Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Portugal - Ministro da Educação sentiu na RAEM “a importância que a China dá à lusofonia”

Portugal deve desempenhar um papel central na ligação sino-lusófona, que a China tem desenvolvido através de Macau, defendeu Fernando Alexandre. De visita a Pequim, o ministro português da Educação anunciou que Portugal e China irão relançar a comissão mista de ciência e tecnologia


Portugal e China vão reactivar a comissão mista de ciência e tecnologia, que não se reúne desde 2019, para definir áreas de cooperação e criar instrumentos conjuntos de investigação, anunciou na sexta-feira o ministro da Educação, Fernando Alexandre. A decisão foi tomada durante um encontro entre Fernando Alexandre e o ministro chinês da Ciência e Tecnologia, Yin Hejun, em Pequim, no âmbito de uma visita oficial à China centrada no reforço da cooperação bilateral nos domínios da educação, ciência e inovação.

O governante português adiantou que os dois ministros vão liderar a estrutura, que deverá reunir-se “a muito curto prazo” para definir prioridades de colaboração e mecanismos concretos para as concretizar.

A comissão mista luso-chinesa de ciência e tecnologia enquadra-se no acordo de cooperação científica e tecnológica assinado pelos dois países em 1993 e visa promover projectos conjuntos de investigação, intercâmbio de investigadores e outras iniciativas de colaboração entre instituições científicas portuguesas e chinesas. O mecanismo serve também para definir prioridades comuns e acompanhar a execução da cooperação bilateral nesta área.

De acordo com o ministro da Educação, Ciência e Inovação português, a China assume hoje uma importância crescente para Portugal devido aos seus avanços no ensino superior, na ciência e na tecnologia. “A China tem algumas das instituições mais relevantes a nível internacional e são líderes em muitas áreas”, sublinhou.

O ministro indicou que vai ser igualmente criada uma comissão técnica na área da educação para desenvolver instrumentos destinados a aprofundar a cooperação entre os dois países, incluindo o reconhecimento mútuo de qualificações académicas, a mobilidade de estudantes e investigadores e os programas de dupla titulação.

“O reconhecimento das qualificações, reconhecimento dos graus, precisa também ser aperfeiçoado e agilizado, porque é essencial para essa circulação de talento”, afirmou.

Fernando Alexandre destacou ainda a crescente procura da língua portuguesa na China, referindo que existem actualmente mais de 60 instituições de ensino superior chinesas com cursos de português, frequentados por mais de 4000 estudantes e leccionados por mais de 200 docentes. “O que senti em Macau e aqui na China é a importância que a China dá à lusofonia”, afirmou, acrescentando que Portugal deve desempenhar um papel central nessa ligação.

Questionado sobre as áreas científicas com maior potencial de cooperação, o ministro referiu os oceanos e as ciências da vida, considerando que ambos os países dispõem de capacidades relevantes nesses domínios. “Oceanos e as ciências da vida, a medicina, foram duas áreas referidas, porque são duas áreas muito importantes para os dois países”, disse.

Fernando Alexandre salientou ainda que Portugal está a definir as prioridades nacionais para a investigação e inovação, no âmbito da nova Agência para a Investigação e Inovação (AI2), processo que deverá estar mais avançado nos próximos meses.

Sem antecipar conclusões, apontou o mar e as ciências da saúde como áreas que deverão assumir um papel relevante, por corresponderem a competências já instaladas em Portugal e a desafios globais partilhados por ambos os países, como o envelhecimento da população.

O ministro destacou também o crescimento do ensino do mandarim em Portugal, indicando que a língua é actualmente ensinada em sete escolas secundárias portuguesas, frequentadas por 340 alunos, um aumento de 60% nos últimos dois anos.

