Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Macau - Universidade de São José reforça parcerias com instituições em Portugal

A Universidade de São José (USJ) fortaleceu as parcerias em Portugal, ao assinar uma série de acordos com escolas e associações. O reitor da instituição de ensino superior, Stephen Morgan, visitou recentemente Portugal para estabelecer parcerias com instituições educacionais de ensino locais.


A visita incluiu reuniões com líderes da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC), da Brave Generation Academy (BGA) e da Sharing Foundation. Segundo uma nota da USJ, numa reunião com o professor diácono Fernando Magalhães, foi assinado um memorando de entendimento “para reforçar a colaboração com as escolas católicas em Portugal”.

Este acordo “visa criar experiências enriquecedoras para estudantes e professores em várias actividades académicas e culturais”. Já com a BGA, em Cascais, Stephen Morgan reuniu-se com os fundadores, Timothy e Lidia Vieira, tendo assinado outro acordo, neste caso “focado no desenvolvimento de competências essenciais para adolescentes através da aprendizagem personalizada e da inovação”.

Por último, o reitor da USJ encontrou-se com Sílvio Santos e Miguel Santos da Fundação Sharing, na Escola Internacional de Oeiras, onde foi assinado um terceiro memorando de entendimento para promover a colaboração na educação multicultural. “Esses acordos contribuem para a expansão contínua do âmbito da internacionalização da USJ e para a oferta de oportunidades valiosas para a sua comunidade”, pode ler-se no comunicado. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Portugal - Equipa liderada por André Antunes da Universidade de São José de Macau descobre novas espécies de bactérias

Uma equipa de investigadores oriundos de Macau, Portugal e Espanha descobriu uma nova espécie de bactéria dentro do género Fodinibius nas salinas de Rio Maior. A mesma investigação, agora publicada na revista International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology, propõe ainda a reclassificação da estirpe Alifodinibius salipaludis para Fodinibius salipaludis. Em comunicado, a Universidade de São José (USJ) revela que novas espécies de bactérias recolhidas no mesmo local deverão ser reveladas “nos próximos meses”


Uma equipa de investigadores liderada pelo professor André Antunes, director do Instituto de Ciência e Meio Ambiente (ISE) da Universidade de São José (USJ), descobriu novas espécies de bactérias em amostras recolhidas nas salinas de Rio Maior, em Portugal.

O artigo científico que detalha a caracterização da nova espécie foi publicado no passado mês de Julho na International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology, a revista científica oficial do Comité Internacional de Sistemática Procariota e da Divisão de Bacteriologia e Microbiologia Aplicada da União Internacional das Sociedades de Microbiologia (IUMS).

Na publicação, lê-se que “uma nova estirpe bacteriana moderadamente halófila e alcalófila” foi isolada de uma “salina interior na região central de Portugal” – mais concretamente, das Salinas de Rio Maior, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros. Ligadas à extracção de sal desde tempos pré-históricos, estas são as únicas salinas de interior em Portugal e também as únicas em pleno funcionamento em todo o continente europeu, destacando-se pela elevada salinidade: a água desta região é cerca de sete vezes mais salgada do que a água do mar.

As “características fenotípicas, a análise filogenética e a caracterização quimiotaxonómica” de uma das estirpes bacterianas recolhidas pelos investigadores diferencia-a das restantes espécies do género Fodinibius.

Em comunicado, a USJ explica que esta nova espécie “cresce melhor em salinidades que são cerca de quatro vezes superiores à água do mar e também prefere condições alcalinas, combinando assim a capacidade de crescer em diferentes extremos ambientais”.

Tendo em conta estas características singulares, a equipa propõe o estabelecimento de uma nova espécie com o nome Fodinibius alkaliphilus, bem como a reclassificação de uma espécie anteriormente conhecida como Alifodinibius salipaludis para Fodinibius salipaludis.

Liderada pelo investigador português André Antunes, a equipa inclui ainda outros investigadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, coordenados pela professora Marta Filipa Simões; da Universidade do Minho, com coordenação da professora Lígia Rodrigues; e da Universidade de Sevilha, sob orientação do professor Rafael de la Haba.

“Esta publicação destaca os pontos fortes de Macau na articulação com parceiros dos países de língua portuguesa e espanhola e a sua posição crescente nos domínios da biodiversidade e da biotecnologia”, vinca a USJ. “O estudo destes ambientes extremos é relevante para futuras aplicações num vasto leque de domínios, incluindo o biomédico e o farmacêutico, mas também se estende à descoberta de novos materiais úteis e ao fornecimento de conhecimentos úteis para futuros esforços de exploração espacial”.

A instituição avança ainda que “nos próximos meses” deverão ser tornadas públicas “publicações descrevendo outras espécies novas”, também recolhidas no mesmo local. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 1 de abril de 2025

Portugal – Universidade de São José de Macau e Universidade do Minho unidas por acordo de cooperação

A Universidade de São José enviou uma delegação a Portugal para assinar um protocolo de cooperação com a Universidade do Minho e participar na Feira de Educação do Porto. O périplo teve como propósito promover o intercâmbio académico entre os dois locais e promover Macau como destino para estudantes estrangeiros



Com o objectivo de expandir a colaboração existente e reforçar a rede de cooperação, a Universidade de São José (USJ) enviou uma delegação à Universidade do Minho (UMinho) para assinar um protocolo entre as duas instituições.

Segundo uma nota da USJ, o acordo visa desenvolver, ao longo de cinco anos, “parcerias em iniciativas de ensino, investigação, inovação tecnológica e empreendedorismo”, conferências conjuntas e “programas de mobilidade de estudantes, pessoal académico e técnico”.

Para a USJ, a UMinho é actualmente reconhecida pela “competência e qualidade do seu corpo docente”, pela excelência da investigação científica, pelo elevado nível de interacção com outras instituições e pela “vasta oferta de cursos”. Desempenha também um papel central na região, sendo uma referência importante e “um parceiro reconhecido no panorama europeu e mundial”, refere o comunicado.

A delegação da USJ integrou o vice-reitor para a Internacionalização e Assuntos Académicos, Álvaro Barbosa, o vice-reitor para a Investigação Académica e Inovação, Alexandre Lobo, e o chefe da delegação da USJ em Portugal, Francisco Peixoto.

A USJ também esteve presente na Feira de Educação “Qualifica”, no Porto, pelo segundo ano consecutivo, tendo sido a única instituição de ensino superior da Ásia a marcar presença no evento. A “Qualifica” é uma feira anual que funciona como plataforma vital para as universidades se ligarem a potenciais estudantes e executivos no Porto.

De acordo com a USJ, contou com mais de 42 mil visitantes, que incluíram estudantes de ensino secundário e de pós-graduação, orientadores e professores da cidade do Porto, interessados em prosseguir os estudos na Ásia.

