Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Moçambique – Estudantes vão continuar a estudar ao relento na província de Nampula

Com o ano lectivo à porta, volta o debate de turmas ao relento e o seu impacto pedagógico. É que nos dias de chuva, milhares de alunos ficam sem estudar. Nampula equaciona recorrer aos parceiros de cooperação para a montagem de tendas para aulas.


O ano lectivo 2026 inicia a 27 de Fevereiro, com abertura oficial, e as aulas arrancam em todo o país no dia 2 de Março. As escolas preparam-se para receber os alunos, com os professores já na fase terminal da preparação dos programas.

“E já fizeram actas, já fizeram planificações quinzenais, quase já receberam o material, já está tudo pronto. Nós só estamos à espera do dia chegar e daí arrancarmos”, confirmou Horácio Luís, Director-adjunto Pedagógico de uma das escolas de Nampula.

Entretanto, há uma situação que inquieta: Novo ano, e velhos problemas.

A Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vai funcionar com mais de 3500 alunos e porque as salas convencionais são poucas, muitos alunos estudam ao relento, para a preocupação de pais e encarregados de educação.

“Quando chove não há nada, não costumam dar aulas porque os alunos ficam debaixo das árvores. Aí não têm hipóteses de ficar para estudar”, lamenta Cidália João, encarregada de educação.

Durante o período lectivo, as árvores servem de salas de aula. São turmas que correspondem a cada árvore. É lá onde parte dos alunos da Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vão iniciar o ano lectivo e o chão está húmido, justamente porque ainda é período chuvoso.

E em Nampula são muitas escolas que estão na mesma situação e condições, onde os alunos poderão ter as suas aulas debaixo das árvores.

Horácio Luís confirma que a situação vai continuar, até porque não houve acréscimo das salas de aula. “No ano passado nós tivemos 30 salas ao ar livre, no relento, e espero que também este ano este número vai permanecer porque as salas que tivemos no ano passado são as mesmas”, disse.

Ou seja, cresce o número de alunos a cada ano e o ritmo de construção de novas salas é muito baixo. Na falta da melhor solução, a direcção provincial de Educação em Nampula pensa em recorrer às tendas.

“Estamos num período chuvoso, estamos a rezar para que não haja catástrofe, mas como sabem nós trabalhamos com parceiros, sempre temos tido backups. A educação sempre sofreu por conta das épocas chuvosas, como também da época ciclónica”, frisou William Tuzine, Director de Educação em Nampula.

Até ao ano passado, ao nível da província de Nampula, estimava-se que cerca de 290 mil crianças estudam ao relento, pelo menos no ensino primário, um cenário que provavelmente não vai alterar bastante, mas para pior. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Moçambique - Unicef precisa de US$ 5 milhões para salvar milhares de crianças

A Agência diz que 15 mil crianças estão em risco de morte, 100 mil vão precisar de tratamento, mas há apenas capacidade para apoiar 20% dos casos. As províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa são as mais afetadas pela desnutrição


O Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, em Moçambique afirma que se não for garantido o novo financiamento, 15 mil crianças no país, poderão ficar sem tratamento para a desnutrição grave e a vida dessas crianças estará em risco.

A região norte é a mais afetada. São as províncias de Niassa, Nampula e Cabo Delgado devido ao conflito. O somatório dos casos das três províncias contribui para 40% de todas as ocorrências de desnutrição em Moçambique.

Apoio adicional urgente

Os suprimentos nutricionais escasseiam devido a cortes no financiamento. Sem apoio adicional urgente a vida das crianças estará em risco, segundo explica a gestora de nutrição do Unicef em Moçambique, Fanceni Baldé.

“Precisamos de pelo menos US$ 5 milhões até março deste ano para permitir-nos comprar 20 mil caixas de suplementos nutricionais que salvam vidas. Eles poderão ser distribuídos para 120 unidades de saúde em Moçambique. Com esse valor poderemos também apoiar as unidades sanitárias a realizar brigadas móveis, levar serviços de imunização, tratamento da desnutrição, atendimento a grávidas, tratamento de doenças diarreicas e malária, a nível de comunidades que mais necessitam.”

Dados do inquérito demográfico de saúde, IDS 2022, indicam que o atraso de crescimento é o problema de nutrição mais significativo, afetando mais de 2 milhões de crianças moçambicanas anualmente.

Estima-se que 100 mil crianças com menos de cinco anos necessitam de tratamento para a desnutrição aguda grave. Em 2025, as províncias de Niassa, Nampula e Cabo Delgado registaram 47 mil casos de desnutrição nos últimos 12 meses.

Zonas prioritárias

A especialista em Nutrição da Unicef Moçambique destaca as zonas prioritárias face ao plano de contingência.

