Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Macau - Restrições à residência afastam docentes portugueses

A directora do Instituto Português do Oriente (IPOR) disse à Lusa que as restrições impostas por Macau aos pedidos de residência têm afastado docentes que estavam interessados em vir trabalhar para a região.

O Centro de Língua do IPOR tem actualmente 16 professores em Macau e um em Pequim, para dar mais de 100 cursos previstos para este ano, um número semelhante ao registado em 2019, antes da quebra devido à pandemia. Nos últimos dois anos, o IPOR contratou quatro docentes vindos de Portugal, para substituir outros que “ou regressam a Portugal ou têm outras oportunidades de emprego aqui em Macau”, explicou Patrícia Quaresma.

Todos vieram como trabalhadores migrantes, recebendo o chamado ‘blue card’, uma autorização limitada ao vínculo laboral, sem os benefícios dos residentes, nomeadamente ao nível da saúde ou da educação.

Desde Agosto de 2023 que Macau não aceita novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. As novas orientações eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999.

Patrícia Quaresma admitiu que a mudança teve impacto: “algumas das pessoas seleccionadas, e já nos aconteceu em alguns concursos, depois de saberem as condições, recusam”.

A dirigente diz que alguns candidatos “não sentem que têm segurança para o futuro em termos de trabalho e também condições para viver em Macau”, nomeadamente que “não lhes compensa financeiramente”.

Quaresma dá como exemplo uma professora que queria inscrever a filha na Escola Portuguesa de Macau (EPM), onde, sem estatuto de residente, teria de pagar a propina por inteiro. A EPM cobra anualmente 36.870 patacas no ensino primário e 47.700 patacas no ensino secundário, valores que caem para menos de metade para alunos residentes, graças a um subsídio do Governo local.

“Ela repensou e não quis vir para Macau nessas condições”, diz a directora do IPOR.

Em Março de 2025, a presidente da Casa de Portugal em Macau, Amélia António, disse à Lusa que as limitações têm afectado a contratação de profissionais para integrarem a Escola de Arte e Ofícios da associação. Mencionando a relação estratégica entre a China e o universo de língua portuguesa e o interesse de Pequim na língua portuguesa, a líder associativa lamentou a postura “um pouco contraditória”.

“Não podemos fazer omeletas sem ovos, nós que estamos aqui e que trabalhamos com a cultura portuguesa e com a língua portuguesa, temos muita dificuldade em ter pessoas que substituam aquelas que foram saindo. Saíram muitos portugueses de Macau, e trabalhar nestas áreas com essa falta [de pessoas com essas qualificações] é muito complicado”, rematou.

A Lusa tentou voltar a entrar em contacto com Amélia António, mas não obteve resposta.

A Lusa perguntou também ao presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa em Macau se os membros da associação tinham sentido dificuldades em contratar portugueses, mas Carlos Cid Álvares preferiu não comentar.

Macau tem apostado no ensino do português para servir como plataforma de serviços financeiros entre a China e os países lusófonos e, assim, diversificar a economia local, altamente dependente dos casinos.

Mas, em Abril, Cid Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino, disse que não basta ensinar a língua portuguesa e que é preciso “olhar para o futuro”. “Não vejo muito como é que a influência portuguesa se pode manter aqui, mantendo esta situação. Uma coisa é os chineses falarem português, outra coisa muito diferente é os portugueses estarem em Macau”, sublinhou.

A directora do IPOR, Patrícia Quaresma, diz que a instituição tem sempre conseguido autorização das autoridades para contratar professores portugueses, mas admite que o processo é agora “um pouco mais moroso”.

Antes de 2023, “era muito mais rápido”, diz. “Nós conseguíamos tratar da obtenção do BIR, que demorava cerca de um a dois meses”, recorda a dirigente.

Com uma autorização de trabalho a demorar “cerca de quatro a seis meses”, o IPOR tem de “antecipar muito” a avaliação dos recursos humanos, para que os novos professores possam chegar a tempo, explica Quaresma.

A directora diz que as autorizações de trabalho também aumentam a papelada no que toca aos protocolos que o IPOR celebrou para dar aulas de português em outras instituições, incluindo a Universidade de São José.

“Uma pessoa que tem um ‘blue card’ normalmente tem de ter um local de trabalho específico. E isso quer dizer que, quando fazemos alterações, tem de ser sempre reportado”, diz Quaresma.

Menos portugueses vêm para a RAEM e maioria tem vínculo precário

O número de portugueses que emigraram para Macau tem vindo a cair e, nos últimos dois anos, a maioria chegou à região com vínculos laborais precários. Numa resposta escrita à Lusa, o Corpo de Polícia de Segurança Pública disse que o número de trabalhadores migrantes de nacionalidade portuguesa – ou seja, que chegam sem o estatuto de residente – passou de 39 no final de 2023 para 78 no fim do ano passado. Macau não aceita, desde Agosto de 2023, novos pedidos de residência de portugueses para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. Em resultado, o número de portugueses a tornar-se residente caiu de 70 em 2023 para 23 em 2025, muito longe do recorde de 390 registado em 2013, de acordo com dados fornecidos à Lusa pela Direcção dos Serviços de Identificação. O CPSP disse que recebeu 14 pedidos de residência de portugueses em 2025, dos quais 10 foram aceites, todos por reunião familiar. Dos restantes, dois ainda estão a ser analisados, enquanto um foi rejeitado e outro cancelado. A única alternativa para garantir o BIR passa agora por uma candidatura ao programa de captação de quadros qualificados, que entrou em vigor em Julho de 2023. Em 2024, o então secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos, Chao Chong Hang, admitiu que a maioria das 464 candidaturas aprovadas vinha da China continental (80%) ou da vizinha região de Hong Kong (10%). Os censos de 2021 indicam que havia mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-Geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 5 de maio de 2026

Macau - Exposição de poemas ilustrados abre Festival da Língua Portuguesa

Uma exposição de poemas de vários escritores portugueses, seleccionados por Pedro D’Alte e ilustrados pelo artista Joaquim Franco, assinala o arranque da primeira edição do Festival de Língua Portuguesa, promovido pela Casa de Portugal. A mostra na Casa Garden serve também para celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa. O festival, que se prolongará até 18 de Junho, inclui ainda momentos de leitura, histórias contadas nas escolas, workshops de escrita criativa, espectáculo de marionetes, um concerto e uma peça de teatro. Para Elisa Vilaça, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”


Pela primeira vez, a Casa de Portugal promove o Festival de Língua Portuguesa, organizando uma série de actividades que têm hoje início, precisamente no Dia Mundial da Língua Portuguesa, com a inauguração de uma exposição na Casa Garden, pelas 18h30. A mostra combina 16 poemas de vários escritores portugueses e outros países de expressão portuguesa, como Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Mia Couto, José Luís Peixoto e José Craveirinha, que abrangem desde o século XVI até à actualidade, seleccionados pelo académico Pedro D’Alte, com a ilustração de igual número de pinturas de acrílico em tela produzidas pelo artista Joaquim Franco.

