Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Sustentabilidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sustentabilidade. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Moçambique – Conferência Internacional "Crescendo Azul 2019"

O Governo de Moçambique apresentou, na passada quarta-feira, dia 03 de Abril, a 1a Conferência Internacional “Crescendo Azul”, que realizar-se-á nos dias 23 e 24 de Maio, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, capital de Moçambique



A importância dos Mares e Oceanos para a humanidade como fonte de vida, produtor de oxigénio, suporte dos ecossistemas, regulador do clima, produtor de alimentos, fonte de emprego e como reserva de água, tem vindo a ser reconhecida a nível global, com destaque para a Organização das Nações Unidas, através da Agenda 2030 que define os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS14 sobre a conservação e utilização sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável".

Aliás, estes instrumentos, no seu conjunto, além de aumentarem o nível de compreensão de outros quadros legais internacionais pertinentes, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), lançam bases para uma cooperação estruturada entre as nações, na vertente marítima, que conduzam à proclamação dos Mares e Oceanos como factores de desenvolvimento sustentado e de segurança dos países, e, por outro, à promoção de uma colaboração permanente, em torno de uma abordagem intersectorial e interagências, para uma efectiva gestão integrada da área costeira e marinha, sobretudo, nos países menos desenvolvidos.

A natureza transfronteiriça dos Mares e Oceanos faz com que os crescentes desafios ligados às ameaças globais como as alterações climáticas, crescimento demográfico, degradação do ambiente marinho, perda da biodiversidade e o elevado risco de poluição e à proliferação do lixo plástico, aliadas às questões relacionadas com a segurança marítima, requeiram abordagens harmonizadas e concertada entre as várias Nações que compartilham este recurso, ou que indirectamente a ele estejam ligadas.

A região do Oceano Índico Ocidental, particularmente o Canal de Moçambique, é rica em biodiversidade e ecossistemas marinhos costeiros, desde os recifes de corais que se estende desde a costa do Quénia, até a zona do Norte de Moçambique: florestas de mangal que se pontificam no Delta do Zambeze, dunas costeiras ricas em recursos minerais, ervas marinham que albergam uma população única de golfinhos remanescente na região e uma grande diversidade de recursos pesqueiros que são fonte de renda e subsistência para a população costeira. Para além destes recursos, a região é igualmente rica em hidrocarbonetos, particularmente na Bacia de Rovuma.

A Intensa utilização dos recursos pesqueiros existentes na região; a intensa utilização desta região como rota de transporte marítimo, assim como o advento da exploração de hidrocarbonetos requerem uma abordagem consertada, integrada e harmonizada. Esta acção é particularmente relevante no canal de Moçambique onde ainda persiste a pesca ilegal devido existir uma falta de capacidade dos países para fiscalizar as suas águas territoriais que é exacerbado pela limitada capacidade institucional para enformar o desenvolvimento duma Economia Azul sustentável. Estes factos, e não só, que procuram uma forte colaboração e coordenação a nível nacional, regional e internacional, e dada a sua localização geoestratégica, impõem a Moçambique a necessidade de assumir proactivamente a responsabilidade de promover o desenvolvimento duma Economia Azul sustentável, à luz dos comandos emanados dos seus instrumentos de política e legais, alinhados com os de cariz regional, continental e internacional.

Moçambique pretende juntar-se ao movimento global de chamamento para acção lançado pelas Nações Unidas e por vários organismos responsáveis pela sustentabilidade dos Oceanos no quadro da implementação do ODS14, estabelecendo uma plataforma de diálogo permanente, a realizar-se em séries, bienalmente, denominada de Conferência “Crescendo Azul”. As abordagens da Conferência, inseridas nas áreas temáticas (Governação e sustentabilidade do oceano; Oceano e inovação; Rotas do oceano; Energia do oceano), focalizar-se-ão no país e na Região Ocidental do Oceano Índico (zona de inserção geográfica de Moçambique), com o objectivo de promover a concertação, o alinhamento e a partilha do conhecimento, necessários a um efectivo cumprimento dos compromissos assumidos, no quadro da implementação do ODS14.

