Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Macau - Universidade da Cidade de Macau recebe inscrições para curso de língua e cultura portuguesas até ao dia 11

A segunda edição do “Curso Intensivo de Língua e Cultura Portuguesa” da Universidade da Cidade de Macau (UCM) tem inscrições abertas até ao dia 11. As seis sessões previstas decorrem de 4 de Março a 15 de Abril, num horário pós-laboral, e destinam-se a estudantes e professores de Português Língua Estrangeira (PLE)


A Universidade da Cidade de Macau (UCM) prepara-se para lançar a segunda edição do “Curso Intensivo de Língua e Cultura Portuguesa”, dedicado ao ensino de ferramentas linguísticas e culturais necessárias a uma compreensão mais profunda de Português Língua Não Materna (PLNM) e de Português Língua Estrangeira (PLE). O prazo de inscrição termina no dia 11 deste mês.

O curso é feito ‘online’, num horário pós-laboral das 18h às 21h, e destina-se a estudantes e professores de PLE. As seis sessões decorrem de 4 de Março a 15 de Abril, com a atribuição de um certificado de frequência no final. A primeira sessão tem como tema “Aprender e ensinar português em diversidade” e será ministrada por Maria José Grosso, professora visitante na Universidade de Macau (UM) – a única docente da lista que não lecciona na UCM. No cartaz de apresentação do curso, lê-se que este primeiro capítulo vai introduzir algumas práticas pedagógicas inclusivas destinadas ao público de língua materna chinesa que estuda português.

A segunda sessão, a decorrer no dia 11 de Março, tem como tópico “Natureza, amor e família: temas de literatura nas práticas de compreensão e de escrita em PLE”. Sara Augusto, fotógrafa e docente de Português, propõe a defesa da utilização de textos literários na sala de aula de PLE – um tema ainda controverso, sobretudo nas fases mais iniciais do processo de ensino-aprendizagem. A formadora vai partilhar textos poéticos em português, para estimular “a aquisição de vocabulário e de estruturas do funcionamento da língua”, e ainda em chinês, de forma a “motivar e envolver os alunos para uma leitura literária que convoca outros sabores e impressões para lá da aquisição linguística”.

Na terceira sessão, a 25 de Março, o professor Pedro Caeiro vai apresentar o tema “Estratégias para incentivar a participação dos estudantes de uma língua não materna”. Este módulo pretende exaltar a importância da participação em sala de aula para a aprendizagem da língua e “as diferentes formas como essa participação pode ser avaliada”, tanto no período lectivo como através de actividades extracurriculares.

Já no dia 1 de Abril, segue-se uma quarta sessão leccionada pelo professor Romeu Foz e centrada no tema “A lexicultura no ensino de PLNM/PLE”. No cartaz de apresentação, explica-se que esta formação tem como objectivo “explorar a dimensão cultural implícita em determinados termos e expressões presentes tanto no discurso quotidiano como no literário”. Será também dinamizada uma discussão sobre a forma como “esta abordagem metodológica pode constituir uma ferramenta pedagógica enriquecedora” no contexto do ensino de PLNM e PLE.

No dia 8 de Abril, a quinta sessão incide sobre o tópico das “Ferramentas digitais para o desenvolvimento dos recursos didáticos”. O professor Daniel de Jesus, também da UCM, vai explicar a forma como as ferramentas digitais podem ser usadas para “produzir recursos didáticos de forma mais eficiente e inovadora”, para diferentes contextos e públicos.

Por fim, a sexta e última sessão acontece no dia 15 de Abril e tem como tema “Desenvolver o ensino intercultural nas aulas de PLE: teorias e práticas”. A professora Miranda Sui vai abordar algumas das teorias e práticas pedagógicas relativas ao ensino intercultural, bem como as suas implicações na prática docente e na adaptação e avaliação de materiais didáticos, por exemplo. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”



Japão - Extrai com sucesso terras raras em missão em águas profundas no Pacífico

Um grupo de investigadores japoneses extraiu elementos de terras raras de um depósito marinho junto à ilha Minami Torishima, no Oceano Pacífico, a dois mil quilómetros a sul de Tóquio, confirmou o ministro da Educação e Ciência


“A Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre (JAMSTEC), sob a jurisdição do Ministério da Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, recuperou com sucesso lama rica em terras raras a uma profundidade de seis mil metros, utilizando o navio de investigação Chikyu”, escreveu o ministro Yohei Matsumoto, na rede social X, no domingo. Matsumoto afirmou que a JAMSTEC divulgará mais detalhes sobre a operação em comunicado nesta terça-feira.

O Chikyu iniciou em 12 de janeiro uma missão inédita com o objetivo de extrair terras raras das águas profundas junto a Minami Torishima, uma ilha desabitada, visando reduzir a dependência económica do país face à China.

A missão do navio de perfuração científica em águas profundas deverá durar até 14 de fevereiro.

O teste ocorre num momento em que a China, de longe o maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país vizinho.

A viagem do Chikyu pode levar à produção nacional de terras raras, afirmou em 12 de janeiro o diretor de programas do gabinete do primeiro-ministro japonês, Shoichi Ishii. “Estamos a considerar diversificar as nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de determinados países”, afirmou aos jornalistas.

Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria, segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo.

As “terras raras”, 17 elementos metálicos não particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para setores inteiros da economia – automóvel, energias renováveis, digital, defesa –, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes eletrónicos.

A China representa quase dois terços da produção mineira mundial de terras raras e 92% da produção refinada, de acordo com a Agência Internacional de Energia. O país usa há muito tempo como alavanca geopolítica o seu domínio na área, inclusive na guerra comercial com os Estados Unidos.

O Japão depende da China para 70% das importações de terras raras, apesar de ter-se esforçado para diversificar as fontes de abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim suspendeu as exportações por vários meses.

Tóquio e Pequim atravessam uma crise diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que admitiu uma reação militar em caso de um ataque chinês a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim. Sinal do agravamento das tensões bilaterais, Pequim anunciou no início de janeiro que iria reforçar os controlos sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e militar, o que pode incluir os metais raros. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”




Angola - Após 12 anos de paralisação, Cine Teatro Nacional poderá reabrir as portas no final deste mês de fevereiro

As obras de requalificação do Cine Teatro Nacional, também conhecido como “Cine Chá de Caxinde”, deverão estar concluídas até ao dia 28 do corrente mês. Segundo a empresa chinesa que está a levar a cabo o trabalho, a execução física da obra está já na ordem dos 85%, faltando apenas alguns retoques de acabamento e conclusão da iluminação


Durante uma visita de campo realizada nesta Segunda-feira, 02, pelo ministro da Cultura àquela e a outras obras de requalificação das infra-estruturas culturais espalhadas pela cidade capital, Filipe Zau recebeu a garantia de conclusão da obra e entrega do espaço já para o dia 28 do mês em curso com todas as prontas para a sua inauguração.