“As ilustrações vão ser expostas em paralelo com os poemas, cujos textos acompanham a interpretação do artista”, disse ao Jornal Tribuna de Macau a curadora da exposição Elisa Vilaça.

O objectivo nesta exibição, em conjunto com o restante programa do festival, é dar “maior ênfase à língua portuguesa, que é bem importante hoje, mais do que nunca”, sublinhou a directora artística da Casa de Portugal.

Ao abordar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, Elisa Vilaça considera que a preservação da língua é fundamental. “Para tudo, não só como uma profunda raiz daquilo que foi feito em Macau, ao longo de 450 anos, mas principalmente agora, com todo esse sistema de globalização, que nós temos a consciência de que a língua portuguesa é falada em imensos países”, sublinha.

Lembrando que o Português é a quinta língua mais falada em todo o mundo, admite que “por vezes nós esquecemo-nos disso, da importância que temos a nível de linguística e do que tem sido feito pelos escritores”. Nesse sentido, defende, “é necessário haver algo que nos lembre a importância da língua portuguesa e da sua preservação, sendo a poesia um elemento de referência”.

Por tudo isso, diz, “há uma mensagem que tem de ser passada sobre a preservação da nossa língua e no cruzamento com as diferentes culturas que nós encontramos em Macau”.

Para a curadora da exposição, “a única coisa que é muito importante fazer neste momento é tentar cativar cada vez mais a população jovem, que, quem sabe, poderá permanecer por aqui, ou procurar os seus empregos, o seu futuro, noutras paragens”. Para além da comunidade portuguesa e de representantes de outros países lusófonos estabelecidos em Macau, “a comunidade chinesa, desenvolvendo e interessando-se pela língua, ela própria também terá, no futuro, um meio e uma ferramenta importante na inter-relação com os diferentes países, inclusivamente Portugal”.

Mesmo considerando que “a história é uma coisa que se vai esquecendo”, considera que a língua é “um elo importantíssimo” e faz parte dessa história. “Por isso, afirma que “devemos fazer uma sensibilização cada vez maior em termos da divulgação da cultura e da língua, não só entre a comunidade portuguesa, mas principalmente na comunidade chinesa que é a maior em Macau”.

Histórias com marionetas contadas nas escolas

Assim sendo, o Festival da Língua Portuguesa, que começa esta tarde com a inauguração da exposição, que se manterá até ao dia 24 deste mês, “surge nesse sentido de sensibilizar para a importância da preservação, contando inclusivamente histórias aos alunos e às crianças de algumas escolas, como forma de os motivar a familiarizarem-se com a língua portuguesa”, menciona.

Os estabelecimentos abrangidos pelas conversas, intituladas “Contar Histórias”, da responsabilidade da própria Elisa Vilaça, são o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, a Escola Sir Robert Ho Tung e a Escola Luís Gonzaga Gomes, onde haverá espectáculos de marionetas a partir de 13 de Maio e prolongando-se até Junho.

Trata-se de uma mistura das marionetas com o texto em si, numa “história mimada”, porque tem “a minha participação, não só como manipulador, mas como próprio autor”, refere, acrescentando que, “contrariamente ao que acontece quando faço espectáculos de marionetas em Macau, em que não tenho palavra, apenas música, neste caso, como é dedicado à língua portuguesa, o português vai ter maior predominância, utilizando no fundo a marioneta como um elemento de comunicação entre as crianças”.

Nos restantes pontos do programa do Festival, destaque para “Pausa para Ler”, que terá por palco a Casa Garden, no dia 8 de Maio, das 18h30 às 20h00, e para dois workshops de “Escrita Criativa”. O primeiro no dia 15, entre as 19h00 e as 21h00, para maiores de 18 anos, e o segundo, a 16, entre as 15h00 e as 17h00, para maiores de 15 anos, orientados por Paula Pinto. Ambos serão realizados na sede da Casa de Portugal.

Enquanto isto, está agendado um concerto para o dia 16, a partir das 19h00, na Casa Garden, com Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade, Paulo Pereira, Irawan Kusuma, Luís Bento e outros músicos convidados.

O festival, que conta com o apoio da Fundação Macau e da Fundação Oriente, encerrará a 18 de Junho com a peça “O Pior Professor do Mundo” protagonizada pelo Teatro João de Brito, no Auditório da Escola Portuguesa de Macau, pelas 19h00, estando reservada uma sessão para os alunos e outra aberta ao público.

Conversas em Português no Café do IPOR

Por forma a celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa e os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Instituto Português do Oriente (IPOR) vai organizar hoje e amanhã, entre as 18h30 e as 20h30, um evento especial em formato de conversas rápidas. As “Conversas em Português à Volta do Mundo” decorrerão no Café Oriente no IPOR e destinam-se a estudantes ou “curiosos” que não têm o Português como língua materna. Segundo o IPOR, os participantes poderão, em várias mesas, conversar durante 5 a 7 minutos com falantes nativos de Português. Quem passar por todas as mesas terá direito a um prémio. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Macau - Instituto Português do Oriente e Universidade de Coimbra unidos para reforçar ensino do Português

Ao abrigo de um protocolo assinado em Lisboa, o Instituto Português do Oriente vai ensinar as “bases” da língua portuguesa a estudantes que queiram prosseguir estudos na Universidade de Coimbra, adiantou Patrícia Quaresma ao Jornal Tribuna de Macau. O curso decorre durante os meses de Verão, num total de 300 horas de formação, incluindo, além da parte da língua, a parte cultural

O Instituto Português do Oriente (IPOR), a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude e a Universidade de Coimbra (UC) assinaram um protocolo de cooperação para prosseguimento de estudos na UC. A directora do IPOR, Patrícia Quaresma, explicou ao Jornal Tribuna de Macau que o acordo “pretende preparar alunos de Macau para o acesso ao ensino superior” naquela universidade portuguesa.

“O que este protocolo vai permitir é que os alunos se inscrevam no programa de prosseguimento de estudos na Universidade de Coimbra, fazendo uma primeira parte de um curso de língua portuguesa no IPOR, em Macau”, acrescentou, indicando que serão cerca de 300 horas. O curso decorrerá durante os meses de Verão, depois de terminarem os exames.

O ideal, segundo esclareceu Patrícia Quaresma, é que os alunos consigam chegar ao nível A2 de proficiência. “Mas, se não conseguirem chegar a esse objectivo, pelo menos já têm uma base de língua portuguesa quando chegarem a Coimbra, à universidade, e entrarem no ano zero”.

A directora do IPOR disse ainda que as bases não são apenas de língua, mas também a nível de cultura. Por outro lado, será também dado apoio aos alunos na preparação para o mundo académico, “não só mostrando como é que funciona a cidade, como é que são os serviços, mostrando-lhes também como é que poderão, por exemplo, encontrar um quarto, como é que podem abrir uma conta, preparar a documentação toda para fazerem um visto”, exemplificou.

