Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Moçambique - Universidade Licungo lança programa de doutoramento

A Universidade Licungo lançou oficialmente, na passada sexta-feira, 07 de Agosto, o Programa de Doutoramento em Ciências de Desenvolvimento, uma iniciativa da Faculdade de Economia e Gestão que pretende reforçar a produção de conhecimento científico, a investigação e a formação de quadros altamente qualificados para responder aos desafios do desenvolvimento sustentável.


Para a Universidade Licungo, o lançamento do programa de doutoramento representa um passo estratégico na afirmação da instituição como espaço de investigação, inovação e produção de conhecimento ao serviço do desenvolvimento de Moçambique.

A cerimónia contou com a participação de Rogério Uthui, antigo Reitor da Universidade Pedagógica como orador principal.

Sob o lema “Transformação Global: O Papel da Ciência, da Inovação e da Formação Doutoral na Construção de Sociedades Resilientes”, o evento juntou académicos nacionais e internacionais para reflectir sobre o papel da ciência e da inovação na construção de soluções para os desafios actuais. In “O País” - Moçambique


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Portugal – O Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental une-se à defesa do Oceano como domínio estratégico da ciência portuguesa

Cinco centros de investigação nacionais apelam ao reconhecimento do Oceano como um dos Domínios Estratégicos da futura política nacional de investigação e inovação


O CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto uniu-se ao MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, ao Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro (CESAM), ao Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve (CCMAR) e ao Instituto de Investigação em Ciências do Mar da Universidade dos Açores (OKEANOS) na assinatura de um manifesto que defende o reconhecimento do Oceano como um Domínio Estratégico da ciência e inovação em Portugal.

A iniciativa surge numa altura em que a Agência para a Investigação e Inovação (AI²) está a definir as áreas estratégicas que irão orientar o investimento público em investigação e inovação nos próximos anos. Os cinco centros consideram que o Oceano deve assumir um papel central nesta estratégia, refletindo a importância científica, ambiental, económica e geopolítica do mar para o país.

Portugal possui uma das maiores áreas marítimas da Europa, com cerca de 97% do seu território sob jurisdição marítima e uma Zona Económica Exclusiva de aproximadamente 1,7 milhões de quilómetros quadrados, à qual se soma a proposta de extensão da plataforma continental. Para os subscritores do manifesto, esta realidade torna evidente a necessidade de uma aposta continuada na investigação marinha, capaz de apoiar políticas públicas, promover a inovação e responder aos desafios colocados pelas alterações climáticas, pela conservação da biodiversidade e pelo desenvolvimento sustentável da economia azul.

O texto do manifesto foi apresentado durante o Encontro Ciência 2026 e defende que o reconhecimento do Oceano como domínio estratégico permitirá reforçar a capacidade científica nacional e consolidar o papel de Portugal como país de referência na investigação marinha.

Entre os argumentos apresentados estão o contributo da ciência para a gestão sustentável dos recursos marinhos, a segurança alimentar, a conservação dos ecossistemas, a soberania marítima e a competitividade da economia azul.

Leia abaixo o conteúdo do manifesto.

O Manifesto: O oceano como domínio estratégico na ciência e na inovação

Se hoje tivéssemos de decidir quais os domínios que deveriam ser designados como «Domínios Estratégicos» no âmbito da IA², muitos de nós faríamos uma pergunta muito simples:

Que outro domínio reúne, tudo ao mesmo tempo, soberania, segurança, clima, energia, biodiversidade, alimentação, recursos geológicos, dados, património cultural, inteligência artificial, telecomunicações, economia, diplomacia e inovação?

Só há uma resposta: o oceano.

Portugal não é apenas um país com litoral. É um país definido pelo mar. Gerimos uma Zona Económica Exclusiva de cerca de 1,7 milhões de km², com uma extensão proposta da plataforma continental que ultrapassa os 4 milhões de km². Cerca de 97 % do nosso território é mar. Essa responsabilidade de governação não se exerce através de discursos. Exerce-se através da ciência, da tecnologia e da inovação.

Mas há uma segunda razão.

O AI² está a ser criado para ligar a investigação, a inovação e o impacto. O AI² define os domínios estratégicos como aqueles que respondem aos principais desafios da sociedade, integram diferentes áreas científicas e transformam o conhecimento em valor económico, social, cultural e ambiental.

Nenhuma área representa melhor essa integração do que o oceano.

O oceano exige que reunamos a biologia, a engenharia, a inteligência artificial, a robótica, a ciência de dados, os materiais, a energia, a economia, o direito, a saúde, as políticas públicas e as ciências sociais. É um verdadeiro laboratório de interdisciplinaridade e um acelerador da inovação.

E há uma terceira razão.

Portugal já dispõe de uma massa crítica extraordinária, como demonstrado pela Declaração de Aveiro. Os cinco principais centros de ciências marinhas (MARE, CESAM, CIIMAR, CCMAR, OKEANOS) reúnem mais de 900 investigadores de doutoramento integrados, mais de 10 500 publicações em cinco anos, mais de 700 projetos e cerca de 206 milhões de euros em financiamento competitivo, participando simultaneamente nas principais infraestruturas científicas europeias.

O problema não é a falta de excelência.

O problema é que esta excelência continua demasiado fragmentada, dependente de financiamento a curto prazo, travada por infraestruturas insuficientes, emprego precário e uma interface entre ciência e política que ainda é demasiado frágil.

É precisamente aqui que a AI² pode fazer a diferença.

Ao reconhecer o oceano como um domínio estratégico, a AI² não estaria a favorecer um único campo científico. Estaria a criar uma plataforma nacional para integrar conhecimentos, impulsionar missões orientadas para o impacto, mobilizar investimento público e privado, desenvolver tecnologias digitais e de inteligência artificial, reforçar uma economia azul sustentável e apoiar decisões políticas baseadas em dados concretos.

