Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Brasil - Ação conjunta para o agronegócio

SÃO PAULO - O Ministério da Infraestrutura acaba de anunciar retomada do transporte ferroviário com a concessão de três novas ferrovias. Entre elas, está a licitação da Ferrogrão (EF-170), prometida ainda para 2019 ou início de 2020. Essa ferrovia deverá ligar os Estados do Mato Grosso e Pará, entre Sinop e o porto de Miritituba, em Itaituba, na margem direita do rio Tapajós, perto de Santarém, de onde os navios podem sair carregados pelo Rio Amazonas até o Oceano Atlântico, com destino à Europa e à Ásia, principais consumidores de grãos brasileiros.

Em março, segundo o Ministério da Infraestrutura, será lançada a licitação de uma linha férrea entre Porto Nacional-TO e Estrela d’Oeste-SP, que deverá ligar também o porto de Itaqui-MA ao Porto de Santos-SP. Com isso, a previsão é que até 2025 a participação do modal ferroviário na matriz de transporte venha a dobrar, desafogando o modal rodoviário.

Além colocar a Ferrogrão para funcionar, o Ministério pretende prorrogar contratos de concessão, usando outorgas devidas pela prorrogação dos contratos para construir novos segmentos. E o primeiro segmento previsto é a Ferrovia Integrada do Centro-Oeste, entre Água Boa-MT e Campinorte-GO, impulsionando o agronegócio no Vale do Araguaia.

Se não se tratar apenas de uma carta de intenções, iniciativa comum em começo de governo, a ação do Ministério da Infraestrutura vem em boa hora e será decisiva para acelerar o desenvolvimento do agronegócio, tirando caminhões das rodovias e, especialmente, diminuindo os gastos com transporte até os principais portos do País, que hoje, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), representam cerca de 30% do custo total dos produtores de grãos.

De qualquer modo, é necessário que essas iniciativas do Ministério da Infraestrutura sejam acompanhadas por outras que priorizem a utilização do modal hidroviário. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que apenas 5% do que o Brasil produz é escoado pelos rios, volume que poderá ser bem maior, se houver maciços investimentos em obras para a construção de eclusas, correção de desníveis e eliminação de barreiras de pedras a fim de que as barcaças possam navegar com segurança.

Em outras palavras: é fundamental que sejam criadas condições que permitam baixar os altos custos da logística no País. Aliás, as commodities continuam a ser vendidas no mercado externo graças ao seu baixo custo de produção, aliado às elevadas cotações que permitem absorver o custo do frete gerado pela ineficiência da infraestrutura logística.

A título de exemplo, pode-se lembrar que, segundo dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), em média, o custo do frete interno para a exportação de soja representa 25% do valor do produto. Já no caso do milho esse custo sobe para 50%, o que pode tornar em breve inviável economicamente sua exportação. É de se ressaltar também a vulnerabilidade que essa situação produz, pois, afinal, o Brasil não exerce qualquer controle ou influência sobre as cotações das commodities. Ou seja, uma eventual redução nos preços das commodities pode também inviabilizar as exportações.

Diante disso, torna-se importante igualmente a industrialização ou agregação de valor às commodities exportadas, o que, por enquanto, é quase impossível devido ao atual sistema tributário, que onera e adiciona custo ao produto durante o seu processamento industrial. Como se vê, para equacionar ou minimizar a questão, é imprescindível uma ação conjunta do Ministério da Infraestrutura com o Ministério da Economia que absorveu as funções dos antigos ministérios da Fazenda, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, do Planejamento e do Trabalho. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

América Latina – Empresários querem investir no setor agroindustrial em Angola

Um conjunto de empresários de seis países da América Latina manifestou vontade em investir no setor agroindustrial em Angola, no quadro da criação, em Luanda, da Câmara de Comércio e Indústria Hispano-Americano-Angolana (CCIHA)

Além de Angola, integram a nova câmara de comércio empresários da Argentina, Colômbia, Cuba, México, Uruguai e Venezuela, para já, a ideia é analisar o mercado mais pormenorizadamente para que, através da troca de experiências e da transferência de tecnologias, se possa avançar para outras áreas, como Comércio e Turismo.

