Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Macau e Malásia têm “enorme potencial” para aprofundar cooperação bilateral

O Chefe do Executivo da RAEM iniciou em Kuala Lumpur a última etapa do périplo pelo Sudeste Asiático, tendo-se reunido com representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio da Malásia. Sam Hou Fai apontou a Malásia como um dos parceiros comerciais mais importantes de Macau na ASEAN


No primeiro dia da sua visita oficial a Kuala Lumpur, Sam Hou Fai reuniu-se ontem com Low Kian Chuan, membro do Senado malaio e presidente do conselho empresarial Malásia-China e vários representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio naquele país. No encontro, foram trocadas impressões sobre o reforço contínuo da cooperação económica e comercial entre Macau e a Malásia.

Na ocasião, Sam Hou Fai salientou que a deslocação do Presidente Xi Jinping à Malásia no ano passado abriu um novo capítulo de “período dourado de 50 anos” para as relações sino-malaias e novas oportunidades de cooperação entre Macau e aquele país do Sudeste Asiático. O Chefe do Executivo referiu que a Malásia é um dos parceiros comerciais mais importantes da RAEM na região da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), e a cooperação entre as duas partes tem sido aprofundada nos domínios da economia, comércio, indústria de convenções e exposições e turismo ao longo dos anos.

Recordou que o território está actualmente empenhado em implementar a estratégia “1+4” para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, desenvolvendo as indústrias de turismo e cultura, medicina tradicional chinesa, actividades financeiras com características próprias de Macau e tecnologia de ponta, “o que se coaduna perfeitamente com a orientação de desenvolvimento da Malásia, existindo um forte potencial para aprofundar a cooperação bilateral”.

De acordo com uma nota oficial, Sam Hou Fai frisou que a inclusão na sua comitiva de um grupo empresarial, composta por representantes de empresas de Macau, Hengqin e do Interior da China, permitirá explorar oportunidades de negócio sob o lema de “Partilhar um barco para navegar em conjunto”. Estas empresas englobam vários domínios, entre os quais economia e comércio, tecnologia, medicina tradicional chinesa, cultura e turismo, bem como indústria halal.

O líder da RAEM espera que possam ser criadas, através de sessões de promoção, bolsas de contacto e assinatura de acordos de cooperação, que resultará “numa ponte de ligação”, a fim de aumentar as oportunidades de cooperação e alcançar benefícios mútuos. Em particular, expressou o desejo de que os representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio na Malásia “potenciem as próprias vantagens e aproveitem as oportunidades decorrentes da integração entre Macau e Hengqin e do aprofundamento contínuo da cooperação entre Macau e a Malásia”.

Por seu turno, o presidente do conselho empresarial Malásia-China sublinhou que as duas partes mantêm contactos frequentes e laços estreitos, indicando ainda que Macau possui uma “plataforma internacional madura” para convenções e exposições, uma rede global de empresários chineses bem como desempenha o papel de “interlocutor de precisão” entre a China e os países de língua portuguesa e é parte importante da Grande Baía. Além disso, Low Kian Chuan disse que o reforço da cooperação económica e comercial entre as empresas malaias e as de Macau e de Hengqin contribui para “expandir de forma eficaz os seus mercados para a Grande Baía e para os países de expressão portuguesa e espanhola.

Na sua perspectiva, a comunidade dos chineses ultramarinos em Macau possui uma base sólida e desempenha um “papel importante na sociedade”. Nesse sentido, pode ajudar os chineses ultramarinos a investir e estabelecer-se em Macau e em Hengqin, e ainda funcionar como “uma ponte ideal para estabelecer ligações e promover a cooperação entre as diferentes partes”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Macau - Mercado português de visitantes foi o que mais cresceu em 2025

A RAEM registou em 2025 um acréscimo de cerca de 14% nos visitantes internacionais, incluindo mais de 14.300 oriundos de Portugal, mercado que teve o maior crescimento anual, ao subir 43,5%. No entanto, a China Continental aumentou o seu peso nas entradas de visitantes, passando a representar 72,4% do total


Os esforços de diversificação dos visitantes em Macau produziram alguns resultados em 2025, com os mercados internacionais a registarem uma subida de 13,7% em termos anuais. Segundo os dados actualizados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), Macau recebeu 2.755.474 visitantes internacionais, o que corresponde a 6,88% do total, uma percentagem que, todavia, ficou aquém dos 6,93% do ano anterior, devido ao crescimento acima da média do mercado da China Continental.

Portugal foi responsável pelo maior aumento entre os visitantes internacionais, embora o seu peso continue a ser quase inexpressivo no contexto geral do turismo de Macau. Ao longo de 2025, o território recebeu 14.331 visitantes de Portugal, número que ilustra um acréscimo homólogo de 43,5% e equivale a 0,04% do total. Desde 2008, quando começaram a ser compilados os registos das origens dos visitantes, o número mais elevado de entradas portuguesas foi atingido em 2017 (16.259).

Os Serviços de Turismo também retiraram dividendos da aposta no Sudeste Asiático, sobretudo junto dos visitantes das Filipinas (540.284), Indonésia (208.043), Malásia (188.977) e Tailândia (185.963), que cresceram 9,5%, 13,6%, 3,9% e 38,1%, respectivamente, face a 2024, compensando a quebra de 1,7% no mercado de Singapura (117.165).

Excluindo a Grande China, a Coreia do Sul foi a principal fonte de visitantes, com 547.638 (+11,3%). A DSEC destaca ainda os casos do Japão (159.455), EUA (162.460) e Índia (114.040), devido aos acréscimos de 26,1%, 9,8% e 9,8%, respectivamente.

No cômputo geral de 2025, o número de entradas de visitantes na RAEM totalizou 40.069.360, mais 14,7% em termos anuais, atingindo um novo recorde absoluto. Os dados incluem 23.524.943 excursionistas (+24,6%) e 16.544.417 turistas (+3,1%) num ano em que o período médio de permanência dos visitantes foi de 1,1 dias, menos 0,1 dias do que em 2024, devido ao reforço da proporção das excursões.

