Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

São Tomé e Príncipe - Alunos do ilhéu das Rolas já têm transporte escolar marítimo



São Tomé – Alunos são-tomenses do ilhéu das Rolas, Distrito de Cauê, ao sul de São Tomé, já contam com uma embarcação escolar de travessia à escola secundária de Porto Alegre, numa iniciativa do governo, cuja viagem inaugural aconteceu segunda-feira sob o comando do ministro da tutela Olinto Daio.

Em declarações a imprensa, o ministro da Educação, Cultura, Ciência e Comunicação afirmou que esta iniciativa governamental surgiu na sequência da preocupação levantada pelos pais e encarregados de educação face a inexistência de um transporte marítimo que na altura obstaculizava o acesso dos alunos à escola.

“No início do ano estivemos aqui, [no ilhéu das Rolas] e os pais puseram este problema, porque, os meninos acordavam muito cedo, de madrugada para poderem aproveitar a boleia do transporte do complexo turístico do ilhéu para a travessia e só regressavam a casa no final do dia” – explicou Olinto Daio.

Um dos pais dos estudantes do Ilhéu das Rolas congratulou-se com a iniciativa do governo, tendo sublinhado que “os nossos filhos tinham muitas dificuldades para chegarem à escola e de regressarem a casa”.

Além da oficialização da embarcação escolar aos alunos do ilhéu das Rolas, o ministro da Educação aproveitou para presidir ao acto de lançamento de obras para a construção do muro de vedação da escola de Angra Toldo Praia, com vista à proteção e à segurança dos estudantes e dos outros agentes escolares. Ricardo Neto e Neisy Sacramento – São Tomé e Príncipe in “STP Press”

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Portugal – A escola “mais africana da Europa” situa-se no concelho da Amadora

Conhecida como a escola 'mais africana da Europa', a Dr. Azevedo Neves, situada na Damaia, concelho de Amadora, destaca-se pelas boas notas a Português, situação que enche de orgulho pais e responsáveis escolares

Inserida na localidade da Damaia, no concelho da Amadora, a escola Dr. Azevedo Neves é atualmente frequentada por 1407 alunos, a maioria proveniente de famílias carenciadas e de várias nacionalidades, nomeadamente cabo-verdiana, guineense (Guiné Bissau e Guiné Conacri), sul africana, brasileira, ucraniana, moldava, russa, romena e chinesa.

Em declarações à agência Lusa, Cátia, encarregada de educação de uma aluna do sexto ano, congratula-se pela multiculturalidade da escola (67% é originária de Países Oficiais de Língua Portuguesa) e pela união entre todos os alunos.

«Tenho muito orgulho nesta escola. É a mais africanizada, a mais crioula, mas vê-se aqui de tudo. Há brasileiros, cabo-verdianos, portugueses e é muito lindo ver como eles interagem entre si», aponta a cabo verdiana, residente em Portugal há 18 anos.

Para esta encarregada de educação, o ambiente vivido nesta escola e o «respeito pela diferença» ajudam a explicar o facto deste estabelecimento escolar ter estado entre os 10 melhores do país na disciplina de Português.

«Os professores zelam pela utilização do Português, respeitando que os alunos falem entre si a sua língua materna. Quando somos tratados com respeito e respeitam as nossas diferenças, é mais fácil darmos o nosso melhor», argumenta.

Por seu turno, o diretor do agrupamento de escolas Dr. Azevedo Neves, Bruno Santos, manifesta-se orgulhoso com o trabalho desenvolvido pela escola, realçando o «empenho de toda a comunidade escolar».

Bruno Santos sublinha que uma das razões que contribui para o sucesso escolar e profissional destes alunos é o facto de lhes permitir ter um contacto com a vida real.

«Temos vários projetos multiculturais e cursos profissionais, desde cozinha e pastelaria, restauração, multimédia e somos pioneiros em geriatria. É uma escola totalmente aberta à comunidade», atestou. In “Revista Port. Com” - Portugal

quinta-feira, 19 de abril de 2018

São Tomé e Príncipe – Vai criar nova escola no Gabão

São Tomé – O ministro são-tomense da Educação, Olinto Daio anunciou a criação de uma nova escola de São Tomé e Príncipe em Libreville, Gabão para atender já a partir de Setembro as crianças são-tomenses radicadas na aquele País que dista a cerca de 300 quilómetros do arquipélago são-tomense.

O ministro da Educação, Cultura, Ciência e Comunicação, Olinto Daio fez esta declaração no balaço de uma missão que liderou a Libreville Gabão, onde, procedeu a avaliação de uma escola piloto são-tomense que segundo o ministro será instalada num outro espaço físico e transformada numa escola de direito são-tomense em conexão com as normas do ministério da educação gabonesa.

Depois da avaliação dos aspectos relativos a gestão, a pedagogia, e a estrutura e tendo concluído que a escola piloto que se encontra em “condições precárias”, o ministro Olindo Daio anunciou que o governo “decidiu assumir plenamente a escola” de modo a “garantir educação de qualidade” para todas as crianças são-tomenses residentes no Gabão.

“Há necessidade de se satisfazer as condições das crianças são-tomenses em Libreville” – disse Olinto Daio tendo acrescentado que “por isso decidimos criar uma escola de direito próprio no Gabão para os São-Tomenses” num projecto que vai envolver a embaixada de São Tomé e Príncipe no Gabão e o ministério da Educação da República Gabonesa.

Com relação a data para o início da nova escola em Libreville, o ministro sublinhou que “o nosso objectivo é para que em Setembro esta acção esteja a funcionar”.

Tendo anunciado que os professores sairão de São-Tomé para lecionarem no Gabão juntamente com outros que já lá se encontram, o governante anunciou incentivos financeiros e promocionais para aos docentes que estiverem envolvidos neste projecto que poderá ainda ser extensivo as crianças são-tomenses na Guiné-Equatorial e em Angola.