Numa altura em que a Europa está a debater a Lei Europeia dos Oceanos no âmbito do Pacto Europeu para os Oceanos e a investir em «gémeos digitais» oceânicos, na observação dos oceanos e na inteligência artificial aplicada ao mar, Portugal tem uma oportunidade única de liderar, em vez de se limitar a seguir.

Assim, a questão já não é se o oceano deve ser um domínio estratégico da AI².

A verdadeira questão é:

Como poderíamos construir uma estratégia nacional de investigação e inovação para Portugal sem colocar o oceano no seu centro?

Porque investir no oceano não é investir apenas num único domínio científico.

É investir na soberania, na competitividade, na segurança, na sustentabilidade e no futuro de Portugal.

Portugal pode voltar a ser uma potência marítima através do conhecimento.

Autores

Pedro R. Almeida, Diretor do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (Universidade de Évora, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, Universidade de Coimbra, Universidade da Madeira, Politécnico de Leiria, Politécnico de Setúbal, ISPA e ARDITI)

Amadeu Soares, Diretor do CESAM – Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, Universidade de Aveiro

Vítor Vasconcelos, Diretor do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, Universidade do Porto

Adelino Canário, Diretor do CCMAR – Centro de Ciências do Mar, Universidade do Algarve

Gui Menezes, Diretor do OKEANOS – Instituto de Investigação em Ciências do Mar, Universidade dos Açores. Universidade do Porto - Portugal




domingo, 2 de agosto de 2026

Europa - Fundada por portugueses, Native Scientists continua a crescer

A organização pan-europeia sem fins lucrativos Native Scientists, fundada em 2013 por investigadores portugueses, continua a afirmar-se na promoção da literacia científica junto de crianças provenientes de comunidades migrantes, minoritárias e socialmente desfavorecidas


De acordo com o jornal As Notícias UK, o balanço do ano letivo 2025/2026, a organização revelou ter inspirado 6917 crianças através dos programas Same Home Town (SHT) e Same Migrant Community (SMC), um aumento de mais de duas mil crianças em relação ao ano letivo anterior. Mais de metade dos participantes (55%) tiveram, pela primeira vez, a oportunidade de conhecer e conversar diretamente com um cientista.

A Native Scientists conta atualmente com uma rede de mais de 3000 cientistas voluntários distribuídos por vários países europeus. Estes participam em oficinas práticas nas escolas, aproximando a ciência das crianças e mostrando que o conhecimento científico pode estar ligado à sua realidade e identidade cultural.

Segundo a referida fonte, entre os destaques do último ano está também a publicação de um artigo científico desenvolvido em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e o Centro de Linguística da mesma universidade. O estudo apresenta o “Relational Engagement Model”, um novo modelo de comunicação de ciência que propõe uma relação de proximidade entre cientistas e comunidades, baseada em experiências, cultura e contextos partilhados, em substituição da tradicional transmissão unilateral de conhecimento. Os programas da Native Scientists são apresentados como casos de estudo que demonstram a eficácia desta abordagem.

A organização lançou ainda a primeira edição do seu Programa de Estágios, que envolveu 22 participantes em funções de gestão e coordenação. Ao longo do ano, a iniciativa contribuiu para o desenvolvimento de mais de 60 novas parcerias.

Outro momento em destaque foi o encontro Ponto de Interrogação, realizado na Fundação Calouste Gulbenkian, que reuniu investigadores, professores e responsáveis políticos para debater temas como a educação, a equidade e a comunicação científica. A Native Scientists participou igualmente na conferência nacional SciComPT 2026, em Évora, onde apresentou três comunicações dedicadas à comunicação inclusiva da ciência. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




terça-feira, 28 de julho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde acelera valorização de terapias para tumores cerebrais

Quatro investigadoras do instituto concluíram um dos principais programas nacionais de transferência de tecnologia para projetos de investigação


Uma equipa de investigadoras do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto concluiu com sucesso a edição de 2026 do HiTech by HiSeedTech, um dos mais prestigiados programas nacionais de valorização e transferência de tecnologia para projetos deep tech com potencial de mercado.

O projeto GlioBrain-Plate, desenvolvido por Ana Olival, Cecília Ferreira e Diana Ribeiro, sob a liderança de Cláudia Martins, integra o grupo Nanomedicines and Translational Drug Delivery do i3S, liderado por Bruno Sarmento. “Estamos a desenvolver uma plataforma pré-clínica inovadora para o teste de novas terapias dirigidas a tumores cerebrais sólidos, com foco inicial no glioblastoma, o tumor cerebral maligno mais frequente e mortal em adultos”, explica Cláudia Martins.

A tecnologia reproduz, em laboratório, a interação entre a barreira hematoencefálica e o tumor, permitindo avaliar, em simultâneo, a capacidade de uma terapia atravessar esta barreira natural de proteção do cérebro e a sua eficácia terapêutica.

“Ao disponibilizar um modelo mais preditivo da resposta humana, o GlioBrain-Plate pretende acelerar o desenvolvimento de novos tratamentos, reduzir os custos e riscos associados ao desenvolvimento clínico e contribuir para aumentar a probabilidade de sucesso de novas terapias para pacientes com tumores cerebrais”, sublinha a investigadora.

A participação no HiTech permitiu à equipa aprofundar competências em inovação, empreendedorismo e transferência de tecnologia ao longo de 18 semanas de formação, mentoria e contacto com a indústria, empreendedores e investidores. Entre todas as candidaturas submetidas a nível nacional, apenas 10 projetos foram selecionados para integrar a edição de 2026.

O programa terminou com a apresentação do pitch final no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, perante representantes da indústria, investidores, empreendedores e especialistas do ecossistema nacional de inovação. O percurso constituiu um passo importante na valorização da tecnologia desenvolvida pela equipa e na preparação da sua futura transferência para o mercado. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde descobre como o cancro do estômago convence a gordura a alimentá-lo

Estudo abre caminho ao desenvolvimento de terapias capazes de bloquear a troca de mensagens entre as células tumorais e as células do tecido adiposo


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificou uma nova forma de comunicação entre as células do cancro do estômago e as células do tecido adiposo, isto é, as células de gordura. Os resultados do estudo, publicados na revista Extracellular Vesicles and Circulating Nucleic Acids, mostram como esta interação pode ser responsável pelo fornecimento de energia às células tumorais, favorecendo a progressão da doença.