Os visitantes do Interior da China aumentaram 18,5% para 29.017.164, representando 72,4% do total, mais 2,3 pontos percentuais do que em 2024. Este crescimento foi fomentado pelos portadores de visto individual (15.440.699), que subiram 25,7%.

Já os visitantes de Hong Kong (7.300.582) e Taiwan (996.140) aumentaram 1,7% e 19,4%, respectivamente.

Preços dos quartos de hotéis caíram 3,5% em 2025

O preço médio dos quartos de hotéis em Macau desceu 3,5% para cerca de 1353 patacas em 2025, face ao ano anterior, segundo dados da Associação de Hotéis publicados no site dos Serviços de Turismo. Em 2024, os preços tinham subido 3,1% para 1402 patacas. No ano passado, a quebra foi impulsionada pelos quartos de cinco estrelas, cujo preço médio desceu 5% para 1513 patacas, bem como pelas unidades de três estrelas, onde se registou uma diminuição de 2,4% para 936 patacas. Em sentido contrário, os quartos de quatro estrelas encareceram 0,7%, para 1124 patacas. O preço médio tem em conta informações de 48 hotéis, incluindo 27 de cinco estrelas, 14 de quatro estrelas e sete de três estrelas. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sábado, 25 de outubro de 2025

Timor-Leste - Jovens esperam que adesão de Timor-Leste à ASEAN não seja apenas simbólica

Jovens timorenses esperam que a adesão de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) não seja apenas simbólica, mas que o país diversifique várias áreas para se tornar mais competitivo na região. “A adesão de Timor-Leste à ASEAN é uma conquista muito importante, através da qual o nosso país pode obter diversas oportunidades na região. Penso que isso é algo muito positivo”, disse à Lusa Felipe Freitas Cabral, estudante do Instituto Superior Dom Bosco (ISDB). Mas, considerou Felipe Freitas Cabral, Timor-Leste ainda não se empenhou o suficiente para elevar os seus padrões para responder às exigências da organização, o que pode fazer com que esta adesão acabe por ser apenas simbólica. “Participamos na ASEAN apenas como símbolo, mas dentro da organização não temos influência e apenas figuramos como membros. E sem influência, não conseguimos competir dentro desta região”, sublinhou o jovem timorense.


Felipe Freitas Cabral afirmou que Timor-Leste precisa “primeiro de diversificar a sua economia, porque atualmente 90% depende do petróleo e do gás. Isso revela uma grande lacuna ou um problema que o país tem de resolver rapidamente”. “Para aderir plenamente à ASEAN, penso que primeiro devemos fortalecer a nossa economia, de modo a conseguirmos competir com os outros países da região”, acrescentou Freitas Cabral.

Quanto ao contributo da juventude para o país, o jovem destacou que todos têm um papel a desempenhar, sendo fundamental que os estudantes se empenhem e adquiram boas competências para contribuir para o desenvolvimento nacional.

Para Aprilia Martins, estudante da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), a adesão de Timor-Leste à ASEAN é uma “grande oportunidade” para o desenvolvimento de vários setores. Segundo a jovem, a ASEAN poderá igualmente permitir o reforço das relações políticas e da cooperação bilateral com os países-membros, e no campo da educação, os jovens timorenses poderão beneficiar de bolsas de estudo em universidades reconhecidas da região.

No sector agrícola, a jovem timorense expressou esperança de que se possa promover o desenvolvimento tecnológico entre os agricultores. Questionada sobre o contributo da juventude timorense, Aprilia Sonita Martins afirmou que é importante começar desde já a preparar-se para competir com os jovens dos outros países da região. “Precisamos estudar com empenho, porque no futuro seremos a força que conduzirá o desenvolvimento do nosso país”, concluiu a estudante da UNTL.

Timor-Leste vai tornar-se no domingo o 11.º Estado-membro da ASEAN, durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo desta organização do sudeste asiático, que se vai realizar em Kuala Lumpur, na Malásia, 14 anos depois de ter apresentado o pedido de admissão. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Timor-Leste - Governo paga parte da dívida a hospitais no estrangeiro

O vice-primeiro-ministro de Timor-Leste, Mariano Assanami Sabino, afirmou ontem que o Governo timorense já pagou parte das dívidas a hospitais da Malásia, Indonésia e Singapura, que recebem doentes timorenses. “No início deste ano, pagámos as dívidas aos hospitais de Singapura, Malásia e Indonésia, num montante total superior a 12 milhões de dólares [11,4 milhões de euros]”, disse à Lusa o vice-primeiro-ministro.



Questionado sobre a informação de que a dívida do Governo timorense a hospitais nos três países totaliza os 30 milhões de dólares (28,6 milhões de euros), Mariano Sabino esclareceu que, neste momento, a dívida não ultrapassa os 20 milhões de dólares (19,1 milhões de euros). “Já pagámos quase metade das dívidas que tínhamos. Agora, aguardamos que o Ministério da Saúde realize auditorias adequadas e verifique corretamente as evidências e os recibos, para que possamos continuar a pagar”, explicou. Mariano Assanami falava no parlamento, à margem da discussão da Conta Geral do Estado de 2023.

O vice-primeiro-ministro também assegurou que o Governo está a estudar mecanismos para melhorar as condições do Hospital de Lahane, em Díli, de forma a possibilitar o tratamento de pacientes com casos menos graves em Timor-Leste. Mas, salientou, os casos graves continuarão a ser enviados para tratamento no estrangeiro. “Estamos a olhar para o futuro e queremos reduzir custos, mas temos de garantir as condições necessárias para salvar vidas e gerir bem estes casos”, acrescentou.

Muitos cidadãos timorenses recebem anualmente tratamento no estrangeiro devido à incapacidade do sistema de saúde do país para realizar determinados procedimentos e tratamentos. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Timor-Leste - Xanana Gusmão diz que o país está a fazer progressos positivos para adesão à ASEAN em 2025

Xanana Gusmão, primeiro-ministro timorense, afirmou que Timor-Leste está a fazer progressos na adesão à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano. “Posso dizer que estamos a 50% de preparação“

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, disse que Timor-Leste está a fazer “progressos positivos” para a aderir à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano, durante a presidência da Malásia da organização regional.

