Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Angola e Moçambique são países lusófonos com mais casos de tuberculose em 2022

Angola e Moçambique foram os países e território de língua oficial portuguesa que mais casos de tuberculose registaram em 2022, de acordo com um relatório ontem divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a doença


Aqueles dois países, mais o Brasil, continuam a figurar na lista dos 30 países com mais casos de tuberculose, à semelhança da anterior edição do Relatório Mundial sobre a Tuberculose 2023, que apresenta dados sobre as tendências da doença e a resposta à epidemia em 192 países e territórios e fornece uma avaliação exaustiva e atualizada da epidemia de tuberculose e dos progressos na resposta a nível mundial, regional e nacional.

No que diz respeito a todos os países e territórios de língua oficial portuguesa, e a partir da aplicação móvel que a OMS disponibilizou, com a informação por país e territórios, a partir do banco de dados global de tuberculose, é possível comparar a informação de novos casos e de óbitos entre 2015 e 2022.

Angola é o país ou território de língua oficial portuguesa com o maior número de casos e de óbitos: 119 mil e 19 mil, respetivamente. Moçambique acompanha Angola no número de casos, 119 mil, mas no que diz respeito a óbitos é o terceiro, com 5,3 mil. O Brasil registou 105 mil novos casos e 7,2 mil óbitos.

No caso de Angola, o relatório destaca que é um dos países cuja população enfrenta “despesas de saúde catastróficas particularmente elevadas”.

O Brasil, por seu lado, é um dos países com elevada carga de tuberculose que regista os níveis mais elevados de cobertura de tratamento em 2022, isto é, superior a 80%.

Embora continuando a ser um dos países com mais casos de tuberculose, Moçambique merece destaque positivo no relatório ao apresentar progressos na redução do número de mortes causadas pela tuberculose.

Moçambique registou uma redução de 50% nos óbitos resultantes da tuberculose no período 2015-2022. O relatório da OMS destaca ainda o aumento substancial do investimento nos cuidados de saúde no Brasil e Moçambique.

“De 2000 a 2020, registaram-se aumentos notáveis nas despesas de saúde (de todas as fontes) ‘per capita’ num pequeno número de países com elevada incidência de TB, nomeadamente os países de rendimento médio-alto como o Brasil e, no caso de Moçambique esse aumento é apresentado como sendo uma “tendência constante”.

Relativamente aos restantes países e território de língua oficial portuguesa, Cabo Verde, com 180 novos casos e 19 óbitos, é o que apresenta o melhor registo.

Quanto aos restantes países e territórios de língua oficial portuguesa, no que diz respeito à incidência de novos casos, a Guiné-Bissau registou 7,6 mil, seguindo-se Timor-Leste (6,7 mil), Guiné Equatorial (4,6 mil), Região Administrativa Especial de Macau (340) e São Tomé e Príncipe (260). No registo de óbitos, a Guiné-Bissau notificou 1,5 mil, seguindo-se Timor-Leste (770), Guiné Equatorial (310), São Tomé e Príncipe (55) e Macau (28).

Causada por bactérias ‘Mycobacterium tuberculosis’ que afetam mais frequentemente os pulmões, a doença pode espalhar-se quando pessoas doentes com tuberculose expelem bactérias no ar – por exemplo, tossindo.

A tuberculose é evitável e curável. Cerca de 85% das pessoas que desenvolvem tuberculose podem ser tratadas com sucesso com um regime medicamentoso de quatro a seis meses. O tratamento tem o benefício adicional de reduzir a transmissão da infeção.

Citado no documento, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, salienta que atualmente estão disponíveis os conhecimentos e as ferramentas para por cobro à TB. “Temos um empenhamento político e temos uma oportunidade que nenhuma geração na história da Humanidade teve: a oportunidade de escrever o capítulo final da história da tuberculose”, acrescentou.

A directora do Programa Mundial da OMS para a doença, Tereza Kasaeva, igualmente citada no relatório, recorda que existem “compromissos fortes dos líderes mundiais na declaração política da segunda reunião de alto nível da Nações Unidas sobre a tuberculose”.