A divulgação do programa vai agora começar a ser feita, sendo que os alunos que pretendem ir estudar para a UC já poderão inscrever-se, dentro do conjunto de vagas reservadas para alunos internacionais que vão de Macau. No total, deverão ser cerca de 30 vagas.

“Há várias licenciaturas e mestrados que estão previstos, depois eles podem consultar e ver quais é que são os cursos que pretendem frequentar e candidatar-se. Claro que isto tem um processo também de avaliação da própria candidatura, onde também se tem em conta o exame unificado que fazem em Macau e a conclusão de estudos que fazem nas escolas secundárias”, sublinhou Patrícia Quaresma.

O protocolo foi assinado durante a recepção oficial do Governo da RAEM em Lisboa, no âmbito da visita do Chefe do Executivo. No total, foram firmados 18 acordos, envolvendo áreas tão diversas como saúde, cultura, assessoria jurídica, formação de talentos, entre outras.

DST com cooperações nas áreas do turismo e cultura

A Direcção dos Serviços de Turismo celebrou um memorando de entendimento para a cooperação em matéria de turismo com a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo e um protocolo de colaboração com a EGEAC Lisboa Cultura, com vista a “reforçar as ligações de Macau com Portugal e a Europa através do turismo e da cultura, para apoiar os esforços de diversificação das fontes de visitantes internacionais e solidificar o posicionamento de Macau como um centro mundial de turismo e lazer”. O primeiro tem por finalidade enquadrar e definir as formas de cooperação na promoção do turismo e na formação online para o sector, não excluindo outras formas de cooperação que possam vir a ser definidas no futuro. Em concreto, está prevista, por exemplo, a formação e desenvolvimento de competências técnicas, com a criação de cursos online, para “dar a conhecer aos profissionais locais os produtos turísticos acordados entre as partes, bem como capacitá-los para a sua promoção nos mercados de Portugal e da Europa”. Já o segundo prevê a promoção da cultura e tradições de Macau em Lisboa e a internacionalização das festas da capital portuguesa, nomeadamente a participação das Marchas Populares vencedoras em festividades de Macau. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 6 de março de 2026

Macau - Ler Camilo Pessanha, por António Carlos Cortez

Amanhã, 7 de março às 10h na Biblioteca Camilo Pessanha, no Instituto Português do Oriente, com moderação de Sara Augusto


A partir de Clepsydra (1920), procurar-se-á questionar o sentido de um título e de um símbolo, articulando esse título com um projecto de leitura da vida.

À luz da tese de Mallarmé, segundo o qual tudo o que nasce, nasce para ser livro, a questão central é saber até que ponto Camilo Pessanha não recusa essa tese num livro que põe em cena, nos textos, a diluição de uma voz. Veremos cinco poemas com a respectiva análise e comentário. Assim inaugurando um caminho de leitura. Instituto Português do Oriente – Macau

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Sobre António Carlos Cortez (Lisboa,1976)

Poeta, professor, crítico literário, ensaísta,

Publicou desde 1999 cerca de 15 livros de poesia.

É colaborador permanente do Jornal de Letras, onde assina a coluna "Palavra de poesia" e, actualmente, do Diário de Notícias.

Escreveu durante 10 anos para o jornal Público sobre Educação e Cultura.

Publicou Voltar a Ler - ensaios sobre poesia, cultura e educação (Gradiva, 2018) e, em 2021, Crítica Crónica - educação, cultura e política (Ed. Guerra & Paz).

É autor do romance Um Dia Lusíada (Caminho, 2022).

Prémios:

Grande Prémio de Poesia APE/ Maria Amália Vaz de Carvalho 2022, atribuído a Diamante (Dom Quixote, 2021)

Prémio Nacional Ruy Belo e

Prémio António Gedeão/FENPROF em 2021,

atribuído a Jaguar (Dom Quixote, 2019)

Grande Prémio APE/ Teixeira de Pascoaes em 2018, atribuído a A Dor Concreta (Tinta-da-China, 2016)

Prémio Sociedade Portuguesa de Autores em 2011, atribuído a

Depois de Dezembro (poesia)

No prelo:

Um Tempo De Sísifo: Os portugueses, A leitura,

A ditadura Digital ou o fim da democracia (Caminho)

Poesia:

Condor (D. Quixote)

Ficção:

Cenas Portuguesas (contos)

Publicou em 2025:

Condor (poesia, pela editorial Caminho)

O Fim da Educação - crítica, crise, ensino e utopia (editora guerra e paz)

Para ler Camões - ensaios sobre Camões o lírico, 35 poemas comentados (editora página a página)

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Instituto Português do Oriente | 東方葡萄牙學會

Rua Pedro Nolasco da Silva, n.º 45, 1º andar

R.A.E. Macau

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Macau - Livraria Portuguesa inaugura mostra de Alexandre Simões

A exposição “What are you doing the rest of your life?”, do fotógrafo Alexandre Simões, vai ser inaugurada amanhã, dia 05, na Livraria Portuguesa, ficando patente ao público até 26 de Fevereiro.


“A exposição reúne um conjunto de imagens da década de 90 até à actualidade do fotógrafo Alexandre Simões. (…) Há uma devoção à fotografia analógica como narrativa na permanência na conexão com as pessoas e a vida real, os seus encontros e intimidade, com a presença da música e do cinema”, refere Liliana Gonçalves, citada na página do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Aponta ainda que “a riqueza estética do seu trabalho atravessa o tempo autêntico que sobre(vive) e se retroalimenta no diálogo imagético permanente com o indelével e as suas camadas”. As fotografias de Alexandre Simões, acrescenta, “assumem a durabilidade do passado que se prolonga e amplia no presente, com narrativas de solidão, espectros da nostalgia, do amor e da ausência, do estilo de vida e as suas referências culturais, atravessados pela estética que assinala o seu desígnio. (…)”.

A inauguração da mostra de Alexandre Simões está agendada para as 18h00. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 9 de setembro de 2025

Macau - Pavilhão de Vila Franca de Xira na Bienal Internacional de Arte é inaugurado na sexta-feira

O Consulado Geral de Portugal em Macau vai apresentar novamente, em colaboração com o Instituto Português do Oriente (IPOR), um “Pavilhão de Cidade” na Bienal Internacional de Arte de Macau 2025. Desta vez, a cidade escolhida foi Vila Franca de Xira, que apresentará um conjunto de obras da colecção do Museu do Neo-Realismo, “uma instituição que, desde 2007, assume uma importância crescente na arte contemporânea portuguesa”, descreve o Consulado na nota de imprensa enviada ontem às redacções.


O Pavilhão da Cidade de Vila Franca de Xira será inaugurado na sexta-feira, às 18h30, na Galeria Tap Seac, com a presença do Embaixador de Portugal junto da República Popular da China e do presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. A exposição estará aberta ao público até ao dia 16 de Novembro.