“Há certos requisitos, em alguns estamos avançados, e em outros menos, porque são mais difíceis de cumprir, porque há normas e leis. Em termos gerais posso dizer que estamos a 50% de preparação”, afirmou Xanana Gusmão.

O chefe do executivo timorense falava aos jornalistas no aeroporto de Díli, depois de uma visita oficial à Malásia, a primeira que fez àquele país, que vai assumir em Janeiro a presidência da ASEAN.

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, disse “que vai fazer todo o possível” para Timor-Leste ser membro pleno da ASEAN durante a presidência da Malásia, “que se dispôs a receber” os técnicos timorenses para formação, afirmou Xanana Gusmão.

Anwar Ibrahim deu o “exemplo do Camboja e do Laos que também levaram vários anos para entrar e depois de completarem os requisitos mais importantes, entraram e depois foram cumprindo os restantes”, acrescentou o primeiro-ministro timorense.

A vice-ministra para os Assuntos da Associação das Nações do Sudeste Asiático, Milena Rangel, que acompanhou o primeiro-ministro na viagem, disse aos jornalistas que o “progresso é positivo”, mas que há acordos económicos que ainda estão a ser tratados, porque as negociações levam mais tempo.

Durante a visita, os governos de Timor-Leste e da Malásia, assinaram também acordos relativos à isenção de vistos, à cedência de um terreno em Díli para a construção da embaixada daquele país em Timor-Leste e um último relativo a ligações aéreas da Batik Air.

Os Estados-membros da ASEAN chegaram a um acordo de princípio em Novembro de 2022 para integrar Timor-Leste na organização regional, passando o país a ter estatuto de observador e a poder participar em todas as reuniões, incluindo nas cimeiras.

A Presidência e o Governo timorenses decidiram apontar o ano de 2025 para a concretização da adesão plena, tendo em conta o cumprimento de um roteiro, que exige o estabelecimento de acordos e missões diplomáticas, construção de infraestruturas e preparação de recursos humanos, entre outros.

O primeiro-ministro viajou acompanhado ainda do vice-primeiro-ministro e ministro do Turismo e Ambiente, Francisco Kalbuadi Lay, e dos ministros dos Negócios Estrangeiros, Bendito Freitas, do Ensino Superior, José Jerónimo, da Saúde, Élia Amaral, e do secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Dias Ximenes. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 3 de setembro de 2024

Malásia – Jovem de 19 anos tem mais de mil troféus e já entrou no Livro de Recordes

Nos últimos 14 anos, Yap Wen Min, de 19 anos, ganhou mais de 1000 troféus em concursos de matemática, ciências, debates e oratória, tanto a nível local como internacional.


Recentemente, a adolescente residente em Kuala Lumpur alcançou outro marco ao entrar no Livro de Recordes da Malásia (MBR) por ser a pessoa mais rápida a resolver uma multiplicação de 50 dígitos em 24,61 segundos. Para esse feito, fez uma operação matemática de multiplicação de dois números, cada um com 50 algarismos, sem calculadora.

Yap disse que conseguir entrar no MBR foi uma das conquistas que ambicionava há anos. “O que mais me emociona não é o reconhecimento em si, mas o crescimento e a transformação pessoal que me levou até ele. À medida que me concentrei em melhorar a minha mentalidade e em melhorar as minhas capacidades, a minha entrada na MBR tornou-se um resultado natural”, explicou.

“Esta experiência tem sido gratificante para mim devido às lições inestimáveis ​​- que normalmente não se encontram nos manuais – que a viagem me ensinou”, disse Yap numa entrevista à imprensa local.

Yap, que acabou de terminar os estudos básicos, está actualmente num ano sabático antes de continuar a licenciatura em economia. Completou o feito MBR em Abril. Realizar uma multiplicação de 50 dígitos é desafiante e requer competências avançadas de cálculo matemático e mental devido ao grande número de dígitos envolvidos.

Segundo salientou, os maiores desafios que enfrentou para alcançar este feito foram gerir o seu tempo e lidar com o desgaste mental. “No entanto, foi nestas dificuldades que descobri uma versão mais forte de mim mesmo. Ao longo desta jornada, tive a sorte de contar com o apoio dos meus mentores que me orientaram, desafiaram e encorajaram a continuar a ultrapassar os meus limites”, explicou Yap Wen Min, que pratica matemática durante seis horas por dia.

Também mentora da organização sem fins lucrativos Teach for Malaysia, Yap comenta que tem sido uma viagem incrível e que está entusiasmada com o quão longe chegou. “Não se trata apenas da conquista em si, mas de tudo o que aprendi ao longo do caminho”, referiu, salientando que “estou ansiosa pela próxima aventura, resolver o próximo complexo desafio e vendo até onde posso contribuir”.

Yap, a mais nova de dois irmãos, sente-se atraída pela matemática porque considera que os números são uma das ferramentas mais fiáveis ​​para descobrir verdades e validar ideias. “Como apaixonada por Economia, fascina-me a forma como a Matemática ajuda a analisar e a resolver problemas do mundo real. A economia, ao contrário de outras disciplinas, não é uma disciplina fixa e estática. As suas teorias mudam de tempos a tempos, o que requer muitos debates e capacidades analíticas”, referiu.

Já alcançou muitas conquistas, incluindo o prémio de ouro na Olimpíada Internacional de Aritmética Matemática da Taça ShenMo da China em 2023 e o prémio de prata na Olimpíada Internacional de Matemática da Tailândia em 2022, e em 22 de Agosto, conquistou a medalha de prata na competição Kijang Economics, um evento nacional que testa alunos em empreendedorismo, literacia financeira e negócios.

Para os que não gostam de matemática, a jovem sugere que a vejam como um puzzle ou padrão, em vez de apenas um requisito para as notas e exames. “Ao fazê-lo, pode ajudar-nos a compreender muito melhor as coisas que acontecem ao nosso redor. Não tenham medo de pedir ajuda quando algo não faz sentido. À medida que se tenta mais e se cometem mais erros, seremos capazes de encontrar a lógica por trás disto ou o método que mais nos convém”, disse ela.

