Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Mar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mar. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Península Ibérica - Menina, de MAR, eleita Melhor Música de 2025 pelo público de Portugal e Será por flores, de Uxía, foi eleita pela Galiza

Depois de um mês de votações e mais de 5000 participações do público em geral, a gala aRi[t]mar da música e da poesia galego-portuguesas já tem as suas canções escolhidas como Melhor Música de 2025 na Galiza e Melhor Música de 2025 em Portugal. Neste caso, os utilizadores decidiram que Menina, de MAR em colaboração com Carolina Deslandes foi a Melhor Música de 2025 em Portugal. Do lado galego, Será por flores, de Uxía, foi eleita Melhor Música de 2025 na Galiza.


Menina é o single mais bem-sucedido e destacado do primeiro álbum de longa duração da algarvia MAR, que editou a canção em colaboração com Carolina Deslandes. Trata-se de uma música que combina uma base eletrónica com ares de R&B contemporâneo, com as vozes de MAR e Carolina Deslandes, num tom mais próximo do hip-hop. A canção fala, através de uma história na primeira pessoa atravessada pela violência machista e vicária, da necessidade de amar, ensinar a amar-se e a defender-se.

Do lado da música galega, Será por flores é prova da sensibilidade de uma Uxía que tem nas costas uma extensíssima carreira, sem que isso a impeça de se mostrar incansável. O público do aRi[t]mar escolheu como melhor música do ano na Galiza um tema no qual a artista natural de Mos exibe a sua faceta mais próxima da canção de autor e da poesia, desenvolvendo a maior parte do single com guitarras e uma voz limpa. O timbre de Uxía, tão característico e cheio de matizes, preenche uma canção que tem mesmo um certo ar crepuscular. Já é uma das grandes canções de uma das grandes vozes da música galega contemporânea.


As canções que alcançaram o pódio na Galiza, em segundo e terceiro lugar, foram Todos contra min, dos Ulex, e Perdín a memoria, de MJ Pérez. No âmbito do território português, a segunda e terceira classificadas foram Brinde (16h00), de Carolina Deslandes, e Respirar, de Calema em colaboração com Sara Correia.

Ambas as vencedoras, MAR e Uxía, serão convidadas para recolher o seu prémio na Gala aRi[t]mar Galiza e Portugal 2026, que será celebrada neste outono em Santiago de Compostela.

MAR é uma das vozes emergentes mais singulares da nova música portuguesa. Nascida em Monte Gordo, no Algarve, a sua proposta move-se entre o pop, o hip-hop e a música eletrónica, sempre envoltos numa certa tendência para a experimentação e a exploração sonora. Cantora, compositora e produtora, MAR desenvolve um projeto em que a música convive com uma forte dimensão estética e visual. Menina, editada em colaboração com a estrela portuguesa Carolina Deslandes, é um dos singles do seu primeiro álbum de longa duração.


Uxía é uma das vozes mais reconhecíveis e marcantes da música galega contemporânea. Natural de Santa María de Sanguiñeda, no município pontevedrês de Mos, a sua carreira abrange já quatro décadas como intérprete e compositora. Em Uxía conviveram, convivem e continuarão a conviver a música galega de raiz, a canção de autor e, sobretudo, uma sensibilidade aberta às músicas do mundo e, em particular, às manifestações culturais e artísticas da lusofonia. Em virtude desse carácter aberto e integrador, destaca-se também no âmbito da colaboração e do impulso de iniciativas culturais de diversa índole. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

quinta-feira, 12 de março de 2026

Cabo Verde e Portugal assinam memorando para reforçar cooperação no mar

Cabo Verde e Portugal assinaram um memorando de entendimento no domínio do mar para reforçar a cooperação institucional, técnica e científica entre os dois países, com foco no desenvolvimento da economia azul e na gestão sustentável dos recursos marinhos


“Assinámos este memorando de entendimento para hoje e para o futuro, mas com base numa análise profunda de tudo o que tem sido a cooperação entre Portugal e Cabo Verde no domínio do mar”, afirmou o ministro do Mar cabo-verdiano, Jorge Santos, durante a cerimónia realizada no arquipélago, na ilha de São Vicente.

Segundo o governante, o acordo permite consolidar a parceria entre os dois países num setor estratégico para o arquipélago, sublinhando o potencial da economia azul para gerar crescimento económico, emprego e novas oportunidades de investimento.

A cooperação deverá incidir, entre outros aspectos, na partilha de informação e dados científicos, na formação de recursos humanos e no reforço da capacidade institucional no domínio das políticas do mar.

Jorge Santos destacou ainda que o mar constitui uma das maiores riquezas de Cabo Verde e defendeu que a cooperação com Portugal pode contribuir para melhorar a organização do setor das pescas, a qualidade e certificação do pescado e o aproveitamento sustentável dos recursos marinhos.

O memorando foi assinado com o secretário de Estado das Pescas e do Mar de Portugal, Salvador Malheiro, e renova um entendimento anterior estabelecido entre os dois países em 2014.

Salvador Malheiro afirmou que a cooperação no domínio do mar tem sido consolidadas ao longo dos anos, refletindo as décadas de relações entre Cabo Verde e Portugal e o reforço dos laços institucionais e pessoais. “Temos uma ligação fortíssima pela nossa língua, mas antes da língua já tínhamos o mar que nos unia”, afirmou, acrescentando que a renovação do memorando surge num contexto em que a economia do mar e azul assumem crescente relevância a nível global. “Somos duas nações marítimas por excelência e chegou o momento de tirar partido dessa riqueza natural para melhorar a vida das pessoas”, disse, apontando que Cabo Verde tem sido “um país exemplo” na gestão do oceano e defendeu que o aproveitamento económico do mar deve estar sempre associado à sua preservação.

Além disso, avançou que estão a ser dados os primeiros passos para integrar Cabo Verde numa plataforma internacional dedicada à gestão do oceano. “Vamos com certeza concretizar essa integração de Cabo Verde numa plataforma internacional do mais alto nível, a chamada Alliance 100%, que visa, sobretudo, reconhecer esses países que olham para o mar e querem ter uma gestão a 100% do mar. E Cabo Verde pode contar com Portugal ainda para outros voos nesta matéria”, garantiu.