“E, se esta experiência tiver sucesso nós (governo) poderemos alargar criando também escolas na Guiné-Equatorial e em Angola” – disse Olinto Daio, tendo sublinhado que tratar-se um direito constitucional, o de acesso ao sistema de ensino. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP – Press”

domingo, 6 de agosto de 2017

Galiza - Tés crianças, tés alternativas

Por volta da difusão social do galego são feitas cada ano uma miríade de campanhas institucionais e pessoais, surgem debates intensos mais ou menos emocionais, mais ou menos racionais e escrevem-se artigos que são comentados, em média, por mais pessoas que outros textos com temáticas diferentes. A língua move, é claro. Ora, toda esta ação empalidece perante uma pergunta: somos capazes de garantir a transmissão linguística de pais para filhos?

Na Galiza, a percentagem de pessoas que tem vontade manifesta de que os seus filhos falem o galego que elas falam é pequeno. A percentagem de aquelas que o conseguem é ainda menor. Possivelmente tu, que estás a ler este texto, tenhas vontade ou terás vontade no futuro.

Por que as crianças falam a língua que falam? Esta também é uma pergunta iniludível. Antes de eu ser pai achava que os progenitores eram a chave do cofre. Agora que sou pai e converso com pais, verifiquei que a chave são os iguais… os amigos e colegas. Por sua vez, os desenhos animados também têm um peso importante, não apenas polo tempo de exposição que implica como também polo valor que as crianças dão a umas personagens que nem sempre falam a língua da casa.

Em termos gerais, a melhor forma de facilitar que os miúdos conservem a língua com que foram educados polos pais é existir uma envolvente em galego, por outros palavras, um ambiente que, maioritariamente, se expresse na língua da Galiza. Um dos espaços imprescindíveis são as escolas e os infantários. Em média, uma criança passa lá 5 horas diárias de segunda a sexta-feira. Se somarmos as atividades extra-escolares ligadas ao centro ou os encontros com colegas da escola fora da mesma, a cifra torna-se ainda mais crucial. Na atualidade, este serviço é abordado polas escolas sementes nalgumas cidades e nas áreas rurais, nem todas, por muitos centros onde o galego é hegemónico entre as turmas. Ora, resta muito por fazer e a maioria das famílias estão desassistidas, escolarmente falando.

Outra área relevante, se atendemos ao número de horas e a influência que têm nas vidas dos miúdos, são os desenhos animados. Neste aspeto, há uma má e uma boa notícia. A notícia ruim é que os galegas e as galegas somos educados em que a nossa língua é local (enquanto o castelhano e internacional, não é?. Com esse esquema, os desenhos animados tornam-se numa tarefa impossível. Na TV existem dous canais 24 horas de programação infantil em castelhano, com as desenhos que todos querem ver e a TVG não oferece nada que se lhe poda comparar. Ora, falava também de uma boa notícia: podemos ser desobedientes e viver o galego como uma língua internacional (como o castelhano, enfim). Então o mapa muda e aparecem mil possibilidades trocando a TV polo computador/Internet de onde se podem obter as mesmas sérias que oferece a TV espanhola. Se o uso do audiovisual é feito desde o princípio em galego internacional, a Doutora Brinquedos ou Dora, a aventureira falam galego.

De facto, falam. No capítulo Peixe fora d´água, da versão brasileira de Dora, a aventureira, a nossa criança vai ouvir encher, buracos, balde, rocha vermelha, caranguejo, polvo, tartarugas, golfinhos. Na versão que nos oferece o sistema cultural espanhol vai ouvir llenar, agujeros, cubo, roca roja, cangrejo, pulpo, tortugas, delfines. Cada escolha implica uma forma diferente de estar no mundo. Onde queremos estar? Onde queremos que estejam os nossos filhos? Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”


Valentim Fagim - Nasceu em Vigo (1971). Professor de Escola Oficial de Idiomas, licenciado em Filologia Galego-portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela e diplomado em História. Trabalhou e trabalha em diversos âmbitos para a divulgaçom do ideário reintegracionista, nomeadamente através de artigos em diversas publicações, livros como O Galego (im)possível, Do Ñ para o NH (2009) ou O galego é uma oportunidade (2012). Realizou trabalho associativo na AR Bonaval, Assembleia da Língua de Compostela, no local social A Esmorga e na AGAL, onde foi presidente (2009-12) e vice-presidente (2012-15). Co-diretor da Através Editora e coordenador da área de formação. Académico da AGLP.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Macau - Duas escolas oficiais com turmas bilingues

No próximo ano lectivo a DSEJ vai criar turmas bilingues, em Chinês e Português, em duas escolas oficiais, com o objectivo de formar “talentos” aptos a comunicar nos dois idiomas. Está planeada a criação “de uma ou duas turmas bilingues” no primeiro ano da primária e do secundário geral na Escola Oficial Zheng Guanying e outra no ensino primário da Escola Luso-Chinesa da Flora

A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) vai criar pela primeira vez turmas bilingues, em Chinês e Português, na Escola Oficial Zheng Guanying e na Escola Primária Luso-Chinesa da Flora, dois estabelecimentos de ensino oficiais do território, já no próximo ano lectivo.

A medida tem como objectivo formar “talentos bilingues excelentes” em linha com as estratégias do Executivo. “Desta forma, os alunos finalistas do ensino secundário complementar destas turmas terão melhores condições para o prosseguimento dos seus estudos em cursos do ensino superior local ou no exterior, relacionados com as línguas chinesas e portuguesa”, sublinhou a DSEJ.

O Governo refere inclusivamente várias áreas que beneficiam de uma formação anterior desta natureza como o direito, tradução e interpretação, assuntos de relações externas, administração pública ou comércio.

