Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Angola - Portos de Cabinda e Soyo passam para a Sogester

O Ministério dos Transporte procedeu, segunda-feira, em Luanda, a passagem da gestão dos terminais marítimos e fluviais dos portos de Cabinda e Soyo à Sociedade Gestora de Terminais (SOGESTER S.A)


O processo decorre no quadro da modernização do sector portuário nacional e o impulso do serviço de cabotagem enquanto alternativa logística.

Os terminais agora concessionados desempenham também um papel central na integração socioeconómico das províncias de Cabinda e Zaire.

O Porto de Cabinda inaugurado em 2021 dispõe de uma estrutura moderna e capacidade para movimentar mais de 100 mil passageiros. A concessão com o prazo de 20 anos vai permitir uma maior eficiência operacional, reduzir os custos logísticos e dinamizar a cabotagem dos portos de Cabinda e Soyo.

De acordo com o secretário de Estado para os sectores de Aviação Marítima e Portuária, Adilson Catala, a construção e operacionalização destes terminais enquadra-se na orientação clara do Executivo, a fim de criar condições para a dinamização do transporte marítimo de passageiros e bens, reduzir os constrangimentos logísticos e responder de forma concreta às necessidades das populações e dos agentes económicos.

Adilson Catala disse que no caso de Cabinda, esta visão assume uma relevância ainda maior, tendo em conta a descontinuidade territorial, o que impõe ao Estado a responsabilidade de assegurar soluções regulares, eficientes e sustentáveis de mobilidade e abastecimento.

Segundo o secretário de Estado, estas infra-estruturas não são apenas activos físicos, mas instrumentos concretos de mobilidade, integração económica, dinamização do comércio e melhoria da qualidade de vida das populações. Winnie António – Angola in “Jornal de Angola”


quinta-feira, 5 de março de 2026

Macau - Paralisação do Estreito de Ormuz provoca atrasos no transporte de produtos portugueses

O bloqueio do Estreito de Ormuz, crucial para o transporte marítimo de petróleo, poderá provocar atrasos superiores a três meses nas rotas entre a Europa e a Ásia. Segundo Sunny Ip, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, os actuais desafios geopolíticos poderão afectar o transporte e a importação de produtos portugueses como vinho, azeite e sardinhas


O conflito no Médio Oriente está a impactar o transporte marítimo de mercadorias entre a Europa e a Ásia, com possíveis consequências para os preços de alguns produtos de origem europeia vendidos em Macau.

De acordo com o jornal Ou Mun, o recente bloqueio do Estreito de Ormuz e as restrições à navegação comercial no Mar Vermelho estão a repercutir-se no “aumento persistente” da duração e do custo do transporte marítimo entre ambos os continentes.

O prolongamento do conflito poderá também resultar na subida dos preços das importações europeias. Sunny Ip, presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, nota que incidentes anteriores no Mar Vermelho já tinham prolongado o transporte marítimo euro-asiático “de um mês para mais de dois meses”, afectando produtos portugueses como vinho, azeite e sardinhas.

Após o Irão ter anunciado esta segunda-feira o encerramento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas a nível mundial, o tempo de trânsito poderá subir “para três meses ou mais”, afirma o responsável – o que, por sua vez, contribuirá para aumentar os custos de armazenamento e manuseamento das mercadorias.

Também o aumento do preço do petróleo Brent, que já subiu mais de 12% em apenas três dias, vem elevar os custos de transporte. Segundo a mesma fonte, as tarifas para o transporte de um único contentor entre a Europa e a Ásia já atingiram mais de 10.000 renminbis. Por outro lado, as taxas de câmbio dos países envolvidos encontram-se actualmente numa fase de elevada volatilidade, fazendo com que o mercado financeiro passe a operar sob maior tensão.

Sonny Ip refere que as mercadorias com origem na Europa e na África “representam apenas 10% a 20% do total das importações de Macau”, com destaque para os produtos de luxo e os lacticínios. As reservas do inventário de mercadorias garantem, por enquanto, a estabilidade do abastecimento por mais “dois a três meses”, ao mesmo tempo que a diversificação das fontes de fornecimento – com a crescente importação de produtos lácteos do interior da China, da Austrália e da Nova Zelândia – reduz a dependência do mercado europeu.

Por sua vez, a cadeia logística dos produtos do mercado de massa não deverá ser afectada pelo conflito do Médio oriente, uma vez que estes bens são maioritariamente originários da China continental e do Sudeste Asiático.

Os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque militar contra o Irão no passado sábado, que o presidente norte-americano justificou com o objectivo de “eliminar ameaças iminentes do regime iraniano”. O Irão respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra o Iraque, a Jordânia, o Kuwait, o Bahrein, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e Israel. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) anunciou esta segunda-feira o encerramento do Estreito de Ormuz, que já tinha sido parcialmente encerrado em Fevereiro, com consequências para o preço do petróleo e de bens e serviços em todo o mundo. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Portugal - Startup da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto angaria mais de 10 milhões para produzir barcos elétricos

A MobyFly está a desenvolver embarcações capazes de transportar centenas de passageiros, utilizando 80% menos energia que um barco a diesel


A MobyFly, uma startup incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, angariou 10,8 milhões de euros (10,1 milhões de francos suíços), numa ronda de financiamento Série A, para acelerar a comercialização de barcos elétricos.

Fundada em 2020, na Suíça, por Sue Putallaz, Anders Bringdal e pelo português Ricardo Bencatel, antigo estudante da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP), a MobyFly está a desenvolver embarcações elétricas de alta performance com uma tecnologia baseada em hidrofoils – estruturas em formato de asa, capazes de levantar um barco acima da água –, que conseguem transportar centenas de passageiros a velocidades superiores a 70 km/h. Estes barcos consomem até 80% menos energia do que as embarcações a diesel e permitem reduzir em cerca de 60% os custos operacionais, enquanto eliminam ondas, ruído e emissões poluentes.

Para Ricardo Bencatel, Chief Technology Officer (CTO) da spin-off U.Porto, o mais recente financiamento representa um marco decisivo: “Este investimento permitirá à MobyFly escalar as suas operações, expandir as capacidades de engenharia e I&D, acelerar a comercialização da sua tecnologia de hidrofoils com emissões zero e reforçar o compromisso com um transporte marítimo sustentável e rentável”, diz o alumnus da FEUP.

