Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Centro de Estudos Internacionais Iscte - Policy Hack Ecoprise: think tank de regeneração urbana e activação de políticas de desenvolvimento local com o modelo Ecoprise e design regenerativo

No dia 18 de setembro realiza-se o primeiro Policy Hack, uma iniciativa que integra a fase final do projeto europeu ECOPRISE (Fevereiro 2023 – Janeiro 2027) que criou o modelo inovador regenerativo e empreendedor Ecoprise através de um consórcio de especialistas, bem como um MOOC Ecoprise que formou cerca de 40 Ecoprise Designers em Portugal e 250 na Europa.


A atividade parte do conceito de “Zona Regenerativa Temporária”, inspirado em iniciativas de regeneração urbana atualmente em debate em Lisboa. Em formato de hacking político, a sessão propõe uma reflexão colaborativa sobre regeneração territorial, ativação de espaços degradados e governança local, cruzando perspetivas de desenvolvimento local, sustentabilidade, urbanismo e inovação cívica.

O Policy Hack é um processo interativo de co-design que procura aplicar o modelo Ecoprise a desafios políticos, ambientais, sociais, culturais e económicos concretos, a partir de um território ou espaço em desuso. A sessão reunirá especialistas, empreendedores/as, Ecoprise Designers, agentes de desenvolvimento local e profissionais ligados à participação comunitária, com o objetivo de cocriar soluções para a regeneração do território e repensar as suas dimensões física, ecológica, social, cultural e política. Será testada uma metodologia sistémica que integra o modelo Ecoprise, o Site Design da Permacultura e os princípios do design de ecoaldeias, entre outras abordagens.

A sessão dará também a conhecer as sete dimensões do modelo Ecoprise — cultura, propósito, regeneração, propriedade e governação, redes, impacto e replicabilidade — e a sua abordagem integrada à sustentabilidade e regeneração, nas dimensões ecológica, económica, social e cultural. Nesta sessão estarão presentes:

  • Especialista em design regenerativo/permacultura 

  • 2 tutores e coordenadores Ecoprise especialistas no modelo Ecoprise 

  • 2 Representantes de agências desenvolvimento local

  • Representante de autoridade local

  • Investigadores e especialistas de planeamento do território, urbanistas e arquitectos/as 

  • Incubadores locais - Ecoprise Designers - alunos/as formados/as do curso Ecoprise

Como participar?

A sessão decorre entre as 14h30 e as 18h30, na sala A104 (Edifício 4). A sessão é dirigida a estudantes, docentes e investigadores do Iscte, bem como a membros de organizações ou institutos que trabalhem estas temáticas, mediante disponibilidade de lugares. É necessário a pré-inscrição através do seguinte formulário.   


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Brasil - Márcia Mikai ajuda a reinventar crescimento urbano com “agrihoods”, o bairro do futuro

Iniciativa pioneira impulsiona restauração de ecossistemas, fortalece resiliência climática e desenvolve comunidades saudáveis. Com o apoio do PNUMA, novas áreas são projetadas para funcionar em harmonia com a natureza, beneficiando produção de alimentos e abastecimento de água


Cidades e centros urbanos abrigam mais da metade da população mundial e são responsáveis por cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa que impulsionam a crise climática.

Urbanistas no Brasil estão a liderar uma revolução no design das cidades para criar áreas com uma pegada de carbono significativamente menor.

Resiliência climática e comunidades saudáveis

Não é exagero dizer que a forma como as cidades cresceram não tem sido positiva para o planeta. A falta ou inadequação de planeamento levou a uma série de problemas, como inundações, ilhas de calor e escassez de água.

Ao mesmo tempo, as cidades distanciaram-se da produção de alimentos e da natureza. O aumento da distância entre a vida urbana e as áreas agrícolas alimenta o desmatamento, as emissões e a perda da consciência ecológica.

Mas Márcia Mikai e os seus colegas acreditam ter uma resposta para a expansão urbana insustentável. Eles chamam essa solução de agrihood.

A sua empresa, Pentagrama Projetos em Sustentabilidade e Regeneração, está reinventando a forma como as cidades crescem, para que elas passem a impulsionar a restauração de ecossistemas, fortalecer a resiliência climática e desenvolver comunidades saudáveis.

