Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 4 de abril de 2019

Moçambique – Conferência Internacional "Crescendo Azul 2019"

O Governo de Moçambique apresentou, na passada quarta-feira, dia 03 de Abril, a 1a Conferência Internacional “Crescendo Azul”, que realizar-se-á nos dias 23 e 24 de Maio, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, capital de Moçambique



A importância dos Mares e Oceanos para a humanidade como fonte de vida, produtor de oxigénio, suporte dos ecossistemas, regulador do clima, produtor de alimentos, fonte de emprego e como reserva de água, tem vindo a ser reconhecida a nível global, com destaque para a Organização das Nações Unidas, através da Agenda 2030 que define os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS14 sobre a conservação e utilização sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável".

Aliás, estes instrumentos, no seu conjunto, além de aumentarem o nível de compreensão de outros quadros legais internacionais pertinentes, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), lançam bases para uma cooperação estruturada entre as nações, na vertente marítima, que conduzam à proclamação dos Mares e Oceanos como factores de desenvolvimento sustentado e de segurança dos países, e, por outro, à promoção de uma colaboração permanente, em torno de uma abordagem intersectorial e interagências, para uma efectiva gestão integrada da área costeira e marinha, sobretudo, nos países menos desenvolvidos.

A natureza transfronteiriça dos Mares e Oceanos faz com que os crescentes desafios ligados às ameaças globais como as alterações climáticas, crescimento demográfico, degradação do ambiente marinho, perda da biodiversidade e o elevado risco de poluição e à proliferação do lixo plástico, aliadas às questões relacionadas com a segurança marítima, requeiram abordagens harmonizadas e concertada entre as várias Nações que compartilham este recurso, ou que indirectamente a ele estejam ligadas.

A região do Oceano Índico Ocidental, particularmente o Canal de Moçambique, é rica em biodiversidade e ecossistemas marinhos costeiros, desde os recifes de corais que se estende desde a costa do Quénia, até a zona do Norte de Moçambique: florestas de mangal que se pontificam no Delta do Zambeze, dunas costeiras ricas em recursos minerais, ervas marinham que albergam uma população única de golfinhos remanescente na região e uma grande diversidade de recursos pesqueiros que são fonte de renda e subsistência para a população costeira. Para além destes recursos, a região é igualmente rica em hidrocarbonetos, particularmente na Bacia de Rovuma.

A Intensa utilização dos recursos pesqueiros existentes na região; a intensa utilização desta região como rota de transporte marítimo, assim como o advento da exploração de hidrocarbonetos requerem uma abordagem consertada, integrada e harmonizada. Esta acção é particularmente relevante no canal de Moçambique onde ainda persiste a pesca ilegal devido existir uma falta de capacidade dos países para fiscalizar as suas águas territoriais que é exacerbado pela limitada capacidade institucional para enformar o desenvolvimento duma Economia Azul sustentável. Estes factos, e não só, que procuram uma forte colaboração e coordenação a nível nacional, regional e internacional, e dada a sua localização geoestratégica, impõem a Moçambique a necessidade de assumir proactivamente a responsabilidade de promover o desenvolvimento duma Economia Azul sustentável, à luz dos comandos emanados dos seus instrumentos de política e legais, alinhados com os de cariz regional, continental e internacional.

Moçambique pretende juntar-se ao movimento global de chamamento para acção lançado pelas Nações Unidas e por vários organismos responsáveis pela sustentabilidade dos Oceanos no quadro da implementação do ODS14, estabelecendo uma plataforma de diálogo permanente, a realizar-se em séries, bienalmente, denominada de Conferência “Crescendo Azul”. As abordagens da Conferência, inseridas nas áreas temáticas (Governação e sustentabilidade do oceano; Oceano e inovação; Rotas do oceano; Energia do oceano), focalizar-se-ão no país e na Região Ocidental do Oceano Índico (zona de inserção geográfica de Moçambique), com o objectivo de promover a concertação, o alinhamento e a partilha do conhecimento, necessários a um efectivo cumprimento dos compromissos assumidos, no quadro da implementação do ODS14.

A edição da primeira conferência é realizada no reconhecimento de que o conhecimento, assente na investigação científica e tecnológica, é a chave basilar para o desenvolvimento da Economia Azul. Considerando o contexto nacional e regional, caracterizado por limitado conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico, urge a necessidade de se direcionar recursos de investimento, tanto na formação como no reforço ou criação de capacidade técnica e institucional, para permitir que a ciência e tecnologia encorpem o desenvolvimento de uma Economia Azul sustentável.

A Economia Azul é considerada a nova fronteira da renascença a nível global, que tem levado a que um número crescente de países esteja empenhado em formular Políticas e Estratégias que integram a Economia Azul como base de transformação socioeconómica por meio de iniciativas e estratégias integrantes e harmonizadas, bem como de acção conjunta entre países para desenvolver o potencial latente que os Mares e Oceanos oferecem à humanidade.

Destaque vai para a Estratégia Marítima Integrada Africana 2050 da União Africana (objectivos da UA 2050) e o Manual de Política de Economia Azul para África, que para além de aumentar o nível de compreensão de outros quadros internacionais pertinentes, como a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar (UNCLOS), lançam as bases para uma cooperação estruturada da vertente marítima visando proclamar os Oceanos como factores de desenvolvimento sustentado e da segurança marítima dos países, promovendo a colaboração em torno de uma abordagem intersectorial e interagências para uma efectiva gestão integrada da área costeira e marinha em África.

Assim, o desafio permanente que emerge da necessidade de se traduzir a agenda global, continental e regional em directivas e acções concretas e transformacionais a nível do país, individualmente e no contexto de blocos de países, para um efectivo desenvolvimento azul sustentável, constitui o móbil da organização e realização da série de conferências.