“Nós temos 15 mil crianças em risco de morte, mas sabemos que pelo menos 100 mil vão precisar de tratamento. O plano de contingência é a repriorização dos nossos recursos, estão muito escassos. Nós só temos capacidade neste momento para apoiar 20% dos casos que precisam de tratamento. Vamos priorizar as zonas mais afetadas. Em Cabo Delgado sete distritos, Nampula seriam quatro e Niassa apenas três. Mas sabemos que outras partes de cada uma destas províncias vão precisar desse apoio.”

Baldé afirma que investir no combate à desnutrição contribui para não deixar ninguém para trás, assim como, garante que Moçambique alcance as metas do desenvolvimento sustentável, ODS.

“Estimativas do Banco Mundial indicam que cada dólar que Moçambique investe no combate na desnutrição vai gerar pelo menos US$ 23 de retorno ao investimento. E é por isso que nos achamos que combater a desnutrição, prevenir mortes infantis evitáveis devido a desnutrição é uma das principais estratégias que podem garantir que Moçambique alcance as metas do desenvolvimento sustentável.”

Pobreza, insegurança alimentar e choques climáticos

Moçambique enfrenta um dos mais graves casos de desnutrição na África Subsaariana.  A pobreza, a insegurança alimentar, os choques climáticos, o acesso limitado aos serviços de saúde e saneamento são algumas das causas consideradas profundas.

Para Fanceni Baldé, a desnutrição contribui também para o aumento da mortalidade infantil no país.

“A desnutrição contribui com um terço de todas as mortes em Moçambique. Quer dizer uma criança com malária, por exemplo, se tiver desnutrição tem muito mais risco de morrer por causa dessa condição que está em baixo.

No ano passado morreram cerca de 300 crianças nas unidades de saúde por desnutrição, mas estimamos que este número não seja a realidade, tendo em conta que muitas das crianças que morrem por causas evitáveis como é o caso da malária, o sarampo ou até da cólera. O que lhe está a causar esse aumento da mortalidade é mesmo a desnutrição, a falta de alimentos.”

A Unicef trabalha em parceria com governo e outras entidades para fortalecer a resiliência de crianças e jovens diante dos desafios climáticos e hídricos.

A acão envolve a proteção das crianças por meio da melhoria de serviços essenciais, do desenvolvimento de habilidades para adaptação e a garantia de que elas sejam priorizadas na alocação de recursos financeiros e materiais relacionados a iniciativas climáticas. Ouri Pota – Moçambique ONU News


sábado, 3 de janeiro de 2026

Moçambique - Mais ataques no norte do país agravam acesso humanitário

Estatísticas indicam que recentemente 107 mil pessoas foram deslocadas na província de Nampula; cerca de 92 civis foram mortos e outras 87 pessoas foram raptadas e mais tarde libertas após alegados pagamentos de resgate


As províncias moçambicanas de Cabo Delgado, Niassa e Nampula são alvo de ataques por grupos armados não estatais causando o aumento do medo e de violência contínua ligada a operações militares.

Entre 11 e 26 de novembro uma série de incursões provocou um deslocamento de 107 mil pessoas no distrito de Memba. A maioria procurou refúgio nos distritos Mecúfi, na província de Cabo Delgado, e em Eráti e Nacala, na província de Nampula.

Morte e rapto de civis

Ataques repetidos e a ameaça de violência agravam as necessidades por auxílio humanitário. Pelo menos 92 civis foram mortos, dos quais 56 nos distritos de Memba e Eráti, na província de Nampula.

De acordo com dados do Escritório da ONU de Assistência Humanitária, Ocha, em novembro foram reportados 101 incidentes de segurança no norte de Moçambique.

Os casos incluem 77 registos de violência e ameaças contra civis que resultaram em mortes, raptos e novas ondas de deslocamento.

Cerca de 87 pessoas foram raptadas, incluindo 19 crianças e 18 mulheres, muitas delas libertadas após alegados pagamentos de resgate.

Os raptos tornaram-se uma tática deliberada usada pelos grupos para financiar operações, criando um clima de medo e insegurança que mina a resiliência comunitária.

Insegurança e restrições de acesso

O Ocha revela que o aumento súbito de ataques exerce enorme pressão sobre comunidades e parceiros, tendo em conta que os atuais canais de abastecimento não chegam para responder à escala das necessidades.

Há relatos de que os serviços sobrecarregados e os recursos limitados pioram a coesão social entre deslocados internos e populações anfitriãs, pois a assistência não chega a todos de forma equitativa.

A agência cita que as restrições de acesso dificultaram de forma significativa a entrega de assistência humanitários a pelo menos 22 mil deslocados internos no distrito de Memba.

Operações militares e a presença desses grupos levaram a restrições temporárias de movimento nas grandes rodovias. Limitações nas estradas R705 e R706, que ligam Eráti e Nacala a Memba, deixam em situação de fragilidade àqueles que não conseguiram deslocar-se por falta de recursos.