O governante acrescentou que Portugal está disponível para reforçar a cooperação com Cabo Verde em áreas como a pesca, o turismo náutico, a preservação dos ecossistemas marinhos e a construção e reparação naval.

Durante a visita de dois dias à ilha de São Vicente, Salvador Malheiro visitou várias infraestruturas ligadas ao sector marítimo e das pescas, nomeadamente os estaleiros navais, o Instituto do Mar e complexos de pesca. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

China - Testa resfriamento de centros de dados nas profundezas do mar

Uma empresa chinesa decidiu submergir vários servidores no mar perto de Xangai na esperança de resolver um dos maiores desafios da computação: o superaquecimento dos centros de dados.


Num cais próximo da cidade, os trabalhadores apressam-se para finalizar uma grande cápsula amarela, numa aposta por uma infra-estrutura tecnológica alternativa que enfrenta dúvidas sobre o seu impacto ecológico e sua viabilidade comercial.

Sites e aplicações em todo o mundo dependem de centros de dados, estruturas físicas que abrigam servidores e redes para processar e armazenar as informações que transitam pela internet e outros sistemas.

O uso crescente da inteligência artificial (IA) tem contribuído para o aumento da procura por estas instalações. “As operações submarinas têm vantagens inerentes”, garante Yang Ye, da empresa de equipamentos marítimos Highlander, que está a desenvolver o grupo de servidores de Xangai juntamente com empresas construtoras de propriedade estatal.

A Microsoft testou esta tecnologia na costa da Escócia em 2018, mas o projecto chinês, que será lançado em meados de Outubro, é um dos primeiros serviços comerciais deste tipo no mundo. Estará direccionado a clientes como a China Telecom e uma empresa pública de computação com IA, como parte do plano governamental para reduzir a pegada de carbono dos centros de dados.

“As instalações submarinas podem economizar aproximadamente 90% do consumo de energia para refrigeração”, afirmou Yang, vice-presidente da Highlander, à AFP. Projectos como este concentram-se actualmente em demonstrar a “viabilidade tecnológica”, segundo o especialista Shaolei Ren, da Universidade da Califórnia, em Riverside.

A Microsoft nunca desenvolveu comercialmente o seu teste e, após recuperar a cápsula em 2020, afirmou que o projecto havia sido concluído com sucesso. Segundo Ren, antes que os centros de dados submarinos possam ser implantados em grande escala, é necessário superar importantes desafios de construção e receios ambientais.

Na China, os subsídios governamentais estão a ajudar: a Highlander recebeu 40 milhões de yuans para um projecto similar em 2022 em Hainan, que ainda está em andamento.

“A realização efectiva do centro de dados submarino representou maiores desafios técnicos de construção que o esperado inicialmente”, afirmou Zhou Jun, engenheiro do projecto de Highlander em Xangai. Construído em terra, em componentes separados antes da sua instalação debaixo da água, o instrumento obterá toda a energia de parques eólicos marinhos nas proximidades. A Highlander afirma que mais de 95% da energia usada provirá de fontes renováveis. O desafio mais evidente na hora de posicionar a estrutura será manter o conteúdo seco e protegido da corrosão da água salgada.

O projecto chinês aborda este problema com um revestimento protector que contém pequenas placas de vidro sobre a cápsula de aço que abriga os servidores. Para permitir o acesso da equipa de manutenção, um elevador ligará a cápsula a um segmento que permanece na superfície. Ren também alertou que estabelecer a conexão à Internet entre um centro de dados marítimo e o continente é um processo mais complexo do que com os servidores terrestres tradicionais.

Além disso, investigadores da Universidade da Flórida e da Universidade de Electrocomunicações do Japão descobriram que os centros de dados submarinos podem ser vulneráveis a ataques que usam ondas sonoras conduzidas através da água. Além dos obstáculos técnicos, o efeito de aquecimento dos centros de dados submarinos na água circundante suscitou dúvidas sobre o impacto nos ecossistemas marinhos. Andrew Want, ecologista marinho da Universidade de Hull, disse que o calor emitido poderia, em alguns casos, atrair certas espécies e afugentar outras.

“Neste momento são incertezas, ainda não foram realizadas investigações suficientes”, afirmou. A Highlander declarou à AFP que uma avaliação independente realizada em 2020 sobre o projecto piloto da empresa perto de Zhuhai, indicou que as águas adjacentes permaneciam muito abaixo dos limites de temperatura aceitáveis.

No entanto, Ren advertiu que a ampliação dos centros também aumentaria o calor libertado. As instalações marítimas podem complementar os centros de dados padrão, sugeriu Ren. “Provavelmente não substituirão os centros de dados tradicionais existentes, mas podem prestar serviços a alguns segmentos especializados”, explicou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


 

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Portugal - Projeto FILMar ajuda a perceber relação dos portugueses com o mar

O projecto da Cinemateca de digitalização do cinema português ligado à temática do mar já permitiu “conhecer a fundo os arquivos” e perceber que os oceanos foram “uma matéria profundamente manipulada”, disse à Lusa o coordenador, Tiago Bartolomeu Costa

Numa altura em que Lisboa acolhe a Conferência dos Oceanos da Organização das Nações Unidas, a Cinemateca Portuguesa tem em curso um programa, com financiamento europeu, de digitalização de pelo menos 10000 minutos de filmes do cinema português, relacionados com a temática do mar e abrangendo mais de um século de produção cinematográfica.

Num balanço do trabalho já feito, desde 2020, a Cinemateca já digitalizou 55 curtas-metragens e sete longas-metragens, totalizando 1440 minutos.

O projecto de digitalização, financiado com cerca de 880 mil euros, através do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA Grants), prevê retrospectivas no final do programa, mas a Cinemateca está já a programar sessões com alguns dos filmes digitalizados, cumprindo um dos objectivos: Devolver o cinema português aos espectadores.