Os empresários angolanos vão contar com a participação de agricultores para implementar e desenvolver a agricultura familiar, bem como de representantes de pequenas e médias empresas (PME) estabelecidos no interior do país.

No quadro da diversificação da economia angolana, os empresários querem contribuir para a redução da carência alimentar, melhoria da renda familiar, criação de emprego e a redução das importações.

A Câmara de Comércio e Indústria Hispano-americana Angolana (CCIHA) conta com uma Assembleia-Geral, Secretariado, Conselho Diretivo, Fiscal, Direção Executiva, Conselho de Cooperação e Intercâmbio e Superior Consultivo.

Reinaldo Luís da Silva Trindade é o presidente do Conselho Diretivo, enquanto Agostinho Raimundo de Sousa e Santos dirige a Assembleia-Geral.

Em declarações à ANGOP, o diretor executivo da CCIHA, Manuel Graça de Deus, explicou que a Câmara pode ser alargada a 19 países da América Latina, cujos empresários estão interessados em integrar estes órgãos de troca de negócios.

Manuel Graça de Deus adiantou que o objetivo é desenvolver, tendo em conta que Angola tem de diversificar a economia e focar a atenção no desenvolvimento.

O embaixador da Argentina em Angola, Luís Eugénio Bellando, presente no ato, salientou que Angola tem todas as condições criadas, desde os solos ao clima e aos recursos hídricos, para que o desenvolvimento da agroindústria seja um facto.

Luís Eugénio Bellando reiterou a disponibilidade de Buenos Aires em apoiar o processo de diversificação da economia angolana.

«A criação da Câmara vai impulsionar o espírito de empreendedores independentes, sobretudo das pequenas e médias empresas», salientou. In “Revista Port. Com” - Portugal

sábado, 28 de outubro de 2017

Câmara Agrícola Lusófona - Missão empresarial a São Tomé e Príncipe



CAL convida empresas portuguesas do agroalimentar numa missão empresarial a São Tomé e Príncipe

A Câmara Agrícola Lusófona (CAL) está a dinamizar a participação de pequenas e médias empresas (PME) portuguesas a estarem presentes em São Tomé e Príncipe. Este é mercado bastante dependente de importações e onde é evidente a preferência por produtos provenientes de Portugal. Fora da Europa, São Tomé e Príncipe é o país que possui relações sócio económicas há mais tempo, no que respeito ao agronegócio, entre 2012 e 2016, este país africano importou 42,2 milhões de euros, dos quais 35,6 milhões de euros eram de origem portuguesa, correspondendo a 84% da quota de mercado. No âmbito das diversas fileiras agroalimentares a quota de Portugal corresponde às seguintes percentagens: laticínios 81% (2,2 milhões de euros), nas carnes transformadas 84% (1,1 milhões de euros), nas gorduras animais e vegetais é 83% (2,4 milhões de euros), nas hortofrutícolas 83% (3,2 milhões de euros), nos produtos de padaria e pastelaria 94% (5,7 milhões de euros) e nas bebidas 94% (9 milhões de euros). O potencial de exportação português é elevado, considerando-se farinha de trigo, arroz, vinhos e cerveja, como os principais produtos agroalimentares de origem portuguesas.

O fortalecimento das boas relações já existentes entre Portugal e São Tomé e Príncipe é um dos principais objectivos desta missão empresarial. A localização geográfica privilegiada no Golfo da Guiné de São Tomé e Príncipe, torna-o num país com especial relevância constituindo-se como uma plataforma logística para os mercados desta região geográfica.

De 10 a 17 de Novembro, a comitiva empresarial terá a oportunidade de participar num programa com uma abordagem transversal no agronegócio, proporcionando contactos com diversas entidades de relevo – empresas locais, entidades governamentais, institucionais, bancárias, jurídicas, entre outros.

Esta é uma iniciativa que se insere no âmbito do Projeto de Internacionalização Agronegócio CPLP 2017/2018, cofinanciado pela União Europeia através do Portugal 2020 e Compete 2020.

As inscrições são limitadas, podendo ser efectuadas pela seguinte ligação aqui.