Segundo o Consulado, esta exposição “estabelece um diálogo profundo sobre as urgentes questões sociais e políticas da actualidade, constituindo-se como uma pertinente reinvenção crítica do real, em sintonia com o tema da Bienal de Macau: ‘Olá, o que te traz aqui?'”. A curadoria, a cargo de David Santos e de José Maçãs de Carvalho, inspira-se num movimento artístico pós-minimalista surgido nas décadas de 1960-70, que radicalmente questionou o lugar da arte na sociedade, rejeitando a concepção formalista e autónoma da arte modernista e propondo, em alternativa, a compreensão da arte como instrumento de intervenção política.

“Inspirada no ‘pós-minimalismo progressista’ teorizado por Hal Foster, a exposição explora a capacidade que a arte tem de compreender e transformar a sociedade, e resulta num potente regresso ‘do’ e ‘ao’ real – uma reinvenção conceptual que exige do espectador uma consciencialização activa da sua própria responsabilidade na construção do significado artístico”, lê-se no comunicado.

A exposição convida, assim, a uma “reflexão crítica sobre os regimes discursivos, num mundo saturado de imagens, propondo uma nova atitude conceptual para compreender as complexas relações entre o processo criativo, a imagem e a linguagem”. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 8 de julho de 2025

Macau – Companhia portuguesa de teatro traz “Júlio César” e oficinas de teatro à Região

Entre 20 e 23 de Setembro, a companhia de teatro do Chapitô vem a Macau apresentar mais do que uma experiência teatral. Para além da dramatização da peça “Júlio César”, o grupo vai realizar oficinas de teatro físico e visual onde os participantes poderão aprender técnicas de improviso, criação de personagens e comunicação não-verbal, mais centradas na intuição do que no guião


O grupo de teatro português Companhia do Chapitô vai apresentar em Macau a peça “Júlio César” no dia 20 de Setembro, às 20:00, no Centro Cultural de Macau. Nos dias seguintes, entre 21 e 23 de Setembro, o mesmo grupo coordenará uma série de oficinas de teatro físico e visual na Casa Garden, destinadas a participantes com ou sem experiência no teatro.

A iniciativa conta com o apoio da Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP), que reafirmou ontem em comunicado de imprensa o seu “compromisso” com a “promoção da língua e cultura portuguesas” em Macau, ao proporcionar, mais uma vez, um palco para o “diálogo intercultural e o desenvolvimento artístico na região”.

O espectáculo “Júlio César” é o primeiro ponto na programação do grupo artístico, com estreia prevista para 20 de Setembro, às 20:00, na Black Box I do Centro Cultural de Macau. Trata-se da 39.ª criação colectiva da companhia portuguesa, seguindo o tom mordaz, satírico e socialmente consciente, no limbo entre ficção e realidade, que caracteriza a maioria das peças anteriores. Na página do Chapitô, pode ler-se que o espectáculo se situa algures “entre a reconstituição histórica, o documentário e a paródia”, tomando como inspiração a vida de Júlio César como narrada “pelos grandes contadores de histórias, desde Plutarco a Shakespeare”.

“Se era ele um tirano que merecia morrer ou um herói brutalmente assassinado por conspiradores, venha o Diabo e escolha. Aqui não há heróis nem vilões, há circunstâncias e gente ardilosa que faz pela vida. Também há gente menos ardilosa que faz o que lhes mandam. E gente virtuosa que faz o que tem de ser feito. Arrasamos todos por igual”, contextualiza o grupo de teatro. A Somos – ACLP prossegue: “Fiéis ao seu estilo de teatro físico, os actores utilizam o corpo, o movimento e a gestualidade para criar personagens e transmitir emoções de forma universal, permitindo uma experiência acessível a diferentes públicos”.

A peça será apresentada em português e legendada em chinês, com duração aproximada de 90 minutos. No final da experiência, haverá “sessões de conversa e debate” entre os artistas e a audiência, de forma a promover “o intercâmbio cultural directo” e a “troca de ideias e reflexões”. Os bilhetes têm o valor de 200 patacas e já se encontram disponíveis na bilheteira ‘online’ Macauticket.

Por sua vez, as oficinas de teatro decorrerão nos dias 21, 22 e 23 de Setembro, no anfiteatro da Casa Garden da Fundação Oriente, com a lotação máxima de 20 participantes. As sessões serão conduzidas em inglês pelos formadores Jorge Cruz, Pedro Diogo e Susana Nunes, sendo ainda disponibilizada a tradução para chinês. As inscrições podem ser feitas na página da Somos – ACLP, onde é possível usufruir de um desconto de 10% até ao final de Julho.

Nestas sessões, tanto actores como amadores terão a oportunidade de “explorar as possibilidades de interacção e fusão entre diferentes formas de expressão artística”, ao aprender a construir narrativas e personagens “de maneira física e visual” que extrapolam o “texto falado” que consta dos guiões. Pretende-se, com estas estratégias, reforçar a ideia do teatro como algo físico, improvisado e cimentado em “técnicas de caracterização, uso do espaço e desenvolvimento de arquétipos e perfis psicológicos” – conceitos bem assentes nas metodologias e na visão artística do grupo português.

A Companhia do Chapitô foi fundada em 1996, contando já com quase 40 criações originais apresentadas em Portugal e pelo mundo fora e inúmeros prémios e distinções. A apresentação desta mais recente peça, “Júlio César”, tem o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento da Cultura do Governo da RAEM e o apoio do Instituto Português do Oriente (IPOR) e da Fundação Oriente em Macau. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 16 de junho de 2025

Macau - Livro e fotografias assinalam cinco séculos de Camões

O Instituto Português do Oriente vai apresentar a obra “O Vasto Império do Coração”, no Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, na quarta-feira. A apresentação do livro de Sara Augusto será acompanhada de uma exposição fotográfica, na Chancelaria


O livro “O Vasto Império do Coração”, de Sara Augusto, vai ser apresentado no Auditório Dr. Stanley Ho do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, pelas 18h30 da próxima quarta-feira, dia 18 de Junho. Ao mesmo tempo, será inaugurada uma exposição fotográfica, na Chancelaria do Consulado, para acompanhar e amplificar a publicação.

A obra antológica, que resultou de um estudo da autora, trata “da visitação de Camões na literatura de Macau em língua portuguesa”, segundo um comunicado do Instituto Português do Oriente (IPOR). Para o livro, Sara Augusto reuniu “registos de textos literários, em prosa e poesia, de escritores portugueses que passaram por Macau, de outros que viveram ou vivem no território” e que revelam “os laços que unem estas vozes em torno da figura de Camões”.

Em paralelo, a exposição convida a um “olhar poético” sobre o Jardim e a Gruta de Camões, “local emblemático onde um pequeno busto do poeta se tornou ponto de peregrinação literária” e um espaço “mítico e profundamente humano”. A mostra “de sombras, gestos quotidianos, danças, tabuleiros de jogos, risos e silêncios” poderá ser visitada entre 19 e 30 de Junho, das 9h30 às 18h00.