Ao longo do evento, os visitantes do pavilhão da USJ mostraram-se “especialmente interessados em conhecer o sistema de ensino superior de Macau”, bem como com as oportunidades de bolsas de estudo disponíveis para estudantes dos países de língua portuguesa e o processo de admissão da universidade. A USJ promoveu o “o perfil cultural distinto de Macau” como “destino excepcional” para estudantes estrangeiros.

A edição deste ano inaugurou ainda um Pavilhão de Pós-graduação e Executivo, dedicado a mestrados, doutoramentos e programas de formação executiva, no qual a USJ esteve presente. Além de Francisco Peixoto, a delegação incluiu a chefe do Gabinete de Assuntos Internacionais, Ana Paula Mota.

No mesmo comunicado, a universidade agradeceu o apoio da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e do Fundo de Educação da RAEM “para tornar possível a participação na Feira de Educação”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


segunda-feira, 21 de outubro de 2024

“Macau tem uma grande possibilidade de se afirmar como centro de ensino de português na Ásia”

Macau tem “as infraestruturas, os profissionais e a vontade” para se afirmar como um centro de ensino português, não só na China, mas na Ásia, diz a atual coordenadora do Departamento de Línguas e Cultura da Universidade de São José, Tânia Ribeiro Marques. A eleição de um novo Chefe do Executivo que fala português e que tem uma abordagem “simpática e respeitadora” para com a comunidade promete também uma aposta continuada no desenvolvimento da língua na RAEM


– O uso da língua portuguesa em Macau é satisfatório?

Tânia Marques – Acho que isto passa, principalmente, pelos falantes; além do trabalho do Governo, que tem aqui um papel preponderante. Acabamos de eleger um novo Chefe do Executivo, que fala português e que teve algumas abordagens bastante simpáticas e respeitadoras do ponto de vista da língua portuguesa, nomeadamente com uma das instituições de matriz portuguesa aqui em Macau. Teremos de aguardar quais serão as políticas que este novo Executivo vai também pôr em prática e as suas ações. Como pode ser mais e melhor? Depende se estamos a falar da própria cidade em si, ou se estamos a falar de profissionais do português. No caso dos profissionais do português, acho que podemos continuar a fazer formações. Talvez, da mesma forma que os professores fazem a formação ao longo da vida, na tradução ou na interpretação, seja necessário fazer um ‘refreshment’ ocasionalmente. Talvez ter alguns programas de imersão, com uma determinada periodicidade.

– Como vê o atual nível português nos serviços públicos?

T.M. – Acho que muitas vezes nos próprios serviços, existem mais recursos do que aqueles que estão imediatamente à vista. Houve uma situação que me chamou muita atenção, com um ex-aluno meu, num balcão de atendimento que me calhou. Quando olhei para as línguas que estavam disponíveis, o português não era uma delas. Perguntei porquê se ele é fluente em português, e respondeu-me que se disser que fala português, todas as pessoas que falam português vão ser encaminhadas para o balcão dele. Portanto, creio que existem mais recursos do que aqueles que às vezes nos dão a parecer, o que não significa que não precisem de ser reforçados e não precisem de ter esta formação ou este interesse em continuar a aprofundar os conhecimentos de língua ao longo do tempo.

– Que tipo de apoios pode o Governo de Macau oferecer ao ensino da língua à tradução?

T.M. – O Governo tem estado a trabalhar e tem havido algumas ações concretas para o ensino de língua portuguesa nas escolas. Sei que continua a dar incentivos e a criar oficinas para crianças, nos mais variados níveis. Do ponto de vista das universidades, estamos a trabalhar ainda com a Aliança para Formação de Quadros Bilingues Qualificados nas Línguas Chinesa e Portuguesa – da qual fazem parte cinco das instituições de ensino superior locais – e na preparação, justamente, da terceira edição do Fórum de Reitores das Instituições de Ensino Superior da China e dos PLP, que vai acontecer no final do mês. Isto é organizado pelo Governo, em parceria com as universidades.

– O discurso oficial continua a apoiar o ensino português e o uso do português. Isso realmente mostra que Macau tem potencial para ser a base do ensino na China?

T.M. – Creio que sim, porque temos as infraestruturas, os profissionais, e temos a vontade. Institucionalmente existem os recursos e os meios. Acho que, havendo também a um nível superior esse interesse, Macau tem uma grande possibilidade de se afirmar como centro de ensino de português na Ásia.

– Desde que começou o seu trabalho na USJ, em 2022, o que conseguiu implementar? Quais são os planos de futuro?

T.M. – Quando tomei posse, aquilo que era mais premente era fazer a revisão dos programas de licenciatura. Já submetemos o programa de tradução e foi aprovado. O passo seguinte é passar para o que ainda não temos, que é a acreditação do programa pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. Estamos a trabalhar nisso agora e em princípio o pedido será submetido até ao final do ano. É uma avaliação muito completa sobre questões pedagógicas, o currículo, e as condições em que as aulas têm lugar.

– Como vê o interesse atual nas áreas do português e da tradução português-chinês?

T.M. – Os nossos cursos de português tinham registado um crescimento consistente até chegar ao período do Covid, que estragou não só os nossos planos, mas, possivelmente, também os de outras instituições. Depois de uma descida brusca, crescemos novamente de forma consistente. Neste momento temos cerca de 40 alunos para a licenciatura. A maioria dos nossos alunos são residentes de Macau, mas começamos a sentir algum interesse de Hong Kong.

– A dificuldade em ter alunos do interior da China obriga a USJ a ter uma abordagem mais internacional?

T.M. – Temos um ambiente bastante internacional. Um dos trabalhos que tentamos fazer é justamente pôr os nossos alunos dos PLP a fazer intercâmbio com os nossos alunos da licenciatura e com outros falantes de língua portuguesa, que não sejam apenas o português europeu ou o português do Brasil. Haver esta ligação entre alunos não só de outras nacionalidades e culturas, mas também que possam pôr em prática o seu português com pessoas de outras nacionalidades, permite uma troca cultural e um intercâmbio muito interessante. Nelson Moura – Macau in “Plataforma”


segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Macau - Universidade da São José quer ajudar empresas portuguesas da Marinha Grande a entrar na China

A Universidade de São José quer ajudar as empresas do concelho da Marinha Grande a entrar no mercado da China, disse um representante da instituição. A instituição de ensino de Macau assinou um acordo com a Câmara Municipal da Marinha Grande que prevê a realização de workshops de empreendedorismo e a organização de missões comerciais à China para as empresas locais


A Universidade de São José (USJ) quer ajudar as empresas do concelho da Marinha Grande a entrar no mercado da China, disse à Lusa um representante da instituição. A USJ assinou um acordo com a Câmara Municipal da Marinha Grande que prevê a realização de workshops de empreendedorismo e a organização de missões comerciais à China para as empresas locais.

O chefe da delegação da USJ em Portugal, Francisco Peixoto, afirmou que um dos workshops terá como tema “a capacidade de fazer negócios” na área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.

