Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Moçambique - Paulina Chiziane e Mia Couto inspiram tese de doutoramento de docente da UniLicungo em Portugal

Os escritores moçambicanos Paulina Chiziane e Mia Couto tornaram-se tema de uma investigação de doutoramento defendida pelo docente Joel António Tiago, da Faculdade de Educação da Universidade Licungo, na Universidade de Aveiro, em Portugal.


A tese, intitulada “A Identidade Cultural, Política e Religiosa em Paulina Chiziane e Mia Couto”, foi defendida na tarde de 6 de Maio de 2026, no âmbito do Doutoramento em Estudos Literários, especialidade em Literaturas em Língua Portuguesa, sob orientação científica do Professor Doutor António Manuel Ferreira.

Segundo a UniLicungo, a investigação procurou analisar a representação da identidade cultural, política e religiosa de Moçambique através das obras O Sétimo Juramento, de Paulina Chiziane, e Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, de Mia Couto.

O estudo teve ainda como objectivo identificar e descrever as principais marcas da moçambicanidade presentes nas obras dos dois autores, explorando questões ligadas à cultura, religião, política e construção da identidade nacional no período pós-colonial.

De acordo com a nota divulgada pela instituição, Joel Tiago destacou que Moçambique apresenta uma riqueza cultural marcada pela coexistência de vários grupos culturais e religiosos, factor que abre espaço para múltiplas abordagens científicas e literárias.

A investigação também abordou o sincretismo religioso presente na sociedade moçambicana, analisando a convivência entre religiões tradicionais africanas e outras crenças, como o cristianismo, islamismo e hinduísmo, elementos frequentemente retratados nas narrativas de Chiziane e Mia Couto.

Além dos Estudos Literários, a tese incorporou contribuições de áreas como Estudos Culturais, Ciências Políticas, Antropologia e Sociologia, reforçando o carácter multidisciplinar da pesquisa.

Com esta conquista académica, a Faculdade de Educação da UniLicungo passa a contar oficialmente com mais um doutor, num feito que a instituição considera importante para o fortalecimento da investigação científica e valorização da literatura moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


domingo, 22 de junho de 2025

Portugal – Universidade de Aveiro lidera projeto para restaurar os recifes de ostras no país

A Universidade de Aveiro (UA) está a liderar o projeto RePor – Restauração dos Recifes de Ostras de Portugal (MAR-016.9.1-FEAMPA-00004), com o objetivo de desenvolver uma estratégia inovadora para restaurar e reforçar a resiliência dos recifes de ostras nas zonas costeiras portuguesas


Coordenado pelo investigador Daniel Cleary, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), o RePor é apoiado pelo programa Mar2030, cofinanciado pelo Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e Aquicultura (FEAMPA), no âmbito da ação de Apoio à Proteção e Restauração da Biodiversidade e dos Ecossistemas Marinhos.

O projeto obteve parecer favorável da Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), por estar alinhado com a Diretiva Quadro Estratégia Marinha e contribuir para a implementação da Estratégia Ambiental do Atlântico Nordeste da Convenção OSPAR.

Este projeto propõe uma abordagem inovadora para restaurar os recifes de ostras que têm vindo a sofrer um acentuado declínio devido à exploração excessiva e poluição, de forma a recuperar e rentabilizar os benefícios ecológicos, económicos e sociais destes ecossistemas importantes. Serão desenvolvidas e aplicadas técnicas inovadoras para aumentar a resiliência das ostras juvenis (Ostrea edulis), incluindo o pré-condicionamento a choques térmicos e de salinidade, aliado à modulação do microbioma.

O projeto baseia-se numa plataforma tecnológica recentemente criada, composta por malhas poliméricas porosas e biodegradáveis, que permitem a libertação controlada de moduladores microbianos. Esta tecnologia foi desenvolvida pela mesma equipa no âmbito dos projetos AquaHeal (MAR-02.01.01-FEAMP-0031, MAR2020) e BlueComposite (CENTRO-01-0145-FEDER-181223, Portugal 2020), e encontra-se protegida pelo pedido de patente EP23188811.6.

Após a fase de testes em condições laboratoriais, as ostras tratadas serão transplantadas para áreas da Ria de Aveiro, onde serão monitorizados indicadores como saúde, crescimento, composição microbiana e taxa de sobrevivência.

Assim, com este trabalho espera-se contribuir para o desenvolvimento de estratégias eficazes e sustentáveis no restauro de habitats marinhos degradados, com base em soluções biotecnológicas e adaptadas às crescentes pressões ambientais sobre os ecossistemas costeiros. Universidade de Aveiro - Portugal


quinta-feira, 19 de junho de 2025

Portugal - Estudo avalia risco de exceder limites de segurança de metais tóxicos e iodo pelo consumo de macroalgas e halófitas

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Universidade de Aveiro, realizou, em Portugal, o levantamento dos níveis de metais tóxicos e iodo em macroalgas e plantas naturalmente adaptadas a biótopos salinos, conhecidas como halófitas.


Atualmente, as macroalgas e halófitas são reconhecidas como alimentos funcionais, representando uma fonte de nutrientes essenciais e compostos bioativos. O aumento do consumo destes produtos e o facto de serem ainda pouco estudados justificaram esta avaliação a nível nacional.

Os resultados mostram que o arsénio e o iodo são os dois elementos químicos que limitam o consumo, em segurança, de macroalgas, principalmente de macroalgas castanhas, que são as que as pessoas mais consomem. Por outro lado, as halófitas parecem ser uma boa alternativa se cultivadas em locais não contaminados.

Importa destacar que a Agência Internacional de Investigação do Cancro (IARC), da Organização Mundial da Saúde, classifica o arsénio como cancerígeno para o ser humano (Grupo I). A mesma organização reconhece, ainda, que a ingestão excessiva de iodo pode causar disfunção da glândula tiroide. O nível dos elementos químicos estudados está em curso em vários países europeus, em cumprimento de uma recomendação da Agência Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), de 2018, que visa garantir a segurança alimentar e promover o desenvolvimento sustentável e responsável do setor.

«Este trabalho teve como principais objetivos determinar em que medida a ingestão de cádmio, chumbo, mercúrio, arsénio e iodo presentes em macroalgas e halófitas excede os limites de segurança conhecidos. Para além disso, foi avaliado o potencial das várias espécies e dos locais de amostragem estudados como possíveis promotores da economia azul e da agricultura marinha em Portugal, considerando que a acumulação dos elementos químicos está relacionada com a localização geográfica em que as várias espécies crescem», elucida Elsa Teresa Rodrigues, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC.