“Sabe-se que as células cancerígenas comunicam constantemente com os tecidos à sua volta, criando condições que favorecem o desenvolvimento da doença”, explica Celso Reis, coordenador do grupo de investigação do i3S Glycobiology in Cancer. No entanto, existem ainda muitas perguntas por responder sobre como essa comunicação acontece.

Neste estudo, os investigadores analisaram células de cancro do estômago que apresentam à superfície uma molécula de açúcar chamada sialyl-Tn (STn), frequentemente encontrada em tumores mais agressivos. “Verificámos que estas células libertam pequenas partículas, conhecidas como vesículas extracelulares, que funcionam como «mensagens» enviadas para outras células do organismo”, refere Daniela Freitas, investigadora do i3S e coordenadora do estudo. Quando estas partículas chegam às células de gordura, provocam alterações no seu funcionamento. Como resultado, o tecido adiposo começa a libertar mais ácidos gordos, moléculas ricas em energia que podem ser aproveitadas pelas células tumorais.

“Observámos que as células cancerígenas conseguem adaptar-se para utilizar essa gordura como combustível. Ao terem acesso a esta fonte adicional de energia, tornam-se mais móveis e podem ganhar uma maior capacidade de invadir os tecidos vizinhos”, sublinha Cátia Ramos, primeira autora do estudo.

O trabalho identificou ainda a molécula STn como um elemento central neste processo de comunicação. Esta descoberta, garantem os investigadores do i3S, poderá abrir caminho ao desenvolvimento de novas terapias capazes de bloquear a troca de mensagens entre as células cancerígenas e as células de gordura, dificultando o acesso do tumor a esta fonte de energia.

Além do seu potencial impacto no controlo da progressão do cancro, esta investigação poderá também contribuir para combater problemas frequentemente associados à doença, como a perda acentuada de peso, de massa muscular e de gordura corporal, afetando de forma significativa a qualidade de vida e a sobrevivência dos doentes com cancro.

Ao revelar esta nova forma de interação entre o tumor e os tecidos que o rodeiam, o trabalho do i3S reforça a importância de compreender não apenas as células cancerígenas, mas também o ambiente em que estas se desenvolvem. Universidade do Porto - Portugal

 


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Macau - Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia concedeu 37 milhões de patacas para investigações científicas lusófonas

Na última meia década, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia recebeu 69 pedidos de apoio para projectos de investigação científica relacionados com países lusófonos, tendo financiado 21, incluindo nove ligados a Portugal. O montante atribuído foi superior a 37,49 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. O Fundo acredita que a cooperação entre a RAEM e os países lusófonos continuará a crescer na área da ciência e tecnologia


Nos últimos cinco anos, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) “tem atribuído grande importância e impulsionado activamente a cooperação entre Macau e os Países de Língua Portuguesa (PLP) no domínio da ciência e tecnologia”, tendo financiado 21 projectos de investigação científica, envolvendo um montante total de financiamento de 37,498 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. Nove desses projectos estão relacionados com Portugal e 12 com o Brasil.

No mesmo intervalo temporal, o FDCT recebeu 69 pedidos envolvendo países lusófonos. Especificamente, 11 pedidos correspondem ao co-financiamento do FDCT, em conjunto com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT), no âmbito do “Programa de Apoio Financeiro para Cooperação em Ciência e Tecnologia com o Exterior”.

Abrangida no mesmo programa, a categoria de co-financiamento entre o FDCT e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo despertou 24 pedidos. Já na categoria de investigação internacional em colaboração, foram apresentados 34 pedidos de apoio relacionados com países lusófonos.

Em relação a Portugal, o FDCT concedeu, juntamente com a FCT, apoios no total de 2,821 milhões de patacas a três projectos de investigação no domínio do mar, na última meia década.

Questionado sobre a nova ronda de financiamento conjunto com a FCT, o Fundo presidido por U U Sang salientou que “presta estreita atenção ao andamento da reestruturação da FCT e irá continuar a comunicar e negociar activamente com a parte portuguesa, promovendo a celebração de acordos de cooperação, no sentido de materializar a nova ronda de plano de co-financiamento”.

Sobre os principais resultados alcançados, indicou que, no projecto “Plastish”, virado para a detecção e avaliação de risco de microplásticos na produção pesqueira, a Universidade de São José (USJ) e a Universidade do Algarve conseguiram revelar a citotoxicidade dos microplásticos, através de experiências celulares e em animais, tendo estabelecido com sucesso um modelo de avaliação de risco “in vitro” para “in vivo”.

Já no projecto “FISHMUC”, a USJ e Universidade Católica Portuguesa têm estudado as características de bioactividade do muco externo de peixes. Conseguiram identificar vários princípios activos e confirmar, através de experiências, as actividades biológicas como efeitos antimicrobianos e antitumorais, resultados que fornecem um valor significativo para o desenvolvimento de medicamentos de origem marinha.

Por seu turno, o “SeaSenseX”, microssensor de nova geração para a mutagénese marinha e a detecção de substâncias cancerígenas, sobre o qual têm trabalhado a Universidade de Macau (UM), em cooperação com a NOVA.id.FCT, de Portugal, combina microelectrónica avançada com tecnologia de biossensores, visando fornecer uma solução de monitorização da qualidade de água em tempo real e de alta sensibilidade.

Cooperação científica “irá continuar a crescer”

Numa perspectiva geral, o FDCT realça que muitos projectos financiados se estenderam para instituições portuguesas, brasileiras, entre outros países, tendo-se envolvido no estabelecimento de laboratórios conjuntos, promoção da formação de quadros qualificados e articulação tecnológica.