Com a Conferência em alusão pretende-se que os participantes se debrucem sobre quatro áreas temáticas, nomeadamente:

GOVERNAÇÃO E SUSTENTABILIDADE DO OCEANO
- Plataformas Regionais / Internacionais
- Poluição
- Biodiversidade / Conservação
- Mudanças Climáticas/Segurança Alimentar
- Segurança Marítima

OCEANO E INOVAÇÃO
- Ciência
- Tecnologia
- Inovação

ROTAS DO OCEANO
- Transporte / Navegação
- Portos
- Comércio Marítimo
- Turismo

ENERGIA DO OCEANO
- Energias Renováveis
- Petróleo
- Gás
-Comércio

Para a primeira Conferência a ter lugar nos dias 23 e 24 Maio de 2019, está definido o seguinte lema:

Crescendo Azul: Exploração Sustentável e Compartilhada do Oceano


A Conferência “Crescendo Azul” com foco na região Ocidental do Oceano Índico pretende juntar cerca de 500 participantes entre entidades nacionais, regionais e internacionais, com interesses e competências múltiplas em ramos de Economia Azul e governação do mar, integrando dirigentes a mais alto nível, decisores, implementadores, empresas de ramo, doadores, instituições financeiras, instituições de ensino & pesquisa, Sociedade Civil e ONG, com actividades ligadas ao mar, zonas costeiras, oceanos e seus ecossistemas. InMinistério do Mar, Águas Interiores e Pescas” - Moçambique

sexta-feira, 8 de março de 2019

Moçambique – Lançamento do livro “Matsalwa ya Wusungukati”



Teve lugar, na passada segunda-feira, 4 de Março, no Auditório do BCI, em Maputo, o lançamento da obra “Matsalwa ya Wusungukati”, da autoria de Alfredo Chamusso, a qual pode ser traduzida como ‘Escritos de Aconselhamento’.

A mesma foi prefaciada pelo académico Jamisse Taímo, um dos apresentadores, para quem o livro “traz o senso comum, […] o diálogo constante quotidiano das pessoas. […] Resgata a dimensão antropológica do moçambicano, numa determinada realidade concreta e, ao mesmo tempo, traz consigo uma ligação entre esta antropologia cultural e a educação cristã”.

Analisando um dos textos da obra, Taímo referiu que “é muito revelador, por trazer aquilo que tem sido a prática, e por questionar a razão por que temos de fazer isto. Então, Chamusso relata a cultura moçambicana, especialmente da região onde nasceu, em particular a dimensão da morte. E como é que os habitantes da sua região lidam com a questão da morte; e traz o aspecto da herança cristã, protestante, e a católica, para fazer esta discussão sobre se devemos ou não, se os cristãos, neste caso metodistas, devem ou não ir ao cemitério por flores.”

Já o assessor do presidente da Comissão Executiva do Banco, Luís Aguiar, afirmou que, neste livro, “Chamusso convida-nos a cultivar o hábito de pesquisa da realidade sociocultural moçambicana, pois acredita que isso permitirá que a sociedade moçambicana reconheça os seus actores como indivíduos com uma determinada identidade cultural, visto que o indivíduo é influenciado pela cultura de grupo a que pertence.”

Refira-se que na cerimónia, em que se destacou a presença do vice-ministro da Educação e Desenvolvimento Humano, Armindo Ngunga, do presidente do Tribunal Administrativo, Machatine Munguambe, e do clérigo Dom Dinis Sengulane, cantou-se parabéns a você, por ocasião dos 94 anos de vida do autor de ‘Matsalwa ya Wusungukati’, celebrados a 22 de Fevereiro. In “Olá Moçambique” - Moçambique com “TVM Moçambique”



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Moçambique - Alunos visitaram mostra inspirada no trabalho de Pancho Guedes

Noventa alunos do Instituto Politécnico Global, uma instituição de ensino sedeada em Maputo, visitaram, esta quarta-feira, 13 de Fevereiro, a exposição “Pancho: Outras formas e olhares” da autoria de Sónia Sultuane e Jorge Dias, patente desde o dia 23 de Janeiro, no Auditório do Edifício-sede do BCI.

A visita enquadra-se no âmbito do programa curricular deste Instituto, e tem em vista permitir que os alunos aprendam as diferentes manifestações artísticas e formas arquitectónicas.

Composto por alunos da 6ª à 10ª classes, com idades compreendidas entre 11 a 16 anos, o grupo teve a possibilidade de apreciar a mostra, e de interagir com os autores das obras.



Para Salvador Victor Panguene, professor de física do Instituto Politécnico Global, que acompanhava os alunos, “esta é uma experiência única para a escola, e em particular para os alunos. É uma oportunidade de aliarmos os conhecimentos científicos às actividades extracurriculares. A escola realiza várias destas actividades. Para além do desenho técnico, por exemplo, eles têm a possibilidade de desenvolver a arte. Temos na escola um clube de arte” – disse, acrescentado que com o intuito de impulsionar o gosto pela arte, “fizemos esta visita que dá a possibilidade de interacção com os próprios artistas. O propósito é dotar as crianças não só de conhecimentos científicos e de valores morais, mas também de uma visão cultural. Por termos vindo aqui, compreendemos melhor, por exemplo, a obra de Pancho, arquitecto que projectou centenas de obras aqui em Maputo.”

Já para o artista Jorge Dias, “é muito importante que as escolas visitem as exposições de arte. É importante também que haja este espaço aqui no BCI para que as visitas aconteçam. Mostrar os trabalhos aos alunos e dar-lhe a possibilidade de interagirem com os autores das obras abre-lhes muitos horizontes, quer do ponto de vista da imaginação, quer do ponto de vista de perspectiva de futuro. Aprecio bastante que esta exposição, que partilho com a Sónia Sultuane, seja visitada por pessoas de vários segmentos etários e de diversos status sociais, para além da excelente perspectiva de interagirmos na primeira pessoa com o público”. In “Olá Moçambique” – Moçambique

Amâncio de Alpoim de Miranda Guedes mais conhecido por Pancho Guedes foi um arquitecto, escultor e pintor (n. 13.05.1925 – f. 07.11.2015)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

APLOP - XI Congresso da Associação dos Portos de Língua Portuguesa na cidade de Maputo



As inscrições para o XI Congresso da APLOP – Associação dos Portos de Língua Portuguesa, a decorrer nos dias 27 e 28 de Fevereiro, no Terminal de Passageiros do Porto de Maputo, em Moçambique, já se encontram abertas.

