Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 3 de março de 2019

Lusofonia - Deputados lusófonos preocupados com ensino do português na Guiné Equatorial e Timor-Leste

O ensino do português na Guiné Equatorial e em Timor-Leste constitui uma preocupação para a Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP), segundo o deputado cabo-verdiano Rui Soares.

A preocupação foi expressa pelos presidentes dos grupos nacionais da AP-CPLP, no final de uma reunião de dois dias realizada em Luanda, que contou com a participação dos Estados-membros da comunidade, à exceção da Guiné-Bissau, devido ao período eleitoral, Moçambique e Brasil, por questões de agenda.

Na reunião, em que ficou decidido que a capital angolana vai receber entre 08 e 10 de junho próximo a 9.ª Assembleia Parlamentar da CPLP, foi pedido ao Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), cuja sede se situa na cidade da Praia, em Cabo Verde, para dar “uma atenção especial” aos dois países.

Na reunião dirigida pelo presidente do grupo nacional da AP-CPLP da Assembleia Nacional de Cabo Verde, Rui Soares, a senadora da Assembleia Nacional da Guiné Equatorial, Pilar Djombe Djangani, assumiu que a questão da língua portuguesa “é uma preocupação”, informando que o processo do ensino do português está em curso.

“Estamos a trabalhar, só que as coisas não avançam com a mesma rapidez que gostaríamos”, disse a senadora, salientando que “é bem-vindo todo o apoio dos países de língua portuguesa para ajudar a ultrapassar essa situação”.

Nesse sentido, o deputado Marco António Costa, presidente do grupo da CPLP da Assembleia da República portuguesa, sugeriu que a presidência de Cabo Verde auxilie a Guiné Equatorial através de um plano estruturado, com um relatório de situação sobre o que está feito e o que poderá ser feito nos próximos anos pelos Estados-membros para a implementação efetiva do português como língua oficial no país.

“A partir do momento que admitimos a Guiné Equatorial como membro pleno desta comunidade, temos o dever moral de auxiliar a Guiné Equatorial a integrar-se plenamente”, defendeu Marco António Costa.

Em declarações à agência Lusa, o deputado português disse que há necessidade de um reforço, do ponto de vista organizacional da CPLP e no âmbito da Assembleia Parlamentar, para uma maior aproximação dos agentes da sociedade civil e políticos dos diferentes Estados.

Segundo Marco António Costa, na reunião que hoje terminou foi também analisada “com atenção” a questão da mobilidade, no âmbito de um programa aprovado recentemente pela Assembleia Parlamentar da CPLP, “que precisa de ser acompanhado”.

“Para Portugal e, de forma geral, para todos os Estados, esta proximidade institucional entre os parlamentos permite desbloquear impasses e, acima de tudo, encontrar soluções no plano legislativo para uma maior coesão da comunidade de países de língua portuguesa”, disse.

Nesse sentido, salientou que a visita de Estado a Angola do Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que começará a 06 de março, um dia após a chegada a Luanda, é uma “demonstração importantíssima do compromisso do Estado português com os países da CPLP”.

Outro ponto a ser sugerido para abordagem na 9.º Assembleia Parlamentar de junho, em que se deverá aprovar uma resolução sobre o ensino e difusão do português, tem a ver com a inclusão de deputados da AP-CPLP nos processos eleitorais da comunidade já decorridos e os previstos para este biênio.

Sobre esta questão, Marco António Costa sugeriu que, além do modelo da observação eleitoral, se inclua também a participação e acompanhamento dos processos eleitorais na lógica do aperfeiçoamento dos processos organizativos das eleições, ou seja, uma formação técnica.

A anteceder a 9.ª Assembleia Parlamentar da CPLP estão previstas reuniões preparatórias do encontro, como a da Comissão de Economia, Ambiente e Cooperação, a 18 e 19 de março, em São Tomé e Príncipe.

A 15 e 16 de abril, em Maputo, decorrerá a da Comissão de Política, Estratégia, Legislação, Cidadania e Circulação, com Lisboa a acolher a da Comissão de Língua, Educação, Ciência e Cultura, a 29 e 30 de abril do mesmo mês.

Pelo meio, a 22 e 23 de abril, na Guiné Equatorial, decorrerá a reunião da Rede de Mulheres Parlamentares da CPLP. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

França - Associações do mundo lusófono promovem a aprendizagem da língua portuguesa

«A língua portuguesa sofre de uma péssima imagem junto dos franceses, e um dos eixos da campanha que vamos promover é mudar essa imagem e fazer do português uma língua atrativa também para os franceses. O português ainda é visto como uma língua de imigração (para os franceses) e não tem o prestígio de uma língua estrangeira como, por exemplo, o chinês», afirmou Anna Martins, presidente da associação Cap Magellan, em declarações à agência Lusa.

A Cap Magellan coordenou este fim de semana na Maison du Portugal, na Cidade Internacional Universitária de Paris, a segunda edição dos Estados Gerais da Lusodescedência. Esta iniciativa reuniu mais de 120 pessoas entre portugueses, cabo-verdianos, brasileiros e angolanos para encontrar estratégias de promoção do ensino do português em França e lançar uma campanha nacional para incentivar a aprendizagem desta língua.

