Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 31 de janeiro de 2026

Moçambique - Membros da ONU discutem reforço urgente da resposta às cheias

As Nações Unidas pedem mais recursos e elogiam coordenação das atividades com parceiros após semanas de enchentes no sul e centro. As organizações humanitárias pedem US$ 187 milhões para ajudar 600 mil afetados com foco nos que estão mais expostos ao perigo


As chuvas intensas que causaram inundações em Moçambique e no sul da África foram tema de uma reunião dos Estados-membros realizada nesta sexta-feira pelo Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha.

A diretora das Operações de Emergência, Edem Wosornu, informou que Moçambique teve 700 mil vítimas do desastre. No total, cerca de 800 mil pessoas foram afetadas em 10 países pelas inundações que também causaram mortes na África do Sul, Maláui, Lesoto e Zimbábue.

Desastres relacionados ao clima

A representante do Ocha disse que vários meios de preparação e coordenação estão sendo fornecidos, além de equipamentos de assessoria que foram postos à disposição das autoridades. Ela destacou que as atuais inundações são um forte lembrete de que desastres relacionados ao clima se tornam mais frequentes, intensos e destrutivos.

O embaixador de Moçambique junto à ONU, Domingos Estêvão Fernandes, reiterou o pedido de apoio ao país apelando que continue a ajuda, solidariedade, flexibilidade e auxílio financiado e sustentável para atuar em três frentes.

O representante permanente disse que primeiro é necessária ajuda para que os afetados possam sobreviver, seguida de ações de limpeza, segurança alimentar, abrigo e proteção.

Em segundo lugar, é preciso investir em intervenções de recuperação para a prevenção de crises em vários sectores, incluindo deslocamentos, desastres, segurança alimentar, limpeza de resíduos, proteção, educação, meios de sobrevivência, infraestrutura crítica e degradação ambiental.

Por fim, o diplomata destacou a necessidade de investimentos que fortaleçam a preparação para desastres naturais, incluindo sistemas de alerta e ação antecipada. Ele defendeu também o reforço da resiliência para a recuperação após eventos extremos causados pelo clima.

Recuperar da tragédia com dignidade

A chefe da ONU em Moçambique, Catherine Sodzi, disse ter visitado Xai-Xai, na província de Gaza, e as vítimas disseram ter o desejo de recuperarem da tragédia com dignidade. Ela pediu fundos da comunidade internacional ao chamar a atenção para a necessidade de mobilizar mais apoio para atender os pedidos que continuam altos.

A também coordenadora de auxílio no país disse que os parceiros do setor lançaram um apelo para revisão do Plano de Resposta para as Necessidades Humanitárias.  A ONU busca US$ 187 milhões para ajudar 600 mil pessoas com um foco nos mais vulneráveis, incluindo crianças, mulheres, idosos, pessoas com deficiência e deslocadas.

Entre as prioridades da atuação da ONU estão segurança alimentar, saúde, água, saneamento, higiene, educação, proteção, logística e coordenação.

Num evento separado, em Genebra, a Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, disse que a forte queda de chuvas das últimas semanas deixou milhares de moçambicanos esperando por resgate, durante várias horas e até dias, em telhados de casas.

Condições extremamente difíceis

Acima de 400 mil pessoas que já haviam sido deslocadas pelas inundações tiveram de fugir novamente das suas áreas em condições extremamente difíceis.

Mais de meia centena de mulheres em locais de alojamento relataram os riscos de contrair doenças, violência sexual e de género, além da exploração dos acolhidos, particularmente mulheres e crianças. As mais de 100 mil pessoas vivendo nesses locais incluem famílias que foram separadas durante o salvamento.

O Acnur apoia as ações de resposta liderada pelo governo cobrindo infraestruturas importantes, como estradas, escolas e centros de saúde que foram destruídas.

Como parte da comunidade humanitária, a agência destaca o exemplo moçambicano de combate às alterações do clima, após ter sido marcado por inundações arrasadoras nos últimos 15 anos.

O Acnur fez contacto com pessoas que já haviam sido deslocadas três vezes e, a cada vez, perdiam casas, pertences, meios de subsistência e terras agrícolas. Todas estavam apreensivas por não terem sido capazes de semear a tempo na atual época de plantio.

Efeitos sociais e económicos

Com o conflito no norte de Moçambique, o desafio das enchentes torna-se mais uma situação de crises. A preocupação é com os efeitos sociais e económicos gerados pela fragilidade caso a situação piore.

O diretor de Preparação e Resposta a Emergências do Programa Mundial de Alimentos, WFP, Ross Smith, destacou a colaboração com o Acnur e o governo nas ações que acontecem no terreno.

A agência participou na preparação e no apoio à resposta, na divulgação de mensagens de alerta precoce e no reposicionamento de suprimentos que aceleram a chegada do auxílio da comunidade humanitária.

No terreno há grandes restrições de acesso, mas tem sido ampliada a resposta para apoiar mais de 450 mil afetados. A agência contou ainda que lida com a logística, incluindo o fornecimento de aeronaves, helicópteros e veículos anfíbios para alcançar pessoas em áreas inacessíveis.

Capacidade limitada

Outro constrangimento são os mais de 1,5 mil km de estradas destruídos e completamente inutilizáveis. O WFP compra alimentos usando recursos locais para interagir com fornecedores.

A dimensão do desastre é semelhante aos daqueles vistos no sudeste asiático, segundo a agência. Neste contexto, o WFP atua com capacidade limitada no terreno, pela crise de financiamento que obriga a atuar com 40% menos recursos do que em 2025. ONU News – Nações Unidas



quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Moçambique – Inundações expõem áreas urbanas à presença de crocodilos

Cerca de 500 mil pessoas foram afetadas e número tende a subir; doenças, desnutrição e fuga descontrolada de crocodilos preocupam comunidade humanitária. A Unicef adverte sobre iminente “crise dupla” com o aproximar da temporada anual de ciclones


Inundações, riscos de doenças e exposição de áreas urbanas à presença de crocodilos fugindo sem controlo criam apreensão e perturbam a vida e os meios de subsistência em momento de chuvas intensas em Moçambique.