A comunidade humanitária aponta um ambiente operacional ainda volátil, com riscos de segurança elevados, e os entraves burocráticos como fatores que comprometem a entrega de ajuda e a segurança das equipas.

Desinformação e violência

No distrito de Chiúre, na província de Cabo Delgado, uma distribuição de alimentos por uma agência da ONU tornou-se violenta quando a polícia interveio para evitar saques, resultando em duas mortes e dois feridos.

Várias ações a nível governamental e exigências de apoio logístico levaram à suspensão de operações em Mecúfi.

A desinformação sobre a cólera desencadeou violência contra profissionais de saúde em Nampula. Membros da comunidade em Memba agrediram uma enfermeira e ameaçaram um líder local acusado de espalhar a doença.

Comunicação de riscos

Os ataques colocam em risco os esforços de saúde pública e destacam a necessidade urgente de reforçar a comunicação de riscos, o envolvimento comunitário e a proteção dos profissionais de saúde.

Os atos de violência no norte de Moçambique começaram na província de Cabo Delgado em 2017 e já deslocaram mais de 1,3 milhão de pessoas. Ouri Pota – Moçambique ONU News


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Moçambique - Memba: Pobreza e desigualdade estão por trás da insurgência?

Em Moçambique, o distrito de Memba, em Nampula, voltou a ser palco de ataques de grupos armados. Um investigador liga a nova vaga de violência à pobreza extrema e às desigualdades sociais numa zona que já era apontada como corredor de recrutamento para a insurgência de Cabo Delgado. A crise humanitária cresce, enquanto o governo diz estar a reforçar meios militares e prepara o regresso gradual das famílias.


Os primeiros ataques em Memba, no posto administrativo de Chipene, aconteceram em Setembro de 2022, com mortos e destruição. Depois de um período de relativa calma, a violência reapareceu de forma esporádica e intensificou-se nas últimas semanas, empurrando populações inteiras para fora das suas aldeias.

O académico Wilson Nicaquela diz que há sinais de criação de células armadas na fronteira com Cabo Delgado: “Memba foi um dos centros de recrutamento de terroristas que engrossaram as fileiras lá do lado de Cabo Delgado. E é do conhecimento de todos que muitos dos terroristas que foram pressionados de Cabo Delgado preferiram mudar-se de lá e/ou simularam o abandono das suas fileiras. Depois regressaram às zonas de origem”, disse.

Memba tem potencial turístico e recursos naturais, com destaque para reservas de petróleo. Em 2017, segundo noticiou a VOA, a Petrona, uma empresa da Malásia, era apontada como a empresa que iniciaria a prospecção e a exploração de uma área entre Pemba e Memba. Sobre isso, não há informações mais actualizadas. Ainda assim, falta quase um pouco de tudo. A precariedade e falta de infra-estruturas associadas aos difíceis acessos rodoviários são alguns dos maiores problemas que tiram o sossego às populações.

Wilson Nicaquela entende que além dos recursos naturais, com destaque para a provável ocorrência dos hidrocarbonetos, a pobreza extrema e as desigualdades sociais são uma das causas do terrorismo na região.

Mas também há um outro elemento a considerar; uma mensagem política. “Embora o modo de actuação seja similar, no caso de Memba eu acho que tem outras mensagens; uma é a de vincular à pessoa da Presidente da Assembleia da República [Margarida Talapa, nascida na região] e outra de chamar atenção de que se o poder político acha que eles estão confinados, têm condições de alastrar a guerra e ir ao encontro de outros espaços geográficos. Acham que a Presidente da Assembleia tem essa competência necessária para decidir resolver os problemas por iniciativa própria”, disse.

Os recentes ataques já causaram pelo menos uma dezena de mortes e forçaram o deslocamento de mais de 80 mil pessoas, de acordo com dados recentes. Muitos dos deslocados internos foram acolhidos em Alua.

Mariano Saíde Salimo é uma das vítimas deslocadas da região de Mazua, distrito de Memba, acolhido em Alua. Lamenta a situação que se vive na região. Mas a dor aumenta com a fome e as precárias condições que passam para sobreviver diante das incertezas.

“Somos muitos, outros estão nas aldeias. Mesmo se trouxessem três camiões de produtos, podem não resolver. Assim estamos espalhados, numa casa pode encontrar 60 a 70 pessoas”.

Messias Cassimo é um outro deslocado. Saiu de Namajuba junto com a família à procura de abrigo seguro. “Queimaram todas as casas que estão lá, infelizmente ninguém ficou. Estamos a pedir ajuda em alimentação e construção de casas”, pediu.

Apesar disso, a população que foge dos terroristas quer voltar para dar continuidade à sua vida e Mariano Saíde Salimo reforça apelos.

“Nós estamos a pedir ao governo que nos ajude, queremos voltar a casa. Mas aqui [em Alua] receberam-nos bem e agradecemos”, exortou.