Apesar da língua portuguesa ainda ser considerada como uma língua de imigração, a perceção tem vindo a mudar nos últimos anos. «Do ponto de vista político até nem houve grande evolução, mas nas mentalidades francesas vi as coisas a mudarem aos poucos e tenho visto ainda mais nos últimos anos com o acréscimo do turismo francês em Portugal», afirmou Paul Branquinho, professor de português na escola básica e no liceu de l'Ivroise, em Brest.

Se, por um lado, este professor tem mais alunos lusodescendentes ou do mundo lusófono até ao 9º ano, esta mudança de atitude em relação ao português já é mais visível no liceu. «É nesse público que observamos os efeitos da divulgação da cultura lusófona através de manifestações como o desporto, da canção - e aqui também falo de canções brasileiras que fazem sucesso em França - e ainda com o facto de o português ser uma instituição no nosso estabelecimento», acrescentou Paul Branquinho.

Segundo este professor, falta agora ao português «um lóbi organizado» para promover o seu ensino, contando que na sua região há já «uma estratégia de propaganda» que tem funcionado com a promoção de viagens de estudo anuais a Portugal e da divulgação da cultura portuguesa.

João Gil, coordenador da iniciativa ‘Portugal Maior’ que vai realizar um inventário dos músicos profissionais portugueses e dos grupos musicais com atividade regular no estrangeiro junto das comunidades portuguesas, esteve presente neste encontro em Paris e considera que a articulação entre Portugal e as associações é a chave do sucesso da língua portuguesa.

«Estamos em contacto, articulando tudo o que é organismo público e não público de forma a comunicar a nossa identidade portuguesa, seja através da língua, seja através da música e até como já acontece com o futebol. Claro que a música é um fator de união brutal e vamos aproveitá-la para darmos um passo em frente no enorme divórcio que tem acontecido entre as partes que compõem Portugal», afirmou o músico.

Este encontro em Paris serviu também para traçar um plano de ação que deverá estar implementado em setembro de 2019, a tempo do regresso às aulas. Desde aprender a como abrir uma turma de português, discutiu-se também como comunicar a campanha do ensino desta língua, definiu-se um calendário e pensou-se como financiar uma campanha desta amplitude, sendo que uma das ideias possíveis será recorrer ao 'crowd funding', muito utilizado por diversas iniciativas cívicas em França. In “Revista Port. Com” - Portugal

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Cabo Verde - Voluntários do projecto “Literacia Literária e Cultural das ilhas de Açores” querem estabelecer paralelismo entre a literatura cabo-verdiana e dos Açores

Cidade da Praia – Uma equipa de quatro mulheres portuguesas do projecto “Literacia Literária e Cultural das ilhas de Açores” quer estabelecer paralelismo entre a literatura cabo-verdiana e dos Açores, afirmou a coordenadora, Graça Castanho.

“Somos um grupo de quatro pessoas, que veio numa atitude de dar aquilo que nós temos e de também adquirir experiencias com as outras pessoas, tivemos um grupo de alunos que se interessaram por esta vinda a Cabo Verde e durante uma semana vamos realizar tertúlias de poesias e sessões de terapia do riso”, explicou.

Em declarações à Inforpress, a coordenadora Graça Castanho afirmou que o objectivo do referido projecto visa promover a literatura dos Açores e de Cabo Verde, adoptando estratégias de promoção e declamação da poesia, através da terapia do riso.

“Estamos no processo de partilha na aprendizagem conjunta e isto faz todo o sentido porque o mesmo oceano que nos afasta é o mesmo que nos aproxima, por outro lado, a comunidade cabo-verdiana é muito extensa nos Açores como sendo uma comunidade de referência e muito bem integrada, daí o interesse de estabelecer esta parceria”, realçou.

No entender desta responsável, a terapia do riso tem implicações positivas na saúde, no sucesso escolar no equilíbrio emocional de cada pessoa, daí a necessidade de treinar as crianças a serem felizes.

Por outro lado, defendeu que é preciso também revitalizar o próprio conceito e práticas de felicidade e do riso, que, na sua opinião, devem ser vistos como direitos humanos.

“Já percebemos que as crianças dos meios mais desfavorecidos precisam muito de trabalhar a vertente da autoestima, do respeito e da dignidade por si mesmas, mas há um caminho muito fácil que promove este estado de espirito que queremos desenvolver, que é no âmbito da terapia do riso”, afirmou, declarando que durante o período que estiverem na cidade da Praia querem obter resultados práticos e que as coisas se efectivem.

Ainda de acordo com Graça Castanho, as acções desenvolvidas envolvem crianças, jovens adultos e idosos, da Praia, Assomada e Tarrafal.

“O que pretendemos é agarrar na poesia como forma de nos expressarmos e de levarmos depois todas essas situações para o contexto de riso numa linguagem diferente porque no fundo estamos a tentar cobrir as populações que mais sofrem com as dificuldades da vida”, disse, explicando que o projecto de literacia literária será depois complementado com outras expressões artísticas.

A equipa do projecto “Literacia Literária e Cultural das ilhas de Açores“ é composta por duas professoras e uma aluna da Universidade de Açores e uma assistente social.

As acções que tiveram início na passada sexta-feira 03, na biblioteca “Nha Balila” em Tira Chapéu, decorrem até ao dia 12 de Agosto. Zany Silva – Cabo Verde in “Inforpress”