Fernando Alexandre iniciou na semana passada uma visita à China, que incluiu Macau e Pequim, onde manteve encontros com responsáveis chineses da educação e da ciência e visitou instituições académicas dos dois territórios. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 10 de junho de 2025

Internacional - Estudo mostra benefícios de monitorizar gigantes dos oceanos para a conservação marinha

Uma equipa de cientistas internacionais acompanhou mais de 12 mil indivíduos de 110 espécies de megafauna marinha, durante 30 anos, identificando os locais mais críticos nos oceanos globais para reforçar os esforços de conservação marinha. A investigação, na qual participa a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), faz parte do projeto “MegaMove”, liderado pela Universidade Nacional da Austrália (ANU) e financiado pela Organização das Nações Unidas (ONU).


Este estudo envolve cerca de 400 cientistas de mais de 50 países e mostra onde pode ser implementada proteção específica para a conservação da megafauna marinha. André Afonso, Filipe Ceia, Jaime Ramos, José Xavier e Vítor Paiva, investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e Centro de Ecologia Funcional (CFE) da FCTUC, são cinco dos coautores desta investigação, publicada na revista Science.

Atualmente, as áreas marinhas protegidas cobrem apenas 8% dos oceanos do mundo, sendo que o Tratado das Nações Unidas para as Águas Internacionais visa aumentar essa proteção para 30%.

A investigação concluiu que os objetivos do atual Tratado – assinado por 115 países, mas ainda por ratificar – representam um passo na direção certa e serão fundamentais para apoiar a conservação. No entanto, estes objetivos são insuficientes para cobrir todas as zonas críticas utilizadas por espécies ameaçadas da megafauna marinha, sugerindo que são necessárias medidas adicionais para mitigar as ameaças.

A megafauna marinha inclui aves marinhas, tubarões ou baleias, que são normalmente predadores de topo com papéis essenciais nas cadeias alimentares marinhas, mas enfrentam ameaças crescentes resultantes do impacto ambiental humano. Segundo os autores, este estudo teve como objetivo identificar as áreas utilizadas pela megafauna marinha para comportamentos importantes como alimentação, descanso e migrações – áreas que só podem ser detetadas com base nos seus padrões de movimento rastreados.

«Descobrimos que as áreas utilizadas por estes animais se sobrepõem significativamente com ameaças como a pesca, o tráfego marítimo, o aumento da temperatura das águas e a poluição por plásticos. Por exemplo, a cagarra, uma ave marinha que se reproduz nos arquipélagos dos Açores, Madeira e Berlengas, migra anualmente até à costa sul do Brasil, África do Sul ou Moçambique, demonstrando uma capacidade extraordinária de explorar o ambiente marinho, estando, por isso, exposta a diversas ameaças em diferentes bacias oceânicas», revela Vítor Paiva, investigador do CFE.


«O mesmo ocorre com inúmeras espécies de tubarões, que percorrem milhares de quilómetros ao longo da sua vida e atravessam múltiplas áreas marinhas com regimes jurídicos distintos, dificultando a sua conservação devido à heterogeneidade das políticas de gestão e proteção desses recursos», declara André Afonso, investigador CFE.

«O objetivo de proteger 30% dos oceanos é visto como útil, mas insuficiente para salvaguardar todas as áreas importantes, o que significa que são necessárias estratégias adicionais de mitigação para aliviar pressões fora das zonas protegidas», consideram os especialistas. A investigação está também ligada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, nomeadamente o Objetivo 14 sobre a vida marinha, e especificamente ao Objetivo A da Estrutura Global para a Biodiversidade de Kunming-Montreal, que visa travar a extinção provocada pelo ser humano de espécies ameaçadas.

«O MegaMove reúne uma rede internacional de investigadores para fornecer investigação inovadora que promova a conservação global da megafauna marinha e seus habitats. A nossa investigação mostra que, para além das áreas protegidas, a implementação de estratégias de mitigação, como a alteração de artes de pesca, a utilização de diferentes luzes nas redes e esquemas de tráfego para navios, será fundamental para aliviar a pressão humana atual sobre estas espécies», afirmam.