Organizada pelo IPOR, com o apoio do Consulado e da Estrutura de Missão das Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, a iniciativa “celebra não apenas o poder da palavra, mas também o da imaginação e do tempo”. Para o instituto, “a exposição e a antologia destacam como Camões continua a inspirar gerações, transcendendo fronteiras e eras”.

O evento serve para assinalar o quinto centenário do poeta, “expoente maior da Literatura Portuguesa e símbolo da vocação universalista da língua e da cultura Portuguesas”, pode ler-se no comunicado. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

 


terça-feira, 22 de abril de 2025

Macau - “Há agora uma renovação da língua portuguesa”

Depois de um período menos favorável durante a pandemia, há agora um novo fôlego para a língua portuguesa em Macau, diz Joaquim Coelho Ramos. Em entrevista ao Ponto Final, o vogal do Conselho Directivo do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, que foi também director do Instituto Português do Oriente no território, afirma ainda que, na China Continental, continua a manter-se o crescimento do interesse pelo português, notando-se uma procura significativa pela aprendizagem da língua para fins específicos



Em que ponto é que se encontra o português na China Continental?

Joaquim Coelho Ramos - Tanto quanto me é dado perceber, a língua portuguesa continua em ascensão na China, em várias vertentes, quer na língua portuguesa enquanto dimensão filológica (nas áreas de estudo científico, estudos de linguística, de literatura), mas também para fins específicos, ou seja, há uma procura de português económico, para fins de investimento, português jurídico e português mais institucional. Em todas as suas dimensões, o português continua em crescimento e a procura também.

Nestes últimos anos, a estratégia do Camões tem também mudado para captar mais alunos de português?

JCR - Temos feito um investimento sistemático, ao nível da Ásia, no sentido de promover o desenvolvimento da língua portuguesa. Isso tem sido notado, quer através de presenças de elementos daqui do Conselho Directivo naquela região (na China, no Vietname, na Malásia e por aí fora), quer através do incentivo das presenças, que já existem no Instituto Camões na China, sobretudo na China Continental, para o desenvolvimento de novas actividades, nomeadamente no português para fins específicos. Aí trabalhamos com os leitores junto de universidades chinesas e também com os docentes que estão colocados, sobretudo no interior da China, ao abrigo de protocolos com as instituições de ensino superior.

No caso específico de Macau, fala-se, nestes últimos anos, de alguma instabilidade, no que diz respeito ao português. Diria que a língua está a perder força no território?

JCR - A indicação que temos é que, depois de uma fase menos boa, que coincidiu ali com a pandemia, que é natural, porque teve a ver com situações que ninguém podia controlar, há agora uma renovação da língua portuguesa em Macau. O Instituto Camões, em Macau, trabalha via Instituto Português do Oriente — o Instituto Camões é associado maioritário do IPOR — e partilhamos os interesses e as estratégias com o IPOR no trabalho em Macau. As informações que temos são de uma recuperação do português com algumas alterações de caracterização dos alunos, o que levou também a uma alteração da caracterização das próprias estratégias de ensino, mas, em geral, volta a crescer o interesse pelo português. Isso também se verifica quando olhamos para aquela que é a oferta transversal do português em Macau. Pelo que me é dado a entender, as universidades em Macau continuam a ter uma procura interessante para o português. Olhando para o panorama no geral, o indicador que temos é que o interesse pelo português permanece, está sólido e cresce em áreas diferentes, com uma procura significativa pelo português para fins específicos.

Falou de uma alteração dos alunos e de estratégia. Que mudanças foram essas?

JCR - Há aqui uma dimensão mais pragmática da procura da língua como instrumento de concretização de projectos (até pessoais) económicos, de empreendedorismo, de internacionalização de ideias, que se verificam em várias áreas. Estive, recentemente, em Macau e falei com algumas pessoas que estão a aprender português há algum tempo, que me diziam que queriam internacionalizar projectos que tinham ao nível das artes. Queriam explorar mercados nos países de língua portuguesa e, porque eram artistas, tinham esse interesse em conhecer melhor e em externalizar aquilo que produzem. Há aqui uma dimensão mais pragmática, que já não é só (embora essa permaneça com uma capacidade de atracção muito forte) olharem para a língua como uma dimensão puramente comunicativa ou uma dimensão filológica para se perceber aquilo que as pessoas falam e que dizem de uma maneira menos científica, como a engenharia da língua — como ela se constrói, como ela surge, como ela se manipula, como ela se utiliza. Mas, de facto, estamos a ver aqui um crescimento do português nesta dimensão pragmática, muito utilitária, sobretudo no português para negócios.

Há parcerias que têm sido feitas entre o Camões e universidades em Macau?

JCR - Em Macau especificamente não, mas, no interior da China, sim. Temos vindo a trabalhar, sempre que as universidades pedem apoio — e esse apoio pode ser ao nível bibliográfico ou ao nível da formação de professores. Uma coisa recente que temos observado é um aumento dos projectos de difusão científica, como a organização de congressos ou colóquios. As universidades têm trabalhado muito na consolidação daquilo que é a sua oferta e nota-se também que as pessoas formadas nessas universidades têm um currículo e conhecimentos cada vez mais aprofundados e sólidos.

Tem sido difícil encontrar professores para dar aulas em Macau e na China Continental?

JCR - Há dificuldades. Temos de ver isto segundo duas linhas de intervenção: a linha local, em que as universidades procuram, no próprio contexto, professores qualificados para leccionar, e isso eu não conheço bem o mercado para lhe dar uma resposta concreta, mas percebo que há gente formada e com uma formação sólida para preencher estes lugares. Da nossa parte, há uma dificuldade em enviar professores de português, especialmente portugueses, desde logo, porque, mesmo em Portugal, é difícil encontrar professores de português. Nós temos poucos professores, mesmo para responder às escolas em Portugal, e esta dificuldade é transversal para a colocação de professores externamente. Isto tem várias causas que vão desde a capacidade de atracção para este tipo de profissões até à própria realidade demográfica. Não há uma só razão, há um sistema de razões que vem aqui criar alguns obstáculos, mas, de facto, o esforço de tentar corresponder àquilo que são os pedidos que nos são feitos é permanente, mas depois depende um pouco da mobilização concreta que conseguimos fazer nestes recursos que são, ao fim e ao cabo, mão de obra altamente qualificada.

A China, enquanto país, é parceira nesta promoção da língua portuguesa?

JCR - Não fazemos nada na China sem a devida articulação com as autoridades locais, a vários níveis — desde logo, as autoridades académicas. Há uma articulação, como não podia deixar de ser, com as instituições locais, quer as que representam o Estado português lá, quer por esta via, muitas vezes até por via diplomática, com as próprias instituições chinesas. Esta articulação é permanente. Aliás, é isso que mandam as boas práticas das relações internacionais, não podia ser de outra maneira. Depois, a outro nível, mais micro, se quiser, a colaboração com as universidades em si é feita de modo ainda mais próximo, ou seja, conhecendo aquilo que são os pedidos ou os requisitos específicos de cada universidade, e é preciso termos em consideração que há quase seis dezenas de universidades chinesas ou de instituições de ensino superior chinesas a ensinar o português na China e cada uma tem as suas necessidades, os seus objectivos, as suas estratégias. É conhecendo essas linhas de intervenção concretas que nós depois vemos de que forma é que podemos colaborar. E isso exige uma articulação muito próxima, uma cumplicidade académica que permite ir ao encontro do que são os desejos das partes.

