Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Macau - Universidade da Cidade de Macau recebe inscrições para curso de língua e cultura portuguesas até ao dia 11

A segunda edição do “Curso Intensivo de Língua e Cultura Portuguesa” da Universidade da Cidade de Macau (UCM) tem inscrições abertas até ao dia 11. As seis sessões previstas decorrem de 4 de Março a 15 de Abril, num horário pós-laboral, e destinam-se a estudantes e professores de Português Língua Estrangeira (PLE)


A Universidade da Cidade de Macau (UCM) prepara-se para lançar a segunda edição do “Curso Intensivo de Língua e Cultura Portuguesa”, dedicado ao ensino de ferramentas linguísticas e culturais necessárias a uma compreensão mais profunda de Português Língua Não Materna (PLNM) e de Português Língua Estrangeira (PLE). O prazo de inscrição termina no dia 11 deste mês.

O curso é feito ‘online’, num horário pós-laboral das 18h às 21h, e destina-se a estudantes e professores de PLE. As seis sessões decorrem de 4 de Março a 15 de Abril, com a atribuição de um certificado de frequência no final. A primeira sessão tem como tema “Aprender e ensinar português em diversidade” e será ministrada por Maria José Grosso, professora visitante na Universidade de Macau (UM) – a única docente da lista que não lecciona na UCM. No cartaz de apresentação do curso, lê-se que este primeiro capítulo vai introduzir algumas práticas pedagógicas inclusivas destinadas ao público de língua materna chinesa que estuda português.

A segunda sessão, a decorrer no dia 11 de Março, tem como tópico “Natureza, amor e família: temas de literatura nas práticas de compreensão e de escrita em PLE”. Sara Augusto, fotógrafa e docente de Português, propõe a defesa da utilização de textos literários na sala de aula de PLE – um tema ainda controverso, sobretudo nas fases mais iniciais do processo de ensino-aprendizagem. A formadora vai partilhar textos poéticos em português, para estimular “a aquisição de vocabulário e de estruturas do funcionamento da língua”, e ainda em chinês, de forma a “motivar e envolver os alunos para uma leitura literária que convoca outros sabores e impressões para lá da aquisição linguística”.

Na terceira sessão, a 25 de Março, o professor Pedro Caeiro vai apresentar o tema “Estratégias para incentivar a participação dos estudantes de uma língua não materna”. Este módulo pretende exaltar a importância da participação em sala de aula para a aprendizagem da língua e “as diferentes formas como essa participação pode ser avaliada”, tanto no período lectivo como através de actividades extracurriculares.

Já no dia 1 de Abril, segue-se uma quarta sessão leccionada pelo professor Romeu Foz e centrada no tema “A lexicultura no ensino de PLNM/PLE”. No cartaz de apresentação, explica-se que esta formação tem como objectivo “explorar a dimensão cultural implícita em determinados termos e expressões presentes tanto no discurso quotidiano como no literário”. Será também dinamizada uma discussão sobre a forma como “esta abordagem metodológica pode constituir uma ferramenta pedagógica enriquecedora” no contexto do ensino de PLNM e PLE.

No dia 8 de Abril, a quinta sessão incide sobre o tópico das “Ferramentas digitais para o desenvolvimento dos recursos didáticos”. O professor Daniel de Jesus, também da UCM, vai explicar a forma como as ferramentas digitais podem ser usadas para “produzir recursos didáticos de forma mais eficiente e inovadora”, para diferentes contextos e públicos.

Por fim, a sexta e última sessão acontece no dia 15 de Abril e tem como tema “Desenvolver o ensino intercultural nas aulas de PLE: teorias e práticas”. A professora Miranda Sui vai abordar algumas das teorias e práticas pedagógicas relativas ao ensino intercultural, bem como as suas implicações na prática docente e na adaptação e avaliação de materiais didáticos, por exemplo. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”



sábado, 6 de dezembro de 2025

Macau - “Livro Branco” delineia desafios, avanços e papel da RAEM na cooperação sino-lusófona

A Universidade da Cidade de Macau apresentou o “Livro Branco sobre a Cooperação Científica e Tecnológica entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, de Bárbara Pinto de Morais. A investigadora identificou um conjunto de desafios para as relações sino-lusófonas, reconhecendo alguns progressos, e deixa sugestões para o papel de Macau enquanto plataforma de ligação


A cooperação científica sino-lusófona “atravessa uma fase de transformação significativa”, de acordo com Bárbara Pinto de Morais, investigadora e autora do recente Livro Branco sobre a Cooperação Científica e Tecnológica entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP). A publicação, que foi apresentada esta semana pela Universidade da Cidade de Macau, identifica a “existência de assimetrias de financiamento, barreias institucionais e constrangimentos geopolíticos” como os principais desafios para as relações sino-lusófonas.

Contudo, Bárbara Pinto de Morais reconheceu a consolidação de “parcerias em sectores de alta tecnologia” entre Portugal e Brasil e os esforços que os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste tem centrado “em programas de capacitação e desenvolvimento social”. Além disso, a autora defende que a economia azul constitui “uma área de elevado potencial para a cooperação futura”, refere um comunicado de imprensa.

