Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Artes plásticas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artes plásticas. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de junho de 2026

Angola - Casa de Cultura Rainha Njinga A Mbande do Rangel focada na formação artística e intelectual da juventude local

A instituição, ocupando as instalações da antiga Biblioteca do Rangel, recuperadas pela Fundação Obra Bella com o aval do Governo da Província de Luanda, vem-se destacando na vertente educativa com resultados sólidos, especialmente na área da informática


A Casa de Cultura Rainha Njinga A Mbande, localizada no Bairro Nelito Soares, município do Rangel, destaca-se como um espaço vital para a formação artística e intelectual da juventude local, operando sob um modelo filantrópico e de parceria comunitária.

Apesar das limitações financeiras inerentes ao seu modelo filantrópico e dos desafios técnicos de infra-estrutura, projecta um crescimento estratégico para 2027, focado na profissionalização da sua promoção mediática e na estabilização de parcerias para eventos de maior porte.

Ocupando as instalações da antiga Biblioteca do Rangel, recuperadas pela Fundação Obra Bella com o aval do Governo da Província de Luanda, a Casa de Cultura Rainha Njinga A Mbande é constituída por uma Oficina de Artes, Biblioteca Manuel Pedro Pacavira, Sala de Convívio, Anfiteatro, Ginásio, Salas de Aulas, Escritórios, Casas de banho e cozinha.

Mas, entre elas, o teatro, informática, as artes plásticas são as actividades que mais se têm destacado. Para melhor conhecer por dentro a realidade deste importante Espaço Cultural, abordamos o seu responsável, Dom Caetano, que, numa curta visita guiada aos diferentes compartimentos da estrutura, detalhou o panorama operacional e a dinâmica que se impõe, realçando o compromisso da instituição com a formação comunitária e a preservação da identidade cultural local.

O responsável referiu que, apesar dos desafios financeiros e logísticos, a instituição mantém uma oferta cultural robusta e gratuita, focada no crescimento intelectual e artístico da juventude angolana. Realçou que, nesta sua acção educativa, em apenas 18 meses, mais de 60 formandos concluíram o curso, com muitos já inseridos no mercado de trabalho.

Ressaltou que, como instituição de direito privado vinculada à Fundação Obra Bela, o Centro Cultural tem como objectivo promover benfeitorias na comunidade do Rangel. Augusto Nunes – Angola in “O País”


quarta-feira, 14 de maio de 2025

Cabo Verde - Encerramento da 3.ª Edição do Festival Kontornu: um marco cultural no país

O Festival Kontornu concluiu a sua terceira edição a 10 de maio de 2025, no Tarrafal de Santiago, após uma semana de intensa programação iniciada a 3 de maio na Cidade da Praia. Este evento consolidou-se como um dos maiores festivais de dança nos países de língua portuguesa, reunindo artistas de diversas nacionalidades, incluindo Portugal, Ucrânia, Polónia, República Checa, Brasil, Moçambique, Itália, Espanha e República Dominicana. A programação diversificada incluiu workshops, espetáculos, conversas, exposições de artes plásticas e desempenhos de rua, proporcionando uma plataforma rica para o intercâmbio cultural e artístico.



Formação de Públicos e Inclusão Social: o papel da programação infantil

Uma das mais nobres e estratégicas vertentes do Festival Kontornu residiu na sua aposta na programação voltada para o público infantil. Esta escolha, longe de ser um simples gesto de inclusão simbólica, representa uma visão esclarecida sobre a importância da iniciação cultural desde os primeiros anos de vida. Ao acolher crianças oriundas de escolas de diversos bairros da Cidade da Praia — muitos deles marcados por desafios sociais e económicos — o festival criou condições para que estas tivessem o seu primeiro contacto com a arte performativa em contextos formais e institucionais de cultura, como teatros e centros culturais.

Os espetáculos dedicados à infância, cuidadosamente desenhados para dialogar com o universo sensorial, emocional e cognitivo das crianças, tiveram um impacto profundo. Por um lado, permitiram a fruição estética e artística por parte dos mais novos; por outro, contribuíram para a formação de públicos críticos e conscientes. Crianças expostas desde cedo à diversidade de linguagens artísticas desenvolvem maior sensibilidade, criatividade e capacidade de análise. Neste sentido, o Festival Kontornu não só promoveu o entretenimento educativo, como também semeou noções de cidadania cultural e pertença social.

Adicionalmente, esta iniciativa teve um papel relevante na promoção da equidade no acesso à cultura. Em contextos marcados por desigualdade, como os de muitos bairros periféricos da capital cabo-verdiana, a participação em eventos culturais é frequentemente limitada por barreiras económicas, geográficas e simbólicas. Ao garantir o acesso gratuito e organizado de centenas de crianças aos espetáculos, o festival combateu essas barreiras, operando como um agente de inclusão social efetiva. Criou-se, assim, um espaço de convívio e partilha intergeracional, onde a arte serviu de ponte entre diferentes mundos e realidades.

Mais do que uma atividade paralela, a programação infantil do Festival Kontornu mostrou-se um eixo central de ação cultural com implicações duradouras. Investir na formação de públicos não é apenas preparar o futuro da arte — é também, e sobretudo, investir na formação de cidadãos mais livres, conscientes e preparados para pensar criticamente o mundo que habitam.

Parcerias Estratégicas: a colaboração com a Bienal de Dança do Ceará

O festival contou com uma parceria especial com a XV edição da Bienal de Dança do Ceará, que trouxe cerca de 10 espetáculos para Cabo Verde. Esta colaboração internacional reforçou a qualidade e diversidade da programação, promovendo o intercâmbio artístico entre os países lusófonos e ampliando as oportunidades de formação e exposição para os artistas locais.

Acesso Gratuito e Mobilização Comunitária: democratização da cultura

Com uma programação completamente gratuita, o Festival Kontornu investiu na mobilização de associações comunitárias e grupos juvenis, facilitando o acesso aos teatros e espetáculos. Esta abordagem inclusiva democratiza o acesso à cultura, promove a coesão social e fortalece os laços comunitários, contribuindo para uma sociedade mais equitativa e culturalmente rica.

Apesar do evidente sucesso artístico e da resposta calorosa do público, a terceira edição do Festival Kontornu operou sob um cenário profundamente precário, resultado direto da fragilidade do apoio institucional e da insuficiência orçamental. Esta realidade não só revela as dificuldades estruturais que enfrentam as iniciativas culturais no arquipélago, como também expõe um certo desinteresse — ou no mínimo negligência — por parte das entidades responsáveis pela promoção e valorização da cultura em Cabo Verde.

