Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Internacional - Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto querem tornar o trigo mais sustentável e saudável

Um cereal fundamental, mas, ao mesmo tempo, visto como um “vilão” por provocar alterações menos desejáveis no nosso organismo, como alergias e intolerâncias alimentares. Em causa está a composição do trigo, que poderá ser modulada pela microbiota, conjunto de microrganismos do solo e da planta. Do solo ao prato, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), uma equipa de investigadores está a trabalhar no estudo da microbiota do trigo para chegar a um novo alimento à base da fermentação daquele cereal, que conjugue saúde e sabor na mesma receita.

Para isso, vão primeiro estudar, no âmbito do projeto europeu «Wheatbiome», a microbiota do trigo, no solo e na planta para perceber como é que ela afeta a sua imunogenicidade (capacidade de desencadear uma resposta imunitária no organismo) e também a qualidade nutricional deste cereal.

“As expressões de proteínas numa planta, que vão causar mais ou menos imunogenicidade, vão depender da cultura e da variedade de trigo e também de onde é produzido”, explica Rosa Perez-Gregório, investigadora do REQUIMTE (Rede de Química e Tecnologia) na FCUP e cocoordenadora do projeto. E exemplifica: “A mesma variedade de trigo produzida em locais diferentes (em Portugal e na Holanda, por exemplo) pode ter indicadores de qualidade nutricional e quantidade de proteína imunogénica diferentes. O que queremos avaliar é como a microbiota e a interação da microbiota do solo e da planta poderá modular este processo”.

“Com base nesse conhecimento, e uma vez caracterizada a microbiota do trigo, podemos utilizar a microbiota da planta inteira ou partes dela para criar um novo alimento”, continua Susana Soares, docente da FCUP e investigadora do REQUIMTE também à frente da investigação no «Wheatbiome».


Os três S do trigo: saúde, sabor e sustentabilidade

Rosa e Susana juntaram-se neste projeto para potenciar uma tríade de “s’s” no trigo: saúde, área de Rosa, sabor, a de Susana e sustentabilidade. As linhas de trabalho da Rosa e da Susana, que trabalham no Departamento de Química e Bioquímica, são complementares com o conhecimento dos investigadores e docentes da FCUP e GreenUPorto, Ruth Pereira, em edafologia e química agrícola; Susana Carvalho, em fisiologia e nutrição vegetal; e Luís Cunha, em ciências do consumo e nutrição humana.

“O trigo é uma das culturas mais sustentáveis que existe, pois consome poucos recursos hídricos e energéticos, mas podemos torná-lo ainda mais sustentável”, conta Rosa Perez-Gregório.

 Um dos objetivos deste projeto é usar a microbiota também para regular as práticas agrícolas e fazer chegar esse conhecimento aos agricultores e outros atores envolvidos na cadeia de produção do trigo. “Se soubermos quais são as melhores condições bióticas e abióticas que afetam a microbiota e a qualidade do trigo, podemos tentar que o trigo seja cultivado noutros países da Europa, o que ajuda a reduzir a dependência da Ucrânia fomentando a agricultura local e mais sustentável”, defende a investigadora da FCUP.

A sustentabilidade está também presente na componente de economia circular do projeto, com a reintrodução do subproduto do novo alimento na cadeia alimentar como ração para animais.

Ensaios in vitro e in vivo

Dos estudos in vitro para compreender, analisar e estudar a microbiota e perceber quais as melhores condições de cultivo e as melhores variedades a apostar, haverá uma pré-seleção dos produtos que passam à fase in vivo. Para além do solo e da planta, a microbiota humana também vai ser estudada. “Queremos ver como as bactérias que estão dentro desse alimento interagem com o nosso organismo e com a nossa própria microbiota”, detalha Rosa Perez-Gregorio.

Para além de um estudo clínico, haverá ainda a componente sensorial, pois “queremos que este novo produto também seja agradável para o consumidor”, explica Susana Soares. Os testes serão também feitos ao nível da ração para animais, que se traduzirá numa análise à qualidade da carne e dos ovos. 

Para além do REQUIMTE (Rede de Química e Tecnologia) na FCUP e do GreenUPorto, fazem ainda parte do projeto «Wheatbiome» a NOVA Medical School e 13 entidades de outros países da Europa incluindo Espanha, Lituânia, Holanda, Polónia e Hungria.