De acordo com a DSEJ, está planeada a criação “de uma ou duas turmas bilingues, em Chinês e Português, respectivamente, no primeiro ano do ensino primário e do ensino secundário geral da Escola Oficial Zheng Guanying e no primeiro ano do ensino primário da Escola Primária Luso-Chinesa da Flora”.

A constituição de novas turmas será estendida “anual e progressivamente, até ao terceiro ano do ensino secundário complementar para formar nos alunos graduados no ensino secundário complementar, uma capacidade de nível médio ou superior, em Língua Portuguesa, entre os seis níveis dos exames CAPLE”, ou seja, do Centro de Avaliação de Português Língua Estrangeira.

A DSEJ acredita que as turmas bilingues “poderão quebrar a metodologia de ensino tradicional, adoptando uma concepção curricular e pedagógica flexíveis, com línguas veiculares de Mandarim e Português, com recursos lectivos suficientes e introduzindo um corpo docente de excelência, a fim de fornecer um ensino de qualidade”.

Além disso, as escolas vão disponibilizar “currículos e medidas complementares especiais para os alunos principiantes de português e inscritos nas turmas bilingues do primeiro ano do ensino secundário geral, fundando neles as bases da Língua Portuguesa”. As inscrições começam no dia 1 de Março. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau

sábado, 1 de outubro de 2016

Macau - Generalização do português na mão das escolas

Macau financia e Portugal garante a formação de professores, mas cabe às escolas da região – grande parte instituições particulares com autonomia – decidir se querem ter mais alunos a aprender português

Portugal vai apoiar o plano de generalização do ensino de língua portuguesa nas escolas do ensino não superior de Macau com a formação de professores, e a região compromete-se a manter os incentivos para que as suas escolas particulares, que constituem a maior parte das instituições educativas, possam fazer a opção pelo idioma.

A educação e a difusão do português foram um dos principais tópicos abordados na quarta reunião da Comissão Mista Portugal-Macau que se realizou em Lisboa na última segunda-feira, copresidida pelo Chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, e durante a qual o responsável do Executivo da RAEM apresentou a proposta de plano quinquenal da região.

O documento prevê que a médio prazo seja fixado um número mínimo de hora de ensino de português nas escolas oficiais de Macau, cujos currículos estão sob tutela direta da Direção dos Serviços de Educação e Juventude, e o alargamento do ensino do idioma nas instituições que gozam de autonomia relativa no desenho das disciplinas, as escolas particulares. A atual legislação local determina que estas podem optar entre chinês, português e inglês como línguas veiculares de ensino e segundo idioma leccionado.

“Macau é, de facto, uma excelente plataforma para o desenvolvimento da cooperação entre a China e os países de língua portuguesa. E Macau é também uma excelente plataforma para a difusão da língua portuguesa em toda a China. Por isso mesmo quero saudar, em nome do Governo português, a decisão das autoridades de Macau, inscrita no plano quinquenal [...] apresentado, de generalizar o ensino português em todas as escolas da região, tornando este um projeto com prioridade e apoio por parte das autoridades de Macau”, indicou Augusto Santos Silva no final do encontro.

O representante da diplomacia de Portugal comprometeu o país com apoio que Macau possa vir a requisitar. “Portugal estará naturalmente inteiramente disponível para apoiar a formação de professores naquilo que as autoridades de Macau entenderem necessário”, afirmou.

Sem avançar detalhes sobre eventuais novos incentivos ou um calendário de ação, Chui Sai On deu conta dos apoios já existentes para a segunda língua oficial do território. “Nós temos cursos de português nos vários níveis de ensino nas nossas escolas públicas e, quanto às escolas privadas, apoiamos pessoal docente e materiais didáticos”, afirmou.

No entanto, sublinhou, os resultados da implementação deste propósito vão depender da vontade das administrações das escolas particulares e respetivos alunos. “Estamos a criar muitas condições e oportunidades, para os nossos residentes e suas gerações futuras, de acesso ao ensino da língua portuguesa. Mas, quando se fala de educação, nós apenas proporcionamos oportunidades. A escolha depende de cada um”, afirmou o Chefe do Executivo.

“Quanto ao ensino superior, criamos também muitas oportunidades para as pessoas terem acesso aos cursos superiores em língua portuguesa”, acrescentou.

Mas, mais uma vez, a decisão cabe às instituições educativas. Recorde-se que no final do ano passado a Universidade de Macau pôs fim à oferta de português como língua opcional para alunos não vinculados ao departamento de Estudos Portugueses numa medida que se refletiu numa redução do número de turmas de português na instituição. Por contraste, o Instituto Politécnico de Macau tem vindo a reforçar a oferta, destacando-se no intercâmbio com instituições de ensino superior portuguesas. O atual quadro de troca de alunos entre universidades portuguesas e de Macau é visto como “marcante” pela diplomacia de Lisboa, assinalou Augusto Santos Silva após a reunião de segunda-feira.

O futuro quadro de financiamento da Escola Portuguesa de Macau, instituição cofinanciada pelo Ministério da Educação de Portugal e pela Fundação Macau, foi também abordado pelo Chefe do Executivo em declarações à imprensa, sem que Chui Sai On tenha dado conta dos termos de um novo protocolo que supra a saída da Fundação Oriente do quadro estatutário da instituição este ano. Mas o apoio será mantido para lá de 2017, reiterou o líder da RAEM.

“Temos apoiado [a Escola Portuguesa de Macau] de várias formas desde o seu estabelecimento. Nós vamos continuar a apoiar o funcionamento da Escola Portuguesa de Macau”, afirmou Chui Sai On.

Em 2012, a Fundação Macau comprometeu-se a garantir até 2017 o financiamento da Escola Portuguesa de Macau perante o fim das dotações da Fundação Oriente. Os novos estatutos da escola, revistos este ano, preveem que o Ministério da Educação português garanta 51 por cento dos orçamentos da instituição, sendo que esta deve financiar-se através de receitas próprias e outras proveniente de organizações como a Fundação Macau.