Nesta investigação concluiu-se, ainda, que as zonas estuarinas não são apropriadas para desenvolver agricultura marinha, enquanto a costa rochosa portuguesa apresenta condições seguras para esse fim.

De acordo com a equipa de investigadores, a implementação da agricultura marinha, em Portugal, deve ser feita apenas em zonas restritas da costa, com qualidade ambiental comprovada. Os produtos alimentares comercializados devem apresentar elevada qualidade, ser vendidos a preços justos e garantir benefícios económicos e ambientais, nomeadamente pelo aproveitamento dos subprodutos para o desenvolvimento de outro tipo de indústrias.

«É fundamental a Comissão Europeia estabelecer limites máximos para arsénio e iodo em macroalgas destinadas ao consumo humano e a sua monitorização rigorosa deve ser assegurada pelas autoridades nacionais competentes», consideram os especialistas.

«Faz-se, ainda, o apelo à população para limitar o consumo de macroalgas castanhas, devido ao seu elevado teor de arsénio e iodo, dada a possibilidade de haver efeitos adversos para a saúde», concluem.

O artigo científico “Risks of exceeding health-based guidance values for toxic metals and metalloids through seaweed and halophyte consumption” está disponível aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 23 de maio de 2025

Internacional - Cientistas portugueses ajudam a medir o núcleo do hélio-3 com precisão sem precedentes

Uma equipa internacional de investigadores, incluindo cientistas da Faculdade de Ciências Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), Universidade NOVA de Lisboa (UNL) e Universidade de Aveiro (UA), alcançou uma medição inédita do raio nuclear do hélio-3 com uma precisão sem precedentes. O resultado, agora publicado na prestigiada revista Science, constitui um teste rigoroso às teorias da física atómica.



A experiência decorreu no Paul Scherrer Institut (PSI), na Suíça, utilizando o feixe de muões mais intenso do mundo. Os investigadores da colaboração CREMA - Charge Radius Experiment with Muonic Atoms conseguiram substituir os eletrões do átomo de hélio-3 por muões — partículas subatómicas cerca de 200 vezes mais pesadas que os eletrões — formando assim o chamado hélio-3 muónico. Esta configuração permitiu obter um valor extremamente preciso do raio de carga nuclear, cujo valor é 1,97007 fentómetros (sendo que um metro contém mil biliões de fentómetros).

A equipa portuguesa desempenhou um papel crucial em várias vertentes da experiência, nomeadamente no desenvolvimento dos sistemas de deteção dos raios X, controlo experimental e cálculos teóricos. No total, participaram dez investigadores nacionais, cinco da FCTUC (Luís Fernandes, Fernando Amaro, Cristina Monteiro, Andrêa Gouvêa e Joaquim Santos), três da UNL (Jorge Machado, Pedro Amaro e José Paulo Santos) e dois da UA (Daniel Covita e João Veloso).

O PSI é atualmente a única instalação no mundo capaz de gerar muões negativos lentos em quantidade suficiente para este tipo de investigação. O sucesso da medição deveu-se também ao uso de um sofisticado sistema laser, que permite detetar com precisão a frequência de ressonância em que ocorre a transição energética do muão, resultando na emissão de raios X.

Os dados agora obtidos contribuem significativamente para a modelação teórica da estrutura nuclear e são fundamentais para testar a eletrodinâmica quântica em sistemas ligados, como os átomos. Além disso, fornecem valores de referência críticos para modelos nucleares baseados em princípios fundamentais da física.

A colaboração CREMA planeia novas experiências, incluindo a análise da estrutura hiperfina em átomos muónicos e novas medições com hidrogénio muónico, com o objetivo de explorar ainda mais os limites da física fundamental. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 29 de outubro de 2024

Portugal – Universidade de Aveiro sintetiza composto promissor para aplicação fotodinâmica em tratamento de cancro

Um grupo de investigação multidisciplinar da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu e caracterizou novos derivados de clorofila que demonstraram resultados muito promissores em ensaios experimentais de terapia fotodinâmica, tanto em cancro da mama triplo negativo, como em outros tipos de cancro, incluindo o cancro do pâncreas. Na terapia fotodinâmica há um efeito biológico em certas células que ocorre quando o tecido ou órgão onde o agente fotossensibilizador se localizou é iluminado com luz


O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres. O subtipo triplo negativo, em particular, é o mais desafiador, devido à ausência de terapias direcionadas. Por sua vez, o cancro pancreático afeta indistintamente homens e mulheres e também é uma doença que apresenta uma resposta mais limitada às terapias atuais, sendo necessário continuar a procurar novas abordagens de tratamento.

Neste sentido, um grupo formado pela estudante de doutoramento Cristina Dias, o investigador Nuno Moura e os docentes Amparo Faustino, Graça Neves (ambas membros do LAQV-REQUIMTE - Laboratório Associado para a Química Verde), Vítor Gaspar e João Mano (CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro) e Luísa Helguero (Instituto de Biomedicina de Aveiro, iBIMED), desenvolveu e caracterizou novos derivados de clorofila nos laboratórios do Departamento de Química da Universidade de Aveiro e no Departamento de Ciências Médicas, respetivamente. Estes compostos demonstraram resultados muito promissores em ensaios experimentais de terapia fotodinâmica, tanto em cancro da mama triplo negativo, como em outros tipos de cancro, incluindo o cancro do pâncreas.

Amparo Faustino, professora do Departamento de Química e membro do LAQV-REQUIMTE, explica algumas das caraterísticas e o comportamento destes compostos, com destaque para eficácia e sustentabilidade da solução:

“A aplicação de derivados de clorofila extraídos a partir de fontes naturais como agente terapêuticos em terapia fotodinâmica permite não só utilizar recursos disponíveis de forma sustentável, como minimizar efeitos indesejáveis. Além disso, os compostos absorvem radiação na região do vermelho do espectro de visível, onde a luz penetra melhor os tecidos, facilitando a ativação dos derivados de clorofila presentes nas células tumorais”.

Compostos promissores

Os novos compostos foram caracterizados ao nível da sua atividade anti tumoral, em colaboração com Luísa Helguero, professora do Departamento de Ciências Médicas e membro do iBIMED, e apresentam, segundo concluiu a equipa, uma toxicidade muito baixa na ausência de luz e uma elevada eficácia na eliminação de células tumorais, quando ativados sob condições controladas de iluminação (terapia fotodinâmica).