“A esta altura, já estamos com uma execução física na ordem dos 85% e tudo estamos a fazer para que tudo esteja concluído no prazo acordado, que é até 28 deste mês”, garantiu o fiscal da empreitada, Walter de Carvalho. Segundo o responsável, a execução financeira já foi concluída e todas condições estão reunidas para que a obra avance sem qualquer sobressalto, adiantando que o resta “são apenas pequenos detalhes”, que podem ser concluídos “dentro de poucas semanas”.

Com capacidade para mais de 400 lugares, o Cine Teatro Nacional, além do anfiteatro, vai contar ainda com outras áreas de serviço, como restaurante, quiosque e um pátio vasto aberto para acolher exposições, feiras e outras actividades artísticas. Bernardo Pires – Angola in “O País”




Estados Unidos da América - Fela Kuti, inventor do Afrobeat, torna-se o primeiro africano a receber um Grammy pela sua carreira

Este prémio reconhece toda a sua obra e finalmente coloca a lenda nigeriana no topo do cenário musical mundial


Quase trinta anos após a morte do pioneiro do Afrobeat, no último domingo, 1.º de fevereiro, ele recebeu um prémio póstumo histórico na cidade de Los Angeles, onde Fela Anikulapo Kuti se juntou ao seleto grupo de lendas mundiais homenageadas com o Grammy Awards.

Ao lado de nomes como Carlos Santana e Whitney Houston, o "Presidente Negro" tornou-se o primeiro artista do continente africano a receber este prémio pelo conjunto da obra. Para este músico que fundiu jazz, funk e raízes africanas numa arma de resistência, este prémio confirma o que a África já sabia: o seu génio é universal.

Mas, por trás do glamour da cerimónia, este prémio também serve como um lembrete do preço da liberdade. Fela não era um artista de salão. As suas canções ecoavam o movimento anticorrupção e antimilitarista, o que lhe rendeu prisões e perseguições ao longo da vida. Se o Afrobeat moderno domina o mundo hoje, é porque Fela abriu o caminho com autenticidade crua. A sua prima, Yemisi Ransome-Kuti, celebrou esta vitória e afirmou categoricamente que "não devemos esperar a morte de grandes homens para celebrar o seu impacto".

O legado de Fela continua vivo graças aos seus filhos, Femi e Seun, assim como o seu neto, Made, que mantêm viva essa chama musical. Este Grammy não é apenas uma peça de museu; é um novo impulso para uma obra de 50 álbuns que se recusa a envelhecer.

Em 2026, a homenagem em Los Angeles prova que a voz de Fela Kuti, embora nascida nos clubes de Lagos, não conhece fronteiras.

Fela nunca procurou a aprovação do mundo; foi o mundo que, no fim, se curvou à sua verdade. Além do troféu, este triunfo é o de uma África que não precisa mais pedir permissão para existir ou brilhar. O "Presidente Negro" nos legou muito mais do que ritmos: ele restaurou a dignidade e a voz do continente. Quase trinta anos após a sua morte, o seu saxofone ainda ressoa como um lembrete eterno de que o coração pulsante da música mundial reside aqui, nesta terra que agora se recusa a ser silenciada. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Alemanha - Novo projeto do Camões Berlim dá palco a músicos portugueses

O Camões Berlim vai lançar, este ano, um novo projeto dedicado à música portuguesa, dando continuidade à sua missão de descobrir, apoiar e projetar novos talentos portugueses residentes em Berlim e noutras cidades da Alemanha.

Intitulado “Let’s get loud”, o projeto pretende criar um espaço de visibilidade para vozes emergentes e percursos artísticos em afirmação, celebrando a diversidade e a vitalidade da música portuguesa contemporânea. A iniciativa prevê a realização de três concertos por ano, oferecendo ao público uma experiência artística plural, dinâmica e em constante renovação.

Cada edição contará com a curadoria de um músico diferente, permitindo explorar distintas linguagens musicais, estilos e perspetivas criativas, num percurso que reflete a riqueza e a multiplicidade da criação musical portuguesa.

A primeira edição desta iniciativa estará a cargo do músico Pedro Matos, com o concerto inaugural agendado para o mês de março, em data a anunciar. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Portugal - Novo livro analisa Camões como herói da sua própria epopeia

Luís de Camões, autor d’“Os Lusíadas”, manifesta-se como herói na sua epopeia, defende a investigadora Helena Carvalhão Buescu, no seu livro recém-editado “Camões Poeta, Herói n’Os Lusíadas”

A catedrática emérita da Universidade de Lisboa traça esta sua reflexão a partir do conceito “negative capability” (“capacidade negativa”), elaborado pelo poeta inglês John Keats (1795-1821).

Segundo Keats, a visão de uma beleza estética enraíza-se na “capacidade de se mover entre incertezas, mistérios e dúvidas”, não na construção lógica e sistemática.

“Embora ele não se tenha referido a Camões, parece-me que é esta mesma capacidade que caracteriza a sua obra épica (e também lírica), monumental mas não sistemática, e certamente vivendo de contradições e mesmo autocontradições”, argumenta Buescu para acrescentar: “Tudo isto molda a epopeia camoniana, e é tudo isto que faz dela um monumento imortal”.

Segundo a autora, neste quadro de “incertezas, mistérios e dúvidas”, o poema épico Os Lusíadas (1572) “conjuga o aparentemente inconjugável, admiração e crítica, realçando a íntima conexão entre os temas, tipicamente renascentistas, da glória e o desconcerto do mundo”.

Esclarece Helena Carvalhão Buescu que “a glória sobressai quando contrastada com o desconcerto do mundo, devido à mestria com que a capacidade negativa (‘negative capacita’) surge como forma apta para descrever um mundo dúctil, contraditório, capaz de uma coisa e do seu inverso, do grande e do muito pequeno, ao mesmo tempo”.

A investigadora dá como exemplo duas personagens d’Os Lusíadas: o monstro Adamastor, personificação do cabo das Tormentas, atualmente cabo da Boa Esperança; e Veloso, um dos navegadores destacado por Camões no Canto V do poema épico, cuja audácia suscita humor.

Um mundo, prossegue Buescu, que desafia a lógica de Aristóteles, mas “não dá completa conta da substância incerta e sempre imprevisível da vida”.

No “entrelaçar” destes dois temas “nasce e se impõe a figura de um outro herói n’Os Lusíadas: o do Poeta Camões ele mesmo”.

A obra, editada pela Tinta-da-China, divide-se em cinco capítulos, abordando o “Herói e imortalidade”, a “Epopeia e o desconcerto do mundo”, as “Múltiplas imagens de Camões”, as “Formas de sobrevida da epopeia camoniana” e “Camões no Oriente”, num total de 206 páginas.

Helena Carvalhão Buescu, que completa 70 anos em setembro próximo, é professora catedrática emérita de Literatura Comparada na Universidade de Lisboa, e tem publicado de mais de uma centena de ensaios, entre eles Heranças Imperfeitas, saído no ano passado.