O objectivo é “apoiar as empresas do concelho [da Marinha Grande] na internacionalização, através do sistema de incubação [da USJ], (…) que está neste momento a ligar Portugal, Macau e a ilha de Hengqin”, disse Peixoto.

Em Março de 2023, a USJ criou uma incubadora de negócios para atrair ‘startups’ dos países de língua portuguesa e ajudar empresas de Macau a apostar nos mercados lusófonos. Em Fevereiro passado, a universidade assinou um acordo para estabelecer uma incubadora de negócios em Hengqin, numa parceria com o Sany Group, um dos maiores fabricantes chineses de máquinas pesadas para a construção civil.

No caso das missões comerciais, a USJ quer “criar condições para que as micro, pequenas e médias empresas” da Marinha Grande “consigam uma internacionalização mais forte”, disse Peixoto.

O representante da universidade sublinhou que o protocolo com a Marinha Grande é “um projeto-piloto”, acrescentando que outros acordos semelhantes se podem suceder com outros concelhos portugueses.

Este protocolo, assinado a 3 de Outubro, envolve também o Agrupamento de Escolas da Marinha Grande, Poente, tendo, neste caso, como alvo os alunos finalistas do ensino secundário do concelho do distrito de Leiria. Peixoto disse que a USJ vai disponibilizar bolsas de estudo para estes alunos, no âmbito do “número considerável” de bolsas abertas anualmente para estudantes dos países de língua portuguesa.

O número concreto de bolsas oferecidas vai depender “das reais necessidades do concelho” e do interesse demonstrado pelos alunos da Marinha Grande em estudar na região semiautónoma chinesa, disse o responsável. “Esperemos que em setembro do próximo ano já possamos contar com alunos da Marinha Grande”, acrescentou Peixoto. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 26 de junho de 2024

Macau - Cultura e comida malaia motivam análise histórica

A cultura malaia numa perspectiva gastronómica vai lançar o debate numa sessão que a Fundação Rui Cunha organizou, inserida no ciclo de palestras sobre história e património. A oradora, Annabel Jackson, ex-residente em Hong Kong, é formada em antropologia da alimentação e autora de seis livros de receitas asiáticas


“Macau e o Mundo Malaio: Uma Perspectiva Gastronómica” é tema de uma palestra que a Fundação Rui Cunha (FRC) levou a efeito tendo como oradora a escritora e investigadora Annabel Jackson.

Na introdução do evento, a FRC refere que “a cultura do povo macaense, que se considera ‘filho da terra’, reflecte a actividade colonial portuguesa em todo o Oceano Índico e, mais particularmente, em Malaca”. No entanto, “as ligações entre Macau e o ‘Mundo Malaio’ são profundas e complexas e a sua exploração lança luz não só sobre como e onde emergem as comunidades híbridas e as novas identidades, mas também sobre as formas como historicamente interagiram e se influenciaram mutuamente”.

Na conversa, integrada no Ciclo de Palestras Públicas de História e Património, Annabel Jackson falou das comparações da cozinha malaia com outras comidas “crioulizadas” no Sudeste Asiático, como a “Peranakan” e “Kristang” na Malásia. Estas questões abordadas através de uma análise histórica e política, mas também através das especificidades da etimologia e da cozinha.

Annabel Jackson, sediada no Reino Unido depois de ter vivido mais de duas décadas, visita Macau há mais de 30 anos. É autora de 13 livros, incluindo seis de receitas sobre cozinhas asiáticas.

Escreveu também sobre Macau, em publicações como “Taste of Macau: Cozinha Portuguesa na Costa da China”. Tem um mestrado em antropologia da alimentação pela SOAS – School of Oriental and African Studies” da Universidade de Londres e está actualmente a fazer o doutoramento.

O debate realizou-se em língua inglesa, teve co-organização da Universidade de São José. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 18 de março de 2024

Macau - Universidade de São José espera atrair alunos da República Popular da China com protocolos de cooperação

O recente acordo firmado entre a Universidade de São José e a Universidade Católica Portuguesa, que vai possibilitar que os alunos das duas instituições obtenham um grau duplo de licenciatura em Comunicação e Media, pode ajudar “a uma futura possibilidade de recrutamento de alunos da China Continental para a USJ”, segundo referiu à Tribuna de Macau o vice-reitor Álvaro Barbosa. Ao protocolo com a Católica vão suceder-se outros intercâmbios do género, como por exemplo no Vietname


O desenvolvimento de graus duplos de licenciatura está a ser cada vez mais uma aposta das instituições de ensino superior e o acordo recentemente assinado entre a Universidade de São José (USJ) e a Universidade Católica Portuguesa (UCP) é disso exemplo.

Na sequência de protocolos semelhantes, a USJ terá a possibilidade de recrutar alunos no Interior da China. “O desenvolvimento de graus duplos é algo que nós ainda não tínhamos começado a fazer com a nossa universidade parceira em Portugal e que, na verdade, foi espoletado por uma visita que a USJ fez à Católica em Lisboa, na sequência da qual lhe sugeriu a ideia de desenvolver graus duplos connosco, como algo que seria do interesse local, nomeadamente até no que diz respeito à nossa futura possibilidade de recrutarmos alunos da China Continental”, disse Álvaro Barbosa.

Sobre o acordo propriamente dito, o Jornal Tribuna de Macau tinha já registado as declarações de um representante da UCP, concretamente o director da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica, Nelson Ribeiro, e ouviu agora o vice-reitor da USJ, que destaca a importância deste tipo de colaborações.

“Este sistema é uma espécie de intercâmbio que as universidades começam cada vez mais a desenvolver e é do interesse dos alunos, sendo uma boa prática, perfeitamente dentro da legalidade de reconhecimento de créditos e dentro daquilo que são as legislações de cada um dos territórios ou países”, referiu. Por isso, a USJ está a desenvolver graus duplos com várias universidades, “nomeadamente no Vietname, e vamos anunciar isso muito proximamente”.

Este protocolo estabelecido com a UCP resulta, ainda segundo Álvaro Barbosa, “de uma colaboração a vários níveis com aquela universidade, mas o desenvolvimento de ‘double degrees’ ainda não tinha começado a ser feito com a UCP”, acrescentando que “este é o primeiro dos programas que nós desenvolvemos, porque havia realmente uma grande afinidade e proximidade até na participação e colaboração entre os professores e intercâmbio de alunos na área da Comunicação e Media”.

O protocolo rubricado terá ainda “um processo de acerto dos mecanismos de reconhecimento de créditos”, que é um processo administrativo. “Mas a nossa expectativa” – prossegue o vice-reitor da USJ – “é de, quanto antes, podermos oferecer esta possibilidade a todos os alunos, tanto da Católica em Portugal como da USJ em Macau, sendo realmente um mecanismo extraordinário para os estudantes terem uma formação internacional e uma experiência diferente do que é a formação tradicional”.