De acordo com os investigadores, foram identificadas 30% das principais zonas para a proteger, classificando-as com base na sua utilização pelas espécies de megafauna marinha. «A nossa análise identifica quais as zonas do oceano global que estas espécies utilizam como áreas de residência ou corredores migratórios. Demos prioridade às zonas utilizadas para estes comportamentos importantes por um maior número de espécies», declaram.

«No entanto, em última análise, mesmo que os 30% de proteção fossem implementados nas zonas-chave utilizadas pela megafauna marinha, não seriam suficientes para as conservar», concluem. Universidade de Coimbra - Portugal

 



quarta-feira, 3 de julho de 2024

Em Angola - “Por este rio acima”

Não o sabia doente e engoli em seco após a leitura da notícia que me chegou pelo ecrã do computador, de manhã, quando o abri.

Revi-me e revi-o nos anos sessenta do século passado, no bairro académico da então cidade de Nova Lisboa, atual Huambo, Angola, a ouvir os ensaios dos “Rebeldes”, primeiro conjunto musical que criou com outros jovens, entre os quais um seu irmão.

Nessa altura, ambos com dezassete anos, o imaginário das novas gerações navegava pela criatividade de sons de novos ritmos musicais, surgidos em concertos de quatro jovens, numa caverna de Liverpool.

Eram estes quatro jovens que compunham as letras e as músicas das canções.

Tal como Fausto já então o procurava fazer nos “Rebeldes”.

Adotou o nome de Fausto, mas o seu nome era Carlos Fausto Bordalo Dias.

Todos os doze discos que o divulgaram nasceram da fronteira comum dos países de língua portuguesa – os oceanos.

Não admira.

Fausto nasceu a bordo do navio “Pátria”, numa viagem entre Portugal e Angola.

Ainda muito criança, sobreviveu a uma doença muito grave, graças ao diagnóstico de um veterinário, conhecedor de doenças tropicais e outras maleitas.

No disco a que deu o nome de “A preto e branco”, Fausto não podia deixar de ter uma faixa com uma poesia de Alexandre Dáskalos, o veterinário que sempre se assumiu angolano, de descendência grega.

Nos anos cinquenta do século passado foi dos primeiros a erguer a bandeira da independência de Angola.

Ficaria feliz se soubesse que um dia Fausto daria ao disco que tem uma canção com um poema seu, o título de “A preto e branco”.

Com naturalidade, sempre com uma postura reservada, distanciada dos holofotes, Fausto haveria de ressurgir com a reconquista da liberdade, em Abril, depois de ter recebido o primeiro prémio revelação da Rádio Renascença.

Ressurgiu porque as letras que escreveu e as músicas que compôs cantam a alma do que somos, resultado de encontros seculares de culturas.

Para mim, a canção “Por esse rio acima”, de 1998, que ao invadir as margens com base na língua universal, que é o português, é a que mais me toca.

Os seus discos são indissociáveis do sabor da liberdade que cantou logo nos princípios de Abril, com Vitorino, Zeca Afonso, José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire e outros.

A condecoração, que em 1994 o Presidente Mário Soares o agraciou, como oficial da Ordem da Liberdade, traduz o corolário do que sempre foi – um homem livre que cantou pela liberdade.

No final do segundo mandato da presidência de Mário Soares e sendo eu membro da sua Casa Civil coube-me co-organizar a sua última viagem oficial a Angola e Fausto foi nela integrado.

Chegámos a idealizar um concerto no Huambo, navegando “Por esse rio acima”, em memória dos “Rebeldes”.

Esteja onde estiver, iremos realizá-lo.

Vítor Ramalho - (Secretário-geral da UCCLA)

Como um sonho acordado


quinta-feira, 9 de junho de 2022

Portugal – Universidade do Porto recebe cátedra da UNESCO para o estudo dos Oceanos

A Universidade do Porto acaba de ver aprovada a atribuição de uma cátedra da UNESCO dedicada à investigação e à literacia dos Oceanos, resultado de uma candidatura liderada por investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da U.Porto (CIIMAR-UP).