Com o trabalho já feito, a Cinemateca provou que “era possível traçar na história da produção de cinema em Portugal uma linha contínua, transversal a todos os géneros, que é o mar”, afirmou Tiago Bartolomeu Costa.

Foram já digitalizados documentários, filmes de promoção turística, filmes informativos sobre práticas culturais e sociais relacionadas com o mar, obras propagandísticas do Estado Novo e algumas obras de ficção, de vários géneros.

“Conseguimos encontrar títulos que vão permitir resgatar, ou do desconhecimento ou da sombra, determinadas filmografias ou reconhecer o papel que tiveram na construção do cinema contemporâneo”, sublinhou o coordenador.

Mais do que fazer uma simples digitalização e disponibilização ao público, a Cinemateca quer propor novas leituras do cinema português em estreita colaboração com festivais, cineclubes, museus ou no âmbito do Plano Nacional do Cinema e do Plano Nacional das Artes.

“Existem muitos filmes carregados de ideologia. Não basta digitalizar os filmes, é preciso encontrar formas de apresentação desses filmes, encontrar contextos adequados para que sejam relidos à luz daquilo que hoje sabemos”, explicou.

Do misticismo

Neste trabalho do FILMar foi possível, por exemplo, digitalizar o filme “Gente da Praia da Vieira” (1975), de António Campos, cujo centenário do nascimento será assinalado este ano pelo festival Curtas de Vila do Conde, ou a curta “Albufeira” (1968), de António de Macedo, que abriu o festival IndieLisboa.

Sobre o que já foi digitalizado, Tiago Bartolomeu Costa disse que já é possível tirar algumas conclusões e falar de “um lado mítico” da relação dos portugueses com o mar.

“Há sobretudo uma consciência muito grande de que o mar foi uma matéria profundamente manipulada e quem manipulava era consciente de que o mar lhe escapava permanentemente. Razão pela qual existem muitas sequências em que se acha que se está a filmar o mar, mas se está a falar de perda, de revelação, de desistência, de redescoberta”, disse.

O trabalho de restauro e digitalização está a decorrer nos laboratórios do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), pertencente à Cinemateca, e que funciona numa quinta perto de Lisboa.

Linhas de montagem

Numa visita ao ANIM foi possível ver que os técnicos trabalham numa espécie de linha de montagem dos laboratórios, em diferentes salas, seguindo-se um percurso de tratamento, limpeza e restauro da película, tanto na imagem como no som.

O objectivo da digitalização não é retirar todas as imperfeições e desgastes da passagem do tempo. É corrigir e tratar uma obra para que seja exibida o mais aproximado possível das condições em que foi mostrada originalmente, explicou Tiago Bartolomeu Costa.

Numa sala, um dos técnicos está a corrigir a cor do filme “Sentinelas do mar” (1959), de Armando de Miranda, sobre exercícios militares da marinha, noutra sala trabalha-se o som do filme “Henrique, o Navegador” (1960), de João Mendes, de propaganda ideológica do Estado Novo.

No ANIM, onde estão preservados milhares de bobines e quilómetros de película, em cofres climatizados, foi criada também uma pequena sala de cinema, para simular uma exibição em sala dos filmes já restaurados.

Findo o programa FILMar, em 2024, Tiago Bartolomeu Costa diz que a Cinemateca entrará “num novo ciclo de vida”.

“O programa FILMar serviu para experimentar formas de programação e de contextualização que, quando o projecto foi idealizado, não estavam previstas e que a pandemia ajudou a revelar; e que o potencial e a grandeza destes ajudou a descobrir”, disse. In “Hoje Macau” - Macau


quinta-feira, 9 de junho de 2022

Portugal – Universidade do Porto recebe cátedra da UNESCO para o estudo dos Oceanos

A Universidade do Porto acaba de ver aprovada a atribuição de uma cátedra da UNESCO dedicada à investigação e à literacia dos Oceanos, resultado de uma candidatura liderada por investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da U.Porto (CIIMAR-UP).

Com a atribuição da UNESCO Chair “Ocean Expert – Science Education of Children for Ocean Stewardship: in Support of the Sustainable Ocean Economy”, a U.Porto terá a responsabilidade de promover um sistema integrado de investigação, formação, informação e documentação sobre educação em ciências do Oceano, literacia dos Oceanos e economia sustentável dos recursos marinhos, que beneficie a colaboração entre os investigadores e docentes de universidades portuguesas e instituições da Europa, África, Ásia e Pacífico.

Incluída no University Twinning and Networking Programme (UNITWIN) da UNESCO, a cátedra “Ocean Expert” tem entre os seus objetivos o desenvolvimento de uma rede de cooperação com países do Hemisfério Sul, atuando como um ponto de ligação entre governos, empresas e organizações não governamentais para a área das Ciências dos Oceanos.

De facto, o objetivo primordial desta cátedra será colmatar as falhas críticas na Ciência dos Oceanos, da sua governação e das práticas para enfrentar desafios na implementação das metas da Década das Ciências dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável, através de projetos de investigação inovadores e novas áreas de investigação.

Outro objetivo passa por envolver a sociedade civil, promovendo a sua educação e formação no domínio das Ciências dos Oceanos. Nesse sentido, será dada especial atenção aos grupos desfavorecidos a nível nacional e regional, privilegiando-se igualmente o recurso a plataformas de ensino à distância.


A pensar nas “gerações futuras”

A cátedra “Ocean Expert” será coordenada por Laura Guimarães, coordenadora do grupo de investigação em Toxicologia Ambiental Marinha e Costeira do CIIMAR e docente da Faculdade de Ciências da U.Porto FCUP).

O CIIMAR será, de resto, a instituição executiva do projeto, em resultado de “um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido há vários anos na Universidade” nos domínios da ciência do oceano, educação para o oceano e a sua sustentabilidade. Entre as iniciativas implementadas incluem-se “atividades de investigação sobre a educação de temas do Oceano, o desenvolvimento de recursos e formação avançada para os professores do ensino básico e secundário e outros educadores e várias ações de divulgação realizadas com o intuito de fazer compreender a importância do oceano para a sustentabilidade da vida na terra, para as nossas vidas, e a nossa influência sobre o oceano”.