Na observação do Fundo, a função da RAEM enquanto plataforma de intercâmbio científico e tecnológico entre a China e os PLP “reforçou-se gradualmente” nos últimos anos.

Além disso, o programa de co-financiamento relacionado com o Brasil recebeu 24 pedidos no primeiro ano, 2025. Neste aspecto, destacou que, à medida que os mecanismos de co-financiamento com os PLP, “promovidos activamente” pelo Fundo nos últimos anos, amadurecem gradualmente, “prevê-se que [estes] impulsionem, no futuro, o lançamento de ainda mais projectos de investigação científica em cooperação com os PLP”.

Tendo em vista o lançamento do programa de co-financiamento com o Brasil, a criação sucessiva de laboratórios entre instituições de ensino superior de Macau e de países lusófonos, assim como a celebração de documentos de cooperação entre instituições de ensino superior da RAEM e portuguesas, testemunhada pelo Chefe do Executivo, durante a visita a Portugal em Abril, o FDCT prevê que “a cooperação entre Macau e os PLP na área da ciência e tecnologia irá continuar a crescer”.

Sobre os frutos de cooperação já obtidos entre a RAEM e os PLP, conclui que, nos últimos anos, o apoio do Fundo assenta no financeiro e na criação de plataformas, para ajudar instituições de ensino superior e empresas locais a estabelecer parcerias com instituições académicas e industriais portuguesas e de outros países. Além disso, realiza actividades de intercâmbio viradas para os PLP e com temas relacionados com os países lusófonos.

O Fundo mencionou resultados em três aspectos: apoiar o estabelecimento de plataformas de cooperação científica e tecnológica e impulsionar a transformação e aplicação dos frutos no estrangeiro; promover o estabelecimento conjunto de laboratórios, que fazem parte da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, juntamente com os países lusófonos; e apoiar instituições de ensino superior de Macau na realização de conferências sobre optoelectrónica, ciências da linguagem, ciências marinhas, entre outras áreas de ponta, em cooperação com Portugal, por forma a aprofundar o intercâmbio e a cooperação.

Relativamente ao “estabelecimento de plataformas de cooperação”, o Fundo apontou para o apoio concedido à criação, por parte da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM), do Laboratório Conjunto Sino-Português em Optoelectrónica, em cooperação com a Universidade Nova de Lisboa. Além disso, destacou o apoio dirigido à UM no estabelecimento do Laboratório Conjunto de Nanomedicina de Precisão (com a Universidade do Porto), Laboratório Conjunto sobre Envelhecimento Cognitivo (com a Universidade de Coimbra), Centro de Investigação Oceânica entre a China e os PLP (com a ULisboa e outras instituições) e um centro conjunto sobre direito e inteligência artificial (com a Universidade de Coimbra), inaugurado este ano.

Além disso, destacou o apoio para a introdução de um “Robô de Medicina Tradicional Chinesa com Inteligência Artificial” em Lisboa, com capacidade de realizar diagnósticos básicos e preparar fórmulas de fitoterapia, o que contribui para a divulgação dos conceitos da medicina chinesa.

Em relação a 2026, o FDCT atribuiu um apoio no valor de 712,8 mil patacas à UCTM para a construção de um modelo de avaliação dinâmica de risco para a importação transfronteiriça de dengue e chikungunya de países lusófonos para a Grande Baía, integrando dados de múltiplas fontes e inteligência artificial, bem como a sua aplicação na previsão e alerta precoce, de acordo com as informações divulgadas pelo Fundo.

Apoiados dois projectos sobre língua portuguesa

O FDCT revelou ainda a atribuição de apoio financeiro a dois projectos sobre o tema de língua portuguesa, nos últimos cinco anos, envolvendo quase 2,696 milhões de patacas. Sublinhando adoptar um mecanismo de apreciação rigorosa, o Fundo esclareceu que cabe à Comissão de Consultadoria de Projectos apreciar os pedidos, com base em critérios como o valor científico, a inovação e o potencial de aplicação, podendo ainda organizar uma sessão de defesa, caso necessário.

Segundo a colecção dos resultados de investigação científica de 2024 (a mais recente), o Fundo aprovou em 2018 e financiou uma “plataforma de turismo inteligente para Macau e países lusófonos com reconhecimento de voz”, desenvolvida pela Universidade Politécnica. No âmbito deste projecto, foi desenvolvida uma aplicação móvel de turismo inteligente que integra um sistema de reconhecimento de voz em português.

Para a UM, aprovou em 2019 e apoiou financeiramente um projecto de “orientação da tradução automática neutral baseada na autoatenção com conhecimento linguístico prévio”, que contribuiu para melhorar o sistema de tradução automática online chinês-português. À mesma instituição, o FDCT aprovou em 2017 e financiou um projecto de “investigação sobre tradução automática chinês-português baseada em aprendizagem profunda”, no âmbito do qual foi estabelecido e aberto ao público um sistema de tradução automática chinês-português online.

Segundo notou, ao tratar de assuntos envolvendo tradução profissional, conferências e emparelhamento de projectos, o Fundo costuma convidar tradutores locais ou pessoal de instituições de ensino superior para dar apoio. Nessa vertente, vincou que encara tanto os quadros multidisciplinares locais com formação em ciência e tecnologia e proficiência em língua portuguesa, como os tradutores e os docentes de ensino superior como “recursos humanos importantes para o desenvolvimento da indústria de ciência e tecnologia”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde inova no tratamento da leucemia mieloide aguda

Nova estratégia terapêutica que potencia quimioterapia contra a leucemia mieloide aguda deverá ser testada em colaboração com o IPO Porto


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto identificou uma nova estratégia terapêutica, agora publicada na Science Translational Medicine, que pode melhorar a eficácia da quimioterapia e reduzir complicações graves associadas ao tratamento da leucemia mieloide aguda.

O grupo, liderado por Delfim Duarte, provou que a administração de transferrina, uma proteína que transporta ferro pela corrente sanguínea, em conjunto com a quimioterapia, melhora a recuperação da medula óssea, aumenta a sobrevivência e reduz as complicações infecciosas associadas à terapia convencional.