As autoridades governamentais continuam a mobilizar apoio para os deslocados nos centros transitórios de deslocados. Na semana passada, um grupo de deputados liderados pela respectiva presidente foi entregar em Alua mais de 60 toneladas de produtos alimentares.

O governador de Nampula, Eduardo Abdula, garantiu que as forças de defesa e segurança trabalham para perseguir e tirar fora de combate os terroristas e que, nesta semana, a região poderá acolher os primeiros regressados.

“Durante a primeira semana de Dezembro, começam a regressar e os primeiros a voltar sou eu e os jornalistas. Vamos entrar lá e vamos trabalhar lá. Eu não vos levaria se não houvesse condições”, assegurou.

Na passada quinta-feira, o governador de Nampula ofereceu às forças armadas de Moçambique drones para uso na perseguição e combate ao terrorismo, nas regiões afectadas na província de Nampula.

“Há traidores dentro das comunidades”, diz governador

No decurso de uma visita a zonas afectadas pelo terrorismo, o governador de Nampula Eduardo Abdula chamou a atenção para possíveis infiltrados entre os residentes. “Há traidores dentro das comunidades, por isso precisamos de maior vigilância”, comentou. Mais de 10 mil pessoas fugiram em dois dias de Memba, Nampula, devido a ataques de grupos terroristas, elevando a 82 mil deslocados desde 11 de Novembro, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Até 23 de Novembro, o total de deslocados ascendia a 14.172 famílias (71.983 pessoas), segundo o relatório anterior da OIM. A província de Cabo Delgado, também no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 5 de Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Deutsche Welle”


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Moçambique - Número de deslocados dispara após novos ataques no norte do país

A Acnur precisa de US$ 38,2 milhões para atender às necessidades dos deslocados internos em 2026, cerca 100 mil pessoas foram deslocadas nas últimas semanas devido à propagação da violência na região


A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, está preocupada com a intensificação dos ataques a aldeias do norte de Moçambique e a rápida deterioração do conflito para distritos anteriormente seguros.

Quase 100 mil pessoas foram forçadas a fugir nas últimas duas semanas, segundo uma atualizaçao publicada nesta segunda-feira.

Grupos armados

Pessoas que conseguiram chegar em segurança contaram que fugiram com medo, enquanto grupos armados invadiam as suas aldeias, muitas vezes à noite. Eles incendiaram casas, atacando civis e forçando famílias a fugir sem nada.

À medida que as necessidades aumentam, os esforços coletivos, dos agentes humanitários e governamentais, continuam insuficientes para atender à escala de proteção e assistência necessária no terreno.

Muitos descreveram um cenário caótico de fuga, com pais perdendo os seus filhos de vista e parentes idosos ficando para trás em meio ao pânico.

Para uma boa parte deles, esta é a segunda ou terceira vez que são deslocados somente este ano, com os ataques a alcançar novas áreas.

Insegurança

Muitos deixam as suas áreas de origem sem qualquer documento civil e nem acesso a serviços essenciais, caminhando durante dias em extremo medo. A falta de rotas seguras e de apoio básico deixa as famílias, especialmente mulheres e meninas, em maior risco de exploração e abuso.

Elas são as maiores vítimas da falta de iluminação e privacidade nesses abrigos comunitários, que já enfrentaram jornadas perigosas na procura de segurança.

Os ataques expõem o grupo a novos riscos de violência sexual e de género, enquanto idosos e pessoas com deficiência enfrentam dificuldades em locais que não são acessíveis ou equipados para atender as suas necessidades.

Apoio humanitário

Isadora Zoni é oficial de comunicação do Acnur em Moçambique. Ela cita alguns dos momentos tristes.

“São mães que fugiram à noite com os filhos no colo. Eu mesma conheci uma senhora chamada Filomena e teve um bebé e ela fugiu algumas horas depois desse bebé ter nascido ainda com dores de parto. Então, essa realidade e realmente muito complexa e muito triste. Pessoas com deficiência algumas delas são deixadas para trás, crianças desacompanhadas. A realidade que nós percebemos, inclusive nesses centros de acolhimento, é de uma maioria de crianças."

Para a oficial de comunicação do Acnur em Moçambique, o apoio é urgente.

Apoio urgente

“Para 2026, o Acnur vai precisar de US$ 38,2 milhões. Essa é a estimativa com base nas necessidades de proteção que são observadas no terreno. E essas necessidades elas aumentam agora num momento bastante sensível uma vez que em 2025 nós recebemos apenas 50% daquele que foi o orçamento para responder às necessidades no norte de Moçambique. Então é bastante preocupante o cenário.”

Em parceria com as autoridades locais foram criados postos de atendimento para oferecer aconselhamento e apoio em saúde mental, distribuir kits de dignidade e dispositivos de mobilidade para pessoas com deficiência e auxiliar as famílias na substituição de documentos civis perdidos.

