em Kani Shaie, e os motivos revelados demonstram que, afinal, um pequeno sítio como este, de simples arquiteturas, encontrava-se no centro do mundo, com ligações às grandes cidades do Sul Mesopotâmico, incluindo a região de Susa no atual Irão, a vales longínquos nas regiões montanhosas dos Zagros, à Síria e à Anatólia».

Esta centralidade foi também demonstrada em outros achados desta campanha, como objetos em obsidiana ou pedra-pomes, «que só se podem encontrar em regiões a milhares de quilómetros de distância». Esta riqueza de materiais, indicam André Tomé e Maria da Conceição Lopes, desencadeia um conjunto de questões: «Seria Kani Shaie um importante entreposto comercial, estação de muda entre várias regiões, uma espécie de caravanserai neste terceiro milénio, colocado já sobre os caminhos das várias rotas que um dia serão aglutinadas como “Rota da Seda”? E seria essa função já desempenhada ao longo do quarto milénio, do qual os achados de campanhas anteriores parecem representar um ponto de confluência de várias esferas culturais num momento tão importante para a história da humanidade?».


Segundo a equipa, a «escrita começa a surgir no Sul da Mesopotâmia no último quartel desse quarto milénio, e em Kani Shaie, o processo de desenvolvimento dessa tecnologia, é documentada coetaneamente por uma tabuinha de argila com uma marca numérica. A próxima campanha contará, certamente, mais desta história pouco conhecida».

Em simultâneo com as escavações, a equipa da UC/CEAACP desenvolveu uma investigação complementar assente no trabalho de campo sobre as arquiteturas tradicionais, registo das técnicas construtivas e das morfologias arquitetónicas, em várias subunidades de paisagem das áreas de montanha de Sulaimania.

A equipa do KSAP formalizou um novo contrato de parceria com as autoridades curdas com vista ao prolongamento dos trabalhos por mais cinco anos. Durante as escavações arqueológicas foram ainda ministrados cursos de formação técnica a estudantes e arqueólogos locais. Universidade de Coimbra - Portugal






segunda-feira, 4 de abril de 2022

Portugal - Descoberta da Universidade de Coimbra possibilita avanço importante no diagnóstico da Esclerose Múltipla

Um estudo liderado pelo investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), Carlos Duarte, mostra que é possível classificar um doente com Esclerose Múltipla (EM) com 80% de certeza, avaliando um conjunto de oito proteínas específicas.


A descoberta resulta de cerca de 15 anos de investigação na área dos biomarcadores (indicadores de determinadas patologias), e só foi possível devido a uma estreita colaboração entre o CNC, o Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), o departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e ainda o laboratório de Neurobiologia Molecular do I3S (Universidade do Porto).

A Esclerose Múltipla, uma doença inflamatória e degenerativa que afeta o sistema nervoso central (SNC), é difícil de diagnosticar, devido à diversidade de sintomas, semelhança com outras doenças inflamatórias do SNC e ausência de indicadores específicos para a doença, ou seja, de um método de diagnóstico específico. Cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de EM, sendo que em Portugal estima-se que a doença afete mais de 8 mil pessoas.

Neste estudo, foram utilizadas amostras de líquido cefalorraquidiano (LCR) de doentes com Esclerose Múltipla e de doentes com outras doenças inflamatórias do sistema nervoso central. O LCR é um líquido presente entre o crânio e o cérebro e também na medula espinhal, que atua como um amortecedor, servindo de proteção. Além disso, contém um grande número de moléculas produzidas, libertadas e processadas a partir do SNC, o que faz deste líquido uma janela única para o estudo de doenças do sistema nervoso.

Numa primeira fase da investigação, recorrendo a estas amostras biológicas, em contexto laboratorial, «foi identificado um grupo de proteínas que permitiu distinguir corretamente 80-90% das amostras de doentes com EM. Posteriormente, após uma análise estatística exaustiva, oito proteínas obtiveram lugar de destaque, uma vez que, quando avaliadas em conjunto, permitiram classificar e categorizar com 80% de confiança os doentes com Esclerose Múltipla. Estas oito proteínas definem agora um novo painel de biomarcadores para a EM», explicam Carlos Duarte, coordenador do estudo e professor catedrático da FCTUC, e Ivan Salazar, primeiro autor do estudo e investigador do CNC-UC.