O alerta foi feito nesta terça-feira pela chefe do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, no país. Paola Emerson disse que 500 mil pessoas foram afetadas e o número tende a subir com a persistência das inundações e abertura de comportas de barragens para evitar o rompimento.

Casas feitas de argila

No Sul, as províncias mais afetadas são Gaza, Maputo e Sofala. Falando da capital de Gaza, Xai-Xai, a representante do Ocha enfatizou que 90% da população do país vive em casas feitas de argila “que basicamente se desintegram após alguns dias de chuva”.

Entre a infraestrutura afetada estão instalações de saúde, estradas e outras que oferecem serviços essenciais. Emerson disse que cerca de 5 mil km de estradas já foram danificados em nove províncias moçambicanas.

A Estrada Nacional número 1, a principal ligando a capital, Maputo, ao resto do país, está inacessível causando interrupções na cadeia de suprimentos.

Evacuações e novas transferências

O governo declarou emergência nacional e criou um centro de operações emergenciais em Xai-Xai, próximo do rio Limpopo. Após o local ter sido inundado, foi evacuado e uma nova transferência foi feita para o centro da capital de Gaza, “incluindo avisos sobre o risco de crocodilos em áreas inundadas”.

Além dos crocodilos, o chefe de comunicação do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, em Moçambique, Guy Taylor, falou da “água insalubre, dos surtos de doenças e da desnutrição como uma ameaça mortal para as crianças”.

Ele afirmou que a combinação dessas doenças transmitidas pela água e a desnutrição “pode ​​muitas vezes ser letal”, ao enfatizar que, antes das inundações, quatro em cada 10 crianças em Moçambique sofriam de desnutrição crónica.

Com a interrupção no fornecimento de alimentos, dos serviços de saúde e das práticas de cuidados o perigo é “empurrar as crianças mais vulneráveis ​​para uma espiral perigosa”.

Temporada anual de ciclones

O país entra na temporada anual de ciclones diante da qual evitar “uma crise dupla” significa prevenir doenças, mortes e perdas irreversíveis para as crianças, atuações que dependem de uma ação rápida, segundo Taylor.

Num país de crianças e jovens, com uma idade média de 17 anos, a ocorrência repetida de inundações e ciclones, como observado nos últimos anos, afetam estes grupos com mais intensidade. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

UCCLA – Manifesta solidariedade com o povo moçambicano devido às intensas chuvas que assolam Moçambique

A UCCLA manifesta a sua solidariedade para com o povo de Moçambique, na sequência das intensas chuvas que têm assolado diversas regiões do país, provocando vítimas mortais, desaparecidos, deslocados e significativos danos materiais, com impactos graves nas comunidades, nas infraestruturas e nas condições de vida das populações afetadas.

Neste momento particularmente difícil, a UCCLA endereça as suas mais sentidas condolências às famílias enlutadas e expressa total solidariedade para com todos os moçambicanos, reafirmando o seu compromisso de cooperação e solidariedade no seio da comunidade lusófona, desejando uma rápida recuperação das zonas afetadas e o restabelecimento das condições de segurança e bem-estar das populações.  


Moçambique - Fortes chuvas afetam mais de 640 mil pessoas e arrasam várias comunidades

Famílias contaram ao Programa Mundial de Alimentos, WFP, que perderam tudo e pelo menos 105 pessoas já morreram. Nas áreas atingidas já começam a faltar alimentos e a previsão é de mais chuvas para esta semana


Moçambique é o país mais afetado entre as três nações do sul da África que estão a enfrentar chuvas torrenciais. Desde a véspera do Natal, as províncias de Gaza, Maputo, Inhambane e Sofala, no sul e centro do país de língua portuguesa, registaram pelo menos 105 mortes.

Em Moçambique, o número de perdas humanas vai subindo com a chegada de novas atualizações. Nas vizinhas África do Sul e Zimbábue já são 30 mortos.

Comunidade humanitária

O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem atuado com a comunidade humanitária em ações lideradas pelo governo em resposta à crise.

A chefe do escritório na província de Gaza, Moçambique, Carla Mucapera, contou em rede social, em inglês, que está-se diante das piores inundações em anos.

Ela disse que analisando a situação no terreno, no distrito de Chokwé, casas foram destruídas e pessoas evacuadas. Algumas comunidades foram completamente arrasadas. São famílias que, segundo ela, perderam tudo. Nos próximos dias será intensificada a busca urgente por comida e apoio.

610 mil afetados pela tempestade

Na capital moçambicana Maputo e noutros locais contam-se dezenas de feridos devido às chuvas persistentes em diferentes bairros.

Estima-se que até 68,6 mil pessoas tenham sido evacuadas para 77 centros de acolhimento em todas as áreas atingidas do país. Quase 640 mil pessoas ficaram afetadas pela tempestade.

O Instituto Nacional de Gestão de Desastres relatou que 3231 casas foram arrasadas e outras, cerca de 78 mil residências, ficaram danificadas em todo o território nacional.

Até este dia de 20 de janeiro havia previsão de mais chuvas fortes na maior parte de Moçambique, com “precipitações localmente muito intensas” no nordeste da África do Sul e em todo o Zimbábue. Ouri Pota – Moçambique ONU News



quinta-feira, 23 de maio de 2024

Brasil - Além das inundações, uma enxurrada de notícias falsas (fake-news)

Tão logo se confirmou a situação de calamidade pública com as inundações se propagando por mais de duzentos municípios gaúchos, surgiu uma enxurrada virtual de “fake-news” despejada na Internet para circularem pelas redes sociais. Os boatos e mentiras com o objetivo de atingirem o governo federal chegaram a criar problemas para o atendimento, socorro e envio de mantimentos para os sinistrados.