Esta parceria, “estruturada ao nível institucional e reconhecida até mesmo a nível de diplomas”, permitirá aos alunos de licenciatura da área de Ciências da Comunicação a obtenção de um grau duplo, recebendo diplomas de ambos os estabelecimentos de ensino quando finalizarem os cursos.

Ao abrigo do acordo, os alunos de Macau terão de estudar dois anos no curso de Comunicação e Media da USJ e outro período de dois anos na licenciatura da UCP. Isso possibilitará que os estudantes realizem aprendizagens em dois continentes e estudem diferentes áreas da Comunicação em contextos geográficos e culturais diversos, o que constitui uma mais-valia para a sua formação, segundo disse Nelson Ribeiro a este jornal.

Este tipo de colaboração, conclui o professor Álvaro Barbosa, “é um mecanismo cada vez mais utilizado no intercâmbio e na internacionalização, porque tem a vantagem de não obrigar a criar um programa novo”. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Universidade Politécnica de Macau venceu concurso mundial de tradução chinês-português

Uma equipa da Universidade Politécnica de Macau (UPM) venceu a 7ª edição do concurso mundial de tradução Chinês-Português, que atraiu estudantes de mais de 40 instituições de ensino superior, anunciou a instituição.


Uma equipa da Universidade de São José, de Macau, e outra do Instituto Politécnico de Leiria ficaram em segundo lugar, indicou ainda a UPM. Na terceira posição ficaram equipas da Universidade Católica Portuguesa, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Dalian, no nordeste da China, e da Universidade de Nankai, de Tianjin, perto da capital chinesa.

O concurso atribuiu ainda um prémio especial, para instituições lusófonas, que foi para equipas da Universidade de São Paulo, no Brasil, e da Universidade do Minho.

A UPM sublinhou que a competição atraiu mais de 100 equipas de mais de 40 instituições de ensino superior da China, de Macau e dos países de língua portuguesa, “tendo a resposta sido esmagadora”

Os prémios do concurso vão de duas mil patacas a um máximo de 40 mil patacas. Cada equipa tinha de traduzir pelo menos 1500 frases.

O concurso estava aberto a estudantes de licenciatura na China, em Macau, em Hong Kong, ou de instituições de ensino superior que sejam membros da “Language Big Data Alliance” (LBDA) e de outros países ou regiões com tradução de chinês e português, língua chinesa e portuguesa ou áreas afins, bem como a estudantes dos Institutos Confúcio de todo o mundo.

O objectivo da competição de tradução Chinês-Português é “promover o intercâmbio cultural e a compreensão mútua entre a China e os países de língua portuguesa”, sublinhou a UPM.

O concurso, que se realiza desde 2017, “já atraiu cerca de 900 equipas e milhares de estudantes e professores de universidades da Ásia, África, Europa e América do Sul”, disse, em Junho, a vice-reitora da UPM, Lei Ngan Lin.

Na altura, o presidente do concurso, Gaspar Zhang Yunfeng, disse que o evento ajuda a “promover o intercâmbio entre estudantes de instituições de ensino superior de todo o mundo em termos de técnicas de tradução entre as línguas chinesa e portuguesa e formar talentos de tradução em ambas as línguas”. E também “promover a aplicação dos últimos resultados do ensino e da investigação em tradução em Macau, na China continental e nos países de língua portuguesa no âmbito da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’”, acrescentou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Macau - Universidade de São José reforça ensino de português em licenciaturas

A Universidade de São José quer rever o currículo das licenciaturas para reforçar o ensino do português, revelou o director da Faculdade de Artes e Humanidades da instituição. Carlos Sena Caires revelou que a revisão prevê uma cadeira obrigatória de língua portuguesa nos quatro anos de todas as licenciaturas da USJ


A Universidade de São José (USJ) quer rever o currículo das licenciaturas para reforçar o ensino do português, revelou à Lusa o director da Faculdade de Artes e Humanidades da instituição.

Carlos Sena Caires revelou que a revisão prevê uma cadeira obrigatória de língua portuguesa nos quatro anos de todas as licenciaturas da USJ, algo que atualmente apenas acontece no terceiro ano.

Os actuais alunos “acabam com um português que vai do A1 ao A2, quanto muito”, admitiu o académico. “A ideia com a revisão curricular é permitir ir até ao B2, C1 se der. Portanto, [o estudante] sai com uma aprendizagem de língua muito mais avançada”, sublinhou.

O Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas abrange seis níveis, desde o A1, para iniciantes, ao C2, que reconhece a proficiência máxima em português.

O objectivo é garantir que qualquer licenciado da USJ “tenha essas valências: saber ler, falar, entender e comunicar” em português, disse Sena Caires, algo que descreve como “uma mais-valia para Macau (…) e para os alunos”.

O reitor da USJ, Stephen Morgan, disse hoje esperar que o regulador do ensino em Macau, a Direção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), aprove em breve a revisão curricular. Morgan falava durante a assinatura de um acordo que permite à USJ contar com professores do Instituto Português do Oriente (IPOR) para responder ao aumento das aulas de português como língua estrangeira.

O reitor revelou que, na terça-feira, durante uma reunião na DSEDJ, defendeu que, “se Macau quer desempenhar o papel de plataforma [entre a China e os países lusófonos], todo o sistema de educação deve levar a sério a necessidade de contratar professores de português”.

Carlos Sena Caires disse à Lusa que a colaboração com o IPOR começou, de forma informal, durante a pandemia de covid-19, porque Macau proibiu, durante quase três anos, a entrada de estrangeiros sem estatuto de residente.

Apesar do fim destas medidas, a diretora do IPOR, Patrícia Ribeiro, admitiu à Lusa que as restrições à residência para portugueses em Macau, impostas em agosto, têm dificultado a contratação de novos professores. “De momento não há desenvolvimentos e esta situação está a ser analisada ao mais alto nível”, disse Ribeiro. “Os três professores que recrutámos no último concurso já estão no IPOR e a trabalhar”, sendo que dois apenas receberam o chamado ‘bluecard’, revelou.

Patrícia Ribeiro sublinhou ainda que o acordo com o USJ contempla ainda a colaboração para trazer artistas lusófonos em “itinerâncias”, não só em Macau, “junto das instituições de ensino, mas também a outros centros culturais não só da China como dos países da região” asiática. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 13 de abril de 2023

Macau - Vizeu Pinheiro aborda tecnologia militar do passado

A tecnologia militar usada em Macau e na Ásia Oriental, entre os séculos XVII e XIX, é o tema de uma palestra que Francisco Vizeu Pinheiro, arquitecto e professor na Universidade de São José, vai proferir na Fundação Rui Cunha. “A chegada dos povos ibéricos, portugueses e espanhóis, ao Sudeste Asiático, trouxe todo um conjunto de tecnologia militar que teve bastante influência na guerra e em toda a situação política da China, Japão e Coreia”, mas igualmente “com reflexo em Macau”, sublinha a introdução para a palestra agendada para o próximo dia 20


“Arquitectura Militar de Macau e da Ásia Oriental: Contexto, Redes e Influência” é o tema para mais uma palestra que vai decorrer na Fundação Rui Cunha (FRC), inserida na nova série de debates públicos de História e Património, organizadas em conjunto com o Departamento de História e Património da Universidade de São José (USJ). O orador convidado é Francisco Vizeu Pinheiro, arquitecto e professor associado na USJ, que vai falar sobre a tecnologia militar utilizada por portugueses e espanhóis aquando da chegada dos povos ibéricos ao Sudeste Asiático.

