Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Estados Unidos da América - Descoberta nova espécie de artrópode, preservada em pirite de ferro

Uma equipa de investigadores descobriu uma nova espécie de artrópode, parente das atuais aranhas ou escorpiões, que data de há 450 milhões de anos e foi perfeitamente preservado num material semelhante a ouro no Estado de Nova Iorque


Este tipo de conservação deve-se ao material em que foi encontrada, a pirite de ferro, também conhecida como 'ouro dos parvos', que estava a "preencher" ou a ocupar as diferentes partes do corpo do animal morto e preso num sedimento ao ponto de dar a sensação de que estava embalsamado em ouro.

O fóssil foi encontrado num local no Estado de Nova Iorque conhecido como 'Beecher Trilobite Bed', no qual existe uma grande representação de organismos fósseis em perfeitas condições porque a pirita de ferro manteve a forma dos seus corpos após serem enterrados no sedimento, dando origem a espetaculares fósseis dourados tridimensionais.

A descoberta foi descrita na terça-feira na revista Current Biology, onde a nova espécie é denominada 'Lomankus edgecombei', em homenagem a Greg Edgecombe, paleontólogo do Museu de História Natural de Londres considerado um dos maiores especialistas mundiais em artrópodes.

"Para além da bela e marcante cor dourada, estes fósseis estão espetacularmente preservados, parece que ao lavar a rocha em que estão ganhariam vida e fugiriam", sublinhou um dos autores, Luke Parry, investigador da Universidade Britânica de Oxford.

O novo fóssil pertence a um grupo de artrópodes denominados 'megacheirans', que se caracterizam por possuírem uma grande perna ou apêndice na parte frontal do corpo para capturar as suas presas.

Os investigadores sublinham que os 'megacheirans' como Lomankus eram muito diversos durante o Câmbrico (entre há 538 e 485 milhões de anos), mas foram extintos no período Ordovícico (entre há 485 e 443 milhões de anos).

O fóssil oferece pistas valiosas para compreender melhor como os artrópodes desenvolveram estes apêndices frontais para controlar o seu ambiente e capturar presas, até se tornarem naquilo que hoje conhecemos como antenas de insetos e crustáceos, e pinças e presas de aranhas e escorpiões.

"Hoje em dia, existem mais espécies de artrópodes do que qualquer outro grupo de animais na Terra, e parte da chave para este sucesso evolutivo é a sua cabeça e apêndices altamente adaptáveis", acrescentou Parry.

Enquanto outros megacheirans usavam o seu primeiro apêndice de grandes dimensões para capturar presas, nos Lomankus as garras típicas são muito mais pequenas.

Isto sugere que o animal utilizou o seu apêndice frontal para perceber o seu entorno, em vez de capturar presas, pelo que o seu estilo de vida teria sido muito diferente do dos seus parentes mais velhos do período Cambriano.

Na verdade, o fóssil parece não ter olhos, pelo que o apêndice frontal terá sido essencial para a procura de alimento no ambiente escuro e com baixo teor de oxigénio em que vivia. Agência Lusa



quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Portugal - Descoberto fóssil raro de planta primitiva extinta na região do Bussaco

Pedro Correia, especialista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) descobriu um fóssil de uma planta primitiva que existiu na região do Bussaco há cerca de 300 milhões de anos. O investigador do Centro de Geociências do Departamento de Ciências da Terra (DCT) encontrou um estróbilo fóssil de um novo género e nova espécie de planta articulada extinta - Bussacoconus zeliapereirae gen. et sp. nov. (Sphenophyllales, Polypodiopsida).


A descoberta está descrita no artigo científico “The evolutionary macromorphological novelties of Bussacoconus zeliapereirae gen. et sp. nov. (Sphenophyllales, Polypodiopsida) from the Upper Pennsylvanian of Portugal” publicado no jornal internacional Historical Biology.

Este estudo, liderado por Pedro Correia e realizado em colaboração com Artur Sá, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), permite saber como estas plantas primitivas evoluíram e se adaptaram em ambientes tropicais em mudança durante o final de uma glaciação, no fim do Período Carbonífero, há 300 milhões de anos.

As Sphenophyllales são uma ordem extinta de plantas terrestres articuladas e um grupo irmão das atuais cavalinhas da ordem Equisetales. Estas plantas primitivas eram relativamente pequenas (inferiores a um metro de altura) e produtoras de esporos que existiram durante o Devónico até ao Triássico. A classificação das esfenofilídeas baseia-se principalmente nos seus órgãos vegetativos e reprodutivos (caules, folhas e estróbilos).