Algumas pessoas e alguns grupos foram denunciados pela imprensa como criadores e distribuidores dessas “fake-news” mas tornara-se impossível conter seu fluxo, pois eram (e ainda são) repicadas por centenas de canais e milhares de redes sociais, contando com o apoio de focos políticos e religiosos. Eu mesmo recebi fakes de um pastor e de militantes da extrema-direita bolsonarista.

Muita gente deve ter pensado, como eu, de ir coletando essas mensagens mentirosas para publicar um repertório das mais frequentes com seus responsáveis pela vasta propagação. Um paciente e quase impossível trabalho de pesquisa individual nas redes sociais.

Ora, o Laboratório de Estudos da Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro poupou esse trabalho a todos os pesquisadores e o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, publicou no começo desta semana, o primeiro resultado de suas pesquisas universitárias, orientadas pelas professoras Débora Salles e Marie Santini.

Os métodos de análise anunciados são o mapeamento qualitativo de influenciadores e narrativas de desinformação multiplataforma e análise manual de anúncios sensíveis e não sensíveis no Meta Ads, do Facebook e Instagram.

De acordo com a profa. Marie Santini, "as narrativas dominantes são produzidas por influenciadores com grande número de seguidores e capacidade de angariar engajamentos...Eles têm grande conhecimento de como explorar emoções negativas".

Além da desinformação foram detectados 351 golpes explorando a tragédia, manipulada para fins políticos e econômicos. Assim "influenciadores, sites e políticos de extrema-direita têm utilizado a comoção para se autopromover e espalhar desinformação com o intuito de atacar e descredibilizar o governo".

Os objetivos dessas “fakes news” são os de afirmar que o atendimento do governo federal não tem sido suficiente, de não haver ligação entre os eventos extremos e as mudanças climáticas, de incluir a tragédia nas pautas morais com teorias de conspiração, de aumentar a importância do papel da oposição na resposta à crise e de se beneficiar da catástrofe se autopromovendo, fazendo pedidos de doação e utilizando-se de fraudes.

Na introdução à pesquisa da UFRJ, são também citadas reportagens investigativas e de checagem que nos direcionam à plataforma Aos Fatos, dedicada às campanhas de desinformação. Algumas das mais vistas desinformações tratam de doações descartadas, usando vídeo com cenas falsamente colhidas em Mathias Velho, Canoas. Na verdade, as cenas foram filmadas em setembro do ano passado em Encantado, quando empilhadeiras organizavam os donativos para aumentar espaço nos armazéns.

Outra afirma que a TV SBT apagou uma reportagem mostrando caminhões com donativos sendo multados. Na verdade, foi um caso isolado e não se tratava de uma frota de caminhões. Um caminhão foi multado automaticamente por excesso de peso, porém a multa, e outros seis casos de multas ocorridos na pesagem, foram anuladas.

Outra mentira espalhada foi a de que o Ibama teria apreendido retroescavadeiras utilizadas para limpar estradas entre os municípios de Muçum e Vespasiano, no Rio Grande do Sul. O Ibama informou não fazer esse tipo de trabalho e que, diante das inundações, nem haveria condições para limpeza de estradas.

De uma maneira geral, ainda de acordo com Aos Fatos, ocorre o uso de cenas fora de contexto, gravadas em outros lugares, como China e México, e em épocas diferentes. Ou a divulgação de exigências falsas como a apresentação de documentos pelos proprietários de barcos e jet-skis utilizados pelos voluntários. Outras fakes objetivam criar pânico, como a notícia da descoberta de 300 corpos em Canoas, ou visam comprometer o governo federal com acusações de não estar prestando socorros.

Assim, o empresário Luciano Hang teria cedido mais aeronaves do que as Forças Armadas no resgate de vítimas das inundações. Um vídeo antigo é utilizado para enganar, como se Lula tivesse sido vaiado nestes dias no RGS. Há ainda a alegação do governo federal ter patrocinado o show da Madonna com dinheiro destinado aos gaúchos. Ou que tudo foi um castigo de Deus, diante de tantos cultos africanos e candomblés.

Alguns desinformadores identificados

Talvez o mais importante seja o coach e influencer Pablo Marçal com mais de oito milhões de seguidores só no Instagram. Num de seus fakes mais vistos, Pablo afirmou ser necessário notas fiscais para as doações. Seu fake diz textualmente que "a Secretaria da Fazenda do RGS está barrando os caminhões de doações por falta de nota fiscal."

Marçal, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) formam o trio mais ativo na distribuição de falsas informações, já denunciados pelo ministro da Justiça para a Polícia Federal. Outro criador e disseminador de mentiras é Nego Di, é dele a falsa informação da exigência de brevê de piloto para os voluntários que desejam ajudar com barco ou jet-ski. E de que a Polícia Federal estava bloqueando os veículos com doações, desinformação já desmentida.

A influenciadora Michelle Dias Abreu divulgou vídeo culpando religiões de matriz africana pela tragédia no Rio Grande do Sul, em outras palavras, o vídeo, que viralizou no Youtube, dá o recado de ter sido um castigo de Deus. O ministério público de Minas Gerais indiciou a mineira de 43 anos pelo crime de intolerância religiosa. Depois de ter visto o impacto de seu vídeo no Instagram, com quatro milhões de curtidas, Michele gravou depressa outro vídeo pedindo textualmente "perdão".

Para o advogado-geral da União, Jorge Messias, as notícias falsas a respeito da situação de calamidade no RGS são uma estratégia de desinformação para obter ganhos políticos e eleitorais, além de ganho financeiro, pois muitos canais são monetizados.

Paulo Pimenta, agora ministro de Estado da Secretaria Extraordinária da Presidência da República para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul definiu a desinformação sobre a tragédia no RGS como tática da extrema-direita para destruir o Estado, para o povo considerar o Estado ineficiente e que as políticas públicas não funcionam. O ministro quer propor políticas públicas e programas de recuperação dentro de uma lógica sustentável, sócio ambiental e que se discutam e aprofundem as razões pelas quais aconteceu a tragédia.