O Secretariado do XI Congresso também já se encontra a funcionar, disponível para os esclarecimentos necessários.

Pode descarregar aqui a ficha de inscrição. Data limite de inscrição: 15 de Fevereiro de 2019.

Para mais informações, contactar a organização do Congresso através do email: congresso.aplop@gmail.com.

APLOP

A APLOP – Associação dos Portos de Língua Portuguesa, é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, que se rege pelos Estatutos, pelos regulamentos internos aprovados em assembleia-geral e pelos regimes jurídicos aplicáveis às Associações dos Países da CPLP nos quais se localizam ou venham a localizar-se a sede, delegações ou filiais onde se pratique qualquer ato jurídico em nome da Associação.

Constituída a 13 de Maio de 2011, integra no seu seio todos os países da CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe, Timor-Leste).

Macau e Marrocos integram a APLOP na qualidade de Membros Observadores.

A Associação tem a sua sede em Lisboa, nas instalações da APP — Associação de Portos de Portugal. Carlos Caldeira – Portugal in “Agricultura e Mar Actual”



terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Moçambique – Clube de leitura criado em Maputo

Um grupo de Jovens liderados pelo crítico literário Nataniel Ngomane criou um clube do livro em Maputo. O grupo encontra-se uma vez por semana para sentar e ler obras ao gosto do membro escolhido.

As árvores abanavam e zumbiam ao ritmo do vento, ao mesmo tempo que criavam uma sombra suficiente para mais de 100 pessoas no parque dos poetas, na cidade da Matola Província de Maputo.

Sentadas, concentradas, mas completamente tomadas pelos caminhos que cada livro leva o leitor a seguir, o grupo de quase trinta pessoas destacava-se das demais pessoas no coração do “Central Park”.

Ali os corpos estavam imobilizados, as almas voavam ao ritmo do Niketche, as vozes adormecidas gritavam e os flamingos voam eternamente, sem armas, sem guerra e sem barulho dos subúrbios por onde passou Meledina quando descrita por Aldino Muianga, mas tudo era intensamente vivido através da leitura.

“O nosso sonho é que se possa ler do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico” idealiza o crítico literário Nataniel Ngomane, que acrescenta que “o nosso país está a precisar de ler”.    

A necessidade é geral, mas a sectores chave da sociedade, que podiam com relativa rapidez registar melhorias significativas com a leitura. “Uma das formas de melhorar a qualidade do ensino é colocar as nossas crianças a começar a ler muito cedo” disse, acrescentando que “esta é uma forma de exercitar os seus neurónios”.

A viagem pelas obras nacionais e não só é o culminar de um processo iniciado pouco depois da exposição da língua portuguesa, onde um grupo de sete pessoas decidiu manter os encontros.

Para o efeito, “sugeriu-se que a criação de um clube de livros” que consiste em “um grupo de pessoas que gostam de ler, que iriam se encontrar uma vez por semana e ler conjuntamente” explica.

A ideia colheu consenso e definiu-se que “os encontros deviam ser feitos em lugares públicos para que fossem vistos por outras pessoas que quisessem também fazer parte do grupo” conclui.

No clube criado, os gostos são diversificados, afinal, como diz a célebre frase do jornalista Carlos Cardozo, eternizada em várias obras literárias e não só, não se pode colocar algemas nas palavras e, nós acrescentamos, nem nos gostos literários.

Isso tendo em conta a conceito desenvolvido por este grupo de amantes da leitura, que abrem espaço para todos, ou seja, “a pessoa é que escolhe que género de livro pode ler ou que já está a ler, e vem ler connosco” explica Amad Balamad, um dos mentores da iniciativa.

Depois da leitura, os membros fazem uma roda para partilhar e colher experiencias de os outros membros do clube, criando uma “pontinha” de curiosidade sobre o livro, afinal “a leitura também é viciante” diz a poetiza Énia Lipanga.

Ela é também uma das escritoras emergentes do país, e defende que o clube de livros recentemente criado é a prova de que a tendência de leitura é crescente, pese embora persistam desafios.

“Apesar da existência de um grupo que diga que os jovens não lê, eu acho que de uns anos para cá as pessoas tem lido mais, as pessoas tem comprado mais livros” diz a poetiza e escritora.

Os desafios segundo ela, tem que ver com “o facto de os livros estarem muito caros”, sendo que a alternativa a falta de dinheiro, ela propõe, “é que sejam utilizados livros eletrónicos, que podem ser acedidos através de um telefone”, aliás “este clube tem, total abertura para este tipo de leitura”.

O clube do livro já tem cerca de trinta membros e colabora com dois clubes idênticos que se encontram nas terras de Bolsonaro, Brasil, que são coordenados (um deles) por Maria Toledo, e outro por Merces Parentes.

Com estes clubes, Ngomane e “companhia” já sonham em fazer uma leitura sincronizada através do Skype, apesar da diferença em termos de fuso horários. “Vamos encontrar um meio-termo para materializar este sonho” garantiu Ngomane. Cornélio Mwitu – Moçambique in “ O País”

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Moçambique - “Mahanyela – A Vida na Periferia da Grande Cidade”

Foi lançado, na última quinta-feira, 8 de Novembro, na cidade de Maputo, o livro “Mahanyela – A Vida na Periferia da Grande Cidade”, que retrata a história inspiradora da sua autora, Nely Nyaka, de 98 anos de idade, que ainda se destaca pelo seu activismo social profundo, passando pelas experiências encorajadoras, vividas na família e na comunidade que a influenciou.

Profunda conhecedora de Lourenço Marques (hoje Maputo), e, mais particularmente, dos seus bairros periféricos, onde nasceu, a autora fala-nos, nesta obra, dos marcos geográficos e sociológicos da sua cidade, das famílias que nela habitavam, das práticas e dos costumes da comunidade e dos artifícios a que se recorria para mitigar a pobreza e vencer as enormes barreiras criadas pelo poder colonial a todos os que não fossem brancos.