A edição da primeira conferência é realizada no reconhecimento de que o conhecimento, assente na investigação científica e tecnológica, é a chave basilar para o desenvolvimento da Economia Azul. Considerando o contexto nacional e regional, caracterizado por limitado conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico, urge a necessidade de se direcionar recursos de investimento, tanto na formação como no reforço ou criação de capacidade técnica e institucional, para permitir que a ciência e tecnologia encorpem o desenvolvimento de uma Economia Azul sustentável.

A Economia Azul é considerada a nova fronteira da renascença a nível global, que tem levado a que um número crescente de países esteja empenhado em formular Políticas e Estratégias que integram a Economia Azul como base de transformação socioeconómica por meio de iniciativas e estratégias integrantes e harmonizadas, bem como de acção conjunta entre países para desenvolver o potencial latente que os Mares e Oceanos oferecem à humanidade.

Destaque vai para a Estratégia Marítima Integrada Africana 2050 da União Africana (objectivos da UA 2050) e o Manual de Política de Economia Azul para África, que para além de aumentar o nível de compreensão de outros quadros internacionais pertinentes, como a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar (UNCLOS), lançam as bases para uma cooperação estruturada da vertente marítima visando proclamar os Oceanos como factores de desenvolvimento sustentado e da segurança marítima dos países, promovendo a colaboração em torno de uma abordagem intersectorial e interagências para uma efectiva gestão integrada da área costeira e marinha em África.

Assim, o desafio permanente que emerge da necessidade de se traduzir a agenda global, continental e regional em directivas e acções concretas e transformacionais a nível do país, individualmente e no contexto de blocos de países, para um efectivo desenvolvimento azul sustentável, constitui o móbil da organização e realização da série de conferências.

Com a Conferência em alusão pretende-se que os participantes se debrucem sobre quatro áreas temáticas, nomeadamente:

GOVERNAÇÃO E SUSTENTABILIDADE DO OCEANO
- Plataformas Regionais / Internacionais
- Poluição
- Biodiversidade / Conservação
- Mudanças Climáticas/Segurança Alimentar
- Segurança Marítima

OCEANO E INOVAÇÃO
- Ciência
- Tecnologia
- Inovação

ROTAS DO OCEANO
- Transporte / Navegação
- Portos
- Comércio Marítimo
- Turismo

ENERGIA DO OCEANO
- Energias Renováveis
- Petróleo
- Gás
-Comércio

Para a primeira Conferência a ter lugar nos dias 23 e 24 Maio de 2019, está definido o seguinte lema:

Crescendo Azul: Exploração Sustentável e Compartilhada do Oceano


A Conferência “Crescendo Azul” com foco na região Ocidental do Oceano Índico pretende juntar cerca de 500 participantes entre entidades nacionais, regionais e internacionais, com interesses e competências múltiplas em ramos de Economia Azul e governação do mar, integrando dirigentes a mais alto nível, decisores, implementadores, empresas de ramo, doadores, instituições financeiras, instituições de ensino & pesquisa, Sociedade Civil e ONG, com actividades ligadas ao mar, zonas costeiras, oceanos e seus ecossistemas. InMinistério do Mar, Águas Interiores e Pescas” - Moçambique

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Internacional - Haverá água suficiente no futuro?



Sustentabilidade da água

O Atlas de Escassez de Água é uma ferramenta educacional que acaba de ser disponibilizada gratuitamente.

Segundo seus criadores, Joseph Guillaume e Matti Kummu, da Universidade de Aalto, na Finlândia, o objetivo é "ajudar o mundo a fazer escolhas mais sustentáveis".

O Atlas permite visualizar como a escassez de água evoluiu nos últimos 100 anos e apresenta cenários potenciais para o restante deste século. O usuário pode explorar como diferentes fatores, como mudanças na dieta e desperdícios de alimentos, afetam os recursos hídricos em todo o mundo.

"Conforme aumenta o uso da água, fica mais difícil acessar o recurso de forma sustentável. Comer menos carne e evitar o desperdício de comida pode reduzir o consumo de água. Precisamos apoiar iniciativas de governos, ONGs e empresas com programas de manejo da água.

