Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 3 de dezembro de 2023

África do Sul - Redescoberta espécie de toupeira-dourada que se pensava extinta

Desde 1936 que a toupeira da espécie Cryptochloris wintoni, conhecida pelo seu pêlo que emite um brilho áureo, por ser totalmente cega e por parecer ‘nadar’ pelas dunas arenosas, não era avistada.


Contudo, uma investigação de conservacionistas e geneticistas da organização não-governamental Endangered Wildlife Trust (EWT) e da Universidade de Pretória voltaram a descobrir, na África do Sul, esta espécie classificada como ‘Criticamente em Perigo’ pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN).

Num artigo publicado na revista ‘Biodiversity and Conservation’, é revelado que a presença desta espécie e de alguns indivíduos foram detetados graças à utilização de técnicas de análise de ADN ambiental recolhido do solo e de um cão Border Collie que ajudou os investigadores a seguirem as pistas odoríferas deixadas por este animal críptico.

De acordo com os cientistas, esta toupeira, também vulgarmente conhecida como toupeira-dourada de De Winton, foi vista pela última vez, há mais de 80 anos, na localidade costeira sul-africana de Port Nolloth, uma região que tem sido alvo de uma “transformação radical dos habitats” devido à exploração de diamantes, algo que “representa uma ameaça significativa” para esta espécie.

É um animal que não é facilmente observado. Além de viver em tocas subterrâneas, tem uma audição extremamente apurada e é capaz de detetar vibrações produzidas por movimento à superfície, que os investigadores dizem ajudar essas toupeiras a manterem-se escondidas de potenciais predadores.

“Além disso, também raramente deixam para trás túneis que sejam visíveis desde a superfície à medida que se movem pela areia”, explicam em comunicado.

Através da recolha de mais de 100 amostras de solo em junho de 2021, em praias e dunas na costa noroeste de África do Sul, incluindo Port Nolloth, e da sua análise genética, a equipa confirmou a presença da espécie que estaria extinta, bem como de outras espécies de toupeiras-douradas, como a Chrysochloris asiatica, a Eremitalpa granti e a Cryptochloris zyli, sendo essa última também ameaçada de extinção.

“Embora muitos duvidassem que a toupeira-dourada de De Winton ainda andasse por aí, eu acreditava que a espécie ainda não se tinha extinguido”, admite Cobus Theron, gestor de conservação da EWT e um dos autores do artigo.

Para o especialista, era uma questão de tempo e de usar o método de deteção certo até que se voltasse a registar a presença desse animal esquivo, e o ADN ambienta provou ser a melhor abordagem, uma vez que é amplamente usada para descobrir vestígios de espécies que normalmente são difíceis de observar em contexto selvagem.

Embora a toupeira-dourada de De Winton tenha uma área de distribuição mais ampla do que se pensava, os cientistas dizem que não é uma espécie que se possa considerar ser abundante. Como tal, esperam que os resultados do trabalho possam evidenciar a necessidade e até urgência de criar e implementar medidas que ajudem a proteger esta espécie, uma vez que parece apenas ocorrer numa região fortemente pressionada pelas atividades humanas, para que não desapareça de vez. Filipe Rações – Portugal in “Green Savers”


 

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Brasil - Redescoberta espécie de azevinho que não era avistada há quase 200 anos

Foi em Igarassu, no estado brasileiro de Pernambuco, que uma equipa de cientistas redescobriu uma espécie de azevinho (Ilex sapiiformis) que há 186 anos não era avistada e que, por isso, se pensava estar extinta na Natureza.


Esse foi o resultado de uma investigação científica, liderada pelo ecólogo Gustavo Martinelli, que se apoiou na análise de espécimes antigos e em registos de avistamentos do último meio século.

Depois de seis dias em buscas no terreno, a equipa, no passado dia 22 de março, encontrou, por fim, quatro árvores de I. sapiiformis, numa área que em tempos fora mata atlântica, mas que agora é dominada por uma paisagem predominantemente urbana intercalada com plantações de cana-de-açúcar.

Pensava-se que esta espécie de azevinho teria mesmo sucumbido à extinção, mas não havia ainda evidência científicas incontornáveis que o confirmassem. Por isso, foi incluída na lista das espécies de animais e plantas perdidas mais procuradas pelos especialistas do projeto global ‘Search for Lost Species’, uma iniciativa da Re:wild e da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Desde que o projeto arrancou em 2017 já foram redescobertas nove espécies que se pensava terem desaparecido para sempre.

Embora a redescoberta da I. sapiiformis dê alguma esperança aos botânicos e ecólogos, pois, afinal, a espécie não está extinta, Martinelli avisa que não é motivo para respirar de alívio. “Pode estar à beira da extinção, porque, pelo que sabemos, só existem quatro indivíduos da espécie”, afirma, citado em nota da Re:wild, acrescentando que o quarteto sobrevivente se encontra numa “área de floresta ripícola degradada, apesar de estar protegida por lei”.