“Canhões e armas de fogo tiveram, directa ou indirectamente, bastante influência na guerra e em toda a situação política da China, Japão e Coreia”, refere o texto de apresentação da palestra, que será realizada no próximo dia 20, falada em inglês e integrada nas celebrações do 11º aniversário da FRC.

“Sendo Macau a base dos portugueses, mas igualmente de instruídos jesuítas, as forças portuguesas do território tiveram um papel importante na ajuda que deram aos últimos herdeiros dos Ming, no combate contra as tropas invasoras Qing, recorrendo à utilização de canhões”, notas introdutórias para o colóquio que se irá centrar, entre outros aspectos, na “influência militar ocidental na elite militar do Japão, o qual já adoptava conceitos tecnológicos e científicos ocidentais”.

Francisco Vizeu vai abordar, numa referência a 1622, a resistência de Macau a uma superior força invasora holandesa, “que só foi possível devido à moderna arquitectura, tecnologia militar e respectivas tácticas utilizadas para a época nesta parte do globo”.

Mais tarde, já no século XIX, “Macau teve um outro momento relevante na luta pela sua própria sobrevivência”, quando, ameaçado por milhares de piratas na região “organizou uma frota de cinco navios mercantes adaptados ao uso militar, acabando com a ameaça para a cidade e para a região”.

O arquitecto e académico vai falar ainda sobre o longo período de paz que se seguiu à consolidação do Shogunato Tokugawa (1615), no Japão, e da Dinastia Qing (1644), na China. “Desde então, a evolução da arquitectura militar praticamente estagnou” e actualmente as estruturas militares sobreviventes “são adaptadas ou restauradas como importantes bens educacionais para o turismo cultural, particularmente no Japão”. São disso exemplo os vários castelos japoneses do século XVII que foram reconstruídos no século XX, assim como na China muitas muralhas de cidades como Datong ou partes da Grande Muralha. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Macau – Lançamento na Universidade de São José do livro “Macau, A Minha História”

Chama-se “Macau, A Minha História” e é um livro que mistura fotografia e histórias sobre as várias perspectivas que o território apresenta aos seus autores. João Rato, fotógrafo amador, é um dos editores de uma obra que conta com 13 autores e 12 histórias. O lançamento, incluído no cartaz do festival literário Rota das Letras, faz-se amanhã na Universidade de São José


Macau, A Minha História” não é apenas um livro de fotografia, tem também histórias das diversas visões e percepções que o território pode proporcionar a quem cá vive. O lançamento acontece amanhã, às 19h30, no Departamento de Media, Arte e Tecnologia da Universidade de São José (USJ), e está inserido no programa da 11.ª edição do festival literário Rota das Letras. “Macau, A Minha História” é editado em chinês e português e conta com quatro editores: João Rato, fotógrafo amador e co-fundador da associação Halftone, ligada à fotografia; José Manuel Simões, coordenador do curso de comunicação na USJ, Paris Pei e Guan Jian Sheng. A USJ é responsável pela edição do livro.

A ideia para editar este livro surgiu em finais de 2020, de uma conversa entre João Rato e Pei Ding An, seu colega de trabalho. À medida que o tempo passava, mais editores e colaboradores foram-se juntando ao projecto. “O livro tem uma componente visual adicional ao texto, e isso dá uma maior profundidade e riqueza à obra. Não é apenas um livro de fotografia, permitindo essas duas leituras”, contou João Rato ao HM.

Macau, A Minha História” acaba por reflectir “a diversidade de Macau e a ideia de que o território é um ponto de encontro de culturas”. “Pode parecer algo muito visto e falado, mas a verdade é que a síntese de Macau é isso mesmo. É um ponto de passagem desde há centenas de anos. Temos Macau e as histórias, que podem incluir a geografia, arquitectura, fantasia, um pouco de romance, poesia ou literatura. O livro trata percepções, sensações e opiniões que cada um dos autores tem sobre Macau. Nós, como editores, não criamos nenhuma restrição em termos temáticos.”

Da diversidade

As histórias começam a contar-se com “A História escolheu Macau e Macau também fez História”, um texto escrito por Guan Jian Sheng, acompanhado das imagens de Cecília Vong. Segue-se “Macau, nascida e criada”, de Marjolene Estrada, que faz a fotografia e o texto.

“Ela faz o retrato de uma Macau contemporânea, de quem acabou de sair da universidade e que está cheio de dúvidas sobre o futuro. O trabalho dela versa sobre o período da sua adolescência, os concertos ao ar livre, o mundo da moda”, descreve João Rato.

Ou Tian Xing escreve e fotografa sobre a “Arquitectura de Macau em Luz e Sombra”, seguindo-se depois João Monteiro com “Um passeio fotográfico pelo Património de Macau”. Há, nestas páginas, muitas histórias que se vão contando, e outras que já terminaram, mas das quais ainda existem rastos nas ruas. Há, portanto, imagens de “pequenas alfaiatarias, lojas que vendem côco, algumas que já desapareceram devido ao crescimento desenfreado da cidade”.

João Rato, por sua vez, escreveu “Macau em profundidade”, que mais não é do que uma “deambulação”, algo que lhe interessa fazer também na fotografia. “Os textos, neste livro, têm a ver com as marcas indeléveis e com aquilo que Macau, na sua intensidade, permite vivenciar a quem se deixa levar e a queira descobrir.”

O co-editor da obra não tem dúvidas de que “a passagem do tempo vai conferir ao livro uma importância maior, porque é o registo da mudança pela qual o mundo e Macau estão a passar”. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


sábado, 17 de setembro de 2022

Macau - Centenário de Saramago celebrado com exposição, conversas e filmes

Celebram-se em Novembro os 100 anos do nascimento de José Saramago. A vida e obra do escritor, que recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1998, vão ser comemoradas em Macau a partir do final deste mês. A programação arranca com a inauguração da exposição biobibliográfica “Voltar aos passos que foram dados 1922-2022”, seguida de uma mesa-redonda com a participação do professor Carlos Reis, comissário para o Centenário de José Saramago. Depois disso, e até 16 de Novembro, haverá conversas sobre o escritor e projecção de filmes e documentários, numa iniciativa que envolve o IPOR, a EPM e a USJ. Ao Jornal Tribuna de Macau, Sara Augusto, que está envolvida na organização, disse que é interessante assinalar a data em Macau “pelo apontamento da ‘excelência’ que pode alcançar a literatura portuguesa e a literatura escrita em português”


Assinalam-se a 16 de Novembro os 100 anos do nascimento de José Saramago, mas a comemoração desta data começa mais cedo em Macau, numa colaboração entre várias instituições locais e com o apoio da Fundação Saramago. O comissário para o Centenário de José Saramago, Carlos Reis, que vai ser orador numa mesa-redonda, em formato online, refere, numa mensagem publicada no website da Fundação, que “a efeméride constituirá uma oportunidade privilegiada para a consolidação da presença do escritor na história cultural e literária, em Portugal e no estrangeiro”, permitindo também prestar uma homenagem à figura do escritor “como cidadão”.