Os resultados, publicados na revista Journal of Neuroinflammation, concluem os investigadores, «constituem um avanço significativo para o desenvolvimento de novas estratégias de diagnóstico, ou prognóstico, para a Esclerose Múltipla. Além do mais, contribuem também para a avaliação de novas estratégias terapêuticas para esta doença».

Este estudo foi financiado pela National Multiple Sclerosis Society (EUA), Biogen (EUA) e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) (Portugal). Universidade de Coimbra - Portugal




 

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Portugal - Estudo da Universidade de Coimbra revela como a doença de Parkinson pode ter origem no intestino

Cientistas da Universidade de Coimbra (UC) revelam como a doença de Parkinson pode ser desencadeada no intestino e daí progredir para o cérebro. Os resultados do estudo acabam de ser publicados na Gut, revista internacional de referência na área da gastroenterologia, e representam mais uma peça fundamental do complexo “puzzle” daquela que é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente no mundo e com tendência para aumentar nas próximas décadas.

O estudo decorreu durante os últimos cinco anos no Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC-UC), e foi financiado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) em mais de meio milhão de euros.

A equipa, liderada por Sandra Morais Cardoso, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), e por Nuno Empadinhas, investigador do CNC-UC, estudou, em ratinhos, os efeitos da ingestão crónica de BMAA, uma toxina produzida por cianobactérias e outros micróbios, e que se pode acumular, por exemplo, em alguns animais aquáticos como bivalves, mariscos e peixes.

Partindo de estudos anteriores, que apontam para a existência de vários “tipos” de doença de Parkinson, os cientistas da UC demonstram, pela primeira vez, que a ingestão crónica desta toxina microbiana ambiental elimina grupos muito específicos de bactérias que protegem a mucosa intestinal e que regulam a imunidade ao nível dessa barreira essencial. A partir daqui, inicia-se uma cadeia de eventos que se propaga até uma região específica do cérebro, danificando sobretudo as mitocôndrias, organelos que, entre outras funções, atuam como fábricas de energia das células.

«Caracterizámos os efeitos desta toxina, desde a erosão seletiva do microbioma intestinal à alteração da imunidade no íleo (região específica do intestino), até à degeneração específica dos neurónios que produzem dopamina no cérebro.

Curiosamente, a alteração da barreira e imunidade intestinal levou a que o marcador cerebral clássico da doença surgisse primeiro no intestino», explica Sandra Morais Cardoso, clarificando ainda que «a propagação é lenta e progressiva e pode ocorrer através do sangue ou do nervo vago (que liga o intestino ao cérebro), até chegar à região do cérebro associada à doença de Parkinson, onde afeta as mitocôndrias desses neurónios, que acabam por morrer». 

Considerando que o diagnóstico clínico da doença de Parkinson só ocorre quando surgem os primeiros sintomas motores (tremores, rigidez muscular e movimentos lentos), este estudo indica que a doença pode, em alguns casos, ter surgido no intestino muitos anos antes.

Sandra Morais Cardoso e Nuno Empadinhas explicam que decidiram testar esta hipótese, pois «muitos doentes apresentam sintomas intestinais vários anos antes do diagnóstico clínico e também porque parece existir uma associação direta entre tóxicos ambientais e o aparecimento desta doença descrita há cerca de 200 anos, mas cuja origem é ainda desconhecida». Os resultados do estudo agora publicado «não representam uma cura, mas reforçam a possibilidade de haver casos de Parkinson que surgem primeiro no intestino. Por outro lado, confirmam que um metabolito produzido por certas bactérias pode, inadvertidamente, desencadear processos neurodegenerativos específicos desta doença».