Exemplares da I. sapiiformis foram recolhidos pela primeira vez em 1838, pelo naturalista George Gardner, tendo a espécie sido oficialmente descrita 25 depois por Siegfried Reissek. Pensava-se que a coleção de Gardner era o único avistamento confirmado da espécie, mas a análise de espécimes de coleções no Brasil revelou dois espécimes de I. sapiiformis que não tinham sido identificados: um recolhido em 1962 e outro em 2007.

Cruzando os registos históricos com os espécimes recolhidos, a equipa conseguiu redescobrir uma espécie vegetal que se pensava ter desaparecido completamente.

“Encontrar uma espécie da qual não se ouvia falar há quase 200 anos não é algo que aconteça todos os dias”, confessa Juliana Alencar, outra das investigadoras envolvidas nesta demanda.

Segundo informações divulgadas pela Re:wild, os quatro espécimes estão a ser acompanhados de perto por especialistas do Jardim Botânico do Recife, que todas as semanas regressam ao local onde foram encontrados. O objetivo é recolher sementes dessas árvores e plantar novos indivíduos para ajudar a recuperar a espécie.

E o trabalho não está terminado. A equipa pretende continuar a procura por outros indivíduos remanescentes de I. sapiiformis, e criar um programa de reprodução em cativeiro da espécie.

“Mesmo quando uma planta não tem avistamentos confirmados em 186 anos, pode, ainda assim, subsistir nos últimos vestígios do seu habitat natural algures, e esta árvore é um excelente exemplo da importância de continuar a procurar”, salienta Christina Biggs, do programa de espécies protegidas da Re:wild. Filipe Rações – Portugal in “Green Savers”


quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Irão - Descoberta nova espécie de ‘tarântula dourada’

De nome comum tarântula-dourada-da-pérsia, a nova espécie de aracnídeo (Chaetopelma persianum) foi encontrada no nordeste do Irão. Um corpo repleto de pelos densos e dourados distingue-a de qualquer outra espécie que até então era conhecida da Ciência, pelo que os investigadores souberam de imediato que estavam perante algo totalmente novo.


Num artigo publicado esta terça-feira na revista “Zookeys”, Alireza Zamani, da Universidade de Turku, na Finlândia, e Rick West, investigador canadiano independente, revelam que apenas tiveram de recolher e estudar um espécime para saberem que se tratava de uma espécie que ainda não tinha sido descrita.

A tarântula-dourada-da-pérsia pertence ao género Chaetopelma, cuja distribuição se estende pelo Sudão, pela ilha grega de Creta e por parte do Médio Oriente. Segundo os cientistas, esse é um de apenas dois géneros de tarântulas que ocorrem na região do Mediterrâneo.

A nova espécie é a primeira do género Chaetopelma a ser identificada no Irão e a terceira espécie de tarântula a ser encontrada no país. A sua designação científica é uma referência ao nome pelo qual o Irão era conhecido no passado: Pérsia.

De acordo com os investigadores, esta tarântula vive em tocas que escava no solo e pode ser encontrada em zona montanhosas repletas de vegetação, sobretudo rasteira, como a região norte da Cordilheira de Zagros, onde os cientistas a descobriram.

A procura científica em busca da nova espécie foi catapultada por uma fotografia que Zamani recebeu de um naturalista amador iraniano, Mehdi Gavahyan. A imagem captava um macho, e Zamani percebeu que muito provavelmente era uma espécie desconhecida, tendo pedido a Gavahyan e a outro naturalista local, Amir Hossein Aghaei, que procurassem mais espécimes e que os enviassem para a Finlândia.

Contudo, a dupla de entusiastas da Natureza apenas conseguiu recolher um espécime, uma fêmea, que viria a confirmar que, realmente, era uma nova espécie do género Chaetopelma. Ainda assim, os investigadores receberam outras fotografias de tarântulas tiradas por cidadãos, no Irão e também no Iraque, que muito provavelmente seriam membros da nova espécie, mas não conseguiram ainda confirmá-lo.

Os cientistas acreditam que mais estudos na Arábia Saudita, na Síria, no Iraque, no leste da Turquia e no oeste do Irão poderão resultar em mais registos de espécies do género Chaetopelma ou até mesmo na descoberta de novas espécies. Filipe Rações – Portugal in “Green Savers”


sábado, 28 de agosto de 2021

Angola – Zitsombe espécie em via de extinção

Chama-se Zitsombe, é uma espécie de larva subtraída das palmeiras e é muito apreciada pelos angolanos, sobretudo os cidadãos do Norte do país.