Para ler a íntegra do relatório clique aqui. Rui Martins – Suíça

Algumas “fake-news” mais vistas:



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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


sábado, 11 de maio de 2024

Reino Unido - O aumento do nível do mar e as alterações climáticas preocupam as autoridades londrinas

Prevê-se que o nível do mar suba cerca de um metro até 2100 e as tempestades estão a tornar-se cada vez mais intensas devido às alterações climáticas


As autoridades disseram que os muros de defesa contra inundações de Londres precisarão ser meio metro mais altos no futuro para proteger contra as alterações climáticas. O anúncio foi feito quando assinalavam o 40º aniversário da Barreira do Tamisa, que defende a capital contra inundações.

Embora inicialmente destinada a proteger Londres até 2030, a barreira móvel e as defesas mais amplas da cidade contra inundações funcionarão até 2070, espera a Agência Ambiental do Reino Unido. Mas prevê-se que o nível do mar suba cerca de um metro até 2100 e as tempestades estão a tornar-se cada vez mais intensas devido às alterações climáticas.

Isto, disseram as autoridades, significa que serão necessárias maiores defesas contra inundações.

Adaptando as defesas contra inundações de Londres às alterações climáticas

Existem planos para aumentar as barreiras contra inundações e as defesas ao longo do rio Tamisa, a jusante, em 50 cm até 2040 e, em seguida, expandir isto através do centro de Londres até 2050.

Uma decisão sobre o que fazer com a própria Barreira do Tamisa também terá de ser tomada até 2040. As opções incluem a modernização do que já existe para fazer face à subida do nível do mar e às tempestades até 2070 ou a construção de reservatórios a jusante para armazenar a água das cheias.

Uma nova barreira com desenho semelhante ao atual – que permite a passagem de navios – também poderá estar no horizonte.

“A sua confiabilidade e eficácia demonstram a sofisticação do seu projeto por um grupo muito talentoso de engenheiros e a manutenção e operação contínuas realizadas pela equipa da Barreira”, disse Andy Batchelor, gerente de operações da Thames Tidal Defenses, que marcou o seu último dia no trabalho no 40º aniversário.

Ele começou a trabalhar no local no dia da inauguração e é gerente de operações há 25 anos.

“No entanto, não descansaremos sobre os louros dada a ameaça do aumento do nível do mar, e é por isso que nos comprometemos a trabalhar com parceiros para rever e decidir sobre uma opção para o final do século até 2040 no nosso Plano 2100 do Estuário do Tamisa, para garantir que a capital seja protegida no longo prazo.”

O que é a Barreira do Tamisa?

A Barreira do Tamisa foi inaugurada em 8 de maio de 1984 pela Rainha Isabel II e destinava-se a proteger Londres de inundações até 2030. Demorou oito anos a construir e custou 535 milhões de libras (621 milhões de euros) - o equivalente a cerca de 2 mil milhões de libras (2,3 mil milhões) hoje.

Localizada a jusante de Greenwich e perto do Aeroporto London City, a barreira é composta por 10 portões de aço tão largos quanto a abertura da Tower Bridge. Quando elevados, esses portões têm a altura de um prédio de cinco andares.

A barreira ajuda a evitar inundações graves em 125 quilómetros quadrados da cidade e os muros de defesa teriam de ser três metros mais altos se não existissem.

Desde a sua construção, a Barreira do Tamisa foi fechada um total de 221 vezes. As tempestades e as inundações das marés teriam inundado edifícios ao longo da margem do Tamisa sem isso. Rosie Frost – Reino Unido in “Euronews.green”


sexta-feira, 10 de maio de 2024

Brasil - Inundações: evento inesperado ou crime ambiental?

As chuvas e inundações no Rio Grande do Sul permitem, com suas repercussões nas redes sociais, uma avaliação do nível de conscientização das mudanças climáticas em setores diversos da população face ao negacionismo de muitos influenciadores da opinião pública, alguns com função executiva.

Bem ilustrativo foi o debate proposto pelo canal Youtube Opera Mundi, sob o título Desastre ambiental ou catástrofe, reunindo especialistas, cujo ponto forte é o momento em que Valério Arcary, professor no Instituto Federal de Educação, Ciência e  Tecnologia de São Paulo, se refere às declarações do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, de que as atuais inundações no Rio Grande do Sul são consequência de um "evento inesperado".

Essas declarações, diz o professor, são de um grau de "irresponsabilidade imperdoável", citando o Primeiro relatório de avaliação nacional do painel brasileiro de mudanças climáticas de 2013, ou seja previsões feitas há onze anos, alertando para a incidência de um excesso de chuvas no sul do Brasil, em consequência das mudanças climáticas. Não se trata, portanto, de um evento inesperado ou imprevisível.

A irresponsabilidade do governador é também decorrente, segundo o professor, do fato de ignorar uma situação mundial e alertas constantes de estudos divulgados há mais de três décadas e constantes de uma conferência da ONU no Rio de Janeiro. Não se trata, portanto, de algo lamentável e imprevisível. O aquecimento global é uma tragédia provocada pela forma que assumiu o capitalismo contemporâneo.

O Brasil já vive, portanto, uma situação de transição climática responsável por secas na região amazônica e por chuvas torrenciais na região sul do Brasil, com consequências devastadoras que atingem a vida de milhões de pessoas. Impossível agora continuar com o discurso negacionista do governo anterior e atribuir ao acaso, uma situação para a qual países europeus já estão se prevenindo.

Não é mais o momento de tranquilizar a população, enfatiza o professor, mas de se alertar para o risco da vida civilizada ser ameaçada se continuar o mesmo sistema. A acusação é importante, muita gente talvez comece a pensar ter sido possível prevenir a atual catástrofe, porém é capaz de ser inócua a admoestação para se evitar que tudo se repita dentro de alguns meses ou a cada ano.

A prevenção não é o forte das administrações brasileiras, muito menos no que se refere às mudanças climáticas ignoradas ou negadas pela maioria dos dirigentes executivos desde o presidente Temer ao fim dos quatro anos bolsonaristas, interessados num aumento constante da produção e lucros, agredindo a natureza, sempre que fosse preciso. O exemplo maior tem sido o desflorestamento na Amazônia para a plantação de soja e criação de gado para exportações.