Para Laura Guimarães, a atribuição da nova cátedra à U.Porto é por isso “especial”, mas também uma oportunidade de fazer a diferença numa área premente. “Temos de ser capazes de beneficiar destes recursos preservando-os para as gerações futuras, mas também temos de perceber o nosso impacto nesse mesmo oceano”, afirma.

Apoios de peso

Para além do CIIMAR, a nova cátedra conta com o apoio do Ministério do Mar de Portugal, Ministério das Pescas e do Mar de Angola, APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, Câmara Municipal de Gaia, Câmara Municipal de Vila do Conde, Câmara Municipal de Viana do Castelo, Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e da Biblioteca Pública e Arquivo Regional, Açores.

Entre os parceiros da cátedra contam-se ainda as faculdades de Ciências e de Letras da U.Porto, o Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), o INESC-TEC, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), a Direção Geral da Política do Mar e internacionais, a Casa das Ciências, a Rede Nacional de Escolas Associadas da UNESCO, YScience, ou o teatro de marionetas Historioscopio.

A 15.ª Cátedra UNESCO em Portugal. A primeira dedicada à Ciência dos Oceanos

Lançado em 1992, o Programa de Cátedras UNESCO uniTwin promove a cooperação e interligação entre universidades a nível internacional, com o objetivo de reforçar as capacidades institucionais através da partilha de conhecimento e do trabalho colaborativo. A Rede uniTwin (University Twinning and Networking Programme) reúne atualmente mais de 700 instituições de 114 países.

Em Portugal, existem 15 cátedras UNESCO ativas. Para além da Cátedra “Ocean Expert”, a U.Porto acolhe ainda a Cátedra “Património, Cidades e Paisagens. Gestão sustentável, Conservação, Planeamento e Projeto”, coordenada pela Faculdade de Arquitetura (FAUP) e a Cátedra “Vida na Terra”, coordenada pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da U.Porto (CIBIO-InBIO). In “Universidade do Porto” - Portugal


quarta-feira, 13 de abril de 2022

Macau - Festival do Instituto Português do Oriente regressa em formato mais “contido”

Nos dias 23 de Abril e 7 de Maio, o Festival “Letras & Companhia” do Instituto Português do Oriente regressa à cidade, desta feita, com o tema do “Mar”. Patrícia Ribeiro, vogal da Direcção da instituição, explicou ao Jornal Tribuna de Macau que inicialmente o programa foi delineado com a intenção de trazer pessoas de Portugal, no entanto, devido às restrições optaram por fazer uma edição com menor dimensão. Ainda assim, as expectativas em termos de adesão são grandes. A edição deste ano conta com oficinas de escrita criativa, actividades lúdicas e jogos tradicionais, música, gastronomia, sessões de histórias em português e em chinês e feiras do livro. Realiza-se em dois locais: no IPOR e na Casa Garden


O Instituto Português do Oriente (IPOR) realiza este ano a 2ª Edição do Festival Literário e Cultural para pais e filhos “Letras & Companhia” – ainda que numa dimensão muito menor do que a do ano passado, já que se realiza nos dias 23 de Abril e 7 de Maio. O tema que serve de linha condutora para a iniciativa deste ano é o “Mar” – “com todos os seus desafios, potencialidades e imaginário de fantasia”.

Ao Jornal Tribuna de Macau, Patrícia Ribeiro, vogal da Direcção da instituição, explicou que inicialmente o plano era levar a cabo um festival semelhante – em termos de dias – ao do ano passado, no entanto, as restrições provocadas pela pandemia levaram a que o IPOR decidisse o programa de outra forma.

“[O festival] é um bocadinho mais contido. O objectivo seria fazê-lo como na primeira edição. Estávamos com a esperança de que a realidade fosse diferente e tínhamos preparado um conjunto de actividades com pessoas vindas de Portugal. Não tendo sido possível concretizar este programa inicial optámos por fazê-lo mais pequenino, também procurando colaborações de várias associações”, explicou, assinalando que espera que em 2023 as condições sejam diferentes.

Quanto à escolha do “Mar” como tema central, Patrícia Ribeiro apontou que o mar é uma imensidão e traz inúmeras preocupações, tendo ao mesmo tempo uma fauna muito variada, que pode ser explorada. “A intenção, quando programámos o festival, era trazer muitas actividades relacionadas com os oceanos, porque há uma preocupação bastante grande com a problemática da poluição. Vamos fazê-lo de forma mais contida, mas é algo a que temos de estar muito atentos, porque há uma necessidade de fazer prevenção – não é só procurar limpar os oceanos, antes disso, devemos procurar não sujá-los”, observou. “É essa a mensagem que queremos transmitir com o tema do festival, que provavelmente será o mesmo do ano que vem, mas mais alargado”, acrescentou Patrícia Ribeiro.

Assim, no dia 23 de Abril, entre as 16h00 e as 18h00, haverá uma série de actividades a decorrer no IPOR, entre as quais a entrega de uma minibiblioteca às escolas. “Será entregue um conjunto de publicações infanto-juvenis de autores portugueses. É um conjunto de sete obras literárias em português e a sua versão em chinês, que vamos oferecer às escolas bibliotecas das escolas primárias e secundárias”, disse Patrícia Ribeiro. No total, a oferta será direccionada a seis escolas. A cerimónia de entrega terá lugar no auditório do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

Estão ainda agendadas Oficinas de Escrita Criativa para várias idades, nomeadamente uma direccionada para crianças dos 8 aos 10 e outra para crianças entre os 11 e 12 anos.

Segundo Patrícia Ribeiro, decorrerão ainda actividades lúdicas para pais e filhos. É o caso “À procura do peixinho” – um jogo em que as crianças têm de pescar – e “As cores da reciclagem” – relacionado com a identificação dos vários tipos de lixo e onde deve ser colocado para fazer uma reciclagem de forma correcta.