Sara Augusto, docente no Instituto Português do Oriente (IPOR) e que faz parte da organização da iniciativa, disse ao Jornal Tribuna de Macau que são “muitos” os motivos que contribuem para a importância de assinalar esta data. “Em primeiro lugar pela relevância da sua obra literária: os diferentes géneros literários que cultivou, da poesia à narrativa, do conto ao romance, chegando também à literatura para [e pela] renovação literária que levou a cabo, criando um estilo muito próprio que rompe com regras estabelecidas e que deixou marcas na obra de escritores que vieram depois. Vejam-se todos os vencedores do Prémio Literário José Saramago, atribuído desde 1999”, sublinhou.

Apontando que a leitura das obras de Saramago faz parte dos programas escolares e que o escritor “já foi absorvido pela memória colectiva, sendo reconhecido como um dos maiores escritores de Língua Portuguesa do século XX e início do século XXI”, Sara Augusto destacou também a importância, em particular, da iniciativa em Macau. “Em Macau estuda-se e lê-se e também se vê cinema. Estuda-se Saramago nas instituições de ensino e é interessante marcar a data pelo apontamento da ‘excelência’ que pode alcançar a literatura portuguesa e a literatura escrita em português. Além disso, Saramago, ao longo dos seus romances, revelou um cada vez mais apurado conhecimento da vivência e da sociedade humana, capaz de apontar contradições, situações de justiça e de opressão, e de expressar da forma mais impressiva emoções e estados de espírito”.

A programação arranca com a inauguração da exposição biobibliográfica “Voltar aos passos que foram dados 1922-2022”, no dia 29 de Setembro, às 18h30, nas instalações do IPOR, seguida da mesa redonda com a participação, à distância, do professor Carlos Reis. Em destaque estarão a Vida e Obra de Saramago, sendo que a sessão, que vai decorrer no Auditório Stanley Ho, é aberta à participação do público.

Segundo Sara Augusto, a mostra é composta por um conjunto de 15 painéis e conta com selecção e composição de textos de Carlos Reis e Fernanda Costa, e design de André Letria. “Com a exposição ‘Voltar aos passos que foram dados’ […] construímos uma mostra que faz uma ‘viagem’ pela biografia literária de José Saramago. Deduz-se daí uma ‘narrativa’ que nos leva a encontrar ou a reencontrar, em formato expositivo, as obras e o legado cultural e cívico de um grande escritor”, pode ler-se.

Documentários e conversas

Para os dias 30 de Setembro e 7 e 14 de Outubro está agendada a projecção de três filmes: “José e Pilar”, “Embargo” e “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, respectivamente. As sessões começam às 19h00 e a entrada é livre.

Com abertura marcada para dia 17 de Outubro, a exposição biobibliográfica passará para a Sala Kent Wong, na Universidade de São José (USJ). No mesmo dia e na mesma sala, serão exibidos três documentários da série Herdeiros de Saramago. Segundo a organização, os restantes serão projectados nos dias 18 a 21, com as sessões a começar às 19h00.

Já no dia 26 haverá uma mesa-redonda subordinada ao tema “Herdeiros de Saramago”. Sara Augusto disse a este jornal que esta sessão contará com a presença online de alguns dos escritores que venceram o Prémio José Saramago, no entanto, há ainda informações que não estão confirmadas, pelo que serão disponibilizadas na próxima semana.

E entre os dias 3 e 16 de Novembro, a exposição passará a estar presente na Escola Portuguesa de Macau (EPM). “Durante este período, a Escola tem programadas actividades complementares para os seus alunos, como oficinas de leitura e exibição de filmes, com programa a divulgar posteriormente”, indicou o IPOR.

No último dia, “e porque é no dia 16 de Novembro que se celebra o centenário do nascimento de José Saramago”, a EPM assinala a ocasião com a atribuição do seu prémio literário, o Prémio José Saramago.

A organização cabe ao Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, sendo que a iniciativa é desenvolvida pelo IPOR em colaboração com a USJ e a EPM, com o apoio da Fundação Saramago e do Instituto Camões.

A obra saramaguiana no mundo

Na mensagem que escreve no website sobre o Centenário do nascimento de Saramago, Carlos Reis refere ainda que a atribuição do Prémio Nobel da Literatura confirmou uma consagração internacional que fez de José Saramago uma personalidade com grande significado, para além das fronteiras de Portugal.

“Assim, Saramago define-se hoje como um ‘escritor do mundo’, com presença expressiva em manifestações artísticas, educativas, políticas e sociais com vasta disseminação e efeitos variados. Incluem-se nesses efeitos os que decorrem da presença da obra saramaguiana no nosso sistema de ensino e na difusão da língua e da cultura portuguesas no mundo”, pode ler-se.

Autor de mais de 40 títulos, Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga. Em 1947 publicou o seu primeiro livro, que intitulou “A Viúva”, mas que, por razões editoriais, viria a sair com o título “Terra do Pecado”. Em 1995 publicou o romance “Ensaio sobre a Cegueira” e em 1997 “Todos os Nomes” e “O Conto da Ilha Desconhecida”. Nesse mesmo ano, foi-lhe atribuído o Prémio Camões, e em 1998 o Prémio Nobel de Literatura.

As suas obras estão publicadas em mais de 60 países e regiões, incluindo na China Continental, Macau e Taiwan, e traduzidas em quase 50 línguas. Recorde-se que José Saramago morreu a 18 de Junho de 2010, em Espanha, país no qual se auto-exilou. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Brasil - Universidade Federal do Ceará assina acordo de cooperação com a Universidade de São José de Macau

A Universidade Federal do Ceará (UFC), no nordeste do Brasil, anunciou a assinatura de um acordo de cooperação com a Universidade de São José (USJ), em Macau, que prevê o lançamento de projectos de investigação conjuntos. Segundo um comunicado, o memorando de entendimento prevê a realização de trabalhos em conjunto em áreas como desenvolvimento económico, administração, língua e cultura chinesas, ciências ambientais, ciência de dados, inteligência artificial e medicina.

