Um grupo de investigadores japoneses extraiu elementos de terras raras de um depósito marinho junto à ilha Minami Torishima, no Oceano Pacífico, a dois mil quilómetros a sul de Tóquio, confirmou o ministro da Educação e Ciência
“A Agência Japonesa de Ciência e
Tecnologia Marinha-Terrestre (JAMSTEC), sob a jurisdição do Ministério da
Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, recuperou com sucesso lama
rica em terras raras a uma profundidade de seis mil metros, utilizando o navio
de investigação Chikyu”, escreveu o ministro Yohei Matsumoto, na rede social X,
no domingo. Matsumoto afirmou que a JAMSTEC divulgará mais detalhes sobre a
operação em comunicado nesta terça-feira.
O Chikyu iniciou em 12 de janeiro uma missão inédita com
o objetivo de extrair terras raras das águas profundas junto a Minami
Torishima, uma ilha desabitada, visando reduzir a dependência económica do país
face à China.
A missão do navio de perfuração científica em águas
profundas deverá durar até 14 de fevereiro.
O teste ocorre num momento em que a China, de longe o
maior fornecedor mundial de terras raras, aumenta a pressão sobre o país
vizinho.
A viagem do Chikyu pode levar à produção nacional de
terras raras, afirmou em 12 de janeiro o diretor de programas do gabinete do
primeiro-ministro japonês, Shoichi Ishii. “Estamos a considerar diversificar as
nossas fontes de abastecimento e evitar uma dependência excessiva de
determinados países”, afirmou aos jornalistas.
Estima-se que a zona em torno de Minami Torishima
contenha mais de 16 milhões de toneladas de terras raras, o que a tornaria,
segundo o jornal económico Nikkei, a terceira maior jazida do mundo.
As “terras raras”, 17 elementos metálicos não
particularmente raros, mas difíceis e caros de extrair, são essenciais para
setores inteiros da economia – automóvel, energias renováveis, digital, defesa
–, servindo para a fabricação de ímanes potentes, catalisadores e componentes
eletrónicos.
A China representa quase dois terços da produção mineira
mundial de terras raras e 92% da produção refinada, de acordo com a Agência
Internacional de Energia. O país usa há muito tempo como alavanca geopolítica o
seu domínio na área, inclusive na guerra comercial com os Estados Unidos.
O Japão depende da China para 70% das importações de
terras raras, apesar de ter-se esforçado para diversificar as fontes de
abastecimento desde um conflito anterior em 2010, durante o qual Pequim
suspendeu as exportações por vários meses.
Tóquio e Pequim atravessam uma crise
diplomática, desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae
Takaichi, que admitiu uma reação militar em caso de um ataque chinês a Taiwan,
cuja soberania é reivindicada por Pequim. Sinal do agravamento das tensões
bilaterais, Pequim anunciou no início de janeiro que iria reforçar os controlos
sobre a exportação para o Japão de bens chineses de dupla utilização civil e
militar, o que pode incluir os metais raros. In “Ponto
Final” – Macau com “Lusa”
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