“A utilização destes compostos em terapia fotodinâmica do cancro de mama triplo negativo representa uma solução promissora para suprir a falta de abordagens terapêuticas eficazes e seguras para os pacientes. Este tratamento é minimamente invasivo, e atua apenas na área iluminada, sendo uma alternativa viável quando outras terapias falham, especialmente em casos de resistência aos tratamentos convencionais.”, afirma Amparo Faustino. Assim, espera-se que esta abordagem possa ser estendida a outros tipos de cancros igualmente agressivos, como o cancro de pâncreas e do pulmão.

Esta tecnologia foi desenvolvida no âmbito do doutoramento da estudante Cristina Dias, cuja tese será defendida em breve na UA, e envolveu três grupos de investigação com conhecimentos complementares.

A UA, através da UACOOPERA, já submeteu um pedido provisório de patente e está a avaliar uma estratégia mais ampla de proteção. A UACOOPERA é a estrutura responsável pela interface da UA com o exterior, tendo como objetivo apoiar a academia nas diversas atividades de cooperação com a sociedade, valorizando o conhecimento e os resultados das atividades de I&D e potenciando o cumprimento da sua terceira missão (precisamente a cooperação com a sociedade). Universidade de Aveiro - Portugal


quinta-feira, 27 de junho de 2024

Internacional - Universidades de Portugal e França celebram 25 anos de parceria na área da Engenharia Mecânica

As Universidades de Coimbra, Bretagne Sud e Aveiro celebram, nos próximos dias 4 e 5 de julho, 25 anos de parceria na área da Engenharia Mecânica. As comemorações vão decorrer em Lorient, França, mas o evento também será transmitido online.


A programação do evento inclui uma breve explicação da história destes 25 anos de colaboração, palestras científicas relacionadas com calibração de modelos de plasticidade com Inteligência Artificial, desafios na conformação virtual de chapas metálicas, entre outros. Haverá ainda uma sessão planetária de homenagem ao professor Frédéric Barlat e um painel de discussão com a participação de doutorados que realizaram a sua formação científica no âmbito desta colaboração e farão a partilha das suas experiências.

«Tudo começou com uma grande amizade entre três alunos de doutoramento (Luís Menezes, Sandrine Thuiller e Pierre Yves Manach) e, este ano, comemoramos 25 anos de colaboração científica intensa e muito frutífera. Em 1999, decidimos iniciar uma colaboração entre Coimbra e Lorient, França, que rapidamente envolveu a minha equipa de investigação à época e a de Lorient», começa por recordar Luís Menezes, docente do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

A partir desta data, continua o também investigador do Centro de Engenharia Mecânica, Materiais e Processo (CEMMPRE), «concorremos a programas de cooperação bilateral, o que permitiu o financiamento da mobilidade entre as duas cidades. Rapidamente, esta colaboração se estendeu ao Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro, onde fui orientador de doutoramento de alguns colegas», constata.

Para o docente da FCTUC, «comemorar 25 anos é um grande marco. O futuro conta com as novas gerações, cuja formação científica resultou já desta colaboração e que continua a criar e partilhar conhecimento científico», conclui.

As inscrições para participar no evento online podem ser feitas através deste email: sandrine.thuillier@univ-ubs.fr. Universidade de Coimbra – Portugal

PDF_flyer_fp25years-2024.pdf


sexta-feira, 29 de março de 2024

Portugal - Universidades de Macau e Aveiro assinam acordos em várias áreas

Uma visita à Universidade de Aveiro foi mais uma paragem da deslocação a Portugal de uma delegação de instituições de ensino superior de Macau e representantes dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. O encontro serviu para assinar um protocolo de colaboração e discutir assuntos da cooperação, da promoção de projectos de intercâmbio e troca de estudantes, assim como de colaboração na área da investigação científica


A cooperação entre instituições do ensino superior de Macau e de Portugal foi o tema base do encontro que uma comitiva do território, composta por dirigentes de universidades e representantes da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), fez à Universidade de Aveiro. Na reunião, foram discutidos assuntos relacionados com o intercâmbio entre as instituições de ambos os lados, bem como a promoção de projectos de cooperação, de troca de estudantes e do intercâmbio académico na área da investigação científica.

De entre as principais áreas disciplinares, a Universidade de Aveiro destaca-se na engenharia electrotécnica e electrónica, ciência dos materiais, ciências do ambiente, entre outras, ocupando o 344º lugar do ranking mundial das universidades e leccionando para 14 000 alunos.

Durante o encontro, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e reitor da Universidade de Aveiro, Paulo Jorge Ferreira, fez uma apresentação sobre a situação do desenvolvimento da internacionalização da instituição, a situação geral da cooperação com as empresas, as vantagens das áreas disciplinares e o seu modelo de gestão.

Ao mesmo tempo, sob o testemunho do subdirector da DSEDJ, Teng Sio Hong, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, a Universidade da Cidade de Macau, a Universidade de São José e o Instituto de Enfermagem Kiang Wu assinaram acordos de cooperação com a Universidade de Aveiro. O objectivo é reforçar a cooperação em várias áreas, nomeadamente de intercâmbio académico entre as instituições de ensino superior de Macau e de Portugal, e de promoção de projectos de intercâmbio e de troca de estudantes.

Antes, já outros protocolos haviam sido rubricados, como a parceria entre a Universidade Politécnica de Macau e o Centro Científico e Cultural de Macau em Lisboa, para reforço nos domínios da ciência, da cultura e da educação, e o acordo entre a Universidade da Cidade de Macau e a Universidade Lusófona no âmbito do desenvolvimento de novos projectos de cooperação entre as duas universidades, nas áreas da docência, disciplinares e de formação de quadros qualificados.

Em nota enviada às redacções, a DSEDJ revela que “coordena, de forma contínua, a integração de recursos das instituições de ensino superior”, promovendo o intercâmbio e a cooperação entre as instituições de ensino superior de Macau e de Portugal, “com vista a auxiliar na formação dos quadros qualificados necessários” para o desenvolvimento da estratégia de diversificação adequada “1+4” de Macau. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

segunda-feira, 31 de julho de 2023

Portugal sem estratégia para China e a evitar confrontos diplomáticos, diz relatório

O ‘think tank’ europeu Network on China (ETNC) considera que Portugal é um dos países europeus que não assume uma estratégia face à China, apesar de ter desenvolvido relações próximas com Pequim e continuar a tentar evitar confrontos diplomáticos

Num relatório agora divulgado, este ‘think tank’- que reúne especialistas em política chinesa e que tem sede em Bruxelas – explica que Portugal “carece da capacidade de pensamento estratégico” face a Pequim, num posicionamento que se mantém desde 1979, quando os dois países estabeleceram pela primeira vez relações diplomáticas.

