Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

África - BAD recomenda expansão de infra-estruturas portuárias

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) recomenda aos países africanos costeiros, entre eles os de língua oficial portuguesa, a expansão de infra-estruturas portuárias como forma de melhorar a integração no continente.

O BAD informou igualmente que a Guiné-Bissau foi o país africano de língua oficial portuguesa que mais cresceu no ano passado, 5,3%, seguido de São Tomé e Príncipe (4,1 %), Cabo Verde (3,9%) e Moçambique (3,5%). Angola teve um resultado de (-0.7%)



A recomendação do BAD consta do dossier “A integração como via para a prosperidade económica em África”, inserido no recente relatório “Perspectivas económicas em África 2019”, que define um conjunto de respostas políticas para maximizar os benefícios da integração regional e mitigar os potenciais riscos, para cada tipo de economias.

As economias costeiras, refere, devem “expandir as instalações portuárias, incluindo o armazenamento e a administração aduaneira, bem como melhorar a eficiência da movimentação de tráfego de embarcações e do carregamento e descarregamento de contentores.”

O relatório adianta que o custo das instalações portuárias africanas está estimado em 40% acima do padrão mundial, denotando estas também tempos de permanência dos contentores mais elevados, atrasos na libertação do tráfego de embarcações, processos de documentação extensivos e poucos contentores por grua e por hora (excepto na África do Sul).

Outra recomendação do BAD é “aumentar a velocidade e a fiabilidade das redes ferroviárias e rodoviárias, ao reduzir o congestionamento e os atrasos nos pontos de controlo e os desvios de camiões e material circulante para reparação.”

Os países costeiros, prossegue a instituição, devem ainda “fomentar melhores convenções e instrumentos além das negociações multilaterais estagnadas para facilitar o comércio de trânsito” e colocar mais ênfase nos bens públicos regionais, “algo fácil de entender devido aos benefícios para todos os países, especialmente, os países de baixo rendimento.”

Outra recomendação vai no sentido de “sincronizar os quadros de governação financeira na região e reforçar os quadros prudenciais da supervisão dos fluxos financeiros, além de remover quaisquer restrições legais sem fundamento ainda presentes nos fluxos e transacções financeiros transfronteiriços.”

As recomendações do BAD incluem ainda fomentar bolsas de energia eléctrica de forma a explorar o enorme potencial do comércio de energia eléctrica transfronteiriço e “abrir os céus” à concorrência, “como acontece com Moçambique, que se abriu, recentemente, a transportadoras estrangeiras.”

O Mercado Único do Transporte Aéreo Africano da União Africana, lançado em Janeiro de 2009, foi já assinado por 22 países, com 75% de transporte aéreo entre países africanos.

Finalmente, é recomendado aos países costeiros “abrir as fronteiras à livre circulação de pessoas – por exemplo, ao ratificar e implementar o Passaporte da União Africana, lançado em 2016 e previsto para estar completamente em vigor até 2020.”

O relatório do BAD informa que o crescimento económico em África continua a fortalecer-se, alcançando uma estimativa de 3,5% em 2018 e devendo acelerar para 4,0%, em 2019, e 4,1%, em 2020.

Os líderes de crescimento são países não ricos em recursos – que têm por base uma produção agrícola mais elevada e o aumento da procura do consumidor e do investimento público – crescem mais rápido (Senegal, 7,0%; Ruanda, 7,2%; Costa do Marfim, 7,4%) enquanto os maiores países exportadores de produtos de base registaram um crescimento ligeiro ou negativo (Angola, –0,7%).

O BAD informou igualmente que a Guiné-Bissau foi o país africano de língua oficial portuguesa que mais cresceu no ano passado, 5,3%, seguido de São Tomé e Príncipe (4,1 %), Cabo Verde (3,9%) e Moçambique (3,5%). In “Macauhub” - Macau

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Ambazónia – A região anglófona dos Camarões que luta pela independência



Os separatistas da Ambazónia, regiões de língua inglesa dos Camarões, lançaram a sua própria criptomoeda chamada "AmbaCoin".

Pretendem criar um estado independente chamado Ambazónia, e a moeda é o último símbolo da nação que os rebeldes adoptaram, com a sua bandeira azul e branca e o seu hino. Uma ideia que a Casamansa no exterior está explorando há vários meses.

Um AmbaCoin está-se vendendo por 25 cêntimos correspondendo a 160 CFA, e está actualmente em pré-venda antes da "grande emissão inicial de moedas programada para 24 de Dezembro".

O AmbaCoin foi projetado e construído por um grupo anónimo de académicos, tecnocratas e estrategas separatistas de língua inglesa.

A moeda oficial dos Camarões é o franco CFA das colónias francesas de África, que está totalmente vinculada ao Tesouro francês.

Para garantir a sua economia e soberania, muitos países africanos há muito pedem o abandono desta moeda colonial sem sucesso. Pierre Coly – Casamansa in “Journal du Pays”

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Moçambique – A moda africana está a fervilhar

A moda é uma das áreas de maior destaque na África actual, a criatividade e a ambição não têm parado de crescer em todo o continente.

África está claramente gravada no futuro do sector, e também da indústria e do retalho. As belíssimas paisagens e a exótica vida selvagem são associadas por muitos ao continente, e os designers usam-nas como fonte de inspiração.

Relembrando a influência da cultura africana na moda, temos marcas premium como a Yves Saint Laurent, Dior e Alexander McQueen, entre outros, que já homenagearam a cultura Africana nas suas colecções. Yves Saint Laurent apresentou ao mundo uma colecção de alta-costura inspirada em África, em 1967, e a sua marca alcançou fama mundial e fez história na moda. No ano seguinte, apresentou o famoso casaco safari e espalhou o perfume do continente por várias gerações de estilistas.

Actualmente a importância de África no sector é cada vez maior. Os peritos da área dizem que o continente tem já um «nome próprio» na área da moda e que dita tendências.

Em 10 anos, a África subsaariana cresceu 51% – o dobro da economia mundial. A população do continente é maioritariamente jovem, e também mais jovem que a do resto do mundo.

O crescimento económico, a juventude e a sensação de que o mundo tem cada vez mais os olhos postos no continente contribuem para impulsionar a criatividade e o nascimento e crescimento de novas ideias. Em nenhum outro lugar o empreendedorismo é tão grande e tão forte. E, neste cenário, também a moda está a «fervilhar».

Os estilistas/designers de moda africanos são cada vez mais. As marcas de roupa também. Trabalham não só a tradicional capulana, como sedas, linhos, peles, entre outros materiais nobres. Criam novas texturas, novas formas e com design inovador. Crescem assim em número e em qualidade os nomes do setor, alcançando, a pouco e pouco, espaços de destaque noutros pontos do mundo, como já são exemplo algumas marcas de roupa que marcam presença em pontos de venda nas principais cidades da moda, peças de decoração com design único e exclusivo em exposição em Paris, não esquecendo a arte, a cultura e a música que já está presente na vida dos cidadãos do Mundo. Tudo aponta para que o setor continue a crescer dentro de portas e em breve se comece a espalhar definitivamente pelo mundo, porque…”O futuro está em África”. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

França – Obras de arte devem regressar às antigas colónias

Restituição deve ser feita sem reservas e começar já no próximo ano, recomenda o estudo feito a pedido do Presidente francês. Documento promete lançar o debate a nível internacional



Foi em Março que o Presidente Emmanuel Macron encomendou a Bénédicte Savoy e a Felwine Sarr um estudo sobre o património de origem africana nas colecções públicas francesas. O relatório de 100 páginas que produziram será apresentado hoje, sexta-feira, mas as suas linhas mestras são já conhecidas e levam a uma recomendação taxativa – França deve restituir sem reservas todas as obras dos seus museus que foram retiradas “sem consentimento” das antigas colónias francesas em África. Uma recomendação que tem potencial para abrir um precedente ou, pelo menos, para lançar o debate noutros países que tiveram domínios coloniais, incluindo Portugal.

A restituição plena aos museus africanos, e não o empréstimo de longa duração, deve ser a prática generalizada no que toca a objectos do período colonial, defendem a historiadora de arte francesa e o economista e escritor senegalês, deixando de fora apenas aqueles cuja presença em França resulte de uma comprovada aquisição “legítima”.

Pôr em prática as recomendações expressas no relatório (editado pelas Éditions du Seuil num volume de 230 páginas, incluindo anexos) será tudo menos fácil para o Presidente francês, que também nesta matéria enfrenta forte oposição, a começar pelos directores dos museus, que temem ver esvaziadas as suas colecções. No topo das preocupações dos que questionam a exequibilidade de um eventual programa de restituição está o Quai Branly, o Museu das Artes e Civilizações da África, Ásia, Oceania e Américas, obra de regime do antigo chefe de Estado Jacques Chirac, que tem 70 mil peças africanas no seu acervo.

Mesmo sujeito a pressões várias, Emmanuel Macron não pode ignorar o compromisso político que assumiu em Novembro do ano passado ao dizer, durante um périplo oficial por África, que a devolução “permanente ou temporária” de património àquele continente era uma “prioridade” do seu mandato. “O património africano (…) deve ser valorizado em Paris, mas também em Dacar, Lagos e Cotonu”, sublinhou Macron, em visita ao Burkina Faso. “Esta será uma das minhas prioridades. Daqui a cinco anos prevejo que estejam reunidas as condições para o regresso do património africano a África.”

Foi a primeira vez, escreveu-se em vários jornais, que um Presidente abordou de forma tão directa a questão da arte africana dos museus franceses depois da descolonização.

Lembra esta quarta-feira o diário Le Monde que os pedidos de restituição por parte dos países africanos são tão antigos quanto a descolonização e que, apesar da insistência de alguns, a questão foi sendo sucessivamente adiada nos últimos 50 anos.

Entre os pedidos mais mediáticos envolvendo museus franceses estão três estátuas de reis, esculturas antropomórficas e outros artefactos espoliados do antigo Reino do Daomé em 1892 e que são, desde 2016, reclamados pelas autoridades do Benim. Mas a França está longe de ser caso único.

Programa faseado

Entre as acções concretas propostas pelo relatório numa primeira fase, que é sobretudo simbólica, está a devolução, a partir do próximo ano, de 24 objectos ou grupos de objectos que são despojos de guerra ou que resultaram de missões etnográficas, culturais e religiosas, a países como o Mali, a Nigéria, o Senegal, o Benim e a Etiópia. De acordo com a publicação especializada The Art Newspaper, os autores do relatório previram uma segunda fase, com a duração de cinco anos, em que a restituição será muito mais substancial e negociada entre estados, seguida de um período “em aberto”, em que as devoluções podem e devem continuar. Como?

Em teoria, o procedimento proposto é simples, o que não quer dizer que seja fácil chegar aos resultados pretendidos. Constituem-se comissões bilaterais com representantes franceses e de cada uma das ex-colónias. França compromete-se a dar a cada país africano um inventário das peças originárias desse território que se encontram nos seus museus, e o país em causa, por sua vez, diz que itens quer que lhe sejam devolvidos. Se houver objecções à restituição, o museu tem de provar que a peça chegou a França legitimamente. Mas esta prova deverá ser, em muitos casos, complexa. É que, de acordo com as recomendações dos autores do relatório, mesmo em caso de venda, não podem restar dúvidas de que houve uma “autorização total” para a sua saída, ou seja, de que não houve qualquer pressão sobre os proprietários dos objectos? por parte de militares, cientistas ou administradores coloniais.

E quando houver dois países a reclamar o mesmo objecto oriundo de um reino que já não existe e cujo território deu origem a mais do que um Estado? Os governos que resolvam a situação, diz o economista senegalês ao Art Newspaper. “Estamos a lidar com um continente que já não tem praticamente nada da sua história enquanto nós [na Europa] temos tudo. O objectivo não é esvaziar os museus ocidentais para encher os africanos, mas criar uma nova relação baseada na ética e na equidade.”

Segundo dados citados pelo Libération, entre 85 e 90% do património africano está hoje fora do continente. “A juventude africana tem direito ao seu património”, o mesmo património que “alimentou toda uma vanguarda europeia”, de Picasso aos surrealistas, passando pelas gerações de hoje que o têm nos museus, defendem os autores em entrevista ao mesmo diário, falando de um desequilíbrio flagrante que é urgente começar a corrigir.

Se Emmanuel Macron acatar as sugestões de Bénédicte Savoy e Felwine Sarr, a proveniência de cerca de 90 mil peças africanas espalhadas por 50 museus franceses, na sua esmagadora maioria incorporadas nas colecções antes de 1960, será alvo de análise.

Alterar a lei

Para que a devolução possa acontecer, há que vencer outro obstáculo – a lei do património terá de ser alterada já que, asseguram os jornais franceses, estipula que as obras pertencentes às colecções públicas são “inalienáveis”. Para o ultrapassar, os autores propõem a criação de uma cláusula de excepção para a arte africana.

Entre os que se opõem à restituição, um dos argumentos mais usados é o da falta de condições dos museus dos países de origem para acolherem as peças, algo que a dupla Savoy-Sarr diz ser produto da “condescendência” com que a Europa ainda olha para África.

Além da complexidade da “prova” já evocada, outra das recomendações do relatório que está já a ser alvo de críticas é a que diz respeito à devolução aos objectos, à sua chegada aos países de origem, do uso doméstico ou ritual que perderam no contexto formal de um museu europeu. “Será isto possível em países onde a aculturação e a modernidade apagaram, no essencial, os modos de pensar anteriores?”, interroga-se o jornal Le Monde.

Savoy e Sarr estão conscientes dos problemas que a restituição pode levantar mas, garantiram ao Libération, não têm dúvidas de que agiram “cientificamente: “Não abordámos o percurso dos objectos de um ponto de vista moral, mas histórico (…). É preciso que a história da constituição das colecções apareça nos museus ao mesmo tempo que as peças.” Lucinda Canelas – Portugal in "Público"

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Portugal – A escola “mais africana da Europa” situa-se no concelho da Amadora

Conhecida como a escola 'mais africana da Europa', a Dr. Azevedo Neves, situada na Damaia, concelho de Amadora, destaca-se pelas boas notas a Português, situação que enche de orgulho pais e responsáveis escolares

Inserida na localidade da Damaia, no concelho da Amadora, a escola Dr. Azevedo Neves é atualmente frequentada por 1407 alunos, a maioria proveniente de famílias carenciadas e de várias nacionalidades, nomeadamente cabo-verdiana, guineense (Guiné Bissau e Guiné Conacri), sul africana, brasileira, ucraniana, moldava, russa, romena e chinesa.

Em declarações à agência Lusa, Cátia, encarregada de educação de uma aluna do sexto ano, congratula-se pela multiculturalidade da escola (67% é originária de Países Oficiais de Língua Portuguesa) e pela união entre todos os alunos.

«Tenho muito orgulho nesta escola. É a mais africanizada, a mais crioula, mas vê-se aqui de tudo. Há brasileiros, cabo-verdianos, portugueses e é muito lindo ver como eles interagem entre si», aponta a cabo verdiana, residente em Portugal há 18 anos.

Para esta encarregada de educação, o ambiente vivido nesta escola e o «respeito pela diferença» ajudam a explicar o facto deste estabelecimento escolar ter estado entre os 10 melhores do país na disciplina de Português.

«Os professores zelam pela utilização do Português, respeitando que os alunos falem entre si a sua língua materna. Quando somos tratados com respeito e respeitam as nossas diferenças, é mais fácil darmos o nosso melhor», argumenta.

Por seu turno, o diretor do agrupamento de escolas Dr. Azevedo Neves, Bruno Santos, manifesta-se orgulhoso com o trabalho desenvolvido pela escola, realçando o «empenho de toda a comunidade escolar».

Bruno Santos sublinha que uma das razões que contribui para o sucesso escolar e profissional destes alunos é o facto de lhes permitir ter um contacto com a vida real.

«Temos vários projetos multiculturais e cursos profissionais, desde cozinha e pastelaria, restauração, multimédia e somos pioneiros em geriatria. É uma escola totalmente aberta à comunidade», atestou. In “Revista Port. Com” - Portugal

sábado, 1 de setembro de 2018

China - Fórum de Cooperação China-África

Dezoito anos depois da primeira conferência, o Fórum de Cooperação China-África procura um novo impulso sob o signo da Iniciativa Faixa e Rota. Países africanos lusófonos levam planos ambiciosos para Pequim



As ruas de Pequim estão vestidas a rigor, com cartazes e banners alusivos à Cimeira China-África que tem lugar no início da próxima semana, nos dias 3 e 4 de Setembro. Sob o lema “China e África: rumo a uma comunidade ainda mais forte e com um futuro partilhado através da cooperação geradora de benefícios mútuos”, a cimeira deverá centra-se no desenvolvimento de infraestruturas, processo de industrialização e modernização agrícola no continente africano, tendo como pano de fundo a Iniciativa Faixa e Rota. Além do discurso do presidente Xi Jinping, os olhos do mundo estarão também centrados nas palavras do Secretário-Geral das Nações Unidas António Guterres. Pequim tem promovido o papel da Iniciativa Faixa e Rota na implementação dos objectivos da União Africana de transformação socioecónomica do continente (Agenda 2063) e na Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

A Pequim começaram a chegar os chefes de estado e de governo dos 53 países africanos que fazem parte do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), criado em 2000. Na fotografia de família faltará apenas a Swazilândia, o único estado africano que mantém relações diplomáticas com Taiwan. Para alguns estados – os que abandonaram os laços com Taipé nos últimos três anos – esta vai ser a primeira vez que se sentam à mesa de uma cimeira do FOCAC. É o caso de São Tomé e Príncipe. O primeiro-ministro santomense Patrice Trovoada afirmou aos jornalistas esta semana que, à margem da cimeira, irão ser assinados acordos com a China, sendo que o país lusófono insular procura mobilização para apoios financeiros a projetos.

A agenda dos PALOP em Pequim

A Guiné-Bissau também olha com otimismo para o encontro de Pequim. O presidente guineense José Mário Vaz afirmou que iria apresentar planos para projetos relacionados com agricultura, turismo, pescas, infraestruturas e setor mineiro, manifestando convicção que serão “motores para o crescimento económico da Guiné-Bissau”, e que por esse motivo irão beneficiar do apoio financeiro do governo chinês, disse antes de embarcar para Pequim.

Cabo Verde leva para a capital chinesa na agenda planos para “melhor aprofundar novos modelos de cooperação futura” com a China, como salientou há dias o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças Olavo Correia. Espera-se uma atenção especial da China ao projeto de criação da Zona Económica Especial Marítima em São Vicente.

Moçambique também aposta forte na reunião da próxima semana. Segundo a agência Macauhub, vai ser organizado em Pequim um Fórum de negócios entre empresários chineses e Moçambicanos, a ser inaugurado no domingo, dia 2 de setembro, pelo presidente Filipe Nyusi.

A atenção especial a Angola

Angola é claramente grande parceiro da China entre os PALOP, ocupando o segundo lugar ao nível das trocas comerciais com todo o continente. As autoridades chinesas promoveram a cimeira China-África em Luanda na semana passada, através de uma conferência de imprensa em que o embaixador da China em Luanda, Cui Aimin, sublinhou que Angola é um elemento fundamental no encontro de Pequim.

Uma das preocupações nas relacões bilaterais diz respeito à dívida de Angola à China. Cui garantiu que esta é controlável, rondando os eixos normais, sem no entanto revelar o valor em causa. As declarações do diplomata chinês surgiram numa altura em que foram anunciados novos projetos conjuntos como a parceria na área da indústria militar com vista ao reequipamento e requalificação das infraestruturas das Forças Armadas Angolanas (FAA). J Carlos Matias – Macau in “Plataforma”

terça-feira, 31 de julho de 2018

Cabo Verde - Farol da inclusão no continente africano

Cidade da Praia – A partir do próximo ano lectivo, Cabo Verde vai ter legislação sobre a educação inclusiva, que está a ser preparada com apoio da investigadora portuguesa Célia Sousa, que considera que o país será “farol” da inclusão em África.

Depois de terem sido formados mais de 50 técnicos e professores de todo o país, Cabo Verde está a ultimar a legislação que vai regulamentar a educação inclusiva, um trabalho que começou no início do mês com apoio técnico da investigadora portuguesa Célia Sousa, coordenadora do Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID) do Instituto Politécnico de Leiria (IPL).

Em declarações à agência Lusa, na cidade da Praia, Célia Sousa notou que Cabo Verde tem “boas práticas” na área de inclusão, pelo que considerou ser “pertinente” o país lançar, no próximo ano lectivo, que inicia em Setembro, uma legislação que regulamenta a educação especial.

“Esta lei é de extrema importância por várias razões. Cabo Verde será um dos primeiros países do continente africano a implementar uma legislação que regulamenta a educação inclusiva”, disse a investigadora, considerando que o país dá um “passo de gigante” e vai passar a ser um “modelo” em África, onde existem cerca de 84 milhões de pessoas com deficiência.

Segundo o censo realizado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), em 2010 existiam em Cabo Verde 13948 pessoas com alguma deficiência, o que representava 3,2% da população.

“Cabo Verde será o farol da inclusão no continente africano”, prosseguiu, entendendo que quando se fala se educação inclusiva deve-se falar não só das pessoas com deficiência, mas também de pessoas de outras culturas e etnias.

Além de permitir que todas as crianças com deficiência estejam na escola, adiantou que a lei vai “mudar o paradigma da educação” em Cabo Verde, onde a “escola vai ter de pensar em todos”.

“Isto é de uma riqueza imensa porque vai permitir que se criem estratégias diferentes em sala de aula, que haja uma diferenciação do ensino, uma perspectiva diferente de como acolher as crianças, não é só uma questão de acolhimento, mas de direitos humanos”, prosseguiu a docente, dizendo que, a partir de agora, as crianças vão ter respostas adequadas de acordo com as suas capacidades.

“Com esta legislação também se deixa de ver a incapacidade da pessoa, mas passa-se a olhar para a pessoa pela capacidade, porque todos nós somos diferentes e temos capacidades completamente diferentes e é dessa diferença que nasce a riqueza de uma sociedade”, mostrou.

A lei vai abranger todas as crianças cabo-verdianas no sistema de educação, desde o pré-escolar ao ensino secundário, que terão de ter técnicas, materiais, adaptação às condições de avaliação, entre outras respostas no atendimento.

Célia Sousa avançou ainda que com a nova legislação haverá um “envolvimento crescente” da família, em que todos os pais e encarregados de educação serão ouvidos para darem o seu aval para que as medidas sejam implementadas.

A investigadora portuguesa sublinhou, por outro lado, que não é por causa de uma legislação que Cabo Verde vai se transformar num país inclusivo.

“Mas há momentos em que é necessário que a legislação saia para dar visibilidade. E tendo uma legislação, as famílias e o sistema educativo têm alguma coisa que regulamenta, alguma coisa que devem poder recorrer”, enfatizou.

A investigadora portuguesa afirmou à Lusa que a legislação vai ainda fazer com que as universidades cabo-verdianas criem cursos na área de educação especial para formar técnicos, algo que era “impensável” há uns anos porque não havia regulamentação.

Célia Sousa disse ainda acreditar que, com a criação de formação nesta área, as instituições de ensino superior cabo-verdianas poderão receber muitos alunos estrangeiros, principalmente do continente africano.

“Esta legislação vai operacionalizar uma mudança em todo o sistema educativo de Cabo Verde, desde o pré-escolar ao ensino superior”, salientou, esperando ver todas as crianças na escola, para que também possam fazer parte de uma “sociedade cabo-verdiana mais inclusiva”.

Também espera que isso se venha a reflectir em políticas de inclusão social, do turismo inclusivo e nas barreiras arquitectónicas, numa que a lei estipula que todos os edifícios escolares têm de providenciar as acessibilidades. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

sábado, 14 de julho de 2018

Gana - ENI começou a exploração offshore de gás

A ENI começou a exploração offshore e gás, com o apoio do Banco Mundial. Uma produção destinada ao consumo interno e que poderá auxiliar o país, segundo a empresa



A ENI, companhia petrolífera italiana com interesses em Portugal, obteve licença de exploração offshore para a produção de gás no Gana, na África ocidental, e há dias deu início à produção no campo de Sankofa, sob o projecto integrado Offshore Cape Three Points (OCTP).

Este é o único projecto de gás em águas profundas não associado da África sub-saariana totalmente destinado ao consumo interno, que garantirá ao Gana fornecimentos de gás estáveis (180 milhões de pés cúbicos standard por dia durante 15 anos).

O projecto, desenvolvido também com o apoio do Banco Mundial, pode ajudar o Gana a mudar o seu paradigma energético, trocando a energia movida a petróleo para uma fonte de energia mais limpa, contribuindo para o seu desenvolvimento tanto económico e sustentável. E será suficiente para converter em gás, metade da energia do Gana.

Este parque será iniciado a partir de dois dos quatro poços submarinos de águas profundas ligados ao navio flutuante de produção, armazenamento e descarregamento (FPSO), John Agyekum Kufuor. Sendo que se espera que a produção de petróleo e gás da OCTP atinja os 85 mil barris por dia.

“O OCTP alia criação de valor com sustentabilidade social e ambiental. O gás do OCTP irá contribuir para a estabilidade do Gana em termos de energia, que é um pré-requisito para o crescimento industrial e económico do país, e ao mesmo tempo auxilia nas questões de sustentabilidade”, referiu o CEO da ENI, Claudio Descalzi. In “Jornal da Economia do Mar” - Portugal

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Internacional - União Africana criou Observatório para abordar as migrações e o desenvolvimento

Os líderes da União Africana (UA) desenvolveram um Observatório sobre a migração e o desenvolvimento, na cimeira que terminou em Nouakchott, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino



O Observatório Africano para a Migração e o Desenvolvimento (OAMD), cuja "implementação foi proposta por Marrocos, será sediado em Rabat", afirmou o chefe da diplomacia marroquina, Nasser Bourita, durante uma conferência de imprensa em Nouakchott, à margem da cimeira de dois dias da UA.

"Os líderes africanos tomaram esta decisão e confiam a esta nova ferramenta, a missão de reunir as estratégias nacionais dos Estados africanos, bem como de melhorar a interacção com os seus parceiros" estrangeiros, acrescentou o próprio.

O ministro marroquino rejeitou a recente proposta da União Europeia (UE) de possibilitar aos migrantes o pedido de asilo na UE através de "plataformas regionais de desembarque" de pessoas resgatadas em águas internacionais, que os líderes dos 28 Estados-membro da UE visavam desenvolver fora do continente europeu.

"Marrocos rejeita categoricamente a ideia desta plataforma e considera-a inadequada. Trata-se de uma solução fácil que só pode ser contraproducente", disse Nasser Bourita.

O presidente da Comissão da UA, Moussa Faki Mahamat, garantiu na sua conta na rede social Twitter, no passado dia 01 de Julho, que o destino dos migrantes africanos nas fronteiras europeias é trágico e que "a recorrência a práticas intoleráveis contra essas pessoas na própria África" tem aumentado.

"Sob pena de perder todo o crédito moral nesta questão, a nossa união não pode praticar uma política de dois pesos e duas medidas, isto é condenar as violações flagrantes dos direitos dos migrantes africanos noutros lugares e praticar a política de avestruz enquanto factos semelhantes têm lugar no continente", acrescentou o próprio, sem especificar algum país.

O êxodo de centenas de milhares de africanos, principalmente para a Europa, não esteve na agenda oficial da cimeira da União Africana, que foi preenchida pelas questões de segurança, comércio e combate à corrupção. In “Novo Jornal” - Angola

sexta-feira, 15 de junho de 2018

África - Os embondeiros estão a secar

A árvore da vida ou o símbolo de África mais facilmente reconhecido em todo o mundo, o embondeiro, está a morrer um pouco por todo o continente, alguns ao fim de quase 3 mil anos, naquilo que pode ser um dos mais sérios avisos para o mal que a espécie humana está a fazer ao planeta



Os investigadores andam com a cabeça à roda para perceber o que está a matar a árvore da vida, havendo, apenas enquanto possibilidade, algumas teses e, entre estas, a seca aparece como uma das mais fortes, mas também outras relacionadas com as alterações climáticas, como a mudança de temperaturas, sejam cacimbos e épocas de chuva mais longos ou mais quentes, mais chuvosos ou mais frios... mas também pode ser de tristeza.

Dizem as sociedades mais antigas no continente que o embondeiro tem alma, está na origem do mundo e demonstram a sua tristeza pelo caminhar da humanidade, definhando, mas os cientistas acham que as causas são menos poéticas, são, na verdade consequência do comportamento da humanidade que não consegue travar a marcha da poluição provocada por sociedades e economias alicerçadas nos combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás ou o carvão.

Por exemplo, na África Austral, essas alterações são já evidentes há vários anos, com os fenómenos El Nino ou La Nina, que partem da descida ou subida da temperatura da água do mar no Oceano Pacífico, o que gera correntes de ar e no mar com severas consequências na pluviosidade, estando por detrás de uma das mais graves secas em décadas nesta sub-região do continente, com implicações importantes também em Angola, onde a ONU estima haver, no sul, mais de 700 mil pessoas a sofrer carências alimentares e de água devido a isso.

Por exemplo, na África Austral, essas alterações são já evidentes há vários anos, com os fenómenos El Nino ou La nina, que partem da descida ou subida da temperatura da água do mar no Oceano Pacífico, o que gera correntes de ar e no mar com severas consequências na pluviosidade, estando por detrás de uma das mais graves secas em décadas nesta sub-região do continente, com implicações importantes também em Angola, onde a ONU estima haver, no sul, mais de 700 mil pessoas a sofrer carências alimentares e de água devido a isso.

E a gravidade da situação é ainda salientada pelo facto de o embondeiro ter como uma das suas características mais conhecidas a capacidade de armazenar milhares de litros de água no interior do seu tronco, precisamente para fazer face a longos períodos de secura, própria das regiões áridas em que abundam.

O fenómeno da morte dos embondeiros foi descoberto mais ou menos por acaso, quando uma equipa de investigadores de uma universidade romena, Babes-Bolyai, liderada por Adrian Patrut, divulgou, na revista Nature Plants, um estudo de anos sobre estas árvores para compreender melhor a sua biologia e fisiologia, como é o caso do idiossincrático tronco oco, que evoluiu para servir de depósito de água, tão bem conhecido de algumas etnias africanas que nele encontram literalmente a fonte da sua vida.

Depois de seleccionarem mais de meia centena de exemplares, dos mais antigos que se conhecem, em países como a África do Sul, Namíbia, Botsuana, Zimbabué, Zâmbia ou Moçambique, e ao longo do estudo, a equipa percebeu que algumas destas árvores estavam a morrer, especialmente as mais antigas, constatando que alguns, pouco mais de uma dezena, com idades que vão dos 1 100 aos 2 500 anos, estão em vias de morrer ou já morreram.

A ideia de serem causas estruturais por detrás desta mortandade entre os embondeiros foi o facto de terem encontrado vários com os mesmos problemas, porque isso "não tem precedente estatístico", o que os impeliu a procurarem a causa comum, que é, para já, um mistério, apesar das suspeitas.

Entre as árvores da vida observadas para consolidar a ideia de um fenómeno alargado, estão alguns dos exemplares mais conhecidos e antigos do mundo, entre estes a árvore de Platland na África do Sul, cujo tronco tem dez metros de diâmetro, ou ainda o embondeiro Chapman, Botsuana, onde explorador britânico David Livingstone, no século XIX gravou as iniciais e o país classificou como património nacional.

O embondeiro é também em Angola uma árvore comum e alguns de imponente porte, sucedendo que, por vezes, surgem exemplares que parecem estar secos, mortos, o que não é forçosamente verdade, visto poder tratar-se de um dos mecanismos biológicos que o embondeiro, através do processo evolutivo, encontrou para lidar com a carência de chuva.

Mas esta equipa de investigadores aconselham os países austrais a tentarem perceber o estado de saúde das suas árvores da vida. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal”

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Internacional – Antiga presidente da Libéria recebe Prémio Ibrahim

A ex-presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf foi recentemente anunciada como a quinta vencedora do prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana, que esteve vários anos sem ser atribuído.

Ellen Johnson Sirleaf, presidente da Libéria durante dois mandatos, entre 2006 a 2017, foi distinguida pela liderança excecional e transformadora na recuperação da Libéria após muitos anos de guerra civil.

O presidente do Comité do Prémio, Salim Ahmed Salim, afirmou: "Ellen Johnson Sirleaf tomou o comando da Libéria após o país ter sido completamente destruído pela guerra civil e conduziu um processo de reconciliação concentrado na construção da unidade nacional e de fortes instituições democráticas. Ao longo de seus dois mandatos, ela trabalhou incansavelmente em nome do povo da Libéria".

Mesmo se foram cometidas algumas falhas nestes 12 anos, refere, o comité considera que a antiga chefe de Estado "lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor".

Desde 2006, a Libéria é o único país a melhorar em todas as categorias e subcategorias do Índice Ibrahim de Governança Africana, tendo subido dez lugares na classificação geral do Índice, para 28.º lugar em 58 países.

Todos os anos, são candidatos ao prémio ex-chefes de Estado ou de governo africanos que cessaram funções nos três últimos anos civis (neste caso, entre 2014 e 2016) após terem sido democraticamente eleitos e cumprido o seu mandato de acordo com a constituição do país.

O objetivo do Prémio Ibrahim visa distinguir líderes que, durante o seu mandato, ajudaram a desenvolver os seus países, fortalecendo a democracia e os direitos humanos e estimulando o desenvolvimento sustentável.

O prémio foi lançado em 2006, mas até agora só foi atribuído cinco vezes, duas das quais a antigos chefes de Estado lusófonos: Joaquim Chissano, de Moçambique, em 2007, e Pedro Pires, de Cabo Verde, em 2011.

Festus Mogae, do Botsuana (2008), e Hifikepunye Pohamba, da Namíbia (2014), foram os dois outros laureados, enquanto Nelson Mandela foi distinguido como vencedor honorário inaugural, em 2007.

No júri fazem parte Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Aïcha Diallo, ex-ministra da Educação da Guiné, Martti Ahttisaari, ex-presidente da Finlândia, Mohamed ElBaradei, antigo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson, Festus Mogae e Horst Köhler, ex-presidente da Alemanha.

Criado pela Fundação Mo Ibrahim, financiada pelo empresário sudanês com o mesmo nome, o prémio pretende oferecer segurança monetária a dirigentes africanos que abandonem o poder.

O valor do prémio, no valor total de cinco milhões de dólares norte-americanos (quatro milhões de euros no câmbio atual), é distribuído durante dez anos, período após o qual os vencedores passam a receber 200 mil dólares (163 mil euros) por ano. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

África e o quarto mar



África, era o nome de uma província romana, cuja sede era Cartago.

Talvez seja esta a primeira referência que se conhece a África, uma terra feita de gente extraordinária, de Santo Agostinho, Bispo de Hipona, no século IV, ao norte, até Nelson Mandela, ao sul, no século XXI.

Gente como o escritor Wole Soyinka, na Nigéria, Albert Camus na Argélia, ou Amílcar Cabral na Guiné Cabo Verde.

Para além de alguns mares regionais, que existem graças a excentricidades geográficas, África encontra-se banhada por três mares: o Mediterrâneo, o Atlântico e o Índico.

O Mediterrâneo ao norte é culto, o Atlântico, a ocidente é prático e lógico, o Índico a oriente, é místico e cerimonial.

É claro, que a expressão, culto, tem a ver com a eterna visão egoísta e pretensiosa, quando não sobranceira, que nós europeus, mesmo quando nascidos em África, como é o meu caso, temos do mundo.

Muito provavelmente o Homem terá nascido em África, na região central oriental, há cerca de dois milhões e meio de anos, e daqui com uma origem única e comum, espalhou-se por toda a Terra.

Contudo, apesar de ter sido o berço da humanidade, África é particularmente marcada pelas sucessivas chegadas de forasteiros ao continente, e pela forma como eles utilizaram os três mares para o fazer.

Do Mediterrâneo chegou um mundo antigo, a civilização grego romana, depois reformulada na civilização judaico-cristã, com a solidez e estabilidade de tudo aquilo que é do centro, ou médio, como foi a Idade Média, caracterizada esta por um gradual mas lento ocaso da luminosidade mediterrânica, para um gradual crescimento da luz brumosa do Atlântico.

Mas este estado de coisas foi abruptamente interrompido, quando na transição do século XV para XVI, portugueses e espanhóis, enfrentaram o grande oceano, e atravessaram-no sem quaisquer referências de costa. O mundo ia deslocar-se do Mediterrâneo para o Atlântico, da Idade Média para a Moderna, do velho para o novo.

A epopeia atlântica dos descobrimentos, molda toda a vida de África ocidental. Africanos e europeus encontram-se e conhecem-se pela primeira vez, um acontecimento de enorme importância, e muito diferente do que vinha a acontecer na bordadura mais ou menos extensa do Mediterrâneo, onde europeus, árabes e africanos, contactavam desde há muito tempo, e iam aprofundando esse contacto de forma gradual, à medida que mercadores árabes se embrenhavam no interior do continente.

Os portugueses de quinhentos desceram o Atlântico africano em duas navegações distintas. Uma próximo da costa, feita no célebre bombordo, destinada a ir registando a sua passagem, assinalando terras com marcos, com as quais iriam construir o império, e outra pelo grande mar fora, destinada a apanhar os ventos propícios que lhes permitisse dobrar o extremo meridional do continente, ultrapassar o Cabo da Boa Esperança, entrar no Índico e chegar à Índia.

Quando finalmente dobrámos o Cabo em 1488, deixámos para trás o Atlântico e entramos no Índico, tudo se alterou.

Na costa oriental de África, os portugueses depararam-se com uma civilização antiga, feita de camadas sobrepostas, por sucessivas presenças, em tempo e espaço.

À medida que se adentrava o Indico, e que se encontravam as gentes e os costumes locais, o tempo cristalizava, preso ao mormaço dos golfões.

Na Índia, o panteão dos deuses era inesgotável, e fazia realçar a menoridade dos nossos patriarcas bíblicos, quando comparados com a vetustez das divindades hindus.

No momento em que começaram a conversar sobre religião, os cristãos descobriram que o seu Deus feito Homem, tinha pouco mais do que mil anos, e foram apresentados a deuses que tinham a idade suficiente para se julgarem pais dos Himalaias.

A China era tão velha, que já estava ali quando todos os outros chegaram. Se lhe chamavam o império do meio, era porque se calhar havia outro tanto para o lado de lá. E o seu interior ficava inacessível por uma grande muralha.

Depois, quanto mais navegavam rumo ao sol nascente, mais envelheciam, porque rumar ao oriente era subir o curso da história.

Ao regressassem a casa iam poder falar de coisas que ali, ainda estavam por acontecer.

Toda esta civilização de civilizações, tinha vindo sem pressas tocar a costa oriental de África, embalados pela brisa suave que enfunava as velas dos dhows, comerciar de tudo. Aprender tudo e ensinar tudo.

Esta imensa sabedoria, ainda hoje pode ser observada no contraste da alvenaria branca do casario da Ilha de Moçambique, com a esmeralda liquida  do mar envolvente.

Quando Vasco da Gama aqui chegou em 1498, encontrou uma população suáli, de onde vêm as mulheres mais bonitas de África, numa mistura de árabes e negros, governada por um xeque vassalo do Sultão de Zanzibar, nómadas marítimos, que viajavam por entre o Mar Vermelho, a Pérsia, a Índia, até às primeiras espumas do Pacífico.

Rodeada dos seus três mares, África constitui uma unidade cultural coerente, nomeadamente quanto à tão desejada diversidade.

África, são estes três mares. E um outro, um quarto mar, imenso e interior, feito de terras sem mar algum, o que constitui um obstáculo mais ao desenvolvimento do continente.

Numa altura em que o mundo vai voltar a ser dividido entre as nações, agora na base não da força mas do direito, por pessoas qualificadas, com conhecimentos jurídicos, científicos, técnicos e políticos, para o cálculo e a atribuição das plataformas continentais, ou seja de mar, penso que era um gesto digno e altruísta, mesmo que provavelmente de difícil execução e desprovido de resultados práticos, identificar e registar áreas marítimas, no grande mar ainda devoluto das águas internacionais, que pudessem ser atribuídas a todos os povos cujas agruras e injustiças históricas privaram de mar. Artur M Pires – Portugal in “Jornal da Economia do Mar”

sábado, 18 de novembro de 2017

PALOP - Cinema africano pode aumentar integração entre falantes de português

Especialista crê que ampliar diálogo fará deixar de existir a pergunta “existe cinema africano?”, que ouviu durante a pesquisa

Entre o passado colonial e a independência revolucionária, do começo de uma nova democracia até um presente cheio de incertezas individuais, o cinema dos chamados Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop) retrata uma realidade conhecida por poucos.

Um estudo realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP analisou uma extensa lista de filmes produzidos nos países lusófonos da África. Para aproximar os brasileiros das nações que compartilham o português como língua oficial, a pesquisadora Marina Oliveira Félix de Mello Chaves catalogou um conjunto de mais de 50 filmes que retratam passado e presente de países como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Ao analisar o mosaico de histórias produzidas em filme, a pesquisadora traduziu elementos que considerou significativos sobre a atual identidade destas nações.



Com a meta maior de construir um acervo que pudesse ser facilmente acessado, Marina questiona a incredulidade com a qual o tema de sua dissertação ainda é visto pelo público geral. Indagada se “existe cinema africano” durante sua pesquisa, a especialista acredita que é preciso ampliar o diálogo para que essa pergunta deixe de existir.

Para ela, é preciso que o cinema produzido na África deixe de ser considerado um nicho. “Cinema africano não tem que ser nomeado somente como africano, ele tem que ser considerado cinema”, afirma ao reforçar que, na sua opinião, temos que inverter um pouco essa relação de que o cinema africano foi resultado apenas de influências externas. “Eles têm sua carga própria e uma força narrativa que pode enriquecer muito os outros”, reforça, ao finalizar com a crença de que assistir mais filmes como os que analisou pode nos ajudar “a mudar o nosso olhar”, reforçando que, apesar de separados por um oceano, não estamos tão distantes.

Um acervo de novos significados

De acordo com o trabalho, no período colonial, o cinema representava um instrumento de propaganda do regime português. Já durante a luta pela independência, o cinema foi usado como uma arma dos movimentos nacionalistas. Nos anos iniciais das novas nações independentes, as produções fortaleceram os interesses dos novos governos. Depois da década de 1990, com a abertura política e o multipartidarismo, começaram a se desenvolver diversos e variados tipos de cinema relacionados com estes cinco países (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), “alguns mais críticos, outros mais voltados ao entretenimento”, destaca ela na dissertação.

Para adquirir os filmes, Marina realizou um verdadeiro trabalho de investigação. Poucos puderam ser comprados em sítios nacionais, alguns foram encontrados em lojas on-line fora do País, mas a grande maioria precisou ser negociada com distribuidoras internacionais e com os próprios realizadores.



Foi assistindo à extensa filmografia que Marina começou a notar similaridades entre filmes portugueses e filmes feitos em Moçambique, por exemplo. Tanto nas temáticas ou em relação às escolhas estéticas, “de repente, eu encontrava conexões inesperadas”, salienta Marina.

Além de enumerar e catalogar o acervo, a pesquisadora tinha como objetivo saber quem era o público desses filmes e como seria possível expandi-lo, até mesmo, por meio de sua própria dissertação. “Eu pensei em formas de apresentar esse cinema como se fosse um guia turístico, uma viagem rápida que pudesse mostrar alguns pontos”, esclarece ela.

Entre as curiosidades do trabalho, Marina se surpreendeu ao enxergar paralelos do cinema africano com cineastas brasileiros como Glauber Rocha ou franceses como Jean-Luc Godard. Não por acaso, revela ela, após a independência, Moçambique criou um instituto de fomento conhecido como Instituto Nacional de Cinema. “Esse instituto reunia todos os profissionais envolvidos na realização de filmes. Cineastas como o próprio Godard e o diretor Rui Guerra foram chamados para dar treinamento aos profissionais locais”, conta ela. “Depois, com o declínio desse projeto [de governo], esse instituto foi cada vez mais abandonado”, conclui.

Percurso

Com formação em Publicidade e Letras, Marina começou a se interessar pelo cinema realizado na África durante a segunda graduação. Por meio de uma iniciação científica, orientada pela professora Fabiana Buitor Carelli, especializada em Estudos Comparados de Literaturas em Língua Portuguesa, Marina começou um catálogo de filmes produzidos em língua portuguesa na África, que desembocou anos depois em um ambicioso projeto de mestrado. A orientadora, que pesquisa o cinema africano há quase 10 anos, é a responsável pelo projeto de Marina. Um grupo de estudiosos sobre o tema tem se formado ao redor da área.

“Parti da iniciação científica, com todo aquele material que coletei, e percebi imediatamente a dificuldade de como organizar e catalogar aqueles filmes para montar um acervo”, relembra Marina. Nas últimas décadas, explica ela, os países africanos passaram por transformações políticas bastante intensas, das quais o cinema foi um importante participante.

“Meu intuito inicial foi discutir sobre os critérios de inclusão ou exclusão de uma cinematografia. Isso acarretaria uma discussão sobre a formação de um cânone [coletânea]”, revela Marina, ao destacar que, aos poucos, percebeu que seria impossível estabelecer critérios fechados antes de falar sobre os filmes propriamente ditos. No decorrer da dissertação, a especialista notou que os elementos que gostaria de pontuar precisavam ser pincelados em uma longa apresentação sobre os vários filmes que reuniu, por meio de diversas fontes.



Um dos primeiros pontos que deixou claros durante seu trabalho foi a necessidade de não segregar geograficamente a produção cinematográfica de cada país. “Não existe apenas o cinema de Angola, cinema de Moçambique, cinema de Cabo Verde”, ressalta ela. “Deparei-me com um volume muito grande de filmes e tentei encaminhá-los para subconjuntos”, conta a pesquisadora. Sua metodologia envolveu separar cada capítulo, que conta com uma lista específica de filmes, em uma fase cronológica comum a esses países. “O primeiro é voltado para filmes anteriores à independência desses países; o segundo são os filmes revolucionários, que estão no centro da luta pela independência; e o terceiro são os filmes que começam no declínio desse projeto”, diz ela, esclarecendo que os filmes contemporâneos não são mais financiados pelo Estado, e sim por patrocinadores, com apoio de países estrangeiros em coproduções, o que permitiu, apenas para esse segmento da dissertação, organizá-los por temática. Denis Pacheco – Brasil in "Jornal da Universidade de São Paulo"

Mais informações: correio eletrónico marina.felix@usp.br