O programa da missão empresarial poderá ser acedido aqui.

Para mais informações aqui.

A CAL – Câmara Agrícola Lusófona é uma associação empresarial sem fins lucrativos que está presente em todos os países da CPLP, promovendo a divulgação do agronegócio, em território nacional e internacional, com particular ênfase nos países de língua portuguesa.


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Moçambique - Especialistas de agro-negócios da CPLP reunidos em Chimoio

Decorre desde segunda-feira, em Chimoio, o II Simpósio Internacional dos Países da Língua Portuguesa (SIAGR) que reúne especialistas de agro-negócios da comunidade. O evento, que termina hoje, tem como objectivo reforçar as discussões, trocas de experiências e conhecimentos entre pesquisadores, estudantes, instituições, organizações internacionais, governos e sociedade civil organizada, envolvida com questões relacionadas ao agro-negócio dos países membros da CPLP.

O governador de Manica, Alberto Mondlane, que abriu o encontro, saudou os mentores da iniciativa por abordar temas de importância especial para a província e para Moçambique, sabido que o sector familiar continua a ser o que mais produz e garante o sustento das famílias no país.

Carlos Quembo, médico veterinário e delegado regional do centro do Instituto Nacional de Investigação Agronómica de Moçambique (IIAM) revelou no encontro que a província de Manica registou nos últimos sete anos, perdas avaliadas em cerca de oito mil milhões de meticais, resultantes de rejeições totais e parciais da carne devido a zoonoses. Durante este período, a província de Manica destruiu cerca de 53 mil quilogramas de carne diversa, em diversos matadouros.

O II Simpósio Internacional dos Países da Língua Portuguesa (SIAGR) é co-organizado pelo Instituto Superior Politécnico de Manica e o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Farroupilha do Brasil

O primeiro simpósio realizou-se na cidade de Santa Maria, no Brasil, em 2014. In “Jornal de Notícias” - Moçambique

sábado, 22 de julho de 2017

Brasil - Facilita entrada de produtos agropecuários da UE

SÃO PAULO – O Brasil concedeu autorizações sanitárias para a União Europeia (UE) que vão facilitar a entrada de uma série de produtos de origem animal do bloco no mercado brasileiro, como Bruxelas vinha exigindo em meio às discussões sobre problemas com a carne brasileira.

“Atendemos a uma série de pedidos da UE na área fitossanitária. Para eles, o impacto econômico será importante”‘, afirmou o diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, Pedro Miguel da Costa e Silva, em Genebra.Segundo o Ministério da Agricultura, os produtos beneficiados são carne e produtos cárneos de aves, bovinos e suínos, envoltórios naturais de bovinos e suínos, gelatina e colágeno, leite e produtos lácteos e mel e produtos apícolas e ovos.

Conforme o diplomata, as autorizações não têm relação com as discussões acerca das inspeções envolvendo carne brasileira, que até agora não safistizeram Bruxelas. Pedro Miguel da Costa e Silva disse que a agenda SPS, que inclui medidas sanitárias e fitossanitárias, é permanente entre Brasil e UE, e que questões específicas fazem parte do dia a dia dessas discussões. E que é em decorrência de inspeções, convergências regulatórias e análises técnicas que os produtos são liberados nos respectivos mercados.

Bruxelas

Porém, ao retornar de uma viagem ao Brasil logo depois de deflagrada a Operação Carne Fraca, em março, o comissário de Saúde e Segurança de Alimentos da UE, Vytenis Andriukaitis, não escondeu que Bruxelas estava usando o problema para tentar arrancar rapidamente do Brasil melhor acesso para suas exportações agroalimentares. Na ocasião, ele contou que aproveitou a viagem ao Brasil “para destacar a forte insatisfação dos Estados-membros” com as dificuldades no acesso de produtos europeus do setor no país.