Esses compromissos, salientou, “dão um forte impulso para acelerar a resposta à TB”. “O presente relatório fornece dados e provas sobre a situação da epidemia de TB e uma análise dos progressos, que podem servir de base à tradução destes compromissos e objetivos em ações nos países. Precisamos de todas as mãos à obra para tornar a visão de acabar com a tuberculose uma realidade”, concluiu. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 24 de maio de 2022

Nações Unidas – Realça impacto da Agência de Saúde Global, Unitaid, envolvendo Brasil e Portugal

Pelo menos 100 milhões de pessoas já beneficiaram de investimentos para combater a tuberculose, HIV, malária e Covid-19, investimentos em tecnologia podem levar a economias até US$ 5 mil milhões ainda nesta década. A parceria internacional integra o Acelerador de Acesso a Ferramentas contra a Covid-19


Os 15 anos da Agência de Saúde Global, Unitaid, reuniram personalidades como o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o ex-presidente americano, Bill Clinton. O evento foi realizado em Genebra na Conferência Mundial da Saúde.

A iniciativa foi apresentada em 2006 pelo grupo formado por Brasil, Chile, França, Noruega e Reino Unido. Aos principais doadores, juntaram-se Portugal, Canadá, Alemanha e Itália.

Tratamentos

O diretor de relações exteriores da Unitaid, o brasileiro Maurício Cysne, citou dezenas de projetos implementados que já beneficiaram milhões de pessoas pelo mundo. Ele falou à ONU News sobre a comemoração.




“Nos últimos 15 anos, a Unitaid promoveu o acesso a mais de 150 tecnologias de saúde favorecendo o atendimento a mais de 100 milhões de pessoas através do mundo. Alguns exemplos dessas inovações incluem os tratamentos de HIV mais utilizados no mundo inteiro e os primeiros medicamentos para tratamento de crianças com HIV e tuberculose. Incluem ainda há soluções de rastreio e tratamento para o cancro do colo do útero e todas as ferramentas atualmente utilizadas na prevenção da malária.”

Em meio à crise da Covid-19, uma das apostas da Unitaid é aprender do passado para evitar desigualdades na resposta a pandemias futuras.

Cysne mencionou como o desempenho atual é orientado a obter retornos aplicando uma fração dos investimentos.

“A Unitaid financia este pacto identificando produtos de saúde inovadores e eliminando as barreiras que limitam o seu uso em larga escala. A Unitaid também assumiu um papel fundamental na resposta à Covid-19, liderando os espaços globais para tratamentos e diagnósticos. Essas inovações em saúde, representando menos de 1% de investimento global para a Tuberculose, HIV e malária, fazem com que a Unitaid economize mais de US$ 5 mil milhões até 2030.”

Já a mensagem do secretário-geral destaca as conquistas alcançadas pelas parcerias fechadas pela Unitaid na saúde global na resposta a diferentes desafios.

António Guterres disse que foi essencial quebrar barreiras em países de baixa e médio rendimento, enquanto ampliam-se serviços e produtos para garantir saúde para todos e cumprir a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Entre os benefícios listados estão o acesso de pacientes africanos a melhores tratamentos de HIV e novas fórmulas de alta qualidade para tratar tuberculose com maior facilidade para administrar.

Ameaças

De acordo com o chefe da ONU, o combate à malária ganhou com a distribuição sazonal de medicamentos em larga escala. O resultado foi uma queda drástica de mortes infantis, sem aumento de custos.

Diante da Covid-19, Guterres disse que e é preciso um acesso equitativo a produtos e respostas de saúde “globais fortes e coordenadas”.

Ressaltou que a poupança de tempo quando se trata de prevenir, diagnosticar e tratar doenças ajuda a fortalecer a capacidade coletiva de responder às ameaças à saúde. 