O festival, que se afirma hoje como uma referência nos circuitos das artes performativas dos PALOP, não contou com a presença de representantes das estruturas culturais estatais durante os dias do evento. Esta ausência, para além de simbólica, é também política: ela comunica uma hierarquização clara das práticas culturais apoiadas, onde certas expressões artísticas — muitas vezes com menor potencial crítico ou transformador — recebem grande visibilidade e financiamento, enquanto outras, como a dança contemporânea e a performance, continuam a ser marginalizadas.

A omissão dos parceiros culturais na divulgação do festival através dos seus canais oficiais é também reveladora. Num país onde os meios de comunicação institucional são ainda centrais para a circulação da informação, o silêncio dos organismos públicos equivale a uma forma de apagamento simbólico. Tal atitude não só compromete a sustentabilidade de projetos independentes como o Kontornu, como perpetua uma lógica elitista e excludente na definição daquilo que é — ou não é — cultura “merecedora” de atenção e investimento.

O subfinanciamento do festival traduziu-se, de forma concreta, na sobrecarga da equipa organizadora, que teve de operar com um número muito reduzido de produtores e técnicos. Esta escassez de recursos humanos e logísticos fragilizou não só a operacionalização do evento, mas também o bem-estar e a saúde dos profissionais envolvidos, muitos dos quais trabalham já em condições de enorme instabilidade. É fundamental compreender que sem investimento justo e contínuo, a produção cultural transforma-se num exercício de resistência, onde o entusiasmo artístico é frequentemente minado pela exaustão e pelo abandono institucional.

A crítica que aqui se impõe não é apenas à ausência pontual de apoio, mas a um modelo estrutural de desvalorização das artes performativas, que tende a priorizar eventos de cariz mais comercial ou turístico, em detrimento de projetos que investem na formação, na inclusão e na experimentação artística. Esta política cultural desequilibrada compromete a diversidade e a vitalidade do ecossistema artístico cabo-verdiano.

Perspetivas Futuras: Festival incerto e a necessidade de compromisso institucional

O futuro do Festival Kontornu depende do envolvimento e financiamento efetivo das estruturas culturais. Esta dependência não se baseia apenas numa expectativa moral ou ética: trata-se de uma exigência legal e constitucional. A Constituição da República de Cabo Verde estabelece, no seu artigo 78.º, que "todos têm direito à fruição e criação cultural" e que incumbe ao Estado "promover a democratização do acesso à cultura e incentivar a participação de todos na vida cultural". Assim, as autoridades nacionais e autárquicas têm o dever constitucional de garantir não apenas o acesso à cultura, mas também os meios concretos para a sua produção e difusão.

Neste contexto, o apoio à continuidade de eventos como o Festival Kontornu não deve ser encarado como um ato de benevolência governamental, mas como o cumprimento de uma obrigação pública perante os cidadãos. Quando o financiamento de atividades culturais é concentrado em eventos com forte mediatismo ou viés comercial, relegando para segundo plano iniciativas comprometidas com a formação crítica, a inclusão e a valorização da diversidade artística, perpetua-se uma desigualdade de oportunidades que fere o princípio de justiça cultural.

O Festival Kontornu demonstrou, ao longo das suas edições, ser muito mais do que um evento artístico: é uma plataforma de encontro, de intercâmbio, de reflexão e de projeção internacional. Abre portas para artistas emergentes, fomenta o pensamento crítico, dinamiza o setor criativo e projeta Cabo Verde no circuito global da dança contemporânea. Contudo, sem o apoio estrutural e consistente do poder público, festivais com este perfil são constantemente ameaçados pela descontinuidade, pela precariedade e pelo esgotamento das suas equipas produtoras.

O Estado e os municípios devem, portanto, rever as suas prioridades orçamentais e reconhecer que investir na cultura não é um luxo, mas uma alavanca fundamental para o desenvolvimento sustentável. O impacto de um festival como o Kontornu estende-se para além das salas de espetáculo: ele movimenta o turismo cultural, estimula a economia local (através do alojamento, da restauração e do comércio), promove a educação artística nas escolas, gera emprego e fortalece a identidade cabo-verdiana perante o mundo.

Em sociedades marcadas por profundas desigualdades sociais e territoriais, o investimento em cultura assume um valor estratégico. Ele contribui para a coesão social, reduz distâncias simbólicas e reais entre os cidadãos, e oferece ferramentas para a transformação social. O Festival Kontornu é um exemplo claro de como a arte pode transformar vidas e territórios. O seu desaparecimento, por falta de compromisso institucional, não seria apenas uma perda para a classe artística — seria uma derrota para o próprio projeto de país que se pretende democrático, inclusivo e culturalmente vibrante.

Portanto, não avançaremos mais com o festival, se não houver um aporte financeiro que dignifique os profissionais que trabalham para que ele possa acontecer. Djam Neguin – Cabo Verde Festival Kontornu


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Moçambique – No Camões - Centro Cultural Português em Maputo, Jorge Dias inaugura exposição “Fico a Ver o Lá Daqui”

A exposição “Fico a Ver o Lá Daqui”, de Jorge Dias, é uma iniciativa que marca o arranque da programação anual do Camões - Centro Cultural Português em Maputo e o regresso do trabalho (individual) do artista moçambicano a este espaço expositivo, após ter apresentado em 2017 a mostra “Plano das Coisas”.



Segundo o artista, a exposição “é sobre o aqui e agora, sobre as memórias e os valores culturais, sobre o processo de construção de identidade comum e a sua transformação permanente. É sobre as perguntas que fazemos sobre nós, que dão sentido à vida que temos. É o caminho para novos diálogos e significados.”

A mostra ocupa o espaço da Galeria do Centro Cultural Português e conta com a participação especial da historiadora Alda Costa, que escreveu um texto inédito onde refere uma das diretrizes que o Centro Cultural Português quer destacar nesta nova temporada: “No ano em que se celebram 50 anos de Moçambique independente, dar visibilidade aos seus artistas com uma exposição de Jorge Dias (n.1972) só pode ser um bom presságio para uma maior valorização da criação moçambicana.” Também neste texto, podemos ler que: “Nos trabalhos que Jorge Dias apresenta em cada exposição, refletindo a sua abordagem única à arte, ele recorre a um processo acumulativo. Aprofunda ideias e formas presentes em projetos anteriores, conecta passado e presente, reutiliza e recria, estabelecendo pontes.”

A exposição “Fico a Ver o Lá Daqui” ficará aberta ao público na galeria do Camões – Centro Cultural Português em Maputo até ao dia 15 de março. O horário de visita é de segunda a sábado, das 10h às 17h.

A entrada é gratuita.

Nota biográfica de Jorge Dias:

Jorge Dias nasceu em 1972 em Maputo. Estudou Cerâmica na Escola Nacional de Artes Visuais em Maputo entre os anos de 1987 e 1992; formou-se em Escultura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil) em 2002.