Com a atribuição da UNESCO Chair “Ocean Expert – Science Education of Children for Ocean Stewardship: in Support of the Sustainable Ocean Economy”, a U.Porto terá a responsabilidade de promover um sistema integrado de investigação, formação, informação e documentação sobre educação em ciências do Oceano, literacia dos Oceanos e economia sustentável dos recursos marinhos, que beneficie a colaboração entre os investigadores e docentes de universidades portuguesas e instituições da Europa, África, Ásia e Pacífico.

Incluída no University Twinning and Networking Programme (UNITWIN) da UNESCO, a cátedra “Ocean Expert” tem entre os seus objetivos o desenvolvimento de uma rede de cooperação com países do Hemisfério Sul, atuando como um ponto de ligação entre governos, empresas e organizações não governamentais para a área das Ciências dos Oceanos.

De facto, o objetivo primordial desta cátedra será colmatar as falhas críticas na Ciência dos Oceanos, da sua governação e das práticas para enfrentar desafios na implementação das metas da Década das Ciências dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável, através de projetos de investigação inovadores e novas áreas de investigação.

Outro objetivo passa por envolver a sociedade civil, promovendo a sua educação e formação no domínio das Ciências dos Oceanos. Nesse sentido, será dada especial atenção aos grupos desfavorecidos a nível nacional e regional, privilegiando-se igualmente o recurso a plataformas de ensino à distância.


A pensar nas “gerações futuras”

A cátedra “Ocean Expert” será coordenada por Laura Guimarães, coordenadora do grupo de investigação em Toxicologia Ambiental Marinha e Costeira do CIIMAR e docente da Faculdade de Ciências da U.Porto FCUP).

O CIIMAR será, de resto, a instituição executiva do projeto, em resultado de “um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido há vários anos na Universidade” nos domínios da ciência do oceano, educação para o oceano e a sua sustentabilidade. Entre as iniciativas implementadas incluem-se “atividades de investigação sobre a educação de temas do Oceano, o desenvolvimento de recursos e formação avançada para os professores do ensino básico e secundário e outros educadores e várias ações de divulgação realizadas com o intuito de fazer compreender a importância do oceano para a sustentabilidade da vida na terra, para as nossas vidas, e a nossa influência sobre o oceano”.

Para Laura Guimarães, a atribuição da nova cátedra à U.Porto é por isso “especial”, mas também uma oportunidade de fazer a diferença numa área premente. “Temos de ser capazes de beneficiar destes recursos preservando-os para as gerações futuras, mas também temos de perceber o nosso impacto nesse mesmo oceano”, afirma.

Apoios de peso

Para além do CIIMAR, a nova cátedra conta com o apoio do Ministério do Mar de Portugal, Ministério das Pescas e do Mar de Angola, APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, Câmara Municipal de Gaia, Câmara Municipal de Vila do Conde, Câmara Municipal de Viana do Castelo, Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e da Biblioteca Pública e Arquivo Regional, Açores.

Entre os parceiros da cátedra contam-se ainda as faculdades de Ciências e de Letras da U.Porto, o Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), o INESC-TEC, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), a Direção Geral da Política do Mar e internacionais, a Casa das Ciências, a Rede Nacional de Escolas Associadas da UNESCO, YScience, ou o teatro de marionetas Historioscopio.

A 15.ª Cátedra UNESCO em Portugal. A primeira dedicada à Ciência dos Oceanos

Lançado em 1992, o Programa de Cátedras UNESCO uniTwin promove a cooperação e interligação entre universidades a nível internacional, com o objetivo de reforçar as capacidades institucionais através da partilha de conhecimento e do trabalho colaborativo. A Rede uniTwin (University Twinning and Networking Programme) reúne atualmente mais de 700 instituições de 114 países.