Os atos de violência, que começaram na província de Cabo Delgado em 2017, já deslocaram mais de 1,3 milhão de pessoas.

Em 2025, os ataques espalharam-se para além da área habitual atingindo a província de Nampula e ameaçando comunidades que antes acolhiam famílias deslocadas. Ouri Pota – Moçambique ONU News


terça-feira, 4 de novembro de 2025

Moçambique – Província de Nampula ressente-se de falta de condições nas escolas

A criação de escolas básicas de 2018 a esta parte está a pressionar muitas escolas que se deparam com falta de salas e até de professores qualificados. O exemplo vem de Nampula onde já foram criadas 320 escolas básicas.


Através da Lei n.°18/2018, de 28 de Dezembro – Lei que estabelece o regime jurídico do Sistema Nacional de Educação, o ensino básico em Moçambique foi alargado de 7ª para a 9ª classe.

As escolas primárias estão a ser requalificadas gradualmente para coabitarem o ensino primário e o primeiro ciclo do ensino secundário, nomeadamente, a 7ª, 8ª e 9ª classe. Entretanto, o primeiro grande desafio que não foi acautelado é a questão das condições nessas escolas.

A realidade no terreno prova o contrário. Na Escola Básica de Rapale, a menos de 20 km da cidade de Nampula, as salas existentes não são suficientes para o total de alunos, por isso metade deles estudam ao relento, sentadas no chão.

A gestão das escolas ficou mais difícil ainda este 2025, quando através da Instrução ministerial n°2, o Ministério da Educação e Cultura reforçou a proibição de qualquer tipo de cobranças obrigatórias nas escolas, tendo deixado essa responsabilidade exclusivamente para os conselhos de escolas, que podem decidir pela contribuição das comunidades para o melhoramento das condições das escolas.

A criação de escolas básicas piorou a falta de professores qualificados para determinadas disciplinas. A província de Nampula conta, neste momento, com 320 escolas básicas. No próximo ano mais 21 serão requalificadas, devendo ser 341 escolas básicas em 2026. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 4 de junho de 2025

Finlândia - Doação ajuda a alimentar mais de 56 mil alunos em Moçambique

Quantia de 500 mil euros foi destinada à agência da ONU para distribuição de refeições para crianças no país africano de língua portuguesa; comida será fornecida a escolas primárias do Corredor de Nacala, na província de Nampula para evitar evasão escolar


O Programa Mundial de Alimentos, WFP na sigla em inglês, recebeu uma doação de 500 mil euros do Governo da Finlândia para atender crianças em Moçambique.

Com a verba, a agência da ONU deverá entregar merendas escolares a dezenas e milhares de alunos nos próximos três meses na província de Nampula.

Coligação Global por Merendas

A iniciativa é parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar de Produção Local, Pronae, em curso no país.

A proposta inclui implementar imediatamente a distribuição do reforço alimentar e intensificar o compromisso compartilhado do Governo de Moçambique, do PMA e de parceiros para melhorar a educação, a nutrição e a segurança alimentar em algumas das áreas mais vulneráveis ​​do país.

A contribuição finlandesa financia refeições quentes diárias num investimento vital para o futuro dos alunos moçambicanos.

A Finlândia tem uma parceria de longa data também na área da educação com Moçambique.

O país também é copresidente da Coligação Global de Refeições Escolares e contribui com a mesma iniciativa em outras partes do mundo.

Segundo a Finlândia, o mais importante é que as crianças possam aprender sem o estômago vazio evitando assim a evasão escolar. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Moçambique - Cerca de 650 mil crianças em risco devido ao ciclone Chido

Cerca de 650 mil crianças estão em risco face aos impactos do ciclone Chido no norte de Moçambique, alertou ontem a Organização Não-Governamental (ONG) Save The Children, avançando que decorrem ações de ajuda



“O ciclone Chido é uma catástrofe para as crianças no norte de Moçambique. Elas correm o risco de perder as suas casas, serem separadas das suas famílias e ver o acesso à água, saneamento, cuidados de saúde e educação extremamente limitado”, disse Ilaria Manunza, diretora da Save The Children em Moçambique, citada num comunicado da organização.

A responsável avançou que a Save The Children preparou equipas e recursos para apoiar os mais afetados pela intempérie, como parte de uma “resposta urgente e multidimensional”, fazendo também menção à vulnerabilidade das comunidades expostas ao Chido. “Esta tempestade é mais um exemplo de condições climáticas extremas a devastarem uma comunidade já vulnerável, dilacerada pelo conflito e mergulhada na pobreza”, acrescentou Ilaria Manunza.