O acordo assinado na quarta-feira entre a UFC e a USJ prevê ainda o intercâmbio de funcionários técnico-administrativos, a realização de visitas de delegações e a organização conjunta de eventos. O memorando irá também “consolidar alianças estratégicas entre as duas universidades”, incluindo “actividades que já são desenvolvidas”, como supervisão de dissertações e teses e intercâmbio de publicações, periódicos e resultados de ensino e pesquisa.

A USJ já tinha lançado um projecto de investigação com a UFC e o Instituto da Primeira Infância, com sede em Fortaleza, com famílias carentes, “submetidas a stress crónico”, disse à Lusa em Junho o director do novo laboratório de neurociências aplicadas, Alexandre Lobo.

A USJ lançou ainda um projecto conjunto, com a UFC e a Universidade Católica do Porto, em Portugal, para usar inteligência artificial para interpretar e classificar de forma automática as reacções das pessoas, revelou o académico brasileiro.

Na quinta-feira, entrou em vigor uma reorganização das unidades académicas da USJ, que incluiu a criação da Faculdade de Ciências da Saúde.

Em Abril deste ano, Macau levantou as restrições fronteiriças a estudantes universitários e profissionais do ensino estrangeiro, como professores portugueses. No entanto, quem chega do estrangeiro continua a ser obrigado a cumprir uma quarentena de sete dias num hotel designado para o efeito. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”

 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Macau – Plataforma da Universidade de São José “Português à Vista” visa fomentar compreensão oral da língua

A Universidade de São José apresenta na segunda-feira o projecto “Português à Vista”, uma plataforma de conteúdos audiovisuais, com cerca de 100 vídeos e muitos exercícios para que os alunos possam desenvolver melhor uma das capacidades mais difíceis para quem aprende um idioma estrangeiro: a compreensão oral. A plataforma pode também ser usada por professores de português língua estrangeira das várias instituições de ensino no território

Chama-se “Português à Vista” e é o mais recente projecto audiovisual a pensar nos alunos e professores que trabalham com o ensino da língua portuguesa não materna. Lançado já na próxima segunda-feira, 30, e desenvolvido pelo Departamento de Línguas e Cultura da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de São José (USJ), este é um projecto que pretende fomentar a compreensão oral do aluno, mas sobretudo a sua autonomia na aprendizagem da língua. “Português à Vista” conta com financiamento do Fundo do Ensino Superior e poderá ser usado por qualquer aluno e docente de língua portuguesa em Macau, ainda que tenha funcionalidades específicas para professores e estudantes da USJ.

À frente desta iniciativa, está o professor João Paulo Pereira, que há dois anos trabalha no projecto. A ideia surgiu “na sequência da experiência no ensino como professor de português como língua estrangeira, e da necessidade de termos mais materiais audiovisuais para trabalhar aquela que é uma das competências mais difíceis para quem aprende português, que é a compreensão de textos orais”, contou ao HM.

Com cerca de uma centena de vídeos, que incluem documentários, notícias ou curta-metragens, entre outro tipo de conteúdos legendados, “Português à Vista” inclui também um conjunto diverso de exercícios. “Esta é uma plataforma criada de raiz para que os alunos possam trabalhar esta competência da compreensão oral, mas também aquelas que estão associadas às novas formas de comunicação, como é o caso do vídeo digital ou literacia visual”, contou o docente.

João Paulo Pereira destacou ainda o facto de serem conteúdos reais transmitidos no dia-a-dia “e que são necessários para um contexto de aprendizagem do português como língua segunda”.

Os exercícios associados a estes conteúdos apresentam ainda uma abordagem diferente, pois pretende-se que o estudante “reflicta sobre as estratégias que utiliza para a compreensão dos textos orais”.

Tratam-se de “actividades meta-cognitivas, como questionários de auto-reflexão, por exemplo” e que são diferenciadoras face ao que existe actualmente em Macau em termos de materiais auto-didácticos.

“Há também um diagrama de ansiedade, em que o aluno manifesta o grau de ansiedade que sentiu ao fazer cada sequência da actividade. Há um algoritmo que faz a análise do desempenho do aluno tendo em conta os resultados que obteve nos exercícios e que tem também em conta esta parte cognitiva. Nesse sentido, é uma proposta inovadora e que tira partido das funcionalidades da tecnologia”, acrescentou João Paulo Pereira.

Projecto inovador

João Paulo Pereira não tem dúvidas de que estamos perante “um projecto novo e diferente” que acrescenta uma diversidade de materiais didácticos e permite “trabalhar também outras competências”. A legendagem dos conteúdos revela-se fundamental, tendo em conta que no território, apesar de existir um canal de rádio e televisão em português, os conteúdos programáticos e noticiosos não estão legendados.

“Tal facilita a compreensão a esses apoios textuais e visuais. Isso é também muito necessário, porque apesar de existirem muitos recursos audiovisuais em Macau, como o canal português da TDM, os alunos acabam por não recorrer a esses meios porque não compreendem o que ouvem, e desistem. Em grande parte, porque os vídeos não são legendados e não existe este apoio didáctico. É uma proposta que não existia em Macau.”

Acima de tudo, pretende-se promover “a autonomia do aluno na sua aprendizagem, porque esta abordagem meta cognitiva potencia isso, faz com que o aluno pense nas estratégias que deve usar para desenvolver a sua própria aprendizagem”.

Uma outra das funcionalidades da plataforma “Português à Vista” permite que os estudantes “criem os seus próprios exercícios”. “É o chamado auto-exercício, e para isso o aluno só precisa de ter a transcrição da letra de uma canção, por exemplo, e a plataforma gera automaticamente um exercício para trabalhar a compreensão oral”, frisou o docente.

Agarrados ao livro

Questionado sobre a capacidade dos alunos de português como língua não materna de procurarem conteúdos fora da sala de aula e da alçada do professor, João Paulo Pereira concluiu que há ainda uma grande necessidade de recorrer ao livro.

“No universo da USJ, e no âmbito deste projecto, foi feito um grupo de foco com turmas da licenciatura de estudos de tradução português-chinês, do primeiro ao quarto ano, e nesse âmbito percebemos que os alunos ainda estão muito dependentes das orientações do professor e daquilo que ele lhes propõe em termos de materiais. Há ainda muito a ideia de que o manual é o principal instrumento didáctico, e os materiais audiovisuais não são ainda muito utilizados por parte dos alunos de forma autónoma. Neste sentido, esta plataforma pretende ir ao encontro dessas dificuldades.”

Nesta fase foram testados os materiais disponíveis na plataforma, tendo sido feitas entrevistas aos professores, que também experimentaram a funcionalidade dos conteúdos.