Em Portugal, existem 15 cátedras UNESCO ativas. Para além da Cátedra “Ocean Expert”, a U.Porto acolhe ainda a Cátedra “Património, Cidades e Paisagens. Gestão sustentável, Conservação, Planeamento e Projeto”, coordenada pela Faculdade de Arquitetura (FAUP) e a Cátedra “Vida na Terra”, coordenada pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da U.Porto (CIBIO-InBIO). In “Universidade do Porto” - Portugal


terça-feira, 31 de maio de 2022

A viagem dos veleiros portugueses na travessia histórica do Atlântico Sul


No ano em que o Brasil completa o bicentenário de sua independência, também é comemorado o centenário da primeira travessia do Atlântico Sul feita por hidroavião. Esse feito foi alcançado, em 1922, por dois oficiais da Marinha portuguesa, o Almirante Gago Coutinho e o Capitão de Mar e Guerra Sacadura Cabral.

O grupo de velejadores portugueses que decidiu repetir o percurso, visitando os mesmos pontos da expedição realizada há cem anos, partiu de Lisboa em 3 de abril, e já passou pelas Ilhas Canárias e Las Palmas, na Espanha, e Cabo Verde antes de chegar ao Brasil.

“A Expedição Lusitânia é uma iniciativa nossa, enquanto sociedade civil, para homenagear a epopeia desses homens, por meio da qual estamos fazendo, pelo mar, exatamente o mesmo trajeto, parando nos mesmos locais e procurando ser o mais fiel possível”, contou o Comandante português José Mesquita, no Brasil.

Em Pernambuco, a expedição passou pelo Arquipélago de São Pedro e São Paulo na quinta-feira do dia 12, e foi recebida pelo Navio-Patrulha (NPa) “Guaíba” e pelos residentes da estação científica das ilhas. O navio partiu da Base Naval de Natal (RN) para apoiar a equipe da estação e receber os velejadores, segundo a Marinha do Brasil.

Há cem anos, o arquipélago tornou-se parte importante do itinerário dos oficiais portugueses, pois, ao serem surpreendidos por condições climáticas adversas no caminho para Fernando de Noronha, sua aeronave foi avariada e tiveram que aguardar apoio no arquipélago brasileiro situado no meio do Oceano Atlântico.

O comandante José Mesquita relatou, em seu diário de bordo, como foi a experiência de chegar às ilhas. “Às 8h30 chegamos a São Pedro e São Paulo. Ver o Navio-Patrulha ‘Guaíba’ à nossa espera e a aproximação da frota ao navio foi um momento de extrema emoção. Depois, durante o dia, as emoções sucederam-se porque para além de nos terem reabastecido, o comandante do Guaíba veio a bordo do Anixa 2”.

De seguida, a expedição “Lusitânia”, composta por 13 pessoas em 6 veleiros, chegou dia 16 de maio no Arquipélago de Fernando de Noronha (PE), onde promoveu palestras sobre o centenário da travessia de Coutinho e Cabral e sobre a preservação dos oceanos.

No dia 18, o comandante do veleiro Anixa 2 ministrou palestra no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, como parte da Ação Cívico-Social (ACiSo) promovida pela Marinha do Brasil no arquipélago.


Mesquita declarou que além da recriação da travessia de Coutinho e Cabral, os seis veleiros carregam em seus cascos a mensagem “Salve os Oceanos – Salve a Humanidade”. “É uma mensagem de sensibilização ambiental para falar dos problemas gravíssimos que os Oceanos têm e das práticas de vida que os cidadãos têm que começar a adotar para termos um planeta no futuro para os nossos filhos e netos. Pelos lugares onde passamos, procuramos transmitir essa mensagem também por meio de palestras, como a que estamos realizando em Fernando de Noronha”, completa.

Após Fernando de Noronha, a expedição partiu para Recife (PE), e deve passar ainda em Salvador (BA) e Vitória (ES) antes de chegar ao seu destino final, o Rio de Janeiro (RJ).