E disse que elas contrastava “com a abordagem transparente e construtiva [da UE] em relação ao Brasil”, inclusive naquela situação. Em Genebra, no exame da política comercial brasileira, a UE fez perguntas sobre inspeção, reconhecimento de produtos e outros aspectos técnicos. Foi o que levou a delegação brasileira a destacar que, na semana passada, uma série de autorizações para atender à demanda europeia havia sido enviada. Assis Moreira – Brasil in “Valor Econômico”

sábado, 11 de março de 2017

Brasil - Um basta à estagnação

SÃO PAULO – Reduzir o Estado, tornando-o menos dispendioso e menos pesado para a sociedade que o sustenta, tem sido o objetivo do atual governo-tampão. Se vai consegui-lo até o final de 2018, ainda não é possível prever, até porque nem mesmo se sabe se as principais figuras que o compõem conseguirão escapar às delações que surgem em função das investigações da operação Lava-Jato e colocam a nu uma teia de corrupção que se acha instalada no País há mais de 30 anos.

Independente disso, o Brasil não pode parar e precisa continuar a construir o seu destino de país do futuro, na definição do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942). E esse futuro, como se vê pelos últimos resultados da balança comercial, passa por seu manifesto destino de fornecedor de alimentos. Isso não constitui nenhum demérito porque é intrínseco à natureza de todo país continental, ou seja, vender commodities do agronegócio e dos demais segmentos ao mercado externo.

Hoje, se o País não entrou em parafuso, é porque os produtos do campo e não transformados, como soja, milho, carne e minério de ferro, têm sido fundamentais para a manutenção do equilíbrio da balança comercial. E se a economia está conseguindo sair da recessão depois de anos difíceis, é porque os alimentos e outros produtos originários do campo têm mantido e até mesmo ampliado os mercados que abriram no mundo.

Ao contrário da indústria, que não conseguiu produzir inovação nem acumular ganhos de competitividade, o que se tem refletido no fechamento de postos de trabalho, o agronegócio só não obteve melhores resultados porque o governo federal não investiu tanto quanto deveria na infraestrutura logística, deixando de recuperar e ampliar as estradas que permitem o escoamento da produção do Centro-Oeste.

Obviamente, não se pode imaginar que só o agronegócio será capaz de recuperar a economia, mas constitui a base em que se pode sustentar qualquer plano de recuperação. Por isso, é fundamental que a atividade industrial continue a ser subsidiada; caso contrário, corre-se o risco de mais nenhuma grande indústria vir a se instalar em solo brasileiro. Ou seja, não se pode impedir que os Estados continuem a lutar entre si para atrair indústrias inovadoras em troca de incentivos fiscais.
           
É claro que, nas atuais circunstâncias, alguns Estados mais endividados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, precisam conter a sangria da renúncia fiscal, aumentando suas receitas, mas aqueles que tiveram governos menos perdulários têm todo o direito de procurar atrair empresas – especialmente, indústrias – que venham a ampliar a oferta de empregos.

Seja como for, tanto os Estados como a União precisam investir em obras de infraestrutura que são decisivas para a retomada do crescimento, além de estimular as privatizações e destravar o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), lançado em setembro de 2016, ampliando o número de concessões para ferrovias, portos, rodovias, galpões de armazenagem e energia elétrica. Só assim o País conseguirá reverter o processo de estagnação em que se encontra. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Brasil: uma visão otimista

SÃO PAULO – Apesar de algumas considerações negativas que fazem a respeito do futuro do País, o Brasil é uma das poucas nações que podem crescer tanto como exportadora de manufaturados como de commodities. Um exemplo disso é que, mesmo com a crise que instalou nos últimos anos, o País registrou aumento na participação de manufaturados no volume exportado, que passou de 35,6% em 2014 para 38,1% em 2015.

Com isso, foi retomado o nível de 2013, quando essa participação chegou a 38,4%, embora esse índice ainda esteja longe dos 55% alcançados em 2007. Desde então, as commodities – minérios, soja, milho e trigo à frente – avançaram bastante, mas isso não significa o pior dos mundos para o País. Pelo contrário. É verdade que a desaceleração econômica na China tem provocado quedas nas cotações, mas tudo indica que essa é uma fase passageira.

Até porque a demanda chinesa é inesgotável, pois se trata de um país que, embora tenha dimensões continentais, dispõe de apenas 11% de seu território como arável e recursos hídricos limitados, além de enfrentar problemas provocados por industrialização acelerada, que têm levado a poluição a níveis alarmantes.