Buescu fundou e dirigiu o Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa. É membro da Academia Europaea e da Academia das Ciências de Lisboa. Ao longo da sua carreira tem sido distinguida com diferentes prémios, entre os quais o Prémio Eduardo Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Escritores, em 2020, pela obra O Poeta na Cidade. A literatura Portuguesa na História (2019). In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Macau - Rota das Letras regressa à Casa Garden para celebrar a 15.ª edição

Tal como já acontece há dois anos, o Festival Literário de Macau – Rota das Letras volta a ter lugar na Primavera. O evento – um dos mais relevantes ao nível das artes no território – vai ocupar a Casa Garden entre os dias 5 e 15 de Março, apresentando uma programação diversa que vai para além das letras e explora expressões artísticas como o cinema, o teatro e a música. A lista de convidados é extensa e inclui desde poetas locais a argumentistas de filmes de Hollywood


O Festival Literário de Macau – Rota das Letras está de regresso. A 15.ª edição do evento decorre de 5 a 15 de Março na Casa Garden, voltando a plantar no coração da Península uma celebração primaveril da arte nas suas múltiplas vertentes. Da literatura ao cinema, passando pela música e pelo teatro, a Rota das Letras oferece uma palete diversificada de manifestações artísticas produzidas por autores de diferentes culturas, em diferentes línguas, para o público igualmente heterogéneo de Macau.

O propósito da iniciativa mantém-se inalterado desde 2012, aquando da primeira edição: materializar “um ponto de encontro fundamental entre culturas, línguas e expressões artísticas do Oriente e do Ocidente”. A morada principal é a Casa Garden, onde decorrerão as habituais sessões de discussão e de lançamento de livros que caracterizam o festival, mas a programação contempla ainda a exibição de filmes, representações teatrais e concertos em vários espaços culturais da cidade.

A “celebração” e o “diálogo intercultural” são as forças motoras da presente edição, segundo adianta a organização em comunicado de imprensa. Celebra-se, sobretudo, os 15 anos de realização ininterrupta da Rota das Letras, que manteve a sua função enquanto ágora artística e cultural mesmo em plena pandemia de Covid-19 e que continua a ser uma referência incontornável na aproximação dos polos ocidental e oriental.

Será também assinalado o centenário do falecimento de Camilo Pessanha, poeta português que viveu, morreu e garantiu um lugar perene no território ao ser sepultado no Cemitério de São Miguel Arcanjo. “A sua ligação profunda a Macau e o seu legado literário serão revisitados através de diversas iniciativas, sublinhando o papel da cidade como ponte entre mundos”, indica o comunicado, que desvenda ainda três nomes envolvidos na celebração. São eles António Carlos Cortez, poeta e professor de Português e Literatura; Carlos Morais José, escritor e jornalista radicado em Macau; e Christopher Chu, escritor e jornalista que já publicou um livro sobre os trinta anos em que Pessanha viveu na cidade.

Embora a programação completa ainda não tenha sido divulgada ao público, já é possível saber qual o foco do dia de abertura do festival, a 5 de Março. Nesse dia, estará em destaque a exposição “Territórios Humanos: Fotografia, Pertença e Memória”, que reunirá imagens captadas pela óptica do português Alfredo Cunha e do chinês Liu Zheng e explorará as suas “identidades” particulares, bem como as “narrativas” comuns que se cruzam nos respectivos acervos fotográficos. A mostra será acompanhada pelo lançamento de dois livros de fotografia.

Nomes sonantes da literatura

O painel completo de convidados será divulgado em comunicado posterior, mas já se conhecem alguns dos nomes locais e internacionais que integrarão as sessões desta edição da Rota das Letras.

O panorama literário local divide-se entre os poetas Yao Feng, Cheung Wai Man, Kam Un Loi e Nick Groom, no lado masculino, e Rai Matsu e Zita Si Tou Chi U, no lado feminino. A lista de convidados radicados em Macau inclui também o pintor Konstantin Bessmertny e o maestro Veiga Jardim. Por sua vez, Rui Leão e Maria José de Freitas e “outros autores locais” vão homenagear a obra do arquitecto macaense José Maneiras, falecido em Novembro do ano passado.

As sessões dedicadas ao mundo lusófono contarão ainda com a presença de dois jornalistas e escritores que no ano passado publicaram, individualmente, livros sobre personalidades portuguesas de diferentes espectros políticos. Falamos de João Miguel Tavares, autor de José Sócrates – Ascensão (1957-2005), e de Miguel Carvalho, autor de Por Dentro do Chega – A face oculta da extrema-direita em Portugal. Destaque ainda para a jornalista Andreia Sofia da Silva com O lápis vermelho, livro que se debruça sobre os efeitos da censura do Estado Novo nos territórios ultramarinos, com especial foco na imprensa de Macau.

No que respeita à literatura em língua chinesa, a lista de convidados é composta por nomes bastante sonantes e reconhecidos tanto pelo público como pela crítica especializada. O comunicado começa por mencionar Bi Feiyu, vencedor de prémios como o Man Asian Literary Prize, o Lu Xun Literary Prize e o Mao Dun Prize – provavelmente, o mais prestigioso prémio literário chinês.

Seguem-se escritores como Xiao Bai, autor de Xangai que também venceu o prémio Lu Xun; Gu Shi, detentora dos prémios Nebula e Locus pelas suas histórias de ficção científica; e Lu Jian, poeta da geração “pós-anos 80s” galardoado com o Prémio de Poesia Zhang Qiang. Importa ainda mencionar o nome de Xie Youshun, que se destaca dos demais por se dedicar à análise e crítica da literatura contemporânea chinesa – responsabilidade que lhe mereceu, aliás, a atribuição do Prémio Feng Um de Crítica Literária.

Por seu turno, a categoria das letras internacionais é representada por personalidades de múltiplas línguas e continentes. No continente asiático, incluem-se o escritor indiano Amitav Ghosh – considerado um dos grandes vultos da literatura mundial graças à sua “Trilogia Ibis” e à forma como retrata temas como colonialismo, ambiente e identidade humana – e Elisa Shua Dusapin, romancista franco-suíça com raízes sul-coreanas cuja obra de estreia, Inverno em Sokcho, se situa precisamente na cidade turística da Coreia do Sul.

Viajando até às Américas, encontramos Hernán Diáz, escritor argentino-americano que venceu o prémio Pulitzer em 2023; Carlos Andrés Gomez, colombiano-americano que escreve e declama poesia ‘spoken word’; e Guy Delisle, cartoonista canadiano conhecido pelos seus livros de viagem sobre destinos pelo mundo fora – incluindo a China, que explorou no livro de 2000 Shenzhen: A Travelogue from China.

A Europa é representada pelo britânico Adam Sisman, autor de biografias aprofundadas sobre figuras como A. J. P. Taylor ou Hugh Trevor-Roper, e pelo trio envolvido na concepção do filme “Ballad of a Small Player”, lançado na Netflix no final do ano passado: Lawrence Osborne, o autor do livro homónimo de 2014, e Mike Goodridge, o produtor da longa-metragem. Este filme, recorde-se, foi gravado em Macau no Verão de 2024 e catapultou cenários bem conhecidos da região, como templos e casinos, para os ecrãs dos utilizadores da Netflix.