À semelhança do ano passado, também esta edição apresenta “Uma Noite na… Biblioteca”, que decorrerá na biblioteca do IPOR e está restringida a um grupo de oito crianças. O grupo passará a noite na biblioteca, onde serão desenvolvidas uma série de actividades, e, no dia seguinte, 24 de Abril, regressa a casa após o pequeno-almoço.

Haverá ainda o “Mercado das Letrinhas”, uma feira do livro que decorrerá tanto no dia 23 de Abril, no IPOR, como depois a 7 de Maio, na Casa Garden, na Fundação Oriente, com a colaboração da Livraria Portuguesa e da Júbilo.


Música, exposição e histórias

O programa para 7 de Maio, que decorrerá entre as 15h00 e as 18h00, inclui, por sua vez, a inauguração da exposição “Zero Resíduos”. “O IPOR dirigiu um convite às escolas primárias e secundárias de Macau para, no âmbito das aulas de Artes e Educação Visual, produzirem obras de arte reutilizando materiais, tanto do lixo diário da escola como do lixo doméstico. Algumas escolas irão participar com criações em vários formatos, desde instalações e quadros, ao vídeo. Cada uma escolheu o que achou mais indicado”, explicou Patrícia Ribeiro a este jornal.

Após a inauguração da mostra, haverá música ao vivo com François Girouard e Rita Portela, bem como sessões de histórias em português com a Associação Sílaba e em chinês com a Júbilo. Está ainda previsto um espectáculo de marionetas intitulado “En-Cantos”, da Casa de Portugal, jogos tradicionais, pinturas faciais com Sara Figueira, e uma pequena mostra de gastronomia dos países de língua portuguesa, numa colaboração com as associações locais, intitulada “Sabores que falam português”.

Patrícia Ribeiro disse ainda à Tribuna de Macau que o IPOR está com “bastantes expectativas” em relação à adesão, uma vez que envolveu muitas escolas nos projectos. “Estamos à espera de que as crianças tragam os pais para ver os trabalhos que fizeram e para participarem nas actividades que vamos ter disponíveis para todos”, afirmou.

De acordo com o comunicado enviado às redacções, pode ler-se que, apesar das limitações causadas pela pandemia, a edição do festival de 2022 “continuará a apostar em actividades de dinâmica intergeracional em torno do conceito dos “três L’s”: língua, livro e leitura”. “Pretende-se assim continuar a motivar os jovens para a aprendizagem da língua portuguesa, envolvendo instituições de ensino, professores e educadores como promotores ativos de divulgação, ao mesmo tempo que se incentiva a criatividade, a cultura, a educação e a construção da cidadania”, pode ler-se.

O Festival “Letras & Companhia”, organizado anualmente em parceria com a Fundação Galaxy Entertainment Group e o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, conta com a colaboração da Fundação Oriente, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua I.P., da Casa de Portugal em Macau, da Livraria Portuguesa e da livraria Júbilo, parceiros aos quais, este ano, se juntou também a SÍLABA – Associação Educativa e Literária. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




quinta-feira, 28 de novembro de 2019

CPLP - IV reunião de Ministros dos Assuntos do Mar com o lema “mobilidade e economia azul”




Mindelo – A ilha de São Vicente acolheu a IV reunião de ministros dos assuntos do Mar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e que culminou com a assinatura da Carta do Mindelo.

O encontro teve a assinatura de três documentos, sendo a Carta do Mindelo, segundo o ministro da Economia Marítima, José Gonçalves, o “documento chapéu”, que reflecte os compromissos assumidos pelos Estados presentes, “no sentido de poder pilotar esta grande empreitada que é a economia azul”, sublinhou.

Sendo assim, a Declaração do Mindelo é, conforme a mesma fonte, uma declaração de compromisso, que tem todos os “considerandos” e vem na sequência de outras declarações anteriores.

“É um documento basilar e que estrutura o que cada país vai fazer da sua parte para dar andamento a este compromisso assumido colectivamente entre a nossa comunidade”, explicou.

José Gonçalves assegurou que, no caso de Cabo Verde, há “vários projectos”, sendo que Cabo Verde Ocean Week (semana dos oceanos), e que acolheu a reunião ministerial, um deles com todas as suas facetas, entre as quais a de trazer conferencistas de renome internacional para reflectir sobre o mar.

Por outro lado, ajuntou, o país vai adoptar uma “Carta Estratégia de transição para a economia azul”, um documento cuja versão final deverá ser apresentada ainda nesta semana do mar, que decorre até sexta-feira.

“É precisamente como é que vamos tratar a estratégia de investimento para a economia azul e que perpassa tudo que é área do mar.

O mar para nós é tudo, não há sector dentro da nossa economia que não esteja a ele ligado directo ou indirectamente”, considerou.

Durante a IV reunião ministerial dos assuntos do mar da CPLP, que teve como lema “mobilidade e economia azul”, foram ainda assinados a Carta de Parceria de combate ao lixo marinho, discutido em 2016 em Díli (Timor-leste) e o plano de acção 2019-2021 de implementação da Declaração de Mindelo

“São estes documentos estruturantes que nós assinamos e comprometemo-nos realmente com tudo aquilo que é a defesa do mar e da sua saúde”, reiterou José Gonçalves.

No encontro, em que se fez também o lançamento do Portal da CPLP para os assuntos do mar, estiveram presentes, além de Cabo Verde, representantes de Angola, Brasil, Guiné-Bissau e Portugal.

O evento faz parte da programação da Cabo Verde Ocean Week que acontece por estes dias na cidade do Mindelo, com conferências, reuniões, actividades culturais e desportivas e outras mais. In “Inforpress” – Cabo Verde

domingo, 29 de setembro de 2019

Portugal - O mar vivo: ensaio fotográfico de Hussain Aga Khan

Participe no seu programa cultural e educativo.