Ainda agora com a catástrofe sulina, capaz de tornar inviável a habitação, durante algumas semanas ou meses, em muitos municípios, é prematuro se imaginar os grupos agropecuaristas, petrolíferos, imobiliários, petroleiros, automobilísticos aceitarem diminuir sua expansão.

Ao contrário, as informações do prof. Valério Arcary são de que o governador Eduardo Leite reduziu para 10% o total das dotações antes destinadas à proteção do meio ambiente gaúcho, restringindo a apenas 16 funcionários o setor encarregado de garantir e supervisionar o equilíbrio ambiental e de planificar obras necessárias para se contrapor ao excesso de chuvas com temporais decorrentes da mudança climática.

A responsabilização do governador Eduardo Leite pela catástrofe no Rio Grande do Sul é corroborada pelo diretor da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, Francisco Milanez - o governador destruiu o Código Ambiental, informou a Rede Brasil Atual. Já no primeiro ano como governador, segundo um levantamento feito pela Folha de São Paulo, Leite alterou cerca de 480 normas do Código Ambiental estadual em consonância com a política de afrouxamento da política ambiental brasileira incentivada pelo ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles, hoje deputado federal.

Leite autorizou também a construção de barragens e açudes em áreas antes protegidas para proporcionar alternativas de armazenamento de água destinada à agricultura e pecuária em períodos de estiagem, medidas que afetam o fluxo natural da água, segundo Francisco Milanez. Como se não bastasse, de acordo com Márcio Astrini, do Observatório do Clima, 22 deputados federais gaúchos votaram, em 2021 na Câmara Federal, por uma lei, no governo Bolsonaro, que flexibiliza normas e dispensa da obtenção de licenciamento ambiental para diversas atividades, aplicada, sem dúvida, no Rio Grande do Sul, em favor de certos grupos.

Houve um desmatamento intensivo da vegetação nativa do pampa gaúcho. De acordo com Mapbiomas, entre 1985 e 2022, as plantações de soja avançaram de 2,1 milhões de hectares e as de pinus e eucalipto tiveram um aumento de 720 mil hectares. Segundo Tales Tiecher, da UFRGS, o bioma gaúcho é o mais degradado do Brasil, mais que o da Amazônia e o do Cerrado. Isso está provocando uma arenização do pampa.

Ainda de acordo com Márcio Astrini, o governador Leite ignorou alertas de desastres." Além das inundações do ano passado, o Rio Grande Sul sofreu com secas severas entre 2021 e 2022. Se o governador não acreditar agora nessa questão de mudança climática, não sei quando acreditará". Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Moçambique - Após tempestade, Unicef quer mobilizar US$ 3,5 milhões

Há receios de chuvas com a chegada de nova depressão tropical ou ciclone e o efeito nos rios e barragens já saturadas


O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, precisa de US$ 3,5 milhões para apoiar a resposta às necessidades imediatas dos afetados pela tempestade tropical Ana em Moçambique. 

A agência apoia a atuação nacional com suprimentos que estavam posicionados antes da passagem do temporal nesta semana. Em nível interno prossegue a busca de fundos. 

Espaço de aprendizagem

Pessoal humanitário já foi enviado, enquanto se prepara material médico e nutricional para o auxílio.

Entre as prioridades estão garantir água, artigos de saneamento e kits de higiene, bem como a criação de espaços temporários de aprendizagem para apoiar os afetados pela tempestade no centro e norte.

Estima-se que mais de 45 mil pessoas, incluindo 23 mil mulheres e crianças, precisem de auxílio humanitário nas províncias de Nampula, Zambézia, Tete, Niassa, Sofala e Manica.

Saúde

As fortes inundações danificaram quase 10,5 mil casas, bem como infraestruturas públicas como pontes, linhas de energia, escolas, sistemas de água e instalações de saúde.

O Instituto Nacional de Redução e Gestão do Risco de Desastres, INGD, notificou danos em 12 unidades de saúde e 346 salas de aula. 

Estima-se que 27383 alunos ficaram sem um local para aprender, uma semana antes do início do novo ano letivo.

A Unicef destaca que os dados atuais podem mudar à medida que as equipas avaliam a situação no terreno.

Lembrete

Em plena estação chuvosa, a Unicef teme que a situação piore rapidamente com a chegada de outra depressão tropical ou ciclone com queda de chuvas em rios e barragens já cheios.

A representante da agência em Moçambique, Maria Luísa Fornara, declarou que a parceria com o governo moçambicano faz chegar ajuda essencial às crianças e às suas famílias nas áreas afetadas.

Ela reiterou que a última tempestade a atingir o país “é um lembrete contundente de que a crise climática é uma realidade e as crianças são as mais afetadas por eventos climáticos severos relacionados ao clima.”

Nos próximos dias, várias equipas de emergência começarão a distribuir suprimentos essenciais.

Segurança

A criação de espaços temporários visa cobrir a lacuna gerada pelas escolas que sofreram danos.

A agência usa diferentes meios de comunicação para ampliar mensagens de proteção e prevenção com vista a mitigar o impacto da tempestade.

Moçambique é o 9º entre 191 países com alta vulnerabilidade a perigos, exposição a riscos e falta de capacidade de enfrentamento. 

O país passou por dois eventos de seca severa e oito tempestades tropicais entre 2016 e 2021.

Há três anos, os ciclones Idai e Kenneth atingiram o país num período de seis semanas afetando 2,5 milhões de pessoas. ONU News – Nações Unidas             


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Moçambique – Rios a transbordar deixam estradas e pontes destruídas

A tempestade tropical Ana passou para categoria de depressão tropical. A chefe da ONU no país fala de necessidade de ajuda internacional para enfrentar crise que deixou pelo menos oito mortos e dezenas de feridos


Até esta quarta-feira, Moçambique registou oito mortes devido à passagem da tempestade tropical Ana.