A Unitaid faz parte do Acelerador de Acesso a Ferramentas contra a Covid-19. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 19 de abril de 2022

Moçambique - Pede melhor proteção social a trabalhadores de minas

Houve cerca de 98 mil casos de tuberculose em 2020, 2,7% no grupo de alto risco incluem mineiros e ex-mineiros, 10% da população de ex-mineiros na África do Sul são de Moçambique


A Organização Internacional para Migrações, OIM, em Moçambique, e parceiros chamaram a atenção para as condições precárias dos trabalhadores moçambicanos em minas.

Moçambique abriga cerca de 10% da população de ex-mineiros da África Austral que serviram nas minas da África do Sul, totalizando cerca de 150 mil ex-profissionais moçambicanos. Não se sabe quantos estão vivos, dada à falta de informação demográfica fiável.

Proteção social

Os participantes discutiram temas como a compensação por doenças ocupacionais aos trabalhadores mineiros moçambicanos na África do Sul, que querem ver acelerado o processo das indemnizações e benefícios de proteção social.

Para Laura Tomm-Bonde, chefe da missão da OIM em Moçambique, há avanços no processo devido ao envolvimento conjunto.

“Com os fundos do Banco Mundial e os parceiros do Ministério de Saúde, do Trabalho iniciamos um rastreio massivo no Centro de Saúde em Ressano Garcia e recentemente expandimos para a província de Gaza, onde todos os mineiros fizeram exames completos.” 

Os mineiros moçambicanos têm enfrentado vários desafios no acesso ao rastreio exaustivo da saúde ocupacional, o acesso aos seus direitos e a indemnização também fica comprometida.

Riscos

Este desafio também é uma das preocupações do Ministério do Trabalho e Segurança Social, liderada pela ministra Margarida Adamugy Talapa.

“Monitorizamos o pagamento de um total de 1593 beneficiários de compensações por doenças ocupacionais e de previdência social. Este processo resultou no desembolso o equivalente a 800 milhões de meticais. Foram remetidos junto à comissão de compensações por doenças ocupacionais 1034 reclamações que até ao momento aguardam a sua resposta.”

O desafio para melhor benefício de proteção social aos mineiros também se estende ao Ministério da Saúde. Martinho Djedje é inspetor geral da área. Ele citou alguns dos riscos em que estão expostos os mineiros.

“Em 2021, Moçambique registou total de cerca de 98 mil casos de tuberculose, dos quais 2,7% correspondeu ao grupo de alto risco incluindo mineiros e ex-mineiros. O trabalhador mineiro dado a sua característica sociodemográfica, migração, comércio-transfronteiriço, condições no local de trabalho, está sujeita a esta tripla pandemia que é a tuberculose, HIV, e doenças pulmonares ocupacionais.”

Combate

Dados da OIM indicam que atualmente há entre 15 mil a 20 mil trabalhadores mineiros moçambicanos ainda ativos nas minas da África do Sul. Deste número cerca de 1500 foram identificados com doenças pulmonares.

Moçambique é signatário da Declaração sobre Tuberculose no Sector Mineiro, aprovada em Maputo em agosto de 2012, pelos Chefes de Estado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, SADC, que tem estado ativamente empenhada nas iniciativas regionais e internacionais para combater as doenças pulmonares no setor mineiro da África Austral. Ouri Pota – Moçambique ONU News


quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Lusofonia - Deputados lusófonos vão criar grupos parlamentares de luta contra a tuberculose

Praia - Os deputados dos países de língua portuguesa vão criar grupos parlamentares de luta contra a tuberculose, que terá uma "voz única" e irá trabalhar em conjunto para influenciar os governos a aumentar os orçamentos na área da saúde.

A informação foi avançada à imprensa pela deputada cabo-verdiana Lúcia Passos, indicando que a criação do grupo será uma das recomendações da declaração de Praia da 3.ª Cimeira Parlamentar Africana sobre a Tuberculose.

Segundo Lúcia Passos, primeiro serão criados grupos de deputados nacionais de luta contra a tuberculose, seguindo-se depois o grupo dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e também um grupo de toda a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), como forma de incluir Portugal, Brasil e Timor-Leste.