No encontro entre Lisboa e Macau, foi também abordada a importação de quadros especializados portugueses em Macau sob a perspectiva da língua, indicou Augusto Santos Silva.  “Gostaria de saudar o plano de formação de especialistas em língua portuguesa que as autoridades de Macau estão a realizar. Designadamente, garantindo a presença de quadros que sejam também capacitados na língua portuguesa, em áreas tão críticas como o Direito, as Finanças e a Gestão, a Saúde ou a Engenharia Civil,” afirmou o ministro. Maria Caetano – Macau in “Plataforma Macau”

quarta-feira, 30 de março de 2016

Guiné-Bissau - Venezuela financia construção de um complexo escolar

Bissau – O sector de Prábis, na região de Biombo vai beneficiar de um complexo escolar para cerca de 900 alunos distribuídos em 11 salas de aulas e cuja construção avaliada em 212 milhões de francos CFA será financiada pela República de Venezuela.

Ao falar no acto do lançamento da primeira pedra para a construção do referido estabelecimento escolar, e que ocorreu na última sexta-feira, o Primeiro-ministro guineense disse que a edificação de uma escola com o nome de ”Hugo Chaves" constitui um símbolo da cooperação, amizade e parceria entre os dois povos.

Carlos Correia adiantou que o sonho que está a se tornar realidade na vila de Prabis é o resultado de um acordo firmado entre a Venezuela, Cuba e a Guiné-Bissau, tendo salientado que estará no país de Nicolas Maduro nos próximos dias com o objectivo de criar as condições para o alargamento da cooperação a outras áreas.

O chefe do Governo pediu a população a fazer o bom uso do complexo para o bem de todos, tendo apelado aos habitantes de Prábis para a proteger e vigiar os materiais que serão levados para iniciar as obras.
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Por sua vez, a Ministra da Educação Nacional agradeceu o gesto do governo Venezuelano tendo afirmado que para ter emprego no mundo de hoje, é preciso ir à escola e para o fazer é necessário ter os edifícios para albergar os estudantes.

Odete da Costa Semedo acrescentou ainda que, ter edifícios significa cuidar e proteger bem os que já existem para poder servir as gerações futuras, salientando que isso significa ter as carteiras, as portas e ter os professores.

“O que constatamos é que ao longo dos anos as diferentes escolas do país são equipadas com carteiras, portas e janelas, que acabam por desaparecer, por isso é que o Complexo Escolar “Hugo Chaves Frias” se localiza no meio da população para que todos sejam responsáveis na segurança dos materiais, bem como a futura conservação da escola” disse a ministra.

A governante lembrou a população de Prábis, que a escola é para rapazes e raparigas não o contrário porque segundo ela se o país quer vir a ter governantes mulheres, as raparigas devem ir à escola, tendo afirmado que a futura escola vai receber até ao nível da 9ªclasse e mais tarde vai ser alargado para o 12º ano de escolaridade.

Por fim, o Embaixador da República de Venezuela na Guiné-Bissau, afirmou ser um prazer realizar um sonho e vontade do Presidente defunto daquele país, Hugo Chaves que sempre empenhou para que a cooperação Sul-Sul fosse uma realidade em qualquer parte do mundo e sobretudo nos países do sul.

Édi Córdoba exprimiu ser necessário que as obras estejam concluídas no tempo previsto, para que as crianças e jovens daquele sector possam receber os benefícios de uma educação adequada. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Moçambique - Escola de hotelaria e turismo no Dondo

Uma escola de hotelaria e turismo para o nível médio está a ser projectada para o distrito de Dondo, na província de Sofala. Orçada em 153 milhões de dólares norte-americanos, a referida infra-estrutura deverá estar pronta até 2017.

Um projecto nesse sentido foi aprovado, há dias, pelo Governo de Sofala no decurso da sua XV Sessão Ordinária dirigida pela Governadora Maria Helena Taipo.

Na ocasião, o Executivo daquela região do país recomendou ainda ao proponente a melhorar os detalhes técnicos da implementação do projecto desenhado em moldes de parceria Governo-sector privado.

Devendo funcionar sob gestão privada, esta será a primeira instituição do género no país com formação profissional de nível médio, depois das escolas superiores de hotelaria e turismo de Inhambane e Pemba, conforme sustentou o director de Turismo em Sofala, Aníbal Nhampossa, quando abordado pelo nosso Jornal sobre o assunto.

Esboçado para ocupar uma área total de quatro hectares, o projecto engloba as componentes da formação com nove salas de aula, habitação, um hotel, igual número de salas de conferências, entre diversas infra-estruturas, além da parte técnica.

Nhampossa fez saber ainda que, inicialmente, vai ser ocupada uma área de apenas dois hectares do espaço concebido.

Avançou que a futura escola de hotelaria e turismo de Sofala vai reflectir-se directamente na melhoria da prestação de serviços na região cujo mercado é cada vez mais exigente.

Ressalvou, porém, que o mercado formado pela cadeia de hotéis na província de Sofala será, igualmente, chamado a determinar outras áreas afins na formação de mão-de-obra na escola de hotelaria e turismo no Dondo com objectivo de leccionar cursos de média e longa duração, devendo incluir, por exemplo, a componente da contabilidade.

Sobre o mesmo assunto, o porta-voz do Governo de Sofala, Hélcio Cânda, sublinhou que o proponente depois de receber o aval do projecto foi recomendado a trazer informações mais estruturadas sobre a sua execução.