“Tentem encontrar as ligações entre a matemática e os hobbies. Não importa se gostam de desporto, música ou arte, há matemática por trás de tudo. Depois de vermos como a matemática se aplica aos nossos interesses, começará a parecer mais divertido e menos árduo”, concluiu. In “Jornal Tribuna de Macau” com “Agências Internacionais”


quarta-feira, 26 de junho de 2024

Macau - Cultura e comida malaia motivam análise histórica

A cultura malaia numa perspectiva gastronómica vai lançar o debate numa sessão que a Fundação Rui Cunha organizou, inserida no ciclo de palestras sobre história e património. A oradora, Annabel Jackson, ex-residente em Hong Kong, é formada em antropologia da alimentação e autora de seis livros de receitas asiáticas


“Macau e o Mundo Malaio: Uma Perspectiva Gastronómica” é tema de uma palestra que a Fundação Rui Cunha (FRC) levou a efeito tendo como oradora a escritora e investigadora Annabel Jackson.

Na introdução do evento, a FRC refere que “a cultura do povo macaense, que se considera ‘filho da terra’, reflecte a actividade colonial portuguesa em todo o Oceano Índico e, mais particularmente, em Malaca”. No entanto, “as ligações entre Macau e o ‘Mundo Malaio’ são profundas e complexas e a sua exploração lança luz não só sobre como e onde emergem as comunidades híbridas e as novas identidades, mas também sobre as formas como historicamente interagiram e se influenciaram mutuamente”.

Na conversa, integrada no Ciclo de Palestras Públicas de História e Património, Annabel Jackson falou das comparações da cozinha malaia com outras comidas “crioulizadas” no Sudeste Asiático, como a “Peranakan” e “Kristang” na Malásia. Estas questões abordadas através de uma análise histórica e política, mas também através das especificidades da etimologia e da cozinha.

Annabel Jackson, sediada no Reino Unido depois de ter vivido mais de duas décadas, visita Macau há mais de 30 anos. É autora de 13 livros, incluindo seis de receitas sobre cozinhas asiáticas.

Escreveu também sobre Macau, em publicações como “Taste of Macau: Cozinha Portuguesa na Costa da China”. Tem um mestrado em antropologia da alimentação pela SOAS – School of Oriental and African Studies” da Universidade de Londres e está actualmente a fazer o doutoramento.

O debate realizou-se em língua inglesa, teve co-organização da Universidade de São José. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 28 de março de 2024

Malásia - É um dos homens mais influentes da Ásia e tem nome português

Anthony Francis Fernandes, empresário de 60 anos, é malaio, o seu pai de Goa, a sua mãe indo-asiático-portuguesa (do povo Kristang) e, tal como muitos dos seus conterrâneos, carrega no nome o peso da herança que Portugal deixou na Ásia. Neste momento é dono de um dos grupos mais influentes daquele continente que detém, por exemplo, uma das maiores companhias aéreas low-cost do mundo

Em 2001, Anthony Francis Fernandes – também conhecido por Tony Fernandes – fundou a Tune Aire, empresa ligada ao setor da aviação que, mais tarde, adquiriu a Air Asia e a transformou numa das mais prósperas companhias aéreas do continente asiático.

Mais tarde criou o Tune Group, consórcio com tentáculos nos setores de hotelaria, telecomunicações, serviços financeiros, desporto, indústria criativa e linhas aéreas.

Além disto, o milionário foi também acionista maioritário dos Queens Park Rangers, em Inglaterra, e entre 2010 e 2014 liderou a Team Lotus, equipa de Fórmula 1 que depois alterou o nome para Caterham F1 Team.

A nível académico, Fernandes estudou na The Alice Smith School, em Kuala Lumpur e entre 1976 e 1983 foi aluno do Epsom College, no Reino Unido, de onde saiu para a London School of Economics e se graduou em Contabilidade. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 17 de maio de 2023

Macau - Instituto Português do Oriente quer recuperar alunos “perdidos” durante a pandemia

Uma recuperação dos alunos do ensino da língua portuguesa na RAEM “perdidos” por causa da pandemia é esperada pelo IPOR já durante este ano, ainda que em 2024 se preveja ser “mais significativa”. O director da instituição fez, ao Jornal Tribuna de Macau, um balanço do Festival Letras e Companhia, no qual participaram quase 1300 espectadores e participantes. Segundo Joaquim Coelho Ramos, a entrega de mini-bibliotecas a várias escolas insere-se no plano de promoção da língua de Camões


Ficou para trás a terceira edição do Festival Letras e Companhia, organizada pelo Instituto Português do Oriente (IPOR) e que contou desta feita com a presença física de vários convidados. O evento atraiu quase 1300 espectadores ou participantes, numa oferta diversificada, onde não faltaram workshops, concertos, artes performativas e exposições.

Em jeito de balanço do Festival, o director do IPOR considerou que a iniciativa de índole cultural “correu muito bem e dá boas indicações para a participação motivada de diversos tipos de público depois da pausa forçada imposta pela pandemia”.

Joaquim Coelho Ramos entende que “as pessoas aderiram bem às actividades, no conceito que foi proposto: a interacção entre as famílias e em contexto intergeracional”. O Festival contou com a colaboração de mais de 17 artistas em 24 sessões.

Enquanto isto, e para assinalar o Dia Internacional da Língua Portuguesa, foram distribuídas mini-bibliotecas, que “o IPOR disponibilizou a várias escolas”, com destaque para a Escola Pui Ching, Kao Ip e Xin Hua, a Escola Oficial Zheng Guanying, a Escola Internacional Gerações, mas também o Instituto Salesiano da Imaculada Conceição, a Escola S. Paulo, o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes e a Escola Portuguesa de Macau. “Com esta iniciativa pretende-se continuar a colaborar com as autoridades da RAEM, no sentido de promover a aprendizagem da língua portuguesa, correspondendo aos desígnios de Macau enquanto plataforma privilegiada na Ásia para este fim”, referiu o director do IPOR.

Relativamente ao ensino da língua portuguesa em Macau, verificou-se, como se sabe, uma redução do número de formandos nos vários cursos da oferta do IPOR durante o ano de 2022. Os números são prova disso, de 4146 em 2021, para 3458 em 2022.