"É difícil encontrar um equilíbrio entre as necessidades ambientais e humanas, especialmente quando não há água suficiente. Podemos trabalhar juntos para ajudar os agricultores e outros usuários de água a adotarem novas técnicas e estabelecer arranjos de gestão eficazes," afirmou Guillaume.

Sabemos, mas pouco fazemos

Nos países não tão pobres, cada pessoa usa em média de 3.000 a 5.000 litros de água por dia, dos quais a parte do leão não é consumida diretamente para beber ou se lavar - é gasta na produção dos alimentos que a pessoa ingere.

Os recursos hídricos do mundo estão se tornando uma questão cada vez mais premente à medida que as populações crescem e a mudança climática causa secas em regiões onde havia água suficiente.

Embora estudos já tenham fornecido várias maneiras de reduzir nosso consumo de água, essas informações valiosas geralmente não são utilizadas.

A ideia dos dois pesquisadores, ao elaborar o Atlas de Escassez de Água, é justamente comunicar melhor os resultados dessas pesquisas para um público mais amplo, esperando que elas passem a influenciar mais a atitude de cada um.

Uma versão interativa do atlas pode ser consultada aqui. In “Inovação Tecnológica” - Brasil

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Moçambique - Lançado concurso “Desafio Sustentabilidade em África”

A Incubadora do Standard Bank acolheu, recentemente, o lançamento do concurso “Desafio Sustentabilidade em África” no País, uma iniciativa da CDM-ABInbev que pretende premiar, com 50 mil dólares norte-americanos, a iniciativa africana que se mostrar mais alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ou seja, ecologicamente sustentável.

São elegíveis a este aliciante prémio, empreendedores provenientes de Moçambique, Botswana, Gana, Lesoto, Tanzânia, Namíbia, Zâmbia, África do Sul, Nigéria, Uganda e Suazilândia, que desenvolvem negócios ligados à agricultura, à água e saneamento, às mudanças climáticas, à gestão de resíduos sólidos e à criação de emprego através de iniciativas ecológicas.

As iniciativas apuradas em cada país terão a oportunidade de participar na fase final do concurso, a ter lugar na maior incubadora de África, o Silicone Savannah, no Quénia, onde vão disputar o prémio de 50 mil dólares e um programa de aceleração de 10 semanas baseado em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América.

Para Hugo Gomes, administrador para Assuntos Corporativos da empresa Cervejas de Moçambique, subsidiária da ABInBev, promotora da iniciativa, referiu que o que se pretende com este concurso é que “os jovens nos apresentem soluções para os problemas das suas comunidades ou dos seus Países”.

“As ideias já existem e são suficientes, mas agora estamos numa situação em que são necessárias verdadeiras soluções para os problemas que nós temos como continente”, disse Hugo Gomes.

Por seu turno, Godfrey Munedzi, representante do Standard Bank, esta iniciativa constitui uma oportunidade para os jovens africanos contribuírem para a solução dos problemas do seu continente, com destaque para as áreas abrangidas pelo concurso.

“O Standard Bank é um banco africano e, como tal, acredita que o crescimento e o desenvolvimento deste continente dependem dos jovens, que têm neste concurso a oportunidade de melhorar as condições de vida das suas comunidades e dos seus Países”, considerou Godfrey Munedzi.

Rindzela Adriano, que testemunhou a cerimónia de lançamento, afirmou que a mais-valia da iniciativa reside no facto de “motivar os jovens moçambicanos, em particular, a apostarem ainda mais em projectos virados para o desenvolvimento do País”.

“Os participantes vão aprender muito com a iniciativa, que é uma oportunidade para mostrarem que não são só os outros Países que têm jovens que apostam em projectos virados para o desenvolvimento”, asseverou Rindzela Adriano. In “Olá Moçambique” - Moçambique

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Brasil - Porto de Paranaguá fecha 2017 com volume histórico de cargas

O Porto de Paranaguá fechou 2017 com a maior movimentação de cargas da sua história. Foram 51,5 milhões de toneladas operadas entre janeiro e dezembro, o que representa um aumento de 11% em relação ao recorde anterior, de 46,1 milhões de toneladas, alcançado em 2013 e 14,2% a mais do que o ano passado, quando operou 45,1 milhões de toneladas.