Na cerimónia de lançamento, Nely Nyaka disse ter sido inspirada pelo seu marido, Raul Bernardo Honwana, já falecido que, em 1984, lançou um livro de memórias, que tem sido usado como referência em muitos trabalhos académicos.

“Na altura, prometi que também ia escrever o meu livro”, lembrou a autora, que agradeceu a todos que tornaram possível a edição e publicação de “Mahanyela – A Vida na Periferia da Grande Cidade”.



Para o editor, Nelson Saúte, “Mahanyela – A Vida na Periferia da Grande Cidade” afigura-se como uma notável obra no domínio da memória. “A Vovó Nely fala da (sua) vida, das coisas singelas da vida, da forma como se vivia, das pessoas, das suas casas, e do seu quotidiano”.

“O olhar da Vovó Nely é inédito e surpreendente. O olhar interior, o olhar de quem observa as pequenas coisas, de quem lida com as pequenas coisas. É aqui onde reside a extraordinária riqueza deste livro, nesse olhar e nessa voz singular”, enfatizou Nelson Saúte.

A publicação desta obra contou com o suporte da concessionária dos terminais de contentores e de carga geral no Porto da Beira, Cornelder de Moçambique SA, que a considera um importante contributo para a literatura moçambicana.

Para a Cornelder de Moçambique SA, representada na cerimónia por Rui Massuanganhe, “esta obra valoriza e enaltece o papel da mulher moçambicana para o desenvolvimento do País e consideramos importante a sua disseminação para a sociedade, no geral, e para os mais jovens, em particular”.

“Nely Nyaka desenha a sua trajectória muito parecida a de outras mulheres moçambicanas que passaram por diversificadas e complexas transformações sociais no início de dois séculos distintos e, ainda assim, com todas as dificuldades, conseguiu manter o foco da sua contribuição social”, acrescentou Rui Massuanganhe.

Nely Nyaka nasceu no dia 2 de Novembro de 1920, na Katembe. O seu activismo social começou cedo, primeiro no seio da Igreja Metodista Wesleyana e, mais tarde, no Instituto Negrófilo (que depois assumiu a designação de Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique), organização de que o seu pai foi sócio-fundador.

Recentemente, esteve na criação e é uma das mais notáveis dinamizadoras da associação Pfuna, dedicada a mitigar a pobreza e a miséria de crianças órfãs.

Em 1939, casou-se com Raul Bernardo Honwana e foram viver para a Moamba, tiveram oito filhos. Raul, que militou no Grémio Africano nos tempos de Karel Pott, publicou, em 1984, um livro de memórias, que vem constituindo referência em muitos trabalhos académicos. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sábado, 10 de novembro de 2018

Moçambique – A ponte Maputo-Katembe, um pólo de desenvolvimento, foi inaugurada

O Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugurou hoje, 10 de Novembro de 2018, a maior ponte suspensa de África, a ponte Maputo-Katembe



O maior investimento após a independência de Moçambique, a ponte Maputo-Katembe é constituída por um vão de 700 metros e duas rampas com cerca mais de dois quilómetros cada e vai permitir a ligação entre as duas margens da baía da capital moçambicana.

A infraestrutura foi complementada com a construção de 180 quilómetros de rodovia que a liga à Ponta do Ouro, aproximadamente a 100 quilómetros da fronteira sul-africana.

Com a abertura ao tráfego da ponte Maputo-Katembe abrem-se novos horizontes na parte sul da baía de Maputo, havendo já projectos para o desenvolvimento de novas áreas habitacionais, a criação de modernos pólos turísticos, o crescimento de novas regiões agrícolas e a preservação ambiental com aumento de zonas de protecção e conservação da natureza.

Esta obra foi construída, com investimento chinês de 785 milhões de dólares (cerca de 687 milhões de euros), pelo grupo China Road and Bridge Corporation (CRBC) tendo o financiamento sido concedido pelo Banco de Exportações e Importações da China.

A concessão da gestão deste empreendimento foi entregue à empresa Maputo Sul, que já veio a público afirmar, não ser possível com as receitas arrecadadas pelas portagens da ponte, fazer face a um custo de manutenção da ponte no valor previsto de 1200 milhões de dólares anuais. Baía da Lusofonia

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Moçambique – Em construção na Matola primeira estação ferroviária privada

A Sir Motors, a empresa que está a implementar o sistema integrado de transporte, denominado Metrobus, para a região metropolitana de Maputo, vai construir, na cidade da Matola, a primeira estação ferroviária de passageiros privada no País.

A infra-estrutura, com capacidade para acomodar 1500 pessoas, vai ser erguida no recinto do Terminal de Carga da Matola (Frigo) e será composta por uma loja de conveniência com 2000 metros quadrados e uma oficina automóvel com 16 especialidades, para além de um parque para 400 viaturas.

Estes dados foram avançados por Amade Camal, presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sir Motors, à margem da viagem experimental da linha cidade da Matola-Maputo, efectuada na manhã da passada quinta-feira, 18 de Janeiro.

Entretanto, de acordo com Amade Camal, enquanto decorrem as obras de construção da estação, que se iniciaram recentemente, “o embarque e desembarque de passageiros será feito num cais provisório, que reúne todas as condições necessárias para garantir a segurança e comodidade dos utentes”.

Para a construção desta importante infra-estrutura, acrescentou o PCA da Sir Motors, “foi necessário efectuar a limpeza do terreno, desenterrar uma linha férrea, que estava a cerca de um metro de profundidade, e reabilitar outra, que há muito tempo não era utilizada”.

A estação ferroviária privada de passageiros da Matola será uma das maiores a serem erguidas no âmbito do sistema integrado de transporte (Metrobus), com vista a responder à demanda, cada vez mais crescente, pelo transporte urbano.



“Se não houver constrangimentos, vamos ter um comboio, de meia em meia hora, nas horas de ponta, sendo que as viagens iniciarão às 5h30”, explicou Amade Camal, que garantiu já estarem, numa fase avançada, as conversações com a empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), detentora da linha.

A viagem experimental da linha cidade da Matola-Maputo contou com a presença, em representação do presidente do Conselho Municipal da Cidade da Matola, do vereador de Planeamento Territorial e Urbanização, José Sambo, que realçou a importância do Metrobus na melhoria do transporte de passageiros.