Realizou exposições individuais e colectivas em diversas instituições entre as quais se destacam as seguintes: “Humano” Museu Nacional de Arte, com Gemuce, Maputo em 2005; “Zoologia dos Trópicos” Centro Cultural de Lagos, Lagos/Portugal, com o brasileiro Nelson Leirner, em 2005; “Lisboa-Luanda-Maputo” na Galeria Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, Lisboa/Portugal, em 2007; “Réplica e Rebeldia” em Moçambique, Brasil, Cabo Verde e Angola, em 2007); Bienal de S. Tomé e Príncipe, em 2008); “Angaza África” na October Gallery, Londres/Reino Unido, em 2008; “Africa Now” no Banco Mundial, Washington DC/EUA, em 2009; “África 2.0” na Influx Contemporary Art Lisboa/Portugal, em 2012; “Zoologia dos Fluxos” e “Lugares de Passagem” no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em 2007 e 2015; “Processos” na Kulungwana, em 2013; “Transparência: Processos Criativos e Devaneios” e “Plano das Coisas” no Camões – Centro Cultural Português – Maputo em 2010 e 2017; Espaço Fundação PLMJ, com Lino Damião, Lisboa/Portugal, em 2012, “Pancho: Outras Formas e Olhares” com Sónia Sultuane, em Maputo e Ilha de Moçambique, em 2018; “Um Urbanista da Memória” No AT | AL | 609 – Lugar de Investigações Artísticas em Campinas, São Paulo Brasil e Espécies Nativas com o artista Genivaldo Amorim, em Valinhos, São Paulo, Brasil em 2022.

Foi curador, em vários projetos a nível nacional e internacional destacando-se os seguintes: Feira de Arte ARCO´06, em 2006; Feira de Arte Lisboa, em 2004 e 2008; Expo Arte Contemporânea Moçambique, 2004/06/08/10); como co-curador na Bienal TDM “A Máquina Que Queria Voar”, 2007 e na Bienal TDM “Espaços de Hoje: desafios e limites”, em 2009.

Foi curador no Museu Nacional de Arte em Maputo (2006 - 2010), director da Escola Nacional de Artes Visuais (2010 – 2017), director adjunto do Museu Nacional de Arte (2017). Atualmente é Coodenador do Instituto Guimarães Rosa Maputo.

É membro fundador do Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique – MUVART. Vive e trabalha em Maputo. In “Camões - Centro Cultural Português em Maputo” - Moçambique


quinta-feira, 18 de abril de 2024

Macau - Celebrações do 25 de Abril com música, cinema, fotografia e artes plásticas

O Consulado Geral de Portugal em Macau divulgou o programa das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril no território, do qual vão fazer parte iniciativas ligadas à música, cinema, fotografia, etc


Foi divulgado pelo Consulado Geral de Portugal em Macau o programa das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril no território. O Consulado propõe, então, um programa que inclui várias disciplinas artísticas, como a música, o cinema, a fotografia, as artes plásticas e a poesia, por exemplo.

A programação do Consulado iniciou-se com a inauguração da exposição “Que Mar Se Vê Afinal da Minha Língua?”, organizada pela BABEL, e que está patente na Casa Garden até ao dia 12 de Maio. Na Casa de Vidro está também disponível a exposição “50 Passos para a Liberdade”, da organização da Casa de Portugal, também até ao dia 12 de Maio.

Também integrado nas comemorações dos 50 anos de democracia em Portugal, realizou-se no sábado passado o concerto “Zeca”, no Teatro D. Pedro V, com os músicos portugueses Pedro Jóia e José Salgueiro a interpretarem temas de José Afonso, músico incontornável na história portuguesa. Este concerto foi organizado pela associação Somos!.

Depois, ao longo da próxima semana, de 22 a 28 de Abril, realiza-se na Livraria Portuguesa uma feira do livro. Também ao longo da próxima semana vão realizar-se na Escola Portuguesa de Macau (EPM) actividades em contexto escolar relacionados com o 25 de Abril.

Por outro lado, na próxima terça-feira, pelas 18h, actua o Grupo coral e instrumental ORFF e a Tuna da EPM, no auditório do Consulado. Depois das actuações musicais, será exibido o documentário “25 de Abril: A Revolução a Partir de Macau”, e posteriormente segue-se uma mesa-redonda sobre a Revolução dos Cravos.

No dia 30 de Maio, às 20h, actua o grupo de Fados de António Ataíde, no Teatro D. Pedro V, um concerto intitulado “Traz Um Amigo Também”. O mesmo espectáculo musical vai acontecer em Hong Kong, no Club Lusitano, no dia 2 de Maio. Do programa das celebrações da data faz ainda parte um ciclo de cinema, com filmes a serem exibidos entre 7 de Maio e 19 de Junho, no auditório do Consulado.

Em comunicado, o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong ressalva que, além destes eventos, haverá ainda iniciativas de confraternização, com jantares comemorativos do 25 de Abril organizados por associações locais, cujos pormenores vão ser anunciados brevemente.

As comemorações do meio século de liberdade e democracia em Portugal tiveram início oficialmente ainda em Março de 2022, momento em que Portugal passou a ter mais dias de democracia do que de ditadura, terminando só no final de 2026, quando se cumprem 50 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa e 50 anos do ciclo eleitoral que decorreu em 1976. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 13 de março de 2024

Angola - Fineza Teta almeja criar escola de artes plásticas

A artista plástica Fineza Teta revelou que está empenhada na concretização de uma escola de artes


Segundo avançou a artista, tem recebido muitos pedidos de pais que querem ver os filhos a terem aulas de pintura e artes, por isso está a trabalhar, desde o ano passado, na manutenção de uma galeria-escola, localizada no Patriota, em Luanda.

"Este é no momento o meu grande desafio. Tenho um espaço pequeno, uma galeria, mas que não se adequa porque não tem arejamento, dado que as tintas são tóxicas. Seria perigoso para as crianças. Por isso faço ensaios de 10 a 20 alunos. Tenho alguns meninos que eu pessoalmente, gostaria de "amadrinhar”, embora esteja a ser difícil”, explicou.

Fineza Teta detalhou que os meninos que deseja amadrinhar, conheceu-os na rua, em locais onde faziam desenhos incríveis, com muita dedicação. Dentre estes, um deles chamou-lhe a atenção durante um programa de televisão, onde o mesmo apresentou os trabalhos de maquetes feitas com papelão e lata.

"São crianças que eu gostaria muito de apadrinhar. O meu grande projecto é trabalhar com crianças e adultos em prol da arte, mas a custo próprio está a ser muito difícil. Eu pago renda neste espaço, a volta de 300 mil kwanzas mês, e tenho dificuldades de aquisição de material. Tem sido um grande exercício. Espero que este ano consiga alguns patrocínios, porque não tem sido fácil manter a minha palavra junto dos muitos pais que desejam ver os filhos a aprenderem artes”, disse.

Artista de reconhecido mérito nacional e internacional, faz parte do leque de obras da colecção de Álvaro Macieira, patente no Museu Nacional de História Natural, em celebração antecipada dos 50 anos de Independência. Fineza Teta recordou que conheceu Álvaro Macieira quando recebeu a menção honrosa do prémio Ensa-Arte, em 1998, ainda nas vestes de jornalista. Porém, um dia foi convidada por Benjamim Sabby, na época colega no Instituto de Formação Artista, a visitar o atelier de Álvaro Macieira, situado num dos prédios da Avenida de Portugal.

"O Álvaro pediu-me para pintar alguma coisa, eu fiz uma instalação. Já não me lembrava desse episódio. Um tempo depois, viajo e quando regresso ele disse que estava a pintar e pediu-me para ver alguns quadros meus.  Mostrei-lhe e reconheceu logo que trazia técnicas novas. Era a mistura de quatro técnicas diferentes que eu trago, como o empasto, realismo, etu-etu e o crafty. Ele gostou e falou sobre o Kinamuta. Achei pertinente a colecção, e, hoje, podemos afirmar que é um dos grandes coleccionadores das artes plásticas angolanas”, pontua.

Para a artista, pessoas como o Álvaro Macieira devem ter colaboração estreita com os futuros museus, visto que traz nesta exposição uma grande diversidade de escultura e cerâmica com técnicas que fazem escola.

Com mais de duas décadas de carreira, Fineza Teta é a única artista feminina a vencer o Grande Prémio Pintura na XII Edição do ENSA ARTE, em 2014.

"Sinto-me uma mulher realizada, que vive aquilo por que sonhou. Sou uma pessoa privilegiada porque vivo das artes plásticas. Há quem diga ter inveja de mim por sentir como eu sou livre. Ainda tenho muita coisa por fazer, e o meu grande desejo é participar para o bem da reconciliação do meu país. Enquanto haver fôlego, vou contribuir para a grandeza deste país, porque aqui é o meu lugar”, revelou.

Fineza Sebastião Teta "Fisty” nasceu 26 de Dezembro de 1977, na Ilha de Luanda. Desde criança manifestou a vocação artística. É licenciada em Belas Artes e design pela Open Window Arte Academy, da África do Sul, onde recebeu a distinção de Mascote Escolar. Certificada em Design de interiores, pela New York, na New York Academy, Design internacional pelo Distrito de Arte, cultura e Desporto Chinês.

Fez parte dos jurados do Prémio Nacional Cultura e Artes. Integrou diversas cerimónias de recepção cultural para a delegação presidencial e participou em exposições colectivas e individuais a nível nacional e internacional.

A experiência adquirida em vários países reflecte-se no conjunto da obra que expressa um mosaico de vertentes artísticas, e não só, bem como as obras estão representadas em várias colecções públicas e privadas nacionais e internacionais. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


quinta-feira, 31 de agosto de 2023

França - Paris homenageia Natália Correia

Uma exposição com obras de artistas plásticos que dialogam com a obra literária de Natália Correia (1923-1993), enriquecendo o contexto histórico e estético da poetisa e deputada, vai ser inaugurada a 8 de setembro, em Paris


Intitulada “Natália Correia – Confissão poética em torno de Mulher Atlante”, a mostra de artes plásticas com cerca de 30 autores terá lugar na Casa de Portugal – André de Gouveia, da Cité Internationale Universitaire de Paris – Fundação Calouste Gulbenkian em França.

Mário Cesariny, Agostinho Gonçalves, Cruzeiro Seixas, Fernando Lemos, Isabel Meyrelles, Matilde Marçal, João Rodrigues, José Escada, Júlio Resende, Margarida Madruga, Eduardo Gageiro, Benjamim Marques, Raul Perez, Mário-Henrique Leiria e Borderlovers são alguns dos criadores representados, segundo um comunicado da organização.

Trata-se de uma iniciativa enquadrada no centenário do nascimento de Natália Correia, escritora portuguesa nascida no arquipélago dos Açores que foi deputada à Assembleia da República, destacando-se pela intervenção política nas áreas da cultura, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres.

A iniciativa, comissariada por Rui A. Pereira, tem como objetivo evocar a vida e obra da pensadora, o seu universo criativo e os caminhos artísticos que estimulou, segundo a organização, a cargo de Carlos Cabral Nunes, da Perve Galeria.

No texto de introdução ao catálogo da exposição, o comissário refere que as memórias de infância e adolescência marcaram Natália Correia: “Ter vivido nos Açores até aos seus 16 anos, com a circunstância de, desde muito cedo, ter um pai ausente; assumir que a presença materna junto de si foi basilar na construção da sua consciência no Feminino; viver o ‘espanto’ permanente em contiguidade com a presença da imensidão do mar foram, certamente, fatores determinantes na formação da sua personalidade”.

A observação das sucessões de marés inspirou “visões de encanto e reverência tão bem celebradas por ela [Natália Correia] e muitos outros criadores, os poetas, pintores…”.

A Casa de Portugal organizará ainda um ciclo de eventos no âmbito desta comemoração do centenário, nomeadamente um colóquio internacional em parceria com as Universidades de Paris Sorbonne, Paris Nanterre, Paris 8, Universidades Nova de Lisboa e de Göttinghem, nomeadamente com a Cátedra Almada Negreiros.

Marcada para dia 08 de setembro, às 18:00, a exposição ficará patente até 28 de outubro.

Durante esta iniciativa decorrerá a pré-estreia internacional do filme “O aplaudido dramaturgo curado pelas pílulas pink”, conto de Natália Correia adaptado para cinema pela Marginal Filmes, com realização de Jo Monteiro. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 11 de julho de 2022

Moçambique - “O sortilégio estético” homenageia Victor Sousa


A fim de homenagear, a título póstumo, o artista plástico Victor Sousa, pelos 70 anos de nascimento, está aberta, de 07 a 29 de Julho de 2022, a exposição O sortilégio estético.

As obras que unem na mesma iniciativa a Associação Kulungwana e o Instituto Guimarães Rosa/Centro Cultural Brasil-Moçambique, na verdade, estão repartidas em duas exposições em homenagem ao artista Victor Sousa. Estas exposições retratam a importância deste artista no contexto das artes plásticas moçambicanas.

Lembrado muitas vezes como tendo sido o primeiro professor moçambicano de artes plásticas na Escola Nacional de Artes Visuais, foi também pintor, gravador, ceramista e escultor. Esteve sempre ligado ao Núcleo de Arte e a uma geração de artistas do seu tempo e a novos artistas que passavam frequentemente pelo seu atelier.

Segundo uma nota de imprensa, as obras apresentadas na galeria da Kulungwana, na técnica de monotipia e gravura, pertencem à colecção do Engenheiro Álvaro Henriques, importante coleccionador da arte moçambicana, que começou a coleccionar obras de Victor Sousa no início dos anos 80.

A exposição apresentada no Instituto Guimarães Rosa/Centro Cultural Brasil-Moçambique, pertencentes à família do artista, reúne um conjunto de cerâmicas produzidas entre os anos 80 e 2016. In “O País” - Moçambique


 

segunda-feira, 20 de junho de 2022

UCCLA - Inauguração da exposição “Olhares da Guinendade - Artes da Guiné-Bissau”



Uma exposição de artes plásticas da Guiné-Bissau vai ser inaugurada no dia 23 de junho, às 18h30. Organizada pela UCCLA e pela Associação de Escritores da Guiné-Bissau, a exposição revela aspetos de uma cultura edificada numa diversidade imensa, assente em raízes de diversas comunidades, cada uma delas exibindo marcas e expressões muito próprias.

A exposição conta com a curadoria de três guineenses - Manuela Jardim, Nú Barreto e Tony Tcheka - que a organizaram em três núcleos. O primeiro núcleo é o da Panaria, com cerca de 15 obras, imortalizada na herança ancestral; o segundo é constituído por 41 peças etnográficas em representação da imensa riqueza cultural e patrimonial guineense; e no terceiro perfilam-se 28 obras de artistas contemporâneos com grande diversidade de cores e imagens, em grande parte retratando a vida de pessoas e o seu quotidiano.

Os artistas representados na exposição são António Aly Silva, Carlos Barros (Carbar), Diamantino Monteiro, Elautério Martins (MO), Fernando Júlio, Gregório Monteiro (Galóga), Helena Neves Abrahamsson, Irley Rivera, João Carlos Barros, Kevin Miranda Lima, Manuel Júlio, Manuela Jardim, Mário Cesariny, Nú Barreto, Rui Vasquez e Sidney Cerqueira.

Estão representadas 6 étnias na exposição, a saber Bijagó, Felupe, Fula, Mandinga, Mandjaco e Nalú.

Coleções presentes na exposição: Coleções de artista, Coleção de David S. Lopes, Coleção de Tony Tcheka, Colectivo Multimédia Perve, Fundação PLMJ, Galeria Nimba e Pó di Terra.

Título: “Olhares da Guinendade - Artes da Guiné-Bissau”

Inauguração: 23 de junho pelas 18h30

Patente ao público: 23 de junho a 16 de setembro de 2022

Horário: 10h00-18h00 (entrada livre)

Organização: UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e Associação de Escritores da Guiné-Bissau

Apoio: Benogue, Hiscox - Seguros de Arte, Nimba Art Gallery e Starmuseum

Apoio institucional: Câmara Municipal de Lisboa

Media Partner: LUSA e RTP

 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Timor-Leste – Governo esclarece razão para evacuar o edifício onde trabalhava o grupo Arte Moris


Díli – O Secretário de Estado das Terras e Propriedades (SETP), Mário Ximenes, esclareceu a razão pela qual o Governo evacuou o edifício onde pintava diariamente o grupo Arte Moris.

Segundo o governante, o Executivo tem-se coordenado, desde 2019, com a Arte Moris, para discutir a evacuação da propriedade do Estado. Contudo, houve um desentendimento entre as duas partes, o que levou à evacuação efetiva do edifício no passado dia 01 de dezembro.

“O Ministério da Justiça notificou a Arte Moris por três vezes, segundo a lei. A primeira notificação de despejo tinha a duração de 30 dias, a segunda de 15 e a última de cinco dias. Como o grupo não cumpriu nenhuma das ordens de despejo, o Governo procedeu à evacuação do edifício nos últimos dois dias”, explicou o Secretário de Estado, no âmbito da discussão do OGE para 2022, no Parlamento Nacional, em Díli.

O governante salientou ainda que o Executivo tem razão em mudar a Arte Moris para outro lugar, pois não é uma instituição do Estado, mas um instituto privado que procura fundos através dos seus produtos para sustentar as suas atividades diárias.

De acordo com a lei, o Governo dá a concessão de uso apenas a instituições do Estado e não a privadas, como a Arte Moris.

“Por esta razão, negociámos, de outubro de 2019 até ao dia 01 de dezembro, quando realizámos a ação de despejo”, recordou.

O Secretário de Estado referiu ainda que a equipa envolvida na resolução do problema é composta pelos secretários de Estado para os Assuntos dos Combatentes da Libertação Nacional, de Terras e Propriedades, da Arte e Cultura e para a Comunicação Social.

“O Governo já concedeu um edifício alternativo ao grupo Arte Moris, em Bebora, mas a proposta não foi aceite”, afirmou.

O governante salientou ainda que, mesmo assim, o Secretário de Estado para os Assuntos dos Combatentes da Libertação Nacional prometeu ajudar a reabilitar o edifício em Bebora oferecido pelo Estado à Arte Moris, mas o grupo não aceitou a proposta.

Arte Moris pretende espaços de ex-Bulog ou heliporto para centro de formação de artes

O Presidente da Associação Arte Moris, Iliwatu Danabere, revelou que o grupo pretende mudar o centro de formação de artes para as antigas instalações da Bulog, em Colmera, ou para o heliporto desativado, no Bairro Pité.

“A nossa missão principal é ensinar as artes aos jovens e, por isso, exigimos ao Governo que ofereça um espaço para essa formação. Podemos realizar as nossas atividades artísticas em casa ou em outros espaços. Contudo, é do interesse da educação dispormos de um local para a formação”, afirmou o dirigente à Tatoli, em Comoro, Díli.

Iliwatu Danabere sublinhou que, se conseguirem obter o espaço da ex-Bulog, será muito melhor para a formação de artes.

“O espaço da ex-Bulog em Colmera – atualmente ocupado pelos veteranos de Díli – ou o do heliporto, no Bairro Pité são suficientes para nos acomodar a todos, assim como outros espaços recomendados pelos nossos colegas. Mas não nos têm em consideração”, disse.

Questionado sobre a prontidão do grupo para deixar o espaço em Comoro, o responsável respondeu que “não estamos prontos para sair, mas, por causa da situação e, porque somos bons cidadãos, devemos cumprir a decisão da entidade do Estado e estamos prontos para cooperar”.

“Estamos, neste momento, preocupados em salvaguardar os nossos materiais. Já temos apoios de dois indivíduos, sobretudo de Xanana Gusmão, que ofereceu um espaço na Sala de Leitura Xanana, e de Ramos Horta, que disponibilizou a sua residência para que possamos guardar os nossos materiais. A Diocese de Díli também nos concedeu um espaço na Catedral”, acrescentou.

Iliwatu Danabere lembrou que o grupo Arte Moris começou a trabalhar nas ruas, para onde poderá voltar, mas defende um espaço digno e seguro para garantir a educação artística de jovens e crianças.

O responsável acrescentou que a Fundação Arte Moris conta com 73 elementos.

“A fundação já deu formação em arte a centenas de crianças e jovens, porque, desde a criação deste grupo, mais de cem pessoas se registam anualmente, das quais 40 a 60 conseguem concluir os seus cursos”, concluiu. Isaura de Deus e Domingos Piedade – Timor-Leste in “Tatoli”


 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Timor-Leste - Grupo artístico e cultural Arte Moris despejado das instalações que utilizavam há mais de 18 anos


O Governo timorense executou ontem uma ordem de despejo administrativo do maior grupo artístico e cultural timorense, a Arte Moris, atirando para a rua dezenas de obras de arte, incluindo da colecção permanente.

“Veio uma equipa da Direcção de Terras e Propriedades, escoltada pela polícia, com uma ordem de despejo administrativo. Disseram-nos que era a decisão final e que não havia mais negociações”, disse à Lusa Iliwatu Danabere, director executivo da Arte Moris, organização que o Governo expulsou para dar o espaço ao Conselho dos Combatentes da Libertação Nacional (CCLN).

“Disseram que tínhamos que retirar tudo em três dias, mas explicámos que isso era impossível porque havia muitas coisas a retirar. Tentamos negociar antes com o Governo para encontrar uma solução, mas hoje [ontem] vieram apenas com esta ordem para executar”, considerou.

Durante a acção de despejo de ontem, as autoridades retiraram dezenas de obra de arte do interior do complexo – que foi museu provincial durante o tempo de ocupação indonésia de Timor-Leste e que a Arte Moris utiliza há mais de 18 anos.

Inicialmente carregaram camiões de caixa aberta com as obras, transportadas sem qualquer cuidado, atirando-as depois para um monte no exterior do complexo.

“Foram os próprios funcionários que retiraram as obras, deixando-as na rua, já que nós não temos condições para tirar nem nenhum local para onde as levar. Pensei que iam levar as obras para algum local, que diziam ter preparado, mas depois atiraram apenas as obras aqui para o chão”, lamenta Danabere, olhando para as obras amontoadas.

“Penso que as pessoas com quem negociámos tiveram pressões de outras entidades que querem usar o espaço e por isso executaram a ordem e mandaram-nos para a rua. Estão aqui as nossas melhores obras, incluindo da colecção permanente e dos artistas mais veteranos.

Questionado sobre a importância que as autoridades dão ao sector artístico e cultural e aos jovens timorenses, Danabere disse que a ação de despejo de ontem “fala por si”. “Pensei que com todas as negociações, iríamos chegar a uma boa solução, mas com esta acção mostram que nós e a minha organização não têm qualquer valor ou qualquer importância”, afirmou.

O colectivo Arte Moris envolve mais de 100 pessoas, incluindo artistas plásticos e elementos da organização Tertil, de teatro, e de pelo menos cinco grupos musicais, incluindo o Galaxy e o Klamar, dois dos mais famosos de Timor-Leste.

O despejo ocorre depois de vários meses de silêncio das autoridades timorenses e após tentativas de negociações da direcção da Arte Moris, que em Julho recorreu junto do Ministério da Justiça pela decisão de expulsão do local. Esse recurso respondeu a uma ordem de desocupação remetida ao colectivo pelo Ministério da Justiça no passado dia 8 de Julho.

A polémica começou em 2020 quando a Arte Moris soube pela imprensa que o espaço, que serve de ‘casa’ ao projecto desde 2003, em Comoro, Díli, ia ser entregue ao CCLN, cujo presidente, Vidal de Jesus Riak Leman, disse ter sido informado da decisão pelo primeiro-ministro, Taur Matan Ruak.

A decisão foi tomada pelo primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, tendo suscitado críticas de vários dirigentes timorenses. O secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, um dos três partidos no Governo e primeiro-ministro na altura em que o espaço foi parcialmente cedido à Arte Moris, questionou a forma como o processo foi conduzido.

O ex-Presidente da República e patrono da Arte Mortis, José Ramos-Horta, é ainda mais crítico ao considerar que nada tem faltado aos veteranos, “nem em recursos pecuniários, nem materiais”, e que a decisão de despejar a Arte Moris é “triste e chocante” para o país.

Na altura, em declarações à Lusa, Ramos-Horta questionou se “este Governo quer ser também o Governo que matou a Arte Moris”, e adiantou que o executivo “pode facilmente encontrar outro lugar” para o CCLN.

“Os veteranos, representados pelas legítimas e legalizadas associações, têm tido todos os privilégios concedidos pelo Estado, e merecidamente. Basta vermos os orçamentos dedicados aos veteranos desde 2007 e 2008”, salientou.

“Agora, irem correr do lugar um grupo artístico, cultural, de jovens, que ao longo de 20 anos revelaram enorme dedicação, sacrifícios, empenho a produzir arte, animar a vida cultural da cidade e do país, não cabe na cabeça de ninguém”, defendeu.

Em vez de despejar a Arte Moris, o Governo devia “ter tido a sensibilidade de ter financiado a reabilitação desse espaço, de financiar pelo menos em parte a arte e a cultura em Timor-Leste, através deste e de outros grupos”, acrescentou.

Actualmente a residir em Itália, Gabriela Gansser, cofundadora com Luca Gansser do projecto da Arte Moris em 2003 – e por onde já passaram grande parte dos principais artistas da arte contemporânea mais recente do país – lamentou numa mensagem enviada à Lusa a ação de despejo.

“A colecção da Arte Moris é a primeira e única grande colecção de arte do período pós-indonésio e já faz parte do património cultural timorense”, vincou.

“A Arte Moris deveria poder continuar, com novos contratos e há até doadores que estão disponíveis para poder financiar a reconstrução e a recuperação do espaço”, afirmou. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


 

terça-feira, 9 de novembro de 2021

UCCLA - Inauguração da exposição “de Dentro e Fora - Coletiva de Artistas de Cabo Verde”


As Ilhas, o mar e a diáspora de Cabo Verde estão representadas na exposição “de Dentro e Fora - Coletiva de Artistas de Cabo Verde” - uma parceria com a Embaixada de Cabo Verde em Portugal, com o Centro Cultural de Cabo Verde e com o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde - que será inaugurada no dia 15 de novembro, às 18 horas, na UCCLA. A exposição será complementada pela apresentação de 3 salas no Centro Cultural de Cabo Verde, cuja inauguração terá lugar no dia 16 de novembro, às 18 horas.

Trata-se de uma mostra, na UCCLA, onde estão representados 36 artistas, com 66 obras agrupadas em 7 diálogos improváveis, aparentes ou possíveis, realizados por diferentes intervenientes e com abordagens plásticas distintas sobre os mesmos temas.

A exposição “de Dentro e Fora Coletiva de Artistas de Cabo Verde” é um contributo no aprofundamento da reflexão sobre as artes plásticas nacionais de Cabo Verde na contemporaneidade e no contexto não só da Lusofonia mas também do continente africano e do mundo.

A mostra pretende convidar o visitante a refletir sobre a condição transnacional dos artistas de Cabo Verde, um país onde a diáspora tem uma marcante e assinalável dimensão, com repercussão inequívoca nas artes plásticas. Os autores, na sua produção artística, influenciam e são influenciados não apenas pelas suas raízes, mas também por todo o contexto dos novos países onde vivem ou viveram, pelos quais viajaram e onde produziram as suas obras.

Horários e moradas da exposição que estará patente ao público, e com entrada livre, até ao dia 18 de fevereiro de 2022:

- UCCLA: de segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas

Avenida de Índia, n.º 110, Lisboa

- Centro Cultural de Cabo Verde: de segunda a sexta-feira, das 10 às 17 horas

Rua de São Bento, n.º 640, Lisboa


 

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Guiné-Bissau - Instituto Politécnico Nova Esperança e Associação Bissau Arte assinam acordo no domínio de formação em Artes Plásticas

Bissau – O Instituto Politécnico Nova Esperança (IPNOVE) e Associação Bissau Arte assinaram na quinta-feira um acordo de parceria no domínio de formação em artes plásticas, que começa a vigorar no ano lectivo 2021/2022.

Segundo a Rádio Sol Mansi, no acto de assinatura do referido acordo, o Presidente do IPNOVE Malam Sissé manifestou a sua satisfação com a conclusão do acto e disse que será uma mais-valia para o país.

“Com a assinatura deste acordo, os artistas plásticos terão a oportunidade de ter os certificados de modo a poderem ser reconhecidos em outras partes do mundo como conhecedores da matéria”, disse aquele responsável.

Malam Sissé sublinhou que o custo de formação será acessível para facilitar a adesão dos artistas plásticos na formação.

Por sua vez, o Presidente de Associação Bissau Arte, Roberto Mendes defendeu que é da responsabilidade do governo a criação de uma Escola de formação para artistas plásticos.

“Sabemos que artistas plásticos têm sempre um conhecimento natural, mas também não devemos ignorar o mundo científico. Porque, a associação do dom divina e da ciência é que torna o saber mais profundo, por isso, este acordo é de louvar tendo em conta a sua importância para o nosso trabalho”, disse Roberto Mendes. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

sábado, 9 de janeiro de 2021

Angola - Galeria Tamar Golan apresenta Expansão de Mentalidades

Nomes como Ananias, Soque Pelenda, Neemias Kiala, Lorde Cave, Raffa formam juntos um grupo de artistas plásticos que se apresenta hoje numa exposição colectiva de pintura na conhecida Galeria Tamar Golan, à Ilha de Luanda



A colecção de obras em exposição expressa a criatividade dos artistas em temas do quotidiano angolano e expressões da realidade nacional em vários aspectos, traduz a qualidade do traço artístico angolano, que hoje começar a despertar grande interesse comercial.

A Galeria Tamar Gola tem desenvolvido um esforço notável na selecção e promoção das obras que transportam em si, não apenas a qualidade, mas igualmente as técnicas modernas de execução artística, que em nada ficam a dever com o que lá foram nos é dado observar. In “Nováfrica” - Angola


quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Macau – 10ª edição do Salão de Outono

Inspirado na tradição artística parisiense do início do século XX, a exposição Salão de Outono tem sido uma plataforma de lançamento de novos artistas de Macau na última década com a atribuição do Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas. Em ano do 10º aniversário, o evento conta com a presença no dia da inauguração do escritor angolano Ondjaki para uma sessão de música e ‘spoken word’ com o título “Chão de Novo”



A exposição ‘Salão de Outono 2019’ vai ser inaugurada no próximo dia 2 de Novembro, às 17h30, na Casa Garden com a apresentação de um total de 78 obras de quase 50 artistas locais. Organizado pela Art For All Society (AFA) e pela Fundação Oriente, o evento comemora o 10.º aniversário este ano com uma amostra do que se faz em Macau a nível artístico, e a divulgação do Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas, que garante desde logo ao vencedor um prémio monetário e a oportunidade de visitar Portugal para um programa de intercâmbio artístico de um mês.

As 78 obras de arte seleccionadas pelo júri incluem pintura a óleo e a acrílico, aguarela, desenho, escultura, fotografia, gravura e instalação. Segundo a informação veiculada pela organização, na décima edição do evento participaram não só jovens e potenciais artistas, mas também artistas que já desempenham um papel central no cenário da arte contemporânea de Macau, nomeadamente Cai Guo Jie, Erik Fok, Lai Sio Kit, Francisco Ricarte, Ricardo Meireles ou Sylviye Lei.

Em declarações ao Ponto Final, Ana Paula Cleto, delegada de Macau da Fundação Oriente, fez um balanço positivo da primeira década do ‘Salão de Outono’ e considerou que evento tem sido determinante para ajudar a desenvolver o trabalho de jovens artistas locais. “Não podemos deixar de confirmar que o projecto em si foi essencial para o desenvolvimento do trabalho dos artistas em Macau”, começa por dizer Ana Paula Cleto, acrescentando que desde que a Fundação Oriente começou a organizar este evento com a AFA, tem-se notado um aumento de “acontecimentos deste género, no sentido de exposições, a acontecerem em Macau”.

Uma opinião partilhada por Alice Kok, presidente da AFA, que assinala também o aumento do número de artistas e de produção artística de qualidade na última década por causa do ‘Salão de Outono’. “Há um aumento óbvio do número de artistas e de produção artística nos últimos dez anos. Hoje em dia têm surgido jovens com produções artísticas muito mais maduras em comparação com artistas da mesma idade que surgiam há dez anos. As produções dos jovens artistas são mais maduras e variadas em termos de qualidade e expressões”, afirmou Alice Kok ao Ponto Final.



“Nos últimos anos, o número de entradas tem sido mais ou menos o mesmo, mas em comparação com o Salão de Outono de há dez anos houve um aumento no total. Nestes últimos dez anos testemunhámos um grande florescimento das expressões artísticas criadas por jovens de Macau. O Salão de Outono foi criado exactamente para isso. Todos os anos é como um banquete com obras de arte à disposição onde compartilhamos o nosso apreço pelas crescentes formas de arte criadas por artistas locais. Penso que é um evento muito importante para manter uma tradição e celebrar a nossa colheita artística”, frisa a presidente da AFA.