O crescimento foi bem acima da média brasileira. Enquanto as exportações de produtos no Brasil inteiro tiveram crescimento médio de 7,2% em relação a 2016, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, as exportações pelo Porto de Paranaguá cresceram 17%.

O secretário de Estado da Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, afirma que a marca é histórica, pois representa uma mudança no patamar dos portos do Paraná. “O Porto de Paranaguá se preparou para isso. Foi uma confluência de fatores que levaram a este recorde”, diz ele.

“O campo produziu muito, o câmbio favoreceu a comercialização internacional da produção agrícola e o porto se equipou nos últimos anos para atender este aumento de demanda. O mais importante é que sempre que o produtor paranaense e brasileiro quiser usufruir do Porto de Paranaguá, ele estará preparado para receber estas cargas e operá-las da maneira mais ágil possível”, afirma Richa Filho.

Safra e investimentos 

A safra de grãos 2016/2017 foi recorde, ao alcançar as 240 milhões de toneladas colhidas pelo Brasil, e coincidiu com a entrega de alguns dos principais investimentos previstos para o porto. “De 2011 a 2017, foram mais de R$ 868 milhões em investimento público. Neste período, a movimentação de cargas de Paranaguá teve um aumento de 25%”, afirma o diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino.

A soja foi o carro-chefe da alta, com mais de 11,4 milhões de toneladas exportadas ao longo do ano (a maior marca da história), mas o recorde geral também foi alcançado com o aumento nas movimentações de carga geral (máquinas, peças industriais e produtos de alto valor agregado), com 9,5 milhões operados; fertilizantes, com 8,8 milhões de toneladas importadas; derivados de petróleo, com 4,7 milhões de toneladas importadas; açúcar, 4,8 milhões de toneladas exportadas; farelos, com 4,5 milhões de toneladas embarcadas; e milho, com 3,5 milhões de toneladas exportadas.

Recordes

Além de ultrapassar a marca das 50 milhões de toneladas pela primeira vez, o Porto de Paranaguá registrou vários outros recordes ao longo do ano. Ao todo, 17 marcas históricas foram batidas ao longo de 2017.

Foram alcançados os recordes históricos de movimentação diária, mensal, semestral e anual de cargas. Maior operação diária, semestral e anual de soja e de veículos. Maiores volumes de graneis sólidos, líquidos e carga geral. Maior fluxo de caminhões no Pátio de Triagem.

Entre as principais obras que tornaram possíveis estas marcas estão as campanhas continuadas de dragagem, reforma e aprofundamento do cais, instalação de novos shiploaders (carregadores de navios), construção de novos gates com novas balanças, automação dos equipamentos de controle de acesso, construção de novos tombadores, novos pátios de caminhões, entre outros.

Estes investimentos aumentaram em 33% a capacidade na descarga de grãos, multiplicaram o acesso de caminhões de fertilizantes, veículos e cargas gerais à faixa primária do porto e duplicaram a resistência do cais para operações.

Também foram feitas constantes campanhas de dragagens de manutenção, que garantiram a profundidade de projeto do canal de acesso e dos berços, permitindo que os maiores navios que atracam na costa brasileira pudessem operar em Paranaguá nas suas capacidades máximas de carga.

Em 2015 e 2016, o porto já tinha batido os recordes de movimentação do Corredor de Exportação, de embarque de açúcar, de desembarque de fertilizantes, movimentação de contêineres, desembarque de diesel e exportação de etanol, entre outros. Desde 2011, quando iniciou-se o atual pacote de investimentos, foram 45 recordes batidos.

Cidade

Um grande feito é que todas estas marcas tenham sido batidas sem causar transtornos à cidade. Mesmo com o maior volume de cargas chegando e saindo de Paranaguá, as filas de caminhões foram extintas, os motoristas são orientados a não despejar grãos nas vias dos municípios e o processo de limpeza das ruas foi intensificado.

Fruto deste trabalho, o Porto de Paranaguá alcançou a liderança nacional do ranking de sustentabilidade da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) com o melhor desempenho ambiental entre mais de 100 portos públicos e privados.