Joaquim Coelho Ramos lembra que “muitos alunos solicitaram desistência ou suspensão da matrícula devido às dificuldades de mobilidade na fronteira – temos alunos de Zhuhai que, por causa dos surtos, se viram bastante limitados na entrada em Macau – e devido às interrupções de actividades presenciais em grupo na RAEM, que foram muito frequentes em 2022”. O director do IPOR espera uma recuperação já em 2023, “embora mais significativa em 2024”.

Falando dos projectos a que o IPOR pretende dar seguimento ainda este ano, Joaquim Coelho Ramos reiterou a aposta no alargamento das actividades no Interior da China, “a pedido de várias universidades do Continente”, nomeadamente nas áreas da língua portuguesa económica e empresarial.

“As universidades têm procurado o IPOR para prestação de apoio científico e pedagógico, o que configura um reconhecimento das valências desta instituição no Interior da China”. O dirigente prevê igualmente um alargamento das actividades noutros pontos da Ásia-Pacífico, designadamente na Universidade Indonésia, em Jacarta, e na Universidade Malaia, na Malásia.

Previsão também para a oferta editorial no Vietname, designadamente na cidade de Ho Chi Min, onde já foi sinalizado um interesse crescente no português antes da pandemia: “Mantemos a disponibilidade para entregar materiais didácticos, manuais escolares de língua portuguesa e recursos de aprendizagem digital em pontos adicionais de interesse, sempre que solicitados, como veio a acontecer nos últimos anos, por exemplo, em Hong Kong”.

O director do Instituto termina sublinhando que todo o esforço que tem sido feito em várias áreas “mostra o empenho do IPOR, agora reforçado com o fim da pandemia, em investir em Macau como centro de excelência para a promoção da língua portuguesa nesta região do globo, participando também no esforço de diversificação socioeconómica que tem vindo a nortear as políticas do Executivo da RAEM”. Vitor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Lusofonia - 9 Povos de Origem Portuguesa que talvez não conheça

Portugal teve uma grande influência em algumas populações fora do nosso território. Estes são alguns povos de origem portuguesa que provavelmente não conhecia


Que os portugueses descobriram vários territórios espalhados pelo mundo não é surpresa para ninguém. Todavia, o que muitos não sabem, nem desconfiam, é que ainda estão espalhados pelo mundo muitos povos que têm origem nos portugueses, conservando alguns dos seus hábitos e costumes, como a língua, a religião, entre outras tradições típicas.

Não, não falamos do povo brasileiro, por exemplo. Mas sim de outros, cuja existência provavelmente desconhece. Contudo, há que notar que algumas destas influências não sobreviveram à passagem do tempo. Já outras mantêm-se e há comunidades que ainda preservam essas marcas deixadas pelos portugueses no passado. Desvende de que povos se tratam e em que geografia se localizam e partilhe estas curiosidades com todos os amantes da história de Portugal e dos portugueses.

Mardicas, Indonésia

Este povo descende de escravos portugueses. A própria palavra “mardica” significa escravos libertos. Este povo era cristão e falava crioulo.

Apesar de já não existirem, ainda há quem carregue apelidos portugueses no seu nome e saiba cantar canções em crioulo antigo.

Kristang, Malaca, Malásia

A comunidade Kristang foi formada por cristãos portugueses, no século XVI. Eles falam papiá kristang.

Portugueses no Suriname

Na segunda metade de 1800, os portugueses chegaram ao Suriname. Muitos eram madeirenses escravos, que tinham como destino a Guiana.

Porém, este meio milhar de portugueses ficou no Suriname, tornando-se mais tarde em homens livres.

Assim, neste destino, é ainda hoje possível encontrar habitantes com apelidos como Gouveia, Dos Ramos, Vasconcellos, Miranda, Correia, Gonsalves, Teixeira, Rodrigues, De Faria, Figueira, de Gama ou Moniz.

Aceh, Lamno, Indonésia

O grupo “mata biru” ou “olhos azuis” refere-se, precisamente, aos descendentes de portugueses. Atualmente, restam apenas algumas dezenas

de sobreviventes desta comunidade. Embora conservem algumas tradições portuguesas, acabaram por se converter ao islamismo.

Ziguinchor, Senegal

Em Ziguinchor, encontra-se uma comunidade com dezenas de milhares de pessoas com apelidos portugueses e que se expressam em crioulo português. Ali existe um Centro da Língua Portuguesa e serviços públicos, onde a língua oficial é o português.

Bayingyi, Birmânia

Mercenários portugueses chegaram à antiga Birmânia, nos séculos XVI e XVII. Destacavam-se por serem católicos e caucasianos. Bayingyi deriva de “fheringi” que significa europeu. Este povo continua a existir, preservando uma religião e cultura de influência portuguesa.

Mardicas de Tugu, Indonésia

Na vila de Tugu, na ilha de Java, havia canções portuguesas que se continuam a ouvir. A explicação para isso estava no facto de haver um povo com origem portuguesa e holandesa. Os portugueses e os seus descendentes (mardicas) foram levados para Tugu como escravos, tendo aí permanecido.

Contudo, há 40 anos, morreu o último falante de crioulo. Atualmente, algumas influências permanecem, sobretudo na língua, nos costumes, nos instrumentos, nos nomes e na música.

Burghers Portugueses, Sri Lanka

No antigo Ceilão, existe um povo que fala crioulo português, os Burghers Portugueses. Trata-se de um grupo étnico de ascendência portuguesa, cingalesa e holandesa. Muitos dos seus membros têm apelidos portugueses nomeadamente: Pereira, Abreu, Salgado, Fonseca, Fernando, Rodrigo e Silva.

Korlai, Índia

Nesta pequena vila, o grupo Kristi (Cristo) continua a falar crioulo de origem portuguesa. Para eles, é a Nou Ling (“a nossa língua”). Em Korlai, há ainda ruínas de um forte português.

Curioso com esta lista de povos que ainda conservam influências dos portugueses de outros tempos? Com efeito, Portugal é um país de descobridores e os Descobrimentos são a prova máxima disso.

Mas além dos territórios conhecidos, que sabemos que os portugueses colonizaram, são diversos os espaços por onde os portugueses passaram e deixaram a sua influência e marca.