O autor do capítulo sobre Portugal neste relatório – Carlos Rodrigues, professor da Universidade de Aveiro – defende que apesar dessa falta de estratégia, “Portugal conseguiu desenvolver relações estreitas e estáveis com a China”, revelando forte pragmatismo ao longo das últimas quatro décadas.

No relatório, o ETNC concluiu que, nos últimos anos, os países da Europa endureceram estratégias para resistir às suas ambições económicas.

Contudo, uma minoria de países divulgou oficialmente documentos estratégicos sobre o seu posicionamento face a Pequim, com apenas seis países a formalizar essa estratégia e com a maioria, incluindo Portugal, a não assumir oficialmente um posicionamento definido perante a China.

De qualquer forma, o relatório assume que Portugal, embora sem o assumir formalmente, tem procurado evitar qualquer forma de confronto com a China, uma situação que poderá mudar com um novo ambiente geopolítico que tem promovido maior hostilidade entre a Europa e a China. “A crescente lógica de confronto trazida por uma mudança do ambiente de geopolítica internacional, como esperado, perturbou o ‘continuum’ positivo que marca a história das relações bilaterais entre Portugal e a China”, escreveu o relator Carlos Rodrigues.

Ainda assim, lembra o relatório, as autoridades chinesas reconhecem que Portugal tem mantido um ambiente de acolhimento amigável do investimento chinês, como fica provado pelas declarações do ex-chefe da diplomacia de Pequim, Wang Yi, em Setembro de 2022, durante um encontro com o seu homólogo português à margem da Assembleia Geral da ONU. “A relação China-Portugal resistiu ao teste das mudanças do cenário internacional e alcançou um sólido desenvolvimento, com base na compreensão e confiança mútuas”, disse Wang, citado no relatório do ETNC.

No entanto, Portugal não esquece as suas ligações à NATO e à União Europeia (UE) e respeita o posicionamento de cautela face às ambições expansionistas de Pequim, mas procurando preservar as vantagens das relações com a China. “Há também sinais de alguma resistência a medidas que potencialmente possam prejudicar as relações económicas com a China”, diz o relatório, lembrando que quando a UE determinou mecanismos de triagem para o investimento chinês na Europa, em 2019, o primeiro-ministro António Costa reagiu com cautela. “Uma coisa é usar o rastreio para proteger setores estratégicos, outra coisa é usar o rastreio para abrir a porta ao protecionismo”, disse nessa altura António Costa, citado no relatório do ETNC. InPonto Final” – Macau com “Lusa”

domingo, 9 de outubro de 2022

Portugal - Equipa da Universidade de Aveiro desenvolve sensor de papel para detetar ácido úrico na urina

Uma equipa de investigadores do Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu um sensor, feito a partir de papel e grafeno, que deteta e quantifica ácido úrico em amostras de urina humana. Este sensor descartável viabiliza o desenvolvimento de testes de urina baratos e biodegradáveis e abre caminho para a deteção de outros biomarcadores importantes


O papel, material que usamos no nosso dia a dia, pode permitir o desenvolvimento de sensores biodegradáveis e baratos capazes de detetar doenças. Foi esta a ideia explorada por uma equipa de investigadores do i3N e que foi publicada recentemente num artigo da Carbon, uma revista científica internacional sobre materiais de carbono. O artigo revela que sensores feitos diretamente a partir de papel podem detetar e quantificar, com sucesso, a concentração de ácido úrico em amostras reais de urina. Pela importância da investigação desenvolvida, o artigo foi objeto de uma notícia de destaque na revista de divulgação de ciência Materials Today - connecting the materials community.

Bohdan Kulyk, um dos investigadores que participou no estudo, explica que um dos objetivos do projeto foi produzir um sensor flexível, sustentável e com um baixo custo de produção. Para desenvolver este sensor, a equipa liderada pela docente Florinda Costa utilizou espuma de grafeno, um material que pode ser obtido a partir de papel convencional. Bohdan adianta que a utilização de grafeno surge porque este é um material condutor de elevada razão superfície/volume e com excelente desempenho eletroquímico, abrindo assim a possibilidade de criar um "biossensor para deteção de parâmetros biológicos”.

Como transformar o papel num sensor?

A descoberta do grafeno em 2004 foi, para muitos cientistas, “a descoberta do século XXI” devido às suas propriedades únicas. O material, composto por uma única camada de átomos de carbono, é conhecido por ser leve, flexível e um excelente condutor de eletricidade.

Foi precisamente este material, o grafeno, que a equipa da UA utilizou para desenvolver o sensor de papel. Para isso, os investigadores utilizaram a tecnologia laser para produzir o “grafeno induzido por laser” (LIG – laser-induced graphene). Esta técnica, adianta António Fernandes, consiste em irradiar o papel com um feixe laser de forma a transformar a superfície do papel (celulose) em espuma de grafeno.

O investigador Nuno Santos refere que o sensor já foi testado em amostras de urina humana e revelou enorme seletividade, provando ser eficiente a detetar ácido úrico. Uma vez que não recorre a enzimas no processo de deteção, estes sensores apresentam uma estabilidade e durabilidade superiores aos sensores enzimáticos, sem necessidade de conservação/condicionamento específico antes da utilização. Adicionalmente, e ao contrário de muitos testes descartáveis qualitativos que existem atualmente, este sensor é quantitativo, permitindo aos seus utilizadores obter uma informação mais clara sobre os valores descritos no teste.

Outra vantagem destes sensores, explicam os investigadores, é que as pessoas podem utilizar os testes em casa e, espera-se, no futuro, que os sensores possam estar ligados a sistemas de transmissão de dados que enviam a informação diretamente para uma ficha clínica à qual os profissionais de saúde tenham acesso, libertando recursos médicos. Sónia Pereira acrescenta ainda que, além de ser muito barato, estes testes têm potencial para aplicações em situações em que o acesso ao diagnóstico é uma dificuldade.

O grafeno induzido por laser tem também sido explorado por esta equipa para desenvolver outro tipo de dispositivos, nomeadamente sensores físicos em poliimida e em cortiça, os quais foram obtidos no âmbito da tese de doutoramento de Alexandre Carvalho.