Por seu turno, o presidente do Conselho Municipal do Dondo, Castigo Chiutar, defendeu que as autoridades daquela autarquia que dista 30 quilómetros da cidade da Beira estão preparadas para acolher o projecto em alusão em termos de espaço físico e fornecimento de mão-de-obra o que também vai impulsionar o desenvolvimento daquela urbe. Horácio João – Moçambique in “Jornal de Notícias”

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Japão - Estudantes cuidam da escola para aprender a valorizar património público

Além das tradicionais disciplinas escolares, no Japão atividades como varrer o chão, lavar o banheiro e servir a merenda nas instituições de ensino também fazem parte do currículo dos estudantes de ensino fundamental e médio. "O aluno não estuda apenas as matérias, mas aprende também a cuidar do que é público e a ser um cidadão mais consciente", explica o professor Toshinori Saito.


Separados em grupos e sob a coordenação dos professores, os alunos são responsáveis pela limpeza da sala de aula, dos corredores, das escadas e dos banheiros. Os estudantes ainda fazem suas refeições no local de estudo e são responsáveis pela organização do lanche e por lavar os utensílios utilizados.

Michie Afuso, presidente da ABC Japan, organização sem fins lucrativos que ajuda na integração de estrangeiros na cultura japonesa, diz que esse tipo de educação faz com que as crianças entendam a importância de limpar o que sujou. "Isso mostra o nível de organização do povo japonês, que aprende desde pequeno a cuidar de um patrimônio público que será útil para as próximas gerações", diz.

A brasileira Emilia Mie Tamada, que há 20 anos trabalha como voluntária bilíngue em uma escola japonesa na província de Nara, aprova a metodologia adotada pelo país asiático e garante que os pais das crianças não acham ruim que seus filhos colaborem com a organização da escola. "Neste período, não me lembro de nenhum pai que tenha questionado a participação do filho na limpeza da escola", conta ela. In “Correio 24 horas” - Brasil

domingo, 8 de novembro de 2015

Macau - Escola de línguas direccionada a crianças e adultos

Abre portas a 16 de Novembro a Global Language School Macau, uma escola de línguas direccionada a crianças e adultos. O estabelecimento de ensino tem uma oferta que engloba o mandarim, o cantonense, o português e o inglês, do nível inicial ao mais avançado. A aposta no português vem responder à procura crescente da língua, mas é o cantonense o mais procurado

Nasce a 16 de Novembro de 2015 uma nova escola de línguas em Macau. A Global Language School oferece cursos de mandarim, cantonense, português e inglês, nos diferentes níveis, e surge, diz o responsável pelo projecto, para preencher “uma lacuna” verificada no sector privado. “A ideia surgiu um pouco da constatação da falta de oferta de qualidade, no sector privado, do ensino de português e mandarim para crianças. Foi mesmo constatar que não existia no mercado privado uma escola que conjugasse o ensino do mandarim, do cantonense, do português, sobretudo a pensar nas crianças”, esclarece João Costeira Varela.

A aposta no ensino do português vem responder ao aumento acentuado da procura do idioma de Camões e enquadra-se no quadro do impulso que tem sido dado à língua na região. “Temos esperança que este projecto se enquadre nas várias vertentes que pode assumir a diversificação da economia de Macau. Toda a gente percebe que Macau está a atravessar uma mudança a nível social e económico e é preciso que tenha também valências noutras áreas de prestação de serviços, para além das várias solicitações dos casinos. Nos últimos anos tem havido um enorme crescimento na procura da língua portuguesa e um enorme crescimento na procura de quadros bilingues”.

O português, defende João Costeira Varela, assume-se, cada vez mais, como uma língua de negócios: “É uma língua de trabalho, e cada vez mais será assim. Os bancos estão a desenvolver departamentos para lidar com os assuntos de países de língua portuguesa. Os vários escritórios de advogados começam também a ter serviços virados para esse mercado das relações económicas e comerciais dos empresários chineses e dos de língua portuguesa. O próprio Governo tem cada vez mais iniciativas nesse âmbito, para as quais são precisas pessoas bilingues”, sustenta.

Uma aposta a que não é alheia a identidade do território, caracterizada pela prolongada presença portuguesa. “Macau tem uma identidade própria, que não pode ser apagada, que é o seu passado de presença e administração portuguesa. O português é língua oficial e julgo que a Macau também interessará que haja cada vez mais gente capaz de dominar ambas as línguas, para que a sua identidade não se vá perdendo”.

Mas não é a língua de Camões, aquela que está a congregar maior número de inscrições na jovem escola, criada pelo ex-jornalista. “A comunidade macaense, que são os miscigenados, são completamente bilingues na oralidade, mas não sabem ler nem escrever, ou lêem e escrevem muito pouco chinês. Temos um curso pensado para eles, de cantonense, para quem sabe falar e não sabe ler nem escrever. E é o curso que está a ter maior procura neste momento”. Nos diferentes cursos, o preço por hora é de 170 patacas. In “Ponto Final” - Macau

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Macau - Restaurada escola Leng Nam

As paredes exteriores da Escola Leng Nam foram sujeitas a trabalhos de reparação que conciliaram materiais originais e técnicas tradicionais, numa acção promovida pelo Instituto Cultural para proteger o edifício de interesse arquitectónico





















O Instituto Cultural (IC) concluiu com sucesso os trabalhos de reparação das paredes exteriores da Escola Leng Nam, instalando um sistema de monitorização, prevenção e tratamento de formiga branca por forma a proteger de modo “mais efectivo” aquele imóvel que foi construído em 1921 e integra a lista de edifícios de interesse arquitectónico.

Originalmente denominado como Vila Alegre, o edifício, que apresenta um estilo clássico e design ecléctico, chegou a ser uma das três grandes residências privadas da Colina da Guia, destacando-se nessa zona da cidade há quase um século, sublinhou o IC, em comunicado. No entanto, nos últimos anos, as paredes exteriores começaram a escamar, surgiram fendas e multiplicou-se o número de formigas brancas no interior das salas, representando um risco de segurança.