Para além das letras

Enveredando pela área do cinema, a programação tem espaço para uma homenagem à sétima-arte portuguesa com a apresentação de “Salatinas”, um documentário assinado pela jornalista Filipa Queiroz que aborda a expulsão de cerca de três mil residentes da Alta de Coimbra para dar lugar à Cidade Universitária.

O cinema português vai também estar representado por Tiago Guedes, com os seus filmes “A Herdade”, de 2019, e “Restos do Vento”, de 2022. Para além de realizador de cinema, é também encenador da peça de teatro “À Primeira Vista”, que terá assim a sua estreia em Macau. A ocasião marca o regresso da actriz Margarida Vila-Nova ao território, onde já residiu e inclusive fundou projectos como a Mercearia Portuguesa ou a Futura Clássica.

“À Primeira Vista” é a versão portuguesa do monólogo de 2019 “Prima Facie”, que a produtora Força de Produção descreve na sua página oficial como “uma das mais reconhecidas pelas de teatro dos últimos anos”. Com assinatura de Suzie Miller, o espectáculo promete um “thriller jurídico de cortar a respiração” sobre temas fortes como “poder, consentimento e lei”.

Quanto ao calendário musical, o único nome até agora confirmado é o de Rodrigo Leão. O músico e compositor, figura essencial do género ‘new age’ em Portugal e membro das bandas Sétima Legião e Madredeus, tem actuação marcada para a noite de 11 de Março no Centro Cultural de Macau.

O comunicado de imprensa sublinha que serão “brevemente” acrescentados “nomes adicionais” a esta primeira lista de convidados. A 15.ª edição do Festival Literário de Macau é organizada com o apoio do Governo de Macau e de representações diplomáticas, associações locais, empresas (sobretudo as do sector hoteleiro) e órgãos de comunicação social. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


Angola - Refinaria de Cabinda não tem data para iniciar a venda de combustíveis

Seis anos e três meses depois de ter sido entregue por ajuste directo à Gemcorp, a Refinaria de Cabinda continua sem iniciar a operação comercial de venda de gasóleo. O Expansão contactou o ministério da tutela e a Sonangol, mas a melhor resposta que obteve foi "está para breve". A inauguração oficial foi há 5 meses


A Refinaria de Cabinda tornou- -se, ao longo dos últimos anos, um caso emblemático de adiamento crónico de um projecto industrial estratégico. Pensada inicialmente como uma solução rápida para reduzir a dependência de importações de combustíveis no enclave de Cabinda, a refinaria acumulou oito promessas públicas de entrada em funcionamento entre 2021 e 2025 e, apesar de ter sido inaugurada a 1 de Setembro de 2025, continua sem operação comercial efectiva, permanecendo em fase de testes técnicos.

Na cerimónia de inauguração, o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET) Diamantino de Azevedo prometeu que "até ao final do ano (2025) Angola contará com os primeiros derivados comerciais produzidos nesta unidade", o que mais uma vez não aconteceu, nem existe uma data para quando isto irá acontecer. O Expansão contactou o MIREMPET e a Sonangol, e a melhor resposta que obteve foi que "está para breve".

A origem deste percurso sinuoso remonta a 2019, quando a Sonangol rescindiu o contrato com o consórcio vencedor do concurso internacional e decidiu entregar o projecto por adjudicação directa ao grupo Gemcorp Capital. À data, a refinaria era apresentada como um projecto modular, de 30 mil barris por dia, com execução prevista em cerca de 18 meses - um prazo considerado razoável para unidades desta dimensão. No entanto, desde essa decisão, o projecto entrou num ciclo prolongado de reconfigurações e atrasos sucessivos, cujas causas se acumulam.

A primeira prende-se com o perfil do investidor. A Gemcorp é um fundo de investimento financeiro, sem histórico relevante na engenharia, construção ou operação de refinarias, o que obrigou a recorrer a múltiplos subcontratos técnicos, renegociações de engenharia e ajustamentos ao longo da obra. Em vez de um calendário linear, o projecto avançou por etapas fragmentadas, com decisões técnicas tomadas já em fase de execução.

É importante também acrescentar que o modelo de controlo e funcionamento também evolui neste período, passou a ser estruturada como uma parceria público-privada, com 90% do capital detido pela Gemcorp e 10% pela Sonangol. A Sonangol, apesar de ter apenas 10% do capital da refinaria, teve de liderar o processo de implementação do projecto, inclusive de fazer o investimento necessário para que este pudesse avançar e dar a cara junto dos fornecedores.

O Governo também deu uma ajuda fundamental criando um pacote especial (e inédito) de incentivos fiscais para o projecto, onde se inclui a redução em 90% da taxa do Imposto Industrial (15 anos), isenção do pagamento antecipado em sede de Imposto Industrial (15 anos), redução de 90% do Imposto sobre a Aplicação de Capitais (15 anos), isenção do Imposto Predial (12 anos), isenção de IVA na importação de materiais, equipamentos e maquinaria destinados à fase de investimento (primeiros 5 anos), dispensa da auto-liquidação do IVA em serviços contratados a prestadores não residentes ou sem domicílio fiscal em Angola (até 15 anos), etc., etc. João Armando – Angola in “Expansão”


Estados Unidos da América – Guitarrista português Nuno Bettencourt vence Grammy

O guitarrista português Nuno Bettencourt foi um dos vencedores da noite dos prémios Grammy, que decorreu em Los Angeles, ao ser distinguido na categoria de Melhor Atuação Rock pela participação em “Changes (Live from Villa Park)”

A gravação premiada da canção clássica dos Black Sabbath foi feita em julho de 2025, no Reino Unido, durante o concerto de despedida do cantor britânico Ozzy Osbourne. Bettencourt tocou com o cantor Yungblud, o baixista Frank Bello, o teclista Adam Wakeman e o baterista II.

Os vencedores subiram ao palco dos Grammy juntamente com Sharon Osbourne, viúva de Ozzy Osbourne, que estava visivelmente emocionada com a vitória. Yungblud fez o discurso de aceitação e Nuno Bettencourt falou mais tarde aos jornalistas, na sala de entrevistas aos vencedores.

O português nascido na Ilha Terceira, Açores, falou da ascensão da Inteligência Artificial e disse aos músicos aspirantes que não se preocupem com isso, porque nada pode substituir a magia das atuações ao vivo.

"Esta é a maior oportunidade para os rockers e para o rock'n'roll", afirmou. "A música verdadeira e as canções verdadeiras são histórias reais que te tocam, há sangue na partitura, colocas-te nessa partitura e ninguém vai reproduzir isso", continuou.

"A imperfeição é a essência do rock'n'roll. Toda a gente tenta disfarçar as imperfeições, mas é aí que reside a essência", disse. "E, se conseguires fazer isso em palco, que é onde o rock'n'roll realmente acontece, a IA não se vai meter contigo", acrescentou.