No final dos quatro anos de projeto, a equipa deste consórcio internacional financiado em mais de 5 milhões de euros pela Comissão Europeia, quer chegar a um novo alimento com baixo teor de imunogenicidade e elevado teor nutricional. Até lá é colocar as mãos… na massa. Universidade do Porto



 

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Angola – Arrancou em Benguela a construção de fábrica que vai transformar farinha de trigo

As operações de uma fábrica com capacidade de transformar duas mil toneladas de trigo em farinha por dia, tendo em vista a produção de pão, massas alimentícias e biscoitos, arrancaram nesta sexta-feira, no parque industrial do grupo Leonor Carrinho e Filhos Lda, que prevê gerar até mil postos de trabalho em Benguela



O início da operação da unidade fabril, integrada por duas moagens de trigo, acontece num momento em que a empresa descarrega 34 mil toneladas de trigo a granel importadas através do navio Kavkaz-I de bandeira russa, de 185.6 metros de comprimento e 11.7 de largura, que atracou quinta-feira no Porto do Lobito.

Em declarações à imprensa, o administrador executivo para Finanças do grupo Leonor Carrinho, Samuel Candundo, garante estarem prontas as moagens de trigo para a produção da farinha, tendo em conta a demanda do mercado nacional e, ainda, o abastecimento da cadeia de produção na referida unidade fabril.

Segundo o executivo, o facto de a unidade começar a produzir farinha de trigo em suas moagens indica que haverá demanda da produção do trigo no país, à semelhança do que já acontece com o milho e o açúcar. "Subimos a nossa agregação de valores acima de 60 a 70 porcento", disse o gestor financeiro da Leonor Carrinho.

Relativamente às 34 mil toneladas de trigo encomendadas, o gestor prevê que esta quantidade dure apenas pouco menos de 30 dias, na medida em que a produção tem em média um consumo de 1300 toneladas por dia.

Desde 2012, quando a empresa saiu do seu "core business", o catering (distribuição de alimentação), também iniciou a aposta na transformação industrial na zona da Taka, no município de Benguela, através de um parque industrial que concentra 14 fábricas destinadas à transformação de 18 produtos diferentes, entre eles a farinha, óleo alimentar de soja, de palma e de girassol, massas alimentícias, arroz embalado, massa de tomate, biscoitos, margarina, sabão, leite condensado, vinagre, maioneses e ketchup.

Porém, Samuel Candundo destacou a presença hoje no mercado da massa alimentícia da marca "Tio Lucas", embalada no parque industrial da empresa, como exemplo do modelo de diversificação que a Leonor Carrinho segue e que, a seu ver, agrega valor à produção nacional. "Na empresa, 100 porcento do produto que vendemos é feito em Angola", anota.

Com isso, a empresa entrou neste momento em seu segundo plano estratégico, numa visão de "integração invertida", e pretende que o trigo e o milho como matéria-prima sejam produzidos no país, num futuro muito curto, reduzindo custos com as importações, como explica.

Aos industriais do país, Samuel lança o repto para que façam projectos concretos e realistas, visto o processo industrial ser complexo. Levando a água ao seu moinho, o administrador financeiro da Leonor Carrinho diz estar em curso estudos, envolvendo especialistas no sector da agricultura, que vão ajudar a perceber e ver quais as localidades onde determinadas sementes e culturas se dão bem.

No que às capacidades instaladas no parque industrial diz respeito, a fonte recusou-se a avançar números, considerando que estas informações estão reservadas para o acto de inauguração do empreendimento, previsto para o dia 29 deste mês. "A expectativa da empresa é de que os angolanos verão que merecem muito mais do que aquilo que estavam a receber", exprimiu.

Apesar da capacidade existente, o responsável admite que ainda não chega para cobrir todo o mercado "Angola de hoje já não é de 21 milhões de habitantes, como antes. Mas sim de 30 milhões aproximadamente", observa. E defende o surgimento de outras fábricas como esta para atender às necessidades alimentares das famílias angolanas que tanto dependem destes produtos.