Os urbanistas, designers e arquitetos da Pentagrama colocam as suas ideias em prática em várias cidades brasileiras, especialmente em São Paulo, cuja região metropolitana, com 22 milhões de habitantes, continua a expandir-se sobre áreas agrícolas e florestais, apagando as fronteiras entre zonas urbanas e rurais.

Verde e lucrativo

Em entrevista para a ONU News, Márcia afirmou que estuda os modelos financeiros de sistemas agroflorestais há décadas. Uma das conclusões da pesquisa é que “o agrihood pode ser muito lucrativo”.

Márcia afirma que “muitas pessoas estão extremamente preocupadas com a segurança alimentar; elas querem um lugar para viver que tenha áreas comuns de qualidade e um senso de comunidade”. A especialista relata que quando mostra imagens de como esses bairros podem ser, a pessoas ficam encantadas.

O modelo desenvolvido por Márcia Mikai foi projetado para interromper a expansão urbana desordenada ao recuperar áreas degradadas, muitas vezes abandonadas após terem sido utilizadas em práticas insustentáveis, como a pecuária intensiva.

Nesta versão do agrihood, termo originalmente utilizado para promover empreendimentos residenciais nos Estados Unidos, o terreno é regenerado para combinar práticas sustentáveis de manejo florestal com edificações de uso misto e espaços dedicados à educação ambiental.

Trabalhando com a natureza

Essas novas áreas são projetadas para funcionar em harmonia com a natureza, tornando-se quase uma extensão do ambiente natural. Plantas e árvores nativas e comestíveis são reintroduzidas, ajudando a resfriar as cidades e reduzir o risco de inundações, desacelerando o escoamento superficial da água, além de contribuir para o reabastecimento de aquíferos.

Espécies ameaçadas, expulsas das cidades, encontram refúgio, enquanto espaços verdes compartilhados reconectam os moradores com a produção de alimentos e com a comunidade. Além disso, o ambiente biodiverso absorve ativamente carbono da atmosfera, transformando o crescimento urbano em ação climática.

“Os agrihoods têm inúmeras vantagens”, afirma Mikai. “Eles economizam água, protegem a biodiversidade e permitem que as pessoas consumam alimentos produzidos localmente”. Ela disse que esses podem ser lugares onde “jovens, idosos, pessoas ricas e de baixo rendimento vivem juntas e se integram”.

A brasileira acredita que isso pode tornar-se uma nova realidade.

Os agrihoods brasileiros, que também estão a ser testados em Brasília e Curitiba, reforçam o argumento defendido pela ONU de que investir em soluções positivas para a natureza gera retornos ambientais e económicos saudáveis.

Risco de colapso

No início deste mês, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, PNUMA, divulgou o seu mais recente relatório do Estado do Financiamento para a Natureza.

O documento revela que o volume de recursos destinado a investimentos que prejudicam o planeta, como energia baseada em combustíveis fósseis e construção civil, é 30 vezes maior do que o direcionado a soluções positivas para a natureza, como os agrihoods.

O chefe da unidade de financiamento climático do PNUMA, Ivo Mulder, afirma que a exploração dos recursos naturais precisa ser contida porque “embora esse financiamento negativo para a natureza esteja impulsionando nossas economias, ele acabará levando essas mesmas economias ao colapso”.

“Não coloque cercas”

Além de defender reformas de políticas públicas no relatório, Mulder acredita que a forma como pensamos sobre a natureza também precisa mudar.

Para ele, “as pessoas frequentemente falam sobre a natureza como ambientes intocados, como parques nacionais cercados”. O especialista defende que é preciso integrar a natureza ao nosso cotidiano, adaptando as nossas cidades para enfrentar eventos climáticos extremos, para que, quando houver chuvas intensas, as nossas ruas e casas não sejam inundadas.

Segundo Mulder, essa mudança de mentalidade não deve limitar-se apenas aos líderes dos setores imobiliário, turístico e industrial, mas também alcançar a população em geral.

Ele ressaltou que neste momento de incerteza geopolítica, as pessoas têm uma visão relativamente pessimista do mundo, mas elas precisam imaginar uma alternativa positiva. Por exemplo, como seria Nova Iorque se incorporasse mais soluções baseadas na natureza?

Para Mulder, a cidade poderia ter mais áreas verdes, o que tornaria menos necessário usar menos ar-condicionado durante o verão, e isso poderia resultar em maior produtividade e uma economia mais dinâmica.