Quando:

27 de Setembro de 2019 a 29 de Dezembro de 2019

Onde:

Museu Nacional de História Natural e da Ciência

“Nas minhas fotografias, deixo os animais e as árvores falarem por si na esperança de que outras pessoas vejam a beleza que eu vejo.”
                                        Hussain Aga Khan

A exposição O Mar Vivo parte das extraordinárias fotografias de Hussain Aga Khan para nos sensibilizar para a beleza sublime, complexidade e fragilidade da vida nos oceanos. A exposição, que se desenvolve em duas salas do Museu, é complementada com múltiplas atividades educacionais e científicas destinadas a diversos públicos no sentido de estimular um amplo debate sobre questões científicas, ambientais e sociais de impacto contemporâneo global, tais como o papel dos oceanos na sustentabilidade da vida na Terra, a crise climática, a conservação da natureza e a extinção de espécies, entre outras.

Organização: MUHNAC e Focused on Nature (FON)

Fotógrafo: Hussain Aga Khan

Comissários: Xenia Geroulanos, Philippe Mendes, Jorge Prudêncio, Marta Costa

Programa Educativo e Cultural: António José Monteiro, Raquel Barata

Sobre Hussain Aga Khan

Hussain Aga Khan nasceu em Genebra, na Suíça. Fez o ensino secundário na Deerfield Academy, Massachusetts, tendo uma dupla licenciatura em Teatro e Literatura Francesa pelo Williams College. Possui um mestrado em Relações Internacionais pela Columbia’s School of International and Public Affairs.

Hussain é um ávido entusiasta por peixes tropicais desde os 5 anos e por répteis e anfíbios desde os 14. Aos 14 anos, começou a fazer mergulho e a interessar-se pela conservação da natureza. Viaja para os trópicos com frequência desde há muitos anos, tendo começado a tirar fotografias à fauna e flora em 1996, numa viagem à Amazónia brasileira. Desde então, as suas fotografias figuraram em várias exposições nos EUA, França, Suíça e Quénia. Também foram publicadas em dois livros, Animal Voyage em 2004 (com uma nova edição em 2007) e Diving into Wildlife em 2015. Algumas das suas fotografias mais recentes podem ser vistas em vários blogs da National Geographic.

Hussain Aga Khan está atualmente envolvido, através da Aga Khan Development Network, em iniciativas de mitigação de riscos de desastres, gestão de recursos naturais e vários projetos ambientais, nomeadamente plantação de árvores na África Oriental e preservação da biodiversidade na Ásia, bem como projetos de investigação sobre água e alterações climáticas.

Hussain Aga Khan criou Focused on Nature em 2014 para “partilhar a sua paixão e missão pessoal de conservação da natureza, bem como a necessidade urgente de promover investigação e iniciativas construtivas sobre questões globais de impacto negativo sobre o meio ambiente”. Universidade de Lisboa “Museu Nacional de História Natural e da Ciência” - Portugal

Programa cultural e educativo

Mergulhe no mar vivo

Visitas guiadas todas as quartas-feiras, pelas 15h00. Máx. 20 vagas. Entrada livre.
Ponto de encontro: Átrio do MUHNAC-Universidade de Lisboa
Garanta a sua vaga inscrevendo-se através do geral@museus.ulisboa.pt ou por telefone 213 921 808

2 OUT | Raquel Barata, MUHNAC- Universidade de Lisboa
9 OUT | António José Monteiro, MUHNAC- Universidade de Lisboa
16 OUT | Fernando Serralheiro, MUHNAC- Universidade de Lisboa
23 OUT | Marina Sequeira, ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas
30 OUT | Hussain Aga Khan, Focused On Nature (visita em inglês)
6 NOV | Visita Especial Escolas com Hussain Aga Khan (visita em inglês)
13 NOV | Nuno Gusmão, P-06 Atelier
20 NOV | Raquel Barata, MUHNAC- Universidade de Lisboa
27 NOV | Jorge Prudêncio, Rogério Abreu and Marta Costa, MUHNAC-Universidade de Lisboa
4 DEZ | Philippe Mendes and Xenia Geroulanos, Comissários da Exposição



sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Internacional – Subida da água do mar pode provocar 280 milhões de deslocados, alerta a ONU

A subida do nível das águas do mar, em consequência do aquecimento global, pode fazer 280 milhões de deslocados, segundo um relatório preliminar científico que a ONU divulga em setembro



O relatório preliminar da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado pela agência France Press, é da responsabilidade do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC na sigla original), cuja versão final será divulgada em setembro.

Com o aumento da frequência dos ciclones, diz o documento, muitas grandes cidades podem ser inundadas todos os anos a partir de 2050.

E até ao fim do século as previsões do relatório é que 30 a 99% do terreno permanentemente congelado (permafrost) deixe de o ser, libertando grandes quantidades de dióxido de carbono e de metano.

Ao mesmo tempo, os fenómenos resultantes do aquecimento global podem levar a um declínio constante da quantidade de peixe, um produto do qual muitas pessoas dependem para se alimentar.

O relatório vai ser discutido pelos representes dos países membros do IPCC, que se reúnem no Mónaco a partir de 20 de setembro, por alturas da cimeira mundial sobre o clima em Nova Iorque, marcada para 23 de setembro pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O objetivo é alcançar compromissos mais fortes dos países para reduzir as suas emissões de dióxido de carbono, que caso se mantenham no ritmo atual farão subir as temperaturas de 02 a 03 graus celsius até ao fim do século.

Especialistas temem que a China, Estados Unidos, União Europeia e Índia, os quatro principais emissores de gases com efeito de estufa, estejam a fazer promessas que não cumprem.

Estas regiões do mundo vão também ser afetadas pela subida das águas do mar, alerta o relatório, especificando que não serão só afetadas as pequenas nações insulares ou as comunidades costeiras expostas.

Xangai, a cidade mais populosa da China, está localizada num delta, formado pela foz do rio Yangtze e pode começar a ser inundada regularmente se nada for feito para parar as alterações climáticas. E o país tem mais nove cidades em risco.