A leucemia mieloide aguda é tratada, na maioria dos casos, com quimioterapia intensiva. “Apesar de eliminar células cancerígenas com eficácia, este tratamento provoca toxicidade elevada, nomeadamente a acumulação excessiva de ferro nos tecidos”, explica 0 hematologista do IPO Porto e líder do grupo de investigação Hematopoiesis and Microenvironments do i3S.

Neste estudo, os investigadores testaram a administração de apotransferrina humana, uma forma de transferrina sem ferro, para captar esse mineral em excesso e redistribuí-lo para células saudáveis da medula óssea e do sistema imunitário.

Utilizando vários modelos experimentais, incluindo ratinhos com leucemia, a equipa demonstrou que esta abordagem reduz significativamente os níveis de ferro tóxico circulante após a quimioterapia.

Nova terapia reforça combate a infeções graves

A equipa estudou ainda a segurança desta estratégia no contexto de infeção grave, uma das principais causas de morte em doentes com leucemia mieloide aguda.

Num modelo experimental de infeção por E. coli, os animais tratados com apotransferrina sobreviveram mais tempo. “Não porque se eliminaram as bactérias, mas devido a uma resposta inflamatória mais controlada. A apotransferrina reduziu a inflamação excessiva, ajudando o organismo a lidar melhor com a infeção”, esclarece Marta Lopes, primeira autora do estudo.

Com base nestes “dados pré-clínicos promissores”, a equipa espera poder avançar, num futuro próximo, com um ensaio clínico, em colaboração com a unidade de ensaios de fase precoce do IPO Porto, que avalie o uso da transferrina como terapêutica adjuvante à quimioterapia.

“O objetivo é avaliar, de forma preliminar, a segurança e a eficácia desta combinação [transferrina e quimioterapia] em doentes com leucemia mieloide aguda”, conclui Delfim Duarte. Universidade de Porto


sábado, 27 de junho de 2026

Angola - Cátedra UNESCO desafia ensino superior a produzir mais ciência

A funcionar desde o dia 8 de junho, a iniciativa surge como um instrumento para reforçar a investigação, modernizar o acesso ao conhecimento e aproximar o ensino superior angolano dos padrões internacionais. O sucesso dependerá agora da adesão efectiva das instituições académicas


Instalada na Universidade Óscar Ribas (UÓR). Trata-se de um instrumento de cooperação internacional destinado a fortalecer a investigação científica, melhorar a circulação do conhecimento e aumentar a qualidade do ensino superior no País.

A adesão de Angola ao programa UNITWIN/UNESCO, que suporta a criação destas cátedras, começou ainda em 2019, quando o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), em parceria com instituições académicas nacionais e organismos internacionais, iniciou um diagnóstico sobre o estado da ciência aberta no País. O trabalho culminou com a aprovação da proposta angolana em 2021.

Desde então, o projecto passou por várias fases de consolidação institucional. Entre 2022 e 2024 foram desenvolvidos os instrumentos estruturantes da iniciativa, incluindo a Política Nacional de Ciência Aberta, o Repositório Nacional de Acesso Aberto (RaNAA) e os mecanismos de integração das bibliotecas virtuais universitárias.

O objectivo é criar uma infraestrutura nacional que permita armazenar, partilhar e disseminar gratuitamente artigos científicos, teses, estudos e outros conteúdos produzidos pelas instituições de ensino superior e centros de investigação do País.

A lógica seguida pela UNESCO mostra que antes de internacionalizar a produção científica, é necessário organizar e fortalecer o ecossistema nacional de conhecimento. Por isso, a prioridade inicial passa pela criação de uma rede nacional de ensino e investigação capaz de interligar universidades, centros de pesquisa, revistas científicas e bibliotecas digitais. Só depois estarão reunidas as condições para uma participação plena nas grandes redes internacionais de investigação e nos repositórios científicos globais.

Uma das questões que tem gerado alguma confusão pública é a associação da Cátedra UNESCO ao projecto da futura Universidade Virtual de Angola (UVA). Embora ambos utilizem ferramentas digitais, trata-se de iniciativas completamente distintas.

A Universidade Virtual de Angola é um projecto de ensino à distância que pretende disponibilizar cursos superiores através de plataformas online e que continua dependente de enquadramento legal próprio e de financiamento para a sua implementação. Já a Cátedra UNESCO de Ciência Aberta não é uma universidade nem atribui graus académicos. A sua função consiste em promover investigação, formação especializada, cooperação científica, produção de conhecimento e articulação entre instituições nacionais e internacionais.

Na prática, funcionará como uma plataforma de excelência dedicada à organização de seminários, conferências, programas de capacitação, cursos de curta duração, produção de estudos e apoio à formulação de políticas públicas baseadas em evidência científica... Adriano Kayunduma – Angola in “Expansão”


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Portugal - Ministro da Educação sentiu na RAEM “a importância que a China dá à lusofonia”

Portugal deve desempenhar um papel central na ligação sino-lusófona, que a China tem desenvolvido através de Macau, defendeu Fernando Alexandre. De visita a Pequim, o ministro português da Educação anunciou que Portugal e China irão relançar a comissão mista de ciência e tecnologia


Portugal e China vão reactivar a comissão mista de ciência e tecnologia, que não se reúne desde 2019, para definir áreas de cooperação e criar instrumentos conjuntos de investigação, anunciou na sexta-feira o ministro da Educação, Fernando Alexandre. A decisão foi tomada durante um encontro entre Fernando Alexandre e o ministro chinês da Ciência e Tecnologia, Yin Hejun, em Pequim, no âmbito de uma visita oficial à China centrada no reforço da cooperação bilateral nos domínios da educação, ciência e inovação.

O governante português adiantou que os dois ministros vão liderar a estrutura, que deverá reunir-se “a muito curto prazo” para definir prioridades de colaboração e mecanismos concretos para as concretizar.