«É uma descoberta espetacular, porque este tipo de frutificações de Sphenophyllales são raras no registo fóssil, o qual é muito fragmentado e pouco se conhece sobre a sua verdadeira diversidade taxonómica», revela Pedro Correia, especialista em paleobotânica.

«Os seus esporangióforos secundários e esporângios estão notavelmente bem preservados na matriz rochosa em diferentes ângulos, o que nos permitiu descrever um conjunto de caracteres diagnósticos essenciais para uma comparação próxima com outros estróbilos do mesmo grupo», esclarece o investigador, acrescentando que esta é uma descoberta cientificamente muito relevante que se vem juntar à de uma nova espécie de barata primitiva e outra nova espécie de gimnospérmica, encontradas no mesmo afloramento e recentemente publicadas.

«Estas novas descobertas científicas revelam o quanto ainda há para conhecer acerca das dinâmicas da evolução da biodiversidade no Carbonífero terminal, período desafiante da história da vida na Terra. O afloramento onde estes fósseis foram recolhidos constitui um novo Sítio de Interesse Geológico em Portugal, sendo que a relevância dos achados paleontológicos recentes lhe confere um valor científico internacional», afirma Artur Sá, coautor do artigo.

As floras do Carbonífero do Bussaco viveram em condições ambientais e climáticas confinadas a uma região intramontanhosa, na qual sistemas fluviais funcionaram como mecanismos de transporte de muitos restos vegetais e de sedimentos erodidos de rochas circundantes. A combinação de um ambiente intramontanhoso e clima restritivos favoreceu um endemismo local, razão pela qual os cientistas têm descoberto fósseis de várias novas espécies de flora e fauna com características endémicas neste tipo de ambientes.

«Estes géneros de ocorrências demonstram por que o registo fóssil terreste necessita de verdadeira criatividade e compreensão da ecologia, bem como da geologia, para ser interpretado», conclui o investigador Pedro Correia.

A nova espécie é dedicada a Zélia Pereira, especialista em Palinologia, do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG). Universidade de Coimbra - Portugal


 

terça-feira, 23 de julho de 2024

Brasil - Fóssil de dinossauro de 230 milhões de anos encontrado após chuvas no Rio Grande do Sul

As chuvas intensas que causaram inundações históricas no sul do Brasil revelaram um fóssil de dinossauro de cerca de 230 milhões de anos “quase completo” e com “uma preservação muito boa”, afirmaram os cientistas.


O fóssil foi descoberto em Maio no município de São João do Polesine, no Rio Grande do Sul, num importante sítio paleontológico do Triássico. Este período entre 250 e 200 milhões de anos atrás é anterior ao Jurássico, que foi popularizado pela saga de Hollywood “Jurassic Park”.

Após quatro dias de escavações, uma equipa de paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) conseguiu recuperar e transportar o bloco de rochas com o esqueleto fossilizado. De acordo com as primeiras observações, trata-se de um indivíduo com cerca de 2,5 metros de comprimento da família Herrerasauridae, predadores carnívoros que habitaram os actuais pampas da Argentina e do Brasil.

“Esse material é interessante porque, além de estar entre os dinossauros mais antigos do mundo, está quase completo e tem uma preservação muito boa. Então vai trazer-nos muita informação a respeito da anatomia desses dinossauros”, explicou à AFP Rodrigo Temp Müller, que liderou as escavações.

Segundo o especialista, este é possivelmente o segundo exemplar mais completo de um Herrerasauridae encontrado até agora. O primeiro foi descoberto em 2014 nesta mesma região e revelou-se uma espécie até então desconhecida, que recebeu o nome de Gnathovorax cabreirai.

Contudo, é necessário realizar testes para determinar se os fósseis correspondem a outro indivíduo desta espécie ou a uma nova, de acordo com Temp Müller.

O trabalho no laboratório para extrair os ossos e preservá-los pode levar “alguns meses”, visto que é um processo “bem minucioso, quase cirúrgico”.

“Cada partezinha que a gente possa vir a estragar vai ser uma informação que talvez jamais possamos recuperar”, acrescentou.

Uma vez retirados, os ossos serão objecto de análises de anatomia comparada e outros estudos. Os dados são processados com programas de computador que mostram o grau de parentesco do animal e outras informações que ajudarão a “entender um pouco mais da evolução do grupo”.

Posteriormente os resultados serão divulgados em publicações científicas.