Presente desde o início do projecto, Ana Paula Cleto acompanhou a evolução e a qualidade dos trabalhos apresentados tanto para o Salão Outono, como nas próprias candidaturas ao Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas.

“Os artistas, de certa forma, começaram a ser menos introvertidos no sentido de mostrarem a sua arte e começaram a participar em mais exposições. Esta é uma possibilidade que nós damos a muitos artistas que não têm nenhuma hipótese de expor em lugar nenhum, nem em Macau, nem fora de Macau, de mostrarem as suas obras pela primeira vez. Portanto, nesse sentido, o Salão de Outono é um marco importante”, frisou Ana Paula Cleto, acrescentando também que se nota uma enorme diferença no crescimento dos jovens artistas de Macau após a residência em Lisboa.

“Penso que esta primeira possibilidade que nós damos aos jovens artistas de participarem no Salão de Outono, e depois a projecção com o prémio, eles depois lançam-se. Vão a Portugal, fazem uma exposição em Lisboa, são vistos por pessoas interessadas, coleccionadores, e naturalmente que isto dá-lhes uma perspectiva, eu diria que isto lhes dá asas para voarem, e vê-se perfeitamente a diferença do antes de irem a Portugal e o depois, é muito evidente”, afirmou Ana Paulo Cleto ao Ponto Final.

Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas

Para além da exposição de 78 obras de quase 50 artistas locais na Casa Garden, o Salão de Outono é ainda palco para a atribuição do Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas, que garante ao vencedor um prémio monetário e uma residência artística em Portugal.

No ano passado, a vencedora do Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas foi Yang YiJun com uma escultura em madeira dela própria em tamanho quase natural, e com uma expressão que marcou o público pelo realismo da figura.

“Este ano concorrem 21 pessoas ao Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas, o que foi um número muito bom porque foi o ano em que tivemos mais candidatos com peças muito boas, o que fez com que nós atribuíssemos algumas menções honrosas, mas a obra vencedora é muito interessante e com um conceito por detrás da obra com uma abordagem moderna e ao mesmo tempo clássica”, revelou Ana Paula Cleto ao Ponto Final.



Poesia em língua portuguesa na voz de um escritor angolano

Na comemoração dos 10 anos do “Salão de Outono”, a Fundação Oriente convidou o escritor Ondjaki e a violoncelista brasileira Maria Clara Valle para apresentarem um espectáculo de música e ‘spoken word’ com o título “Chão de Novo”, que se irá realizar no dia da inauguração do evento, às 19h30, no jardim da Casa Garden.

O espectáculo estabelece o encontro da poesia em língua portuguesa, dita pelo escritor Ondjaki, com a música da brasileira Maria Clara Valle. A poesia é de escritores de língua portuguesa e o espectáculo varia entre a leitura dos poemas e a música.

“Os salões de Outono em França não eram só exposições de obras de arte, eram outras intervenções artísticas também, e essa também foi sempre a ideia de complementar este Salão de Outono com mais alguma coisa, para além da pintura, da escultura, da gravura, das artes plásticas, e o ano passado já tínhamos convidado para um espectáculo o poeta português José Anjos com o músico João Morais, que é conhecido pelo ‘O Gajo’, e para além desses dois músicos, convidámos uma rapariga chinesa para dizer poesia em chinês, e fizemos um espectáculo no jardim da Casa Garden, precisamente à mesma hora do que vai acontecer este ano”, começou por dizer a delegada de Macau da Fundação Oriente sobre a oportunidade de trazer este ano o escritor angolano.

“Para este ano, considerámos que deveríamos trazer novamente alguém e surgiu-nos a oportunidade de trazer o Ondjaki. E o Ondjaki é o Ondjaki, um excelente escritor. Para além desse espectáculo vamos ter ainda um concerto de Jazz. Espero que estes espectáculos sejam ainda melhores do que nas últimas edições, e que venha a enriquecer este evento que realizamos todos os anos. Esperemos contar com mais presenças deste género, nem sempre é possível”, assinalou Ana Paula Cleto. In “Ponto Final” - Macau

pontofinalmacau@gmail.com

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Moçambique - Pedro Mourana: “A arte não pode ser algemada”



Está patente desde a passada sexta-feira, 20 de Setembro, no Espaço Cultural Moçambique Telecom (Tmcel), localizado no recinto do IFT - Instituto de Formação das Telecomunicações, a exposição intitulada “Eterno Recomeço”, alusiva aos 40 anos de carreira do artista plástico moçambicano Pedro Mourana, ou simplesmente PMourana.

A exposição, que está patente até o próximo dia 20 de Outubro, representa os 40 anos de percurso do PMourana, que diz ter sido de muito aprendizado. Nas obras, os amantes das artes podem encontrar uma diversidade de temas abordados pelo artista, particularmente a mulher e as suas ramificações.

“Falo da mulher mas o homem está lá incluído porque é a mulher que nos traz ao mundo. É uma exposição que fala de temas sociais. Fala da valorização do trabalho do homem, do trabalho que é ignorado e de pessoas que tiveram bons feitos”, explica o artista.

Relativamente ao seu percurso, PMourana diz ter sido feito por períodos difíceis, principalmente na década de 1980, no que diz respeito aos aspectos materiais, bem como à percepção do público e da crítica.

“A arte não pode ser algemada. O público tem que perceber que o artista tem que ter espaço, não pode estar confinado. Ele precisa de estar livre de se expressar da maneira que preferir e que melhor conhece. Foram períodos difíceis, mas fomos crescendo, o País também cresceu. Enfim, cá estamos”, sublinha PMourana, cuja exposição conta com o apoio da Tmcel.



Na cerimónia de inauguração da exposição, o presidente do Conselho de Administração da Tmcel, Mahomed Rafique Jusob, referiu que, ao prestar este apoio, a empresa está a contribuir para a elevação e valorização da cultura, em particular as artes plásticas, na sociedade.

“Não podemos falar da cultura sem falar de uma sociedade, de um povo e da identidade moçambicana. São valores que estão reflectidos na imagem corporativa da Tmcel pois acreditamos no legado que os seus feitos deixam para as gerações vindouras”, considerou Mahomed Rafique Jusob, para quem o sector da cultura constitui uma ferramenta fundamental no processo de desenvolvimento socioeconómico do País.

Por seu turno, o representante do Ministério da Cultura e Turismo, Fernando Fanheiro, afirmou que o Estado está a trabalhar com as associações e núcleos com vista à valorização dos artistas e da cultura.

“Não se sintam abandonados pelo Estado e pelo Governo, há coisas que estão a ser feitas, e muito brevemente colheremos os frutos”, assegurou Fernando Fanheiro, que aproveitou a ocasião para felicitar PMourana pelos 40 anos de carreira e pela exposição. In “Olá Moçambique” - Moçambique