Segundo a ONG, estão presentes equipas de organização na maioria das áreas mais atingidas pelo ciclone, que deverão apoiar o estabelecimento de sistemas e serviços de proteção às crianças, além de apoiar a reabilitação de escolas destruídas. “A Save the Children está a preparar-se para apoiar as comunidades afetadas com kits de sobrevivência e outros artigos essenciais, em coordenação com outras agências”, lê-se ainda no comunicado, que alerta também para dificuldades de assistência a Cabo Delgado, devido à presença de grupos armados que protagonizam ataques na região desde 2017.

Pelo menos quatro pessoas morreram e outras 37 ficaram feridas na sequência da passagem do ciclone Chido nas províncias de Cabo Delgado e Nampula, anunciaram organizações no terreno.

O ciclone, de escala 3 (1 a 5), atingiu a zona costeira do norte de Moçambique na noite de sábado para domingo, segundo o Centro Nacional Operativo de Emergência (CNOE).

O mesmo serviço indicou que o ciclone enfraqueceu para tempestade tropical severa, mas que continua a fustigar aquelas duas províncias do norte, com “chuvas muito fortes acima de 250 mm [milímetros]/24 horas, acompanhada de trovoadas e ventos com rajadas muito fortes”. “Este cenário apresenta elevado risco de inundações urbanas e erosão nas cidades de Pemba, Nacala e Lichinga, assim como em áreas baixas e ribeirinhas das bacias dos rios Muaguide, Megaruma, Lúrio”, refere a informação do CNOE, consultada pela Lusa.

Cerca de 200 mil clientes ficaram sem eletricidade em Nampula e Cabo Delgado devido aos efeitos da passagem do Chido, divulgou, no domingo, a Eletricidade de Moçambique (EDM) e pelo menos três voos com destino à região norte foram, no mesmo dia, cancelados pela companhia aérea Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

As autoridades moçambicanas já tinham admitido na quinta-feira que cerca de 2,5 milhões de pessoas poderiam ser afetadas pelo ciclone nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, no norte, e na Zambézia e Tete, no centro.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o país.

Já na primeira metade de 2023, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afetaram mais de 1,3 milhões de pessoas, destruíram 236 mil casas e 3200 salas de aula, de acordo com dados oficiais do Governo. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Moçambique - Camião com excesso de carga destrói ponte e interrompe ligação Nametil-Chalaua

Um acidente envolvendo um camião carregado de ripas de madeira e em excesso de carga foi registado nesta terça-feira, na estrada Nametil-Chalaua, em Nampula. O sinistro causou danos à ponte metálica sobre o rio Murrerrimue, no Posto administrativo de Luluti.


A informação foi avançada em comunicado pela Administração Nacional de Estradas, ANE que explicou que o vão danificado, com 33,495m de comprimento do lado de Chalaua, resultou em interrupções no tráfego.

“Embora com algumas dificuldades, a circulação de veículos está a ser feita através de uma via alternativa direccionada para o leito do rio, aproveitando a ausência de água no momento”, refere a nota.

A ANE diz que tomará medidas para responsabilizar o proprietário do camião pelos danos causados à ponte.

Um ajudante do camião pesado de carga, cuja identidade não foi possível apurar, perdeu a vida na sequência da queda, após o veículo ter provocado o desabamento da ponte sobre o rio Muririmue, entre Mogovolas e Moma, condicionando o trânsito rodoviário entre os dois distritos, escreve o jornal Notícias.


As autoridades locais do distrito de Mogovolas associam o sinistro ao excesso de carga da viatura que transportava madeira, fazendo o trajecto Moma/cidade de Nampula. O motorista foi levado ao Comando Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM), enquanto decorrem os trâmites legais para a responsabilização dos donos da carga, por desobediência às regras de travessia de pontes na província.

Neste momento, as pessoas estão a fazer a travessia por debaixo da ponte, o que já não é possível para os automóveis.

O administrador do distrito de Mogovolas, Emanuel Impissa, citado pelo Notícias, adiantou que caso chova torrencialmente, nos próximos dias, o caudal do rio poderá aumentar e a área será intransitável. In “O País” - Moçambique






domingo, 11 de junho de 2023

Moçambique e Portugal reflorestam mangal e recolhem plásticos

Moçambique e Portugal lançaram esta semana um programa conjunto de reflorestação de mangal e recolha de plásticos no norte da costa moçambicana, anunciou o Governo moçambicano


O projecto de Proteção da Biodiversidade Costeira (Probico) “garante o reflorestamento com 300 mil mudas de mangal” em 10 comunidades do distrito de Mogincual, província de Nampula, e “vai contribuir para que menos plástico termine no mar, através de recolha a montante”, explicou Ivete Maibaze, ministra da Terra e Ambiente.

O Probico foi aprovado com um orçamento de 358 mil euros financiado pelo Governo português, destacou. A governante falava numa cerimónia de lançamento do programa por ocasião do Dia Mundial do Ambiente.