A empresa já prepara o lançamento, nos próximos dias, de um segundo plano virado para a região Norte do país e que, para o administrador executivo da Leonor Carrinho, vai aumentar ainda mais a capacidade no sentido de dinamizar a produção nacional.

Projecto vai gerar quase mil empregos em Benguela

De momento, a zona industrial instalada em Benguela já está com mais de 500 postos de trabalho criados, especialmente ocupados por jovens recrutados em universidades nacionais, como dez engenheiros mecânicos formados pela Universidade Mandume ya Ndemufayo, e outros provenientes de institutos superiores ou médios politécnicos de Benguela.

"O parque é um grande impulso à empregabilidade da juventude e dos cidadãos angolanos, em geral", exalta o responsável, adiantando que estão projectados num mesmo espaço industrial multifacetado 900 postos de trabalho. Desde já, arranca dentro de dias a segunda fase - a refinação de óleo vegetal, sabão e processamento de carnes, que vai empregar os outros 400 empregos.

Como a formação desempenha um papel estratégico na operacionalização do parque industrial, também anunciou para dentro de dias a inauguração de uma academia para potenciar os jovens angolanos para que sejam a força motriz dessa grande transformação industrial que está a nascer em Benguela.

Samuel Candundo destacou o facto de pertencer a um projecto genuinamente angolano. "Pensado, desenhado e executado por quadros angolanos da empresa", assevera, justificando que o recurso ao estrangeiro, nomeadamente técnicos turcos, que trabalharam na montagem das diferentes fábricas, deveu-se apenas à necessidade de ir buscar o conhecimento que faltava. In “Novo Jornal” – Angola com “Angop”

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Moçambique - Nova fábrica de moagem de trigo abre brevemente em Nacala

A oferta de farinha de trigo na zona norte do país pode registar melhorias nos próximos tempos com a entrada em funcionamento de uma nova unidade de moagem deste cereal na cidade portuária de Nacala, província de Nampula.

Pertencente à Merec Industries Mozambique, SA, o empreendimento tem capacidade para processar 250 toneladas de trigo por dia, num investimento orçado em 33 milhões de dólares-americanos, esperando-se que comece a laborar em breve.

Esta informação foi prestada ao ministro da Indústria e Comércio, Max Tonela, que semana passada visitou a província de Nampula a fim de avaliar a implementação do Plano Quinquenal do Governo (PQG) e do Plano Económico e Social (PES) no seu pelouro.

O director-geral da Merec, Gilberto Cossa, disse que a fábrica irá gerar dezenas de postos de trabalho, a serem ocupados maioritariamente por moçambicanos.

“Esta unidade industrial entra em funcionamento muito brevemente. Já fizemos os testes e em duas ou três semanas arrancamos em pleno”, disse Gilberto Cossa.

“A Merec Industries Mozambique, SA irá privilegiar o abastecimento do mercado local, podendo exportar caso haja excedentes”, disse o gestor, que garantiu que o fornecimento de água e electricidade está acautelado em resultado de acordos assinados com a Electricidade de Moçambique e com o Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG).

Referindo tratar-se de uma indústria que usa tecnologia de ponta, Cossa assegurou que, em termos de mão-de-obra, um grupo de nacionais está a ser treinado pela empresa fornecedora do equipamento de modo a garantir-se o funcionamento pleno da fábrica.

O director nacional da Indústria, Mateus Matusse, disse na ocasião que a nova unidade de farinação de trigo vai ao encontro da filosofia da Política de Estratégia Industrial (PEI).

“Parte dos objectivos da estratégia industrial tem a ver com o aumento da produtividade, significando que temos de aumentar a produção industrial”, disse Mateus Matusse, para quem com a entrada em funcionamento da nova unidade a capacidade do país de produção no ramo alimentar, sobretudo na farinação do trigo, vai aumentar.

Segundo Matusse, a nova unidade industrial, instalada numa zona especial, irá contribuir para o aumento do emprego e para a redução de importações de produtos, poupando-se divisas.

Sendo também um dos objectivos da Política de Estratégia Industrial promover ligações empresariais, “é esperança da Direcção Nacional de Indústria que esta nova unidade industrial jogue um papel nesse sentido”, defendeu Mateus Matusse. In “Jornal de Notícias” - Moçambique