O Livro Branco inclui também quatro linhas condutoras para a RAEM, nomeadamente “a modernização da função de Macau enquanto plataforma sino lusófona”, “a construção de um polo internacional de inovação envolvendo Macau, a Grande Baía e os PLP”, “a implementação de um sistema integrado de formação de talento bilingue e especializado” e o “reforço das ligações económico-tecnológicas, com vista a posicionar Macau como ‘hub’ do ‘Sul Global’”.

O Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa, entidade que organizou a apresentação do livro, salientou que o livro “representa o primeiro estudo consolidado em Macau dedicado à análise sistemática da cooperação científica e tecnológica entre a China e os nove PLP”. Para o Instituto, o Livro Branco constitui “uma nova linha de investigação contínua”.

João Simões, professor do Instituto, referiu que “o Livro Branco nasceu num momento de intensificação acelerada da competição tecnológica global e de crescente reconhecimento de que a ciência e a tecnologia deixaram de ser simples instrumentos de desenvolvimento”.

Por seu turno, o professor Ip Kuai Peng, vice-reitor da Universidade da Cidade de Macau e director do Instituto, afirmou que “a instituição tem desempenhado um papel estruturante na formação de talentos qualificados e na produção de conhecimento orientado para o desenvolvimento sustentável das relações entre a China e o espaço lusófono”.

Para o vice-reitor, “a cooperação sino-lusófona em ciência e tecnologia tornou-se uma força motriz essencial para o aprofundamento de parcerias multilaterais”.

Zhou Ping, director do Centro de Investigação “Belt and Road” da Universidade da Cidade de Macau disse esperar que “as conclusões do estudo possam servir de referência prática para decisores públicos e operadores económicos na promoção de uma cooperação mais equilibrada e sustentável”. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Macau – Escritor Su Tong destaca influência mundial de José Saramago

O autor chinês Su Tong, pseudónimo de Tong Zhonggui, vencedor do prémio literário Man Asian, que recebeu um doutoramento ‘honoris causa’ em Macau, realçou à Lusa o impacto de José Saramago, “figura reverenciada por escritores”, em todo o mundo. “No mundo de língua portuguesa, há uma figura reverenciada e honrada por escritores em todo o mundo: José Saramago. A sua influência estende-se por todo o planeta”, disse Su Tong.


“Eu também estou entre os seus admiradores”, acrescentou o escritor de 62 anos, após uma palestra sobre a sua carreira literária, na Universidade da Cidade de Macau (UCM). A UCM distinguiu com um doutoramento ‘honoris causa’ Su Tong, autor de sete romances e mais de 200 contos, alguns dos quais traduzidos para português, como “A Minha Vida Enquanto Imperador” e “Esposas e Concubinas”. “Esposas e Concubinas” foi adaptado ao cinema pelo realizador Zhang Yimou em 1991 e chegou a estar proibido na China continental.

Durante a palestra, Su Tong observou que a sua jornada literária começou quando era jovem, ao ouvir contar histórias. “No início dos anos 70, quando a vida espiritual das pessoas era árida, o fascínio por contos tornava-se cada vez mais intenso”, recordou. Para dar continuidade a uma história que não tinha ouvido até ao final, Su Tong tentou escrever o desenlace da trama, embarcando, assim, na carreira de escritor.

O autor considera que foi precisamente a época que viveu que forjou a sua ligação à criação literária. A década de 1980 fez a China entrar numa era de fervor literário, o que acendeu ainda mais a sua paixão criativa, explicou.

Su Tong é um dos romancistas chineses contemporâneos mais conhecidos a residir na China e venceu em 2009 o Man Asian Literary Prize, versão asiática do Man Booker Prize, com o livro “O Barco para a Redenção”, um romance passado durante a Revolução Cultural.

Todos os escritores são porta-vozes do seu tempo, e a época, “como a Esfinge do Egipto, revela aspectos diferentes quando vista de diferentes tempos e ângulos”, referiu na palestra.

À Lusa, Su Tong afirmou que os escritores desta era partilham um sentimento de “ausência de peso”, “essa sensação de estar à deriva”. “Consequentemente, tornam-se mais sintonizados com a relação entre a humanidade e a realidade, e entre o escritor e o mundo”, explicou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Brasil - Cooperação tecnológica com a China precisa de aposta em línguas

Um dirigente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) assumiu ontem que a cooperação tecnológica com a China “é fundamental” para o Brasil, mas que é necessário reforçar o estudo das línguas portuguesa e chinesa

“Temos muito interesse em aumentar as relações tecnológicas com a China e para isso nós precisamos de uma comunicação mais efetiva”, disse o vice-reitor para a Graduação da Unicamp, Ivan Felizardo Contrera Toro, à Lusa, à margem do 3.º Fórum dos reitores das instituições do ensino superior da China e dos países de língua portuguesa, que se realizou em Macau.

Apesar da Unicamp, no sudeste brasileiro, oferecer cursos de língua chinesa e receber alunos da China para programas de português, “há muito que melhorar, que acrescentar e expandir essa relação”, notou o responsável.