Os planos imediatos para o montante arrecadado passam por “industrializar e certificar a tecnologia, continuar a evoluir os sistemas de hidrofoil e impulsionar a entrada da empresa em novos mercados internacionais”, explica Bencatel.

A MobyFly traçou metas ambiciosas para os próximos dois anos: ainda em 2025, a empresa pretende lançar a produção da pré-série do modelo MBFY-S, capaz de transportar até 20 passageiros. Já em 2026, esperam concretizar o seu maior objetivo: “lançar o primeiro modelo de produção no verão e vender várias unidades destinadas ao transporte de passageiros até ao final do ano”, revela o cofundador português.

O investimento agora anunciado foi liderado pelo fundo Fonds Révolution Environnementale et Solidaire, financiado pelo dividendo social do Crédit Mutuel Alliance Fédérale e gerido pela Crédit Mutuel Impact, contando ainda com a participação de investidores privados e parceiros institucionais. Universidade do Porto - Portugal




sábado, 27 de setembro de 2025

Casamansa – Recordando a tragédia do naufrágio do barco "Le Joola" ocorrida há 23 anos

Na noite de quinta-feira, 26 para sexta-feira, 27 de setembro de 2002, o barco "Le Joola", que entrou em serviço em 1990, afundou-se na costa da Gâmbia . O saldo foi pesado: dos quase 2000 passageiros, 1864 morreram afogados. Apenas 66 pessoas foram salvas pelos socorristas. Em Dacar, Ziguinchor e no resto do país, houve consternação


A título de lembrete, em 10 de setembro do mesmo ano, após uma paralisação técnica de mais de um ano, o Joola, o famoso navio que fazia a ligação entre Ziguinchor e Dacar desde 1990, data de seu comissionamento, retomou as suas viagens. À primeira vista, essa foi uma boa notícia para os habitantes de Casamansa e outros comerciantes, forçados por mais de um ano a pegar aviões ou veículos de transporte para chegar à capital e vice-versa. De qualquer forma, organizada com grande repercussão mediática, a famosa viagem inaugural deste 10 de setembro assumiu a aparência de uma celebração. A bordo, além da imprensa, estavam técnicos responsáveis ​​por verificar as condições do navio, a marinha mercante e as autoridades políticas.

No final desta viagem em alto mar, que foi pelo menos fácil, ao contrário da versão oficial veiculada pelas autoridades públicas. Segundo fontes bem informadas, problemas técnicos pontuaram a viagem, o Joola finalmente atracou na costa de Ziguinchor. Youssouph Sakho e Youba Sambou, dois ministros da então república, com o sucesso nas suas mãos, foram recebidos por uma multidão exultante, encantada com esta tão esperada retomada das atividades do seu meio de transporte favorito. Missão cumprida para os dois ministros que, no entanto, retornarão a Dacar de avião. Porquê? Ninguém sabe. O facto é que a euforia das autoridades e a alegria do povo de Casamansa, no dia seguinte a esta viagem inaugural, contrastam com a consternação que se seguiu duas semanas depois. De facto, esperado em Dacar na madrugada de 27 de setembro, o Joola nunca chegará em segurança desta vez. E por um mau motivo, afundou-se algumas horas antes, mais precisamente por volta das 23h, na costa da Gâmbia. A bordo estavam quase 2000 passageiros, incluindo famílias inteiras, estudantes retornando de férias, jovens, mulheres e turistas; sem mencionar os tripulantes, que somavam uns bons quarenta. E Casamansa perdeu, assim, mais de cem dos seus filhos e filhas, arrastados pela tragédia.

No rádio, várias explicações foram dadas para explicar a tragédia. Além da sobrecarga — quase 2000 pessoas estavam a bordo do navio, embora a sua capacidade máxima fosse de 480 pessoas —, um dos dois motores do navio, reparado a um custo de 250 milhões de francos CFA, não estava em boas condições. Quanto às primeiras informações sobre o número de vítimas, elas estavam a chegar aos poucos; enquanto as autoridades ainda mantinham a esperança de salvar os passageiros. Mas as famílias das vítimas, algumas das quais haviam ido ao Porto Autónomo de Dacar antes da tragédia para receber os seus entes queridos, rapidamente perceberam as evidências. Acionados mais de 11 horas após o naufrágio, os primeiros socorros chegaram um pouco tarde demais. E dos 2000 passageiros que embarcaram, apenas 66 pessoas foram salvas pelos socorristas. Os outros, 1864 segundo dados oficiais, morreram afogados nas águas do Atlântico.

As ruas de Ziguinchor e quase todas as cidades de Casamansa transformaram-se, por um momento, numa espécie de muro das lamentações; a tristeza e o desânimo estampavam-se nos rostos de todos. Atingido pela tragédia, o ex-presidente da República do Senegal, Maître Abdoulaye Wade, manifestou-se e apelou à " introspecção coletiva ". Ao mesmo tempo, insistiu na necessidade de pôr fim à negligência e à complacência para que, segundo ele, esta tragédia nunca se repita.

Vinte e três anos depois, não temos certeza de que esse apelo do antigo chefe de Estado tenha sido ouvido pelos seus concidadãos e, especialmente, pelo seu sucessor Macky Sall e atualmente Bassirou Diomaye Faye, secundado pelo seu primeiro-ministro Ousmane Sonko.

Num documentário sobre o naufrágio do navio "Le Joola", exibido pela BBC pela primeira vez no sábado, 24 de setembro de 2022, o diretor denunciou as autoridades senegalesas por se recusarem a responder às suas perguntas. Isso não impediu o engenheiro aeroespacial aposentado da NASA , Pat Wiley, mo seu livro " The Sinking of MV Le Joola, Africa's Titanic" (O Naufrágio do MV Le Joola, o Titanic da África), de criticar duramente o governo senegalês por continuar a esconder a verdade e impedir que os culpados sejam levados à justiça.

Na Casamansa, as autoridades senegalesas estão visivelmente deixando a situação agravar-se, particularmente com o seu comportamento em relação à ponte Tobor, que apresenta um aspecto hediondo, desgastada pela idade; à ponte Emile Badiane, que foi "reparada" quando normalmente deveria ter recebido o mesmo tratamento que a de Saint Louis, que foi completamente reabilitada; sem mencionar o aeroporto da capital do sul, localizado no coração da cidade, que o Senegal gostaria de transformar num aeroporto internacional, com todos os riscos que isso acarretará para as populações locais; e à fábrica SUNEOR. Basta, é hora de tudo isto acabar. Emile Tendeng – Casamansa in “Journal du Pays”


quinta-feira, 25 de setembro de 2025

China - Porto de Ningbo abre rota pelo Ártico que liga China à Europa em 18 dias

O porto chinês de Ningbo-Zhoushan inaugurou esta semana uma rota pelo Ártico que encurta para 18 dias a ligação à Europa, menos de metade do tempo pelo canal do Suez, apesar de custos mais elevados por contentor.