"Em vez de termos apenas um grupo africano, vamos ter um grupo africano e outro da CPLP, para podermos trabalhar em conjunto, influenciar os governos em termos de aumento de orçamentos, para que, pelo menos ao nível da saúde, atinjam 15% do PIB, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), disse a deputada do Movimento para a Democracia (MpD), partido no poder em Cabo Verde.

A ideia, prosseguiu a parlamentar, é os deputados terem uma "voz única" e trabalhar um plano de sensibilização junto dos respetivos países, para que possam cumprir o objetivo da erradicação da tuberculose até 2035.

"Será uma luta gradual, com indicadores bem definidos, 2025, 2030, 2035. A meta global é em 2035 erradicarmos a tuberculose dos respetivos países", salientou Lúcia Passos, que espera a entrada no grupo de todos os deputados que têm alguma sensibilidade pelas questões da saúde.

"O grupo é aberto, livre, as pessoas podem manifestar-se porque vamos fazer um trabalho de sensibilização junto das comunidades, da sociedade civil e do próprio Governo. Por isso é importante que os deputados que entrem nesse grupo se sintam à-vontade e que tenham sensibilidade para a questão e que abracem a causa", continuou.

Falando após um painel da cimeira em que deputadas lusófonas apontaram a importância da criação do grupo parlamentar, Lúcia Passos explicou: "A diplomacia parlamentar dos nossos deputados e a sensibilidade será o ponto forte para que as pessoas que querem entrar no grupo estejam preparadas para isso".

Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) são Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial, enquanto a CPLP inclui todos esses países mais o Brasil, Portugal e Timor-Leste. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

sábado, 28 de julho de 2018

Portugal - Ruínas do Sanatório do Grandella estão à venda

Há quem lhes chame “palácio”, mas mais parecem uma espécie de fortaleza. As ruínas do Sanatório Albergaria, situado às portas de Lisboa, no Cabeço de Montachique, e mandado construir no início do século XX por Francisco Grandella – conhecido por ter construído os armazéns no Chiado – estão à venda. O dono, Inácio Roseiro, comprou-as há 12 anos, a meias com um amigo, mas só agora decidiram desfazer-se delas. A decisão foi tomada há pouco mais de dois meses e depois de resolvida uma “guerra” com a Câmara de Loures que durou uma década.

Quando Inácio Roseiro comprou o sanatório, cuja construção nunca chegou a ser terminada, tinha a intenção de ali fazer um lar de idosos. Acabou por mudar de ideias e pensou num centro de congressos. Só mais tarde surgiu o plano atual, que prevê a construção de um hotel. O projeto está feito, existe e respeita a traça e até a pedra do edifício desenhado em 1918 pelo arquiteto Rosendo Carvalheira. Só que o hotel nunca chegou a ver a luz do dia porque o Plano Diretor Municipal (PDM) não permitia a reconstrução. “Foi um período muito difícil”, confessa o proprietário, que comprou as ruínas na esperança de as poder recuperar. Entretanto, o PDM foi alterado e, desde há três anos, passou a ser possível reconstruir e adaptar o edifício para hotel ou outro tipo de negócio.

O problema, explica Inácio Roseiro, é que pelo meio passou uma década. “Tenho agora 72 anos e já não me sinto com forças para avançar com o projeto”, justifica. O imponente Sanatório Albergaria acabou, assim, e mais uma vez, sem ser construído. E com a venda anunciada de forma discreta através de um cartaz colocado na entrada principal das ruínas.

Nas últimas semanas, conta o proprietário, até têm chovido telefonemas. Mas todos de “curiosos”. Propostas concretas de negócio ainda não houve. As ruínas e o terreno à volta, com quase 17 mil metros quadrados, estão à venda por pouco mais de 800 mil euros. O mais difícil, acredita Inácio Roseiro, nem será encontrar quem possa pagar, mas sim quem se interesse por investir. “Não é qualquer investidor que tem interesse num edifício assim. Tem de ser um comprador muito específico, com uma visão especial sobre o lugar, as suas potencialidades e a história que encerra”, descreva. Até lá, as ruínas – que são o destino de muitas famílias nos típicos passeios de fim de semana – continuarão a ser “casa” de eventos. Inácio Roseiro tem emprestado o local para recriações históricas e outras iniciativas do género.