Também no Recife, a Fundação Joaquim Nabuco e o Gabinete Português de Leitura de Pernambuco inauguraram a exposição “Travessia – 100 anos de uma epopeia nos céus do Atlântico Sul”, na última quinta-feira na sede do Gabinete, para marcar o feito.

Em 30 de março de 1922 deu-se início à primeira travessia aérea do Atlântico Sul, protagonizada pelo Almirante Gago Coutinho e pelo Comandante Sacadura Cabral a bordo do hidroavião Fairey III, batizado “Lusitânia”, tendo como destino final o Rio de Janeiro.

Foi uma viagem bastante atribulada, na qual foram utilizadas três aeronaves. Depois de percorridas 4527 milhas em 62 horas e 26 minutos sobre o Oceano, os heroicos oficiais foram recebidos em festa pela população do Rio de Janeiro, a 17 de junho de 1922. Mais sobre atividades comemorativas estão aquiIn “Mundo Lusíada” - Brasil




 

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Brasil - Inscrições para prémio da Unesco sobre notícias e fotos de oceanos terminam este domingo

A iniciativa conta com o apoio da Fundação Boticário é aberta a profissionais e amadores, os temas a serem cobertos incluem alterações climáticas e resiliência


Profissionais ou amadores da notícia ou fotografia podem inscrever-se até domingo na segunda edição de um prémio apoiado pela Unesco, que oferece até R$ 70 mil em bolsas e prémios para trabalhos sobre oceano.

A Agência das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, é parceira da ação promovida pela Fundação Grupo Boticário. O Edital Conexão Oceano promove conteúdos sobre questões costeiro-marinhas. Este ano, a distinção coincide com a realização da Conferência dos Oceanos, marcada para junho em Lisboa.

Especialização

A categoria Jornalista está aberta à participação de profissionais da área ou a quem exerce a função de forma regular há pelo menos dois anos. Segundo o edital, o candidato não precisa ter especialização em coberturas sobre questões ambientais.

Entre os critérios de seleção estão a criatividade e originalidade da pauta, a relevância do tema para a sociedade, a consistência do plano de apuração e de divulgação, o currículo e a qualidade das produções anteriores do candidato associados ao alcance do veículo de comunicação.

As inscrições podem ser de forma singular ou em duplas cujas produções foram publicadas em veículos de comunicação impressos, portais, sítios, emissoras de rádio ou TV.

Já a categoria Fotografia premiará os melhores trabalhos sobre questões de paisagem marinha, atividade relacionada com o mar, protagonismo feminino e vida marinha.


Vencedores

Fotógrafos profissionais e amadores podem concorrer com imagens ilustrando o oceano nos seus diversos ecossistemas e habitats. Também serão premiados três vencedores da categoria Voto Popular.

A organização ressalta o objetivo de incentivar a produção de reportagens que abordem a relação existente entre alterações climáticas, clima, oceano e resiliência costeiro-marinha. Em relação a fotos serão reconhecidos trabalhos ilustrando espécies, paisagens, envolvimento das mulheres com o mar e atividades relacionadas com o oceano.

Até cinco projetos de reportagem serão selecionados para receber bolsas de R$ 8 mil cada e distribuídos até R$ 30 mil em prémios para as melhores fotografias. O Edital Conexão Oceano de Comunicação Ambiental apoia a Década do Oceano.

O período proclamado pela Assembleia Geral da ONU pretende aumentar a consciência dos habitantes do planeta “sobre a importância do oceano e mobilizar atores públicos, privados e da sociedade civil organizada em ações que promovam a saúde e a sustentabilidade dos mares”. ONU News – Nações Unidas




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Portugal - Curso teórico-prático: Plasticus maritimus

«A cada hora que passa, mil toneladas de plástico vão parar aos oceanos, o equivalente a um camião cheio de plástico, por minuto! Já é tempo de fazermos alguma coisa.»