Essa parceria também se aplica a Macau, com o Governo local?

JCR - Penso que sim, embora essa via é mais operacionalizada através do Instituto Português do Oriente, mas nós, como associado maioritário, temos esse feedback constante. Há uma procura de consolidação de uma relação que já é muito forte com o Governo e com as autoridades da RAEM, e isso depois também traz os resultados que temos vindo a verificar — mais gente formada em português, mais gente com ideias e projectos de aplicação da língua portuguesa quer localmente, quer internacionalmente. Estive em Macau, há relativamente pouco tempo, e falei com muitos estudantes e ex-estudantes. Tive a oportunidade de encontrar muitos em várias ocasiões e ouvi, com muito agrado, que muitos estudantes que vêm do interior da China para estudar em Macau regressam depois ao interior da China para trabalhar com a língua portuguesa. Por exemplo, na área ali das dinâmicas da Grande Baía. Muitos deles com empresas muito consolidadas que pretendem agora internacionalizar, quer a sua produção, quer a exportação de produtos em países de língua portuguesa. Foi com grande alegria e interesse profissional que ouvi esses testemunhos. A língua portuguesa está a provar ser um caminho de internacionalização. As relações com Macau são muito sólidas, quer directamente através do Camões, quer por via do IPOR, e penso que há aqui uma correspondência de interesses e estratégias em que procuramos manter esta grande proximidade e capacidade de resposta junto das instituições de Macau.

Ainda há alunos em Macau que estão a aprender a língua para poder trabalhar no território?

JCR - Vê-se muita gente que procura aprender português para o aplicar depois na administração pública de Macau. Aí, o IPOR tem um papel fundamental a vários níveis da administração pública de Macau. Isso também continua a ser um mecanismo de atracção para as pessoas que aprendem português. Eu diria que esta transversalidade da língua portuguesa está a provar ser uma mais-valia em todas as dimensões do mercado — na dimensão económica, quer a nível interno, quer a nível de internacionalização, na busca de novos mercados, quer a nível da administração pública, das relações internacionais, na área jurídica. Há aqui um reforço da transversalidade da língua portuguesa em Macau e isso não tem de ser dito por nós, é dito pelos dados que nos chegam regularmente.

Mudou a presidência do Camões e com isso há também uma mudança de estratégia do Camões?

JCR - Sem dúvida. A linha que estamos aqui a tentar trilhar tem a ver com a presença do português numa plataforma muito sólida, que é Macau, e o interesse que se verifica pela língua portuguesa na Ásia em geral. O que nós temos aqui é dois elementos fundamentais que, quando conjugados, permitem um crescimento exponencial destes objectivos de promoção internacional da língua, ou seja, aproveitar a plataforma rotativa que é Macau, a capacidade que Macau tem de atrair várias nacionalidades para dentro de si e depois a capacidade de utilizar estes recursos formados em Macau para reforçar a oferta à procura que há neste grande bloco regional que é a Ásia, e que é uma área de intervenção prioritária para nós. Procuramos fazer, a partir de Macau, um investimento na formação de professores. Quer Macau, enquanto parte da República Popular da China, tem um papel absolutamente fundamental, desde logo o papel pivô de distribuição de conhecimento e, depois, de sustentação histórica daquilo que é a língua portuguesa ali. A nossa intenção é reforçar o apoio, a articulação do ensino da língua portuguesa com as instituições de Macau e a partir daí procurar dar um apoio complementar em países da região. Lembro-me de Timor-Leste, da Malásia, do Vietname, onde o crescimento da língua portuguesa, muitas vezes alicerçado no interesse pragmático, empresarial, investimento da língua enquanto veículo para outras áreas que têm interesse para o Governo do Vietname, esse crescimento tem sido também muito sólido. Mas eu gostava de deixar claro que esta visão mais pragmática, mais instrumental da língua portuguesa, não é o único caminho que tem sido reforçado na Ásia. Aquela dimensão mais filológica, científica, aquela dimensão que permite estudar a língua, para conhecer a língua, são também áreas que têm tido um crescimento muito significativo. As pessoas têm um genuíno e crescente interesse pela língua portuguesa, nas suas mais diversas dimensões, e nelas também se integra esta dimensão do prazer do conhecimento da língua, da língua como veículo para conhecer o outro.

Esta estratégia passa também por encontrar alternativas à falta de professores, por exemplo?

JCR - Nós contamos muito com esta dimensão de formação de professores localmente para nos ajudar à promoção da língua portuguesa. Este investimento na formação de professores na região tem a ver com a construção de capacidade instalada. O que se pretende é formar pessoas localmente para que essas pessoas depois possam ajudar neste trabalho de implementação da língua portuguesa a partir daquilo que são as suas próprias culturas, as suas próprias vivências geoculturalmente relacionadas. Não só a formação de professores na China, em Macau no contexto da RPC é algo muito importante, como é algo que temos de acarinhar, porque as pessoas formadas que são daquela região carregam consigo toda uma dimensão emocional e cultural que as coloca logo um passo à frente quando chega a altura de partilhar esse conhecimento numa região que é a sua. Luciana Leitão – Portugal in “Ponto Final”


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Macau - O passado, presente e futuro da língua portuguesa

Língua oficial da RAEM a par com o chinês, o português, e mais concretamente a sua utilização no território, tem tido altos e baixos, sendo difícil traçar uma evolução linear. Certo é que hoje ensina-se mais língua portuguesa do que antigamente, e a ideia geral é de que, no ensino, o Governo tem desempenhado o seu papel de preservação do português. Porém, no dia-a-dia há ainda “dificuldades”, sobretudo no acesso a determinados serviços. O uso da língua deveria ser reforçado, por exemplo, em áreas como o Direito e Saúde, consideram as figuras ouvidas pelo Jornal Tribuna de Macau. Quanto ao futuro, há esperanças de que seja dada maior atenção à Língua de Camões



O ensino da língua portuguesa na RAEM “tem tido uma boa evolução” nos últimos 25 anos – desde logo pelo número de escolas que hoje ensinam o português e pelo número de alunos que vem frequentando cursos, quer sejam de ensino superior ou não. Contudo, “o efeito ainda se sente muito pouco” na vida quotidiana. Apesar disso, a ideia geral é de que o Governo tem desempenhado o seu papel de preservação do português, ainda que haja quem considere que podia ser feito mais.