A comissão mista luso-chinesa de ciência e tecnologia enquadra-se no acordo de cooperação científica e tecnológica assinado pelos dois países em 1993 e visa promover projectos conjuntos de investigação, intercâmbio de investigadores e outras iniciativas de colaboração entre instituições científicas portuguesas e chinesas. O mecanismo serve também para definir prioridades comuns e acompanhar a execução da cooperação bilateral nesta área.

De acordo com o ministro da Educação, Ciência e Inovação português, a China assume hoje uma importância crescente para Portugal devido aos seus avanços no ensino superior, na ciência e na tecnologia. “A China tem algumas das instituições mais relevantes a nível internacional e são líderes em muitas áreas”, sublinhou.

O ministro indicou que vai ser igualmente criada uma comissão técnica na área da educação para desenvolver instrumentos destinados a aprofundar a cooperação entre os dois países, incluindo o reconhecimento mútuo de qualificações académicas, a mobilidade de estudantes e investigadores e os programas de dupla titulação.

“O reconhecimento das qualificações, reconhecimento dos graus, precisa também ser aperfeiçoado e agilizado, porque é essencial para essa circulação de talento”, afirmou.

Fernando Alexandre destacou ainda a crescente procura da língua portuguesa na China, referindo que existem actualmente mais de 60 instituições de ensino superior chinesas com cursos de português, frequentados por mais de 4000 estudantes e leccionados por mais de 200 docentes. “O que senti em Macau e aqui na China é a importância que a China dá à lusofonia”, afirmou, acrescentando que Portugal deve desempenhar um papel central nessa ligação.

Questionado sobre as áreas científicas com maior potencial de cooperação, o ministro referiu os oceanos e as ciências da vida, considerando que ambos os países dispõem de capacidades relevantes nesses domínios. “Oceanos e as ciências da vida, a medicina, foram duas áreas referidas, porque são duas áreas muito importantes para os dois países”, disse.

Fernando Alexandre salientou ainda que Portugal está a definir as prioridades nacionais para a investigação e inovação, no âmbito da nova Agência para a Investigação e Inovação (AI2), processo que deverá estar mais avançado nos próximos meses.

Sem antecipar conclusões, apontou o mar e as ciências da saúde como áreas que deverão assumir um papel relevante, por corresponderem a competências já instaladas em Portugal e a desafios globais partilhados por ambos os países, como o envelhecimento da população.

O ministro destacou também o crescimento do ensino do mandarim em Portugal, indicando que a língua é actualmente ensinada em sete escolas secundárias portuguesas, frequentadas por 340 alunos, um aumento de 60% nos últimos dois anos.

Fernando Alexandre iniciou na semana passada uma visita à China, que incluiu Macau e Pequim, onde manteve encontros com responsáveis chineses da educação e da ciência e visitou instituições académicas dos dois territórios. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Angola - Academia de Letras e Universidade Roma Tre assinam protocolo de cooperação cultural

A Academia Angolana de Letras (AAL) e a Cátedra Agostinho Neto da Universidade Roma Tre formalizam em Itália, um protocolo de cooperação estratégica para consolidar os laços culturais e académicos entre as duas instituições


O documento vai ser rubricado em Roma, capital daquele país europeu, pelo presidente da AAL, Paulo de Carvalho, e pelo director da cátedra, o professor italiano Giorgio de Marchis, tendo como objectivo central a promoção do estudo da língua, literatura e cultura angolana, bem como a valorização da vida e obra de António Agostinho Neto.

Segundo a nota enviada à imprensa, a parceria estabelece uma base para o intercâmbio de conhecimentos, a realização de conferências internacionais, publicações conjuntas e programas de mobilidade para investigadores e escritores.

Como primeira materialização deste protocolo, está agendado, no mesmo dia, a realização de um Colóquio Internacional, intitulado “Angola Perante a África e o Mundo”, um evento de elevada relevância diplomática e académica que assinala a celebração dos 50 anos da proclamação da Independência de Angola e o 50.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Angola e a Itália.

O colóquio, que vai decorrer na Sala Ignazio Ambrogio, em Roma, vai contar com comunicações de destacados especialistas e académicos angolanos e italianos, abordando temas como a diversidade cultural angolana, o poder simbólico da língua e a análise de obras literárias contemporâneas.

O programa inclui ainda uma romagem ao busto de Agostinho Neto, no Largo Beato Placido Riccardi, simbolizando o compromisso contínuo com a preservação da memória histórica e o fortalecimento da cooperação angolana-italiana no domínio das Letras e das Ciências Sociais.

Com uma validade inicial de três anos, renovável por acordo entre as partes, este compromisso visa não apenas a valorização da História e do património angolano, mas também o incentivo à inovação nos domínios da Educação, Ciência e Cultura. Por meio de acções coordenadas, as instituições pretendem elevar o estudo da cultura angolana num contexto global, honrando o legado de Agostinho Neto e criando oportunidades de investigação que consolidem, de forma duradoura, a cooperação científica entre Luanda e Roma. In “Jornal de Angola” - Angola


segunda-feira, 30 de março de 2026

Portugal - Instituto Pedro Nunes abre candidaturas para a 15.ª edição do INEO START: Transformar Ciência e Tecnologia em Negócios de Sucesso

Estão abertas as candidaturas para a 15.ª edição do INEO START, um dos programas de aceleração mais consolidados no panorama nacional, inteiramente dedicado à transformação de ideias disruptivas e tecnologias de base científica em projetos empresariais inovadores e viáveis


O programa foca-se em projetos early-stage de base tecnológica ou serviços avançados, destinando-se especificamente a empreendedores e equipas com origem em entidades do sistema regional de investigação e inovação, tais como instituições de ensino superior, centros tecnológicos, centros de transferência de tecnologia e outras estruturas de I&D. O grande objetivo é acelerar a transição do conhecimento académico para soluções competitivas no mercado global.