Minutos antes, Yungblud tinha usado o discurso de vitória para agradecer a Ozzy Osbourne, que morreu apenas duas semanas depois do concerto "Back to the Beginning", onde a versão premiada de "Changes" foi gravada.

"Crescer a adorar um ídolo que ajudou a encontrar a nossa identidade, não apenas como artista mas também como homem, é algo pelo qual estou muito grato", disse o cantor. "Mas, depois, formar uma relação com ele e honrá-lo no seu último espetáculo, é algo estranho de compreender".

Yungblud prometeu que "a música rock está de volta" e disse que "seis gerações de músicos rock" se juntaram para fazer acontecer a performance em Villa Park, Birmingham.

Nuno Bettencourt, guitarrista da banda Extreme e CEO da Atlantis Entertainment, era um de dois portugueses nomeados para a 68ª edição dos Grammy.

O outro era Bráulio Amado, designer e ilustrador, que foi nomeado na categoria de Melhor 'Recording Package'" pelo trabalho gráfico do álbum "Balloonerism", de Mac Miller, desenvolvido com o artista norte-americano Alim Smith.

O Grammy acabou por ser entregue a Meghan Foley e Michelle Holme, diretores de arte de "Tracks II: The Lost Albums", de Bruce Springsteen. Tiago David – “Agência Lusa”


Portugal - Investigadoras do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde inovam no estudo das doenças inflamatórias do intestino

Sofia Barros e Inês Alves vão receber duas ECCO Grant de 80 mil euros para desenvolverem projetos focados na Doença de Crohn, entre outras patologias


As investigadoras Sofia Barros e Inês Alves, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) foram distinguidas com duas ECCO Grant, atribuídas pela European Crohn’s and Colitis Organisation (ECCO). As duas cientistas vão receber um financiamento de 80 mil euros, cada uma, para desenvolverem projetos inovadores focados na Doença de Crohn e nos mecanismos imunológicos associados à Doença Inflamatória Intestinal.

O projeto de Sofia Barros propõe uma abordagem terapêutica inovadora para o tratamento da Doença de Crohn, uma doença inflamatória crónica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal.

A investigação assenta no desenvolvimento de uma terapia oral de dupla ação, combinando dois fármacos – budesonida, para o controlo da inflamação, e teduglutida, para promover a regeneração epitelial – administrados através de nanopartículas responsivas a espécies reativas de oxigénio. Este sistema permite a libertação localizada dos fármacos nas zonas de inflamação intestinal, aumentando a eficácia terapêutica e reduzindo os efeitos secundários.

“Esta distinção representa o reconhecimento do trabalho que tenho vindo a desenvolver e dá-me condições para consolidar a minha linha de investigação em novas abordagens terapêuticas para a Doença de Crohn”, sublinha Sofia Barros, do grupo «Nanomedicines & Translational Drug Delivery», liderado por Bruno Sarmento.

Já o projeto de Inês Alves centra-se na compreensão dos mecanismos imunológicos precoces que conduzem ao desenvolvimento da Doença Inflamatória Intestinal, que inclui Doença de Crohn e Colite Ulcerosa.

Resultados recentes obtidos pelo grupo «Immunology, Cancer & Glycomedicine» do i3S, liderado por Salomé Pinho, demonstram que alterações específicas nos açúcares presentes à superfície das células intestinais (glicanos) podem desencadear respostas imunes prejudiciais vários anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas clínicos da doença.

Com esta ECCO Grant, Inês Alves pretende identificar quais as células imunes responsáveis pelo reconhecimento desses açúcares e caracterizar os anticorpos envolvidos nesse processo, abrindo caminho à identificação de novos biomarcadores no sangue, que permitam uma deteção mais precoce da doença, a monitorização da sua progressão ou mesmo a sua prevenção.

“Esta distinção representa uma oportunidade única para aprofundar o conhecimento da Doença de Crohn e desenvolver novas abordagens de diagnóstico e prevenção, com impacto direto na qualidade de vida dos doentes”, destaca a investigadora. Universidade do Porto - Portugal


Decomposição dos “nós” de todos nós

O novo livro de Eltânia André cativa e encanta do primeiro ao último conto, todos povoados de terremotos familiares e existenciais, com alto apuro literário


Que ninguém se deixe enganar com o título, a ilustração da capa, nem com a estreita lombada do novo livro de Eltânia André (Cataguases, MG, 1966; vive em Portugal desde 2017), Decomposição dos pássaros. A exemplo de seus trabalhos anteriores, a experiente psicóloga e premiada escritora, autora de contos e romances notáveis, explora, com maestria, as angústias, incertezas, memórias e os mistérios da vida e da mente humanas, nas densas, substanciosas 96 páginas dessas 10 histórias recentes. Trata-se de uma profunda, inquietante e destemida incursão nos problemas, nos nós, nas questões interiores, de todos nós, e da civilização em perigo. Com alto apuro literário, estilo elegante, sóbrio, limpo e bonito. O coração na alma, a razão na História.

O texto de Eltânia não tem nada dos cacoetes mecânicos de aplicados alunos de oficinas literárias e pouca leitura, não segue as lições de manuais de como se escreve um conto. Ao contrário, a escritora imprime a suas histórias um veio próprio, rico, sinuoso, mas plausível e claro. Por isso Decomposição dos pássaros é original, cativa e encanta do primeiro ao último texto, todos povoados de terremotos familiares e existenciais, de casas desoladas, de tragédias, do cotidiano e dos bastidores doméstico e histórico, o mundo em permanente conflito, em decomposição. Uma ebulição de pessoas iguais a cada um de nós em momentos de aflição e desafio, tudo enriquecido por referências literárias, musicais, cinematográficas, em harmonia com a história narrada.

Diante de um livro de prosa, poemas ou ensaio, um leitor bem formado e de bom gosto percebe o embate tentativa versus êxito na fatura literária. Vê com nitidez a diferença entre os vacilos e defeitos e a segurança, o controle, o esmero estético de um texto literário, sem prejuízo das questões socioeconômicas e da experiência humana na Terra. O leitor dos contos de Eltânia André – que escreve sem a dor da pressa, na expressão de Fernando Pessoa, e sem cair no psicologismo – não terá dúvida de ter diante dos olhos histórias inesquecíveis. Temas e texto em tensão e harmonia. Um palimpsesto de deleite e inquietação, pontuado de humor e riso, às vezes apaziguadores. Pedagogia de fraterna sensibilidade. A razão é simples: quem nos traz os contos de Decomposição dos pássaros, narrados em primeira pessoa, seja voz masculina ou feminina, de jovem, adulto ou idoso, é autora singular, de estilo e enredos irmanados: sonho, pesadelo, realidade – arte.