Dos 20 mil alunos de graduação e 16 mil de estudos pós-graduados da Universidade Estadual de Campinas, “muito poucos” têm a possibilidade de ir para a China, acrescentou, salientando que também “muito poucos alunos chineses vão para o Brasil”. É este intercâmbio de estudantes e professores, em áreas como “línguas, educação e tecnologia”, que o memorando de entendimento, agora assinado entre a universidade brasileira e a Universidade da Cidade de Macau, pretende reforçar. “Ainda temos algumas etapas legais a fazer, mas será de extrema importância para a minha universidade e espero também que para o intercâmbio entre a língua portuguesa e chinesa no Brasil e na China”, referiu.

No que diz respeito à cooperação na área da tecnologia, o dirigente afirmou que tem sido feito trabalho nas áreas da Indústria Química, Informática, “principalmente Inteligência Artificial”. Mas Toro, que é cirurgião torácico, disse acreditar que na área médica, onde ainda não há trabalho conjunto, há “um futuro muito grande a percorrer”, seja “no trabalho com robôs de ajuda médica, que a China está desenvolvendo”, ou na conceção de medicação. “A China é um país que tem um desenvolvimento extremamente importante, mas principalmente nós podemos caminhar muito no desenvolvimento sustentável, numa cultura de relações que levem à paz. O Brasil e a China têm um papel muito grande e esse papel tem que ser iniciado pelas universidades”, disse, salientando que o trabalho de Brasília com Pequim no setor tecnológico “é fundamental”.

O vice-reitor da Unicamp afirmou ainda que Macau desempenha “um papel enorme” na aproximação entre Brasil e China, sendo a organização de eventos como este Fórum “extremamente importante” para a universidade. “A oportunidade de existir um pedaço da China que tenha a língua portuguesa como uma das línguas principais é fundamental e vai ser de grande valia para nós”, disse aos jornalistas.

Pequim estabeleceu em 2003 Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau. Além da China, o organismo integra nove países de língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”



quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Macau - Universidade da Cidade de Macau fomenta sinergias sino-lusófonas

O Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa (IROPC, na sigla inglesa) da Universidade da Cidade de Macau (UCM) realizou online o quarto simpósio académico internacional, dedicado à cooperação multilateral, trilateral e bilateral entre China, Angola e Portugal, e lançou o terceiro volume de um conjunto de publicações focadas nos países lusófonos e respectivas relações com a China e a RAEM. O novo volume reúne 29 académicos da China, RAEM, São Tomé e Príncipe, Nigéria, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal.

Com o apoio do Governo local, o IROPC pretende disponibilizar uma colecção de nove publicações sobre as relações entre os países de língua portuguesa, a China e RAEM, com o intuito de proporcionar recursos abrangentes em termos de documentos para investigação e apoio aos estudantes. Segundo o professor Francisco Leandro, vice-director do IROPC, o simpósio de ontem, que envolveu 36 académicos da China, Itália, Nigéria, Brasil, Angola e Portugal, será o primeiro passo para o quarto volume.

Destacando o “forte contributo e apoio” do Consulado de Angola na RAEM, bem como da Universidade Joaquim Chissano em Moçambique, o reitor da UCM, Jun Liu, classificou o simpósio como “um símbolo das sinergias na cooperação institucional internacional para benefício comum, tendo em vista a Grande Baía e todos os nove países de língua portuguesa”. E expressou o desejo de que esse investimento académico seja reforçado no futuro.

Na mesma linha, Ip Kuai Peng, vice-reitor da UCM e director do IROPC sustentou que o simpósio representa “um marco significativo” para o estudo dos países lusófonos e os seus laços com a China e a RAEM, no âmbito da Grande Baía. Nesse contexto enalteceu igualmente o apoio do Governo da RAEM e do Fundo Educativo.

Durante o evento, o vice-cônsul de Angola, Estanislau dos Santos, sublinhou a importância e o papel do Fórum de Macau, nomeadamente o alargamento da sua acção de apoio à cultura e aos meios académicos, enquanto José Magode, reitor da Universidade Joaquim Chissano, destacou a relevância da cooperação académica internacional. Por seu turno, Rodrigo Brum, ex-secretário adjunto do Fórum de Macau, defendeu, entre outros pontos, que é o momento certo para explorar em pleno as potencialidades de Angola, e chamou a atenção para a importância das relações interpessoais como “multiplicadoras” das sinergias.

O evento contou ainda com a participação de Carmen Mendes, presidente do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, que identificou os desafios e oportunidades em torno da cooperação bilateral e trilateral. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

 

terça-feira, 19 de julho de 2022

Macau - Competição sino-lusófona desafia alunos e “start-ups”

A segunda edição da competição “928 Challenge” já está aberta a candidaturas de alunos universitários e “start-ups” da China e dos países de língua portuguesa, na expectativa de atrair cerca de 300 equipas, o dobro do número registado no ano passado


Até 30 de Setembro, estão abertas as inscrições para a segunda edição do “928 Challenge”, concurso de “start-ups” focado na construção de pontes entre a China e os países lusófonos. Organizada em conjunto pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Universidade da Cidade de Macau (CityU, na sigla inglesa), e outras instituições de ensino superior de Macau, do Continente e estrangeiro, esta iniciativa visa promover o conceito de “Plataforma de Macau” ao nível do empreendedorismo.