O Zitsombe, consta há já algum tempo na Lista Vermelha das espécies vulneráveis ameaçadas de extinção.

De acordo com a Direcção Nacional de Biodiversidade do Ambiente, a classificação da Zitsombe como pertencente à categoria C da lista de espécies vulneráveis prende-se com o seu elevado consumo e a fraca reprodução.

Os riscos de extinção da espécie, segundo o responsável da Direcção Nacional de Biodiversidade do Ambiente, Nascimento António Kadima, reside no facto de as larvas adultas estarem a desaparecer e não haver reprodução.

O responsável apelou, no entanto, para a conservação e protecção da Zitsombe, de formas a que não seja extinta. In “AngoNotícias” - Angola

 

domingo, 19 de julho de 2020

Brasil - Há esperança para o maior golfinho de água doce do mundo



No Brasil, há pescadores que os caçam e matam ilegalmente, transformando-os em isco para um peixe-gato a que chamam piracatinga. Isto está a pôr a espécie numa situação de extrema vulnerabilidade. Em Janeiro deste ano, deixou de estar em vigor uma moratória contra a pesca de piracatinga. Ambientalistas e investigadores têm apelado à sua renovação. “São criaturas muito especiais, extremamente inteligentes e podem demonstrar um conjunto de comportamentos semelhante ao dos humanos”, disse Natanael dos Santos, da Reserva Mamirauá, dirigida pelo instituto de investigação Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia (INPA), citado pelo site científico Mongabay.

Depois de meses de impasse, a Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura prorrogou, este mês, a medida por mais um ano. A decisão vale em todo o Brasil e vai permitir avaliar a recuperação das espécies usadas como isca da piracatinga. Além do boto-cor-de-rosa, eram vítimas também o boto tucuxi (Sotalia fluviatilis) e algumas espécies de jacarés.

É um novo fôlego – ainda que, mais uma vez, com prazo de validade. Os especialistas estavam a alertar que deixar de prorrogar a moratória poderia levar à extinção do maior golfinho de água doce do mundo. Assim, a moratória foi agora prorrogada até junho de 2021, mas os investigadores argumentam que seriam necessários mais cinco anos para avaliar se a medida dará resultado.

“Nem todos os objectivos da moratória foram cumpridos”, alerta Vera da Silva, investigadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia (Inpa), que estuda os botos-cor-de-rosa há mais de 30 anos. “Precisamos de melhores informações sobre as práticas de pesca. As leis não são fortes o suficiente para obrigar os pescadores a relatar o que capturam”, disse a cientista, citada pelo site Mongabay.

De todas as espécies de golfinhos de rio, o boto-cor-de-rosa da Amazónia é a maior: os machos podem chegar a medir 2,5 metros de comprimento e pesar até 200 quilos. As fêmeas, um pouco menores, chegam a medir 2,2 metros e a pesar 150 quilos. O corpo é flexível, visto que precisam de ser ágeis para se desviarem de obstáculos, como troncos caídos na água, e para capturar as suas presas. Além de peixes, eles podem comer também moluscos e crustáceos.

O que distingue estes golfinhos de outros é a lenta transformação de cinzento para cor-de-rosa, à medida que vão envelhecendo. O seu comportamento e exposição à luz solar também têm influência na mudança de tom do boto cor-de-rosa — ou “boto vermelho”, como é conhecido no Brasil. Apesar de todos os esforços por parte de investigadores e ambientalistas para impedirem o seu desaparecimento, este mamífero encontra-se “em perigo de extinção” na lista vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). In “Green Savers Sapo” - Portugal

sábado, 11 de julho de 2020

Brasil - O Mico-leão-dourado ainda resiste à extinção



É uma das espécies de primatas mais ameaçadas. A população reduzida e o habitat fragmentado impedem o crescimento da população. Nativo das florestas tropicais brasileiras restam apenas 2 a 3% do seu habitat original. É uma espécie incluída no apêndice I da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção).

A febre amarela está a colocar em risco a recuperação do Mico-leão-dourado. Em maio de 2018, a primeira morte de um exemplar da espécie foi registada no ambiente natural após um surto da doença no Brasil. Cerca de 32% da população desapareceram no ano seguinte. Segundo os especialistas, a doença pode fazer retroceder em trinta anos os esforços de conservação da espécie.

A pelagem é dourada com uma longa juba da mesma cor. O pelo é sedoso e brilhante. Machos e fêmeas são semelhantes. A cauda e as patas anteriores podem ter pelagem castanha ou negra. Tem unhas em forma de garra como adaptação à obtenção de alimento.

Vive em pequenos grupos familiares em que há apenas um par reprodutor, sendo este o casal dominante. Prefere a copa das árvores entre os 3 e os 10 metros de altura e dorme em grupo numa cavidade natural de um tronco. Usa uma grande diversidade de vocalizações para comunicar.