Ao longo de todo o percurso de aceleração, os participantes terão acesso a um ecossistema de apoio completo que privilegia a capacitação e o crescimento. O programa integra workshops práticos e sessões de mentoria personalizada (1-to-1), garantindo um acompanhamento próximo de cada projeto. Além disso, promove momentos de networking estratégico com especialistas do setor e parceiros de referência, proporcionando, ao mesmo tempo, uma preparação intensiva para a apresentação das soluções a investidores e stakeholders relevantes.

Este percurso culmina no Demo Day, inserido no Startup Capital Summit, onde as equipas participantes terão a oportunidade de apresentar as suas soluções perante uma audiência de investidores e entidades influentes do ecossistema. Com um historial de impacto consolidado, o INEO START já apoiou 168 equipas, contributo que resultou na criação de mais de 40 startups inovadoras que hoje fortalecem o tecido empresarial de Coimbra e da Região Centro.

As candidaturas para esta 15.ª edição estão abertas até ao dia 12 de abril, podendo os interessados obter mais informações e formalizar a sua inscrição através do sítio oficial do Instituto Pedro Nunes ou no sítio do evento.

Sobre o Instituto Pedro Nunes (IPN): Fundado por iniciativa da Universidade de Coimbra, o IPN é uma instituição sem fins lucrativos que visa promover a inovação e a transferência de tecnologia. Através da sua incubadora e dos seus seis laboratórios de investigação aplicada, o IPN estabelece a ponte fundamental entre o conhecimento científico e o mundo empresarial. Instituto Pedro Nunes - Portugal




quinta-feira, 26 de março de 2026

Moçambique - Governo quer ciência ao serviço do desenvolvimento dos países da CPLP

A primeira-ministra desafia os investigadores a desenvolverem pesquisas científicas viradas ao desenvolvimento económico, social e cultural do país. As declarações foram feitas, em Maputo, por Benvinda Levi, durante a abertura da conferência de Jovens Investigadores da CPLP.


Maputo acolhe, de 25 a 27 de Março, a quarta Conferência de Jovens Investigadores da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, um evento com o objectivo de promover o uso da ciência na governação.

Cristina Molares, presidente da Associação de Jovens Investigadores da CPLP, fala do evento como uma oportunidade para pôr a ciência a serviço do desenvolvimento.

“A ciência e a política muitas vezes encontram-se em tensão e conflito. No entanto, sem ciência não há desenvolvimento sustentável. É essencial compreender que todos partilhamos um objetivo comum. Ultrapassar as dificuldades crónicas e contribuir para uma África muito marcada de desgraças. Até agora usamos as políticas sem a ciência. Não está a dar certo. Devemos passar a pôr a ciência a nosso favor, mas desta vez, não a ciência importada”, defendeu.

A primeira-ministra, que esteve em representação do Presidente da República, desafiou os jovens investigadores a usarem a ciência para o desenvolvimento do país.

“Que as vossas pesquisas e investigações não se limitem apenas a relatórios académicos e teóricos, pois devem propor soluções práticas e concretas que contribuam para a melhoria da vida social e económica das comunidades, concorrendo, desta forma, para o desenvolvimento sustentável e inclusivo dos nossos países”, disse Benvinda Levi.

No domínio da inovação tecnológica, Levi deixou apelos aos pesquisadores.

“Hoje a inteligência artificial aparentemente resolve todos os problemas, mas é preciso também ver os desafios que ela nos coloca, os riscos que ela traz. Facilita-se a vida, mas não resolve tudo.”

O presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, reafirmou, por seu turno, a aposta da edilidade na valorização do conhecimento como motor de desenvolvimento.

Rasaque Manhique falava na abertura da IV Conferência de Jovens Investigadores da CPLP-ÁFRICA, um evento que decorre até sexta-feira, sob o lema “Diversidade cultural, inovação digital e saberes ancestrais: construindo futuros sustentáveis em África”.

Nos três dias da conferência, haverá apresentação de 60 trabalhos de jovens da CPLP, virados para as pesquisas para o desenvolvimento. Inalcídio Uamusse – Moçambique in “O País”


quinta-feira, 12 de março de 2026

Cabo Verde e Portugal assinam memorando para reforçar cooperação no mar

Cabo Verde e Portugal assinaram um memorando de entendimento no domínio do mar para reforçar a cooperação institucional, técnica e científica entre os dois países, com foco no desenvolvimento da economia azul e na gestão sustentável dos recursos marinhos


“Assinámos este memorando de entendimento para hoje e para o futuro, mas com base numa análise profunda de tudo o que tem sido a cooperação entre Portugal e Cabo Verde no domínio do mar”, afirmou o ministro do Mar cabo-verdiano, Jorge Santos, durante a cerimónia realizada no arquipélago, na ilha de São Vicente.

Segundo o governante, o acordo permite consolidar a parceria entre os dois países num setor estratégico para o arquipélago, sublinhando o potencial da economia azul para gerar crescimento económico, emprego e novas oportunidades de investimento.

A cooperação deverá incidir, entre outros aspectos, na partilha de informação e dados científicos, na formação de recursos humanos e no reforço da capacidade institucional no domínio das políticas do mar.

Jorge Santos destacou ainda que o mar constitui uma das maiores riquezas de Cabo Verde e defendeu que a cooperação com Portugal pode contribuir para melhorar a organização do setor das pescas, a qualidade e certificação do pescado e o aproveitamento sustentável dos recursos marinhos.

O memorando foi assinado com o secretário de Estado das Pescas e do Mar de Portugal, Salvador Malheiro, e renova um entendimento anterior estabelecido entre os dois países em 2014.

Salvador Malheiro afirmou que a cooperação no domínio do mar tem sido consolidadas ao longo dos anos, refletindo as décadas de relações entre Cabo Verde e Portugal e o reforço dos laços institucionais e pessoais. “Temos uma ligação fortíssima pela nossa língua, mas antes da língua já tínhamos o mar que nos unia”, afirmou, acrescentando que a renovação do memorando surge num contexto em que a economia do mar e azul assumem crescente relevância a nível global. “Somos duas nações marítimas por excelência e chegou o momento de tirar partido dessa riqueza natural para melhorar a vida das pessoas”, disse, apontando que Cabo Verde tem sido “um país exemplo” na gestão do oceano e defendeu que o aproveitamento económico do mar deve estar sempre associado à sua preservação.