O actual pampa gaúcho, na fronteira com o Uruguai e a Argentina, abriga centenas de sítios paleontológicos, visíveis sobretudo pelo seu solo avermelhado, que ajudam a compreender o remoto período Triássico. As intensas chuvas que atingiram esta região no centro do Rio Grande do Sul em Maio provocaram inundações históricas que deixaram mais de 180 mortos, milhares de desabrigados e danos materiais incalculáveis.

Desta vez as precipitações foram aliadas, mas também inimigas das descobertas destes fósseis de dinossauros. O excesso das chuvas de Maio “acelera muito esse processo erosivo nos sítios”, o que levou à descoberta do novo Herrerasauridae.

Mas este volume muito acima do tradicional “também destrói muito o material”, sobretudo as partes menores, caso não sejam resgatadas rapidamente, explica Temp Müller.

Por isso, equipas do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colónia (Cappa) da UFSM foram ao local para monitorizar os sítios em busca de fragmentos expostos, e trabalham arduamente nas escavações para recuperá-los. Além do esqueleto quase completo do dinossauro, outros fósseis também foram resgatados nos municípios de Faxinal do Soturno, Agudo, Dona Francisca e Paraíso do Sul nos últimos meses. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências internacionais”


segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Internacional - Investigador da Universidade de Coimbra descobre fóssil de nova espécie de conífera

Um investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) descobriu uma nova espécie de conífera atribuível à família Cheirolepidiaceae. A nova espécie Pseudofrenelopsis zlatkoi foi identificada em flora do Cretácico Inferior do Juncal, no distrito de Leiria, tendo sido dedicada a Zlatko Kvaček, antigo professor da Universidade de Charles, Praga, República Checa.


De acordo com Mário Miguel Mendes, investigador do MARE/UC, esta nova espécie assemelha-se bastante a uma outra cheirolepidiácea, Pseudofrenelopsis parceramosa, mas difere por apresentar cutícula mais fina, áreas nodais expandidas e entrenós sulcados. «Pseudofrenelopsis zlatkoi é caracterizada por apresentar entrenós sulcados e a sua morfologia é espelhada na disposição das estruturas epidérmicas, tendo geralmente cristas construídas por células epidérmicas ordinárias alongadas», revela.

«A nova espécie Pseudofrenelopsis zlatkoi pertence a uma família de coníferas já extinta - Cheirolepidiaceae. Os frenelopsídeos são extremamente importantes porque, a par dos pólenes que produzem, atribuíveis ao género Classopollis, dão indicações ambientais muito precisas, nomeadamente, a existência de ambientes secos e áridos», afirma o cientista da FCTUC.

Esta investigação, centrada no estudo das floras do Cretácico português no sentido de compreender a composição florística existente à época e, consequentemente, as condições paleoclimáticas que presidiram à radiação e diversificação das angiospérmicas, tem vindo a ser desenvolvida em parceria com diversas instituições internacionais, designadamente o Swedish Museum of Natural History de Estocolmo (Suécia), a Universidade de Aarhus (Dinamarca), a Universidade de Yale (Estados Unidos da América) e o National Museum Prague (República Checa).

«Os nossos trabalhos prendem-se, fundamentalmente, com o estudo da evolução das angiospérmicas (plantas com flor) e Portugal tem uma geologia com características únicas que possibilitam acompanhar as principais etapas de evolução da flora, pois, salvo algumas lacunas, estão representadas rochas com registo fossilífero desde o Proterozóico Superior até ao período atual», conclui Mário Miguel Mendes.

Este estudo teve o financiamento das instituições internacionais envolvidas, bem como, da sua unidade de I&D, o MARE/ARNET da Universidade de Coimbra. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Brasil - Paleontólogos apresentam o mais completo fóssil de pterossauro brasileiro


Um grupo de paleontólogos apresentou, num estudo publicado na revista científica Plos One, o “mais completo fóssil de pterossauro brasileiro”, réptil voador extinto e parente dos dinossauros, segundo fontes acadêmicas.

O animal, um tapejarídeo encontrado na Chapada do Araripe, no nordeste brasileiro, preserva a maior parte dos seus ossos e restos de tecidos moles, num estudo alavancado por uma equipa de investigadores de quatro universidades do Brasil e uma de Portugal.

O artigo, coordenado por Fabiana Costa (Universidade Federal do ABC, no estado brasileiro de São Paulo), tem como primeiro autor Victor Beccari, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Nova de Lisboa. Além dos dois cientistas, o grupo também conta com investigadores da Universidade Federal do Pampa (estado do Rio Grande do Sul), Universidade Estadual Paulista, USP e Museu da Lourinhã (Portugal).