Restauração de Ecossistemas

Os projetos de agrihood da Pentagrama Projetos em Sustentabilidade e Regeneração contam com o apoio do BioCidades Empreendedoras, do PNUMA, um programa de incubação criado para apoiar 50 empreendedores em estágio inicial que desenvolvem soluções para a resiliência climática urbana em São Paulo e Curitiba.

O BioCidades Empreendedoras recebe apoio do PNUMA, da Bridge for Billions e do Instituto Legado, organizações que promovem o empreendedorismo social.

O projeto é inspirado pela Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas, uma oportunidade para abandonar políticas que degradam o planeta e revitalizar o mundo natural. ONU News – Nações Unidas

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Marcia Mikai Junqueira de Oliveira - Arquiteta e urbanista pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais pela POLI-USP, mestrado pelo IAU-USP, certificada pelo National Charrette Institute (NCI) em gerenciamento e planejamento de Charrettes. Empresária desde 1987, participante de projetos selecionados em Bienais de Arquitetura. Foi membro curador do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), Vice-presidente do Instituto Smart City Business America (atual Conselheira Técnica), docente em cursos de pós-graduação e extensão universitária. Atua com ênfase em projetos colaborativos, cocriação, desenvolvimento de “agrihoods” e sistemas agroflorestais de larga escala.


quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Portugal - A Constituição, a Habitação, o Urbanismo e o Direito a uma vida justa

Pelo preço que custaram e pelas rendas que por elas pedem os seus proprietários, parece evidente que muitas das habitações hoje construídas não se destinam, de facto, ao mercado normal da habitação

No último fim de semana, ocorreram, em diversas partes do nosso país, manifestações populares reivindicando do Estado e, através deste, de outras instituições por ele apoiadas - e, em alguns casos, mesmo, subsidiadas - a concretização de um direito constitucional: o direito à habitação.

Desde há vários anos, tem-se assistido a uma evolução do enquadramento político, económico e social do país que, neste como em outros aspetos necessários à construção de uma vida decente para os cidadãos, tem preterido, radicalmente, as mais importantes obrigações políticas do Estado, tal como a Constituição da República Portuguesa (CRP) as define.

Entre elas, evidenciam-se as que devem ser dirigidas à promoção da dignidade da pessoa humana e à construção de uma sociedade livre, justa e solidária (palavras do art.º 1.º da CRP).

No que, especificamente, diz respeito à habitação, a omissão de políticas eficazes de promoção, construção e disponibilização de habitação, por parte do Estado, aos cidadãos, conduziu, como se sabe, a uma crise grave.

Portugal é um dos países da União Europeia onde a habitação social detida pelo Estado (central e local) representa uma das mais baixas percentagens no número geral de habitações existentes.

Confrontamo-nos, agora, com uma crise que ameaça não só as classes populares como, neste momento, também, estratos sociais que, anteriormente, não conheciam problemas sérios no acesso à habitação.

Neste aspeto - como em outros - podemos até dizer que o nosso Estado estagnou e, em algumas áreas, regrediu mesmo nas políticas de promoção da dignidade e qualidade de vida dos cidadãos.

Isso é o resultado da preferência que o Estado vem, desde há muitos anos, dando a opções políticas fundadas, maioritariamente, em apoios pontuais e nunca em medidas projetadas sistematicamente ao futuro.

Políticas que não privilegiam, assim, a construção das condições para que a maioria dos cidadãos possa ter, hoje, esperança fundada de, amanhã, beneficiar de uma vida mais livre, justa e solidária.

Nos termos do seu artigo 65.º, que à habitação respeita, a CRP incumbiu, concreta e detalhadamente, o Estado de promover tais políticas nos seguintes termos:

«1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.

2. Para assegurar o direito à habitação, incumbe ao Estado:

a) Programar e executar uma política de habitação inserida em planos de ordenamento geral do território e apoiada em planos de urbanização que garantam a existência de uma rede adequada de transportes e de equipamento social;

b) Promover, em colaboração com as regiões autónomas e com as autarquias locais, a construção de habitações económicas e sociais;

c) Estimular a construção privada, com subordinação ao interesse geral, e o acesso à habitação própria ou arrendada;

d) Incentivar e apoiar as iniciativas das comunidades locais e das populações, tendentes a resolver os respetivos problemas habitacionais e a fomentar a criação de cooperativas de habitação e a autoconstrução.

3. O Estado adotará uma política tendente a estabelecer um sistema de renda compatível com o rendimento familiar e de acesso à habitação própria.