Os sensores em papel foram desenvolvidos no âmbito da tese de doutoramento de Bohdan Kulyk, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com a parceria da Universidade Nova de Lisboa. O artigo é assinado por Bohdan Kulyk, Sónia Pereira, António Fernandes, Elvira Fortunato, Florinda Costa e Nuno Santos. Universidade de Aveiro - Portugal

 



quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Macau - Duas universidades locais a par de algumas portuguesas

Dois estabelecimentos de ensino superiores locais – a Universidade de Macau e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau encontram-se muito bem classificados no prestigiado Ranking de Xangai, surgindo a par de algumas Universidades portuguesas.

A pública UM-Universidade de Macau surge a par da Universidade de Aveiro e a Universidade do Minho, entre as 400ª e as 500ª melhores do mundo. Já a privada UCTM- Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau encontra-se entre os 500º e os 600º lugares, como a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Coimbra.

Tal como no ano passado, as instituições anglo-saxónicas continuam entre as 10 melhores: oito universidades norte-americanas e duas britânicas estão no topo do ranking internacional de 2022, das melhores instituições de ensino superior, que tem sido feito desde 2003 pela empresa independente Shanghai Ranking Consultancy.

No topo da lista, Harvard está mais uma vez à frente da também norte-americana Stanford. Este ano, outra universidade norte-americana, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), ficou em terceiro lugar no pódio, relegando a britânica Cambridge para quarto lugar. Oxford surge em 7º lugar. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

 

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Tailândia - Portugal vence a maior competição de Robótica do Mundo, o RoboCup 2022

A equipa das universidades do Porto e de Aveiro foi a grande vencedora da liga de "Simulação 3D" do RoboCup 2022


A equipa FC Portugal, composta pelo Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência de Computadores da Universidade do Porto (LIACC/U.Porto), sediado na Faculdade de Engenharia (FEUP), e pelo Instituto de Eletrónica e Informática de Aveiro (IEETA/UAveiro), acaba de sagrar-se campeã do mundo no RoboCup 2022, a competição de robótica que decorreu em Banguecoque, na Tailândia, entre os dias 13 e 17 de julho.

A histórica vitória foi alcançada na liga de Simulação 3D, após o triunfo por 6-1 frente à equipa alemã magmaOffenburg, resultado que espelha bem o domínio da equipa FC Portugal, cujo historial incluía já dois terceiros lugares – em 2016 e 2018 – na competição.

A prestação dos robôs portugueses na competição permitiu ainda interromper um ciclo vitorioso dos EUA que durava há vários anos:  84 golos e só 2 sofridos, numa prova em que participaram 10 equipas provenientes da Alemanha, Brasil, China, EUA, França e India.

O RoboCup é a mais importante competição mundial de robôs e tem como objetivo principal promover a investigação e desenvolvimento em Robótica e em Inteligência Artificial. O desafio é que universidades de todo o mundo possam testar os seus limites a partir de uma competição de futebol robótico com robôs domésticos e industriais ou então simulando missões de socorro e salvamento sempre com robôs.

O RoboCup teve a sua estreia em 1997 em Nagoia, Japão, e acontece anualmente em vários países e continentes. No caso do futebol robótico, o grande objetivo é que em 2050 exista uma equipa de robôs humanoides que possa defrontar a seleção campeã do mundo de futebol desse ano.

Além das competições, o RoboCup inclui ainda uma conferência científica designada RoboCup Symposium, que este ano contou com a organização de Nuno Lau, Professor da Universidade de Aveiro, e um dos membros da equipa FC Portugal.

A próxima edição do RoboCup vai decorrer em Bordéus, França, em julho de 2023, potenciando assim uma participação de equipas portuguesas muito mais numerosa.

A participação portuguesa

A equipa FC Portugal é um projeto conjunto das universidades do Porto e Aveiro, que usa as competições de futebol robótico do RoboCup para desenvolver investigação em Coordenação de Equipas de Robôs e Aprendizagem Computacional para Robôs e Equipas de Robôs. A equipa, este ano, foi composta por Miguel Abreu (estudante do Programa Doutoral em Engenharia Informática da FEUP e investigador do LIACC), Nuno Lau (Universidade de Aveiro/IEETA) e Luís Paulo Reis (FEUP/LIACC), embora outros estudantes das Universidades do Porto e Aveiro tenham também colaborado no seu desenvolvimento.

A equipa FC Portugal é baseada em comportamentos desenvolvidos usando inteligência artificial, nomeadamente aprendizagem por reforço e usa técnicas multiagente para a coordenação da equipa. A segurança e robustez do jogo de equipa é potenciado por uma movimentação em campo rápida e omnidirecional (os robôs humanoides podem andar em todas as direções) e por uma manipulação de bola de excelente qualidade (drible e chuto) que surpreendeu todas as equipas.

Esta foi a primeira vitória de uma equipa portuguesa numa competição principal do RoboCup desde a vitória da equipa CAMBADA, da Universidade de Aveiro, em 2008, na Liga de Robôs Médios. Universidade do Porto – Portugal

Mais Informações




terça-feira, 5 de abril de 2022

China - “Vão aparecer alternativas à política zero casos” segundo doutoranda Anabela Santiago

Anabela Santiago, doutoranda pela Universidade de Aveiro e investigadora na área dos assuntos chineses, aponta que não é possível a China desconfinar da mesma forma que o Ocidente está a fazer, mas defende que poderão surgir “em breve” alternativas à política de zero casos covid-19. A académica aponta ainda que, com Xi Jinping, a propaganda chinesa passou a ter um maior foco na legitimidade do Partido

Como tem evoluído a propaganda na China nos últimos anos? Encontramos grandes diferenças entre líderes, sobretudo desde que Xi Jinping subiu ao poder?

A propaganda na China tem evoluído, tal como no resto do mundo, na forma como ela é veiculada e nos seus meios de suporte essencialmente. Refiro-me em concreto às plataformas digitais, às redes sociais mais populares da China como o Weibo ou o WeChat, por exemplo. Os meios de suporte dos mass media é que sofreram uma alteração devido à entrada na chamada era digital e aos milhões de utilizadores da Internet na RPC. A essência da propaganda, essa, também se foi moldando (embora mais lentamente) às mudanças ocorridas na sociedade chinesa, nomeadamente à melhoria da qualidade de vida da população em geral, o que acarretou um aumento exponencial da classe média chinesa e uma maior procura por fontes de informação. No que diz respeito aos sucessivos líderes e ao actual – Xi Jinping – a propaganda sempre serviu como um modo de difusão dos vários “motes” políticos adoptados ao longo das lideranças: o desenvolvimento com base na inovação científica, a criação de uma sociedade harmoniosa e mais recentemente o “sonho chinês”. Com Xi Jinping uma das principais diferenças é o retorno a um maior enfoque na legitimidade do PCC como via única para o progresso com um forte apelo ao nacionalismo e aos valores confuccionistas mais tradicionais.

