A Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) assegura que o processo de modernização do seu Sistema Integrado de Gestão Universitária não vai trazer prejuízos aos estudantes, apesar dos constrangimentos registados nos últimos dias no acesso às notas, à situação financeira e aos pedidos de declarações académicas. A garantia foi dada pelo Diretor do Registo Académico da instituição, Célio Sengo, durante uma entrevista concedida à STV, na sequência do crescente descontentamento manifestado pela classe académica.
A intervenção do responsável surge num momento em que
vários estudantes, sobretudo do regime pós-laboral, relataram dificuldades no
acesso à plataforma digital da universidade, situação que gerou dúvidas,
reclamações nas redes sociais e receios quanto a uma eventual perda de dados
académicos. Segundo Célio Sengo, os problemas estão associados ao processo de
migração de dados do sistema antigo para uma nova plataforma tecnológica,
concebida para responder às atuais exigências da instituição.
“Estamos a migrar os dados do sistema antigo para um novo
sistema, mais moderno e ajustado à realidade atual da universidade. Isso não
significa perda de informação nem prejuízo para os estudantes”, afirmou,
esclarecendo que a atualização resulta da evolução institucional, da introdução
de novos planos curriculares e da necessidade de alinhar o sistema académico ao
plano estratégico da UP-Maputo.
O diretor reconheceu que a transição gerou dificuldades
pontuais, sobretudo no acesso inicial ao novo sistema, que passou a exigir
regras mais rigorosas de segurança, como a criação obrigatória de senhas
fortes. “Alguns estudantes tiveram dificuldades nesse processo, outros não
conseguiam visualizar de imediato a situação financeira, mas são situações que
já estamos a resolver”, explicou.
Para minimizar os impactos, a universidade optou por
manter, em simultâneo, o sistema antigo e o novo, permitindo que os estudantes
continuem a aceder aos serviços académicos sem interrupções. “O sistema
anterior continua ativo. Quem tiver dificuldades no novo pode recorrer ao
antigo sem qualquer problema”, garantiu Célio Sengo, sublinhando que a migração
está a ser feita de forma gradual e acompanhada pelo feedback dos
utilizadores.
O responsável atribui parte do alarme gerado nos últimos
dias ao facto de muitos estudantes terem acedido diretamente à nova plataforma,
sem perceberem que o sistema antigo permanecia operacional. Ainda assim,
considera legítimas as preocupações. “É normal que haja receios quando se
introduz um novo sistema. Essas preocupações ajudam-nos a identificar falhas e
a melhorar”, disse.
Uma das questões mais sensíveis abordadas na entrevista
prende-se com a situação dos estudantes que estão afastados da universidade há
vários anos ou que concluíram as cadeiras, mas ainda não defenderam os seus
trabalhos finais. Questionado sobre este grupo, o diretor foi taxativo ao
afastar qualquer risco de perda de notas ou do histórico académico. “Todos os
dados estão salvaguardados. Migração significa transportar toda a informação do
sistema antigo para o novo, incluindo estudantes antigos”, assegurou.
Célio Sengo explicou ainda que, mesmo após a desativação
definitiva do sistema antigo, este continuará acessível internamente para
consultas específicas, reforçando que a integridade dos dados académicos está
garantida. O maior risco, segundo referiu, não está ligado ao sistema, mas ao
cumprimento dos prazos regulamentares de duração dos cursos, situação que pode
obrigar alguns estudantes a solicitar a reintegração.
Quanto ao calendário, a UP-Maputo não avança com uma data
exata para a conclusão do processo, mas aponta o presente semestre como período
de transição, com a expectativa de iniciar o segundo semestre já com o novo
sistema plenamente funcional. “Tudo vai depender do volume de reclamações e
sugestões que formos recebendo. Os estudantes é que orientam este processo”,
afirmou.
Relativamente às inscrições, o Diretor do Registo
Académico anunciou que os estudantes internos deverão iniciar o processo na
segunda semana de fevereiro, em data a ser comunicada oficialmente. Já os novos
ingressos deverão inscrever-se a partir de março, após a divulgação dos
resultados dos exames de admissão, estando ainda em análise a plataforma que
será utilizada.
Com estes esclarecimentos, a Universidade Pedagógica de
Maputo procura acalmar os ânimos e reafirmar que a transição tecnológica,
apesar dos percalços iniciais, está a ser conduzida com salvaguarda dos
direitos e do percurso académico dos estudantes. Laves Macatane – Moçambique
in “O País”
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