Além disso, uma obra de revitalização da avenida Bento Rocha, principal via de acesso ao porto, e a construção de um viaduto na entrada da cidade, na continuação da BR-277, serão realizados com aportes do caixa próprio da Appa. Os mais de R$ 36 milhões são os maiores investimentos feitos pelo porto em toda a história na infraestrutura da cidade. In “Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina” - Brasil

sábado, 6 de janeiro de 2018

Suíça – Entre Berna e Lisboa um empreendedor sobre Sustentabilidade Alimentar

Após realizar um mestrado sobre desperdício alimentar no curso de sustentabilidade na Universidade de Basileia, em 2011, João Almeida fundou a empresa Foodways na capital helvética. Hoje vivendo entre Berna e Lisboa, Almeida é um exemplo de uma nova safra de empreendedores sociais atuando globalmente



O nosso entrevistado viveu nove anos na Suíça e há cerca de dois anos, juntamente com a família, decidiu voltar a Lisboa. Trabalha remotamente a partir da capital portuguesa e desloca-se a Berna uma semana todos os meses.

Ainda ao final dos estudos secundários, João Almeida tinha o sonho de ir para Itália frequentar a universidade mas acabou por se matricular em economia na Universidade Nova de Lisboa, porque não sabia claramente o que estudar. "Não gostei, nem desgostei". No terceiro ano, participou do programa Erasmus de intercâmbio universitário e, ao ter de escolher um destino na Europa, optou por Berna por ser uma capital.

O ano de Erasmus

João Almeida veio em 2006 à Suíça para estudar. O seu primeiro choque foi com a língua e achou que seria impossível aprendê-la. "Inicialmente é o que toda a gente pensa", devido ao suíço alemão ser um dialeto de tradição oral que não se aprende na escola nem nos livros.

Na Universidade de Berna, João ficou admirado com as diversas mundividências dos seus colegas, contrariamente ao que encontrou em Lisboa. Isso também o fez apaixonar-se pela Suíça. Também lhe causou admiração os jovens tornarem-se independentes mais cedo do que em Portugal. A centralidade geográfica do país foi outra boa surpresa, podendo apanhar um comboio e em poucas horas estar noutra cidade europeia. Se tudo isso não fosse suficiente, no final desse ano conheceu a sua companheira Martina e a sua ligação ao país helvético aprofundou-se ainda mais.

Regressar à Suíça: o estágio e o mestrado

Quando voltou para viver na Suíça, um amigo incentivou-o a candidatar-se a um estágio na empresa Syngenta para o departamento de "business intelligence". Nessa empresa começou a ter contato com as discussões sobre sustentabilidade alimentar, particularmente as duas abordagens: a da intensificação da produção, e a vertente orgânica/biológica.

Ainda durante o estágio, João descobriu o mestrado em Sustentabilidade, pelo qual se apaixonou. A possibilidade de frequentar aulas nas faculdades de economia, ciências sociais e humanas, e ciências naturais "mostraram-me a complexidade que o mundo é". Durante o estágio pediram-lhe para fazer um estudo sobre desperdício alimentar e o tema interessou-lhe de imediato. Por esse motivo, decidiu aprofundá-lo e fez dele o assunto da sua tese que não poderia ter sido mais original: foi o primeiro documento publicado sobre o assunto na Suíça.

Conhecimento acadêmico para fundar a Foodways

Esse trabalho teve bastante projeção nacional e João Almeida apareceu em diversos meios de comunicação social e palestras sobre sustentabilidade. Aproveitando o interesse que a sociedade depositou no seu trabalho acadêmico, juntou-se com o seu colega e amigo Markus Hurschler e fundaram a Foodways uma empresa de serviços na área da sustentabilidade alimentar. Inicialmente eram apenas os dois, mas hoje em dia são uma equipe de oito pessoas.

João diz que abrir uma empresa na Suíça foi um processo burocrático relativamente simples. Contudo, o mais difícil para si é sentir-se sempre "estrangeiro, não pela sociedade, mas pelas instituições", mesmo tendo um grande envolvimento em temas centrais da política suíça.

A Foodways desenvolve projetos e dá consultoria em diversas áreas, como desenvolvimento de negócio, inovação, estratégias de marketing e comunicação, estratégias de redução de desperdício alimentar, entre outras. Inicialmente os sócios estavam afetados pela síndrome "da formiga que quer fazer tudo", mas com o tempo tiveram de estreitar o leque de projetos.