O porta-contentores “Istanbul Bridge”, da transportadora “SeaLegend”, concluiu na segunda-feira o carregamento em Ningbo-Zhoushan e partiu rumo a Felixstowe, principal porto do Reino Unido, onde deverá atracar a 10 de Outubro, noticiou o jornal oficial “Global Times”.

A nova rota encurta em 22 dias a viagem face ao canal do Suez e em 32 dias em comparação com a passagem pelo Cabo da Boa Esperança. É ainda uma semana mais rápida do que os 25 dias que o transporte ferroviário China-Europa demora a completar o trajecto, segundo a agência Xinhua.

Após Felixstowe, o “Istanbul Bridge” fará escalas em Roterdão (Países Baixos), Hamburgo (Alemanha) e, finalmente, em Gdansk (Polónia), a 16 de Outubro. O “South China Morning Post” (SCMP) sublinhou, no entanto, que o navio é de menor porte do que os que transitam habitualmente pelo canal do Suez e que, embora a rota pelo Ártico seja mais curta, o custo por contentor é mais elevado.

De acordo com a “SeaLegend”, as tarifas nesta via situam-se actualmente entre as do transporte ferroviário e as das rotas marítimas tradicionais, sendo por isso usada sobretudo para carga urgente, como encomendas de comércio electrónico ou produtos de alto valor, incluindo baterias e unidades de armazenamento de energia.

A China já tinha testado a chamada Rota Marítima do Norte em 2023, quando a companhia “Newnew Shipping” lançou uma linha a partir do porto de Lianyungang, na província de Jiangsu. A presidente da empresa, Fan Yuxin, destacou na altura que a ligação permite acesso a recursos energéticos sob controlo da Rússia, onde se estima estarem cerca de 30% das reservas por explorar de gás natural e 13% de petróleo.

A “Newnew” manifestou em Julho interesse no plano de Moscovo para construir uma secção em águas profundas no porto de Arkhangelsk, perspectivando investir 2,4 mil milhões de dólares em troca de uma participação de 30%, acrescentou o SCMP. Actualmente, a rota pelo Ártico é apenas navegável no Verão, mas o derretimento do gelo marinho poderá alargar o período de operação, criando novas oportunidades económicas e geopolíticas para a Rússia, mas também riscos para a biodiversidade da região, alertam organizações ambientais. In “Jornal Tribuna de Macau” – China com “Lusa”


terça-feira, 22 de julho de 2025

Brasil - Porto de Santos registra recorde de movimentação de contêineres no 1° semestre de 2025

Movimentação de desembarque registra aumento; resultado geral apresenta leve queda


O 1º semestre de 2025 no Porto de Santos foi marcado pela manutenção do recorde de movimentação de contêineres.

Sendo assim, o aumento em relação a 2024 é de 7,8% com a passagem de 2,8 milhões de TEU (twenty foot equivalent unit, medida padrão internacional), contra 2,6 milhões na primeira metade de 2024.

“O resultado aponta para a capacidade do Porto de Santos de atender às demandas de seus clientes; no médio e longo prazo, com as iniciativas já em andamento, como a expansão da Poligonal, o aprofundamento do canal de navegação para 16 metros e o leilão do terminal Tecon 10, Santos irá se manter como o principal equipamento logístico do País”, afirma Anderson Pomini, presidente de Autoridade Portuária de Santos.

Outro destaque no semestre foi o movimento de desembarque (importação e cabotagem), com aumento de 1,2% em relação ao ano anterior. Foram 22,84 milhões de toneladas este ano contra 22,57 milhões em 2024. Já as operações de embarque registraram queda de 1,7%, reflexo do recuo nas cargas de granel vegetal sólido. Foram 65,49 milhões em 2025 ante 66,60 milhões no ano anterior. No total, o resultado se mostra estável, com queda inferior a 1% (88,30 milhões de toneladas contra 89,18 milhões em 2024). É o segundo melhor resultado histórico para o Porto.

Movimento mensal

Assim como no semestre, o mês de junho de 2025 também obteve recorde na movimentação de contêineres e recuo no resultado geral. Foram 511,2 mil TEU contra 439,6 mil no primeiro semestre de 2024, um aumento expressivo de 16,3%.

Como no total do semestre, o mês também marcou aumento na corrente de desembarque e queda nos embarques. No fluxo de entrada, foram 4,19 milhões de toneladas contra 4,07 milhões em junho de 2024, aumento de 3%. As saídas, por sua vez, registraram 11,84 milhões, enquanto em junho de 2024 foram 12,26 milhões (recuo de 3,45). No total, 16,04 milhões de toneladas, o segundo melhor resultado para o mês, apesar da queda de 1,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Em junho, o Porto de Santos aumentou para 29,9% sua participação na corrente comercial brasileira, o maior percentual dos últimos quatro anos. O segundo colocado é o Porto de Paranaguá, com 7,7%. E o terceiro o Porto de Itaguai, com 5%, além do Aeroporto de Guarulhos, com participação semelhante.

Outros destaques

A soja (grãos e farelo) continua como a carga de maior volume no total do Porto de Santos, com 29,61 milhões de toneladas no semestre (aumento de 2,6% em relação a 2024). Em segundo o açúcar (8,83 milhões, queda de 26,8%), e em terceiro a celulose – carga que vem ganhando espaço no Porto -, com 4,71 milhões (aumento de 21,4%). In “Boqnews” - Brasil


segunda-feira, 19 de maio de 2025

Macau e Hong Kong poderão colaborar com portos portugueses

As autoridades de Macau e Hong Kong expressaram interesse em explorar potenciais colaborações com portos em Portugal, disse a directora-geral de Política do Mar.



Marisa Lameiras da Silva encontrou-se na sexta-feira com a directora dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água de Macau, Susana Wong Soi Man, e o director dos Serviços de Protecção Ambiental, Ip Kuong Lam. Na quinta-feira, já tinha sido recebida em Hong Kong pela nova Secretária para os Transportes e Logística, Mable Chan, que tomou posse em Dezembro.

