Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 4 de junho de 2025

Portugal - Descobertos fósseis de fungos gigantes com 300 milhões de anos na região de Aveiro

Um grupo de investigadores portugueses descobriu fósseis de fungos primitivos, com 300 milhões de anos, na região de Anadia, em Aveiro. A investigação foi liderada pelo paleontólogo Pedro Correia, investigador do Centro de Geociências (CGEO) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). 


Esta descoberta, descrita no jornal internacional Geobios, decorreu em colaboração com Artur Sá, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), e Zélia Pereira, investigadora do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).

«Os fósseis, descobertos nas formações geológicas da Bacia do Buçaco, correspondem a uma forma gigante de esporos de fungos micorrízicos, até então, completamente desconhecida para a ciência. Pertencentes ao novo género e nova espécie Megaglomerospora lealiae, estes fósseis de fungos representam os maiores esporos documentados para a Divisão Glomeromycota do Reino Fungi», revela Pedro Correia.

Os fungos glomeromicotanos compreendem um dos grupos mais comuns e difundidos, que agrupa organismos simbióticos formadores de micorrizas arbusculares, responsáveis pela formação de associações simbióticas micorrízicas (denominadas endomicorrizas), com raízes de cerca de 80% das plantas vasculares conhecidas atualmente. Estes fungos endomicorrízicos, formam esporos assexuados com um diâmetro de 40 a 800 micrómetros (μm) no solo e no tecido vegetal.

«Apesar da sua pequena dimensão, cerca de 1,6 milímetros de diâmetro, estes fósseis foram um gigante entre os esporos de fungos da classe Glomeromycetes, que existiram há cerca de 300 milhões de anos, no final do período Carbonífero, e nunca antes documentados em fungos glomeromicotanos fossilizados e fungos endomicorrízicos modernos», descreve o autor principal do artigo científico.

«A descoberta de Megaglomerospora lealiae na Bacia do Buçaco constitui um avanço significativo no conhecimento da diversidade e história evolutiva acerca das interações simbióticas mutualísticas entre plantas vasculares e fungos micorrízicos. Além disso, estes novos achados correspondem ao primeiro registo de um fungo endomicorrízico descoberto no Carbonífero da Península Ibérica», afirma o paleontólogo.

No final do período Carbonífero, as concentrações atmosféricas de oxigénio atingiram níveis excecionalmente elevados, estimados entre 30% a 35%, muito acima dos cerca de 21% atuais. Esta elevada disponibilidade de oxigénio permitiu que se desenvolvessem estruturas de grandes dimensões, capazes de explorar vastas áreas radiculares para a troca eficiente de nutrientes entre organismos fúngicos e plantas, uma adaptação crucial num ambiente ecológico altamente competitivo e diversificado na época.

Por outro lado, as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono eram relativamente baixas comparadas com outros períodos geológicos. A diminuição de CO, em combinação com o aumento da biomassa vegetal, exigiu uma maior eficiência na absorção de nutrientes pelas plantas, o que potencialmente impulsionou a simbiose com fungos micorrízicos.

«Estes fungos desempenharam um papel essencial na otimização da captação de fósforo e outros nutrientes essenciais, promovendo o desenvolvimento de redes micorrízicas extensas e, consequentemente, estruturas fúngicas de grandes dimensões, quando comparadas com as atuais», explicam os envolvidos na descoberta paleontológica.

«A relevância desta descoberta reside na confirmação de que as associações simbióticas já desempenhavam um papel crucial na estruturação dos ecossistemas terrestres há cerca de 300 milhões de anos. O estudo deste novo fóssil, agora descrito, fornece informações importantes sobre as interações entre fungos e plantas, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada dos processos ecológicos que moldaram a flora do Paleozoico», concluiu a equipa de investigadores.

A nova espécie é dedicada a Fernanda Leal, aluna de doutoramento da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da mesma universidade, que contribuiu para a classificação dos fungos fósseis agora descritos pela primeira vez na ciência. Universidade de Coimbra - Portugal  


quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Portugal - Investigadores portugueses descobrem fóssil raro de planta com 310 milhões de anos

Foi descoberta uma nova espécie de uma gimnospérmica primitiva com 310 milhões de anos, nas formações geológicas de Fânzeres, em Gondomar. A investigação, liderada por Pedro Correia, investigador do Centro de Geociências (CGEO) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com Carlos Góis-Marques, paleobotânico da Universidade da Madeira, está publicada no jornal internacional Geological Magazine.