Iniciados no período das férias de Verão, os trabalhos de reparação foram levados a cabo pelo IC com “materiais originais e técnicas tradicionais, a fim de salvaguardar com o maior rigor a autenticidade do edifício, restaurando os seus delicados detalhes ornamentais e reforçando a prevenção e tratamento de formiga branca”.

Numa primeira fase, a equipa do organismo verificou em detalhe o estado das paredes exteriores, “utilizando novos materiais por forma a eliminar os erros do passado revelados por essa análise, como má ventilação, grãos de cimento e tinta de látex com efeitos nocivos à preservação dos tijolos das paredes exteriores”. Posteriormente, foram reparadas as paredes exteriores, tendo em conta o desenho e materiais originais e utilizando areia cinzenta, para garantir a ventilação, e tintas minerais que permitirão a manutenção estável da cor.

Além disso, as decorações em barro nas paredes, que sofreram com a erosão provocada pela chuva e pelo vento, foram reparadas com o recurso a matérias-primas e técnicas tradicionais. Além disso, o IC reforçou as decorações cuja aparência ainda não foi afectada, através de materiais compatíveis com boa permeabilidade e aderência.

O organismo salienta que, além da cooperação activa de equipas de engenharia, estes trabalhos contaram com o apoio activo da escola. In “Jornal Tribuna de Macau”

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Moçambique – Escola na Vila de Catandica em Báruè destruída

Mais de 500 alunos da escola primária do 1º e 2º ciclo de 1 de Junho na Vila de Catandica em Báruè, estão sem salas de aulas desde último sábado (01) devido um incêndio praticado por Indivíduos desconhecidos ainda a monte.


De acordo com Manuel Senzene director adjunto daquela escola tudo isto aconteceu em plena luz do dia, onde perderam 05 de salas de aulas de construção precária, 20 carteiras e 6 quadros.

O director adjunto pede ainda a todos de boa fé para darem o seu apoio nesta calamidade.

Por sua vez, os pais e encarregados de educação condenam o comportamento de indivíduos marginais visto que retardam o desenvolvimento do distrito. John Chekwa – Moçambique in “http://baruemozambique.blogspot.pt/”

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Cabo Verde – “Como cultivar a cidadania na escola?”

Só assim conseguiremos que, por um lado, na sala de aula, no corredor e no pátio da escola se construa e se viva a cidadania, nos gestos, nas atitudes, nos comportamentos prof/aluno, aluno/prof, prof/prof, aluno/aluno. Isto é, a escola ser geradora de cidadania.

O título não é da minha autoria. Explico-me: fui convidada recentemente pela Associação dos Professores Católicos de Cabo Verde, para participar, numa tarde de Sábado, num debate à volta do tema: «Como cultivar a cidadania na escola?».

Embora sob epígrafes vários, mas próximos em termos de conteúdo, o tema tem vindo a ser recorrentemente tratado nos meios educativos.

Não obstante, suscitou o meu interesse pela forma como a APC pretendia agora abordá-lo, não o queria como ponto assente em termos de pertença natural da escola, mas antes, interrogar-se: como cultivar a cidadania na escola?

Entendi-o também como um desejo implícito da Associação, de que valores e educação voltassem a ser parte integrante da nossa escola.

Da minha parte, lá fui à procura de alguns eventuais contributos que pudessem minimamente juntar-se aos dos outros participantes e ajudar a mim própria, a entender algo que à primeira vista podia parecer até óbvio, uma vez que em perspectiva conjunta estaria um trinómio indissociável Escola/Educação/Cidadania. Esta última há-de funcionar como meta almejada pela escola - na difusão do seu saber, do saber/ fazer. Ou seja, a cidadania, saber/ser, como ponto de chegada do processo educativo e formativo da criança e do adolescente.

Ora bem, olhando, com realismo, para a configuração actual da sociedade cabo-verdiana e fazendo uma breve retrospectiva histórica, da independência a esta parte, algumas questões se me colocaram e se me colocam, tais como: a educação é actualmente uma obrigação, um dever da escola? A questão assim posta pode parecer paradoxal.

Mas se nos ativermos no transcurso destas últimas quatro décadas e sobretudo nos primeiros anos de vivência enquanto país, Cabo Verde, não obstante todo o meritório e digno trabalho levado a cabo no sector da educação, com vista à sua edificação, no entanto, à escola foi-lhe transmitida a directriz primeira, de que só lhe cabia o ensino das matérias curriculares. A educação, “lato senso” caberia e algo difusamente, ao Estado e possivelmente também à família (embora esta estivesse ao tempo, ideologicamente secundarizada pelo primeiro).

Mesmo que fossem orientações dos primeiros conturbados e interrogativos momentos do país na procura de caminhos o que é certo é que a ideia vingou.

Na esteira desse (des)acerto educativo, os professores como que se tolheram com receio, de que uma advertência, de que uma chamada de atenção ao aluno com propósitos educativos não fossem bem-vindos. A pouco e pouco, a boa educação, os valores por nós julgados muito úteis no desenvolvimento cívico e social da criança e do adolescente foram gradualmente desaparecendo da sala de aula, tanto da fala do professor como do comportamento e da atitude do aluno.

Claro que o tal Estado que havia de fornecer, não se sabia muito bem como, a educação, os valores, nunca deu o “ar da sua graça”! e instalou-se uma espécie de grande vazio, e gerou-se também, vale dizer, uma certa apatia, um certo comodismo, no meio disso tudo.

Resumindo, foi um tempo de demasiada descompressão e de muita permissividade; valia na aula o dito “professor-camarada” no mau sentido. Portanto, quando voltou o equilíbrio, pelo caminho, perderam-se os já referidos valores.

A escola deixou de chamar a si, participativamente, esta transcendente responsabilidade social.

