Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Portugal - Descoberto fóssil raro de planta primitiva extinta na região do Bussaco

Pedro Correia, especialista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) descobriu um fóssil de uma planta primitiva que existiu na região do Bussaco há cerca de 300 milhões de anos. O investigador do Centro de Geociências do Departamento de Ciências da Terra (DCT) encontrou um estróbilo fóssil de um novo género e nova espécie de planta articulada extinta - Bussacoconus zeliapereirae gen. et sp. nov. (Sphenophyllales, Polypodiopsida).


A descoberta está descrita no artigo científico “The evolutionary macromorphological novelties of Bussacoconus zeliapereirae gen. et sp. nov. (Sphenophyllales, Polypodiopsida) from the Upper Pennsylvanian of Portugal” publicado no jornal internacional Historical Biology.

Este estudo, liderado por Pedro Correia e realizado em colaboração com Artur Sá, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), permite saber como estas plantas primitivas evoluíram e se adaptaram em ambientes tropicais em mudança durante o final de uma glaciação, no fim do Período Carbonífero, há 300 milhões de anos.

As Sphenophyllales são uma ordem extinta de plantas terrestres articuladas e um grupo irmão das atuais cavalinhas da ordem Equisetales. Estas plantas primitivas eram relativamente pequenas (inferiores a um metro de altura) e produtoras de esporos que existiram durante o Devónico até ao Triássico. A classificação das esfenofilídeas baseia-se principalmente nos seus órgãos vegetativos e reprodutivos (caules, folhas e estróbilos).

«É uma descoberta espetacular, porque este tipo de frutificações de Sphenophyllales são raras no registo fóssil, o qual é muito fragmentado e pouco se conhece sobre a sua verdadeira diversidade taxonómica», revela Pedro Correia, especialista em paleobotânica.

«Os seus esporangióforos secundários e esporângios estão notavelmente bem preservados na matriz rochosa em diferentes ângulos, o que nos permitiu descrever um conjunto de caracteres diagnósticos essenciais para uma comparação próxima com outros estróbilos do mesmo grupo», esclarece o investigador, acrescentando que esta é uma descoberta cientificamente muito relevante que se vem juntar à de uma nova espécie de barata primitiva e outra nova espécie de gimnospérmica, encontradas no mesmo afloramento e recentemente publicadas.

«Estas novas descobertas científicas revelam o quanto ainda há para conhecer acerca das dinâmicas da evolução da biodiversidade no Carbonífero terminal, período desafiante da história da vida na Terra. O afloramento onde estes fósseis foram recolhidos constitui um novo Sítio de Interesse Geológico em Portugal, sendo que a relevância dos achados paleontológicos recentes lhe confere um valor científico internacional», afirma Artur Sá, coautor do artigo.

As floras do Carbonífero do Bussaco viveram em condições ambientais e climáticas confinadas a uma região intramontanhosa, na qual sistemas fluviais funcionaram como mecanismos de transporte de muitos restos vegetais e de sedimentos erodidos de rochas circundantes. A combinação de um ambiente intramontanhoso e clima restritivos favoreceu um endemismo local, razão pela qual os cientistas têm descoberto fósseis de várias novas espécies de flora e fauna com características endémicas neste tipo de ambientes.

«Estes géneros de ocorrências demonstram por que o registo fóssil terreste necessita de verdadeira criatividade e compreensão da ecologia, bem como da geologia, para ser interpretado», conclui o investigador Pedro Correia.

A nova espécie é dedicada a Zélia Pereira, especialista em Palinologia, do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG). Universidade de Coimbra - Portugal


 

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Portugal - Fundação Luso restaura esculturas de arte sacra no Bussaco


Duas peças de escultura barroca cuja restauração foi financiada pela Fundação Luso, ligada à Sociedade da Água de Luso (SAL), já podem ser visitadas no altar-mor do Convento de Santa Cruz do Bussaco, foi anunciado

A intervenção de conservação e restauro das peças de arte sacra começou em 2019, representou um valor a rondar os oito mil euros e foi financiada pela Fundação através da “receita gerada pelos visitantes da exposição da edição de 2019 sobre a “Cultura e Tradições do Concelho da Mealhada”, patente no Casino do Luso.

A escultura do Profeta Santo Elias, datada do século XVII – XVIII e enquadrada no estilo da escultura barroca, foi a primeira a ser restaurada, ainda em 2019.

Segundo foi divulgado pela Fundação Luso, “apresentava vários problemas de conservação e a intervenção realizada foi preferencialmente de conservação, tendo nas zonas mais degradadas sido realizados alguns restauros da policromia de modo a que não se perdesse a leitura da peça”.

O processo de conservação e restauro foi levado a cabo pelo Laboratório de Conservação e Restauro do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, da Direção Regional da Cultura do Centro.

Mais recente é o restauro de uma peça de arte sacra de São João da Cruz, datada dos séculos XVII – XVIII e enquadrada no estilo da escultura barroca.

“Apresentava vários problemas de conservação, nomeadamente destacamentos de suporte e de policromia. A intervenção seguiu os procedimentos da conservação e da conservação preventiva, tendo sido realizadas a desinfestação, a limpeza, a fixação de policromias, a colagem de elementos do suporte que se encontravam destacados, foram realizados preenchimentos de matéria, como intervenção preventiva, tendo estes recebido integração pictórica de modo a que não se perdesse a leitura da peça”, resume a Fundação.

A intervenção começou no início deste ano e ficou concluída há poucos dias.

“É com grande orgulho que vemos a recuperação do São João da Cruz, uma peça de arte com incomensurável valor cultural, histórico e patrimonial”, sublinha Nuno Pinto de Magalhães, presidente da Fundação Luso, acrescentando que vão ser feitas novas restaurações de figuras sacras, sempre financiadas pelas receitas das entradas no Casino da vila termal, propriedade da SAL. In “Mundo Português” - Portugal