Nesses encontros, a directora-geral apresentou a Estratégia Nacional para o Mar até 2030 e “os últimos investimentos” que Portugal tem feito no transporte marítimo, portos, energias renováveis oceânicas, biotecnologia e bioeconomia azul. Lameiras da Silva disse que as autoridades dos dois territórios “realmente demonstraram interesse nestas matérias, nomeadamente no que Portugal tem feito na área dos portos”.

Não foi firmado qualquer acordo em concreto, até “porque esta é uma missão quase relâmpago, de três dias”, mas há “interesse em continuarmos a conversar”, referiu a dirigente.

Lameiras da Silva sublinhou a importância de “perceber onde há sinergias e onde há oportunidades de colaboração e parcerias”, não apenas com instituições públicas, mas também com empresas privadas.

Ainda na sexta-feira, a directora-geral falou sobre economia azul sustentável no Instituto Internacional de Macau e interviu durante o jantar de gala anual da Câmara de Comércio Europeia em Macau.

Lameiras da Silva, também presidente do Conselho de Gestão Estratégica da Rede Hub Azul, falava aos jornalistas após um diálogo com alunos da Escola Portuguesa de Macau sobre o futuro dos oceanos. O objectivo foi “trazer um pouco de consciência para a camada mais jovem, para a comunidade escolar, da importância do mar na nossa vida, bem como do impacto que nós temos no nosso dia-a-dia perante o oceano”, explicou.

Referindo-se às eleições legislativas em Portugal, Marisa Lameiras da Silva disse que seja qual for o novo Governo, tem esperança de que a aposta no mar continue a ser uma aposta transversal à política portuguesa. “Acho que é mais do que óbvio que o desígnio de Portugal também passa pelo mar e, portanto, há claramente a intenção de continuarmos aqui a trabalhar para a economia azul, respeitando sempre o que é a sustentabilidade ambiental e o crescimento económico”, referiu. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 18 de abril de 2025

China - Nova rota marítima direta entre Zhuhai e Brasil inaugurada

Foi inaugurada uma nova rota de transporte marítimo direta de Zhuhai, China, para o Brasil no dia 14 de abril de 2025, com o objetivo de reduzir os tempos de transporte e os custos, e de melhorar as relações comerciais entre os dois países



No dia 14 de abril de 2025, foi oficialmente lançada uma rota de transporte marítimo direta de Zhuhai, China, para o Brasil. Esta rota conecta o Porto de Gaolan, em Zhuhai, ao Porto de Santana, no Amapá, e ao Porto da Bahia. O Embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, afirmou que esta linha marítima poderá reduzir os tempos de transporte em até 30 dias e diminuir os custos logísticos em mais de 30%.

Segundo um comunicado da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Zhu destacou a importância de uma forte conectividade para o comércio internacional e realçou a relevância dos vínculos diretos através dos portos de Santana e Salvador para a melhoria das relações comerciais bilaterais.

Victor Queiroz, Diretor-Geral do escritório da ApexBrasil na Ásia-Pacífico, notou o potencial da rota para expandir as exportações brasileiras no sul da China, e destacou planos para organizar reuniões comerciais adaptadas ao mercado chinês, ajudando os importadores a compreender melhor os produtos brasileiros. Nelson Moura – Macau in “Plataforma”


domingo, 16 de fevereiro de 2025

Coreia do Sul - Porta-contentores Hyundai movido a energia nuclear transporta até 15 000 contentores

É um gigante do mar, tem uma capacidade para 15 mil contentores e será lançado ao mar pela mão da Hyundai. A característica que faz toda a diferença é o "combustível" que faz mexer este navio: energia nuclear



A HD Korea Shipbuilding & Offshore Engineering (HD KSOE), uma subsidiária intermédia do sector da construção naval da HD Hyundai, apresentou um modelo de navio porta-contentores alimentado pela tecnologia Small Modular Reator (SMR).

Esta inovação promete revolucionar o mercado dos transportes marítimos.

Aprovação preliminar e lançamento oficial

O projeto deste navio porta-contentores de 15.000 TEU recebeu a Approval in Principle, em português Aprovação em Princípio (AIP) do American Bureau of Shipping (ABS), um organismo conhecido pelas suas rigorosas certificações marítimas.

Esta aprovação é um aval inicial para que o projeto prossiga para as fases seguintes de desenvolvimento e certificação final.

A apresentação oficial do modelo teve lugar na New Nuclear for Maritime Houston Summit, realizada no Asia Society Texas Center, em Houston, EUA.

No evento, a empresa destacou as vantagens desta tecnologia em termos de eficiência económica, desempenho e segurança, posicionando-se como uma referência no sector naval rumo à neutralidade carbónica.

Inovações tecnológicas e vantagens de design

Ao contrário dos navios convencionais, este novo modelo SMR de propulsão nuclear não necessita de sistemas de escape nem de tanques de combustível fóssil.

Esta alteração permite otimizar o espaço de maquinaria dos motores tradicionais, aumentando assim a capacidade de carga, o que se traduz numa maior eficiência logística e rentabilidade.

Para garantir a segurança contra possíveis fugas radioativas, foi implementado um sistema de blindagem com um tanque duplo de aço inoxidável e água leve. Esta tecnologia acrescenta uma camada extra de proteção, minimizando os riscos associados à utilização de reatores nucleares em ambientes marítimos.

Além disso, a HD KSOE, em colaboração com a empresa global de tecnologia energética Baker Hughes, incorporou um sistema de propulsão supercrítico à base de dióxido de carbono, que aumenta a eficiência térmica em cerca de 5% em relação aos sistemas de vapor tradicionais.

Esta inovação está em conformidade com os princípios da eficiência energética e da sustentabilidade, essenciais no atual contexto de transição ecológica.

Rumo à comercialização da tecnologia nuclear marinha

A fim de avançar para a aplicação comercial desta tecnologia, a HD KSOE criará uma instalação de demonstração nuclear marinha no seu Centro de Ensaios de Tecnologias Futuras, na Coreia do Sul. Esta instalação permitirá verificar a segurança e o desempenho dos projetos antes da sua instalação em navios operacionais.

Patrick Ryan, Diretor de Tecnologia da ABS, sublinhou que os navios movidos a energia nuclear podem marcar um ponto de viragem no mercado naval, especialmente numa altura em que a neutralidade de carbono se tornou uma prioridade global.