A marca ficou, entranhou-se no comportamento escolar, o hábito gerou o resto e resultado: nunca mais a educação e os valores voltaram a ser partes estruturantes, equitativas e fundamentais, da escola cabo-verdiana. O que é uma pena!

Pois bem, a educação e o ensino que deviam ser, dado o caso particular da configuração familiar e social cabo-verdiana, como frente e verso de uma mesma folha de papel, estão hoje completamente divorciados uma do outro.

Do mesmo modo, a escola que devia ser um modelo ideal de transmissão de valores, principal expoente da educação dita formal, foi ficando cada vez mais vazia e encontra-se actualmente, desprovida de valores.

A família com destaque para a oriunda da base bem larga da nossa pirâmide social, isto é, do extracto social menos qualificado em termos de rendimentos, de literacia e de cidadania, com complexos e graves problemas de desestruturação, de disfuncionalidade, de monoparentalidade, não possui capacidade endógena de, no lar, possibilitar essas “ferramentas” básicas e fundamentais à criança no seu processo de socialização e de crescimento.

Resultado, o aluno chega à escola, sobretudo aquele que se dirige à escola pública, com etapas queimadas; ignorante de noções básicas de boa socialização, pois em casa, na chamada educação não-formal, quase que não teve contacto com adultos capazes de influenciar positivamente o desenvolvimento do seu carácter e do seu sistema de valores (nomeadamente, a ausência da figura paterna que é gritante na família cabo-verdiana da camada social menos favorecida).

Ora estes dois males, por um lado, a desmunição de valores que a própria escola apresenta e, por outro lado, o desconhecimento assaz penoso de noções básicas de sociabilização com que aluno entra na sala de aula, penalizam, reduzem fortemente, o aproveitamento e comportamento académicos e no seguimento, inibem o seu desenvolvimento e a sua formação como cidadão. 

Infelizmente, e não é por acaso, que Cabo Verde vive actualmente nos seus centros urbanos, sobretudo na cidade capital, a maior crise de sempre, de delinquência e do crime juvenil.

Perante esta realidade, perante estes sinais tão alarmantes e tão preocupantes, a atenção vira-se agora para a escola, como última esperança, o último baluarte, que despiste, que corrija e que debele esta crise sem precedentes que se abateu sobre larga faixa juvenil da população.

Qual é, qual deve ser o papel da escola? Como cultivar a cidadania na escola?

É o desafio que nos lança agora e em boa hora, a Associação dos Professores Católicos de Cabo Verde, APC.

Só através de um trabalho sistemático, estruturador e consciente, realizado no interior da comunidade escolar, isto é, da escola - enquanto instituição que realiza a instrução e a educação - dos professores, dos pais e encarregados de educação, dos alunos, e coadjuvados por associações e fundações da sociedade civil, enfim, por agentes próximos e activos e mais contributivos para a causa da Educação.

Só assim conseguiremos que, por um lado, na sala de aula, no corredor e no pátio da escola se construa e se viva a cidadania, nos gestos, nas atitudes, nos comportamentos prof/aluno, aluno/prof, prof/prof, aluno/aluno. Isto é, a escola ser geradora de cidadania. Por outro lado, a escola virar-se, abrir-se em atenção à comunidade onde se encontra implantada; à sociedade e ao mundo que a rodeia e deles colher exemplos de boa prática de cidadania para sobre isso reflectir e difundir na própria escola.

Finalizando, devemos aproveitar, como alguém já disse e bem, os momentos do achamento do “eu” que a escola proporciona ao aluno e neles cultivar a cidadania. Ondina Ferreira – Cabo Verde in “coral-vermelho.blogspot.com”

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Portugal é mar

Novos territórios marítimos estão na proposta – entregue nas Nações Unidas em 2009 – de extensão da plataforma continental portuguesa para lá das 200 milhas. Desde então, o país já pôde começar aí a exercer a sua soberania sobre o solo e subsolo marinhos.



Mais de 44.000 mapas de Portugal serão pendurados nesta quarta-feira, 02 de Abril de 2014, nas paredes das salas de aulas de inúmeras escolas, desde o primeiro ciclo até ao final do ensino secundário, e tanto públicas como privadas. O que este novo mapa procura explicitar é que Portugal é praticamente só mar: enquanto o território fora de água tem pouco mais de 92.000 quilómetros quadrados, o território debaixo de água chega quase aos quatro milhões de quilómetros quadrados. Portugal é Mar, o título do mapa, evidencia que 97% do país é mar.

Simbolicamente vai ser colocado por volta das 10h30 na Escola Básica e Jardim de Infância Rómulo de Carvalho, em São Domingos de Rana, no concelho de Cascais, pelo ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, e pela ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas (que já o tinham dado em Fevereiro ao Presidente da República, Cavaco Silva). Pediu-se também às escolas que o receberam que o pendurassem à mesma hora.

Por agora, nem todas as escolas têm o mapa. Hoje, 44.780 mapas serão afixados em salas de aulas e laboratórios de 1008 escolas ou agrupamentos escolares públicos e privados, segundo informou ontem a assessoria de imprensa do Ministério da Educação. O mapa estará em 86% das escolas da rede pública, acrescentou. Por outro lado, iniciaram-se agora os contactos para que chegue às escolas dos Açores e da Madeira, onde existe autonomia regional educativa.

O novo mapa resulta dos trabalhos científicos de alargamento da plataforma continental para lá das 200 milhas náuticas da Zona Económica Exclusiva (ZEE), realizados de forma sistemática a partir de 2005, na transição entre os governos PSD de Pedro Santana Lopes e PS de José Sócrates.