Histórias curiosas, embora o tempo vá apagando este passado e, por isso, alguns destes povos já tenham poucos membros capazes de exemplificarem essas heranças culturais de outros tempos. Márcio Magalhães – Portugal in Ncultura

 


domingo, 9 de agosto de 2020

Ásia - Louva-a-deus-orquídea, um mestre da camuflagem



A louva-a-deus-orquídea (Hymenopus coronatus) é uma espécie de louva-a-deus que habita as florestas tropicais do sudeste asiático, sendo encontrada por exemplo na Malásia ou na Indonésia. Pertence a um grupo de espécies denominadas “Flower Mantis”, constituído por outros insetos que possuem semelhanças físicas e comportamentais.

Todos os louva-a-deus deste grupo possuem colorações que permitem a sua camuflagem, nas flores onde costumam esconder-se. O louva-a-deus-orquídea apresenta cores brilhantes brancas com padrões cor-de-rosa que se assemelham a uma orquídea.

A este tipo de camuflagem/mimetização denomina-se mimetização agressiva, onde o predador engana as suas presas servindo como isca. Esta camuflagem também ajuda a louva-a-deus-orquídea a escapar a potenciais predadores.

A sua imitação é tão convincente que os insetos são mais atraídos por ele do que pela própria flor. Esta espécie tem patas traseiras em forma de pétalas e suas cores fazem com que seja facilmente confundido com pelo menos 13 espécies de flores existentes na área onde vive. In “Green Savers Sapo” - Portugal

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Malaca - Lusodescendentes criticam proposta de mudar nome de colina com legado português



Lusodescendentes em Malaca, antiga colônia portuguesa na Malásia, criticaram a possível alteração do nome de uma colina que alberga ruínas de uma muralha e igreja construídas pelos portugueses e ainda a estátua de São Francisco Xavier.

“As autoridades devem pensar seriamente sobre a ideia de se alterar o nome da Colina de São Paulo para Bukit Melaka”, disse à Lusa o representante da minoria luso-malaia perante o estado de Malaca, Joseph Santa Maria.

Joseph Santa Maria foi um dos lusodescendentes, a maioria a residir no bairro português em Malaca, onde vivem cerca de mil a dois mil descendentes de portugueses em mais de 110 casas, que se juntaram nas redes sociais para criticar as pretensões do diretor geral da Corporação dos Museus de Malaca.

“Gosto do que temos hoje, da diversidade na cultura. Unidade na diversidade”, afirmou à Lusa o ex-conselheiro da cidade Ronald Gan.

Os dois lembram que Malaca foi em 2007 considerada Patrimônio Mundial da UNESCO precisamente devido à sua história e singularidade.

Em resposta à Lusa, o diretor geral da Corporação dos Museus de Malaca, Mohd Nasruddin bin Rahman, confirmou que a mudança deverá avançar: “Estamos em vias de obter a permissão do Estado para alterar o nome”.

O responsável pelos museus de Malaca justificou esta pretensão com o facto de, segundo o próprio, Bukit Melaka ser o nome da colina antes da época colonial, “desde a era do Sultanato de Melaka”, por volta do século XIV, dissolvido em 1511 quando Afonso de Albuquerque, o 2.º Governador da Índia Portuguesa, desembarcou ali, demoliu a Grande Mesquita e levantou no local uma fortaleza.

A relação de Portugal com Malaca remonta a 1509, quando Diogo Lopes Sequeira, enviado do Rei D. Manuel, aportou àquela localidade malaia para estabelecer relações com o soberano local.

Após a chegada dos portugueses a Malaca, a colina foi batizada Nossa Senhora do Oiteiro e no cimo foi construída uma igreja com o mesmo nome, pelo capitão e fidalgo português Duarte Coelho, em agradecimento à Virgem Maria por lhe ter salvo a vida durante uma tempestade no mar.

Em 1590, uma torre de campanários foi acrescentada à frente da igreja, rebatizada Igreja de Madre de Deus.

“Nessa colina histórica está também o túmulo de São Francisco Xavier, que foi enterrado na colina e mais tarde exumado e enviado para Goa, na Índia”, recordou Joseph Santa Maria, sublinhando que o missionário católico visitou Malaca seis vezes e pregou várias vezes na colina.

Uma estátua em mármore de São Francisco Xavier, construída em 1953, encontra-se no cimo da colina, e foi erguida em homenagem ao missionário mais conhecido da Malásia. Contam as lendas que quando o português ia ser canonizado em 1614, o Vaticano exigiu o braço direito, o mesmo braço que São Francisco Xavier utilizava para abençoar os convertidos.

A estátua, sem o braço direito, encontra-se ainda hoje no topo da colina, assim como ruínas de arquitetura portuguesa, holandesa e inglesa.

Depois de cerca de 100 anos de domínio português, a cidade foi tomada pelos holandeses, em 1641. O complexo ficou parcialmente destruído, tendo sido mais tarde reparado e renomeado Igreja de São Paulo, designação que permanece até aos dias de hoje, assim como a colina, com igual denominação mesmo durante a administração inglesa, até 1957, data da independência da Malásia.

De acordo com vários historiadores, defendeu Joseph Santa Maria, a Colina de São Paulo era referida como “Monte dos Animais ou Monte Delimaria”.

“O diretor do Museu de Malaca deve fazer mais investigação e justificar as suas afirmações de que a Colina de São Paulo era originalmente conhecida como Bukit Melaka, sem se tornar [em motivo] de riso para historiadores e para o mundo, incluindo a UNESCO”, afirmou o luso-malaio.

“Espero que tenhamos historiadores qualificados para realizar o estudo necessário”, acrescentou.

Nas declarações à Lusa, o diretor geral da Corporação dos Museus de Malaca assegurou que o que está em causa não é apagar a História de Malaca, mas sim repor a designação original.

“O seu local histórico será preservado como habitualmente pela agência responsável”, prometeu. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Malaca - No Bairro português celebram-se os santos populares




O São João foi ontem celebrado no bairro português em Malaca, Malásia. E para a semana está prometida a festa do São Pedro, apesar de este ano as celebrações serem mais restritas devido à Covid-19.