Os tapejarídeos do Aripe – pterossauros sem dentes e com gigantescas cristas no topo da cabeça – eram conhecidos, até agora, apenas por fragmentos e esqueletos incompletos.

“Até o momento são conhecidos tapejarídeos do Brasil, China, Espanha e Marrocos. São pterossauros sem dentes e costumam ter cristas cefálicas que ocupam até três quartos da superfície do crânio. Apesar de ser conhecido por inúmeros fósseis, espécimes completos são muito raros”, explicou Victor Beccari, citado num comunicado da Universidade Nova de Lisboa.

Este fóssil completo, armazenado no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, é um desses casos excecionais.

Proveniente da Formação Crato, o material foi interceptado pela Polícia Federal brasileira em 2014, numa operação que apreendeu mais de 3000 fósseis que seriam contrabandeados para a Europa, Estados Unidos da América e outros países do hemisfério norte.

Uma vez depositado na USP, parte deste material apreendido, incluindo este pterossauro, encontra-se na exposição “Fósseis do Araripe” do Museu de Geociências desta instituição.

O esqueleto, que os investigadores consideram como “provavelmente o mais excecional já encontrado no Brasil”, pertence à espécie ‘Tupandactylus navigans’, animal anteriormente conhecido apenas por crânios isolados.

O animal possui mais de dois metros e meio de envergadura e conta com uma crista de cerca de meio metro de altura no topo da cabeça. Ao ser descrito, o pterossauro foi ainda submetido a tomografias computadorizadas, o que possibilitou a observação de estruturas ainda enterradas em sedimento.

A partir do estudo da sua anatomia e comparações com outras espécies conhecidas de pterossauros, concluiu-se que este animal teria passado a maior parte do tempo alimentando-se em terra firme, não sendo muito bom voador.

“Este fóssil brasileiro é de importância mundial e será visto como a Pedra de Roseta deste tipo de pterossauros, num estudo que tem como primeiro autor Victor Beccari, dos mais brilhantes alunos que saíram do nosso Mestrado em Paleontologia”, elogiou Octávio Mateus, professor da Universidade Nova de Lisboa e Museu da Lourinhã, em comunicado.

A Chapada do Araripe é conhecida mundialmente pelos seus fósseis de pterossauros. Estes répteis voadores extintos já povoavam os céus antes do aparecimento das primeiras aves. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Brasil – Recupera fósseis exportados ilegalmente

Após a denúncia de uma paleontóloga brasileira, o Ministério Público Federal conseguiu que a Justiça da França autorizasse a repatriação de 45 fósseis brasileiros que foram exportados ilegalmente. A Sputnik Brasil conversou com a paleontóloga que fez a denúncia e o procurador responsável pelo caso sobre a importância da recuperação destes fósseis



Com a decisão, devem ser devolvidos ao Brasil fósseis de pterossauros, tartarugas marinhas, aracnídeos, peixes, répteis, insetos e plantas. O fóssil identificado inicialmente estava sendo leiloado no site americano eBay por cerca de 250 mil dólares. Em anúncio divulgado pelo site, o fóssil estaria localizado em Charleville Mèzières, na França.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o procurador da República do MPF de Juazeiro do Norte, Ceará, Rafael Rayol, afirmou que a partir da denúncia da paleontóloga, foi aberta uma investigação e foi identificada a origem do anúncio, quem era responsável. Em seguida, foi feita a solicitação de cooperação internacional com as autoridades francesas para realizar a busca e apreensão desse material.

"De início, as autoridades francesas, após ouvir o responsável da empresa, negaram a devolução porque o empresário teria apresentado a documentação, que justificaria essa aquisição do fóssil. Mas como esse fóssil é, sem dúvida, brasileiro, sabendo que esse material não poderia ter saído daqui de forma lícita, aprofundamos as investigações aqui no Brasil para levantar uma série de provas, que foram devolvidas à Justiça da França, demonstrando que a empresa era integrante de uma rede internacional de tráfico de fósseis", explicou o procurador. 

Rafael Rayol acrescentou que, após a apresentação das novas provas, as autoridades francesas "não só fizeram a busca e apreensão, como abriram a investigação criminal na França por esses mesmos fósseis.