Dos diversos projetos, João Almeida destaca a gestão da associação United Against Waste, inicialmente lançada pela Unilever, que procura reduzir o desperdício alimentar no setor de restaurantes. Organizam sessões de coaching nas cozinhas e, por meio do software de medição de desperdício alimentar Leanpath, mostram o potencial de redução de desperdício levando-os a poupar dinheiro e recursos. Estão igualmente desenvolvendo um aplicativo para smartphone em formato de jogo, direcionado a cozinheiros que queiram aprender a reduzir o desperdício na cozinha.



João fala-nos também do novo aplicativo de receitas culinárias Myfoodways, que ainda estão a desenvolver e é financiada pelo Migros Engagement Fonds. "A ideia é fazer uma aplicação que as pessoas usem para o dia-a-dia", recomendando sempre produtos da época e escolhas sustentáveis. O aplicativo também sugere formas de conservar os alimentos cozinhados para se voltar a reaquecê-los. O programa encontra-se em fase de testes, está apenas disponível em alemão, e uma empresa de web-design sediada em Lisboa está a desenvolvê-lo. Paralelamente, estão a criar um modelo de negócio para financiarem o projeto no longo prazo.

Regresso a Lisboa: trabalhar à distância

João Almeida e a sua companheira decidiram ir morar um ano na capital portuguesa para que os seus dois filhos tivessem contato com os avós portugueses e a língua portuguesa. Contudo, ao fim de alguns meses, decidiram que não queriam voltar para a Suíça tão cedo. Apesar de se sentir feliz na Suíça, o seu coração está mais confortável em Lisboa.

O esquema que encontraram foi de trabalhar remotamente a partir de Lisboa. "Eu não queria deixar todo o trabalho investido na empresa". No entanto, ficar pendulando tantas vezes entre a Suíça e Portugal o faz questionar a sustentabilidade da sua escolha. "Trabalho com sustentabilidade e viajo uma vez por mês de avião. Se abrirmos cá um escritório, não terei de ir tão frequentemente à Suíça". Por outro lado, essas idas à Suíça lhe permitem atualizar-se com a tecnologia.

As raízes na Suíça e os novos caminhos

Ao fim de nove anos vivendo na Suíça, e mais dois entre Lisboa e Berna, João Almeida já se aculturou em muitos aspetos. Ele salienta que "o fato de haver pouca espontaneidade, de estar tudo planeado" é algo com que se habituou mas que não lhe agrada muito na Suíça. Mas, ao mesmo tempo, valoriza as pessoas com muita cultura e atividades interessantes que conheceu.

A família da sua companheira é de Berner Oberland e para lá costuma ir com frequência. No entanto, é o cantão do Ticino que elege como lugar preferido da Suíça. Apesar de estar baseado em Berna, frequenta Basileia e Zurique porque tem muitos amigos nessas cidades.

Por ter vindo ao país para estudar, a sua abertura foi sempre grande. Quando começou a dominar a língua alemã, as relações sociais desenvolveram-se de forma mais fácil. Apesar de compreender o suíço-alemão, principalmente o dialeto de Berna, não se sente confortável para usá-lo tão frequentemente no trabalho.

Ao ser indagado sobre a nova emigração portuguesa, João reconhece que a maior diferença é a qualidade da mão-de-obra e a abertura ao mundo. No entanto, parece-lhe que essa nova leva ainda preserva um certo distanciamento em relação à sociedade suíça, como as gerações anteriores.

Neste momento, João Almeida pensa continuar a viver em Lisboa e a trabalhar na sua empresa na Suíça. Tem alguns projetos de reforma de casas com a sua companheira, e estão a pensar aplicar padrões de isolamento térmico suíços, tal como o Minergie, em Portugal, mas, para isso, "é preciso trabalhar com precisão suíça".