Com 80 centímetros de comprimento por 60 de largura, o mapa tem pouca informação de propósito. Pintados de amarelo, vêem-se os três pedaços de terra que constituem Portugal Continental e os arquipélagos dos Açores e da Madeira, como se fossem jangadas de pedra perdidas num imenso mar azul. À volta desses bocados de terra surge a ZEE, que já dava ao país jurisdição tanto sobre a água como sobre o solo e subsolo marinhos; e pode ir até às 200 milhas desde que não chegue a território espanhol.

Agora, para lá da ZEE, Portugal (tal como outros países ao abrigo da Lei do Mar das Nações Unidas) pode ainda estender pacificamente o seu território no mar – neste caso, alargar a jurisdição sobre solo e subsolo marinhos. É isto que se designa por extensão da plataforma continental. Os limites da plataforma portuguesa, tal como foram entregues numa proposta às Nações Unidas em 2009, ainda com José Sócrates como primeiro-ministro, é o que finalmente mostra o novo mapa, evidenciando a diferença entre a pequenez da terra e a grandeza do mar.

Os contornos da plataforma continental apresentados às Nações Unidas ainda serão discutidos na Comissão de Limites da Plataforma Continental, em princípio em 2016. Mas a proposta da sua extensão já permite a Portugal exercer direitos de soberania sobre o solo e subsolo marinhos para exploração e aproveitamento de recursos naturais. Mais: não só esses direitos são exclusivos de Portugal, por isso nenhum outro país pode exercer aí actividades de exploração sem o seu consentimento, como não dependem da ocupação deste território.

No total, a área dos novos domínios marítimos portugueses ultrapassa 3.800.000 quilómetros quadrados: desses, 1.600.000 correspondem à ZEE (a terceira maior da Europa) e 2.150.000 à plataforma continental para lá das 200 milhas. O território marítimo é 40 vezes superior ao terrestre.

À 14ª versão

A ideia deste mapa partiu da geóloga Raquel Costa, da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (agora tutelada pelo Ministério da Agricultura e do Mar), onde coordena o projecto Kit do Mar, destinado a promover o conhecimento sobre os oceanos. Surgiu-lhe durante uma conversa com o director do Oceanário de Lisboa, João Falcato. Esta parceria entre o Oceanário, que pagou a elaboração do mapa, e o Kit do Mar incluiu ainda o Ministério da Educação, para que o novo retrato do país estivesse nas escolas.

O objectivo é mostrar aos mais jovens a importância do mar e renovar a identidade marítima colectiva, até agora mais virada para o valor histórico desde os Descobrimentos. “Espero que o impacto de ver o mapa de Portugal centrado no mar mude as consciências das novas gerações e vejam que o mar tem um potencial enorme de exploração do ponto de vista científico, económico, social e cultural”, refere Raquel Costa.

Esta é a 14ª versão do mapa – até se conseguir chegar a “uma versão bonita, simples e didáctica”, conta a geóloga. Mas a informação não se resume ao próprio mapa. No sítio do Kit do mar, a equipa do projecto desenvolveu uma série de propostas de actividades educativas, já disponíveis. Teresa Firmino – Portugal in “Jornal Público”

terça-feira, 30 de abril de 2013

Escola

“Na escola do meu tempo nem todos lá entravam e muitos dos que o conseguiam saíam ao fim de pouco tempo, ficando com a segunda ou terceira classe, como então se chamava. Chegava para um país atrasado, rural e sem necessidade de qualificação.

Na escola do meu tempo os rapazes estavam separados das raparigas.

Na escola do meu tempo havia um só livro e toda a gente aprendia apenas o que aquele livro trazia.

Na escola do meu tempo levavam-se muitas reguadas, basicamente por dois motivos, por tudo e por nada.

Na escola do meu tempo, ensinavam-nos a ser pequeninos, acríticos e a não discutir, o que quer que fosse.

Na escola do meu tempo eu era “obrigado” a ter catequese, religiosa e política.

Na escola do meu tempo aprendia-se que os homens trabalham fora de casa e as mulheres cuidam do lar e dos filhos.

Na escola do meu tempo não aprender não era um problema, quem não “tinha jeito para a escola, ia para o campo”.

No tempo da minha escola, quem mandava no país achava que muita escola não fazia bem às pessoas, só a algumas. Ao meu pai perguntaram porque me tinha posto a estudar depois da quarta classe, não era frequente naquele meio. Para ser serralheiro como ele não precisava de estudar mais.

Na escola do meu tempo não se falava do lado de fora de Portugal. Do lado de dentro só se falava do Portugal cinzento e pequenino. Na escola do meu tempo eu era avisado em casa para não falar de certas coisas na escola, era perigoso. As pessoas até podiam ser presas e maltratadas.

Sim, eu sei, não precisam de me dizer que a escola deste tempo ainda tem muitas coisas parecidas com a escola do meu tempo. Também estou muito preocupado com o que vai acontecendo na escola de hoje.

Mas o caminho é mesmo melhorar a escola deste tempo não é, não pode ser, querer a escola do meu tempo.” José Morgado – Portugal in “Diário de Notícias”

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Bôbô-Fôrro

No âmbito da cooperação bilateral o governo de São Tomé e Príncipe recebeu no dia 17 de Outubro de 2012 do seu homólogo japonês quatro novas salas de aula na escola de Bôbô-Fôrro, bem como carteiras e cadeiras que vão apetrechar o novo equipamento. Além deste novo melhoramento, foi construído o muro exterior e pintado todo o edifício, que vem dar outra motivação aos jovens alunos frequentadores desta escola.

A recuperação da escola de Bôbô-Fôrro vem no seguimento da obra já executada na escola de Guadalupe e integra um conjunto de oito projectos que o governo japonês tem planeado executar no protocolo de cooperação com São Tomé e Príncipe.

Esta obra avaliada em cerca de 72 mil euros vem permitir reduzir a lotação das turmas, melhorando a qualidade do ensino, uma aposta do governo santomense, para no futuro ter uma melhor qualificação dos seus jovens. Baía da Lusofonia