Uma estrela com sete pontas O Sanatório Albergaria – era este o nome que Francisco de Almeida Grandella pretendia dar ao hospital que idealizou – começou a ser construído em 1919, mas não chegou a ser acabado. Na altura, a tuberculose atingia proporções epidémicas em toda Europa e Portugal não era exceção, de tal maneira que o Estado acabou por investir, em meados da década de 1940, numa rede de 11 sanatórios públicos espalhados pelo país e geridos pelo INAT – o Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos.

Grandella, industrial, político e comerciante maçom – que inaugurou o conceito de venda por catálogo e criou, em 1891, a primeira grande superfície comercial em Portugal, os Armazéns Grandella, no Chiado – quis fundar um hospital nos arredores de Lisboa, numa zona desabitada: o Cabeço de Montachique, na fronteira entre Loures e Mafra. O “plano” foi congeminado no Restaurante Abadia, no Porto, onde se realizavam as secretíssimas reuniões do grupo maçónico, boémio e amigo de patuscadas “Os makavenkos”, fundado em 1884 por Grandella e outros contemporâneos de peso, como Miguel Bombarda. Rapidamente conseguiram um terreno de 3500 metros quadrados e o arquiteto Rosendo Carvalheira juntou-se à onda de solidariedade, oferecendo o projeto – imponente e assente numa grandiosa estrela de sete pontas, inspirada num dos graus da maçonaria e que representa o “mestre perfeito”. Além dos próprios contributos – os “Makavenkos” chegaram a ter cerca de uma centena de membros –, ainda decorreu a venda de rifas, a cinco cêntimos, para angariar dinheiro para que a obra se fizesse. Diz-se, aliás, que a verba obtida – “um tesouro” – estará enterrada sob as ruínas, dentro de um cofre.

O sanatório teria capacidade para 36 doentes e o projeto contemplava áreas de apoio, fornos crematórios, enfermarias de isolamento, grandiosos jardins. Havia ainda espaço para 14 moradias que serviriam para albergar doentes ricos. Rosendo Carvalheira foi a primeira baixa do grupo de mecenas e nem chegou a assistir ao lançamento da primeira pedra, em 1919. Faleceu antes disso. Entretanto, a zona de Montachique começou a ficar mais habitada, aumentando o risco de contágio, e começaram a aparecer outros sanatórios do género nos arredores de Lisboa. Todos acabariam, no entanto, por ter o mesmo fim a partir da década de 1960: o encerramento, porque a cura para a tuberculose começou a passar pelo tratamento em ambulatório. No caso do Sanatório Albergaria, as obras pararam pouco depois de começar, ainda em 1919 e por falta de verbas. Culpa da crise que o país atravessava, acabado de sair da I Guerra, e culpa do crash de Grandella, o principal acionista e que acabaria por falir. O edifício ficou inacabado até aos dias de hoje e Grandella acabou por morrer em 1943, na languidez da Foz do Arelho. Rosa Ramos – Portugal in “Jornal I”

Sobre Francisco Maria de Almeida Grandella leia aqui

sábado, 13 de janeiro de 2018

Guiné-Bissau - Diagnóstico de tuberculose com maior precisão e rapidez

Bissau - Mais de 20 técnicos nacionais do hospital “Raoul Follereau”, principal centro de tratamento da tuberculose da Guiné-Bissau, estão a ser capacitados sobre novos aparelhos de diagnósticos da doença, informou a Rádio Jovem.

O novo equipamento instalado no hospital irá permitir aos profissionais de laboratório fazer teste rápido para diagnóstico de tuberculose com capacidade de detectar a presença do bacilo causador da doença em 80 minutos, segundo a indicação do técnico que está a ministrar a formação.

Segundo Mamadu Saliu Sanhá, representante da “Ahead”, a ONG que gere o hospital “Raoul Follereau”, com a implantação desta nova tecnologia, conhecido por “Gene Xpert”, o diagnóstico da tuberculose será mais eficiente.