A competição envolve alunos universitários e “start-ups” da China e dos países de língua portuguesa, desafiados a propor ideias de negócios para novos empreendimentos baseados nos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Este ano, são esperadas cerca de 300 equipas de uma centena de universidades da China e de países lusófonos, envolvendo um total de 1600 participantes, o que representa o dobro das inscrições na edição inaugural, realizada em Outubro de 2021.

Segundo um comunicado da organização, José Alves, director da Faculdade de Gestão da CityU e fundador do “928 Challenge”, considera que “os ecossistemas empreendedores” precisam de sinergias e colaboração entre universidades, empresas e instituições governamentais para que todas as partes envolvidas obtenham sucesso.

Através desta competição, os alunos terão a oportunidade de colocar os seus conhecimentos em prática e aumentar a competitividade para iniciar negócios sustentáveis, frisou a organização, realçando que esta “plataforma de intercâmbio para académicos e estudantes” permite “ampliar horizontes internacionais e obter acesso a redes globais”. Com o intuito de ajudar as empresas a crescer, “o 928 Challenge” prepara um “programa de aceleração para apoiar as equipas finalistas no acesso a mercados e financiamento na área da Grande Baía”, destacou ainda José Alves.

Por sua vez, Marco Rizzolio, professor da Faculdade de Gestão da CityU e coordenador do “928 Challenge”, explicou que uma equipa de especialistas irá liderar um “boot camp” online de duas semanas. Durante as palestras, partilharão informações sobre o ambiente de negócios e oportunidades na China e nos países de língua portuguesa, e fornecerão aconselhamento profissional sobre propostas de negócios para ajudar os participantes a desenvolver projectos empresariais mais promissores para atrair investimentos.

A final do “928 Challenge” está agendada para 29 de Outubro. Os projectos finalistas serão analisados por um júri composto por académicos e empresários, sendo que as três equipas vencedoras vão partilhar um prémio de 70 mil patacas, bem como um serviço “cloud” no valor de 30 mil patacas, patrocinado pelo grupo Alibaba, gigante da tecnologia chinesa.

Em Abril, José Alves sublinhou que o evento “não depende da presença física das ‘startups’ e dos alunos em Macau”, mas admitiu ter esperança num eventual alívio das restrições devido à pandemia que permitisse aos finalistas virem ao território apresentar os projectos. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau



sexta-feira, 15 de julho de 2022

Macau - Académico pede mais cooperação comercial luso-chinesa na energia verde e medicina

O pró-reitor da Universidade da Cidade de Macau, Ip Kuai Peng, assegurou que Macau deve aproveitar plenamente as suas vantagens para promover o desenvolvimento comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. O também presidente do Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa da mesma universidade espera que a cooperação possa incentivar mais financiamento na exploração em actividades relacionadas com a energia verde e a indústria médica

A RAEM deve desfrutar das suas vantagens de localização geográfica e multilinguismo para aprofundar o desenvolvimento comercial entre a China e os Países Lusófonos, nomeadamente na vertente de cooperação em energia verde e na indústria da medicina, defendeu o pró-reitor da Universidade da Cidade de Macau, Ip Kuai Peng, numa palestra online sobre a relação comercial luso-chinesa em Guangdong.

O professor asseverou que Macau, enquanto plataforma sino-lusófona, precisa de tirar pleno partido das políticas favoráveis para proporcionar facilidade e comodidade aos empreendedores, especialmente às Pequenas e Médias Empresas relacionadas, incentivando mais empresas locais a utilizar o Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa para explorar o mercado nos países lusófonos.

“Ao fortalecer o contacto entre as empresas e as instituições de Macau e dos Países de Língua Portuguesa, por meio do financiamento de negócios e injecção de capitais, Macau pode cultivar novas vertentes de crescimento económico e comercial nas áreas de energia verde, sector médico e de cuidados de saúde”, afirmou Ip Kuai Peng.

No que diz respeito a energias limpas, recorde-se que a RAEM tem realizado, desde 2008, o evento anual do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental (MIECF), ajudando a promover as novas oportunidades de negócio das empresas locais, do interior da China e dos Países de Língua Portuguesa. Já na edição do ano passado, mais de 400 empresas do interior da China, Brasil, Portugal, Hong Kong e Macau apresentaram mais de 700 produtos e serviços de tecnologias biodegradáveis e de gestão e tratamento de resíduos.

A referida palestra acerca da cooperação empresarial luso-chinesa foi realizada na passada quarta-feira, com organização do Ministério da Educação da República Popular da China e da Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong.

Na ocasião, Ip Kuai Peng destacou que as redes comerciais internacionais e o multiculturalismo de Macau podem levar a cabo o acesso das actividades comerciais luso-chinesas no mercado da União Europeia, da América Latina e de África, de forma a promover a iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e elevar o nível de cooperação em negócios e investimento com os países de língua portuguesa, acelerando a “dupla circulação” do País em nível nacional e internacional.