José Sambo referiu-se, igualmente, à pertinência da introdução deste sistema de transporte (que combina a operação ferroviária e rodoviária através de automotoras, com carruagens e uma frota de autocarros), tendo em conta os resultados do último censo populacional, que colocam a cidade da Matola como a mais populosa do País.

“Os resultados (do censo) representam um desafio para nós, pois teremos de envidar esforços no sentido de criar condições para responder às necessidades da população, no que diz respeito ao transporte, e não só”, concluiu.

No que concerne à realização das viagens experimentais, com vista a uma melhor operacionalização do projecto, devido à elevada afluência, está igualmente prevista uma segunda viagem da linha cidade da Matola-Maputo para a próxima quarta-feira, dia 24 de Janeiro.

Importa realçar que, no âmbito das negociações com o Governo, foi possível baixar o preço da tarifa de 3500 meticais para 2500 meticais, no caso do passe A e 1250 para o passe B, que antes era 1750 meticais. Espera-se que as negociações terminem antes do início das operações, agendadas para o dia 1 de Fevereiro. In “Fim de Semana” - Moçambique

sábado, 2 de dezembro de 2017

Moçambique - Aurélio Furdela vence Prémio Literário 10 de Novembro

O escritor Aurélio Manuel Furdela é o grande vencedor do “Prémio Literário 10 de Novembro” edição de 2017, promovido pelo Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM), com o patrocínio da mcel-Moçambique Celular.

O jovem escritor concorreu e venceu através da obra intitulada “A Noite”, tendo recebido, como prémio, um cheque no valor de 100 mil meticais.

Conforme foi anunciado, na passada quinta-feira, em Maputo, foram submetidas ao concurso 17 obras, das quais quatro não reuniam os requisitos exigidos pelo prémio, instituído pelo CMCM e a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), por ocasião da celebração do Dia da Cidade de Maputo.

Intervindo, na cerimónia de anúncio dos resultados do concurso, o presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, David Simango, indicou que a literatura é um instrumento de manifestação e divulgação de experiências que o ser humano acumula ao longo da sua existência, sendo, ao mesmo tempo, um instrumento indispensável da socialização.

“No caso do nosso País e da cidade de Maputo, em particular, dominados pela tradução oral e, por conseguinte, por bibliotecas mortais, somos desafiados a imortalizar o nosso legado histórico e social, através da literatura, daí a razão da criação do Prémio Literário 10 de Novembro pela edilidade”, concluiu.

Por sua vez, a representante da mcel, Felícia Nhama, referiu que o evento ocorre num momento especial para a operadora moçambicana de telefonia móvel, que comemora 20 anos de sua existência.

“Não podemos falar dos 20 anos da mcel, sem nos referirmos ao destacado papel socialmente responsável que a empresa dedicou durantes duas décadas de existência, nos vários sectores da sociedade, nomeadamente na Educação, Saúde, Desporto, Ambiente e neste caso concreto, na Cultura”, frisou. In “Olá Moçambique” - Moçambique

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Moçambique - Reforço da frota e serviços do sistema de transporte público urbano

O Fundo de Desenvolvimento dos Transportes (FTC) vai investir, este ano, cerca de 2.6 mil milhões de meticais no reforço da frota e serviços do sistema de transporte público urbano. Trata-se de um investimento destinado à aquisição de 300 novos autocarros e que incluem seguro e serviços de manutenção até 150 mil quilómetros.

De acordo com Simão Mataruca, Director Executivo do FTC que revelou o facto, a decisão para este investimento constitui parte de um pacote de medidas aprovadas pelo Governo, que visam a reorganização do sistema de transporte público urbano de passageiros.

Com efeito, o Governo aprovou, na Sessão do Conselho de Ministros, de 6 de Novembro, a criação da Agência Metropolitana do Grande Maputo, entidade que vai gerir as reformas do transporte público urbano de passageiros nos municípios de Maputo, Matola, Boane, distrito de Marracuene e áreas adjacentes na Província de Maputo, sendo responsável pela coordenação de todas as iniciativas públicas e privadas, para a melhoria do transporte público ligando a área metropolitana de Maputo.

A par destas medidas, constam ainda a implementação da concessão de rotas de transporte nos corredores que dão acesso à Cidade de Maputo, sendo que o projecto piloto abrange três grande corredores, nomeadamente, corredor I, que compreende as ligações Boane- Baixa da Cidade de Maputo, Cidade da Matola-Baixa, Mozal-Baixa e Tchumene-Baixa; o Corredor II, que compreende as ligações Matola-Gare- Baixa, Patrice Lumumba-Baixa e T3- Baixa e Corredor III, que abrange as ligações Marracuene e Baixa da Cidade de Maputo.

Está igualmente em implementação o projecto de Bilhética Electrónica, para garantir a integração tarifária dos diversos operadores de transporte e o projecto Metrobus (uma iniciativa privada que vai combinar autocarros e automotoras) e o reajuste da tarifa aplicada.

A decisão da inclusão do seguro e serviços de manutenção, no pacote da aquisição dos 300 autocarros em aquisição, surge na sequência da experiência positiva registada no investimento realizado no ano passado, com aquisição de 50 autocarros afectos à rota Zimpeto Baixa/ Museu. “Em Fevereiro de 2016, o FTC adquiriu 50 autocarros, numa primeira experiência de inclusão de seguro e manutenção. O resultado é que hoje, 20 meses depois, os 50 autocarros continuam a funcionar e em bom estado” disse Mataruca, deplorando experiências anteriores em que parte significativa das unidades adquiridas ficavam inoperacionais, em menos de um ano, por deficiente manutenção.

INVESTIMENTOS ESTRATÉGICOS

Criado através do Decreto 38/2010, de 15 de Setembro, o Fundo de Desenvolvimento dos Transportes e Comunicações (FTC) é uma instituição, com a finalidade de, entre outras atribuições, financiar projectos estratégicos do Sector dos Transportes e Comunicações.