Suas epígrafes compõem um elo forte, diálogo preciso, entre o título e o texto de cada conto, desde a primeira história, “Pluma e osso”, em que João Melo anuncia “um mundo puro e inocente” e “tempos das grandes labaredas e das fomes imensas”. Nessa narrativa de sabor clássico, conhecemos a sofrida vida de Ellen, acossada pelo criador de gansos para a produção de patê de fígado, o repugnante Breno Galvão, patrão do pai da moça. Depois ainda aparece o doutor Louçã, o mandachuva da Forceluz de Cataguases que emprega pai e filha. Mais não se pode dizer, que o leitor conheça as agruras da família e como a Guerra de Troia e Penélope entram na vida de Ellen.

“Tudo o que o mestre mandar”, o segundo conto, traz a história de Valtinho e Vando, que ganhou o apelido de Van Gogh depois que teve uma orelha decepada pela mordida do irmão. Na epígrafe, Ana Martins Marques afirma que na infância “cometemos nosso primeiro crime”. Com um inusitado método, Ilda, mãe dos garotos, consegue tornar os garotos amigos inseparáveis. Angústia e alegria. Obra-prima.

“Os relógios estão na eternidade”, avisa Orides Fontela na epígrafe de “A última música: 2 minutos e 35 segundos”, belíssima e triste história de Antônio Relojoeiro, narrada pelo filho Beto, xará do Guedes, autor da instrumental “Belo Horizonte”, música evocada no título e fundamental no enredo. A intertextualidade surge no primeiro parágrafo do conto: “Vim porque aqui nasceu e viveu o meu pai”, frase que lembra o início de Pedro Páramo, de Juan Rulfo. Antes de ser internado, na ausência do filho, o protagonista, “sócio de Cronos”, “guardião das horas”, silenciou todos os relógios da loja e disse algo tão singelo quanto comovente a um vizinho: “Acredito piamente nisto: foram os egípcios que inventaram o relógio do sol”. Adulto, “expectativa e espectador”, Beto recorda as coisas simples que teria construído com o pai: um remendo numa rede de pescaria, um pião talhado a canivete, uma aeronave ou um barco de papel. Roteiro para um belo curta-metragem.

Também bonito e poético, “Márrio-Riomar: um nome todo água”, história de temor e solidão, é precedido pelo conhecido trecho de Jorge Luis Borges que termina assim: “O rio me arrebata e eu sou esse rio”. Narrativa primorosa, de final tão admirável quanto o início e o percurso caudaloso, ao som de samba, pagode e Pink Floyd.

Em “Céu na boca”, de sentido duplo, a epígrafe de Brecht alerta para a luta, por vezes hipócrita, para se ganhar o pão de cada dia. No admirável primeiro parágrafo, já vemos que o megalomaníaco, mentiroso Edmundo Fontes, com sonhos de voar, encarna esse tipo. No meio da história, a narradora alerta o sujeito, já em desgraça na ambiciosa carreira, com um conselho de Churchill: “Se você vai passar pelo inferno, não pare de andar”. Do início ao último parágrafo, um lapidado texto, que poderia se chamar “O triste fim de Edmundo Fontes”, personagem tão diverso de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

Na epígrafe do conto-título, outro de extração clássica e o mais curto do volume, Nuno Júdice mostra como ajustar os olhos que procuram pássaros, metáfora das buscas de Josué, homônimo do destemido personagem bíblico na conquista da Terra Prometida. Ainda que um pequeno pardal participe da história, o que lemos é uma paráfrase do êxodo. “Iria embora de casa ao completar a maioridade, abarrotaria a mala de lembranças (poço sem fundo) com as imagens que recolheria em suas andanças (ou exílio?).” Quando alguém, no início do terceiro milênio, organizar uma antologia de contos brasileiros do século 21, incluirá esse “Decomposição dos pássaros”.

“Subindo as montanhas de xisto da Bulgária ou Assassinando a lógica com a caneta de Campos de Carvalho” é a única história do livro sem epígrafe, dispensável pela evocação de seu guia no título. Curiosa e divertida trajetória do errático e picaresco Astrogildo (“ou Walter, como preferirem”) acompanhado de Dersu Uzala, do filme de Kurosawa. Ele pensou em escrever um livro com o diabo como protagonista, mas desistiu por não “encontrar humor” no demo, concordou com a historiador francês Georges Minois (“Deus foi sarcástico ao considerar o hipopótamo o ápice de sua criação”), não concluiu a leitura de Os miseráveis, de Victor Hugo, mas nunca se esqueceu do protagonista Jean Valjean, que a “salvou de poucas e boas [...] mas não da solidão”, e antes de terminar seus dias tocava “na gaita a trilha sonora” de O dólar furado. Não à toa, portanto, que seu enterro foi acompanhado ao som de Gianni Ferrio, autor da trilha sonora do faroeste. A frase final é um arremate de mestre, une Jesus, nome do motorista do carro fúnebre, e o despontar da lua na Ásia, de Campos de Carvalho. Conto também antológico.

O verso “Amei todas as perdas”, do espanhol Antonio Gamoneda, dá o tom de “Construção”. Entremeado dos ruídos de instrumentos em uma construção, é a história de perdas e danos, de decomposição, da família de uma anciã de memória surpreendente. “Era um tiquinho de gente, assim ó, mas não esqueço nada.” Deliciosas frases da oralidade, sobretudo mineira, marcam a fala da mulher. Uns exemplos: “Igual eu já te falei...”; “...foi embora caçar um lugar pra ficar”; “...ele fazia birra e tacava o pão duro longe”. No fim, esmerado parágrafo, nem na hora do almoço dos trabalhadores da construção há silêncio total: ao som de colheres rapando o fundo das marmitas somam-se o grito de um casal de maritacas no ar e outro ruído, trágico, do choque de uma cadeira de rodas “com o madeirame da porta roído por cupim”).

“Sob o som das matracas”, depois das maritacas e da matriarca, uma história terrível, versos de Hilda Hilst a nos alertar: “É crua a vida/ alça de tripa e metal”. Um homem conta a um primo detalhes cruéis, em versões ausentes dos livros, da participação do avô, herói anônimo e sem pensão da Revolução de 32, o “fiasco nacional, brasileiro matando brasileiro”. Também aqui Eltânia contrapõe a descrição sem filtro de corpos dilacerados (“toda guerra é um horror”) com expressões populares, como “cavoucou com a unha e cuspiu a bala” e “você é bobo de tão manso”. História pungente que não deixa nenhum coração de pedra insensível.

Campos de Carvalho, “terrivelmente bíblico”, liga o título de “Evangelina Agustina: a Baba Vanga brasileira” ao conto, em que conhecemos semelhanças (ambas perderam a visão “às vésperas de completar doze anos”) entre a mística búlgara Vangelia Pandeva Surcheva (1911-1996) e a baiana Evangelina Augusta da Silva (1940-2021), que teve nascimento difícil (uma beleza a descrição do penoso e obstinado trabalho da parteira Hipólita). Há outras passagens pungentes: “A mãe, já recomposta, com a filha aconchegada ao peito, é imagem da qual Hipólita nunca se esquecerá. Sabia de antemão, pelos arrepios na nuca, do destino da menina”. Logo na frase depois dessa, uma de fino humor metalinguístico: “O barulho dos copos se quebrando e o cheio da aguardente deram sinais da volta da normalidade e a parteira não tinha mais o que fazer lá (nem aqui)”.