O Mico-leão-dourado pode reproduzir-se uma ou duas vezes por ano e os períodos de reprodução vão de setembro a novembro e de janeiro a março. Não há diferenciação de cor e tamanho entre machos e fêmeas e, quando nascem as crias, tanto o pai quanto a mãe ajudam na criação. In “Green Savers Sapo” - Portugal

domingo, 10 de março de 2019

Brasil - Possui entre 15% e 20% da diversidade biológica mundial



O uso sustentável de recursos naturais é crítico para gerações atuais e futuras do Brasil. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, para que isso seja possível, ao mesmo tempo que se monitora a perda da biodiversidade e se trabalha nos esforços de conservação, é crucial compreender primeiro os recursos da nação.

Entre 15% e 20% da diversidade biológica do planeta é encontrada no país, que tem mais de 120 mil espécies de invertebrados, cerca de 9 mil vertebrados e mais de 4 mil espécies de plantas. De acordo com o Pnuma, o Brasil está no topo dos 18 países megadiversos.

A agência aponta uma média de 700 novas espécies animais descobertas todos os anos no Brasil.

Para o Pnuma, armazenar todas as informações de maneira que possam ser utilizadas é um desafio enorme, especialmente considerando o tamanho do país e o número de instituições envolvidas na pesquisa sobre biodiversidade.

A coordenadora geral de biomas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil, Andrea Nunes, explica que “quando a informação é espalhada através das diferentes instituições, fica mais difícil de localizar ela, julgar a qualidade dos dados e compreender como ela pode ser utilizada.” Fora isso, a também coordenadora do projeto Sistema de Informação de Biodiversidade Brasileira, diz que o “tempo necessário para compilar os dados pode tornar ineficiente o seu uso, como é o caso nas políticas públicas.”

Andrea Nunes destaca, como exemplo, o caso do mapa das áreas prioritárias para conservação, uso sustentável e benefício de compartilhamento da biodiversidade. Segundo ela, o mapa é uma ferramenta de política pública para apoiar os processos participativos de tomada de decisão, como a criação de áreas protegidas.

Como aponta a especialista, o “desenvolvimento deste mapa pode levar dois anos, por isso ele é atualizado a cada quatro ou cinco anos, o que é muito tempo quando se pensa em termos de dinâmica territorial e mudanças no uso da terra.”

Mas, com o apoio do Pnuma e o Fundo para o Meio Ambiente Mundial, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil está trabalhando para mudar esse cenário, criando o recurso mais abrangente do país sobre a biodiversidade nacional.

O Sistema de Informação de Biodiversidade Brasileira atualmente reúne data e informação de mais de 230 instituições, de universidades a centros de pesquisa, museus, agências estatais, jardins botânicos e zoológicos.

Operando desde novembro de 2014, o sistema tem como objetivo apoiar a ciência, a política pública e a tomada de decisões relacionadas à conservação do meio ambiente e o uso sustentável de recursos naturais.

A meta é alcançada incentivando e facilitando a digitalização e a publicação on-line, integrando dados e informações de acesso aberto da biodiversidade brasileira.

Usos

Como aponta o Pnuma, para os pesquisadores, o sistema é um ativo inestimável. Um cientista pesquisando um animal em extinção como o lobo-guará, por exemplo, pode agora encontrar informações abrangentes sobre a espécie. Além disso, ele pode divulgar o seu próprio trabalho para um público mais amplo de pesquisadores em todo o mundo.

O sistema também tem outros usos práticos. Os agricultores por exemplo, podem usar a plataforma para ajudar a calcular os créditos de compensação ambiental ou para decidir em quais espécies devem priorizar os esforços de recuperação.

Entre estas está a flora em extinção, ou plantas que fornecem abrigo e alimento para espécies ameaçadas da vida selvagem na região. Outro benefício é que qualquer usuário pode contribuir com o sistema enviando fotografias, documentação e informações sobre a biodiversidade por meio do programa Ciência Cidadã.

Para a representante do Pnuma no Brasil, Denise Hamú, a “implementação do Sistema de Informação da Biodiversidade Brasileira é um passo importante em direção à disseminação de dados biológicos no país, tanto para a pesquisa acadêmica quanto para o gerenciamento ambiental.” A representante acrescenta que o “o sistema é cada vez mais relevante para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e a conservação da natureza.”