Nessa base, para além do transporte público urbano, o FTC tem participado em investimentos estratégicos em outras áreas do Sector dos Transportes e Comunicações. Em 2012, o FTC comparticipou na construção do Aeroporto de Nacala com um valor de cerca de 429 milhões de meticais.

A pedido da empresa Linhas Aéreas de Moçambique, tendo em conta a dinâmica de desenvolvimento da aviação civil em Moçambique, o défice de aeronaves para atender à crescente demanda e a estratégia operacional para esta empresa se posicionar num mercado concorrencial real, num espaço aéreo liberalizado, o FTC, como parte das suas atribuições estatutariamente definidas, apoiou o processo de aquisição de duas aeronaves Bombardier Q400, em regime de leasing, para reforçar a actual frota, bem como financiou uma aeronave Bombardier Challenger, para o segmento executivo, vocação da subsidiária MEX, processos estes conduzidos pela LAM – Linhas Aéreas de Moçambique, proponente do projecto.

“Este financiamento, num montante de cerca de 560 milhões de meticais, foi concedido no âmbito das atribuições e competências do FTC, considerados todos os pressupostos da rentabilidade do projecto, com impacto financeiro e comercial positivo para a instituição financiadora e a empresa proponente do projecto, bem como transformar em acções concretas as atribuições desta instituição”, disse Mataruca.

No ramo da marinha, o FTC tem estado a participar, igualmente, na reparação de embarcações das principais travessia, bem como na construção de infra-estruturas de acostagem para as embarcações que servem as populações usuárias dessas travessias, tendo no ano de 2016 desembolsado cerca de 52 milhões de meticais para o efeito.

Refira-se que o FCT tem como principais fontes de financiamento 5% da taxa dos combustíveis; 60% das receitas dos "permits" receitas consignadas dos institutos públicos do sector; bens patrimoniais considerados passivos das empresas e instituições do sector; contribuições das empresas do sector que não estejam sujeitas a contribuições a outros fundos, entre outras. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Moçambique – Metro-Bus o projecto integrado de transporte de passageiros

O ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita assegurou na quarta-feira, 11 de Outubro, em Maputo, que o projecto integrado de transporte de passageiros, denominado Metro-Bus, irá melhorar as condições de mobilidade urbana, tornando o transporte público mais seguro.

Carlos Mesquita fez estes pronunciamentos no parque da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique, local para onde se deslocou com o propósito de testemunhar a chegada, ao País, do equipamento pertencente ao projecto Metro-Bus.

Trata-se de quatro automotoras com igual número de carruagens cada, 80 autocarros com 70 lugares, 30 autocarros com 30 lugares, para além dr três veículos para a assistência de pessoas com deficiência física.

Depois de se inteirar do funcionamento do equipamento, o governante referiu que ficou bastante agradado com o que viu, sobretudo por verificar que, quer as automotoras, quer os autocarros, como os veículos de assistência, estão em boas condições técnicas e estruturais.

Acerca do projecto Metro-Bus, Carlos Mesquita referiu que o mesmo veio para complementar o programa de reforma que o Governo tem vindo a fazer no sector do transporte público, “com o propósito de melhorar as condições de mobilidade urbana, a qual pretendemos que seja mais segura”.

“Trata-se de um projecto muito bem pensado e delineado, que vai complementar o outro programa que o Governo tem, que passa pela aquisição de 300 autocarros que chegarão ao País nos próximos seis meses, sendo que o primeiro lote de 100 autocarros deve chegar ainda este ano”, considerou.

No tocante à implementação do Metro-Bus, Carlos Mesquita referiu, ainda no contexto da visita que efectuou, que tudo depende da conclusão da fase de preparação logística, o que poderá acontecer dentro dos próximos 45 dias, “por forma a que, quando a operação iniciar, seja para ficar e com todo o cuidado necessário”.

“Os equipamentos já se encontram nos Caminhos de Ferro de Moçambique, empresa com a qual a Fleet Rail, proprietária dos comboios, está neste momento a discutir aspectos relacionados com o planeamento, horários, circulação de comboios, as velocidades a usar nas vias, as terminais, os parques de estacionamento, entre outros”, explicou.

Importa referir que o projecto Metro-Bus compreende três fases, sendo que a primeira, já em curso, integra a chegada, a Maputo, de quatro automotoras, 16 carruagens e mais de 100 autocarros, estando a sua implementação prevista para 15 de Dezembro.

A segunda, que terá lugar até Junho do próximo ano, prevê a expansão do projecto até Marracuene e Boane, sendo que a terceira e última será implementada com a chegada do Metro-Bus nas fronteiras de Goba e de Ressano Garcia, bem como ao Município da Vila da Manhiça.

Com projecto integrado de transporte de passageiros, que será implementado pela Fleet Rail, espera-se que sejam transportadas 3.6 milhões de pessoas em 2018, reduzir o tráfego rodoviário nas estradas nacionais número 1 e 4, tornar os transportes públicos mais eficientes e mais seguros, bem como contribuir para a redução dos acidentes rodoviários. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sábado, 16 de setembro de 2017

Moçambique - Pianista Melita Matsinhe prepara concerto em Maputo

A pianista moçambicana Melita Matsinhe apresenta-se no próximo dia 29 de Setembro, em concerto a realizar-se no Teatro Avenida, em Maputo. O evento subordinado ao tema “Flores que nos regam o peito...” terá lugar dias depois da intérprete ter publicado a sua primeira obra poética intitulada “Ignição dos Sonhos”, em cerimónia havida na Fundação Fernando Leite Couto, no dia 24 de Agosto último.
 
Fiel à sua essência artística que nos acostumara, explorando a sua capacidade de espalhar – a partir do palco – o incenso da pureza da alma, em cada espaço onde dialoga com o público, em “Flores que nos regam o peito”, Melita Matsinhe irá encenar e coreografar expressões da cultura moçambicana através da música.

A escolha deste conceito é consubstanciada pelo facto da pianista Melita Matsinhe considerar as manifestações de artes como sendo flores, essências, cores que nos regam o peito e nos alegram a alma, indica uma nota em nosso poder.

Com novas composições musicais entre as quais “Menina do Meu país” e “Gwinya moya wangu”, na sua caixinha de surpresas, a pianista junta no elenco grandes instrumentistas moçambicanos desde o baixista Anselmo, o percussionista Simão Nhacule até o baterista Amade Cossa. Porém, a força da palavra declamada será expressa pelo poeta Eduardo Quive.

Melita Matsinhe é uma vida dedica às artes, daí que nos últimos anos tem ampliado a sua esfera de actuação para o ensino da música, orientando aulas de piano para a criançada através do Centro de Artes Xiluva. O festival Infantil Njingiritana, virado mais para a música e literatura realizado este ano – são a extensão material dessa dedicação. In “Diário de Moçambique” - Moçambique

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Moçambique - Jeremias Langa lança livro em Maputo

Foi lançada na quarta-feira, 13 de Setembro de 2017, em Maputo, a obra “Tendências da Crítica Literária em Moçambique”, da autoria do jornalista Jeremias Langa. Chancelada pela Alcance Editores, o livro conta com o apoio da mcel–Moçambique Celular, no âmbito da sua responsabilidade social corporativa.

Conforme avançou Jeremias Langa, a obra “Tendências da Crítica Literária em Moçambique” é resultante, na verdade, de um trabalho de pesquisa académica para a obtenção do seu grau de mestre, debruçando-se sobre as tendências dominantes da crítica literária em Moçambique e o seu impacto na dinâmica cultural nacional.

Contextualizando a obra, o autor referiu que, “essencialmente, quis estudar os momentos mais marcantes da literatura, ou seja, de uma forma diacrónica, olhando desde o lançamento dos primeiros jornais no final do século 19 e princípios do século 20”.

Nas “Tendências da Crítica Literária em Moçambique”, Jeremias Langa defende que a literatura moçambicana tem as suas raízes no jornalismo. E para chegar a esta conclusão, revelou ter desenvolvido um trabalho de mapeamento desde aquilo que foi a influência do jornalismo na literatura que se faz em Moçambique, como também no seu processo de crescimento até aos dias de hoje.

“Essencialmente faço este olhar, não através dos autores dos livros, mas através das vozes que fizeram a análise dos textos. Portanto, esta obra é uma espécie de metacrítica, na qual observo a literatura a partir dos olhos daqueles que, em determinado contexto histórico, fizeram a análise de várias obras”, explicou.

Intervindo também no evento, o administrador executivo das TDM–Telecomunicações de Moçambique e da mcel, Binda Jocker, assumiu que “é uma honra termos a nossa marca associada a esta obra de grande dimensão, que contribui para o desenvolvimento da nossa literatura”.

De acordo com Binda Jocker, a TDM e a mcel têm dado, ao longo dos anos, uma valiosa contribuição às artes e letras, através de vários projectos nas áreas de literatura e das artes plásticas, dada a importância que elas representam na elevação e dignificação da cultura moçambicana.

“Temos vindo a apoiar a publicação de várias obras literárias, sendo que hoje temos o privilégio de nos associarmos a mais uma importante obra, do nosso conceituado jornalista e agora escritor, Jeremias Langa”, referiu Binda Jocker.

O administrador da TDM e da mcel aproveitou ainda a ocasião para referir que as duas empresas continuarão a dar a sua valiosa contribuição para o crescimento da literatura moçambicana e não só.

“Esperamos também incentivar e estimular o gosto pela leitura nos moçambicanos, o que irá contribuir para o desenvolvimento da educação no nosso país”, manifestou.

Importa referir que o lançamento do livro “Tendências da Crítica Literária em Moçambique” contou com vários convidados, com destaque para ministro da Juventude e Desportos, Alberto Nkutumula. In “Diário de Moçambique” - Moçambique

domingo, 6 de agosto de 2017

Moçambique - Costa Neto canta Mandjolo
















Mandjolo
N'dyaka Mandjolo
Ke mbake
Nd'ya ka Mandjolo

Mandjolo
N'dyaka Mandjolo
Ke mbake
Nd'ya ka Mandjolo

Hantlissa pfana
U ta ndy kuma nddleleny

Hantlissa pfana
U ta ndy kuma nddleleny

Loku ndy sukaka pandeni, mine
Nkwakwanana
Y ngwavela kwapa ndlela
Ndy mu zinguiry, mine

Kodwa u suka Ximbanguine, muzay
N'kwakwanana
Y n'gwavela kwapa ndlela
U mu ndyndyndy wene

Loku ndy sukaka pandeni, mine
Nkwakwanana
Y ngwavela kwapa ndlela
Ndy mu zinguiry, mine

Kodwa u suka Ximbanguine, muzay
N'kwakwanana
Y n'gwavela kwapa ndlela
U mu ndyndyndy wene

Hantlissa pfana
U ta ndy kuma nddleleny

Hantlissa pfana
U ta ndy kuma nddleleny

Ka Zantaca va longolokylè
Ka Zithundu va longa psy djumba
Ku ta buya ny va ka Khatwany
Ndy lêlêtêlêny kôlê ka Tembe

Mandjolo
N'dyaka Mandjolo
Ke mbake
Nd'ya ka Mandjolo

Hantlissa pfana
U ta ndy kuma nddleleny

Hantlissa pfana
U ta ndy kuma nddleleny

A xinguila xy kwyni
Ndy ta kina xigubo
Ka mu khulu
N'davezitha

Na ndy tsimbi bedjwa, kwa nde
Ndy tlhanguela T'rapezulu

Ndy nhiketêny n'duku
N'dy ta vika ma tsôtsy
N'dlelêny, ka Madjuva

Mandjolo
N'dyaka Mandjolo
Ke mbake
Nd'ya ka Mandjolo

Ndy nhiketêny n'duku
N'dy ta vika ma tsôtsy
N'dlelêny, ka Madjuva

Mandjolo
N'dyaka Mandjolo
Ke mbake
Nd'ya ka Mandjolo


Costa Neto – Moçambique



Mandjolo

A música tem o dom de despertar sentimentos, dos melhores até piores. Na abordagem ao Mandjolo, não faço, senão, deixar-me levar por estes sentimentos, pela multiplicidade de espaços que o Mandjolo desperta em mim enquanto canção, e sem fugir claro, a algumas referência a letra da música que me foi gentilmente cedida, pelo próprio Costa Neto.