Esta investigação, referem, «confirma que existe uma comunicação direta entre bactérias e mitocôndrias, ou seja, apesar de esta toxina ser produzida por algumas bactérias e atacar outras que, neste caso, são sentinelas da imunidade na mucosa intestinal, também ataca mitocôndrias do intestino e do cérebro». E concluem, «a toxina tem, portanto, ação antibiótica e terá tido origem nas guerras entre bactérias durante os muitos milhões de anos de evolução, mas que ao contrário dos antibióticos que usamos para combater bactérias que nos causam infeções, tem um efeito nocivo colateral duplo: ataca bactérias benéficas e mitocôndrias».

Por outro lado, observa Nuno Empadinhas, este estudo alerta para um potencial perigo de ingestão crónica de BMAA em dietas ricas em alimentos de origem aquática, nos quais os níveis da toxina são desconhecidos. Refere que «a bioacumulação de BMAA deve ser uma preocupação» e defende que, «em prol da segurança alimentar e saúde pública, esta toxina específica, que muito raramente produz sintomas de intoxicação aguda, deve ser incluída em programas de monitorização, pois confirma-se que, quando consumida de forma crónica, pode danificar o microbioma e barreira intestinais, desencadeando doença».

Questionados sobre se, e como, é possível bloquear o circuito agora demonstrado, impedindo assim que a doença se propague para o cérebro, Sandra Morais Cardoso e Nuno Empadinhas admitem que sim, mas que será «um desafio multidisciplinar que, para além da identificação dos alvos moleculares da toxina e de estratégias para a inativar, passa por restabelecer e manter a comunidade de bactérias protetoras, com o intuito de fortalecer e preservar a barreira intestinal». Fica a nota de que, finalizam, «se esta estratégia puder ser acionada nas fases iniciais da doença (antes das alterações motoras), poder-se-á impedir a sua progressão». Universidade de Coimbra - Portugal

 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Internacional - Projeto PineWALL propõe estratégia inovadora para combater a doença da murchidão do pinheiro

Por que razão umas espécies de pinheiro resistem à doença provocada pelo nemátode da madeira do pinheiro (NMP), uma grave ameaça para as florestas de Portugal e do resto do mundo, e outras não? Esta questão foi o ponto de partida para um estudo internacional liderado por investigadores da Universidade de Coimbra (UC), e que acaba de obter 240 mil euros de financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

O projeto PineWALL, que conta com a participação de investigadores da Universidade do Porto (UP), Centro de Investigação Florestal de Lourizán (Espanha), Universidade de Gales (Reino Unido) e Universidade da Geórgia (Estados Unidos da América), apresenta uma abordagem inovadora e multidisciplinar, focada na parede celular do hospedeiro do nemátode (árvore) e não apenas no agente que provoca a doença da murchidão do pinheiro. Além disso, o estudo pretende entender em que medida a suscetibilidade ao nemátode da madeira do pinheiro é agravada pelas alterações climáticas.

Tipicamente, os vários estudos sobre este problema centram-se no inseto vetor e no nemátode. O projeto PineWALL «foca-se, pela primeira vez, na relevância da composição e estrutura da parede celular de pinheiros de diferentes espécies para a resistência ao nemátode da madeira do pinheiro num cenário de alterações climáticas. Para tal, partimos de estudos prévios realizados por nós, que têm melhorado o conhecimento acerca dos mecanismos de patogenicidade do NMP e das relações biológicas estabelecidas com a árvore hospedeira», explica Ricardo Costa, coordenador do projeto.

A parede celular vegetal, explica o investigador da Unidade de I & D “Química-Física Molecular” e do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), é uma estrutura altamente complexa e dinâmica, «e o seu estudo é fundamental para desvendar causas de resistência/suscetibilidade variável ao NMP entre diferentes espécies e variedades de pinheiro. A parede celular é o que dá forma às células e é a base para muitas funções vitais das plantas, tais como fornecer suporte e resistência, nomeadamente através da formação de barreiras defensivas contra agentes patogénicos, desidratação e outros fatores ambientais».