O banco de dados do sistema já conta com mais de 15 milhões de registros sobre a ocorrência de espécies brasileiras publicadas pelas principais instituições brasileiras de pesquisa. Entre elas estão o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

O sistema também possui dados obtidos em parcerias com herbários na Europa e nos Estados Unidos. Parte dessa informação apoiou a criação de uma ferramenta chamada Biodiversidade e Nutrição, que fornece um banco de dados sobre a composição nutricional de espécies nativas brasileiras. In “Mundo Lusíada” - Brasil

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Madeira - A foca mais rara à face da Terra encontra-se no arquipélago

Em trinta anos, a investigação com o mais esquivo mamífero marinho do território português avançou extraordinariamente. As focas-monge são agora um tesouro bem mais conhecido



Navegando nas águas envolventes de uma ilha paradisiacamente florestada, a tripulação da caravela que se encontrava sob comando de João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo, os melhores navegadores e cartógrafos portugueses do início do século XV, mostrou-se perplexa. O som intenso e assustador semelhante a uivos de lobos que provinha daquelas margens rochosas despertava um misto de emoções. Repletos de medo, mas movidos pela curiosidade, estes marinheiros foram ao encontro do que seria o primeiro contacto do povo lusitano com uma população de lobos-marinhos.

Pouco tempo foi necessário para perceberem que estes seres estranhos, monstruosos e assustadores, tinham afinal de contas características bastante dóceis. Com a descoberta de um novo recurso de fácil exploração, iniciou-se um massacre que levou uma comunidade com cerca de dois mil animais à beira da extinção. Procurado pela sua pele que fornecia um excelente couro e pela gordura, usada nos sistemas de iluminação e cosmética, o lobo-marinho foi um dos primeiros produtos obtido e comercializado do Novo Atlântico para a Europa.

A foca-monge do Mediterrâneo (Monachus monachus), aqui também conhecida como lobo-marinho, é a foca mais rara à face da Terra. No ano de 1996, foi classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza como espécie ameaçada em Perigo Crítico e, desde 2015, passou a Ameaçada. É protegida por diversas convenções internacionais, por legislação nacional e regional.

Outrora abundante e dispersa por toda a bacia do Mediterrâneo, mar Negro, costa atlântica africana, arquipélagos das Canárias, Açores e Madeira, a espécie terá actualmente cerca de quinhentos indivíduos confinados em escassas regiões, como alguns países do Mediterrâneo, a Mauritânia e o arquipélago da Madeira. Lamentavelmente, hoje restam apenas alguns sobreviventes nas Desertas e mesmo na Madeira.

Este mamífero marinho de porte imponente, um dos maiores da família dos focídeos, pode atingir três metros de comprimento e pesar trezentos quilogramas. Uma constituição física assim requer alimento em abundância e se há aspecto com que os lobos-marinhos não brincam são as suas refeições. Apneístas exímios, mergulham por mais de quinze minutos em fundos rochosos e baixios próximos da costa, de forma a garantir peixe variado, cefalópodes e alguns crustáceos no seu cardápio. Quando esgotados das suas caçadas, estes seres admiráveis podem desfrutar de longas sestas no fundo marinho, retomando pontualmente o fôlego à superfície, sem acordar.

Vivem 20 a 25 anos solitários, o limite da sua longevidade, mas tornam-se mais gregários na época de criação. Durante esta fase, procuram praias abrigadas no interior de grutas ou mesmo praias abertas para acompanharem as suas crias durante quatro meses.

À semelhança dos humanos, o período de gestação é de nove meses. A fecundação ocorre quando os machos, sorrateiramente, tentam a sua sorte na fase mais receptiva das fêmeas. Ou seja, durante as brincadeiras e ensinamentos das progenitoras com os seus descendentes no mundo subaquático.

As gotas de humidade formadas pela condensação caíam no chão, marcando o compasso daquilo que parecia ser um filme de suspense. Passo a passo, Rosa Pires, bióloga do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM e coordenadora do projecto LIFE para esta espécie, e o vigilante da natureza Sérgio Pereira, mergulhados na escuridão de um covil, avançavam cautelosamente para não acordarem o seu morador de garras e dentes afiados. Sem que ninguém desse conta, de cada vez que a bióloga pousava na rocha uma caixa estanque com equipamento, gerava-se ruído. “Pára tudo, olha!”, sussurrou Sérgio, enquanto deu uma cotovelada à bióloga. Naquele instante, o corpo da investigadora foi dominado por arrependimento dos pés à cabeça.

As intempéries constantes que se fizeram sentir na Primavera do ano 2018 levaram a uma quebra de protocolo necessária em prol do estudo dos animais mais emblemáticos da região. Sem lanternas e sabendo da existência de um lobo-marinho no interior daquela gruta, os dois conservacionistas decidiram prosseguir com a operação, acreditando que não iriam perturbar o animal. Não podiam estar mais enganados!

O coração da bióloga palpitava com mais força à medida que o volume de calor apresentado pelo monitor do sensor térmico que segurava na mão aumentava e se deslocava na sua direcção.