Vincando que em algumas áreas, como a do ensino, “tem havido um trabalho proactivo do Governo da RAEM”, a presidente do Instituto Português do Oriente (IPOR), Patrícia Ribeiro, observa que, “no que respeita à língua portuguesa como veículo de comunicação entre pessoas e organizações, temos vindo a registar um decréscimo que pode estar relacionado com o diminuir da comunidade portuguesa e o aumento do número de cidadãos de outras nacionalidades não falantes da língua”.

Patrícia Ribeiro dá conta de que “cada vez mais escolas do ensino não superior – este ano mais quatro – incluem a língua portuguesa nos seus currículos” e, quanto à formação contínua de funcionários públicos, “registou-se uma maior diversificação das áreas específicas de aprendizagem, envolvendo outros sectores de actividade”. Além disso, “para a população em geral verificou-se um crescente dinamismo, com o Governo da RAEM a promover projectos para incentivo à população no envolvimento em actividades [culturais e lúdicas] em língua portuguesa”.

Dados oficiais cedidos pelo IPOR revelam que, no ano passado, a instituição contou com perto de 3800 formandos, contra cerca de 700 em 1999/2000. Entre 2012 e o ano passado, a média foi de cerca de 4200 alunos por ano.

“Noutras esferas, no entanto, existe um declínio do uso da língua como veículo de comunicação por parte de algumas entidades governamentais que até recentemente procuravam redigir documentação usando as duas línguas oficiais da RAEM”, nota a presidente do IPOR, acrescentando: “Pese embora nem todas as áreas de actuação mostrem o mesmo empenho na preservação da língua, no cômputo geral o Governo da RAEM tem cumprido o seu papel”.

Também a presidente da Casa de Portugal – que há mais de 15 anos premeia anualmente os melhores alunos em Português – refere que “nunca se ensinou tanto Português como actualmente”, segundo os dados que lhe vão chegando. “Depois na vida do dia-a-dia, o resultado disso acho que ainda se sente muito pouco. Quando se vai a um serviço ou quando se interage com alguma entidade, há uma grande dificuldade”, acrescenta Amélia António, dizendo ter a sensação de que as pessoas sabem um bocadinho de português, mas “têm ainda receio” de falar.

“Penso que poderia ser feito um pouco mais [por parte do Governo], porque este esforço do ensino não é suficiente. Se se fizesse um esforço um bocadinho maior por garantir o uso da língua nos serviços, se isso até fosse um factor de valorização dos trabalhadores, eventualmente viam-se mais resultados”, defende Amélia António. Na sua perspectiva, poderá haver duas razões para um “certo retraimento” de alguns funcionários em falar português: “Uma é a falta de confiança no conhecimento e, portanto, há algum receio de falar mal; outro é o receio de serem olhados de forma diferente, ou seja, em vez de serem valorizados serem olhados de forma crítica”.

Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), que detém o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, começou por dizer que “não há uma evolução linear do tratamento da língua ao longo dos anos”, acrescentando que “há muitas vertentes”.

Recordando que no princípio da RAEM havia magistrados que se “recusavam fazer traduções para Português porque o Chinês era língua oficial”, o também vice-presidente da Fundação Escola Portuguesa de Macau (FEPM) refere que “houve um primeiro momento de alguma dúvida sobre o estatuto da língua portuguesa”. “Mas, mais tarde, reafirmou-se que era língua oficial e devia ser respeitada como tal”, prosseguiu.

A evolução da língua portuguesa “teve muito a ver com o ressurgir do interesse pela aprendizagem da língua”, considera o líder associativo, acrescentando que desde o mandato do primeiro Chefe do Executivo, Edmund Ho, se tem reiterado a importância da presença portuguesa em Macau. “Na prática, isso veio fomentar também a defesa da própria língua”, disse. De uma coisa Miguel de Senna Fernandes está certo: “Hoje em dia, há mais gente que, não falando português, está a aprender a língua, do que durante a Administração portuguesa”.

“A RAEM em várias instâncias, vários momentos, vários contextos, valorizou sempre a língua portuguesa, e o ensino da língua. Acho que o Governo tem cumprido o seu papel”, defendeu Senna Fernandes.

Chegado ao território em 2022 para assumir a direcção do Departamento de Português da Universidade de Macau (UM), João Veloso considera que “para qualquer linguista, Macau é um lugar de júbilo, devido à convivência entre um número tão elevado e tão diversificado de línguas num espaço geográfico tão pequeno, mas culturalmente e socialmente tão diverso”. “A evolução do português neste território tão especial resulta da interacção da língua e dos seus falantes dentro de um xadrez linguístico e cultural muito rico em que o português é uma peça que se move em várias direcções num equilíbrio dinâmico”, descreveu.

João Veloso aponta que é “inegável” que o espaço social de circulação do português como língua de interacção quotidiana é hoje menor, “por razões óbvias”. “Mas, os cenários em que actualmente o português se entrecruza com outras línguas nas escolas, na administração pública, nos negócios, na criação cultural e artística, no turismo, na justiça, na economia, extravasando os limites mais tradicionais da comunidade macaense e da comunidade portuguesa, é uma prova de vida desta língua”, observou.

Em linha com o que disseram Patrícia Ribeiro, Amélia António e Miguel de Senna Fernandes, também o docente destaca que, “mesmo que o número de falantes nativos da língua seja hoje mais baixo do que no passado, o aumento estável do número de pessoas que estudam português num número muito grande de instituições é a melhor demonstração da importância do português em Macau”.

O Departamento que dirige oferece cinco cursos próprios em português – uma licenciatura, dois mestrados e dois doutoramentos -, assegurando ainda o ensino da língua aos alunos de Direito, além de disponibilizar duas disciplinas opcionais de língua portuguesa que podem ser frequentadas por qualquer aluno de qualquer curso. Somando todos os alunos que, por qualquer uma destas vias, acedem ao ensino da língua, só na UM contam-se cerca de 1200 alunos por ano, tendo em conta os dados de 2023. Isto sem contar com “algumas centenas” de alunos que frequentam o Curso de Verão e com os cursos intensivos destinados a diferentes públicos, por exemplo para o Corpo de Polícia de Segurança Pública, Bombeiros e pessoal especializado da Administração Pública.

“Se hoje o português continua a ter uma presença forte em Macau – e só por má vontade podemos negar uma evidência como esta -, isso deve-se em grande parte ao facto de o Governo nunca ter abdicado das suas obrigações relativamente à preservação da língua em Macau e continuar a assumir um papel de liderança objectiva na preservação da língua na RAEM”, acrescentou João Veloso.



Saúde e Direito requerem reforço do uso da língua

Miguel de Senna Fernandes, contudo, alerta que “o sentido do uso da língua é muito afectado pela diminuição da comunidade portuguesa”. “Porque uma língua não é só aprender a gramática e tudo mais, é preciso utilizá-la”, frisou. Reconhecendo que é “difícil” fazer a preservação da língua num território onde a cultura chinesa é dominante, o vice-presidente da FEPM vinca que “não chega” fazer cumprir a utilização das duas línguas oficiais em tudo o que seja oficial.

Questionado sobre quais as áreas em que seria importante reforçar o uso do português, o representante da comunidade macaense foi peremptório: Direito e Medicina.