Até que ponto tem sido feita uma adaptação às redes sociais e à comunicação social por parte do aparelho de propaganda? Há uma maior capacidade de atracção das gerações mais jovens ao Partido?

Tem havido uma adaptação à era digital no sentido de atrair mais população jovem. O Partido está consciente das mudanças ocorridas na sociedade e o facto de a população estar mais instruída e pedir mais informação levou a essa preocupação nos meios de comunicação social.  Também a preocupação com a imagem internacional levou a propaganda a assumir um papel cada vez mais de instrumento de “nation branding”, quer a nível interno, com um forte apelo ao nacionalismo e ao “grande rejuvenescimento da nação chinesa”; quer a nível externo, com um esforço nítido de se afirmar como actor relevante e responsável na nova ordem internacional.

Afirmou que a propaganda é uma ferramenta de soft power, sobretudo aplicada ao projecto da Rota da Seda da Saúde. Com o conflito na Ucrânia, acredita que a China terá de redefinir a sua estratégia de propaganda no que diz respeito à diplomacia, fomentando ainda mais a imagem de um actor mundial que não procura conflitos bélicos?

Creio que a China irá manter esta ambiguidade de posicionamento em que tem estado até agora desde o início da invasão russa à Ucrânia. Isto porque apesar das diversas transformações geopolíticas ocorridas no mundo globalizado nas últimas décadas, a China mantém-se fiel em termos de política internacional aos princípios que resultaram da Conferência de Bandung, em particular, os da não-ingerência nos assuntos internos de outros Estados-nação, o respeito pelas soberanias nacionais e integridade territorial. Portanto, apesar da “amizade” que tem com a Rússia e da rejeição no que diz respeito à acção da NATO, a RPC não apoia a invasão da Ucrânia. Pode até perceber os motivos, mas não aprova os meios bélicos para atingir os objectivos que a Rússia pretende atingir. Julgo que a China, nesta matéria, não irá mudar a sua posição nem a mensagem que tem vindo a passar nos meios de comunicação relativamente a este assunto.

A manutenção da política de casos zero de covid-19 no país e os impactos que esta está a ter na economia vai obrigar a um redesenhar da estratégia de propaganda a nível interno?

Dada a dimensão da população chinesa e a densidade populacional, sobretudo nas cidades, não é possível aliviar as medidas na China do mesmo modo que tem sido feito no Ocidente. Os confinamentos em massa continuam a ser a solução a mais curto prazo para conter surtos. No entanto, e muito devido aos impactos económicos e sociais causados por estes confinamentos e quarentenas prolongadas, o Governo chinês já manifestou a sua preocupação na busca por um modelo de combate que seja mais “científico e específico”. A retórica da “saúde das pessoas em primeiro lugar” vai ser mantida nos próximos tempos, mas a divulgação de novas alternativas à política de zero casos covid-19 irá começar a aparecer em breve com base em evidência científica, dando, quiçá, origem a uma “política anti-covid com características chinesas”.

Em relação ao conceito de Nation Branding, a China fá-lo de forma diferente face a outros países?

A China tem sentido uma necessidade acrescida de desenvolver campanhas no sentido de promover a sua imagem externa, visto que a sua rápida ascensão económica e o seu peso crescente na esfera política internacional a colocam no centro de muitos debates, ora numa posição de poder em ascensão pacífico, ora como uma ameaça ao status quo e ao equilíbrio mundial. Em 2003, encetou uma grande campanha de marketing externo se assim se pode chamar com o mote da ascensão pacífica (“PRC’s peaceful rise”). Outra grande manifestação de ‘Nation Branding’ ocorreu em 2008, com a realização dos Jogos Olímpicos em Pequim, que amplamente contribuiu para difundir a imagem de uma nação próspera, mas também coordenada, harmoniosa, integradora e acolhedora. As estratégias de ‘Nation Branding’ são amplamente estudadas ao pormenor, mas não diferem assim tanto das estratégias usadas noutros países.

O esforço de legitimação do Partido Comunista Chinês (PCC) poderá ser feito de outras formas, além da propaganda?

O esforço de legitimação do PCC é um trabalho implícito em toda a acção económica, política e social do Partido. Os resultados falam por si, mas começam a haver cada vez mais gerações na China que não conheceram outra realidade a não ser esta da China moderna e próspera. Portanto, a necessidade de lhes transmitir que isso só foi possível graças a uma economia de mercado socialista com características chinesas em que o PCC foi sempre o eixo central das políticas levadas a cabo é essencial do ponto de vista dos altos dirigentes do PCC e, acima de tudo, do actual líder Xi Jinping. A propaganda estatal nisso tem um papel fundamental e continuará a tê-lo.

Propaganda no Centro Científico e Cultural de Macau

Anabela Santiago foi uma das oradoras do ciclo de conferências de Primavera promovido pelo Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). No passado dia 31 a doutoranda da Universidade de Aveiro deu a palestra intitulada “A dimensão externa das políticas públicas da China contemporânea: O papel da propaganda”, que deu origem a esta entrevista. O ciclo de conferências no CCCM acontece novamente entre os dias 18 e 23 deste mês, com um painel de conversas sobre a Ásia. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Internacional - Estudo conclui que os nanoplásticos colocam em risco o funcionamento dos ecossistemas de água doce

Uma equipa de cientistas da Universidade de Coimbra (UC), em colaboração com a Universidade de Aveiro (UA) e a Konkuk University (Coreia do Sul), identificou os possíveis impactos causados por baixas concentrações de nanoplásticos em ecossistemas de água doce e concluiu que concentrações ambientalmente relevantes de nanoplásticos representam um grande risco para os níveis tróficos basais das cadeias alimentares de pequenos ribeiros.