4. O Estado, as regiões autónomas e as autarquias locais definem as regras de ocupação, uso e transformação dos solos urbanos, designadamente através de instrumentos de planeamento, no quadro das leis respeitantes ao ordenamento do território e ao urbanismo, e procedem às expropriações dos solos que se revelem necessárias à satisfação de fins de utilidade pública urbanística.

5. É garantida a participação dos interessados na elaboração dos instrumentos de planeamento urbanístico e de quaisquer outros instrumentos de planeamento físico do território.»

Isso significa que - entre outros aspetos mais determinantes da política pública de habitação definida pela CRP - embora a sua concretização possa ser executada por intermédio das propostas e iniciativas do setor económico privado, a planificação urbanística, a sustentação e a definição dos objetivos da edificação de novas habitações deve ter sempre em conta os objetivos constitucionais prioritários, que compete ao Estado projetar, controlar e, se necessário, impor.

Ora, de acordo com tais objetivos, os planos de construção de habitação devem servir, em primeira mão, para colmatar as necessidades da maioria dos cidadãos e não apenas – como frequentemente acontece – uma minoria de privilegiados nacionais e estrangeiros.

Todavia, pelo preço que custaram e pelas rendas que por elas pedem os seus proprietários, parece evidente que muitas das habitações hoje construídas não se destinam, de facto, ao mercado livre e normal da habitação.

Muitos deles não habitam, nem se propõem habitar, as casas que adquiriram por valores milionários, nem, por outro lado, querem, verdadeiramente, pô-las no mercado a preços compatíveis com os rendimentos da esmagadora maioria dos portugueses.

Limitam-se a, nelas, empregar o dinheiro que têm, como quem, a título de investimento, compra barras de ouro.

Por tal motivo, na escolha e aprovação de propostas de edificação de habitações, o Estado (central e local) deveria, nos termos das prioridades definidas e detalhadas por aqueles preceitos constitucionais, privilegiar planos e projetos que visassem, de facto e em primeira mão, assegurar as necessidades de habitação dos cidadãos, de forma a contribuir, desse modo, para a sociedade justa que o artigo 1.º da CRP define e propõe como objetivo do Estado.

Como dizem Canotilho e Vital Moreira na sua «Constituição da República Anotada – 4.ª Edição», este direito tem uma dupla natureza.

«Por um lado, o direito a não ser arbitrariamente privado da habitação ou impedido de conseguir uma. Por outro lado, o direito à habitação consiste no direito a obtê-la por via de propriedade ou arrendamento, traduzindo-se na exigência das medidas e prestações estaduais adequadas a realizar tal objetivo.»

As políticas de apoio do Estado à concretização deste direito não podem, pois, limitar-se a colmatar, provisoriamente, as necessidades circunstanciais de alguns cidadãos na preservação da sua habitação, nem, tão pouco, ao apoio temporário à sua aquisição, por compra ou arrendamento.

Deve, também, e antes do mais, dirigir-se, ativamente, à programação e concretização de políticas públicas que permitam tornar efetivamente justa, hoje e amanhã, a vida de todos os cidadãos: privilegiando, por exemplo, a construção, pelo próprio Estado (central ou local) de habitação social.

O espaço político-institucional para melhor verificar se o Estado se vocaciona, ou não, para agir nesse sentido situa-se, não apenas na análise do programa político de medidas enunciadas para tal fim, mas, mais objetivamente, no exame e discussão da proposta do orçamento geral do Estado.

As manifestações realizadas em defesa do direito à habitação tiveram, por isso, a virtude de a todos alertar para a forma como o Estado se propõe, ou não, concretizar os princípios e objetivos constitucionais nos próximos tempos. António Cluny – Portugal in Jornal I online

 

António Cluny - Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Representante de Portugal na Eurojust - Unidade Europeia de Cooperação Judiciária- e na MEDEL - Associação de Magistrados Europeus pela Democracia e Liberdade.

Nomeado, por diversas vezes, Procurador da República em diferentes círculos judiciais.

Procurador-Geral Adjunto, colocado em substituição do Procurador-Geral da República nos Tribunais Supremos e no Tribunal de Contas em 22/6/98.

Perito do GRECO (Grupo de Estados Contra a Corrupção – comité especializado do Conselho da Europa), tendo participado nas equipas que avaliaram os sistemas públicos e de justiça do Mónaco e do Luxemburgo na perspetiva da luta contra a corrupção.