 

De acordo com Pedro Correia, a descoberta permitiu saber «como estas plantas primitivas evoluíram e se reproduziram durante o Período Carbónico, no final da Era Paleozoica». Este fóssil, denominado Palaeopteridium andrenelii, corresponde a uma nova espécie da extinta ordem Noeggerathiales, um grupo primitivo de plantas vasculares denominadas de progimnospérmicas da divisão Progymnospermophyta. 

«É um grupo de plantas ainda pouco compreendido e mal representado no registo fóssil da Península Ibérica, do qual são conhecidas apenas dez espécies noeggerathialeanas, número pode ser reduzido para quase metade se tivermos em conta algumas considerações taxonómicas», explica o investigador.  

Palaeopteridium andrenelii é o segundo representante de Noeggerathiales descoberto no Carbónico Português depois do geólogo Carlos Teixeira ter descrito a noeggerathialeana Rhacopteris gomesiana na década de 1940, na Bacia Carbonífera do Douro.  

As Noeggerathiales eram, até há pouco tempo, consideradas um grupo de plantas com uma classificação taxonómica incerta que existiu nos Períodos Carbónico e Pérmico, há cerca de 359 a 252 milhões de anos. Descobertas recentes permitiram classificar este grupo primitivo como progimnospérmicas heterosporosas, um grupo-irmão das pteridospérmicas ‒ plantas produtoras de sementes que coexistiram com as Noeggerathiales. 

Apesar da descoberta recente de espécimes completos encontrados nas formações do Pérmico da China, o grupo ainda permanece altamente artificial, uma vez que os seus órgãos reprodutores raramente são preservados em conexão orgânica com as partes frondosas da planta-mãe.

A nova espécie de progimnospérmica apresenta macroesporângios (estruturas reprodutoras) em associação, um dos quais ainda preserva um gametófito multicelular. «Esta descoberta sugere que as Noeggerathiales possivelmente eram mais diversas do que pensávamos e a sua associação paleontológica a megaesporângios traz um novo conhecimento sobre a evolução destas plantas tão enigmáticas, bem como da sua paleoecologia», evidencia o paleontólogo. 

«Estamos perante um achado singular. Fósseis de plantas pertencentes às extintas Noeggerathiales são raros na Europa e América, sobretudo devido aos seus requisitos ecológicos distintos. Isto é, viviam em habitats distintos, e, portanto, geralmente, não fossilizaram juntamente com as típicas plantas do registo fóssil do Carbónico. Além do mais, esta nova espécie reforça o que já se conhecia: o registo paleobotânico do Carbónico português apresenta um alto grau de endemismo de relevância internacional», conclui Carlos Góis-Marques, coautor do artigo científico. 

A nova espécie é dedicada a André Nel do Museu Nacional de História Natural de Paris, especialista mundial em paleoentomologia, que tem colaborado com os paleontólogos portugueses no estudo taxonómico de novos fósseis de insetos recentemente descobertos nas Bacias Carboníferas do Douro e do Buçaco. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Portugal - Descoberta nova espécie de fetos extinta com 300 milhões de anos

Uma equipa de investigadores do Centro de Geociências (CGEO) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) descobriu uma nova espécie de fetos com 300 milhões de anos.


 

O fóssil da planta encontrado nas formações geológicas da região de Anadia, no distrito de Aveiro, corresponde a um feto primitivo já extinto com cerca de 300 milhões de anos. A nova descoberta paleontológica foi publicada na revista Review of Palaeobotany and Palynology.  

«Este achado paleobotânico corresponde a uma nova espécie do género Acitheca, um grupo de fetos arbóreos maratileanos da já extinta família Psaroniaceae da ordem das Marattiales, caracterizado pelos seus esporângios alongados e soros sésseis», descreve Pedro Correia, investigador do CGEO e primeiro autor do artigo científico. 

A nova espécie, batizada de Acitheca machadoi, é dedicada a Gil Machado, geólogo especializado em Palinologia paleozoica, que estudou detalhadamente a estratigrafia (ramo da geologia que estuda os estratos ou camadas de rochas) e as floras palinológicas da Bacia Carbonífera do Buçaco, incluindo a secção estratigráfica onde o novo fóssil foi descoberto.  

Acitheca machadoi conserva esporângios (órgãos reprodutores da planta) em detalhe tridimensional e ainda com esporos in situ. «É uma preservação excecional e raramente encontrada em adpressões (tipo de fossilização por compressão) nas quais os fósseis vegetais do Carbónico desta região se encontram preservados», afirma o paleontólogo, acrescentando que este fóssil apresenta dos mais pequenos esporângios documentados para o género Acitheca

Sofia Pereira, investigadora do CGEO e coautora do trabalho científico, acredita que é provável que o tamanho reduzido dos esporângios corresponda a uma adaptação às condições mais secas que se faziam sentir no Período Carbónico. «Afinal, esta é uma das adaptações mais "escolhidas" pelas plantas para enfrentar condições de pouca disponibilidade de água, permitindo-lhes conservar água, aumentar a eficiência energética e facilitar a libertação de esporos», sublinha.

«Embora na paleontologia tenhamos de esperar pelas próximas peças do puzzle, são já vários os sinais da transição de condições húmidas para secas nas associações de plantas fósseis da Bacia Carbonífera do Buçaco, espelhando a mudança climática global que se iniciou na passagem do Período Carbónico para o Período Pérmico, e que vai marcar este último período geológico do Paleozoico», concluem os investigadores. 

Com uma diversidade global relativamente baixa – conhecem-se menos de dez espécies – Acitheca machadoi é o terceiro representante do género em Portugal, sugerindo que a sua diversidade a nível mundial poderá estar subestimada. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Portugal - Descoberto fóssil raro de planta primitiva extinta na região do Bussaco

Pedro Correia, especialista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) descobriu um fóssil de uma planta primitiva que existiu na região do Bussaco há cerca de 300 milhões de anos. O investigador do Centro de Geociências do Departamento de Ciências da Terra (DCT) encontrou um estróbilo fóssil de um novo género e nova espécie de planta articulada extinta - Bussacoconus zeliapereirae gen. et sp. nov. (Sphenophyllales, Polypodiopsida).


A descoberta está descrita no artigo científico “The evolutionary macromorphological novelties of Bussacoconus zeliapereirae gen. et sp. nov. (Sphenophyllales, Polypodiopsida) from the Upper Pennsylvanian of Portugal” publicado no jornal internacional Historical Biology.

Este estudo, liderado por Pedro Correia e realizado em colaboração com Artur Sá, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), permite saber como estas plantas primitivas evoluíram e se adaptaram em ambientes tropicais em mudança durante o final de uma glaciação, no fim do Período Carbonífero, há 300 milhões de anos.

As Sphenophyllales são uma ordem extinta de plantas terrestres articuladas e um grupo irmão das atuais cavalinhas da ordem Equisetales. Estas plantas primitivas eram relativamente pequenas (inferiores a um metro de altura) e produtoras de esporos que existiram durante o Devónico até ao Triássico. A classificação das esfenofilídeas baseia-se principalmente nos seus órgãos vegetativos e reprodutivos (caules, folhas e estróbilos).

«É uma descoberta espetacular, porque este tipo de frutificações de Sphenophyllales são raras no registo fóssil, o qual é muito fragmentado e pouco se conhece sobre a sua verdadeira diversidade taxonómica», revela Pedro Correia, especialista em paleobotânica.

«Os seus esporangióforos secundários e esporângios estão notavelmente bem preservados na matriz rochosa em diferentes ângulos, o que nos permitiu descrever um conjunto de caracteres diagnósticos essenciais para uma comparação próxima com outros estróbilos do mesmo grupo», esclarece o investigador, acrescentando que esta é uma descoberta cientificamente muito relevante que se vem juntar à de uma nova espécie de barata primitiva e outra nova espécie de gimnospérmica, encontradas no mesmo afloramento e recentemente publicadas.

«Estas novas descobertas científicas revelam o quanto ainda há para conhecer acerca das dinâmicas da evolução da biodiversidade no Carbonífero terminal, período desafiante da história da vida na Terra. O afloramento onde estes fósseis foram recolhidos constitui um novo Sítio de Interesse Geológico em Portugal, sendo que a relevância dos achados paleontológicos recentes lhe confere um valor científico internacional», afirma Artur Sá, coautor do artigo.

As floras do Carbonífero do Bussaco viveram em condições ambientais e climáticas confinadas a uma região intramontanhosa, na qual sistemas fluviais funcionaram como mecanismos de transporte de muitos restos vegetais e de sedimentos erodidos de rochas circundantes. A combinação de um ambiente intramontanhoso e clima restritivos favoreceu um endemismo local, razão pela qual os cientistas têm descoberto fósseis de várias novas espécies de flora e fauna com características endémicas neste tipo de ambientes.

«Estes géneros de ocorrências demonstram por que o registo fóssil terreste necessita de verdadeira criatividade e compreensão da ecologia, bem como da geologia, para ser interpretado», conclui o investigador Pedro Correia.

A nova espécie é dedicada a Zélia Pereira, especialista em Palinologia, do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG). Universidade de Coimbra - Portugal