Para chegar a esta conclusão, a equipa do estudo, já publicado no Journal of Hazardous Materials, realizou um ensaio em laboratório «com as menores concentrações de nanoplásticos já testadas, até 25 μg/L [microgramas por litro], com dois tamanhos (100 e 1000 nm [nanómetros]). O objetivo foi avaliar os impactos dos nanoplásticos na atividade (decomposição da matéria orgânica), taxa de reprodução e alterações na comunidade de hifomicetes aquáticos [fungos]. Além disso, verificámos as alterações na qualidade nutricional das folhas expostas aos nanoplásticos. Essas folhas foram depois fornecidas a uma espécie de invertebrados de ribeiros, de forma a avaliar possíveis consequências no seu comportamento alimentar», explica Seena Sahadevan, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e primeira autora do artigo científico.

Em pequenos ribeiros, a decomposição da matéria orgânica é um processo crucial, responsável pela transferência de energia e nutrientes entre os diversos níveis tróficos da cadeia alimentar. Os hifomicetes aquáticos são os principais mediadores desse processo. Estes fungos são capazes de modificar os componentes recalcitrantes da folha, melhorando assim a sua palatabilidade e qualidade nutricional para consumo de invertebrados.

Segundo a investigadora do MARE, os resultados obtidos indicam que «a decomposição, reprodução e a abundância dos fungos são significativamente afetadas por baixas concentrações e tamanho dos nanoplásticos; as partículas de menor tamanho demonstram maior toxicidade». Curiosamente, sublinha Seena Sahadevan, «apenas os nanoplásticos de menor tamanho impactaram a qualidade nutricional das folhas, aumentando a quantidade de ácidos gordos polinsaturados. Não houve alterações visíveis nas taxas de alimentação dos invertebrados, porém observámos um comportamento letárgico nos animais alimentados com folhas expostas a concentrações mais elevadas, indicando uma possível contaminação».

Os nanoplásticos são fragmentos de plástico com tamanho menor que 1000 nm (nanómetros) – aproximadamente o tamanho de um vírus – usados geralmente por indústrias farmacêuticas, de cosmética e produtos de limpeza, podendo também ser derivados da degradação dos macroplásticos que usamos no nosso dia a dia.

A principal preocupação com estes fragmentos plásticos nanométricos é a alta capacidade de interação e reação com outras moléculas e organismos presentes no ambiente. Atualmente, a grande maioria dos estudos que abordam «as consequências dos micro e nanoplásticos na natureza são realizados em ambientes marinhos. No entanto, é importante ressaltar que 1,15 – 2,41 milhões de toneladas dos plásticos presentes nos oceanos são transportados através dos rios», frisam os autores do estudo.

De uma forma geral, este estudo fornece «novos insights sobre os grandes riscos que os nanoplásticos apresentam para o bom funcionamento dos ecossistemas de água doce», sintetiza Seena Sahadevan. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Portugal - Experiência STRATOSPOLCA a caminho do espaço


Depois de um longo processo de preparação e testes, está tudo a postos para a experiência científica STRATOSPOLCA seguir para o espaço no balão BEXUS 31 da Agência Espacial Europeia (ESA).

O projeto, que será lançado entre os próximos dias 27 de setembro e 1 de outubro, a partir das instalações do Esrange Space Center, em Kiruna, no norte da Suécia, é da autoria de um grupo de estudantes da Secção de Astronomia, Astrofísica e Astronáutica da Universidade de Coimbra (UC), sob orientação de Rui Curado Silva, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigador do LIP - Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, e com o apoio de outros investigadores e técnicos do LIP, da Universidade da Beira Interior (UBI) e da Universidade de Aveiro (UA).

Esta experiência científica, que foi selecionada, em 2019, pelo programa REXUS/BEXUS (Rocket/Balloon Experiments for University Students) da ESA, pretende medir a radiação de fundo no comprimento de onda dos raios gama.

«Imaginemos um rádio dos antigos que, se não estiver na frequência certa, produz aquele ruído de fundo tão conhecido. Mas, para saber qual é o canal da música, necessitamos de saber o que é o ruído. Na nossa experiência fazemos isso mesmo: medimos a radiação de fundo nos raios gama, o ruído, para que consigamos “ouvir a música” que vem de corpos celestes longínquos», ilustra o porta-voz da equipa de estudantes da UC, Henrique Neves.

Para garantir que o sistema desenvolvido pelos estudantes reunia todas as condições para o lançamento, em agosto decorreu nos laboratórios do LIP, na Universidade de Coimbra, o “Experiment Acceptance Review” do projeto STRATOSPOLCA, com a presença de Armelle Frenea-Schmidt, engenheira do programa BEXUS da ESA, que deu o aval para a experiência seguir para o espaço.

Em seguida, a equipa realizou os testes finais, garantindo «que os sinais produzidos pelo detetor de radiação eram corretamente transmitidos através dos vários andares do sistema eletrónico, até ao interface de registo e análise de dados», explica o docente e investigador da FCTUC, Rui Curado Silva.

Os resultados das medições efetuadas pela STRATOSPOLCA, aponta o docente, «contribuirão para melhorar a sensibilidade dos futuros telescópios que observam o céu no comprimento de onda gama. Neste comprimento de onda, o céu revela-nos os fenómenos mais energéticos e cataclísmicos do Universo, como supernovas, pulsares, o centro das galáxias ou o colapso de estrelas, em particular esperam-se medir novos surtos de raios gama associados à deteção de ondas gravitacionais, contribuindo para a nova área da astronomia multi-mensageira». Universidade de Coimbra - Portugal


 

sábado, 6 de março de 2021

Internacional - Investigador da Universidade de Aveiro na equipa que analisa impacto da Covid-19 na aquacultura mundial

“Tanto os fatores de stress antropogénicos como a pandemia COVID-19 representam desafios económicos significativos para os sistemas de aquacultura em todo o mundo”. A conclusão é apontada num artigo assinado por um consórcio internacional de investigadores, onde se inclui António Nogueira, professor e investigador da Universidade de Aveiro (UA). Entre os “fatores de stress antropogénicos” referidos, destacam-se as alterações climáticas


O artigo “The synergistic impacts of anthropogenic stressors and COVID-19 on aquaculture: a current global perspective” é assinado por investigadores de 54 países e foi publicado no periódico científico “Reviews in Fisheries Science & Aquaculture” (DOI: 10.1080/23308249.2021.1876633). Incluindo membros de quatro continentes (América, Europa, Ásia e África), do consórcio fez parte o académico que é professor do Departamento de Biologia e membro do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA.