Park Sangmin, chefe do Laboratório de Investigação de Energia Verde da HD KSOE, afirmou que a empresa está a reforçar a sua colaboração com os organismos reguladores internacionais e as sociedades de classificação para estabelecer as bases regulamentares que facilitem a comercialização destes navios. O seu plano estratégico prevê o desenvolvimento de um modelo de negócio de propulsão nuclear marítima até 2030.

Os pequenos reatores de energia nuclear modulares (SMR) são uma alternativa aos combustíveis fósseis tradicionais.

A sua capacidade de funcionar continuamente durante longos períodos sem reabastecimento oferece uma alternativa viável para rotas transoceânicas de longa distância, reduzindo a dependência dos combustíveis convencionais e eliminando as emissões diretas de gases com efeito de estufa. In “Pplware” - Portugal


domingo, 17 de novembro de 2024

Peru – Inaugurado o porto de águas profundas de Chancay estratégico para o Brasil e China

Construído pela China, o porto de Chancay, a norte de Lima, foi inaugurado na quinta-feira pelo Presidente chinês, Xi Jinping, ilustrando a importância da infraestrutura nos planos de Pequim para a América Latina.

 

Com o custo de construção estimado em 3,5 mil milhões de dólares, o porto visa servir como centro logístico fundamental na região e um ponto de ligação crucial entre a América do Sul e o Indo-Pacífico. 

A infraestrutura é de especial interesse para o Brasil, que pode assim obter acesso ao oceano Pacífico. O projecto Rotas de Integração da América do Sul, iniciativa do governo do Presidente Lula da Silva, para ligar o Brasil aos principais centros de comércio e desenvolvimento da região, inclui duas rotas com destino ao porto de Chancay. “Esta integração sul-americana que estamos a planear foi pensada tendo em conta mudanças económicas e estruturais dos últimos 24 anos. No passado, exportávamos mais para a Argentina, EUA e Europa. Isso mudou: a China é agora o nosso principal parceiro”, justificou o secretário de coordenação institucional do Ministério do Planeamento brasileiro, João Villaverde. 

Em 2023, as exportações do Brasil para a China superaram os 104 mil milhões de dólares, o maior valor de sempre vendido pelo Brasil para um só país. O mercado chinês absorve já 30% das vendas brasileiras para o exterior. 

Para os EUA, que vêem com apreensão a crescente influência da China na América Latina, o porto é visto como peça fundamental no tabuleiro económico e geopolítico da região. “Esperem até que o porto de Chancay, no Peru, seja ligado ao Brasil. Isso vai servir de alerta para todos”, disse Erik Bethel, antigo representante dos EUA no Banco Mundial, durante uma conferência em Miami sobre segurança no hemisfério ocidental. “Se não estão a acompanhar, procurem no Google. É um grande problema”, vincou.

A general Laura Richardson, responsável pelo Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, tem manifestado preocupação há anos. “A China está quase à porta da nossa casa”, descreveu a general ao Congresso norte-americano, em Março passado. Pequim “está a jogar a longo prazo, com o desenvolvimento de locais e instalações de dupla utilização [civil e militar] em toda a região. A China apresenta os seus investimentos como sendo pacíficos, mas, na realidade, muitos deles servem como pontos de acesso futuro de múltiplos domínios para o seu Exército e como pontos de estrangulamento naval estratégico”, resumiu. 

Oficialmente, a China tem apenas um porto militar além-fronteiras, no Djibuti, no Corno de África. Mas alguns dos seus portos comerciais também são utilizados para reabastecer e carregar navios de guerra, como as instalações em Hambantota, no Sri Lanka. Na última década, o país asiático construiu de raiz ou comprou participações maioritárias numa vasta rede de portos fundamentais para o comércio mundial, desde o Pireu, na Grécia, a Gwadar, no Paquistão. Segundo o grupo de reflexão Council on Foreign Relations, as empresas estatais chinesas detêm participações em cerca de 100 portos em 64 países, em todos os oceanos e continentes, excepto na Antártida. 

A própria China alberga oito dos 10 maiores portos de contentores do mundo. Durante o mesmo período, o país asiático modernizou as forças navais e tem agora a maior marinha do planeta. Com quase 18 metros de profundidade, o terminal de águas profundas do porto de Chancay pode acolher os maiores navios porta-contentores do mundo, capazes de transportar até 24.000 contentores. 

Segundo a Cosco Shipping Ports, a estatal chinesa que detém 60% do porto, a infraestrutura vai reduzir para já o custo do transporte de e para Peru, Chile, Colômbia e Equador, que vão deixar de ter de utilizar portos no México e nos EUA para o comércio com a Ásia. A instalação “vai permitir à China posicionar-se nesta parte do mundo”, explicou Oscar Vidarte, professor de relações internacionais na Universidade Católica do Peru, citado pela agência de notícias France-Presse. João Pimenta “Agência Lusa” in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Portugal - Governos negociam acordo para o porto de Sines ser o centro logístico do Brasil na Europa

Nesta sexta-feira em Lisboa, o ministro dos Portos e Aeroportos brasileiro disse que o Brasil espera assinar no início de 2025 um acordo de cooperação com Portugal para tornar o porto de Sines uma plataforma logística do Brasil para a Europa.


Sílvio Costa Filho, que se encontra em visita oficial a Portugal, revelou que este foi um dos assuntos debatidos com o Ministro das Infraestruturas e da Habitação de Portugal, Miguel Pinto Luz, durante o encontro que ambos tiveram na quinta-feira.

Segundo o ministro brasileiro, trata-se de “um acordo comercial” que está a ser, e “em nenhum momento foi discutida a possibilidade de empresas brasileiras participarem no porto” português.

“O que discutimos é que grandes operadores que já têm portos no Brasil (…) possam exportar produtos para o porto de Sines e este servir como parte do ‘hub’ internacional para outros portos aqui na Europa”, frisou.

“Portugal tem o porto de Sines, que representa mais de 40% da agenda portuária do Estado”, além de outros portos, salientou Sílvio Costa Filho, e do seu lado o Brasil quer dialogar com o porto de Santos, de Paranaguá, de Pecém, de Suape e de Pernambuco”, especificou.