Para descobrir porque é que a doença se desenvolve nuns pinheiros e noutros não, a equipa vai estudar três espécies de pinheiro -  pinheiro-bravo (Pinus pinaster), que é a espécie mais afetada pela doença e economicamente mais importante, e o pinheiro-manso (Pinus pinea) e o pinheiro-de-alepo (Pinus halepensis), duas espécies menos suscetíveis, ou até tolerantes ao ataque do NMP.

«O que nós vamos fazer é estudar do ponto de vista bioquímico, comparar a composição e ultraestrutura molecular entre espécies tolerantes e não tolerantes. Vamos efetuar uma caracterização celular exaustiva das três espécies para tentar descobrir se existe alguma propriedade que impeça a propagação da doença nas espécies que não são suscetíveis, ou que promova a sua propagação em espécies suscetíveis», esclarece Ricardo Costa.

Para realizar esta caracterização geral e aprofundada da parede celular de árvores das três espécies de pinheiro, inoculadas e não inoculadas com o NMP, vão ser usados vários métodos de espectroscopia vibracional e de química analítica, métodos que são usados, por exemplo, para diagnóstico de cancro, uma vez que permitem fazer um screening de um muito elevado número de amostras num curto espaço de tempo, por forma a encontrar biomarcadores que possam estar associados à resistência ou à suscetibilidade das árvores ao verme.

Depois, com base na informação química adquirida no estudo da parede celular do hospedeiro e com base em modelos climáticos, a equipa vai desenvolver modelos que permitam correlacionar  fatores e efetuar previsões que consigam dizer quais as espécies que poderão ser mais suscetíveis à doença face às alterações climáticas, problema que tende a agravar-se, «permitindo trabalhar no melhoramento de espécies, ou seja,  criar pinheiros resistentes, contribuindo, assim, para a definição de uma espécie que melhor se adapte a condições climáticas e fitopatológicas em mudança», adianta Ricardo Costa.

«Este projeto providenciará uma compreensão mais ampla desta infeção pelo NMP e dos mecanismos de resposta do hospedeiro e será um recurso de extrema utilidade em futuros projetos que lidem com a mitigação dos efeitos devastadores desta doença», conclui.

A doença da murchidão do pinheiro é um problema complexo, com impacto económico devastador nas regiões afetadas, uma vez que, identificada a doença, a única solução é o abate imediato das árvores e a sua destruição. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Portugal - Programa psicoterapêutico desenvolvido na Universidade de Coimbra reduz o sofrimento de mulheres com cancro da mama

 

Um programa de intervenção psicológica para contexto oncológico, desenvolvido na Universidade de Coimbra (UC), mostrou ser eficaz na diminuição do sofrimento de mulheres com cancro da mama.

Elaborado no âmbito do doutoramento de Inês Trindade, investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), o programa, batizado de “Mind”, combina técnicas de mindfulness (atenção plena), aceitação e compaixão, tendo como objetivo promover uma autogestão emocional mais eficaz e, assim, melhorar o funcionamento psicossocial e qualidade de vida de doentes com cancro.

Num estudo-piloto realizado com um grupo de mulheres com cancro da mama não metastático em tratamento no Serviço de Radioterapia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), o programa Mind teve um efeito notável na melhoria da saúde psicológica das participantes.

A amostra foi constituída por 32 mulheres, distribuídas por dois grupos – um grupo experimental e um grupo de controlo (doentes que não realizaram a intervenção). No final das oito sessões previstas no programa Mind, com a duração de aproximadamente duas horas cada, «a saúde psicológica das mulheres com cancro da mama que realizaram a intervenção melhorou significativamente em comparação ao grupo de mulheres que não realizou o programa (grupo de controlo)», assinala Inês Trindade.