Essa subida do nível do mar coloca os Estados Unidos como um dos países mais vulneráveis, a aumentar em cinco vezes o risco de inundações, incluindo em Nova Iorque.

A União Europeia está menos vulnerável, mas os especialistas do IPCC alertam para inundações no delta do Reno. E para a Índia esperam que milhões de pessoas tenham de ser deslocadas.

A elevação do nível das águas do mar deve-se ao aumento das temperaturas que está a derreter as grandes massas de gelo nos polos.

Segundo o documento as calotes polares da Antártica e da Groenlândia perderam mais de 400 mil milhões de toneladas de massa por ano na década antes de 2015. Os glaciares das montanhas também perderam 280 mil milhões de toneladas. Ana Cardoso – Luxemburgo in “Contacto”

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Brasil – Economia do mar equivale a 19% do PIB por ano

Economia marítima rende R$ 2 trilhões para o Brasil por ano



Responsável por concentrar metade da população brasileira, o litoral representa uma das principais fontes de riquezas do país. O mar rende R$ 2 trilhões por ano, o equivalente a 19% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos) nacional.

A estimativa foi apresentada pelo representante da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar e comandante da Marinha, Rodrigo de Campos Carvalho. Um dos participantes da 1ª Conferência Ministerial Regional das Américas sobre Economia Verde, ele defendeu a importância da preservação dos recursos marinhos para assegurar o desenvolvimento sustentável.

Segundo Carvalho, a estimativa da economia marítima, chamada por ele de “economia azul”, considera a produção de petróleo e de gás, a defesa, os 235 portos do país, o transporte marítimo, a indústria naval, a extração de minérios além do petróleo, o turismo, a pesca, as festas populares ligadas ao mar e a culinária marinha. “O mar brasileiro é pujante. Hoje discutimos uma reforma da Previdência que economizaria R$ 1 trilhão em dez anos. No mar, temos R$ 2 trilhões por ano”, destacou.

Plataforma continental

Segundo o comandante, o principal desafio do governo, no momento, consiste em estender área marítima do país de 4,2 milhões para 5,7 milhões de quilômetros quadrados. Ele ressaltou que o Brasil entregou às Nações Unidas, no fim do ano passado, a última parte dos estudos que mostram que a elevação de Rio Grande, próxima à costa da Região Sul, integra a plataforma continental brasileira. “Com isso, a área marítima brasileira será maior que a Amazônia. Temos uma Amazônia Azul e precisamos preservá-la”, disse.

Carvalho explicou que a Organização das Nações Unidas (ONU) não tem prazo para analisar o pedido do Brasil. Ele, no entanto, disse que o Brasil foi o segundo país a entregar à ONU o levantamento da plataforma continental. O primeiro foi a Rússia.

Desenvolvimento sustentável

Carvalho ressaltou que o Brasil assumiu, na Conferência dos Oceanos da ONU em 2017, o compromisso de usar os recursos marítimos para o desenvolvimento sustentável. O país comprometeu-se a implementar, até 2030, o Planejamento Espacial Marinho, que proporcionará uma gestão ativa no espaço marítimo e o respaldo das leis.

“O planejamento visa à garantia da soberania, o uso compartilhado e sustentável do ambiente marinho e a segurança jurídica para os investidores internacionais para trazer desenvolvimento sustentável”, afirmou. Ele acrescentou que a comissão interministerial está engajada no combate a poluição marítima, por meio do Plano Nacional de Combate ao Lixo do Mar. Além disso, no fim do ano passado, o governo criou as áreas de proteção ambiental de Trindade e de São Pedro e São Paulo, o que aumentou para 23% a área marítima brasileira protegida ambientalmente.

Criada em 1974, a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar abriga 15 ministérios, com uma reunião plenária de quatro em quatro meses e reuniões técnicas a cada mês. A comissão é coordenada pelo comandante da Marinha, o almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior.

Antártida

Carvalho destacou que a Estação Comandante Ferraz, na Antártida, parcialmente reinaugurada em março depois de um incêndio em 2012, tem investido em energia eólica (do vento), captação de energia solar e isolamento térmico. Atualmente, um quarto do consumo da estação vem de fontes renováveis. A base do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, perto de Fernando de Noronha, conta com painéis solares. “Nosso desafio agora é modernizar a matriz energética de Trindade”, disse.

A 1ª Conferência Ministerial Regional das Américas sobre Economia Verde começou no dia 24 e terminou na quarta-feira 26, na capital cearense. O encontro foi organizado pela World Green Economy Organization (WGEO) – Organização Mundial da Economia Verde –, pelo Escritório de Cooperação Sul-Sul da Organização das Nações Unidas (UNOSSC) e pelo Instituto Brasil África (Ibraf), com apoio do Governo do Ceará e em parceria com o Secretariado das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC), com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e com a International Solar Alliance (ISA). Wellton Máximo – Brasil in “Agência Brasil”

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Moçambique – Conferência Internacional "Crescendo Azul 2019"

O Governo de Moçambique apresentou, na passada quarta-feira, dia 03 de Abril, a 1a Conferência Internacional “Crescendo Azul”, que realizar-se-á nos dias 23 e 24 de Maio, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, capital de Moçambique



A importância dos Mares e Oceanos para a humanidade como fonte de vida, produtor de oxigénio, suporte dos ecossistemas, regulador do clima, produtor de alimentos, fonte de emprego e como reserva de água, tem vindo a ser reconhecida a nível global, com destaque para a Organização das Nações Unidas, através da Agenda 2030 que define os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS14 sobre a conservação e utilização sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável".

Aliás, estes instrumentos, no seu conjunto, além de aumentarem o nível de compreensão de outros quadros legais internacionais pertinentes, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), lançam bases para uma cooperação estruturada entre as nações, na vertente marítima, que conduzam à proclamação dos Mares e Oceanos como factores de desenvolvimento sustentado e de segurança dos países, e, por outro, à promoção de uma colaboração permanente, em torno de uma abordagem intersectorial e interagências, para uma efectiva gestão integrada da área costeira e marinha, sobretudo, nos países menos desenvolvidos.