O projecto é uma iniciativa conjunta entre os governos de Moçambique e de Portugal, através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e da Associação de Educação de Jovens e Adultos de Nampula (Asejana).

O mangal é uma das espécies arbóreas que segura os terrenos e trava a erosão costeira, sendo que Moçambique aprovou uma Estratégia Nacional e Plano de Accão de Gestão do Mangal para o período 2020-2024.

“Evite a poluição plástica, seja parte da solução” foi o lema escolhido para as comemorações deste ano em Moçambique, país que produz cerca de 4,2 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano.

“Desta quantidade, 30% é produzida nas zonas urbanas, composta na sua maioria por matéria inorgânica que inclui metal, plástico, papel e papelão, vidro, material eletrónico, baterias entre outros”, detalhou Maibaze, citada pela Lusa. In “Fenagri” - Moçambique


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Moçambique - Japão e ONG lusa tiram crianças de aulas debaixo de árvores

A cooperação japonesa vai apoiar a organização não-governamental (ONG) portuguesa Helpo a construir cinco novas salas de aula na província de Nampula, norte de Moçambique, anunciaram os promotores


A obra deve permitir que várias centenas de crianças deixem de ter aulas ao relento, debaixo de árvores, em Matibane, arredores da cidade de Nampula, numa escola com 1200 alunos que funciona até ao 9.º ano.

As únicas salas em alvenaria que ali existem já tinham sido construídas pela Helpo, em 2016, enquanto as restantes são feitas de estacas e barro, com coberturas de zinco - e não chegam para todos os alunos.

Nestas salas precárias, parte das paredes já está descascada com a chuva, deixando as estacas à vista, buracos na estrutura e telhados de zinco quase a tombar. Não há eletricidade na escola e o tamanho dos buracos na parede cresce, de tal forma que acabam por deixar entrar mais luz natural nas salas, apinhadas. Não há espaço para todos e os mais novos têm de ter aulas debaixo de árvores de grande porte - a secretária permanente distrital de Nampula, Adelina Dulce, frisou que há, pelo menos, 20.000 alunos no distrito nestas mesmas condições.

A embaixada do Japão e a Helpo visitaram a escola para assinar o acordo de construção das cinco novas salas, um momento que juntou alunos e professores em festa.

É como concretizar “um sonho muito grande”, frisou César Cardoso, diretor do estabelecimento de ensino.

“As novas salas devem estar prontas ainda este ano”, referiu Carlos Almeida, coordenador da Helpo em Moçambique, ONG que desde 2008 já construiu 54 salas de aula naquela província do norte do país - a que se juntam mais 29 em Cabo Delgado.

O Japão vai financiar a obra de Matibane com cerca de 90000 mil euros, naquela que é a segunda escola que financia, tendo a Helpo como entidade implementadora, depois de uma obra em Jembesse, na Ilha de Moçambique, em 2019. “Moçambique pode fazer grandes progressos se investir na educação”, destacou Shogo Jikuhara, primeiro secretário da embaixada do Japão, que mostra a experiência do seu próprio país na formação de recursos humanos para querer replicar o sucesso.

A construção e reabilitação de salas de aula tem sido uma das prioridades da cooperação japonesa em Moçambique.

No horizonte, para Matibane está outro projeto da Helpo que consiste na instalação de painéis solares: o objetivo é que haja eletricidade na escola e assim equipá-la com uma sala de computadores e abrir ensino noturno para adultos. A utilização de fonte solar pretende ali servir de modelo para replicar noutros estabelecimentos de ensino remotos. Nampula é a província mais populosa de Moçambique com quase seis milhões dos 32 milhões de habitantes do país (cerca de metade com menos de 20 anos) e em que a Helpo tem uma intervenção permanente.

As ações incluem um programa designado “lanche escolar” que beneficia nove escolas de Nampula (cerca de 12 mil alunos) - incluindo Matibane - e em que a Helpo entrega, uma vez por semana, sacos de farinha para cada comunidade produzir pão, e porções de açúcar, entregues para se fazer chá, cultivado nas instalações da escola.

Outra iniciativa da ONG consiste na atribuição de bolsas de estudo que garantem a matrícula, uniforme e material escolar para o ensino secundário, num apoio que começa em 40 euros por ano, por estudante.

“A distância que os alunos têm de percorrer a pé para chegar à escola secundária é só uma das dificuldades, há muitas outras” que os programas tentam resolver, concluiu Carlos Almeida. In “Milénio Stadium” - Canadá


sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Moçambique – Insurgentes assassinam freira italiana

Uma freira italiana, de 83 anos, foi morta num ataque na terça-feira (6) à noite na missão onde vivia, na cidade de Nacala, em Moçambique, enquanto outras duas conseguiram escapar, anunciaram, nesta quarta-feira (7), os Missionários Combonianos


“Os rebeldes atacaram a missão, incendiando todos os edifícios. A irmã Maria, missionária comboniana nascida na cidade de Vittorio Veneto (norte), morreu durante a emboscada. Todos os sobreviventes estão agora a fugir para Nacala”, disse a secretária-geral das Irmãs Combonianas em Itália, Enza Carini.