“Ficámos completamente paralisados, quando a escassos centímetros de nós, sentimos um respirar pesado, com hálito semelhante ao odor de uma tonelada de peixe podre”, contou. Felizmente, a única intenção desta foca incomodada pelo barulho, foi a de abandonar o local. Sem mais demoras, Sérgio Pereira e Rosa Pires apressaram-se a concluir a instalação de um sistema pioneiro para monitorizar esta espécie. 

No ano crítico de 1988, quando restavam apenas oito focas-monge no território português, foi criado um Programa de Conservação pelo Serviço do Parque Natural da Madeira, com o objectivo de proteger esta espécie e o seu habitat. Ao longo das últimas três décadas, superando todas as expectativas, os trabalhos de monitorização e acções de educação e sensibilização ambiental tornaram a recuperação desta população uma verdadeira história de sucesso internacionais. “São seres extremamente resilientes que têm vindo a concretizar os nossos desejos mais ambiciosos”, explicou a bióloga, sorridente e orgulhosa.

Durante os primeiros anos, a equipa do projeto, consciente da árdua missão que tinha pela frente, dizia com frequência, em tom de brincadeira, que um dia avistariam lobos-marinhos em terra firme ou que estes haveriam de regressar das Desertas à Madeira. Afinal, essa presença chegou a ser numerosa. O próprio topónimo de Câmara de Lobos remete para uma época em que estas focas se banhavam nas praias da Madeira.

Por vezes, os sonhos tornam-se realidade. Aquilo que um dia não passava de ilusão, hoje sucede apesar de a espécie continuar a lutar pela sobrevivência. A interacção de lobos-marinhos com actividades piscatórias da região provocou a sua mortalidade acidental e intencional. Mais recentemente, a pesca ilegal é o maior factor de ameaça.

Longos foram os dias a percorrer a reserva marinha “Costa de las Focas”, na península de Cabo Branco, enquanto acompanhavam os trabalhos de campo da Fundação CBD-Habitat. Rosa Pires e a sua equipa estavam absolutamente maravilhados com os métodos inovadores que esta organização não-governamental desenvolvera para a proteção da foca-monge na Mauritânia. Perceberam de imediato que era imprescindível replicar tais operações na população madeirense. Após discutido o assunto, foi ali, em terras áridas do Noroeste africano que nasceu a ideia do que viria a tornar-se em 2014, o projeto LIFE Madeira Lobo-marinho, cofinanciado pelo instrumento financeiro do programa LIFE da União Europeia: uma parceria entre o IFCN, IP-RAM e a Fundação CBD-Habitat.

Na génese, o Projecto Life pretendia apurar de forma eficaz o estado de conservação da espécie M. monachus. Os conservacionistas, porém, estavam longe de imaginar as descobertas incríveis que este estudo viria a revelar ao mundo. Tratando-se de uma espécie com um efeito populacional reduzido devido à acção humana, os novos sistemas de monitorização não invasivos implicam a utilização de câmaras fotográficas automáticas e um sistema de rastreamento por GPS via satélite.

No primeiro caso, os aparelhos foram instalados nos abrigos mais frequentados por estes animais: quatro grutas e uma praia nas Desertas e duas grutas na ilha da Madeira. Uma vez que as grutas se encontram em escuridão total (o ambiente escolhido pelos lobos-marinhos), são disparados flashes infravermelhos de forma a captar imagens sem incomodar quem ali descansa. Para eliminar os resíduos de sal que se vão acumulando nas lentes, é utilizado um sistema de limpeza composto por tanques de água e um programador de rega. Com uma autonomia de largos meses, estes dispositivos são visitados apenas pontualmente para a recolha de imagens e possível manutenção.

Outro método implica a colocação de uma pulseira para recolha de informação sobre os movimentos dos animais no mar. Na verdade, é um jogo de paciência. Pela calada e com mestria de arte ninja, biólogos e vigilantes da natureza colocam pulseiras de cabedal num dos membros posteriores dos animais. Fixados a estas pulseiras, encontram-se dispositivos de GPS e TDR que registam dados de localização, tempo e profundidade. Quando chega a altura certa, as pulseiras são recolhidas da mesma forma que foram instaladas.

Deliciados com os resultados apurados, os investigadores tentavam controlar as suas emoções para não transformarem o escritório num salão de festas. Todas as conjecturas, baseadas nos trabalhos com métodos mais simples como a monitorização através da observação directa destes animais, ao longo de três décadas, estavam agora confirmadas cientificamente. “Valeram a pena todos os segundos das incontáveis horas, sentada naquele rochedo e de binóculo a olhar o mar”, conta Rosa Pires, com alguma nostalgia. Não existe espaço para dúvidas. Uma população que quase desapareceu do nosso planeta, hoje, embora ainda muito frágil, conta com exactamente 25 indivíduos.