Além disso, avançou que estão a ser dados os primeiros passos para integrar Cabo Verde numa plataforma internacional dedicada à gestão do oceano. “Vamos com certeza concretizar essa integração de Cabo Verde numa plataforma internacional do mais alto nível, a chamada Alliance 100%, que visa, sobretudo, reconhecer esses países que olham para o mar e querem ter uma gestão a 100% do mar. E Cabo Verde pode contar com Portugal ainda para outros voos nesta matéria”, garantiu.

O governante acrescentou que Portugal está disponível para reforçar a cooperação com Cabo Verde em áreas como a pesca, o turismo náutico, a preservação dos ecossistemas marinhos e a construção e reparação naval.

Durante a visita de dois dias à ilha de São Vicente, Salvador Malheiro visitou várias infraestruturas ligadas ao sector marítimo e das pescas, nomeadamente os estaleiros navais, o Instituto do Mar e complexos de pesca. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Internacional - Cientistas estabelecem diagnóstico mais antigo de doença genética utilizando ADN de indivíduo pré-histórico de há mais de 12 mil anos

Um novo estudo, liderado por Daniel Fernandes, investigador do Centro de Investigação de Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), relata o diagnóstico mais antigo de uma doença genética em seres humanos anatomicamente modernos — e redefine a nossa visão sobre doenças raras na pré-história.

Através da combinação de técnicas de vanguarda na análise de ADN antigo e genética clínica contemporânea, uma equipa de investigação internacional e multidisciplinar estabeleceu o diagnóstico de ADN mais antigo de uma patologia genética num indivíduo pré-histórico, datado de há mais de 12 mil anos.

Publicado na revista New England Journal of Medicine, o estudo demonstra que os avanços nas técnicas de ADN antigo vão além do mapeamento de populações e migrações humanas, permitindo, igualmente, estabelecer diagnósticos genéticos raros em restos ósseos de indivíduos que viveram há vários milénios.

Esta investigação centra-se num notável enterramento do Paleolítico Superior, com mais de 12 mil anos, descoberto em 1963 na Grotta del Romito, uma gruta no sul de Itália. Dois indivíduos foram depositados em conjunto, num abraço. Um adolescente com encurtamento severo dos membros (Romito 2), jazia envolvido pelos braços de um adulto (Romito 1).

De acordo com os investigadores, não foram encontrados sinais de trauma em nenhum dos esqueletos. O esqueleto de Romito 2 apresentava uma estatura severamente reduzida (110 cm), sugerindo uma patologia esquelética rara denominada displasia acromesomélica. Contudo, tal diagnóstico não poderia ser confirmado de forma definitiva apenas através da análise osteológica. Curiosamente, a estatura da adulta Romito 1 (145 cm) era também inferior à média da altura adulta daquela era.

A equipa extraiu ADN do ouvido interno, uma das fontes mais fiáveis de preservação de ADN em esqueletos antigos. As evidências genéticas esclareceram, inicialmente, duas questões fulcrais. Contrariamente às hipóteses anteriores, comprovou-se que tanto Romito 1 como Romito 2 eram do sexo feminino. Num achado que acrescenta uma perspetiva crucial à interpretação do enterramento, a análise de ADN revelou, também, que eram familiares de primeiro grau — possivelmente, mãe e filha.

Em Romito 2, foi identificada uma variante homozigótica (duas cópias) no gene NPR2, que desempenha um papel vital no crescimento ósseo. Este achado genético confirmou o diagnóstico de displasia acromesomélica do tipo Maroteaux, uma condição hereditária raríssima caracterizada por uma deficiência de crescimento severa e um encurtamento acentuado dos membros.

Os dados de Romito 1 sugerem que esta era possivelmente portadora de uma cópia anómala do gene NPR2, o que constitui uma causa genética de baixa estatura moderada. Estas descobertas em indivíduos pré-históricos coincidem perfeitamente com as características clínicas de doentes modernos com uma ou duas cópias anómalas do referido gene.

«Podemos agora aplicar a ciência da análise de ADN antigo para confirmar mutações específicas e, por extensão, variantes genéticas particulares. Esta abordagem e estes métodos podem não só fornecer uma cronologia confirmada para a idade mínima de certas condições genéticas raras, como também levar à descoberta de variantes anteriormente desconhecidas. Espero que este seja o início de um novo campo de investigação que combine a especialização da genética médica, da paleogenómica e da antropologia biológica», considera Ron Pinhasi, investigador da Universidade de Viena, Áustria.

Daniel Fernandes, investigador do CIAS/FCTUC e primeiro autor do estudo, ressalva que «revelar que estes indivíduos eram ambos do sexo feminino e familiares de primeiro grau transforma este enterramento num estudo genético familiar. Embora a cobertura de ADN para o indivíduo mais velho fosse limitada, a sua estatura mais baixa reflete provavelmente um estado heterozigótico da mutação NPR2 — proporcionando uma perspetiva rara sobre como um único gene afetou diferentes membros da mesma família pré-histórica».

Do ponto de vista médico, os resultados lançam uma nova luz sobre o campo das doenças raras na história humana. Para além do feito técnico, as descobertas transmitem uma mensagem humana. Apesar das severas limitações físicas, Romito 2 sobreviveu até ao final da adolescência ou idade adulta — sugerindo cuidados sociais contínuos numa comunidade de caçadores-recoletores há mais de doze milénios.

O estudo destaca como as ferramentas desenvolvidas para a genética clínica moderna podem iluminar a história humana, unindo a medicina, a genómica e a arqueologia — e lembrando-nos de que as doenças raras, e as pessoas que com elas vivem, sempre fizeram parte da narrativa humana. Universidade de Coimbra - Portugal