Este prémio reconhece toda a sua obra e finalmente coloca a lenda nigeriana no topo do cenário musical mundial
Quase trinta anos após a morte do
pioneiro do Afrobeat, no último domingo, 1.º de fevereiro, ele recebeu um prémio
póstumo histórico na cidade de Los Angeles, onde Fela Anikulapo Kuti
se juntou ao seleto grupo de lendas mundiais homenageadas com o Grammy Awards.
Ao lado de nomes como Carlos Santana e Whitney Houston, o
"Presidente Negro" tornou-se o primeiro artista do continente
africano a receber este prémio pelo conjunto da obra. Para este músico que
fundiu jazz, funk e raízes africanas numa arma de resistência, este prémio
confirma o que a África já sabia: o seu génio é universal.
Mas, por trás do glamour da cerimónia, este prémio também
serve como um lembrete do preço da liberdade. Fela não era um artista de salão.
As suas canções ecoavam o movimento anticorrupção e antimilitarista, o que lhe
rendeu prisões e perseguições ao longo da vida. Se o Afrobeat moderno domina o
mundo hoje, é porque Fela abriu o caminho com autenticidade crua. A sua prima,
Yemisi Ransome-Kuti, celebrou esta vitória e afirmou categoricamente que
"não devemos esperar a morte de grandes homens para celebrar o seu
impacto".
O legado de Fela continua vivo graças aos seus filhos,
Femi e Seun, assim como o seu neto, Made, que mantêm viva essa chama musical.
Este Grammy não é apenas uma peça de museu; é um novo impulso para uma obra de
50 álbuns que se recusa a envelhecer.
Em 2026, a homenagem em Los Angeles prova que a voz de
Fela Kuti, embora nascida nos clubes de Lagos, não conhece fronteiras.
Fela nunca procurou a aprovação do mundo; foi o mundo
que, no fim, se curvou à sua verdade. Além do troféu, este triunfo é o de uma
África que não precisa mais pedir permissão para existir ou brilhar. O
"Presidente Negro" nos legou muito mais do que ritmos: ele restaurou
a dignidade e a voz do continente. Quase trinta anos após a sua morte, o seu
saxofone ainda ressoa como um lembrete eterno de que o coração pulsante da
música mundial reside aqui, nesta terra que agora se recusa a ser silenciada. Fernando
Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”
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