O plano logístico deverá contar com essas rotas de integração e devem ser identificados parceiros comerciais que operam no Brasil e em Portugal, bem como outros, que possam fazer essas operações conjuntas, explicou o ministro, lembrando que “é uma prioridade do Presidente Lula [Luis Inácio Lula da Silva] ampliar o diálogo com Portugal e, cada vez mais, com o mercado europeu”.

“Lisboa hoje tornou-se num ‘hub’ internacional de aviação (…) e a ideia é que também o porto de Sines possa se transformar em parte do ‘hub’ logístico do Brasil na Europa”, concluiu.

Nos próximos meses as equipas dos dois ministérios vão estruturar o texto conjunto, para o acordo poder ser assinado numa visita do ministro português ao Brasil, o que poderá ocorrer durante a próxima cimeira Luso-Brasileira, provavelmente realizar-se em fevereiro de 2025, admitiu o governante brasileiro.

O Brasil vive “um momento muito fértil do ponto de vista de oportunidade económicas”, frisou.

“Temos mais de 50 leilões que estarão programados para os próximos 30 meses, na área portuária, aeroportuária e hidroviária. Concessões que serão feitas (…) nos próximos três anos”, destacou.

Na sua visita de dois dias a Portugal, o ministro teve também como objetivo apresentar essa carteira de investimento e concessões a investidores portugueses, num jantar na quinta-feira.

Em entrevista à Lusa, lembrou que o seu país quer “ampliar essas parcerias com o mercado europeu”, para que cada vez mais os investidores destas origens possam investir no Brasil, “em portos, aeroportos, rodovias, em petróleo e gás e na aviação”.

Os investidores, garantiu, podem participar nas concessões portuárias “integralmente, sem a participação de empresas brasileiras, porque o Brasil hoje tem um livre mercado na agenda portuária” e terão “segurança jurídica, estabilidade e, se for preciso, crédito” para os seus negócios.

O Brasil também está a fazer “um grande volume de investimentos nos portos públicos” na ordem de mais cinco mil milhões de euros, acrescentou, referindo que os leilões e concessões que estão a ser feitos nas áreas que tutela equivalem a aproximadamente sete mil milhões de euros.

“Este é o maior programa de investimentos da história do Brasil na área portuária”, sublinhou.

Além disso, “o Brasil teve um crescimento nos portos públicos brasileiros na ordem de mais de 6%”, referiu.

Quanto a interesses já manifestados por investidores portugueses para futuras concessões de portos, Sílvio Costa Filho adiantou que tem havido conversas com a “Mota Engil, Teixeira Duarte e outros grupos”, que “abriram o diálogo” com o Governo e querem fazer investimentos, mencionando ainda conversas com a Acciona, grupo espanhol que com investimentos em Portugal.

Aeroporto

O encontro serviu também para tratar sobre a ampliação de voos comerciais entre os dois países. Com quase 2 milhões de passageiros transportados, Portugal é o país europeu com maior movimentação de viajantes. O número corresponde a 32% de turistas que viajam para o exterior.

Para aumentar o fluxo de turistas, o governo brasileiro mostrou-se favorável em ampliar a conectividade entre Brasil e Portugal. Nesse contexto, o Brasil tem acompanhado o pedido de companhia aérea brasileira para aumentar o número de slots no Aeroporto Internacional de Lisboa, principal do país. A iniciativa visa expandir a atuação em empresas brasileiras em território português, contribuindo significativamente para o fortalecimento das relações bilaterais e ampliando as opções de conectividade entre as nações, o que beneficiará tanto o comércio quanto o turismo.

No âmbito da gestão portuária, os dois governantes consideraram prioritário e de comum interesse potenciar o reforço das ligações entre os dois países por meio do modal marítimo, tendo sempre como compromisso cumprir os princípios da sustentabilidade, digitalização e formação como vetores de orientação desta colaboração. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sábado, 4 de maio de 2024

Guiné-Bissau - Grupo Santy Olding vai financiar estudo de viabilidade para construção de novo porto de águas profundas em Pikil

Bissau – O Governo, através do Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital e o Grupo Santy Olding assinaram, esta sexta feira, um acordo de financiamento de estudos sobre a viabilidade   de construção de novo porto de águas profundas, em Pikil, na região de Biombo.


A convenção foi assinada pelo Ministro dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital, José Carlos Esteves e pelo Administrador do Grupo Santy Olding na Guiné Bissau, Santiago Hanna Mendoza, na presença do ministro das Pescas, Mário Mussante da Silva.

O conselheiro do Ministro dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital, para áreas Marítimo e Portuário, Pedro Tipote disse que o Executivo tomou esta medida, porque o porto de Bissau já não tem condições para satisfazer as embarcações que vêm para o país, quer em termos logísticos quer em termos de operações portuárias.

“O Porto de Bissau - o cais comercial, foi projetado para receber  cinco mil contentores anuais, mas com a tendência da exportação, sobretudo do nosso  produto interno, a castanha de caju,  subiu para 40 mil contentores”, revelou.

Acrescentou que, querendo resolver esta situação, o Governo decidiu avançar com a construção de um porto de águas profundas que vai oferecer outra característica, por isso se procedeu a  assinatura do acordo para realização do estudo de viabilidade com o Grupo Santy Olding.

O estudo, diz Tipote, vai contemplar a viabilidade técnica e financeira, o pacto ambiental e social, um anteprojecto detalhado de implementação das infraestruturas, incluindo a construção de uma doca, bem como um  estudo preliminar para requalificação e reconversão do Porto de Bissau, para melhor utilização das infraestruturas portuárias.

Pedro Tipote acrescentou que em termos geográficos é preciso ter um plano diretor para a implementação do próprio projecto que abrangerá  Quinhamel até Pikil.

O ministro dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital José Carlos Esteves disse ser um ato importante e estratégico para o setor marítimo portuário.

Destacou que o Governo, com o financiamento do Banco Mundial elaborou recentemente um plano nacional, que já está na fase final, de transporte e logística, que define as estratégias para o desenvolvimento no domínio portuário, aéreo, terrestre e as infraestruturas que alavancam as  actividades de transporte.

“Hoje estamos perante o constrangimento de infraestruturas portuárias que permitam a dinamização do abastecimento das zonas de concentração urbana”, reconheceu José Carlos Esteves.

Disse que o Porto de Bissau, pela sua posição estratégica, não favorece grande atração de actividade marítima, por estar num canal de navegação ameaçado de assoreamento, restrição de sinalização, que põe em causa a segurança de navegação marítima, e que reflete no frete e no custo de seguro das embarcações.