A natureza transfronteiriça dos Mares e Oceanos faz com que os crescentes desafios ligados às ameaças globais como as alterações climáticas, crescimento demográfico, degradação do ambiente marinho, perda da biodiversidade e o elevado risco de poluição e à proliferação do lixo plástico, aliadas às questões relacionadas com a segurança marítima, requeiram abordagens harmonizadas e concertada entre as várias Nações que compartilham este recurso, ou que indirectamente a ele estejam ligadas.

A região do Oceano Índico Ocidental, particularmente o Canal de Moçambique, é rica em biodiversidade e ecossistemas marinhos costeiros, desde os recifes de corais que se estende desde a costa do Quénia, até a zona do Norte de Moçambique: florestas de mangal que se pontificam no Delta do Zambeze, dunas costeiras ricas em recursos minerais, ervas marinham que albergam uma população única de golfinhos remanescente na região e uma grande diversidade de recursos pesqueiros que são fonte de renda e subsistência para a população costeira. Para além destes recursos, a região é igualmente rica em hidrocarbonetos, particularmente na Bacia de Rovuma.

A Intensa utilização dos recursos pesqueiros existentes na região; a intensa utilização desta região como rota de transporte marítimo, assim como o advento da exploração de hidrocarbonetos requerem uma abordagem consertada, integrada e harmonizada. Esta acção é particularmente relevante no canal de Moçambique onde ainda persiste a pesca ilegal devido existir uma falta de capacidade dos países para fiscalizar as suas águas territoriais que é exacerbado pela limitada capacidade institucional para enformar o desenvolvimento duma Economia Azul sustentável. Estes factos, e não só, que procuram uma forte colaboração e coordenação a nível nacional, regional e internacional, e dada a sua localização geoestratégica, impõem a Moçambique a necessidade de assumir proactivamente a responsabilidade de promover o desenvolvimento duma Economia Azul sustentável, à luz dos comandos emanados dos seus instrumentos de política e legais, alinhados com os de cariz regional, continental e internacional.

Moçambique pretende juntar-se ao movimento global de chamamento para acção lançado pelas Nações Unidas e por vários organismos responsáveis pela sustentabilidade dos Oceanos no quadro da implementação do ODS14, estabelecendo uma plataforma de diálogo permanente, a realizar-se em séries, bienalmente, denominada de Conferência “Crescendo Azul”. As abordagens da Conferência, inseridas nas áreas temáticas (Governação e sustentabilidade do oceano; Oceano e inovação; Rotas do oceano; Energia do oceano), focalizar-se-ão no país e na Região Ocidental do Oceano Índico (zona de inserção geográfica de Moçambique), com o objectivo de promover a concertação, o alinhamento e a partilha do conhecimento, necessários a um efectivo cumprimento dos compromissos assumidos, no quadro da implementação do ODS14.

A edição da primeira conferência é realizada no reconhecimento de que o conhecimento, assente na investigação científica e tecnológica, é a chave basilar para o desenvolvimento da Economia Azul. Considerando o contexto nacional e regional, caracterizado por limitado conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico, urge a necessidade de se direcionar recursos de investimento, tanto na formação como no reforço ou criação de capacidade técnica e institucional, para permitir que a ciência e tecnologia encorpem o desenvolvimento de uma Economia Azul sustentável.

A Economia Azul é considerada a nova fronteira da renascença a nível global, que tem levado a que um número crescente de países esteja empenhado em formular Políticas e Estratégias que integram a Economia Azul como base de transformação socioeconómica por meio de iniciativas e estratégias integrantes e harmonizadas, bem como de acção conjunta entre países para desenvolver o potencial latente que os Mares e Oceanos oferecem à humanidade.

Destaque vai para a Estratégia Marítima Integrada Africana 2050 da União Africana (objectivos da UA 2050) e o Manual de Política de Economia Azul para África, que para além de aumentar o nível de compreensão de outros quadros internacionais pertinentes, como a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar (UNCLOS), lançam as bases para uma cooperação estruturada da vertente marítima visando proclamar os Oceanos como factores de desenvolvimento sustentado e da segurança marítima dos países, promovendo a colaboração em torno de uma abordagem intersectorial e interagências para uma efectiva gestão integrada da área costeira e marinha em África.

Assim, o desafio permanente que emerge da necessidade de se traduzir a agenda global, continental e regional em directivas e acções concretas e transformacionais a nível do país, individualmente e no contexto de blocos de países, para um efectivo desenvolvimento azul sustentável, constitui o móbil da organização e realização da série de conferências.

Com a Conferência em alusão pretende-se que os participantes se debrucem sobre quatro áreas temáticas, nomeadamente:

GOVERNAÇÃO E SUSTENTABILIDADE DO OCEANO
- Plataformas Regionais / Internacionais
- Poluição
- Biodiversidade / Conservação
- Mudanças Climáticas/Segurança Alimentar
- Segurança Marítima

OCEANO E INOVAÇÃO
- Ciência
- Tecnologia
- Inovação

ROTAS DO OCEANO
- Transporte / Navegação
- Portos
- Comércio Marítimo
- Turismo

ENERGIA DO OCEANO
- Energias Renováveis
- Petróleo
- Gás
-Comércio

Para a primeira Conferência a ter lugar nos dias 23 e 24 Maio de 2019, está definido o seguinte lema:

Crescendo Azul: Exploração Sustentável e Compartilhada do Oceano


A Conferência “Crescendo Azul” com foco na região Ocidental do Oceano Índico pretende juntar cerca de 500 participantes entre entidades nacionais, regionais e internacionais, com interesses e competências múltiplas em ramos de Economia Azul e governação do mar, integrando dirigentes a mais alto nível, decisores, implementadores, empresas de ramo, doadores, instituições financeiras, instituições de ensino & pesquisa, Sociedade Civil e ONG, com actividades ligadas ao mar, zonas costeiras, oceanos e seus ecossistemas. InMinistério do Mar, Águas Interiores e Pescas” - Moçambique