Acima de tudo, “Português à Vista” poderá ser utilizado por todas as instituições de ensino do território. “Qualquer aluno de português e professor pode aceder aos conteúdos da plataforma. Algumas funcionalidades estão reservadas aos alunos e docentes da USJ, como é o caso da criação de turmas. A plataforma pode ser usada em Macau por qualquer aluno e professor, e este pode criar os seus exercícios. Pode ser utilizada numa lógica de sala de aula ou como complemento às aprendizagens”, rematou João Paulo Pereira. O lançamento de “Português à Vista” será feito no campus da USJ e conta ainda com a presença de Carlos Sena Caires, director da Faculdade de Artes e Humanidades da USJ.

Docente e investigador

João Paulo Pereira é professor da Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de São José. Detém um mestrado em Ensino do Português como Língua Segunda e Estrangeira, pela Universidade Nova de Lisboa, e encontra-se a fazer o doutoramento em Didática das Línguas – Multilinguismo e Educação para a Cidadania Global.

É investigador no CHAM – Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Além de Macau, conta com uma vasta experiência profissional em vários países da Europa e de África, tendo leccionado em instituições de ensino superior e não superior. Tem centrado a sua investigação nas áreas da Aquisição de Língua Segunda, do Desenvolvimento de Materiais Didáticos e dos Estudos Interculturais.

Tem vários artigos científicos publicados nestas áreas, assim como materiais didáticos para o ensino do Português como Língua Estrangeira (manual Dar à Língua, IPOR, 2017). Na área do desenvolvimento de materiais didáticos digitais, participou, como revisor científico, nos projectos “Escola Virtual”, da Porto Editora, e “Português mais perto”, da Porto Editora/ Instituto Camões. É ainda autor de um repositório de recursos digitais para alunos e professores de PL2/PLE, intitulado “ARELP – Árvore de Recursos da Língua Portuguesa”. Também se tem dedicado à formação de professores, contando com acções em Macau e em países da Ásia-Pacífico, como o Vietname e a Austrália. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


segunda-feira, 18 de abril de 2022

Macau - Só tem um curso superior para reclusos e não contempla mulheres

A licenciatura em Serviço Social da Universidade de São José, o único curso superior acessível no sistema prisional de Macau, quer apoiar a transição para a reinserção social, mas, para já, só chega à população masculina.

Antes de ser condenado a 19 anos e dois meses de prisão por rapto, Chan Sai Lok (nome fictício) já era acompanhado por uma assistente social. Por isso, quando, em reclusão, tomou a decisão de prosseguir os estudos universitários, fez de tudo para seguir Serviço Social.

“Os assistentes sociais são uma espécie de anjos”, diz.

Em liberdade há dois anos, Chan foi quem desencadeou a parceria de cerca de duas décadas entre o Estabelecimento Prisional de Coloane e a Universidade de São José (USJ), ao enviar uma carta à instituição de ensino superior católica. Na altura, 2009, cumpria pena há uma década, quando leu um anúncio no jornal sobre os cursos da USJ.

“Escrevi-lhes sem saber se iriam reagir, mas felizmente responderam-me uma semana depois”, lembra.

“Com pouco que fazer na cadeia”, Chan chegou a trabalhar na biblioteca e no ginásio do estabelecimento prisional, mas nada trouxe “mais esperança” ao então jovem de 28 anos do que este projeto “para o futuro”.

“Existem tantas adversidades lá fora, e eu achava, naquela altura, que precisava de me atualizar e preparar-me para esses desafios”, recorda.

Ao longo dos dez anos que o separavam da liberdade definitiva, Chan completou um ano curricular, dedicando-se a uma nova rotina atrás das grades: “Tínhamos uma sala de aulas, frequentávamos o curso quatro ou cinco dias por semana e, como eu partilhava a cela, estudava na cama”.

O Programa de Desenvolvimento na Prisão (Prison Outreach Programme, em inglês) foi lançado em 2009, com o objetivo de preparar os reclusos “para o futuro, para a reintegração social e para uma melhor transição na comunidade”, explicou a coordenadora do projeto, Helen Liu, referindo que a seleção dos candidatos “é rigorosa”, sendo exigida uma carta de intenções e uma entrevista.

“Estas pessoas têm um historial singular e, na formação em Serviço Social, existe uma abordagem mais humana, por isso penso que conseguem usar a história pessoal e o passado e aplicá-los neste campo”, refere a académica, justificando assim o interesse dos reclusos nesta área de trabalho.

Suspensa durante alguns anos devido a problemas ligados à gestão de pessoal da USJ, a colaboração entre a prisão e a universidade foi retomada em 2018, num formato “mais estruturado”, sendo que agora, por exemplo, a última fase da licenciatura exige ao estudante que esteja em liberdade.

Esta formação em Serviço Social é o único curso superior acessível em todo o sistema prisional de Macau e é frequentada atualmente por 16 reclusos, segundo dados enviados à Lusa pela Direção dos Serviços Correcionais (DSC).

A maioria, sete, tem entre 21 e 30 anos, cinco pertencem à faixa etária dos 31-40 anos e quatro estão entre os 41 e 50 anos de idade. No entanto, entre os estudantes não há mulheres.

“Homens e mulheres não podem estar juntos, mas há pouco tempo o nosso diretor recebeu uma carta da ala feminina a revelar interesse”, sustenta a coordenadora Helen Liu, referindo, além disso, que o curso é lecionado em chinês e não tem uma variante em português, uma das línguas oficiais do território.

Questionada sobre a possibilidade de o programa ser estendido às mulheres, a DSC frisou que nunca recebeu pedidos nesse sentido, mas, caso isso aconteça, serão considerados.

Paul Pun, secretário-geral da Cáritas Macau, a organização que apoiou no passado esta parceria, com o reforço do pessoal docente, alerta que o ensino superior deve chegar a toda a população prisional, além de defender a criação de outros projetos de educação terciária para os reclusos.

“São pessoas que têm muito tempo dentro da prisão e podem usar essa energia para estudar e planear o futuro”, explica o líder da Cáritas Macau, responsável pelo Lar de Acolhimento Temporário, que abriga, numa fase transitória, “ex-reclusos com dificuldades em encontrar uma casa”.

Por outro lado, a académica Helen Liu diz que “é importante fazer o acompanhamento destas pessoas” no período pós-reclusão.

“Na prisão, têm uma rotina, mas cá fora, com outros estímulos e ambiente, pode haver alguma confusão e, se não os guiarmos devidamente, podem voltar ao passado”, considera.

Chan Sai Lok tem hoje 40 anos, vive com os pais e trabalha para uma organização não-governamental como coordenador de atividades, enquanto termina o penúltimo ano da licenciatura.

Em Macau, “apesar de hoje ser melhor”, prevalece uma imagem negativa em relação a quem viveu prisioneiro, lamenta Chan, que admite sentir “algum distanciamento” por parte dos colegas e dos velhos amigos.

Para o próximo ano letivo, o estudante deverá começar a última fase do percurso universitário, o estágio curricular, tornando-se, assim, no primeiro finalista do Programa de Desenvolvimento da Prisão da USJ. In “Hoje Macau” - Macau