Para além disso, João Almeida gostaria de continuar a construir pontes culturais entre os dois países. "De que forma e com que recursos, não sei. É apenas um projeto", embora essas pontes já estejam a ser criadas através da sua vida. Filipe Carvalho – Suíça in “Swissinfo”



João Almeida – Lisboa, Portugal - Ao escrever a sua tese de mestrado sobre o tema do desperdício alimentar na Suíça desempenhou desde então um papel fundamental no desenvolvimento desta agenda. As suas experiências no Gabinete de Estratégia e Estudos (GEE) do Ministério da Economia de Portugal (Lisboa) e na Syngenta Crop Protection (Basileia) despertaram interesse nos complexos desafios que enfrenta um sistema alimentar sustentável e o levaram a formar a Foodways ao lado de Markus e Jürg em 2012.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Internacional – Parceria Europa e África, longe da sustentabilidade

O Presidente da Confederação Económica da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP), Salimo Abdula, considerou haver um longo percurso para se falar de parceria e sustentabilidade nas relações de negócios entre a Europa e África.

Salimo Abdula, que falava recentemente em Milão, Itália, durante a Expo, afirmou que para que a parceria seja efectiva é necessário, primeiro, “uma mudança de mentalidade”.

“Nas relações Europa/África predomina ainda a mentalidade de doador e beneficiário. Aos africanos em particular, urge a necessidade de mudar a mentalidade e abdicar da mão estendida, por um lado e, por outro, adoptarem cada vez melhores práticas de cooperação”, disse.

Salimo Abdula, que é igualmente presidente do conselho administrativo da Intelec Holdings e accionista da Vodacom Moçambique, frisou que a Europa tem conhecimento, tecnologia e capacidade, enquanto que África tem recursos naturais e gente.

“Há que procurar as complementaridades e avançar. O mundo está a mudar, temos um mercado global cada vez mais aberto e a olhar para África como terra de oportunidades, daí a necessidade de assumirmos esta relação como parceria e evitar a desconfiança”, afirmou.

No evento em que participaram empresários que representam a Itália no Mundo e que estão interessados em consolidar uma presença forte e estável nas economias emergentes, bem como uma delegação de dez empresas portuguesas pertencentes à UE-CPLP (União dos Exportadores da CPLP), personalidades do mundo empresarial e autoridades diplomáticas da CPLP em Itália, Salimo Abdula falou da importância de África no mercado mundial.

“Outros investidores começam a estar mais atentos e se aproveitam das oportunidades deixadas pelos que ainda vêm como desconfiança a relação entre a Europa e África”, disse.

Durante o evento, Simone Santi, presidente do conselho administrativo do grupo Leonardo, recebeu o título de delegado oficial da CE-CPLP na Itália, tomando em consideração que o mesmo “desde sempre investiu e acreditou no potencial das relações de negócios na Comunidade de Países de Língua Portuguesa. In “Jornal de Notícias” - Moçambique

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Portugal - Sustentabilidade da Segurança Social






















No próximo dia 25 de junho de 2015 às 21h na Casa da Imprensa em Lisboa (Metro Chiado) a Ass. de Combate à Precariedade e a APRe! Ass. de Aposentados, Pensionistas e Reformados lançam um debate sobre a sustentabilidade da Segurança Social.

O debate será com Betâmio de Almeida (APRe!), João Camargo (Precários Inflexíveis), José Luís Albuquerque (economista) e Fernanda Câncio (jornalista).

Num momento em que querem atirar jovens contra reformados e abrir uma guerra de gerações para baixar salários, direitos do trabalho e pensões, escolhemos outro caminho, com debate sério e profundo e sem cair nas armadilhas do “senso comum”. Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis - Portugal

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sustentabilidade

“Durante todo a tarde estivemos falando sobre o desenvolvimento sustentável, de como retirar as imensas populações da pobreza. Que se passa nas nossas cabeças com o modelo de desenvolvimento e consumo que actualmente vivem as sociedades ricas? Faço esta pergunta: O que se passaria com este planeta se os indianos tivessem a mesma proporção de automóveis por família, que os alemães possuem? Quanto oxigénio necessitaríamos para podermos respirar? Mas claro! O mundo terá hoje os elementos materiais para que seja possível que sete ou oito mil milhões de pessoas possam desfrutar do mesmo nível de consumo e desperdício que têm as mais opulentas sociedades ocidentais? Será possível? Ou será que teremos que ter um dia, um outro tipo de discussão? Porque nós criámos uma civilização em que estamos, filha do mercado, filha da competição, que se deparou com um progresso material portentoso e explosivo.