Segundo a mesma fonte, outras duas freiras da comunidade, uma italiana e outra espanhola, “conseguiram escapar e esconder-se na floresta, juntamente com um grupo de raparigas”.

A freira, que vivia em Moçambique desde 1963, estava na missão de Chipene, na diocese de Nacala, que albergava centenas de pessoas que fugiam dos combates no norte do país, explicou a fonte.

De acordo com relatórios enviados à agência missionária Fides, os atacantes destruíram as estruturas da missão, incluindo a igreja, o hospital e a escola primária e secundária, e a freira italiana levou um tiro na cabeça quando tentou chegar ao dormitório onde se encontravam os poucos estudantes restantes. Outros dois missionários italianos que se encontravam na missão foram poupados, disseram os Missionários Combonianos de Pordenone, Itália.

O arcebispo de Nampula, Inacio Saure, disse não ter a certeza sobre a identidade dos autores do ataque, mas considerou que “seja muito provável” tratar-se de terroristas islâmicos.

A província de Nampula, juntamente com Cabo Delgado, é palco da instabilidade causada pela presença de grupos terroristas ligados ao Estado Islâmico.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por violência armada, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

A insurgência levou a uma resposta militar desde há um ano por forças do Ruanda e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos de gás, mas levando a uma nova onda de ataques noutras áreas, mais perto de Pemba, capital provincial.

Há cerca de 800 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED. In “Milénio Stadium” - Canadá






 

quinta-feira, 24 de março de 2022

Moçambique - Acnur apoia população na procura de abrigo após ciclone tropical Gombe

A tempestade afetou mais de 380 mil pessoas e agravou as necessidades das vítimas que já estavam deslocadas


A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, ajuda a mobilizar abrigos para centenas de milhares de famílias moçambicanas recentemente afetadas pelo ciclone tropical Gombe.

A tempestade de categoria 4 destruiu casas, inundou terras e forçou dezenas de milhares de vítimas a fugir na procura de segurança, aconteceu no passado dia 11 de março ao passar pela província de Nampula. Mais de 380 mil pessoas foram afetadas, incluindo populações que já estavam deslocadas e precisam de ajuda imediata.

Assistência

A agência ressalta que a maioria dos habitantes são das províncias da Zambézia, Nampula e Tete. Eles serão os beneficiários dos esforços que envolvem o governo e vários parceiros.

Os efeitos do ciclone foram mais graves na província de Nampula, a mais populosa do país.

Há relatos de prejuízos na capital provincial e na aldeia que acolhe refugiados em Maratane, nas proximidades, além dos locais que vêm abrigando desalojados pela violência em Cabo Delgado.

Comunidades

A tempestade foi a mais forte a atingir Moçambique desde a passagem dos ciclones Idai e Kenneth em 2019. Os desastres naturais foram considerados os mais violentos das últimas décadas.

Em janeiro deste ano, as áreas foram afetadas pela tempestade tropical Ana que provocou até 181 mil desalojados.

O Acnur tem reservados artigos para ajudar 62 mil refugiados, deslocados internos e membros das comunidades anfitriãs. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Moçambique - ONG portuguesa constrói escolas

Serão construídas 60 salas de aulas em 10 escolas na província de Nampula. 7000 crianças terão maior conforto e segurança nas suas salas de aula, melhorando as condições de ensino e aprendizagem. As escolas em Moçambique têm sido fortemente danificadas por desastres naturais recorrentes, desde chuvas fortes, ciclones, inundações

Com apoio financeiro do Banco Mundial, o Governo de Moçambique selecionou a ONG portuguesa Oikos para a construção de salas de aulas e infraestruturas de saneamento obedecendo a medidas de adaptação às ameaças naturais recorrentes na província de Nampula.

Serão adotadas técnicas de construção resilientes e mistas – combinando o máximo de conhecimento e recursos locais, com a construção convencional – e adotados padrões de reconstrução melhorados, o que resultará numa melhor resiliência a futuras ameaças naturais.

Pretende-se melhorar a capacidade de resposta das estruturas, principalmente aos impactos de ventos e chuvas fortes, assim como reduzir a manutenção rotineira e reconstrução recorrente das infraestruturas em cada época chuvosa e ciclónica.

A iniciativa enquadra-se na recuperação resiliente de emergência levada a cabo pela Direção Infraestruturas e Equipamentos Escolares nas províncias de Nampula, Niassa e Zambézia.

Serão parceiros o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano; Direção de Infraestruturas e Equipamentos Escolares; e a UN-HABITAT das Nações Unidas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo