Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Portugal - Investigadoras do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde inovam no estudo das doenças inflamatórias do intestino

Sofia Barros e Inês Alves vão receber duas ECCO Grant de 80 mil euros para desenvolverem projetos focados na Doença de Crohn, entre outras patologias


As investigadoras Sofia Barros e Inês Alves, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) foram distinguidas com duas ECCO Grant, atribuídas pela European Crohn’s and Colitis Organisation (ECCO). As duas cientistas vão receber um financiamento de 80 mil euros, cada uma, para desenvolverem projetos inovadores focados na Doença de Crohn e nos mecanismos imunológicos associados à Doença Inflamatória Intestinal.

O projeto de Sofia Barros propõe uma abordagem terapêutica inovadora para o tratamento da Doença de Crohn, uma doença inflamatória crónica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal.

A investigação assenta no desenvolvimento de uma terapia oral de dupla ação, combinando dois fármacos – budesonida, para o controlo da inflamação, e teduglutida, para promover a regeneração epitelial – administrados através de nanopartículas responsivas a espécies reativas de oxigénio. Este sistema permite a libertação localizada dos fármacos nas zonas de inflamação intestinal, aumentando a eficácia terapêutica e reduzindo os efeitos secundários.

“Esta distinção representa o reconhecimento do trabalho que tenho vindo a desenvolver e dá-me condições para consolidar a minha linha de investigação em novas abordagens terapêuticas para a Doença de Crohn”, sublinha Sofia Barros, do grupo «Nanomedicines & Translational Drug Delivery», liderado por Bruno Sarmento.

Já o projeto de Inês Alves centra-se na compreensão dos mecanismos imunológicos precoces que conduzem ao desenvolvimento da Doença Inflamatória Intestinal, que inclui Doença de Crohn e Colite Ulcerosa.

Resultados recentes obtidos pelo grupo «Immunology, Cancer & Glycomedicine» do i3S, liderado por Salomé Pinho, demonstram que alterações específicas nos açúcares presentes à superfície das células intestinais (glicanos) podem desencadear respostas imunes prejudiciais vários anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas clínicos da doença.

Com esta ECCO Grant, Inês Alves pretende identificar quais as células imunes responsáveis pelo reconhecimento desses açúcares e caracterizar os anticorpos envolvidos nesse processo, abrindo caminho à identificação de novos biomarcadores no sangue, que permitam uma deteção mais precoce da doença, a monitorização da sua progressão ou mesmo a sua prevenção.

“Esta distinção representa uma oportunidade única para aprofundar o conhecimento da Doença de Crohn e desenvolver novas abordagens de diagnóstico e prevenção, com impacto direto na qualidade de vida dos doentes”, destaca a investigadora. Universidade do Porto - Portugal


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