 Mas a economia de mercado criou sociedades de mercado, e nós deparamos com esta globalização que significa olhar por todo o planeta e perguntamos, estamos governando a globalização ou é ela que nos governa? É possível falar de solidariedade e que estamos todos juntos numa economia baseada na concorrência impiedosa? Até onde chega a nossa fraternidade?
Nada disso eu digo, para negar a importância deste evento, pelo contrário, o desafio que temos pela frente, é de uma magnitude de carácter colossal e a grande crise não é ecológica, é política! O homem não governa hoje! Há forças envolvidas que governam o homem e a vida. Porque não viemos ao planeta para nos desenvolvermos, em termos gerais, nós viemos ao mundo para tentarmos ser felizes, pois a vida é curta e rapidamente se vai, nenhum bem vale mais do que a vida e isto é elementar! Mas se a vida vai passando, e nós trabalhando e trabalhando para consumir sempre mais e a sociedade de consumo é o motor, porque em definitivo, se paralisa o consumo, a economia pára e se parar a economia o fantasma da estagnação económica aparecerá para cada um de nós.
Mas este híper consumo que está agredindo o planeta e que tem de ser acelerado, fazendo coisas que durem pouco, porque é preciso vender muito, E uma pequena lâmpada eléctrica que não pode durar mais que mil horas, mas existem lâmpadas que podem durar 100 mil, 200 mil horas, contudo estas não podem ser feitas pois o problema é o mercado, porque temos de trabalhar e temos de sustentar uma civilização que usa e deita fora e com isto estamos num círculo vicioso.
Estes são problemas de carácter político, que estão dizendo que está na hora de começar a lutar por outra cultura, não se trata de voltar aos tempos dos homens das cavernas, ou ter um momento de atraso, mas não podemos continuar indefinidamente sendo governados pelo mercado, mas sim temos de o governar. Por isso eu digo, na minha humilde maneira de pensar, que o problema é de carácter político, porque os antigos pensadores, Epicúreo, Séneca, os Aymaras, definiam: Pobre não é o que tem pouco, mas sim, que na verdade necessita infinitamente de muito, e deseja, deseja, mais e mais. Isto é claramente de carácter cultural. Então, eu saúdo os esforços e acordos que são feitos. E eu vou acompanhá-los como governante, porque sei que algumas coisas que estou a dizer perturbam!
Mas devemos perceber que a crise da água e a agressão ao meio ambiente não são a causa, mas sim o modelo de civilização que construímos e no que temos de rever no nosso modo de vida, pois eu pertenço a um pequeno país, o Uruguai, muito bem dotado de recursos naturais para viver. No meu país há três milhões de habitantes, um pouco mais, três milhões e duzentos mil habitantes, mas há 13 milhões de vacas, das melhores do mundo e cerca de oito a dez milhões de excelentes ovelhas, o meu país, o Uruguai, é exportador de alimentos, de lacticínios, de carne, é uma planície onde quase 90% da terra é aproveitável.
Os meus camaradas trabalhadores lutaram muito pelas oito horas de trabalho e agora estão conseguindo o direito às seis horas. Mas aqueles que alcançaram seis horas, conseguiram dois empregos, portanto, trabalham mais do que antes. Por quê? Porque eles têm de pagar uma infinidade de despesas, a moto que comprou, o automóvel que comprou, e pagar contas e mais contas…e quando um dia acordar perceberá que é um velho reumático como eu e assim se passou a vida! E um dia fará esta pergunta: Será este o destino da vida humana? Estas coisas são muito elementares, o desenvolvimento não pode ser contra a felicidade, tem que ser a favor da felicidade humana, do amor ao planeta Terra, às relações humanas, do amor aos filhos, de ter amigos, ter somente o necessário.
Precisamente, porque este é o tesouro mais importante que temos, quando lutamos pelo meio ambiente, devemos lembrar que o primeiro elemento do meio ambiente se chama Felicidade Humana. Muito obrigado.” José Mujicas - Uruguai
Tradução: Baía da Lusofonia