Foram também notadas melhorias na saúde física e qualidade das relações sociais e diminuição de sintomas de depressão e stresse. Além disso, as mulheres do grupo experimental relataram que o programa é muito útil para lidarem melhor tanto com a doença como com outras áreas de vida. Estes resultados, já publicados no Journal of Contextual Behavioral Science, sugerem que «o programa Mind pode ser um complemento muito útil ao tratamento médico do cancro da mama, ajudando a melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dessa população», afirma a investigadora. O cancro da mama é o segundo cancro mais comum e o mais frequente em mulheres.

Agora, com o objetivo de otimizar o programa Mind, Inês Trindade, em conjunto com Helena Moreira, também do CINEICC, vai conduzir um novo estudo, com um maior número de participantes. Para tal, acaba de obter 245 mil euros de financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Este novo estudo, designado "Mind programme for cancer patients: A randomized controlled trial testing the programme´s cost-effectiveness and efficacy in changing psychological and biological outcomes in women with breast cancer”, tem a duração de três anos e vai permitir «realizar um ensaio clínico mais robusto e controlado, e avaliar também o efeito do programa em marcadores fisiológicos (epigenéticos e inflamatórios), além das medidas psicológicas, relacionadas com saúde mental e adaptação à doença, assim como o custo-efetividade (ganhos económicos) do programa», finaliza a investigadora do CINEICC. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Portugal - Fundação para a Ciência e a Tecnologia atribui mais de 700 mil euros a projetos da Universidade de Coimbra que usam a ciência de dados e a inteligência artificial para combater a COVID-19

Três dos 12 projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito do concurso “AI 4 COVID-19: Ciência dos Dados e Inteligência Artificial na Administração Pública para reforçar o combate à COVID 19 e futuras pandemias – 2020”, são liderados por investigadores da Universidade de Coimbra (UC).

O montante global do financiamento atribuído aos três projetos, intitulados “VIRHOSTAI - Descoberta do interatoma vírus-hospedeiro: uma abordagem guiada por inteligência artificial e dados multi-ómicos”, “Lung@ICU - Ferramentas avançadas para diagnóstico e prognóstico em pneumologia @ Cuidados Intensivos” e “Um sistema de documentação de interface entre necessidades clínicas e de ciências dos dados para enfrentar o desafio da COVID”, ultrapassa os 700 mil euros.

O projeto “VIRHOSTAI” é liderado por Irina de Sousa Moreira, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), e vai focar-se no desenvolvimento de uma plataforma inovadora capaz de propor novas terapias especificamente desenhadas para o tratamento da COVID-19.

No contexto atual, afirma a investigadora, «é imprescindível uma identificação célere e fidedigna dos alvos terapêuticos e candidatos a fármacos para que apenas os melhores avancem para ensaios pré-clínicos e clínicos. Para tal, é fundamental maximizar o aproveitamento do enorme volume de dados gerado durante o combate mundial à pandemia e dos mais recentes avanços em tecnologias computacionais inteligentes para acelerar e otimizar a procura por soluções terapêuticas de difícil obtenção com metodologias tradicionais».

Assim, clarifica a também docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), «através da utilização de algoritmos inovadores no domínio da inteligência artificial, ir-se-á interligar dados ómicos e biofísicos de forma a prever correlações e interações fármaco-alvo associadas ao sistema vírus-homem (vhDTIs), caracterizando-se também as mais relevantes propriedades e mecanismos biológicos do SARS-CoV-2».

Esta investigação, que obteve 240 mil euros de financiamento, vai ser desenvolvida em parceria com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento em Lisboa (INESC-ID) e a Associação do Instituto Superior Técnico para a Investigação e Desenvolvimento (IST-ID) da Universidade de Lisboa.

Já o projeto Lung@ICU, coordenado por Paulo de Carvalho, do Laboratório de Informática Médica do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), propõe desenvolver um conjunto integrado de ferramentas de diagnóstico e prognóstico baseado em Inteligência Artificial (IA), com base em auscultação remota de som torácico e tomografia por impedância elétrica (EIT). Recebeu 238 mil euros de financiamento e integra investigadores do CHUC, abrangendo a experiência na área clínica e científica da pneumologia.