Em representação da Federação Internacional do Direitos Humanos (FIDH ) dirigiu no local uma missão na Amazónia (Belém do Pará) para investigar a morte de uma freira católica Norte-americana, cujo relatório apresentou em Genebra na Reunião Anual do Comité das Nações Unidas para defesa dos Direitos Humanos.

Participante em Washington e S. Francisco em conferências e iniciativas cívicas de luta contra Pena de Morte a convite da International Commission Against the Death Penalty e da Death Penalty Focus, tendo intervindo no Clube de Imprensa daquela primeira cidade.

Alguns livros e artigos:

Pensar o Ministério Público Hoje – Ed. Cosmos, Outubro de 1997.

Responsabilidade Financeira e Tribunal de Contas, Coimbra Editora, Dezembro de 2001.

O Ministério Público, o Estado de Direito Social e a Nova Criminalidade Organizada que reproduz uma intervenção num colóquio realizado em Bruxelas em 12, 13 Dezembro de 1997, pela MEDEL e a União Europeia subordinado ao tema «La Justice entravée – corruption et criminalité économique internationale» – RMP, n.º 72, 1997.

O Ministério Público e o princípio constitucional da igualdade – Caderno n.º 10 da RMP – Ed. Cosmos, Lisboa 2000.

Reflexões e Dúvidas no 25.º Aniversário do Estatuto do Ministério Público – RMP, n.º 95, 2003.

Démocratie et rôle de l’associationnisme judiciaire au Portugal – incluído na obra : La formation des magistrats en Europe et le role des syndicats et des associations profissionelles / Quelle formation, pour quelle Justice, dans quelle société - CEDAM, Padova, 1992.

Criminalidade em Tempo de Crise – O Cidadão (1995) III, 9-10: 23-28.


sexta-feira, 2 de abril de 2021

Brasil – Distinguida obra coletiva sobre Hospitais e Saúde luso-brasileira


No passado dia 2 de fevereiro, o livro Hospitais e Saúde no Oitocentos: diálogos entre Brasil e Portugal, uma obra coletiva na área da História e Saúde que é resultado de um conjunto de trabalhos elaborados por investigadores luso-brasileiros sobre arquitetura, urbanismo, patrimônio cultural e saúde no séc. XIX, foi distinguido no âmbito do VI Encontro da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (ENANPARQ).

O VI ENANPARQ, um congresso internacional que se assume como um dos principais eventos da área de arquitetura e urbanismo do Brasil, que este ano se realizou de forma virtual, devido à pandemia, entre os dias 1 e 5 de março em Brasília, atribuiu à obra luso-brasileira uma menção honrosa na categoria coletânea. Segundo o júri do evento, o livro “contribui para o conhecimento e para o reconhecimento da arquitetura hospitalar no Brasil e em Portugal, durante o neoclassicismo, trazendo conteúdos novos sobre o tema”.

O livro, uma publicação da editora Fiocruz, que concentra a maior parte dos lançamentos da Fundação Oswaldo Cruz, a mais importante instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, localizada no Rio de Janeiro, é constituído por sete capítulos onde os cientistas sociais luso-brasileiros revisitam a benemérita rede de dezenas de associações de beneficência fundadas por emigrantes portugueses na transição do séc. XIX para o séc. XX, e que ainda hoje são instituições de referência no Brasil, principal destino da emigração lusa na época.

Refira-se que um dos capítulos da obra é assinado pelo historiador Daniel Bastos, colaborador do Mundo Lusíada, com o título “O Hospital da Misericórdia de Fafe e a Contribuição da Benemerência Brasileira em Portugal no Século XIX”. O investigador, cujo percurso tem sido alicerçado no seio das comunidades portuguesas, destaca no seu trabalho o percurso de mais de um milhão de portugueses que na transição do séc. XIX para o séc. XX emigraram para o Brasil, muitos deles provenientes do Minho, à procura de melhores condições de vida.

Os chamados “brasileiros de torna-viagem”, que quando retornaram ao torrão natal foram impulsionadores da construção de residências, de indústrias e obras filantrópicas, assim como dinamizadores da vida pública, económica, social e cultural. Daniel Bastos – Portugal in “Mundo Lusíada”


 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

UCCLA - Exposição “Urbanismos de Influência Portuguesa”

 


Compreender as nossas cidades e os modelos que influenciaram o seu desenvolvimento são os ingredientes da exposição “Urbanismos de Influência Portuguesa”, que a UCCLA - em parceria com a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa - irá inaugurar no dia 22 de outubro, às 18 horas, nas suas instalações.