A agora depressão tropical atingiu a costa da província de Nampula, na segunda-feira, antes de seguir para o oeste, afetando o norte das províncias da Zambézia e sul de Tete.

Salvamento

A representante das Nações Unidas em Moçambique explicou que as cheias são extensas nas áreas afetadas. Falando à ONU News, de Maputo, Myrtha Kaulard contou que “rios transbordaram com força de correntes devastadoras”.

Destacou que com as estradas e pontes destruídas, essas condições limitam a possibilidade de se avaliar os danos e os esforços de busca e salvamento no momento.

“Como Nações Unidas, estamos presentes em todas as províncias afetadas pela tempestade tropical Ana. Estamos a trabalhar de maneira conjunta e muito forte com as autoridades locais e com o Instituto Nacional de Gestão de Desastres. Eu gostaria de dizer que as instituições moçambicanas estão muito bem preparadas. Estão muito presentes e temos estoques.”

Pelo menos 4 mil pessoas foram afetadas pela tempestade, 66 ficaram feridas e 650 casas sofreram danos, incluindo um centro de saúde e salas de aula.

Eventos

A coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique disse também que é preciso ter em conta que o momento é de incidência destes episódios.

“As Nações Unidas também estão extremadamente preocupadas. Este é o primeiro evento desta época de ciclones, mas sabemos como Moçambique é um dos países mais vulneráveis aos problemas climáticos que podem ser devastadores e que acontecem em cada ano. Este ciclo anual está tão breve que as populações não têm tempo para recuperar e acumulam a vulnerabilidade. Em Moçambique a vulnerabilidade é extrema. Ainda que agora estamos a dar ajuda humanitária, ao mesmo tempo vemos como é absolutamente importante investir na redução do risco dos desastres naturais ao fortalecer a resiliência em Moçambique”.

A tempestade Ana teve ventos de até 100km/h e chuvas de até 200 milímetros por dia. As províncias de Sofala, Niassa e Cabo Delgado foram afetadas em menor escala.

Kaulard destacou que “definitivamente, Moçambique precisa de ajuda internacional para enfrentar esta crise adicional.”

Em apoio às autoridades locais, a ONU atua com parceiros humanitários em questões como a provisão de reservas humanitárias que são atualmente limitadas no país. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 28 de abril de 2021

Timor-Leste - Voos da ONU ajudam a analisar tamanho do estrago causados pelas cheias

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, realizou uma série de voos de avaliação para saber a exata extensão dos danos agrícolas e de infraestruturas causados ​​pelo ciclone Seroja, que atingiu Timor-Leste no início deste mês.

Chuvas torrenciais e as piores inundações em 40 anos foram o resultado do desastre natural. O governo declarou estado de calamidade e pediu ajuda internacional.


Apoio

Em comunicado, o secretário de Estado da Proteção Civil, Joaquim Martins, disse que, com o apoio logístico do PMA, o governo timorense conseguiu distribuir materiais de socorro às famílias afetadas em 48 horas. Díli, a capital do país, foi a área mais atingida.

Segundo Martins, “estas avaliações aéreas são críticas para ajudar a compreender a verdadeira extensão dos danos, não só em Díli, mas também em outros distritos.”

Dados preliminares indicam que 10325 pessoas foram atingidas em oito municípios timorenses. Em Díli, 76% da população sofreu com o desastre. 

Joaquim Martins contou ainda que, com a informação será possível “determinar as nossas necessidades, definir prioridades e conceber intervenções para o futuro.”

Danos

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pescas, cerca de 1,6 mil hectares de arroz e 295 hectares de plantações de milho foram danificados em seis municípios.

Os dados foram recolhidos após três voos de avaliação cobrindo Viqueque, Manatuto, Baucau, Manufahi, Ainaro, Covalima, Oecussi, Bobonaro e outros distritos, entre 16 e 21 de abril.

O ministro da Agricultura e Pescas, Pedro Reis, informou que, depois das cheias, “muitos esquemas de irrigação foram danificados, o que é arrasador porque a maioria da população é composta por agricultores de subsistência.”

Avaliação

A partir desta semana, o PMA e a Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura, FAO, realizam uma missão de avaliação de colheitas e segurança alimentar para conhecer os impactos da crise na segurança alimentar.

O diretor nacional do PMA no país, Dageng Liu, disse que os voos da agência “permitiram avaliar os danos em dias em vez de semanas.”

A iniciativa, realizada em nome do governo, teve o apoio da Mission Aviation Fellowship, MAF. 

Liu afirmou estar satisfeito porque “a parceria deu uma contribuição positiva para a recuperação do país das inundações arrasadoras.”

Representantes da Secretaria de Estado da Proteção Civil, Ministério da Agricultura e Pesca, Ministério do Planejamento e Território, Ministério das Obras Públicas e da ONU têm participado das avaliações aéreas. ONU News – Nações Unidas


sábado, 17 de abril de 2021

Timor-Leste – Portugal ajuda em várias frentes

Portugal tem apoiado aos esforços do Governo de Timor-Leste na sequência das cheias do passado dia 4 de abril, que atingiram os 13 municípios do país, sendo a capital, Díli, a mais afetada


A atuação da Cooperação Portuguesa consiste num conjunto de intervenções, quer de resposta imediata, quer no apoio mais estruturante, com o objetivo de apoiar a população timorense afetada e ajudar na reconstrução. Em termos de resposta de emergência, foram já mobilizados mais de 100 mil euros.

Neste âmbito, Portugal tem estado a apoiar, através da Embaixada de Portugal em Díli, a população desalojada, correspondendo às necessidades imediatas identificadas pelas entidades locais, nomeadamente da Proteção Civil de Timor-Leste, e em articulação com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Têm sido entregues bens essenciais, nomeadamente alimentares, de higiene, bem como colchões e utensílios de utilização doméstica indispensáveis à sobrevivência das famílias e cuja reposição permitirá o gradual regresso das famílias a suas casas, uma vez terminados os trabalhos de limpeza, diminuindo dessa forma a pressão sobre os espaços de acolhimento improvisados. Em parceria com o PNUD, foi igualmente assegurada a disponibilização de água potável a populações isoladas, na sequência das inundações.