À medida que os computadores descodificavam informação, a equipa surpreendia-se mais. “Foi pura magia ver pela primeira vez aquelas crias com apenas algumas horas de vida, no interior das grutas”, confessou a investigadora. Através da utilização destas câmaras, é agora possível acompanhar o número de nascimentos de forma mais precisa.

Sabia-se que as focas-monge tinham regressado recentemente à Madeira, após décadas de isolamento nas Desertas. Contudo, através do sistema GPS, foi possível constatar que estes animais batem recordes de maratonas aquáticas. No espaço de apenas um mês, são capazes de realizar dezenas de viagens entre as ilhas.

A cereja no topo do bolo deste projecto foi a revelação de comportamentos de mergulho que se encontravam guardados como segredos de deuses. Até aqui, acreditava-se que não passariam de 120 metros de profundidade. Agora, sabe-se que nadam com regularidade pelos fundos, a 200 e a 300 metros, atingindo a incrível profundidade máxima de 394 metros, o maior registo apurado para esta espécie.

O lobo-marinho é um predador que está no topo da cadeia alimentar. A sua presença indica que estamos perante um habitat bem preservado. Com o tempo, a luta pela sua conservação tem vindo a mudar mentalidades e os madeirenses hoje reconhecem-se nesta história de sucesso, motivo de orgulho para a ciência local e um verdadeiro ícone do território.

Numa época em que o turismo de natureza é visto como uma estratégia eficaz para o desenvolvimento económico, a protecção de pérolas do património natural português, como as focas que uivam como lobos, é fundamental. João Rodrigues – Portugal in “Sapo” com "National Geographic"

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Angola - Nova espécie de sapo pigmeu

"Nova espécie de sapo pigmeu encontrada em Angola - uma bizarria da natureza que está a deixar os cientistas perplexos"

"As décadas de guerra que atravessaram a história recente de Angola produziram quase em exclusivo sofrimento e miséria, mas há um cantinho dessa mesma história para encaixar as coisas que, em muitos casos, provavelmente, só ainda existem por causa dos conflitos que subsistiram até 2002. E qui se relata um desses exemplos."



É uma criatura anfíbia pequenina, mesmo muito pequenina, que deixou o mundo da ciência em sentido para ouvir do que se tratava.

Não é já novidade que Angola é um dos países em África que mais interesse desperta no seio da comunidade científica que se dedica ao estudo da biodiversidade e à procura por novas espécies, algumas delas que se pensava estarem extintas, como foi o caso da rara palanca negra gigante, entre tantas outras.

Como a National Geographic Society revelou no início deste ano, depois de concluir, ao fim de quase três anos de investigação no terreno, entre 2015 e 2017, foram encontradas, no sudeste do país, englobado ainda faixas de território da Namíbia e do Botsuana, mais de mil espécies de aves, mamíferos e repteis, incluindo 24 novas para a ciência e, algumas delas, encontradas em zonas que só ficaram intocáveis devido à guerra, permitindo a algumas espécies animais, mas também plantas, sobreviver até aos dias de hoje quando desapareceram de outros locais no mundo.

Mas antes, tinha sido divulgada a descoberta, no Kwanza Sul, de um primata novo para a ciência, que, a par daquele que agora, segundo o sítio Science Daily, é a última das descobertas angolanas - o tal anfíbio que deixou o universo científico à escuta e atento para ouvir novidades -, podem ser os mais importantes tesouros da biodiversidade angolana.

Quando o encontraram, os investigadores perceberam que era da família das jágaras (Galago), um primata relativamente comum na África subsaariana e abundante nas florestas austrais do continente, mas depois deram conta que estavam perante uma nova espécie.

À semelhança dos seus parentes, esta espécie anã de jágara, tem olhos grandes esbugalhados, comuns em animais nocturnos e comunica com um estridente chamamento seguido de estalidos, como explicou na altura a New Cientist no seu sítio.

Mas se esta descoberta foi um feito notável para a vida selvagem, pode durar pouco porque os investigadores que descobriram o animal, deram também de caras com o rápido desaparecimento do seu habitat, o que coloca em risco o futuro desta espécie.

A descoberta, feita por investigadores da Oxford Brookes University, do Reino Unido, foi colocada no ramo familiar das jágaras, em primeira instância, porque a forma como comunicam entre si é muito semelhante aos restantes ramos da família sobejamente conhecidos.

A grande diferença é o seu tamanho, três vezes maior que os até agora conhecidos, o que, segundo Magdalena Svensson, da equipa que fez a descoberta, citada, no ano passado, pela New Cientist, coloca algumas dúvidas na sua classificação, porque tende a sair dos requisitos para a lista das jágaras anãs.