Eltânia conta assim um encontro entre a profetiza e a autora de A hora da estrela: “Acredita-se que no remanso da noite, Clarice Lispector [...] encontrou-se com Evangelina, a nossa Baba Vanga [...] A escritora entrou sozinha e saiu de braços dados com Macabeia”. No conto, Eltânia André homenageia outras mulheres, como Marielle Franco e Dandara dos Palmares, assassinadas, e Margarida Maria Alves, que preferiu a morte à escravidão. Mescla de realidade e ficção, o conto, antológico, é um cântico em defesa da fraternidade, da justiça social e da “divisão do pão, do peixe”.

Os dez contos de Decomposição dos pássaros, leitura de inquieto e por vezes assombroso arrebatamento, destilam esplendores e misérias da vida humana. Um livro que vai atravessar o século. Eltânia André precisa ser mais lida e divulgada. Hugo Almeida - Brasil

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Decomposição dos pássaros, contos, de Eltânia André, Editora Urutau, 2025, 96 páginas, R$ 55,00. https://editoraurutau.com/titulo/decomposicao-dos-passaros 

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Hugo Almeida, doutor em Literatura Brasileira pela USP, é autor dos romances Vale das ameixas e Mil corações solitários e do ensaio A voz dos sinos (sobre a obra de Osman Lins), todos publicados pela Editora Sinete. https://editorasinete.com.br/ Site do autor: https://hugoalmeidaescritor.com.br

 


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Internacional - Cientistas estabelecem diagnóstico mais antigo de doença genética utilizando ADN de indivíduo pré-histórico de há mais de 12 mil anos

Um novo estudo, liderado por Daniel Fernandes, investigador do Centro de Investigação de Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), relata o diagnóstico mais antigo de uma doença genética em seres humanos anatomicamente modernos — e redefine a nossa visão sobre doenças raras na pré-história.

Através da combinação de técnicas de vanguarda na análise de ADN antigo e genética clínica contemporânea, uma equipa de investigação internacional e multidisciplinar estabeleceu o diagnóstico de ADN mais antigo de uma patologia genética num indivíduo pré-histórico, datado de há mais de 12 mil anos.

Publicado na revista New England Journal of Medicine, o estudo demonstra que os avanços nas técnicas de ADN antigo vão além do mapeamento de populações e migrações humanas, permitindo, igualmente, estabelecer diagnósticos genéticos raros em restos ósseos de indivíduos que viveram há vários milénios.

Esta investigação centra-se num notável enterramento do Paleolítico Superior, com mais de 12 mil anos, descoberto em 1963 na Grotta del Romito, uma gruta no sul de Itália. Dois indivíduos foram depositados em conjunto, num abraço. Um adolescente com encurtamento severo dos membros (Romito 2), jazia envolvido pelos braços de um adulto (Romito 1).

De acordo com os investigadores, não foram encontrados sinais de trauma em nenhum dos esqueletos. O esqueleto de Romito 2 apresentava uma estatura severamente reduzida (110 cm), sugerindo uma patologia esquelética rara denominada displasia acromesomélica. Contudo, tal diagnóstico não poderia ser confirmado de forma definitiva apenas através da análise osteológica. Curiosamente, a estatura da adulta Romito 1 (145 cm) era também inferior à média da altura adulta daquela era.

A equipa extraiu ADN do ouvido interno, uma das fontes mais fiáveis de preservação de ADN em esqueletos antigos. As evidências genéticas esclareceram, inicialmente, duas questões fulcrais. Contrariamente às hipóteses anteriores, comprovou-se que tanto Romito 1 como Romito 2 eram do sexo feminino. Num achado que acrescenta uma perspetiva crucial à interpretação do enterramento, a análise de ADN revelou, também, que eram familiares de primeiro grau — possivelmente, mãe e filha.

Em Romito 2, foi identificada uma variante homozigótica (duas cópias) no gene NPR2, que desempenha um papel vital no crescimento ósseo. Este achado genético confirmou o diagnóstico de displasia acromesomélica do tipo Maroteaux, uma condição hereditária raríssima caracterizada por uma deficiência de crescimento severa e um encurtamento acentuado dos membros.

Os dados de Romito 1 sugerem que esta era possivelmente portadora de uma cópia anómala do gene NPR2, o que constitui uma causa genética de baixa estatura moderada. Estas descobertas em indivíduos pré-históricos coincidem perfeitamente com as características clínicas de doentes modernos com uma ou duas cópias anómalas do referido gene.

«Podemos agora aplicar a ciência da análise de ADN antigo para confirmar mutações específicas e, por extensão, variantes genéticas particulares. Esta abordagem e estes métodos podem não só fornecer uma cronologia confirmada para a idade mínima de certas condições genéticas raras, como também levar à descoberta de variantes anteriormente desconhecidas. Espero que este seja o início de um novo campo de investigação que combine a especialização da genética médica, da paleogenómica e da antropologia biológica», considera Ron Pinhasi, investigador da Universidade de Viena, Áustria.

Daniel Fernandes, investigador do CIAS/FCTUC e primeiro autor do estudo, ressalva que «revelar que estes indivíduos eram ambos do sexo feminino e familiares de primeiro grau transforma este enterramento num estudo genético familiar. Embora a cobertura de ADN para o indivíduo mais velho fosse limitada, a sua estatura mais baixa reflete provavelmente um estado heterozigótico da mutação NPR2 — proporcionando uma perspetiva rara sobre como um único gene afetou diferentes membros da mesma família pré-histórica».

Do ponto de vista médico, os resultados lançam uma nova luz sobre o campo das doenças raras na história humana. Para além do feito técnico, as descobertas transmitem uma mensagem humana. Apesar das severas limitações físicas, Romito 2 sobreviveu até ao final da adolescência ou idade adulta — sugerindo cuidados sociais contínuos numa comunidade de caçadores-recoletores há mais de doze milénios.

O estudo destaca como as ferramentas desenvolvidas para a genética clínica moderna podem iluminar a história humana, unindo a medicina, a genómica e a arqueologia — e lembrando-nos de que as doenças raras, e as pessoas que com elas vivem, sempre fizeram parte da narrativa humana. Universidade de Coimbra - Portugal


Moçambique - Universidade Pedagógica de Maputo garante que modernização do sistema académico não vai prejudicar estudantes

A Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) assegura que o processo de modernização do seu Sistema Integrado de Gestão Universitária não vai trazer prejuízos aos estudantes, apesar dos constrangimentos registados nos últimos dias no acesso às notas, à situação financeira e aos pedidos de declarações académicas. A garantia foi dada pelo Diretor do Registo Académico da instituição, Célio Sengo, durante uma entrevista concedida à STV, na sequência do crescente descontentamento manifestado pela classe académica.