Ana Pêgo, Plasticus maritimus


Os professores são os mais fortes aliados na mobilização e consciencialização dos alunos para a literacia dos oceanos, e por isso propomos que conheçam Plasticus maritimus, uma «espécie» que se apoderou das nossas vidas e que agora está em toda a parte, causando uma infinidade de problemas. É importante perceber o que é, de onde vem, quais os efeitos da sua utilização descontrolada e o que se pode fazer para minimizar o problema. Vamos também perceber como é que, a brincar, conseguimos dominá-la. Nesta formação, explorando tanto o lado científico, como o lado artístico, serão oferecidas aos professores ferramentas científicas e lúdicas que podem ser usadas em sala de aula, com o objetivo de ampliar o conhecimento dos alunos sobre o oceano e de estimular a sua vontade de o proteger, contribuindo para a tão desejada alteração de comportamentos. Esta formação é dirigida a professores e outros agentes educativos, de todos os níveis de ensino e de todas as disciplinas. Vão abordar-se as questões científicas relacionadas com a poluição dos oceanos por plásticos, e serão propostas abordagens artísticas ao tema, intercalando a teoria com atividades práticas que podem ser replicadas, posteriormente, em sala de aula.

Conceção e orientação: Ana Pêgo

Mais informações aqui. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal


sábado, 10 de abril de 2021

Reino Unido - Instala maior rede de câmaras subaquáticas do mundo

O Reino Unido lança a primeira rede mundial de câmaras subaquáticas para proteger a vida selvagem e a biodiversidade dos oceanos. A rede, num investimento de mais de 2,3 milhões de euros, vai cobrir todo o Caribe, Atlântico Sul, Índico, Pacífico e Oceano Meridional


O Reino Unido está a instalar uma grande rede de câmaras subaquáticas que vai permitir monitorar a vida selvagem oceânica do mundo para ajudar a protegê-la. Uma rede que cobre mais de 4 milhões de quilómetros quadrados de oceano.

Os sistemas de câmaras – conhecidos como BRUVS – vão permitir que os territórios ultramarinos do Reino Unido observem e façam a gestão da vida selvagem oceânica nos seus diversos ecossistemas.

O método não intrusivo de captura de informações sobre as espécies será usado para documentar a biodiversidade marinha nos territórios: ilhas Pitcairn, Ascensão, Santa Helena, Tristão da Cunha, Território Britânico do Oceano Índico, Ilhas Caimão, Ilhas Virgens Britânicas, Anguila, Montserrat e dentro do Território Antártico Britânico.

As plataformas estão a ser lançadas num momento em que a saúde dos oceanos está a diminuir e assim vão permitir aos cientistas melhorar a compreensão sobre o ambiente marinho para restaurar os nossos oceanos.

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, disse: “A vida selvagem marinha que vive ao longo da costa de nossos Territórios Ultramarinos é uma das mais espetaculares do mundo e devemos fazer mais para a proteger”.

“A tecnologia de ponta, como estas câmaras, será vital em nossa cruzada contra as alterações climáticas. Os nossos especialistas marinhos são líderes mundiais na proteção do nosso oceano e da miríade de espécies que vivem nele”, acrescentou Boris Johnson.

Os 66 sistemas de vídeo subaquático remoto vão ser usados ​​para filmar e analisar dados sobre muitas espécies, incluindo o marlim branco, peixe-vela, tubarões-seda, peixe-porco preto, tartarugas cabeçudas, lula-de-Gould, peixe-cunha e cobras marinhas.

Esta Rede Global de Análise da Vida Selvagem do Oceano tem a duração de 4 anos e deverá custar 2 milhões de libras ou 2 milhões e 350 mil euros.

A professora da University of Western Australia, Jessica Meeuwig, refere: “Os atuns, tubarões e grandes peixes de recife do mundo continuam a diminuir em número e essa tendência deve ser revertida. Este programa dará aos tomadores de decisão as evidências de que precisam para agir de forma decisiva em prol de suas economias azuis”. In “TV Europa” - Portugal