Para mim, a manifestação mais patente em Mandjolo é, precisamente de rebusque/resgate de imagens de infância, adolescência e espaço que viu nascer Costa Neto.

Há ali, uma espécie de cabra-cega de fixações de espaço, onde se confunde o artista e o homem, divididos entre dois oceanos; uma fixação da saudade pessoal e da terra que o viu nascer.

O enredo psicológico que o Costa traça, obriga-o a segurar o tempo e traz vivências de saudades daquele espaço concreto: Mandjolo, mas também de uma terra que é Moçambique e Maputo particularmente (desde Zitundo, Khatwany a Ka Tembe.)

O refrão, Mandjòlô, Nd'yàkaMandjòlô, Kèm'baku, Nd'yà ka Mandjòlô, (Mandjolo, vou a Mandjolo, irmão, vou a Mandjolo), mostra claramente, a sua ânsia em indicar a direcção da terra onde quer ir, para que rapidamente, o indiquem o caminho.

Nesta sua volta a casa, Costa, deliberadamente cria duas personagens: o do mu fana (rapaz) que tem de o acompanhar e outra, de um autóctone que o dá as coordenadas de como chegar e bem a Mandjolo (Kódwa u suka Ximbanguini, muzay, N’kwãkwãnana Y n'gwavela kwapa ndlela/ U mu ndyndyndy wénè) assim que saíres de Ximbanguini sobrinho é só seguires o caminho (siga em frente), para logo concluir que “você é um ndyndyndy.”

Esta passagem é fundamental para perceber o apego a terra por Costa, pois, logo que chega perto do autóctone e lhe pergunta por Mandjolo, o auctótone, pelas suas falas, apercebe-se logo, que aquele era um ndyndyndy.

Ora, o longo período de tempo que Costa vive na diáspora, o faria certamente perder a sua identidade com a terra que o viu nascer e consequentemente o traquejo da linguagem, mas não, logo que se pronuncia, há um reconhecimento conclusivo de quem ele é; “U mu ndyndyndy wéné”.

Concluiríamos daqui mesmo, que o Costa, nunca se desligou da sua terra, e mais, onde ele vive, vive a ânsia constante de poder pisar a sua terra e isto percebe-se no diálogo que tem com o mu fana, encarregue de o ajudar a chegar a casa, quando diz para aquele: Hantlissa mu pfana, U ta ndy kuma ndlêlêny! (se apresse rapaz que me encontras pelo caminho.)

Neste pedir para que o rapaz (mu fana) se apresse, chega a sugerir que o mesmo corra para rápido chegarem. É a ânsia, o desejo de rever a terra e logo, rever-se. É ele, a voltar ao mesmo tempo e parecendo que não, revê-se no miúdo que o acompanha e compreende naquela caminhada que não pode mais esperar, porque deu toda a sua alma, lágrimas, sobretudo alegria e força ao seu país: Moçambique.

Neste não querer adiar a viagem a Mandjolo, chega a sugerir que o entreguem o bastão para se defender dos bandidos a caminho de Madjuva (Ndy nhiketêny n’duku N’dy ta vika ma tsôtsy N'dlelêny, ka Madjuva), ficando assim claro, que na sua ânsia de querer chegar a terra, até predispõe-se a afastar os perigos pelos seus próprios meios.

Com Mandjolo, Costa nega-se a reconstruir a sua vida ouvida por terceiros; nesta caminhada, propõe-se ele próprio e por seus próprios olhos ir em busca do espaço e das pessoas que o viram nascer e crescer, mesmo que corra o perigo de se encontrar com os bandidos e com todas as consequências que dai podem advir.

Há aqui, uma ideia de identificação de pessoas e lugares e através desta, recuar no tempo e buscar o que é bom, o Xigubo por exemplo, que era dançado na casa do Régulo/chefe /autoridade local o N’davezitha, referenciado na música. (ao ouvir a música, nesta parte, ouve-se o ritmo de Xigubo.)

Costa esculpe no Xigubo, a dança que simboliza as demais da sua infância e juventude, e Mandjolo, como espaço onde se realizou o homem que fez o artista que ele é.

De facto, Mandjolo é pura projecção de si-próprio, da identidade psicológica, da auto afirmação que o faz justamente voltar a terra, para se encontrar consigo mesmo, dai que não se estranhe, que o Costa, seja tido por muitos, como o representante fiel da cultura moçambicana na diáspora, porque lá onde está, apenas vive o físico, porque o psicológico, está neste momento em Mandjolo, ou duvidam?

Há sim saudosismo em Mandjolo, há o fulgor de volta aos espaços, há um sentimento dominante de auto identificação, bem conseguidos pelo alcance estético da música.

E algo engraçado, sempre que escuto esta música, não sei porque magia, volto, as ruelas do meu bairro Polana Caniço, as velhas historias conseguidas por muito sacrifícios de quem as contava, ao inventar e refazer de histórias de vida, o arco-iris das aventuras de outiva de Bud Spencer e Trinita, das ideias envolventes de fugidas para a pista da ATCM e praia de Costa de Sol, das trepadas as árvores de amoras, no Clube (?) de Golfe da Polana (Caniço), do Castiguana maguidjana duro que empurrava a bola de chingufu a ameaçar todos que se faziam a sua frente, do M’bidji bidji, mandyndynde terrível a fisga, enfim, da minha malta da infância, sim, nós também éramos, como o Costa zinguirys, estes pássaros pequenotes que andam em grupos nas machambas e fazem ninhos com capim e flores.

E a ideia de Mandjolo, não será, senão a volta ao ninho floreado deste pássaro, desejoso, de se encontrar com o seu grupo.

Bem-haja o Costa Neto, por este seu apego à terra, por esta evocação a Mandjolo, que no fim ao cabo, é a evocação e construção dos espaços onde cada um de nós cresceu. Há sim, saudosismo puro e positivo em Mandjolo. Amosse Macamo – Moçambique in “modaskavalu.blogspot”