Esta investigação visa essencialmente responder a três grandes desafios enfrentados nos atuais ambientes hospitalares para combater doenças pandémicas, designadamente dificuldades no diagnóstico e avaliação adequada dos pacientes com COVID-19, escassez de profissionais treinados em pneumologia e unidades de cuidados intensivos (UCI) e necessidade de ferramentas de apoio à decisão adequadas para o diagnóstico e prognóstico preciso da evolução da doença.

«Devido às medidas de proteção individual exigidas aos profissionais de saúde, como os fatos de isolamento, e ao requisito de manter uma distância segura dos pacientes infetados, os métodos de observação e diagnóstico tradicionais como a auscultação não são exequíveis, o que gera dificuldades no diagnóstico e avaliação adequada dos pacientes com COVID-19, mesmo por pneumologistas experientes», fundamenta Paulo de Carvalho. Por outro lado, salienta, «a natureza pandémica deste surto levou à escassez de profissionais treinados em pneumologia e Unidades de Cuidados Intensivos. Por exemplo, muitos profissionais de outras áreas (em alguns países, até estudantes de medicina) foram recrutados para evitar o colapso dos serviços de saúde».

Para além disso, o facto de a doença COVID-19 ser «altamente imprevisível, por exemplo, a condição dos pacientes pode evoluir muito rapidamente (em questão de horas), aumenta a necessidade de ferramentas de apoio à decisão adequadas para o diagnóstico e prognóstico oportuno e preciso da evolução da doença para apoiar, principalmente, profissionais menos treinados», sublinha ainda o docente da FCTUC.

O terceiro projeto financiado pela FCT – “Um sistema de documentação de interface entre necessidades clínicas e de ciências dos dados para enfrentar o desafio da COVID” – é liderado por Miguel Castelo-Branco, investigador do Coimbra Institute for Biomedical Imaging and Translational Research (Cibit), e obteve um financiamento de 239 mil euros. Centra-se em gerar uma ferramenta de data science e apoio à decisão a nível hospitalar e desenvolver uma linha de teleapoio e neuroreabilitação à distância que mitigue a dificuldade em organizar respostas. 

«Este tipo de ferramentas é crítico numa fase em que é necessário dar resposta ao tremendo impacto da COVID. Pretende-se o desenvolvimento de um sistema de fácil utilização e manutenção, com diversas funcionalidades que visam a melhoria dos registos clínicos eletrónicos e apoio à investigação e decisão clínica, no contexto da atual pandemia», frisa o coordenador do projeto. Partindo do trabalho prévio de colaboração entre o CHUC e a UC em Sistemas de Informação da Saúde e Registo de Saúde Eletrónico, o desenvolvimento do sistema proposto «assume importância cada vez mais decisiva para o sucesso e a qualidade da prestação de serviços de saúde, uma vez que ele permitirá melhorar a transmissão e uso da informação relativa a serviços de saúde, entre os diversos intervenientes, assegurando o entendimento da informação, quer pelos sistemas, quer pelos utilizadores», esclarece.

O também docente da Faculdade de Medicina da UC sublinha ainda que o projeto irá disponibilizar uma «ferramenta de investigação clínica, fundamental no apoio à tomada de decisões clínicas complexas, no contexto da COVID, com enfoque em doenças do neurodesenvolvimento (Hospital Pediátrico de Coimbra) e crónicas do adulto, como a diabetes (Serviço de Endocrinologia dos CHUC)».

Para a Vice-Reitora da UC com o pelouro da investigação, Cláudia Cavadas, o financiamento obtido «reflete a capacidade da comunidade científica da Universidade de Coimbra em dar resposta a desafios globais, interdisciplinares e que venham a ter impacto na sociedade». Universidade de Coimbra - Portugal

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Portugal - Estudo conclui que um em cada três pais interpreta mal o peso dos seus filhos

Um estudo publicado no American Journal of Human Biology revela que 32,9% dos pais interpretam mal o peso dos seus filhos, praticamente um em cada três, (30,6% subestimam e 2,3% sobrestimam).