“Podemos dizer que é uma tecnologia altamente avançada, sobretudo em África, porque poucos hospitais têm estes aparelhos que podem testar os bacilos causadores da doença. Por isso, esta tecnologia é muito importante para testar os pacientes com a tuberculose. Anteriormente tínhamos muitas dificuldades, mas agora utilizando estes aparelhos da última geração, o diagnóstico vai ser muito eficiente”, explicou Saliu Sanhá.

A ação de formação destinada aos profissionais do laboratório do principal centro de tratamento da tuberculose do país está a ser ministrado por um biólogo italiano e especialista em microbiologia, Renzo Cristofoli.

Durante cinco dias, o biólogo italiano, para além de capacitar os profissionais da saúde, vai ainda capacitar os utilizadores destes novos aparelhos na forma de interpretar com precisão todos os dados obtidos, através desse aparelho de nova tecnologia que está copulada a um sistema informativo.

Em declarações à imprensa, Renzo Cristofoli, realçou as vantagens dessas tecnologias, mas salientou que o fundamental é ter capacidade para utilizar os aparelhos.

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada por bactéria que afecta principalmente os pulmões. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa e é propagada pelo ar. Um doente, sem tratamento, pode infectar entre 10 a 15 pessoas por ano.

Segundo especialistas da saúde, o aumento do consumo de bebidas alcoólicas e do tabaco associado à fraca alimentação são também outros dos factores para este recrescimento da doença.

A Organização Não Governamental Italiana, Ajuda a Saúde e Desenvolvimento (AHEAD), que assumiu administração do hospital “Raoul Follereau”, tem estado a investir muitos recursos financeiros na assistência aos doentes de tuberculose internados. In “Agência de Notícias da Guiné” com “Rádio Jovem”

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Guiné-Bissau – Fundo Mundial apoia no tratamento da malária, tuberculose e sida

Bissau - O Fundo Mundial vai apoiar a Guiné-Bissau com mais de 30 milhões de Euros para tratamento da Malária, Tuberculose e SIDA, informou o presidente da Comissão de Coordenação Multissectorial (CCM) de combate a estas enfermidades.

Em declarações à ANG, Mamadú Saliu Bá, que falava à margem da Conferencia sobre o Diálogo Nacional sobre Nota Conceptual da Malária e Apreciação do PEN - Plano Estratégico Nacional explicou que para a obtenção deste fundo, o governo deve investir, como contrapartida, dois milhões de Euros em infra-estruturas sanitárias.

“O Fundo Mundial (FM) requer a participação de todos os beneficiários, incluindo os doentes, a fim de preencher as lacunas existentes nas áreas de intervenção e reforçar a capacidade de supervisão e seguimento”, informou Mamadú Bá.

O Presidente da CCM considerou de positivo o balanço de dois dias da conferência “Diálogo Nacional” sobre a Nota Conceptual da Malária e Apreciação do Plano Estratégico Nacional (PEN) e Tuberculose, porque o documento elaborado pelos técnicos da saúde “é de extrema importância tanto para o país como para os parceiros”.

Mamadú Bá afirmou que a Guiné-Bissau tem quadros e técnicos suficientes na área da saúde, mas que se debatem com a falta de enquadramento.

“Se o sistema de avaliação da CCM for negativo e o governo não demonstrar a vontade de participar, então o país não beneficiará do apoio financeiro prometido pelo FM para tratamento e seguimento dos doentes de SIDA, Malária e Tuberculose”, disse.

No PEN elaborado, os técnicos recomendaram a uniformização da linguagem utilizada para descrição de conteúdos do documento, a reclassificação dos grupos de risco tendo em conta as comunidades muito pobres e a configuração dos agregados familiares conforme os outros programas.

A continuidade do seguimento das crianças diagnosticadas com Infecção Respiratória Aguda (IRA), revisão da política de Saúde Comunitária e Promoção da Medicina Tradicional para que as actividades a nível comunitário sejam trabalhadas de forma integrada e estratégica, foram outras recomendações feitas. Agência de Notícias da Guiné – Guiné-Bissau