Contribuindo para suprir as dificuldades dos alunos carenciados da Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, foram também entregues géneros alimentares.

Tendo em conta o elevado número de crianças que se encontram nos centros de acolhimento, têm igualmente sido entregues livros e materiais ludo- pedagógicos destinados a essas crianças. No âmbito da Ação Conjunta para a Educação em Timor-Leste (ACETL), a UNICEF mobilizou voluntários para a dinamização de atividades de aprendizagem para as crianças nos centros de acolhimento. Está em curso a preparação do programa, que contará com a participação de alguns docentes voluntários de projetos da Cooperação Portuguesa.

Na medida em que as inundações também provocaram a inutilização de algum do Equipamento de Proteção Individual (EPI) – máscaras cirúrgicas, luvas de examinação não estéreis e luvas cirúrgicas – a respetiva reposição assume um carácter premente, face ao aumento do número de infeções por COVID-19 que se tem vindo a registar.

Portugal está a apoiar a reposição de EPI, no âmbito do Plano de Ação na Resposta Sanitária à Pandemia, entre Portugal e os Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste (TL). A aquisição e colocação local de EPI, no montante global de 75 mil EUR, está a ser operacionalizada através da UNICEF, prevendo-se a sua entrega ao Ministério da Saúde a breve trecho.

Numa segunda fase, após o levantamento das necessidades atualmente a ser levado a cabo pelas competentes autoridades em Timor-Leste, e tendo em conta planeamento das prioridades que vier a ser definido, Portugal pretende apoiar um projeto concreto de reabilitação em domínio considerado estruturante.

Nos projetos de cooperação para o desenvolvimento atualmente em implementação foram adaptados planos e metodologias, de modo a, na medida das possibilidades, dar continuidade às atividades de capacitação, ao mesmo tempo que se apoiam os esforços nacionais para a superação destas circunstâncias inesperadas.

Nos domínios da solidariedade social e inclusão, serão antecipados os apoios anualmente contratualizados para uma maior capacidade de resposta das instituições de solidariedade social na linha da frente, na resposta a esta situação de emergência.

A todas estas ações somam-se as iniciativas de voluntariado de cidadãos portugueses anónimos, que se encontram em Timor-Leste, por motivos pessoais ou profissionais, e que, de forma altruísta e empenhada, têm participado em ações de solidariedade, no apoio direto e imediato às populações, seja na recolha de fundos, na doação de bens essenciais e alimentares ou na preparação de refeições a doar. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 6 de abril de 2021

Timor-Leste – Solidariedade das Nações Unidas e Portugal com as vítimas de inundações


Díli – O Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e o Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, manifestaram a sua solidariedade e apresentaram condolências às famílias das vítimas das inundações que ocorreram no passado domingo em Timor-Leste e causaram a destruição de muitas casas e infraestruturas.

“Foi com profunda tristeza que tomei conhecimento dos trágicos efeitos das inundações que afetaram grande parte da capital e causaram a perda de vidas humanas e danos avultados em infraestruturas, incluindo aquelas essenciais ao combate à covid-19″, refere a mensagem do Presidente da República português dirigida ao homólogo timorense, Francisco Guterres ‘Lú Olo’.

“Os meus pensamentos estão com as vítimas e as suas famílias, a quem apresento, através de vossa excelência em nome do povo português e do meu próprio, sentidas condolências, bem como os votos de rápida recuperação a todos os feridos”, acrescenta.

Também o Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse, em nome da ONU, manifestar solidariedade para com a população timorense.

“Escrevo em nome do Secretariado-Geral das Nações Unidas, através da Chefe de Gabinete em Timor-Leste, Maria Luiza Ribeiro Viotti, para apresentar as mais profundas condolências pela trágica perda de vidas causada pelas inundações repentinas em Díli”, disse o Secretário-Geral da ONU.

“Peço para transmitir os sentimentos do Secretariado-Geral, e os meus, também às famílias enlutadas, assim como ao Governo de Timor-Leste “, concluiu António Guterres. In “Tatoli” – Timor-Leste


 

domingo, 4 de abril de 2021

Timor-Leste – Inundações assolaram a cidade de Díli

As inundações afetam também várias infraestruturas essenciais no combate à covid-19, incluindo o Laboratório Nacional, no recinto do Hospital Nacional Guido Valadares


Pelo menos 11 pessoas morreram nas inundações que assolaram hoje a cidade de Díli, capital de Timor-Leste, disse à Lusa fonte da Proteção Civil, admitindo que esse número é ainda provisório

A mesma fonte explicou que o secretário de Estado da Proteção Civil convocou já uma reunião de urgência para avaliar as situações mais urgentes e que requerem atenção imediata.

Um balanço total dos estragos é nesta altura "impossível", segundo fonte do Governo, com danos avultados em casas privadas, estabelecimentos comerciais e várias infraestruturas, entre as quais parte da estrada que liga Díli a Aileu, 47 quilómetros a sul da capital.

As inundações afetam também várias infraestruturas essenciais no combate à covid-19, incluindo o Laboratório Nacional, no recinto do Hospital Nacional Guido Valadares.

Depois de uma ligeira pausa de menos de uma hora, e de a maré baixa ter permitido escoar alguma da água, a chuva regressou ao final da manhã, hora local (madrugada em Lisboa), com muitos habitantes forçados a abandonar as suas casas.

Imagens de 'drone' recolhidas por um operador timorense, Machel Silveira, mostram grande parte da zona mais baixa de Díli inundada, com problemas de uma ponta à outra da cidade.

Em várias estradas, a circulação está interrompida, por causa do volume da água, ou até, como ocorre na Avenida de Portugal, devido ao abatimento da estrada.