Conduzido por Daniela Rodrigues, Aristides Machado-Rodrigues e Cristina Padez, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), o estudo teve dois grandes objetivos: analisar a concordância entre o estatuto nutricional das crianças e a perceção que os pais têm do peso delas; observar se a subestimação do peso estava de algum modo associada ao risco da criança ter excesso de peso/obesidade.

A investigação, que pretendeu ainda avaliar se a perceção que os pais têm sobre o peso dos seus filhos era influenciada por características das crianças e socioeconómicas, envolveu 793 pais e respetivos filhos (com idades compreendidas entre 6 e 10 anos).

«Verificámos que mais de 30% dos pais não identificou corretamente o estatuto nutricional dos filhos, sendo que a maior parte subestimou. A subestimação foi substancialmente maior consoante o peso dos filhos, ou seja, vários pais com filhos com excesso de peso classificaram o peso dos filhos como normal e, principalmente, pais com crianças obesas reportaram que as crianças tinham apenas um pouco de peso acima do recomendado», diz Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo científico e investigadora do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da FCTUC.

E é nas classes sociais mais baixas que os pais mais subestimam o peso das suas crianças, especialmente das meninas: «ter pais com menor estatuto socioeconómico e mães com excesso de peso aumenta a probabilidade de subestimar o peso dos filhos, principalmente entre as raparigas», nota a investigadora.

No que se refere ao objetivo de observar se a subestimação do peso estava de algum modo associada ao risco da criança ter excesso de peso/obesidade, os investigadores verificaram que «pais que subestimam o peso dos filhos têm 10 a 20 vezes mais probabilidade de terem filhos com excesso de peso ou obesidade, o que tem sido associado a um conjunto de problemas de saúde física e mental, não só na infância mas que permanecem na idade adulta».

Ponderando as conclusões do estudo, que foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), Daniela Rodrigues defende que «é urgente ajudar os pais a identificar corretamente o excesso de peso e a obesidade dos filhos para que possam recorrer à ajuda dos profissionais de saúde e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida da criança».

«O primeiro passo para alterar comportamentos de risco associados à obesidade (dietas ricas em gorduras saturadas e açucares, inatividade física, comportamentos sedentários, etc.) é perceber a necessidade de alterar esses mesmos comportamentos, identificando corretamente o estatuto nutricional da criança», acrescenta.

No artigo publicado, os investigadores apresentam ainda algumas explicações para os resultados do estudo. «Os pais podem não saber identificar o que é excesso de peso ou obesidade, principalmente porque os media tendem a apresentar a obesidade no seu extremo. Por outro lado, numa altura em que a prevalência de excesso de peso e obesidade afeta cerca de um terço das crianças, os pais podem “normalizar” o excesso de peso, porque é o formato que mais encontram nas crianças que os rodeiam», afirma a Investigadora da FCTUC.

«Acreditamos ainda que a maior parte dos pais prefere não identificar a criança como tendo peso acima do recomendado por uma questão de enviesamento social, evitando os estereótipos associados ao excesso de peso e obesidade», conclui.

O artigo, intitulado “Parental misperception of their child's weight status and how weight underestimation is associated with childhood obesity”, pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

domingo, 11 de agosto de 2019

Lusofonia - Escolas de engenharia portuguesas unem-se para reforçar impacto no mundo lusófono

Com a presença da Universidade de Aveiro (UA), um Consórcio que une seis das principais Escolas de Engenharia portuguesas numa estratégia conjunta e com vista para o mundo e o futuro - e tendo para já como foco os países de língua portuguesa- foi anunciado a 24 de julho, numa cerimónia presidida pelo ministro da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor



O evento contou com os representantes das seis escolas de Engenharia, e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) que se junta a esta colaboração. O Consórcio (CEE) reúne o Instituto Superior Técnico, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM), Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT Nova) e a UA. A colaboração assume linhas de ação comuns em vários domínios, nomeadamente na contribuição para a excelência no ensino, na investigação e inovação.