“Aliado às vantagens das empresas nacionais e aos objectivos do desenvolvimento e construção dos países de língua portuguesa africanos, as empresas do Continente devem tomar a iniciativa de liderar ou acompanhar as empresas de Macau para avançar nos investimentos, financiamentos, licitações, transferências de técnicas, e participar nos projectos de construção de infraestruturas desses países lusófonos, em prol do desenvolvimento económico e da melhoria da vida dos cidadãos de todas as partes”, sugeriu o académico.

O também presidente do Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa da Universidade da Cidade de Macau salientou na palestra que, com o apoio do Governo Central, Macau desempenha o seu papel para construir uma plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa e para aprofundar a relação entre as partes.

“No ano passado, o volume do comércio entre a China e os países lusófonos aumentou cerca de 20 vezes em relação ao início do estabelecimento do Fórum de Macau. O montante de investimento directo fora da categoria de finanças marcou um crescimento de 50 vezes. Dado que o campo de cooperação económica, comercial e de investimento são mais amplos, a função de Macau enquanto plataforma sino-lusófona e ponte de ligação foi ainda mais consolidado”, adiantou.

Além disso, Ip Kuai Peng considera importante que Macau se concentre no reforço das funções da plataforma sobre os serviços financeiros prestados a empresas do interior da China e dos países lusófonos, contribuindo para o fluxo de capital. Na perspectiva do mesmo professor, tendo em conta a promulgação do Projecto Geral de Construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, a RAEM deve esforçar-se no desenvolvimento direccionado de negócios financeiros modernos, fazendo progresso nos serviços da liquidação em renminbi e atraindo recursos financeiros internacionais de alta qualidade. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”

 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Macau - Cerimónia de Encerramento do Colóquio sobre Gestão do Turismo, Convenções e Exposições para os Países de Língua Portuguesa



No passado dia 6 de Maio, realizou-se no Salão de Banquete do MGM Macau a Cerimónia de Encerramento e de Entrega de Certificados do “Colóquio sobre Gestão do Turismo, Convenções e Exposições para os Países de Língua Portuguesa”, organizado pelo Centro de Formação do Fórum de Macau em colaboração com a Universidade da Cidade de Macau.

O evento decorreu entre os dias 23 de Abril e 6 de Maio de 2019, e foi o primeiro colóquio a ser realizado pelo Centro de Formação do Fórum de Macau em 2019. Inscreveram-se 31 funcionários, representantes e gestores de diversas áreas, provenientes dos oito países integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, nomeadamente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, com intuito de receber formação em Macau.

No decorrer do colóquio, foram realizadas diversas actividades, tais como palestras, que evidenciaram temas como a estratégia “Um Centro, Uma Plataforma” para Macau, o reforço da cooperação inovadora entre os sectores do turismo e das convenções e exposições entre o Interior da China, Macau e os Países de Língua Portuguesa, assim como as oportunidades de desenvolvimento turístico da Grande Baía e da comunidade internacional, e a implementação da Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, etc.

Foram ainda efectuadas visitas às entidades envolvidas no colóquio, nomeadamente ao Secretariado Permanente do Fórum de Macau, à Direcção dos Serviços de Turismo e ao Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM); e visitas ao Centro de Exposição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa, localizado na Praça do Tap Seac, a instalações de turismo e convenções e exposições, assim como a locais classificados como Património Mundial de Macau. Os participantes tiveram também a oportunidade de participar nas principais actividades da 7.ª Exposição Internacional de Turismo (Indústria) de Macau (MITE) e na Sessão de Apresentação dos Produtos Turísticos dos Países de Língua Portuguesa, onde foi promovido o intercâmbio por parte dos representantes de cada país participante, a promoção e divulgação temática sobre recursos e produtos turísticos, o desenvolvimento do sector de turismo, e a apresentação do ambiente de negócios e investimento dos vários países.

A Cerimónia de Encerramento deste Colóquio contou com a presença: da Secretária-Geral do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Dra. Xu Yingzhen; do Coordenador-Adjunto do Gabinete de Estudo das Políticas do Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros na RAEM, Dr. Jiang Xiaofan; da Cônsul-Geral da República de Angola na RAEM, Dra. Sofia Pegado da Silva; do Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Dr. Paulo Cunha Alves; da representante do Cônsul-Geral da República de Moçambique na RAEM, Dra. Celina Jacinto Mahoze Ncube; do Reitor da Universidade da Cidade de Macau, Prof. Zhang Shuguang; bem como dos Delegados dos Países de Língua Portuguesa junto do Fórum de Macau.

A Secretária-Geral, Dra. Xu Yingzhen, o Reitor da Universidade da Cidade de Macau, Prof. Zhang Shuguang, e a representante rotativa dos participantes no Colóquio, Dra. Catarina Raquel Mendonça Taborda, proferiram, respectivamente, discursos durante a cerimónia de encerramento do colóquio.

Durante o seu discurso, a Secretária-Geral, Dra. Xu Yingzhen, salientou que o reforço da promoção do intercâmbio e cooperação nas áreas do turismo, convenções e exposições é um trabalho essencial no âmbito do Fórum de Macau e também um dos objectivos principais na realização destes colóquios. Foram abordados temas diversos no decorrer do colóquio e organizada a participação na 7.ª Exposição Internacional de Turismo (Indústria) de Macau, onde se destacaram as excelentes intervenções por parte dos representantes de alguns países participantes deste colóquio.

Macau, com as suas características multiculturais e diversidade linguística, possui vantagens únicas na construção da cidade como um “Centro Mundial de Turismo e Lazer”. No fim do seu discurso, a Secretária-Geral apelou ao apoio contínuo dos participantes no colóquio ao desenvolvimento do Fórum de Macau e ao desenvolvimento da cooperação no campo dos sectores do turismo e das convenções e exposições entre a China e os Países de Língua Portuguesa através da Plataforma de Macau, por forma a promover o crescimento comum da China e dos Países de Língua Portuguesa. In “Fórum Macau” - Macau

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Portugal - Universidades de Évora e de Macau unem-se em projectos de tradução e de património



A Universidade de Évora e a Universidade da Cidade de Macau acordaram esta terça-feira parcerias nas áreas do património cultural e da informática, aplicada à saúde e centrada na tradução automática entre chinês e português. A assinatura dos memorandos de entendimento para estas parcerias decorreu de forma paralela à cerimónia de atribuição, pela Universidade de Évora (UÉ), do grau de Doutor ‘Honoris Causa’ a Chan Meng Kam, presidente do Conselho da Universidade Cidade de Macau (UCM).

A reitora da UÉ, Ana Costa Freitas, explicou aos jornalistas, no final da cerimónia, terem sido formalizados “dois memorandos de entendimento”, um deles “na área do património cultural” e que implica a criação de uma cátedra na universidade alentejana, no valor de “cerca de 50 mil euros”. Esta cátedra permitirá “financiar estudos sobre a herança cultural” comum entre Macau e Portugal, com o envolvimento do Laboratório Hercules da UÉ, indicou. “Vamos receber cá pessoas para fazerem estágios e vamos mandar para lá pessoas para fazerem também estágios e iremos formar alguém que fique à frente do laboratório lá [em Macau]”, explicou.

Segundo Ana Costa Freitas, já foi efectuado o inventário dos equipamentos que a Universidade Cidade de Macau terá de comprar “para ter um laboratório minimamente apetrechado e, depois”, começa-se “logo a trabalhar”. Na área da informática, explicou a reitora, a colaboração prevê a criação de laboratórios conjuntos entre as duas universidades assentes num sistema “de tradução por computador” de chinês-português e vice-versa. “Já estamos a começar, por exemplo, na parte do ‘machine learning’ [a máquina automática de tradução] já temos o laboratório”, frisou Ana Costa Freitas.

No protocolo relativo à área da informática, consultado pela agência Lusa, pode-se ler que a parceria abrange também um laboratório colaborativo neste âmbito centrado na saúde. A realização de cursos de Verão, de turismo ou de arquitectura paisagista, na academia alentejana, recebendo alunos de Macau, será outro dos “frutos” da colaboração com a universidade privada de Macau, segundo a reitora.

Após receber a distinção da universidade portuguesa, Chan Meng Kam, revelou aos jornalistas que a Universidade Cidade de Macau vai criar, “no próximo ano lectivo, uma licenciatura em Estudos Portugueses”. A Universidade da Cidade de Macau dedica “uma grande atenção aos estudos e programas centrados na aprendizagem da língua portuguesa”, frisou o responsável. Segundo Chan Meng Kam, o Governo da China “presta uma grande atenção ao papel de Macau como plataforma” de ligação aos “países de língua portuguesa”. In “Ponto Final” - Macau

terça-feira, 29 de maio de 2018

Macau – Universidade Cidade de Macau quer lançar programa de português em 2019/2020

O reitor da Universidade Cidade de Macau pretende que o programa voltado para o Português que a instituição está a criar entre em vigor no ano lectivo 2019/2020. A instituição quer fomentar laços com Portugal e Timor-Leste, enquanto aposta em programas que complementem a formação já existente no território



A Universidade Cidade de Macau (UCM) está há cerca de três anos a desenvolver um programa de licenciatura voltado para a Língua Portuguesa, e quer que entre em vigor a partir do ano lectivo 2019/2020. À Tribuna de Macau, o reitor da universidade adiantou que o plano deverá ficar completo dentro de poucas semanas, estando a passar por um processo interno de avaliação que envolve o convite de especialistas externos para esse propósito. “Terá de ser aprovado pelo nosso senado, conselho académico e depois de tudo isso vamos submetê-lo à aprovação formal do Governo”, disse Shu Guang Zhang.

“Demorou este tempo porque queríamos identificar algo que nos permitisse treinar essas capacidades de forma muito especial. Como sabemos, a RAEM tem programas de língua portuguesa em diversas instituições, a Universidade de Macau, o Instituto Politécnico, a Universidade de Ciência e Tecnologia”, reflectiu o reitor, indicando que a diferenciação da oferta da UCM requereu, por isso, “muita pesquisa sobre como melhor endereçar as necessidades do desenvolvimento local, bem como do desenvolvimento regional”.

Até que o programa entre em vigor, a instituição de ensino superior encontra-se a recrutar mais pessoal, e estabeleceu relações colaborativas com as Universidades do Minho, de Évora e do Porto. A ideia é criar programas de intercâmbio, mas também captar os recém doutorados destas instituições – em Português e não só, uma vez que planeia expandir para além da língua e cultura – para ensinarem a tempo inteiro na CityU. A instituição planeia ainda lançar uma licenciatura em Finanças.

Um ano após a abertura dos programas de mestrado e doutoramento focados nos Países de Língua Portuguesa, Shu Guang Zhang faz um bom balanço. “Estamos a rever o seu primeiro ano de estudos para podermos emendar e melhorar os nossos programas para o segundo ano”, disse.

Noutra linha, o representante da instituição mostrou-se esperançoso de lançar laboratórios de pesquisa em conjunto com a Universidade de Évora. Mas mais voltados para a aplicação de diferentes ciências e tecnologias para propósitos de, por exemplo, cuidados dos idosos.

O reitor frisou que, para além das ferramentas linguísticas, é importante os estudantes compreenderem os países de língua portuguesa para que no futuro sirvam de ligação com os seus pares nessas partes do mundo. 

Timor-Leste tem “grande potencial”

Para além dos laços com Portugal, admitiu que “ainda não [ter desenvolvido] relações muito substanciais com países de língua portuguesa, excepto com Timor-Leste”. O reitor frisou, porém, que já realizou visitas ao país, tanto a representantes do Governo, como da Universidade Nacional de Timor e também a uma universidade privada, e está a tentar ajudar a Universidade Nacional a desenvolver educação para o turismo.

“Esperamos começar com bolsas de estudo e estamos a fazer pesquisa, por isso formámos uma equipa de aprendizagem experiencial. Esperamos no futuro próximo enviá-los a Timor para explorarem o local e que projectos de turismo podem ser desenvolvidos. Para propósitos de aprendizagem, não comerciais”, explicou.

O docente acredita que Timor-Leste “tem grande potencial” e “preparado para descolar economicamente”. Nesse sentido, a UCM vai acolher uma conferência sobre o país no próximo ano. “Não temos nenhuma relação com outros países de língua portuguesa. Esperamos no futuro poder vir a ter. Somos uma universidade pequena, temos recursos limitados e só podemos fazer uma coisa de cada vez”.

Shu Guang Zhang reconheceu que até ao momento não há muita cooperação entre as instituições locais de ensino superior, uma vez que estão a passar por fases e desafios diferentes. Mas mostrou vontade de aprofundar os laços. “Esperamos todos trabalhar juntos para desenvolver a educação em Macau. Vai dar um grande salto nos próximos anos, especialmente com a nova lei e acho que isso vai mudar a dinâmica do ensino superior em Macau”.

O reitor sublinhou que dada a dimensão de Macau não quer gastar recursos a competir com os outros. A vontade é clara, e orientada para uma estratégia de desenvolvimento diferenciado. Por um lado, através de um enfoque em artes, humanidades e ciências sociais, com as ciências e tecnologias em apoio dessas áreas. Por outro, ao seguir o que outras universidades metropolitanas fazem.

Estreitada cooperação com Fórum

A Universidade Cidade de Macau e o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa assinaram um acordo de cooperação e promoveram uma palestra sobre os perfis dos países que integram o Fórum. “A China tornou-se o maior parceiro comercial dos Países de Língua Portuguesa na área do investimento directo”, disse a secretária-geral do organismo, Xu Yingzhen, frisando ainda a importância da formação de bilingues para Macau realizar o seu papel como plataforma. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Macau – Universidade da Cidade de Macau aposta no estudo dos países lusófonos

No próximo ano lectivo, a Universidade da Cidade de Macau (UCM) vai abrir duas turmas de Mestrado e uma de Doutoramento em Estudos dos Países de Língua Portuguesa. Para Ivo Carneiro de Sousa, coordenador dos cursos, Macau é o “melhor laboratório” para desenvolver “estudos de área” sobre os países lusófonos, pelo que já está a ser pensada a abertura de uma licenciatura neste campo em 2018/2019 e um pós Doutoramento em 2020


A Universidade da Cidade de Macau (UCM) vai abrir em Setembro um curso de Mestrado e Doutoramento em Estudos dos Países de Língua Portuguesa, iniciativa pioneira à escala mundial que visa desenvolver os países de língua portuguesa no domínio dos “estudos de área” por “partilharem a mesma língua oficial e por se relacionarem em termos internacionais usando essa unidade da língua”, explicou o coordenador dos cursos, Ivo Carneiro de Sousa, ao Jornal Tribuna de Macau.

“O argumento que temos utilizado é que, academicamente, trata-se de uma area studies e queremos desenvolver a investigação desta área utilizando o equipamento normal, isto é, o conjunto das ciências sociais para estudar, comparar, contrastar os países, os temas e problemas que existem nesses países com essa instrumentação”, explicou o docente.

“Acreditamos que Macau tem condições históricas e prosperidade financeira para poder permitir esses estudos e tem o lado importante de não haver ressabiamentos”, disse. Em termos práticos, Ivo Carneiro de Sousa aponta dois argumentos que validam o tratamento dos países de língua portuguesa enquanto matéria com interesse académico, sobretudo na RAEM. “Macau é o melhor laboratório para se investigar sobre isto porque tem uma história de relações com o mundo todo até meados do século XIX”, além de oferecer “condições privilegiadas históricas para desenvolver investigação académica sem ter problemas de ressabiamentos coloniais ou pós-coloniais” e ser plataforma entre as duas partes.

“O objectivo destes cursos consiste na publicação da investigação nos melhores jornais académicos em inglês” até porque, “se não se publicar nestas grandes revistas o que se está a investigar não existe como ciência”, vincou o docente.

Os cursos são veiculados em inglês e os alunos que “não são de língua portuguesa têm de completar dois anos de Português, para aprender os termos necessários para ler documentos técnicos” nessa língua, apontou. No caso do Doutoramento, a UCM vai “facultar uma ida de três meses a qualquer país de língua portuguesa que [o aluno] esteja a estudar para que haja realmente trabalho de campo”.

Esse trabalho de campo será apoiado através de bolsa, ao fim de dois anos e meio de estudos teóricos. “Têm de estar preparados para ir ao terreno para investigar. Isto está a ser feito através de acordos com universidade e institutos que possam receber os alunos”, acrescentou.

Devido à grande adesão, será necessário abrir duas turmas (20 alunos cada) de Mestrado e uma de Doutoramento no máximo com 20 estudantes até porque não há “condições de supervisão” para mais. “Até agora já entregámos a resposta a 14 alunos de doutoramento e a 27 para o Mestrado”, adiantou, revelando ainda que até Junho estão agendadas mais entrevistas em Zhuhai. “O número de candidatos é cinco vezes a oferta que temos”, sublinhou.

Na sua grande maioria, os candidatos são “assistentes em universidades chinesas”. “Percebemos pelas entrevistas que estes candidatos procuram fazer um doutoramento fora da China aproveitando o facto de ser mais barato estudar em Macau do que em Hong Kong (...) e, em segundo lugar, o acesso a todas as fontes e sites, o que em Ciências Sociais é muito importante”, disse.

Por outro lado, “também há candidatos locais, incluindo de diferentes países de língua portuguesa”, embora 60% dos seleccionados sejam chineses do Continente. “Temos entrevistado, por Skype, candidatos de Angola e Moçambique mas só vamos decidir quando terminarmoso processo de entrevistar os locais”.

O corpo docente será constituído por pessoal local e convidado. “Vamos ter um professor de Timor-Leste, que por acaso é actualmente o Ministro da Economia, dois de Moçambique, um de Brasília e do Rio de Janeiro, um de Angola e dois de Portugal”, disse.

Licenciatura é o próximo passo

Uma das razões pelas quais a UCM está a apostar nesta abordagem académica prende-se muito com o facto de “não haver investigação científica” neste campo em termos institucionais. “Macau é oficialmente uma plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Para nós, em termos científicos, existem ‘muitos menos’ nessa ideia de plataforma. Há coisas estranhas: Como é que as indústrias do jogo - que ‘pagam’ Macau - não são mobilizadas para a plataforma quando há mais de 200 portugueses que são directores de recursos humanos, engenharia, segurança, entre outros?”, questionou Ivo Carneiro de Sousa.

Nestes moldes, e também para criar uma “base” que suporte estes cursos de Mestrado e Doutoramento, a Universidade da Cidade de Macau vai abrir, no ano lectivo 2018/2019, uma licenciatura para garantir que há “alunos locais comprometidos” com esta área. “É preciso porque, caso contrário, os cursos serão dominados pelos alunos da China Continental que sabem o que querem e que vão fazer carreira nesta área. É preciso alimentar Macau, as empresas, o Governo, centros de investigação, entre outros”, revelou o docente.

Segundo explicou, a licenciatura será em Relações Internacionais mas com especialização nos Países de Língua Portuguesa e a sua relação com a China. “Os alunos têm de estudar a história desses países, a diplomacia, relações políticas e estratégicas desses países”, contou. Posteriormente, os melhores alunos serão canalizados para o Mestrado. Nesta estratégica, em 2020, deverá abrir um Pós-Doutoramento na mesma área, revelou Ivo Carneiro de Sousa.

Esta aposta, que começa com Mestrado e Doutoramento, tem como finalidade “convencer o sistema científico global - revistas, universidades e centros de investigação - que o estudo dos países de língua portuguesa é um domínio tão académico como o da lusofonia”, vincou.

Os dois cursos forsm apresentados ontem no campus da UM, na Taipa, num dia em que também se celebrou África. Catarina Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”