A intervenção do responsável surge num momento em que vários estudantes, sobretudo do regime pós-laboral, relataram dificuldades no acesso à plataforma digital da universidade, situação que gerou dúvidas, reclamações nas redes sociais e receios quanto a uma eventual perda de dados académicos. Segundo Célio Sengo, os problemas estão associados ao processo de migração de dados do sistema antigo para uma nova plataforma tecnológica, concebida para responder às atuais exigências da instituição.

“Estamos a migrar os dados do sistema antigo para um novo sistema, mais moderno e ajustado à realidade atual da universidade. Isso não significa perda de informação nem prejuízo para os estudantes”, afirmou, esclarecendo que a atualização resulta da evolução institucional, da introdução de novos planos curriculares e da necessidade de alinhar o sistema académico ao plano estratégico da UP-Maputo.

O diretor reconheceu que a transição gerou dificuldades pontuais, sobretudo no acesso inicial ao novo sistema, que passou a exigir regras mais rigorosas de segurança, como a criação obrigatória de senhas fortes. “Alguns estudantes tiveram dificuldades nesse processo, outros não conseguiam visualizar de imediato a situação financeira, mas são situações que já estamos a resolver”, explicou.

Para minimizar os impactos, a universidade optou por manter, em simultâneo, o sistema antigo e o novo, permitindo que os estudantes continuem a aceder aos serviços académicos sem interrupções. “O sistema anterior continua ativo. Quem tiver dificuldades no novo pode recorrer ao antigo sem qualquer problema”, garantiu Célio Sengo, sublinhando que a migração está a ser feita de forma gradual e acompanhada pelo feedback dos utilizadores.

O responsável atribui parte do alarme gerado nos últimos dias ao facto de muitos estudantes terem acedido diretamente à nova plataforma, sem perceberem que o sistema antigo permanecia operacional. Ainda assim, considera legítimas as preocupações. “É normal que haja receios quando se introduz um novo sistema. Essas preocupações ajudam-nos a identificar falhas e a melhorar”, disse.

Uma das questões mais sensíveis abordadas na entrevista prende-se com a situação dos estudantes que estão afastados da universidade há vários anos ou que concluíram as cadeiras, mas ainda não defenderam os seus trabalhos finais. Questionado sobre este grupo, o diretor foi taxativo ao afastar qualquer risco de perda de notas ou do histórico académico. “Todos os dados estão salvaguardados. Migração significa transportar toda a informação do sistema antigo para o novo, incluindo estudantes antigos”, assegurou.

Célio Sengo explicou ainda que, mesmo após a desativação definitiva do sistema antigo, este continuará acessível internamente para consultas específicas, reforçando que a integridade dos dados académicos está garantida. O maior risco, segundo referiu, não está ligado ao sistema, mas ao cumprimento dos prazos regulamentares de duração dos cursos, situação que pode obrigar alguns estudantes a solicitar a reintegração.

Quanto ao calendário, a UP-Maputo não avança com uma data exata para a conclusão do processo, mas aponta o presente semestre como período de transição, com a expectativa de iniciar o segundo semestre já com o novo sistema plenamente funcional. “Tudo vai depender do volume de reclamações e sugestões que formos recebendo. Os estudantes é que orientam este processo”, afirmou.

Relativamente às inscrições, o Diretor do Registo Académico anunciou que os estudantes internos deverão iniciar o processo na segunda semana de fevereiro, em data a ser comunicada oficialmente. Já os novos ingressos deverão inscrever-se a partir de março, após a divulgação dos resultados dos exames de admissão, estando ainda em análise a plataforma que será utilizada.

Com estes esclarecimentos, a Universidade Pedagógica de Maputo procura acalmar os ânimos e reafirmar que a transição tecnológica, apesar dos percalços iniciais, está a ser conduzida com salvaguarda dos direitos e do percurso académico dos estudantes. Laves Macatane – Moçambique in “O País”


Angola - Governo tem até Abril para aprovar mega-projecto do Brasil para agricultura

Os produtores brasileiros comprometem-se a produzir grãos, cereais e sementes em Angola, mas exigem segurança jurídica e apoio financeiro também das instituições nacionais, como o Fundo Soberano e a banca. Fase piloto do programa está avaliada em mais de 124 milhões USD, com 45% de financiamento brasileiro


Angola tem pouco mais de 2 meses para responder a uma proposta do Brasil para apoiar o desenvolvimento do agronegócio, que pode trazer cerca de 20 empresários de grande dimensão e experiência para investir no agronegócio. A pressão é motivada pelo calendário eleitoral nos dois países, mas sobretudo no Brasil, que realiza as eleições presidenciais no mês de Outubro.

Uma missão técnica nacional irá ao Brasil, na primeira semana de Março, para agilizar o processo. De acordo com um documento obtido pelo Expansão, a proposta brasileira (que foi pré-negociada com Angola e, por isso, está alinhada com os interesses das duas partes) indica a necessidade de ceder 500 mil hectares de terras, mais especificamente no planalto de Camabatela (Cuanza Norte), autorizar a utilização de sementes geneticamente modificadas, emitir garantias via Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), entre outras exigências.

O maior perigo identificado pelos empresários é a desvalorização cambial e a parte brasileira solicitou que o BDA assumisse esse risco, o que pode levantar dúvidas devido à falta de dinheiro que afecta a gestão daquela instituição nacional. Do lado brasileiro, o governo compromete-se a disponibilizar recursos financeiros através do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil (através do Programa de Fomento às Exportações). "Estes recursos já estão disponíveis", disse fonte do Expansão. O financiamento, a ser utilizado, vai servir para a importação de máquinas, veículos de carga e sistemas de armazenamento de grãos.

O processo eleitoral tem impacto directo nas conversações oficiais entre os dois países porque a lei brasileira impõe restrições aos governantes que se candidatam a posições relevantes, como é o caso do actual ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, que vai concorrer ao lugar de senador pelo estado de Mato Grosso e terá de deixar o ministério já em Abril.

Estas movimentações, que se estendem a outros sectores do governo brasileiro, podem ter impacto directo na acção governativa e na concretização de acordos de cooperação. Aliás, Fávaro esteve em Angola por diversas vezes, incluindo uma visita oficial (em Dezembro de 2024), e não viajou para outros países africanos desde que assumiu, em Janeiro de 2023, a pasta da Agricultura e Pecuária do actual governo liderado por Lula da Silva.

As eleições em Angola, que vão realizar-se em 2027, também podem ter algum efeito nas negociações, mas neste caso mais pela necessidade de o Governo mostrar serviço e promover novos empreendimentos que promovam a criação de empregos e a divulgação de "boas notícias" sobre o País. Caso seja aprovado pelo Governo, o programa também estará aberto a empresários angolanos. Os grupos empresariais brasileiros interessados em investir em Angola são provenientes dos estados de Mato Grosso e Bahia. Um grupo de investidores brasileiros que actua em Angola também demonstrou interesse em aderir. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”