Isso significa que o sonho chinês de autossuficiência é, praticamente, inatingível. Por outro lado, o Brasil, a exemplo de outros países provedores como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Indonésia, Malásia e Argentina, oferece uma economia comprovadamente completar à chinesa. Ou seja, tudo indica que o agronegócio brasileiro, que hoje responde por 22,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 43% das exportações, terá vida longa.

É preciso, porém, que o governo faça a sua parte não só estimulando os produtores rurais como melhorando o sistema logístico em direção ao Norte, com a conclusão das obras da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém, e a construção da TO-500, que passa por dentro da Ilha do Bananal, ligando Mato Grosso a Tocantins, e da Ferrovia Transoceânica, que terá 5,3 mil quilômetros, dos quais 2,9 mil em território nacional, ligando o Litoral Norte do Rio de Janeiro à malha ferroviária do Peru.

Com isso, será possível, segundo cálculos dos produtores, reduzir para US$ 30 o preço da tonelada de grãos exportados para a Ásia, o que justifica a participação chinesa na construção daquela ferrovia. Diante disso, é com otimismo que se vê o futuro do País, pois, com a venda de produtos manufaturados para o exterior em crescimento, será possível também reverter a atual tendência de queda nas importações de bens de capital, que abrangem máquinas e equipamentos essenciais à expansão industrial. Ou seja, em pouco tempo, será possível reverter o atual quadro de pessimismo. Milton Lourenço – Brasil

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Brasil - Porto de Paranaguá registra o maior volume em exportações da história

O Porto de Paranaguá fechou 2015 com o maior volume em exportações da história, com 30,3 milhões de toneladas embarcadas, 8,8% a mais que em 2014. O resultado reflete a resistência do agronegócio do Estado do Paraná diante da crise econômica brasileira, o aumento dos investimentos no porto e da agilidade na movimentação de cargas.

A soja foi o produto mais movimentado em Paranaguá em 2015, com 8,5 milhões de toneladas exportadas – um recorde no porto paranaense, que tinha como melhor marca as 7,7 milhões de toneladas movimentadas do grão em 2013.

O farelo de soja também ganhou espaço e chegou a 5,4 milhões de toneladas embarcadas, outro recorde. Com isso o chamado “complexo soja” teve 9,8% de aumento nas exportações por Paranaguá.

As carnes congeladas também registraram aumento e recorde: 1,9 milhão de toneladas exportadas, crescimento de 14% em relação ao total movimentado em 2014. O desempenho também elevou o Porto de Paranaguá ao posto de líder na exportação de carne de frango.

Os números também mostram a força do agronegócio paranaense. Segundo a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), as cooperativas fecharam 2015 com exportações de US$ 2,4 bilhões, o que representa uma alta de 4% em relação ao ano anterior. Já a receita delas teve crescimento de 12%, chegando a R$ 49 bilhões.

Nos últimos cinco anos, foram registrados recordes na operação de quase todos os produtos movimentados pelo Porto de Paranaguá, o que dinamizou e impulsionou a economia do Estado.

“O País enfrenta um momento complicado, mas o agronegócio do Paraná continua fazendo seu papel e imprimindo excelentes resultados. Com os diversos investimentos feitos no porto, conseguimos corresponder aos anseios do produtor”, afirma o secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho.

PRODUTIVIDADE - Os recordes foram alcançados mesmo com um volume de chuvas 44% superior em relação ao ano anterior e com a paralisação parcial de alguns berços para a troca de equipamentos.

“Isto evidencia o ganho em produtividade que tivemos. Conseguimos trabalhar mais e melhor, mesmo com estes empecilhos. O resultado é fruto dos mais de R$ 511 milhões investidos nos portos do Paraná ao longo dos últimos anos”, afirma o diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino.

De março a dezembro do ano passado, foram montados, erguidos e entraram em funcionamento quatro novos shiploaders – equipamentos usados para carregar os navios no Corredor de Exportação.

Os equipamentos conseguem carregar com 33% mais agilidade que os antigos, aumentando a velocidade de embarque de 1,5 mil toneladas por hora para 2 mil toneladas por hora. O investimento foi de R$ 59 milhões.