Segundo Paulo Vila Real, que acompanhou a criação do Consórcio por parte da UA, “a qualidade do ensino, da investigação e o número de alunos na área das Engenharias, permitiu à UA associar-se aos seus membros fundadores. A participação da UA nesta iniciativa, permitir-lhe-á aprofundar a cooperação com os membros do Consórcio, contribuindo de maneira relevante para a formação de quadros, docentes e investigadores dos países de língua portuguesa. Os decisores políticos passarão a dispor de um interlocutor que contribua para as reflexões e decisões de políticas de educação e investigação na área das engenharias”.

“Formar docentes e investigadores dos países de língua portuguesa, capacitando-os da melhor forma para os desafios do futuro e para as lideranças que poderão exercer” é um importante objetivo deste consórcio, de acordo com João Falcão e Cunha, diretor da FEUP. Prova disso mesmo serão as 20 bolsas de doutoramento atribuídas anualmente ao consórcio, a serem atribuídas por concurso, e que estarão já disponíveis a partir do próximo ano letivo.

A ideia vem sendo trabalhada pelos representantes das escolas de Engenharia há algum tempo, cientes das mais-valias que residem nesta colaboração. “Como se costuma dizer a união faz a força e conjuntamente temos uma capacidade de ensino, inovação e investigação muito maior”, salienta o professor João Falcão e Cunha, que foi nomeado diretor executivo do consórcio. “Queremos, com este consórcio, que a Engenharia tenha, cada vez mais, um maior impacto na sociedade e na economia portuguesas, e o reforço da formação é um investimento fundamental para atingirmos esse objetivo”, acrescenta o diretor da FEUP.

Os resultados deste Consórcio tornar-se-ão visíveis já em setembro, com a abertura de concursos para os estudantes de doutoramento. “O que vamos propor é que esse conjunto de alunos, apesar de serem distribuídos pelas várias escolas, sejam acompanhados e se mantenha o contacto entre eles para que se criem laços que no futuro podem vir a ser importantes como forma de ligar as escolas e empresas em que vão trabalhar”, salienta o professor Arlindo Oliveira, membro da Comissão Executiva. Além das bolsas, está previsto que sejam, também, celebrados anualmente, e no âmbito das mesmas, dois contratos para investigadores doutorados.

O MOOC “Astrolábio” que versará sobre a área de Sistemas de Informação e Engenharia de Software é outro dos produtos resultantes deste Consórcio.  O curso de ensino à distância conta com o contributo das seis escolas da Engenharia e estará disponível a partir de janeiro de 2020. “Este é também um contributo importante, e identificámos esta área das tecnologias de informação como sendo uma das mais relevantes nos dias que correm”, explica o professor Arlindo Oliveira.

O Centro UNESCO, com a designação de Ciência LP – Centro Internacional para a Formação Avançada em Ciências Fundamentais de Cientistas oriundos dos Países de Língua Portuguesa, também apresentado hoje pela FCT, é um reforço e simultaneamente um pilar dos objetivos do CEE. O mesmo tem como objetivo dar formação avançada aos cientistas, numa primeira fase de língua portuguesa, e se as necessidades identificadas assim o justificarem em outras línguas. O objetivo é melhorar a capacidade de investigação e de educação dos candidatos que vêm destes países. As bolsas de doutoramento e a contratação de investigadores por parte dos consórcios serão feitas em articulação com o Centro UNESCO.

A sessão da assinatura do Consórcio contou também com a presença da ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação de Angola, Maria do Rosário Sambo, do ministro da Educação Nacional e Ensino Superior da Guiné-Bissau, Daurtarin Costa e da ministra da Educação, Família e Inclusão Social de Cabo Verde, Maritza Rosabal Peña.

Aproveitando o momento e a sua essência foi também assinado um protocolo de cooperação entre a Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) e o Consórcio de Escolas de Engenharia (CEE) para “estimular a modernização progressiva e a reestruturação do ensino da engenharia no contexto universitário europeu”. In “Universidade de Aveiro” - Portugal