Trata-se de uma mostra de alguns dos Planos de Urbanização que foram elaborados entre 1934 (data do 1.º DecretoLei português a definir as regras destes planos) e 1974 (data a partir da qual ocorreu a independência das colónias), para as cidades de África e da Ásia que, nesse período, se encontravam sob administração colonial Portuguesa - planos esses que foram recolhidos e estudados no âmbito dum projeto de investigação da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.

De acordo com as palavras do Secretário-geral da UCCLA, Vitor Ramalho, “é muito útil e proveitoso revisitarmos a História e percebermos, no que a Portugal respeita, a influência que tiveram os planos gerais de urbanização e os conceitos que lhes estavam subjacentes, incluindo naturalmente os territórios de expansão marítima.” O responsável destacou, ainda, o contributo dado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa e o empréstimo de obras por entidades públicas e privadas, para a concretização da exposição.

A exposição “Urbanismos de influência portuguesa” é um “testemunho de uma parte do que somos, da nossa especificidade, do importante contributo da arquitetura e da engenharia portuguesa no mundo e dos marcos que ficaram a assinalar a nossa própria identidade” adiantou Vitor Ramalho.

A exposição estará patente ao público de 22 de outubro de 2020 a 22 de janeiro de 2021, de segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas.

A entrada é livre.



quinta-feira, 25 de junho de 2020

China - Associação de Macau ligada a projectos de arquitectura integra Aliança de Designers Urbanos da Grande Baía

Uma associação de Macau ligada a projectos de arquitectura, liderada por Nuno Soares, integrou uma aliança de organizações para melhorar o espaço urbano no projecto da Grande Baía.

“O objectivo é muito claro: promover a qualidade do desenho urbano, planeamento urbano, da arquitectura da Grande Baía e fazer com que as populações e os governos dêem mais valor à qualidade do planeamento urbano no desenvolvimento das cidades”, disse à Lusa o presidente do CURB – Center for Architecture and Urbanism, o arquitecto Nuno Soares.

Na quarta-feira, a organização não-governamental criada em Macau em 2014 para promover pesquisa, educação, produção e disseminação de conhecimento nas áreas de arquitectura, urbanismo, design e cultura urbana integrou a fundação da Aliança de Designers Urbanos da Grande Baía (GBAUDA, na sigla em inglês).

A cerimónia de assinatura dos cinco institutos fundadores teve de ser feita ‘online’, devido às contingências da covid-19, e contou com a participação da Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam.

“Esta aliança surge num contexto de desenvolvimento urbano estratégico desenvolvido pelo Governo Central da China de fazer com que esta zona do Rio das Pérolas passe a ser a Grande Baía”, explicou Nuno Soares. Contexto esse que criou a necessidade de se criarem políticas e colaborações entre as várias cidades, acrescentou.

No futuro, frisou o arquitecto português, “estas cidades vão ter um planeamento coordenado (…) vão ser criadas bastantes sinergias e interdependências e isso vai espoletar uma série colaborações ao nível da academia, institutos profissionais”. Esta ‘aliança’ surge por isso mesmo: “instituições profissionais no campo do desenho urbano da Grande Baía que resolveram juntar-se, fazer uma aliança, para com isso promoverem a qualidade do espaço urbano, desenho urbano, na Grande Baía”.

Muito no pouco

Neste momento, a associação conta com representantes de cinco das 11 cidades, mas o objectivo é alargar a cooperação aos restantes territórios, sublinhou Nuno Soares.

O arquitecto português explicou ainda que o objectivo da GBAUDA não é uniformizar a arquitectura na Grande Baía, mas sim dar mais importância ao espaço público. “Cada uma das cidades vai continuar a ter a sua idiossincrasia e a sua especificidade”, disse.

Nuno Soares acredita que Macau tem condições para se promover um desenvolvimento urbano de excelência, apesar das limitações impostas pela elevada densidade populacional. Macau cresceu muito em termos económicos e em Produto Interno Bruto, disse, “mas não melhorou ainda a qualidade de vida. Acho que Macau tem de se concentrar em melhorar a qualidade de vida”. Mais espaços verdes, melhores transportes, melhores espaços públicos, deve ser o foco, concluiu. In “Hoje Macau” – Macau com “Lusa”