“Apesar da atual pandemia mundial”, frisou à Lusa Joseph Santa Maria, os lusodescendentes do bairro português em Malaca “vão fazer as suas celebrações tradições do San Juang (São João) e do San Pedro (São Pedro)”, tradição que “remonta há vários séculos, introduzida pelos portugueses”.

Os cerca de mil a dois mil lusodescendentes em mais de 110 casas vão acender velas “na frente das casas hoje à noite”, garantiu o representante da minoria luso-malaia perante o estado de Malaca.

Além disso, sublinhou Joseph Santa Maria, “as tradições também incluem crianças vestidas com roupas verdes”, uma cor que representa a “pureza das crianças”.

Já na próxima semana, em 29 de junho, é assinalado o São Pedro.

“Estamos a planear algo também com o apoio do Governo para permitir que as restrições da Covid-19 sejam agora um pouco mais flexíveis. Esperamos ter um programa de uma hora, em particular a bênção dos barcos de pesca, que é feita todos os anos”, afirmou.

No ano passado, o então secretário de Estado das Comunidades Portugueses, José Luís Carneiro, participou na procissão e bênção dos barcos de pesca, dois eventos que juntam centenas de luso-malaios no Bairro Português da cidade, após ter marcado presença na 2ª Conferência das Comunidades Portuguesas na Ásia.

Em 2019, o encontro juntou no Bairro Português de Malaca representantes das comunidades asiáticas descendentes de portugueses, numa iniciativa de partilha das raízes culturais, com cerca de 300 luso-asiáticos, de várias comunidades do continente.

A relação de Portugal com Malaca remonta a 1509 quando Diogo Lopes Sequeira, enviado do Rei D. Manuel, aportou em Malaca para estabelecer relações com o soberano local e dois anos mais tarde Afonso de Albuquerque desembarcou em Malaca, demoliu a Grande Mesquita, e levantou no local uma fortaleza que seria um importante entreposto comercial.

Na mesma altura surge o crioulo de matriz portuguesa kristang, uma língua agora ameaçada de extinção, que emprega a maior parte do seu vocabulário do português, mas a sua estrutura gramatical é semelhante ao malaio e extrai as suas influências dos dialetos chinês e indiano.

Depois de 100 anos de domínio português, a cidade foi tomada pelos holandeses, depois pelos ingleses, até à independência da Malásia, em 1957. In “Mundo Português” - Portugal

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Macau - Governo cria bolsa para que alunos lusófonos e do sudeste asiático estudem na Região

Com o intuito de reforçar o intercâmbio do ensino superior de Macau com os países abrangidos pela iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’, bem como com os países de língua portuguesa e, assim, atrair mais estudantes destes países para que prossigam os estudos na RAEM, o Executivo criou a “Bolsa de mérito para os estudantes excelentes (dos países de língua portuguesa e dos países da Associação das Nações do Sudeste Asiático) que se desloquem a Macau para o prosseguimento dos seus estudos”.

De acordo com o comunicado divulgado pela Direcção dos Serviços do Ensino Superior (DSES), foram já selecionados 17 alunos bolseiros destes países. O Conselho Administrativo do Fundo do Ensino Superior seleccionou sete alunos provenientes de São Tomé e Príncipe, Moçambique e Guiné-Bissau, entre outros países lusófonos. Há outros 10 estudantes que são provenientes da Malásia, Vietname e Filipinas, entre outros países da Associação das Nações do Sudeste Asiático.

Os bolseiros foram recomendados pela Universidade de Macau, Instituto Politécnico de Macau, Instituto de Formação Turística de Macau e Universidade de São José, e estão, neste momento, a frequentar o 1.º ano de um curso de licenciatura, explica a nota da DSES.

Por fim, o Fundo do Ensino Superior garante que vai continuar a “cooperar com as instituições do ensino superior de Macau, promovendo e divulgando as respectivas bolsas de mérito, de modo a atrair mais estudantes excelentes dos países de língua portuguesa e dos países da Associação das Nações do Sudeste Asiático para frequentarem cursos de licenciatura em Macau”. Assim, “promovendo a coesão das diversas culturas no campus das instituições do ensino superior de Macau, bem como aprofundando o intercâmbio entre todos e a promoção do processo de internacionalização do ensino superior de Macau”, diz a nota. In “Ponto Final” - Macau

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Timor-Leste – Cinco estudantes participaram em competição de matemática na Malásia



DÍLI — Cinco estudantes timorenses provenientes de quatro escolas de Díli – Escola Secundária Geral (ESG) de São Pedro, ESG de 4 Setembro UNAMET, Escola de Hospitalidade e Turismo, em Becora, e ESG de Canossa – participaram numa competição internacional sobre Ciências e Matemática que teve lugar no passado dia 21 de setembro, na Malásia.

Fizeram parte deste lote os estudantes Lucrécia Araújo dos Reis, Celina Maria Vandashiva Tilman, Verónica Dias Monteiro, Marlina Marques Cabral e Alberto Salomão dos Santos.

A Ministra da Educação, Juventude e Desporto (MEJD), Dulce de Jesus Soares, considerou que os estudantes que participaram nesta competição internacional de Ciências e Matemática serão futuros cientistas.

Segunda a ministra, a oportunidade que foi dada a estes cinco alunos, que puderam  demonstrar todas as suas competências em matéria de Ciências e Matemática, servirá de referência para todos os estudantes, destacando o nome do Estado timorense.

O objetivo da deslocação desta comitiva, composta por estudantes, é competir com outros participantes, provenientes de 120 estabelecimentos de ensino de todo o mundo.

A participação dos alunos timorenses nesta competição deve-se ao facto de Timor-Leste se ter tornado membro ativo da SEAMEO (Southeast Asian Ministers of Education Organization, em inglês) e possuir uma quota ativa no Centro de Matemática e Línguas.

“Temos de estar todos orgulhosos, como cidadãos timorenses, por as nossas filhas e os nossos estudantes demonstrarem as suas competências, competindo num evento internacional, onde marcaram presença 120 escolas de todo o mundo”, disse a ministra, Dulce de Jesus, em declarações aos jornalistas, no MEJD, em Vila Verde.

