Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Estados Unidos da América - Fela Kuti, inventor do Afrobeat, torna-se o primeiro africano a receber um Grammy pela sua carreira

Este prémio reconhece toda a sua obra e finalmente coloca a lenda nigeriana no topo do cenário musical mundial


Quase trinta anos após a morte do pioneiro do Afrobeat, no último domingo, 1.º de fevereiro, ele recebeu um prémio póstumo histórico na cidade de Los Angeles, onde Fela Anikulapo Kuti se juntou ao seleto grupo de lendas mundiais homenageadas com o Grammy Awards.

Ao lado de nomes como Carlos Santana e Whitney Houston, o "Presidente Negro" tornou-se o primeiro artista do continente africano a receber este prémio pelo conjunto da obra. Para este músico que fundiu jazz, funk e raízes africanas numa arma de resistência, este prémio confirma o que a África já sabia: o seu génio é universal.

Mas, por trás do glamour da cerimónia, este prémio também serve como um lembrete do preço da liberdade. Fela não era um artista de salão. As suas canções ecoavam o movimento anticorrupção e antimilitarista, o que lhe rendeu prisões e perseguições ao longo da vida. Se o Afrobeat moderno domina o mundo hoje, é porque Fela abriu o caminho com autenticidade crua. A sua prima, Yemisi Ransome-Kuti, celebrou esta vitória e afirmou categoricamente que "não devemos esperar a morte de grandes homens para celebrar o seu impacto".

O legado de Fela continua vivo graças aos seus filhos, Femi e Seun, assim como o seu neto, Made, que mantêm viva essa chama musical. Este Grammy não é apenas uma peça de museu; é um novo impulso para uma obra de 50 álbuns que se recusa a envelhecer.

Em 2026, a homenagem em Los Angeles prova que a voz de Fela Kuti, embora nascida nos clubes de Lagos, não conhece fronteiras.

Fela nunca procurou a aprovação do mundo; foi o mundo que, no fim, se curvou à sua verdade. Além do troféu, este triunfo é o de uma África que não precisa mais pedir permissão para existir ou brilhar. O "Presidente Negro" nos legou muito mais do que ritmos: ele restaurou a dignidade e a voz do continente. Quase trinta anos após a sua morte, o seu saxofone ainda ressoa como um lembrete eterno de que o coração pulsante da música mundial reside aqui, nesta terra que agora se recusa a ser silenciada. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Sem comentários:

Enviar um comentário