"Durante a busca e apreensão na sede da empresa, além do fóssil original que estava à venda, que era o objeto inicial da nossa demanda, encontraram centenas de outros fósseis escondidos e sem documentação que justificasse a posse daquele material. E dessas centenas de fósseis, 45 eram provenientes daqui da Chapada do Araripi", completou.

A professora do Departamento de Ciências Biológicas, da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), a paleontóloga Taissa Rodrigues, contou à Sputink Brasil que fez a denúncia sobre a posse ilegal do fóssil, mas não foi quem descobriu o crime.

"Nós, paleontólogos brasileiros, sempre nos movimentamos quando a gente tem notícia de venda ilegal de fósseis brasileiros. Na verdade, qualquer venda de fósseis brasileiros é ilegal. Os fósseis, pela nossa Constituição, são considerados patrimônio da União. Então eles só podem ser vendidos se houver algum tipo de autorização", conta.

De acordo com ela, a suspeita começou há cerca de 5 anos atrás, quando um paleontólogo identificou a venda de um fóssil brasileiro no site eBay, dando início a um compartilhando e divulgação de informações entre os profissionais sobre as notícias deste objeto.

"Nós sempre tentamos divulgar, no sentido de conscientizar as pessoas de que uma venda ilegal de fósseis não só acontece frequentemente, mas como acontece abertamente, não acontece na 'deep web', está no eBay", disse Taissa Rodrigues.

A paleontóloga destacou que é a repatriação destes 45 fósseis exportados ilegalmente é uma vitória para a ciência brasileira. In “Sputnik Brasil” - Brasil

domingo, 12 de janeiro de 2014

Tartaruga

Francisco Ortega e Adán Pérez-Garcia
O fóssil de uma nova espécie de tartaruga com 145 milhões de anos foi descoberto nas arribas de uma praia em Mafra, anunciaram este sábado, em Torres Vedras, os paleontólogos espanhóis Francisco Ortega e Adán Pérez-García.

"Sabíamos que estas tartarugas se encontravam unicamente na Europa e apenas na Inglaterra no Cretáceo Inferior (há 65 milhões de anos), mas este achado em Portugal permitiu-nos descobrir uma tartaruga com 80 milhões de diferença daquela, porque esta é do Jurássico Superior e tem 145 milhões de anos", disse à agência Lusa Francisco Ortega, paleontólogo e director científico da Sociedade de História Natural de Torres Vedras. 
 
As semelhanças existentes entre elas permitiram aos cientistas perceber que pertencem à mesma família das "eucryptodiras", de que fazem parte tartarugas actuais, mas as diferenças anatómicas entre ambas levaram-nos a concluir que se tratava de uma nova espécie para a ciência, a que apelidaram de 'Hylaeochelys kappa'
 
"Tem formas um pouco mais primitivas do que a da Inglaterra, como uma carapaça mais aplanada do que a das outras que são mais redondas, o que não é tão comum nas tartarugas", explicou o também professor na Universidade Nacional de Educação à Distância, em Madrid. 
 
Essa característica levou os investigadores a inspirarem-se num episódio em que os japoneses, no século XVI, confundiram as cabeças dos frades franciscanos portugueses com as figuras mitológicas japonesas 'kappas', semelhantes a tartarugas, por terem a cabeça parecida à carapaça das tartarugas, para apelidarem a nova espécie.  
 
Trata-se de uma tartaruga de água doce adulta, cuja carapaça de meio metro de diâmetro foi encontrada quase completa. 
 
O achado foi feito em 2011 na praia do Porto Barril, concelho de Mafra, por José Joaquim dos Santos, um cidadão de Torres Vedras que, nos seus tempos livres de carpinteiro, se ocupa a encontrar achados de dinossauro e outros animais nas arribas. 
 
A descoberta foi validada pela comunidade científica, depois de a Academia das Ciências francesa ter aprovado a publicação para breve do artigo científico na sua revista. 
 
Para os cientistas, este grupo de tartarugas confinado à Europa vem corroborar a tese de que, com a abertura do Atlântico Norte no Jurássico Superior e a separação dos continentes europeu e americano, começou a existir faunas diferentes dos dois lados que se tornou mais patente no Cretáceo.
 
Nos últimos 20 anos, José Joaquim dos Santos recolheu alguns milhares de fósseis pertencentes a dinossauros, tartarugas, crocodilos, peixes e até tubarões, cuja colecção foi vendida em 2009 à Câmara de Torres Vedras, para vir a expô-los num futuro museu. 
 
A colecção tem vindo a ser estudada desde essa altura por investigadores associados da Sociedade de História Natural. In “Rádio Renascença" - Portugal