Além da montagem e substituição dos guindastes, foram feitas reformas dos berços de atracação do Corredor de Exportação. Mesmo assim, o impacto nas operações foi mínimo.

Os demais produtos com grande movimentação no porto foram o milho, com 4,12 milhões de toneladas escoadas, e o açúcar, com 4,33 milhões de toneladas. Outros produtos que tiveram significativas altas na exportação foram os derivados de petróleo, com 906 mil toneladas movimentadas e alta de 20%, e madeira, com 682 mil toneladas exportadas e 13,4% de crescimento. In “APPA” - Brasil

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Brasil - Novas rotas para os grãos

SÃO PAULO – Se algum resultado benéfico pôde trazer o incêndio nos tanques de granéis líquidos do terminal da Ultracargo que, no começo de abril, tumultuou as atividades no Porto de Santos foi que serviu de alerta para o governo federal quanto a necessidade de que saiam logo do papel as obras que prevêem novos acessos viários na entrada do município. Ainda que seja impossível calcular os prejuízos causados à economia – só os produtores de grãos de Mato Grosso queixam-se de perdas superiores a R$ 20 milhões –, o desastre mostrou que o País precisa repensar o quanto antes a sua infraestrutura logística, encontrando outras formas de escoamento das cargas.

Hoje, o Porto de Santos é responsável por 27% do comércio exterior brasileiro, mas não tem recebido por parte dos governos federal e estadual a atenção que merece por sua dimensão e importância, principalmente em relação a obras de infraestrutura viária, já que pensar em modernizar e ampliar a abrangência de outros modais, como o ferroviário e hidroviário, parece constituir sonho impossível.

Como se viu, para preservar a segurança e a mobilidade da população santista, a Prefeitura local foi obrigada a formar um gabinete de crise que optou pela restrição ao acesso de caminhões aos terminais da margem direita do porto, medida que durou nove dias. Dessa forma, só parcela mínima dos cinco mil veículos de carga que trafegam diariamente pelo local pôde chegar aos terminais. É de se lembrar que o acesso à margem esquerda, que abriga terminais que movimentam cargas do agronegócio, não chegou a ser proibido em nenhum momento. Mesmo assim, os prejuízos foram imensos.

Diante disso, é de se lamentar que os últimos governos não tenham investido tanto quanto deveriam para ampliar a malha viária nas regiões Centro-Oeste e Norte do País. Por exemplo: quem já se aventurou a viajar de 200 a 400 quilômetros além de Cuiabá em direção ao Pará e Rondônia sabe a aventura que é trafegar em estradas sem asfalto e sinalização e, praticamente, fechadas pelo avanço das árvores de lado a lado.

Ninguém, obviamente, é contra a atividade do agronegócio, mas não se pode admitir que os portos de Santos e Paranaguá continuem como o corredor majoritário para a produção de grãos do Centro-Oeste, com sensíveis prejuízos aos segmentos que se utilizam dos dois complexos para o embarque e desembarque de manufaturados e semimanufaturados.

Para estimular a utilização do porto de Santarém, o governo deveria dotar o Pará de uma infraestrutura viária mais eficiente, pois a maior parte do trecho da BR-163 no Estado ainda é de estradas de terra que, nesta época de chuvas que vai até julho, viram um lamaçal em meio a muitos buracos. Urgente é também a implantação da Ferrovia Transoceânica, empreendimento dos governos brasileiro e chinês, cuja conclusão está prevista para seis anos e que ligará o Norte do Rio de Janeiro ao Peru, passando por Goiás, Rondônia e Acre, ligando o Atlântico ao Pacífico. Com isso, haverá ganhos de frete, tempo e eficiência, desafogando também os portos do Sudeste. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

CAL - Programa Internacionalização Agronegócio PME - Lusofonia


No âmbito de um projecto de internacionalização, a Câmara Agrícola Lusófona (CAL) está a preparar uma candidatura com o principal objectivo de apoiar iniciativas que auxiliem a internacionalização das empresas do Agroalimentar.