Opinião idêntica tem Amélia António. A advogada vinca que “é muito importante” fortalecer o uso da língua nos serviços públicos, “porque há muita gente que não domina a língua chinesa e que, portanto, tem necessidade de recorrer ao português para tratar de seus assuntos”. “Nos hospitais é imprescindível, porque (…) é uma área onde as pessoas estão particularmente frágeis, onde sentem mais receio, onde têm a necessidade de saber que são entendidas e de entender o que se lhes diz. Portanto, eu acho que os hospitais é um sítio muito importante onde faz muita falta o reforço da língua”, disse.

Na mesma linha, Patrícia Ribeiro refere que há “sectores-chave” da administração onde se deveria intensificar o uso do Português, “como na saúde, nas forças de segurança, na área jurídica, nos serviços de migração ou de identificação”. Na sua visão, esse reforço pode ser “muito facilmente implementado, pois todos os anos, entre outras medidas, o Governo promove um conjunto de cursos, nomeadamente com o apoio do IPOR no âmbito de um protocolo de colaboração, para incentivar a formação contínua em Língua Portuguesa junto dos funcionários públicos”.

A dirigente do IPOR recorre aos números para ilustrar: tendo em conta os últimos seis anos, foram formados, em média, cerca de 800 profissionais por ano. “Podemos assim concluir que, considerando estes números e as várias áreas em que o ensino de língua portuguesa é ministrado, existem mais falantes do que a percepção que existe nos dá a entender”, acrescenta.

João Veloso, por sua vez, acredita que seria importante intensificar o uso da Língua de Camões em actividades culturais, nomeadamente as destinadas a um público mais jovem e mais distante do “mainstream”. O director do Departamento de Português da UM explicou depois que costuma frequentar as sessões da Cinemateca Paixão: “Tirando as sessões inseridas em ciclos dedicados à produção cinematográfica em língua portuguesa, o português tem sido, por regra, um grande ausente. Pelo menos, esta é a impressão que eu tenho: os filmes não são legendados em português, os materiais promocionais em português são escassos ou nulos, nos debates o português nunca é utilizado”, apontou.

O docente apontou também que há alguns pequenos bares, estúdios, livrarias alternativas, que têm uma agenda cultural “muito activa e muito interessante”, mas onde a presença da língua portuguesa “é muito pouco expressiva”. “Tenho a certeza absoluta de que se houvesse algumas actividades programadas que promovessem o uso do português, essas iniciativas teriam um grande sucesso e contribuiriam para alargar significativamente o espaço social da língua portuguesa em Macau”, acrescentou.

Esperança no futuro

Sempre optimista, a presidente da Casa de Portugal diz ter “alguma esperança em termos de futuro”. “Porque penso que este ensino, de uma forma tão vasta, acaba por dar algum fruto”, acrescenta. “E outra coisa que eu penso que também cria esperanças é perceber que há muitos pais que não dominam o português e que fazem um grande esforço para que os filhos, paralelamente à aprendizagem do chinês e do inglês, aprendam português”, observou Amélia António. “Há nitidamente uma preocupação nos pais mais jovens de que os filhos tenham um conhecimento linguístico mais alargado. Isso também é bom”, reiterou.

A Casa de Portugal tem vindo a premiar os melhores alunos em língua portuguesa, um prémio “simbólico”, de 3000 patacas, que normalmente é entregue a seis estudantes do ensino não superior e superior. A indicação dos alunos – um de língua materna portuguesa e outro de língua materna chinesa – é feita pela Escola Portuguesa e pelos Serviços de Educação. “É um prémio pequenino, mas é um estímulo para aqueles que se esforçam e acaba também por ser um estímulo para os outros colegas”, vincou a líder associativa, apontando que a Casa gostaria de premiar mais estudantes, mas é impossível em termos financeiros.

Na sua visão, “se o que Pequim anuncia como missão de Macau continuar a ser defendida, forçosamente terá de ser dado espaço para o fortalecimento do português, que, assim, provavelmente se poderá manter depois de 2049”. A também advogada frisou que “há muitos factores” a ter em conta e lembrou que a língua também tem uma grande ligação ao sistema jurídico. De qualquer das formas, sublinhou: “Penso que há todo o interesse [em manter o português], porque é cada vez uma das línguas mais faladas no mundo e acho que é uma mais-valia para a China ter uma área do seu país capaz de corresponder a essa realidade”.

Disso mesmo dá também conta João Veloso. “Há uma série de estatísticas prospectivas fiáveis que dão o crescimento do português a nível mundial como um cenário praticamente certo. Se ainda houver mundo daqui a 20 ou 30 anos, as previsões dizem que o português será então uma língua com uma presença muito mais forte a nível global. Tendo em atenção esse dado e a importância que a China concede à memória e aos laços construídos durante séculos, nada faz prever que o português corra sério risco de extinção em Macau”, sublinhou.

O docente não tem “qualquer dúvida” de que a língua, enquanto objecto de estudo, marca identitária cultural, memória histórica se manterá. “Mesmo que, subindo a Rua do Campo, não ouçamos falar português com a frequência de outros tempos, em cada dia que passa em Macau há milhares de alunos que têm aulas de português ou em português, há documentos a serem impressos em língua Portuguesa, e as escolas e universidades, assim como instituições como o IPOR, têm um papel fundamental nesse uso diário que é vital – que é imprescindível – para a continuação do português e da sua importância neste canto do mundo”, prosseguiu.

Patrícia Ribeiro, por seu turno, frisa que, até 19 de Dezembro de 2049, a certeza que há é a de que “a língua portuguesa continuará a ser uma das línguas oficiais”. “Depois dessa data, a esperança é que a língua portuguesa permaneça de alguma forma em Macau, mais que não seja pelo seu valor histórico”, vincou. Até lá, garantiu, o IPOR “tudo fará para manter a sua intensa e significativa actividade, procurando assim preservar a presença portuguesa na RAEM, fomentar as relações de cooperação”.

Miguel de Senna Fernandes lamenta que o português “continue a ser encarado como uma língua estrangeira”, apesar de ter “mais estatuto” que as restantes, por ser língua oficial na RAEM. Mas, olhando para o futuro, diz-se também esperançado. E até quanto a um futuro mais próximo. “Há uma esperança. E agora é mesmo esperar para ver. O que é que novo Chefe do Executivo vai fazer? A comunidade portuguesa tem muita esperança de que haja um novo tratamento da língua portuguesa levado a cabo pelo novo líder da RAEM”, apontou. Sam Hou Fai, antigo presidente do Tribunal de Última Instância, vai tomar posse dia 20 de Dezembro. É o primeiro Chefe do Executivo que não nasceu em Macau e o primeiro também que sabe português.

Quanto ao período pós-2049, Senna Fernandes disse apenas que “quando as coisas são úteis, não se destroem”. “Depende muito da utilidade que o próprio português terá. Mas estou certo que sim”, concluiu. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”