José Carlos Esteves esclareceu que apesar de Biombo  ser beneficiário do porto comercial para abastecer a cidade de Bissau, o Governo mantém o seu interesse relativamente ao porto de águas profundas de Buba, cujo o estudo está em curso e que após sua conclusão  será lançado o  processo de mobilização de parceiros para a sua construção, tendo em conta o potencial mineiro da  zona sul do país..

O governante assegurou que aposta na construção do novo porto na região de Biombo, demonstra que a economia depende da importação e exportação e diz que a crise internacional reflete diretamente no preço dos produtos de primeira necessidade.

Relacionou a construção do Porto de Pikil com a necessidade de redução dos custos de Seguros das embarcações e da operação portuária, e diz que a medida terá um impacto positivo na vida económica e social e na redução dos custos dos produtos de primeira necessidade.

O Plano Diretor de Biombo, segundo José Carlos Esteves, prevê a preservação dos terrenos de Quinhamel até Pikil para atividades Industriais, por forma a evitar ocupações ilegais que geram conflitos.

Acrescenta que, por isso, todas as ocupações que se vão fazendo nesta zona têm que obedecer a orientações do Estado, dando prioridade as infraestruturas de domínio público de apoio aeroportuário.

Anunciou na ocasião o lançamento de um concurso, num futuro próximo, para requalificação do Porto de Pindjiguiti.

O administrador do Grupo Santy Olding, Santiago Hanna Mendoza disse que a grupo está ciente das dificuldades de infraestruturas portuárias na Guiné-Bissau, que atrasam o desenvolvimento económico do país.

Declarou que, por isso, o grupo está disponível para  realizar  o estudo para desenvolver a economia, visto que, diz, “os  portos são braços de qualquer nação que  exporta a sua capacidade económica, mas também cultural para o resto do mundo”.

Santiago Hanna Mendoza disse que dentro de duas semanas os técnicos vão chegar  para a realização, num período de seis meses, dos estudos de viabilidade visando a  construção do novo porto de águas profunda no país. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


terça-feira, 19 de março de 2024

Turquia - Oferece três embarcações para patrulha do mar à Guiné-Bissau

Bissau – O Governo da Turquia disponibilizou três embarcações para ajudar a Guiné-Bissau a patrulhar as suas costas marítimas no âmbito do combate à pesca ilegal e ao tráfico de drogas.


O embaixador de Turquia na Guiné-Bissau, Ali Sait Akim procedeu à entrega das referidas embarcações ao governo guineense, através do Estado-maior da Armada, na presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, Chefe de Estado-maior General  das Forças Armadas, Biaguê NTan e do ministro da Defesa Nacional, Nicolau dos Santos.

As três embarcações dispõem de equipamentos para vigilância marítima.

Na ocasião, o embaixador da Turquia no país declarou a disponibilidade de seu país continuar a apoiar a Guiné-Bissau no processo de desenvolvimento, principalmente, na requalificação e na construção das infraestruturas marítimas.

“É neste quadro que o Governo da Turquia doou estas embarcações ao governo guineense para reforçar a sua capacidade de fiscalização marítima”, disse o diplomata turco.

O Presidente da República agradeceu ao seu homólogo da Turquia pela doação das embarcações ao país, destinadas ao reforço das suas  capacidades de fiscalização, através do Estado-maior da Armada (Marinha).

Umaro Sissoco Embaló disse que, para além destas embarcações, o país vai ainda beneficiar da Turquia, de cinco embarcações de transporte de passageiros, por forma a reduzir as dificuldades de ligação  entre a capital Bissau e as ilhas.

Estas jangadas, segundo o chefe de Estado, serão colocadas na travessia de Tchetchi, Farim, Cubumba e de Bissau para Ntchudé.

Umaro Sissoco Embaló anunciou ainda para breve a recepção do Governo português de um navio de transporte de cargas e passageiros.

Disse que essas ações se enquadram nas celebrações do centenário do nascimento de Amílcar Cabral e de 60 anos da criação das Forças Armadas.

O chefe de Estado Guineense lamentou a situação da Força Aérea, em termos de materiais, por isso assegurou que vai diligenciar junto dos parceiros, equipamentos para este ramo das Forças Armadas.

“Temos uma Força Aérea na teoria, mas na prática nada existe, porque uma Força Aérea tem que ser adoptada de meios, sobretudo de aviação, não só para garantir a segurança territorial, mas também ajudar na questão de evacuação sanitária”, afirmou.

Para que isso aconteça, segundo o chefe de Estado, é preciso que haja estabilidade no país.

O chefe de Estado Guineense recomendou ao chefe de Estado-maior da Armada a fazer o bom uso das embarcações recebidas do Governo da Turquia.

O Presidente guineense afirmou que as embarcações não servem só para fiscalização marítima, mas também para combate ao tráfico de drogas no mar. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau


quinta-feira, 27 de abril de 2023

Panamá - Seca ameaça uma das rotas marítimas mais importantes do mundo

A falta de chuva fez com que os níveis de água caíssem nos dois lagos artificiais que abastecem o canal


A falta de chuvas obrigou o Canal do Panamá a reduzir o tráfego marítimo.

A crise de abastecimento de água ameaça o futuro desta importante rota marítima que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.

Cerca de seis por cento de todo o transporte marítimo global passa pelo canal, principalmente dos EUA, China e Japão. Pela quinta vez nesta temporada de seca, que vai de janeiro a maio, a Autoridade do Canal do Panamá (ACP) teve de limitar a passagem de navios de grande porte.

Como a seca afetou o Canal do Panamá?

Alajuela e Gatún são os dois lagos artificiais que fornecem água ao Canal do Panamá. Requer cerca de 200 milhões de litros de água para fluir por uma série de eclusas em camadas para o mar para que cada navio passe.

A água da chuva é a fonte dessas reservas que alimentam as eclusas, que podem chegar a até 26 metros acima do nível do mar.

A ACP diz que de 21 de março a 21 de abril, os níveis de água em Alhajuela caíram sete metros, mais de 10%.

“A falta de chuvas afeta várias coisas, sendo a primeira a redução das nossas reservas de água”, disse à AFP Erick Cordoba, gerente de água da ACP.

Também afeta os negócios “com a redução do calado das embarcações Neopanamax, que são as maiores embarcações que transitam pelo canal” e as que mais pagam portagem, acrescenta.