Os investigadores observaram em Angola 36 indivíduos, mas ainda se sabe muito pouco sobre os seus hábitos alimentares ou sociais.

O que se sabe de forma muito clara, apontou Magdalena Svensson é que o habitat deste primata está a desaparecer rapidamente devido ao desmatamento e à desflorestação provocados pelos madeireiros e pela apanha de lenha para usar como combustível directo ou na forma de carvão.

O pequeno sapo que só existe no sul de Angola

A última novidade da biodiversidade angolana, agora revelada, segundo o site da Science Daily, é um sapo pigmeu que viveu até hoje escondido do mundo nas montanhas do Namibe, num pico isolado na Serra da Neve.

Este pequeno anfíbio vive em zonas ligeiramente húmidas, debaixo de pedras e folhagens, e distingue-se dos "primos" de todo o mundo por causa da ausência de ouvidos.

Foi descoberto por uma equipa internacional de cientistas e investigadores em 2016 naquele que é um dos picos montanhosos mais altos de Angola, a mais de 1 500 metros de altitude, tendo a particularidade de estar geograficamente isolado de outros motes e picos.

E é, por isso, o "berço" ideal para procurar novas espécies porque permitem que algumas evoluam em sentidos diferentes e com particularidades que, por vezes, confundem a ciência, como é o caso deste sapo pigmeu que os seus descobridores baptizaram com o nome científico de Poyntonophrynus pachnodes.

Na composição da equipa de investigadores, estão cientistas do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (Angola), Universidade Villanova e do Museu de História Natural da Florida (EUA), do  Museu Nacional de Historia Natural e da Ciência e do Centro de Estudos em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Portugal), tendo sido o estudo publicado no jornal ZooKeys.

Depois do trabalho no terreno, os investigadores procederam a diversos testes, genéticos e outros, aos anfíbios e repteis encontrados para determinar laços familiares com outros existentes no mundo conhecido, tendo sido através de uma técnica de tomografia computorizada de alta resolução que foi provada a ausência de ouvidos neste sapo pigmeu.

E foi essa particularidade - não possui ouvido interno e externo - que permitiu distinguir esta de outras espécies de sapos pigmeus, tendo ainda sido determinado que evoluiu de outra espécie com ouvidos completamente formados.

Com esta descoberta, sobe para cinco o número de espécies de sapos pigmeus, sendo que esta, o Poyntonophrynus pachnodes, com apenas 31 mm de comprimento, é a única sem ouvidos entre os que foram já identificados nesta região africana composta pelo sudoeste de Angola e noroeste da Namíbia, alinhando, todavia, com os seus "primos" locais no gosto por locais, ao contrário dos que existem no resto do mundo, mais áridos que o normal, o que os aproxima das preferências típicas dos lagartos.

Uma das conclusões imediatas deste estudo e desta descoberta é que as denominadas ilhas-montanha, como é o pico onde o Poyntonophrynus pachnodes foi encontrado, devem merecer especiais cuidados no que toca à preservação da biodiversidade, porque, devido às suas características geográficas - isolamento - são locais especiais no que diz respeito à evolução das espécies.

Para além da constituição física deste sapo pigmeu exclusivamente angolano, há uma dúvida que está a deixar os cientistas intrigados: como é que ele faz para conseguir encontrar parceiros para se reproduzirem?

Isto, porque se sabe que a totalidade dos outros sapos com ouvidos encontram os parceiros sexuais através de um chamamento sonoro e estes, por uma qualquer bizarria evolutiva, conseguem fazê-lo sem ouvidos. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal”

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Ilhas Salomão – Nova espécie de rato recenseada no arquipélago

Um rato com quase meio metro de comprimento capaz de roer cocos é a mais recente espécie recenseada nas Ilhas Salomão, no Pacífico, num estudo publicado hoje no Jornal de Mamologia, a ciência que estuda os mamíferos



Seguindo rumores que ouvira há vários anos, o investigador Tyrone Lavery, do Museu Field, de Chicago, encontrou exemplares da espécie que os habitantes locais já conheciam e chamavam "vika".

"Quando me encontrei pela primeira vez com habitantes da ilha de Vangunu, no arquipélago das Salomão, falaram-me de um rato nativo da ilha e que vivia nas árvores", lembrou, afirmando que o procurou desde 2010.

Lavery chegou a por em causa que se tratasse de uma espécie nova, admitindo que os habitantes chamavam "vika" a ratos pretos.

A maneira de o animal se mover por cima das árvores dificultou ainda mais a descoberta, mas o "Uromys vika" acabou por aparecer, quatro vezes mais pesado que as espécies europeias, chegando a pesar cerca de um quilo.

Por se tratar de ilhas, animais com características únicas puderam desenvolver-se, o que possibilitou a sobrevivência da espécie agora identificada. In “24Sapo” - Portugal