A ministra recordou que esta competição se realizou pela segunda vez, tendo participado 11 países, o equivalente a 280 escolas espalhadas pelo mundo inteiro. “Os nossos cinco alunos deslocaram-se à Malásia para competirem juntamente com 120 escolas selecionadas para as meias-finais”, informou.

Segundo a governante, a prestação destes alunos serve de motivação para que todos os estudantes timorenses sigam o mesmo exemplo.

Lucrécia Araújo dos Reis, uma das participantes, manifestou, entretanto, o seu orgulho por representar as cores do seu país nesta competição internacional, na Malásia. Sugeriu, no entanto, ao MEJD que desse também oportunidade a que escolas de diferentes municípios participassem nas próximas edições.

“Estou muito contente por levar o nome de Timor-Leste além-fronteiras, participando nesta competição internacional tão prestigiada. Estarei, no entanto, mais satisfeita se o Governo der também oportunidade aos colegas estudantes de escolas de outros municípios”, afirmou.

O tema central desta competição incide nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), pelo que cabe a cada escola apresentar projetos implementados associados aos ODS.

“Da nossa parte, Timor-Leste, criou um jardim escolar, utilizando para o efeito materiais a partir do lixo reciclado”, contou.

Lucrécia Araújo dos Reis, estudante da ESG São Pedro de Comoro, destacou ainda a importância de todos se empenharem para adquirirem mais conhecimento e novas competências, visto que “o mundo está atualmente muito competitivo em qualquer área”.

Segundo fontes do MEJD, a seleção dos estudantes timorenses esteve a cargo da ASTI (Association Science Technology of Innovation, em inglês).

O Coordenador da ASTI, Charles F. Guterres, informou, por seu turno, que o procedimento relativo à seleção dos candidatos incidiu apenas em quatro estabelecimentos de ensino, todos localizados em Díli, alegando que não foi possível alargar a outros municípios por falta de tempo.

“A seleção recaiu nestes cinco estudantes. Deverão, no entanto, possuir um bom rendimento escolar, incluindo o domínio da língua inglesa”, salientou o coordenador aos jornalistas, nesta segunda, no MEJD, Vila Verde, em Díli.

De acordo com Charles F. Guterres, a seleção arrancou em início de fevereiro deste ano, tendo em maio sido enviada a proposta para ser submetida a avaliação.  Já a 21 de agosto, a ASTI submeteu o relatório final para a Malásia a fim de a aprovação estar consumada.

“Timor-Leste competiu juntamente com mais de 120 países, no dia 21 de setembro, para então serem apurados os candidatos para a grande final, na Malásia”, disse. Tomé Amado – Timor-Leste in “Tatoli”

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Malaca - Guardião da herança portuguesa desapontado com falta de apoio

O responsável do museu do Bairro Português em Malaca, Malásia, está desapontado com Portugal por não ajudar na remodelação do espaço, visivelmente degradado, que conta uma história do legado português com mais de 500 anos



Em entrevista à Lusa no museu situado no coração do Bairro Português em Malaca onde se estima viverem ainda mil a dois mil luso-descendentes em cerca de 180 casas, Jerry Alcantra afirma estar desapontado com os portugueses que “dizem querer ajudar”, sem que esta chegue. “Não quero ofender ninguém, só digo o que deve ser dito”, sublinha o lusodescendente.

Carpetes velhas, molduras partidas e danificadas, quadros rasgados, pratos do séc XVI partidos, entre algumas outras relíquias em relativo bom estado, é o cenário que se vê ao entrar neste espaço, no qual se procura preservar uma história que remonta a 1509 quando Diogo Lopes Sequeira, enviado do Rei D. Manuel, aportou em Malaca para estabelecer relações e dois anos mais tarde Afonso de Albuquerque desembarcou, demoliu a Grande Mesquita, e levantou no local uma fortaleza que seria um importante entreposto comercial.

“Um museu precisa de ter boas molduras, boas luzes (…) isto assim não pode ser considerado um museu”, diz, visivelmente triste e revoltado, Jerry Alcantra, que toma conta do museu há sete anos.

O lusodescendente explica que antigamente o museu era em parte subsidiado pelo estado de Malaca, mas que “agora eles não têm dinheiro” e por isso toma conta do local de forma gratuita, pedindo apenas a quem entra algum donativo.

Para Jerry Alcantra, o facto de as autoridades malaias não ajudarem resulta de os luso-descendentes serem praticamente todos católicos romanos, num país onde o islamismo é a religião oficial, praticado por mais de 50 por cento da população malaia (31 milhões de habitantes). O budismo (17 por cento) e o taoismo (12 por cento) estão à frente do catolicismo, que é praticado por cerca de 8 por cento da população do país. “O Governo [da Malásia] não nos ajuda porque nós não somos malaios, isto é um país muçulmano, eles não nos vão ajudar, nós somos católicos romanos”, afirma.

Este cenário, juntamente com o facto de os portugueses os “terem deixado para trás”, põe em risco a própria manutenção deste legado. “Os portugueses deixaram-nos para trás”, acusa, garantindo que, apesar de tudo, aqui neste pequeno recanto de Malaca o bailado, a música, o português ‘antigo’, o Natal e as festas de São Pedro são rituais respeitados e praticados religiosamente por esta população.

“A cultura é o que nos resta para nós termos a noção que somos portugueses, mais nada. Nós não parecemos portugueses, nós somos a quinta geração”, diz, sublinhando que o cruzamento de culturas tem sido feito ao longo de 500 anos, até através do casamento.

“Se eu falar devagarinho vocês [os portugueses de Portugal] entendem”, dando depois alguns exemplos como “comer, beber, branco, janela”, em crioulo de matriz portuguesa kristang, uma língua agora ameaçada de extinção, que emprega a maior parte do seu vocabulário do português, mas a sua estrutura gramatical é semelhante ao malaio e extrai as suas influências dos dialectos chinês e indiano.

“O meu pai é português e a minha mãe é chinesa, o que é que isso faz de mim? Como é que querem que eu me pareça convosco?”, aponta. Miguel Mâncio – Portugal in “Hoje Macau” com “Agência Lusa”