Em 2022, mais de 14 000 embarcações com 518 milhões de toneladas de carga passaram pela hidrovia, contribuindo com US$ 2,5 mil milhões (€ 2,3 mil milhões) para o tesouro panamenho.

As autoridades estão à procura de soluções

O administrador do canal, Ricaurte Vasquez, reconheceu recentemente ao sítio panamenho SNIP Noticias que a escassez de água era a principal ameaça ao transporte marítimo no canal.

Em 2019, o abastecimento de água doce caiu para apenas três mil milhões de metros cúbicos – muito aquém dos 5,25 mil milhões necessários para operar o canal.

Isso disparou o alarme para as autoridades que temem que a incerteza possa levar as companhias de navegação a favorecer outras rotas. A crise da água também os fez procurar outras soluções.

“Sem um novo reservatório que traga novos volumes de água, esta situação tirará a capacidade de crescimento do canal”, disse à AFP o ex-administrador Jorge Quijano.

“É vital encontrar novas fontes de água, especialmente diante das alterações climáticas que estamos vendo, não apenas no nosso país, mas em todo o mundo.”

A crise da água não está a afetar apenas o canal, no entanto. A escassez levou a problemas de abastecimento em várias partes do Panamá e provocou uma série de protestos.

Especialistas alertam que escassez de água pode levar a conflitos

Especialistas alertam que isso pode causar conflitos de água entre o canal e as populações locais.

“Não queremos entrar num conflito filosófico sobre a água para os panamenhos ou para o comércio internacional”, disse Vasquez.

O canal sofreu “uma falta de chuva como em todo o país, mas dentro dos parâmetros do que é um período normal de seca”, disse à AFP Luz de Calzadilla, gerente geral do Instituto de Meteorologia e Hidrologia do Panamá.

Mas o fenómeno climático El Nino provavelmente reduzirá as chuvas na segunda metade do ano, acrescenta Calzadilla.

Ele diz que há uma responsabilidade por lei de dar prioridade a água potável sobre os negócios, mas a administração do canal “faz magia” para manter o equilíbrio.

É pouco conforto para aqueles que enfrentam escassez de água no Lago Alajuela.

“Alajuela tem menos água a cada dia”, disse à AFP Leidin Guevara, 43 anos, que pesca no lago.

“Este ano foi o mais difícil que já vi para a seca.” Euronews.green


domingo, 8 de janeiro de 2023

Guiné-Bissau – Ministério dos Transporte aguarda chegada de navio para transporte de passageiros entre as ilhas

Bissau – O Governo, através do Ministério dos Transportes e Comunicações e com o apoio de Portugal, espera receber este ano um navio de transporte de passageiros de 320 lugares, para garantir a ligação entre as ilhas e facilitar o escoamento dos produtos.



O anúncio foi feito por um dos membros do Núcleo de Apoio Técnico ao Gabinete do ministro dos Transportes e Comunicações, Murido Cá, numa conferência de imprensa de esclarecimentos sobre as condições de abate dos navios da Sociedade de Transporte Marítima SOTROMAR, nomeadamente IV Centenário, Pecixe e Baria.

O sindicato de base da empresa teria acusado o ministério de recebimento de 80 milhões de francos CFA resultante da venda de sucatas dos navios da SOTROMAR, acusação refutada por Murido Cá.

Disse que a empresa que ganhou o concurso para o abate dos navios pagou 45 milhões de francos para o efeito e não 80 milhões, explicando que, desse montante, cinco milhões de francos foram revertidos para o pagamento dos elementos que compõem a comissão.

Cá disse ainda que, cerca de 20 milhões de francos CFA também foram destinados para o pagamento de dois meses de salários dos funcionários da Sotromar e que o resto ficou cativado por ordem do Tribunal, devido a um litígio entre a empresa e um dos seus trabalhadores.

A SOTROMAR é uma sociedade de transporte marítima, tutelada pelo Ministério dos Transportes e Comunicações, criada com o objectivo de facilitar a ligação entre as ilhas.

De algum tempo para cá, segundo Murido Cá, a empresa deparou-se com problemas de ordem técnica e financeira, que não permitiram dar resposta aos objectivos que nortearam a sua criação, sobretudo no que se refere ao pagamento de salário aos trabalhadores.

Murido Cá disse que a empresa se encontra em situação de dívidas perante os funcionários no valor de mais 639 milhões de francos CFA, e com diferentes fornecedores na ordem de 200 milhões de francos.

“É uma empresa que, há cinco anos, não dispõe de nenhuma fonte de receita. Neste momento não tem nenhum navio operacional para dar respostas às exigências”, acrescentou aquele responsável.

Disse que esta situação foi herdada pela atual direção que assumiu a gestão da empresa em 2020.

“A atual direção prontificou-se em informar o ministro da situação difícil com que se depara a empresa e este por sua vez deu instruções para se fazer um levantamento geral da empresa. Concluído o levantamento emitiu-se um parecer técnico que indicava que os navios IV centenário e Pecixe estavam num estado avançado de degradação e que o Baria era recuperável”, disse.

De seguida, de acordo com Murido Cá, o ministro dos Transportes informou o plenário governamental sobre a situação da empresa e tendo em conta as dificuldades do governo em termos de condições financeira para recuperação dos navios, foi decidido a criação de uma Comissão Interministerial, composta pelo Ministério das Finanças através do Departamento de Património de Estado, Instituto Marítimo Portuário e Sotromar e representantes dos sindicato de base dos trabalhos da mesma para garantir a maior transparência do processo.

“No fim dos trabalhos levados a cabo pela comissão, foi aberta um concurso público para o abate dos navios e a empresa que venceu o concurso pagou 45 milhões de francos para o abate dos três navios, dos quais cinco milhões de francos CFA foram  destinados ao pagamento dos elementos que compõem a comissão, cerca de 20 milhões francos cfa foram destinados para o pagamento de dois meses de salários dos funcionários da Sotromar, e o resto do valor ficou cativado por ordem do tribunal devido a um litígio que existe entre a empresa e um dos seus trabalhadores”.

O Membro do Núcleo de Apoio Técnico do Gabinete do ministro dos Transportes e Comunicações pediu calma aos funcionários, e admite que melhores dias hão de chegar.

Perguntado para quando a chegada do navio, Murido Cá disse que se está a fazer um trabalho técnico para adaptação do mesmo às condições de navegabilidade nas águas territoriais guineenses. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau