O guitarrista português Nuno Bettencourt foi um dos vencedores da noite dos prémios Grammy, que decorreu em Los Angeles, ao ser distinguido na categoria de Melhor Atuação Rock pela participação em “Changes (Live from Villa Park)”
A gravação premiada da canção clássica
dos Black Sabbath foi feita em julho de 2025, no Reino Unido, durante o
concerto de despedida do cantor britânico Ozzy Osbourne. Bettencourt tocou com
o cantor Yungblud, o baixista Frank Bello, o teclista Adam Wakeman e o
baterista II.
Os vencedores subiram ao palco dos Grammy juntamente com
Sharon Osbourne, viúva de Ozzy Osbourne, que estava visivelmente emocionada com
a vitória. Yungblud fez o discurso de aceitação e Nuno Bettencourt falou mais
tarde aos jornalistas, na sala de entrevistas aos vencedores.
O português nascido na Ilha Terceira, Açores, falou da ascensão da Inteligência Artificial e disse aos músicos aspirantes que não se preocupem com isso, porque nada pode substituir a magia das atuações ao vivo.
"Esta é a maior oportunidade para os rockers e para
o rock'n'roll", afirmou. "A música verdadeira e as canções
verdadeiras são histórias reais que te tocam, há sangue na partitura,
colocas-te nessa partitura e ninguém vai reproduzir isso", continuou.
"A imperfeição é a essência do rock'n'roll. Toda a
gente tenta disfarçar as imperfeições, mas é aí que reside a essência",
disse. "E, se conseguires fazer isso em palco, que é onde o rock'n'roll
realmente acontece, a IA não se vai meter contigo", acrescentou.
Minutos antes, Yungblud tinha usado o discurso de vitória
para agradecer a Ozzy Osbourne, que morreu apenas duas semanas depois do
concerto "Back to the Beginning", onde a versão premiada de
"Changes" foi gravada.
"Crescer a adorar um ídolo que ajudou a encontrar a
nossa identidade, não apenas como artista mas também como homem, é algo pelo
qual estou muito grato", disse o cantor. "Mas, depois, formar uma
relação com ele e honrá-lo no seu último espetáculo, é algo estranho de
compreender".
Yungblud prometeu que "a música rock está de
volta" e disse que "seis gerações de músicos rock" se juntaram
para fazer acontecer a performance em Villa Park, Birmingham.
Nuno Bettencourt, guitarrista da banda Extreme e CEO da
Atlantis Entertainment, era um de dois portugueses nomeados para a 68ª edição
dos Grammy.
O outro era Bráulio Amado, designer e ilustrador, que foi
nomeado na categoria de Melhor 'Recording Package'" pelo trabalho gráfico
do álbum "Balloonerism", de Mac Miller, desenvolvido com o artista
norte-americano Alim Smith.
O Grammy acabou por ser entregue a
Meghan Foley e Michelle Holme, diretores de arte de "Tracks II: The Lost
Albums", de Bruce Springsteen. Tiago David – “Agência Lusa”
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