A CAL está a desenvolver uma candidatura conjunta a este concurso, contando para a apresentação da mesma com o apoio das diversas associações suas parceiras e com a participação dos seus associados nas atividades que delineou.

As iniciativas previstas incluem a realização de feiras e exposições, bem como ações de prospeção de clientes e de promoção dos produtos de toda a fileira agropecuária portuguesa, desde os alimentos compostos para animais, passando pela carne e produtos cárnicos transformados, incluindo enchidos e presuntos, lacticínios e derivados do leite, com particular incidência nos queijos, azeite e sector hortofrutícola, em diversos mercados externos.

Paralelamente, serão realizadas campanhas de marketing eletrónico nesses mercados e desenvolvidos serviços especializados de apoio às diferentes abordagens aos mercados selecionados, prevendo-se a realização de diversas ações no decorrer dos anos 2015 e 2016.



A candidatura será apresentada até dia 10 de fevereiro de 2015, pelo que entraremos em contacto brevemente para apresentar mais detalhes sobre a mesma e averiguar a Vossa decisão de participação na candidatura da CAL, para que se possam programar com todo o detalhe as iniciativas a realizar em cada um dos diversos mercados identificados. CAL

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Brasil - Agronegócios: a opção Norte

SÃO PAULO – Com a entrada em funcionamento do novo Canal do Panamá em 2016, depois da conclusão de suas obras de alargamento e aprofundamento, os portos do Norte do Brasil passarão a ter mais competitividade do que os portos do Sul e Sudeste. Muitos já passam por reformas para se adaptarem à demanda – na maioria, por empenho da iniciativa privada –, enquanto o governo federal leva adiante o asfaltamento do trecho final da BR-163 entre o Mato Grosso e o Pará, cuja conclusão está prometida para 2015, depois de décadas de espera.

Obviamente, quando esta obra estiver concluída, não haverá mais sentido em se trazer as cargas do agronegócio do Centro-Oeste para os portos de Santos, Paranaguá e Rio Grande, que em época de supersafra provocam o tráfego de mais de sete mil caminhões por dia nas estradas.  Mas só asfaltamento não basta. O Brasil deveria seguir o exemplo de seus principais concorrentes nos segmentos de soja e milho.

Em outras palavras: os Estados Unidos têm infraestrutura para armazenar quase o dobro da safra que produzem, enquanto a capacidade da Argentina chega a 120%. Já o Brasil armazena apenas 30%, despachando o restante por caminhões que fazem as vezes de silos. Como não há silos suficientes nas fazendas e nos locais intermediários entre a área agrícola e o litoral, os portos acabam funcionando como centro de estocagem, o que gera um sério problema de logística, prejudicando outros segmentos que se utilizam dos serviços portuários.

Como nunca se sentiu capaz de equacionar esse problema, o governo federal se opôs à ideia da Prefeitura e da Câmara de Santos de transferir a operação de granéis do bairro da Ponta da Praia para a área continental do município, provavelmente porque entende que o País ainda escoará a sua produção de grãos e açúcar pelo porto santista por mais alguns anos. E que não seria vantajoso investir em novos terminais que logo estariam condenados à desativação.

Valendo-se do esvaziamento da gestão local do porto, ditado pela nova Lei dos Portos (nº 12.815/13), o governo federal questionou o direito do município de legislar sobre o tema, ou seja, de defender os seus moradores dos efeitos da poluição e do uso excessivo de sua infraestrutura urbana. Mas juridicamente essa ideia é pouco defensável.  O resultado disso é que o Tribunal de Contas da União (TCU) bloqueou editais de licitação de renovação ou novos arrendamentos desses terminais graneleiros, à espera de melhor entendimento na matéria.

De fato, os dois lados – União e município – têm boas razões. Mas o caso só chegou a esse ponto por causa da excessiva morosidade do governo federal em dotar o País de uma boa infraestrutura viária em direção ao Norte. Se a BR-163 já estivesse completamente asfaltada – e bem asfaltada porque apresenta trechos antigos em que a camada de asfalto é muito fina para suportar o peso de carretas com 50 toneladas de grãos –, o escoamento da safra do Centro-Oeste pelos portos do Sul e Sudeste já seria uma alternativa perdida no passado. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.