Grande parte da cidade de Díli ficou inundada, com os leitos das principais ribeiras a transbordar, depois de três dias de chuva intensa, convertendo toda a capital timorense numa "zona de calamidade", disse à Lusa fonte da Proteção Civil.

Relatos da Protecão Civil e de residentes em vários bairros da cidade indicam que a água em alguns locais chega aos dois metros, com casas nas margens da ribeira de Comoro a serem arrastadas pelas águas.

Parte da Avenida de Portugal, ao longo do mar, onde estão situadas algumas das embaixadas, abateu, com as águas a entrarem nas casas, incluindo na delegação da Lusa.

Vários residentes, incluindo cidadãos portugueses, já tiveram de abandonar as suas casas, apesar de a circulação em Díli estar muito limitada, devido ao largo volume de água que se acumula.

Nos últimos dias, os serviços meteorológicos tinham alertado para o risco de chuva forte em várias zonas do país, com destaque para a costa Norte, devido aos efeitos de um sistema de baixa pressão, localizado sobre a parte ocidental da ilha de Timor.

As chuvas fortes já tinham causado problemas em vários municípios do país nos últimos dias, com relatos de casas destruídas e outras infraestruturas afetadas, incluindo estradas e pontes.

Alguns residentes dizem que a situação atual em Díli é mais grave que a que se viveu no passado dia 13 de março de 2020, quando cheias afetaram dezenas de milhares de pessoas na capital, havendo mesmo quem não se lembre de inundações assim desde os anos 1970. In “Contacto” – Luxemburgo com “Lusa”


domingo, 2 de agosto de 2020

Timor-Leste - Escola Portuguesa de Díli inaugurou novo auditório que lembra cheias de 13 de março

A Escola Portuguesa de Díli (EPD) conta com um novo auditório para cerca de 80 pessoas, construído na sequência das inundações de 13 de março passado

O espaço foi inaugurado pelo vice-primeiro-ministro timorense, José Reis, e pelo embaixador de Portugal em Díli, José Pedro Machado Vieira, num dia em que foram entregues os certificados aos finalistas do 12.º ano.

“As imagens do dia da inundação foram chocantes, deixando pessoas dentro e fora de Timor-Leste num sentimento de tristeza e imensa preocupação. Mas, esse triste evento provocou também que algo muito mais importante e bonito viesse ao de cima”, lembrou José Reis.

“O movimento que ocorreu logo de seguida, a solidariedade e dedicação que foi demonstrada por toda a comunidade da Escola Portuguesa de Dili, desde professores e funcionários, pais, alunos”, sublinhou o responsável, destacando ainda o apoio de entidades oficiais do Estado.

O Auditório 13 de Março lembra o dia das inundações que causaram graves danos materiais à instituição.

No dia 13 de março passado, uma forte chuvada, associada a assoreamento e falta de manutenção, provocou cheias em várias zonas da cidade de Díli. Milhares de famílias foram afetadas e os danos materiais foram avaliados em mais de 20 milhões de dólares.

As cheias encheram todo o recinto da escola de lama, tendo a ação rápida de professores e funcionários evitado vítimas. A limpeza e reconstrução do espaço começaram entre abril e junho.

“Um dia triste”, que se deveu a fortes chuvadas, mas também “à falta de um planeamento e ordenamento eficaz e eficiente, resultando em construções feitas sem estudos profundos e sem respeitar padrões”, salientou José Reis.

“O Governo está empenhado em corrigir essa falta, de forma a elaborar um plano de ordenamento para o território nacional, para que no futuro desastres deste tipo possam ter impactos minimizados, não só em Dili, mas como também em outras áreas de Timor-Leste que têm também sido afetadas”, disse.

José Reis lembrou que a recuperação da escola e a construção do auditório é um marco na institutição, que nasceu em 2002 “como resposta a uma necessidade existente em Timor-Leste de afirmar a vontade dos timorenses em fazer da Língua Portuguesa, umas das línguas oficiais” do país.

“Nós escolhemos como Língua Nacional de Timor-Leste a Língua Portuguesa”, e esta escolha foi um fator determinante para a Independência e soberania de Timor-Leste, disse Reis, lembrando as palavras do antigo Presidente timorense Nicolau Lobato.

Ao nascer no mesmo ano da restauração da independência, a EPD tornou-se num “forte centro de formação por onde têm passado muitas crianças timorenses”, disse. A quase totalidade dos mais de mil alunos da EPD são timorenses.

Um espaço que permite formação em português, mas que também oferece “um ensino de qualidade que prepara os alunos para poderem competir dentro e fora de Timor-Leste”, acrescentou.

Na mesma ocasião, o embaixador de Portugal em Díli sublinhou o esforço de professores e funcionários para recuperar o espaço da escola, “uma instituição de referência para Portugal” em Timor-Leste.

“A criação deste espaço mostra, uma vez mais, o compromisso e aposta da Escola Portuguesa em prover uma formação diversificada aos seus alunos, reforçando a vertente de educação abrangente que esta Escola se orgulha de oferecer”, disse José Pedro Machado Vieira.

Designar o novo espaço ‘Auditório 13 de março’ permite não só marcar o “momento dramático” vivido, mas “prestar uma justa homenagem a todos os que, na tarde daquele fatídico dia, tiveram o rasgo, a coragem e a determinação para evitar perdas não materiais”.

“Mesmo em tempos difíceis, como no contexto pandémico, e com a reestruturação da Escola pela frente, foi incrível observar que, para além de mediador, facilitador e articulador do conhecimento, o papel do professor também se vai renovando; é também um criativo, um artista das estratégias de ensino que precisa de processar novos cenários e reformular métodos a todo o momento, qualidades fundamentais nesta época”, destacou.

“É de louvar, ainda, o espírito de resiliência e a capacidade de liderança que permitiu a rápida reconstrução da Escola, necessária após as cheias do passado dia 13 de março. O envolvimento dos docentes, dos auxiliares, dos pais, mães e encarregados de educação, bem como da comunidade foi essencial para que fosse possível estarmos aqui hoje”, sublinhou. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”