As conclusões deste estudo, para já, referem-se ao conjunto dos países analisados, uma vez que os dados por país ainda não foram analisados, afirma o professor da UA. Assim, as conclusões, nesta fase, indicam que tanto os fatores de stress provocados pelo homem, e neste conjunto destacam-se as alterações climáticas, como a pandemia COVID-19 “representam desafios económicos significativos para os sistemas de aquacultura em todo o mundo, ameaçando a cadeia de abastecimento de uma das mais importantes fontes de proteína animal, com potenciais impactos desproporcionados sobre as populações mais vulneráveis.” Entre as populações mais vulneráveis, salientam-se pequenas empresas dedicadas à aquacultura em regime de monocultura suscetíveis a alterações nas cadeias de produção e distribuição, sendo que os sistemas de aquacultura multitrófica integrada são mais resilientes. Este sistema funciona em circuito quase fechado, uma vez que os efluentes que resultam do cultivo de uma espécie são usados como input nos tanques de cultivo de outra espécie.

Fatores múltiplos

A iniciativa partiu da noção de que as medidas restritivas impostas mundialmente para conter a propagação da COVID-19 têm tido consequências diretas nas mais diversas atividades económicas. Em maio de 2020, a pandemia por COVID-19 já era um fenómeno global, tendo o consórcio decidido avaliar os impactes da pandemia na aquacultura. Além disso sabia-se que seria importante avaliar “os efeitos prejudiciais da COVID-19 sob uma lente de stress múltiplo, concentrando-se em áreas que já sofreram perdas económicas devido a fatores de stress antropogénicos na última década, explica-se no sumário do artigo. Ou seja, como pressuposto para o estudo, aceita-se que que os fatores, os motivos da crise/stress são múltiplos, sendo difícil, senão mesmo impossível, isolar os fatores, como seria o caso de uma eventual avaliação dos efeitos da Covid-19 ou das alterações climáticas isoladamente, cujas manifestações ocorrem com diferentes magnitudes e frequência em diferentes países.

O consórcio foi liderado por Gianluca Sarà. professor da Universidade de Palermo (Itália), parceiro do projeto “FISHAQU - Knowledge Exchange in sustainable Fisheries management and Aquaculture in the Mediterranean region” que é coordenado por António Nogueira e financiado pelo programa Erasmus+. In Universidade de Aveiro - Portugal


sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Portugal – Universidade de Aveiro desenvolve teste de saliva ultrassensível para a Covid-19


Investigadores do laboratório de Medicina do Genoma do Instituto de Biomedicina (iBiMED) da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveram um kit de saliva e um teste de saliva ultrassensível e altamente reprodutível para a Covid-19.

O trabalho resultou de uma parceria entre a UA, o Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga (CHEDV-Santa Maria da Feira), o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV-Aveiro), o Centro Médico da Praça de São João da Madeira e a empresa nacional de engenharia de plásticos Muroplás, especializada no setor médico-hospitalar e com sede na Trofa.

O novo teste elimina o desconforto e a pesada logística da colheita de amostras com zaragatoa. Utiliza a robusta tecnologia de RT-PCR existente nos laboratórios nacionais, simplifica a automação dos processos laboratoriais, baixa o custo e facilita a testagem comunitária (lares, escolas, empresas, etc.).

A saliva é o principal veículo de transmissão do SARS-COV-2 – usamos máscaras para impedir a transmissão através de gotículas de saliva -, o que torna a sua colheita de fácil execução no domicílio ou no local de trabalho sem recurso a profissionais de saúde. Numa abordagem inicial os resultados dos testes com saliva mostraram que eram menos sensíveis do que os obtidos com colheitas por zaragatoa nasofaríngea, mas após ajustes no protocolo técnico, confirmou-se que a saliva pode igualmente ser usada na deteção de SARS-CoV-2 sem perda de sensibilidade. A autoridade reguladora da saúde dos Estados Unidos da América - Food and Drug Administration (FDA) - aprovou o uso de kits de saliva para a testagem de SARS-CoV-2 e vários laboratórios Europeus já os usam na rotina de testagem.

Para além das vacinas, os rastreios comunitários em larga escala, acompanhados de quarentena seletiva dos casos positivos são a única estratégia de controlo efetivo da Covid-19, sem confinamento da população. Contudo, a complexidade e os elevados custos envolvidos, em particular a necessidade de treinar e mobilizar profissionais de saúde para a testagem com zaragatoas, bem como os gastos associados a material de proteção individual, criam constrangimentos significativos à massificação dos rastreios.

Os investigadores da UA contornaram tais dificuldades substituindo a colheita efetuada com zaragatoa nasofaríngea por uma colheita de saliva. Com a colaboração do CHEDV, CHBV e Centro Médico da Praça, foi validado um novo método de RT-PCR altamente sensível e reprodutível, que permite testar em paralelo um grande número de amostras de saliva a baixo custo.

Em parceria com a empresa Muroplás, de engenharia de plásticos para o setor médico-hospitalar, foi desenvolvido um novo kit para a colheita de saliva, que pode ser enviado pelo correio ou outro meio para os laboratórios. O coordenador do Laboratório de Medicina do Genoma e diretor do iBiMED da UA, Manuel Santos, que coordenou este projeto de investigação colaborativa, considera que este novo teste representa um avanço significativo no controlo da Covid-19 por permitir a realização de testes na comunidade, de modo simples, a baixo custo, e fácil automação do processo laboratorial, possibilitando assim escalar o número de rastreios diários. Segundo Manuel Santos, o Kit de saliva desenvolvido pela empresa Muroplás também é útil para a recolha de amostras para a vigilância genética das variantes do coronavírus SARS-CoV-2, que o laboratório de Aveiro também avalia através de um projeto de investigação da Covid-19 financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Artur Silva, Vice-reitor da Investigação, Inovação e 3º Ciclo, indica que a situação enorme desafio que o país enfrenta desde março de 2020, responsabiliza todos na procura de novas soluções. Assim, a UA, atenta a estas necessidades, colocou ao serviço da população e da comunidade os recursos habitualmente destinados à investigação, em especial a realizar testes de rastreio do SARS-CoV-2. Contudo, a situação de pandemia, afirma o responsável, levou os investigadores a aplicarem-me fortemente na procura de novos testes de rastreio, de baixo custo, e fácil automação laboratorial, possibilitando assim escalar o número de rastreios diários.

Segundo Artur Silva é agora necessário e urgente a validação do método pelo INSA para se poder colocar ao serviço da população portuguesa. Universidade de Aveiro - Portugal