Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Timor-Leste – Governo vai atribuir a nacionalidade timorense aos filhos de Max Stahl


Díli – O Governo timorense vai atribuir a nacionalidade timorense aos filhos de Max Stahl, o jornalista britânico que gravou o massacre de 12 de novembro de 1991.

A esposa de Max Stahl, Ingrid Bucens, encontrou-se com o Primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, para discutirem a possibilidade dos dois filhos, Leo e Malin Stahl, adquirirem a nacionalidade timorense.

“O Governo prometeu a Max Stahl atribuir a cidadania timorense aos nossos filhos”, disse a esposa, após o encontro com o Primeiro-ministro, no Farol, em Díli.

Ingrid Bucens ficou satisfeita com a decisão do Governo: “Sentimo-nos muito contentes pelo reconhecimento, os meus filhos já têm a nacionalidade australiana e estão prontos para receber a timorense. Timor-Leste é também a nossa casa há muitos anos”, concluiu.

Além disso, Ingrid Bucens aproveitou a oportunidade para pedir ao Primeiro-ministro novas instalações para o Centro Audiovisual Max Stahl de Timor-Leste (CMSTL), pois as atuais estão em mau estado.

Max Stahl, jornalista e realizador, responsável pela filmagem das imagens do massacre de Santa Cruz, em 1991, que permitiram chamar a atenção para a situação de Timor-Leste e colocar o país no topo da agenda internacional, um importante contributo para a autodeterminação do povo timorense.

Faleceu a 28 de outubro, em Brisbane, vítima de doença prolongada, no mesmo dia que se assinalavam os 30 anos da morte de Sebastião Gomes, que originou a homenagem que culminou no massacre de Santa Cruz.

Christopher Wenner, mais conhecido por Max Stahl, nasceu a 6 de dezembro de 1954 no Reino Unido.

Depois de ter passado por vários cenários de conflito, sobretudo na América Latina, em agosto de 1981, Max Stahl veio para Timor-Leste apara filmar o documentário que viria a chamar-se “In Cold Blood: The massacre of East Timor”.

A 12 de novembro de 1991, acompanhou e filmou a marcha de homenagem da igreja de Motael até à campa de Sebastião Gomes, que culminou no massacre do cemitério de Santa Cruz, em que centenas de jovens timorenses foram mortos por militares indonésios. As imagens correram o mundo e deram a conhecer o drama timorense.

A filmagem impulsionou a frente diplomática, catapultando Timor-Leste para as primeiras páginas dos meios de comunicação mundiais, depois de vários anos em que a situação timorense permanecia adormecida para a comunidade internacional. Domingos Freitas – Timor-Leste in “Tatoli”


 

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Timor-Leste – Parlamento Nacional e Governo manifestam condolências pelo falecimento de Max Stahl

Díli – O Parlamento Nacional (PN) e o Governo timorense expressaram hoje as suas sentidas condolências pelo falecimento do jornalista Max Stahl à sua família.

O Presidente do PN, Aniceto Guterres, disse hoje que o Estado timorense perdeu um grande amigo e jornalista.

“Consideramos que Max Stahl foi um combatente na luta pela libertação da pátria. E o Parlamento Nacional, como um órgão colegial, elaborará uma resolução para prestar o voto de pesar pela sua morte”, referiu.

Também o Primeiro-Ministro, Taur Matan Ruak, afirmou que o Governo aguarda ainda a decisão da família sobre a cerimónia fúnebre.

“Manifestamos as nossas sentidas condolências à família pela morte do nosso jornalista e amigo. Desejamos-lhe coragem para lidar com esta situação com calma e força”, disse o Chefe do Governo.

O Chefe do Governo adiantou também que o Presidente da República pediu ao Executivo que prestasse a devida atenção a este processo.

Matan Ruak referiu ainda que o Governo não irá transladar o corpo de Max Stahl para Timor-Leste, pois, segundo a informação da família, este será cremado. “A família trará as suas cinzas para Timor-Leste”, concluiu.

Timor-Leste perdeu Max Stahl, jornalista e realizador, responsável pela filmagem das imagens do massacre de Santa Cruz, em 1991, que permitiram chamar a atenção para a situação que o país vivia, e colocar o país no topo da agenda internacional, o que se tornou num importante contributo para a autodeterminação do povo timorense.

Max Stahl faleceu hoje, dia 28 de outubro, em Brisbane, vítima de doença prolongada, no mesmo dia em que se assinalam os 30 anos da morte de Sebastião Gomes, que originou a homenagem que culminou no massacre de Santa Cruz.

Christopher Wenner, mais conhecido como Max Stahl, nasceu a 6 de dezembro de 1954 no Reino Unido.

Depois ter passado por vários cenários de conflito, sobretudo na América Latina, em agosto de 1991, Max Stahl veio para Timor-Leste para filmar o documentário que viria a chamar-se “In Cold Blood: The massacre of East Timor”.

A 12 de novembro de 1991, acompanhou e filmou a marcha de homenagem da Igreja de Motael até à campa de Sebastião Gomes, que culminou no massacre do Cemitério de Santa Cruz, em que centenas de jovens timorenses foram mortos por militares indonésios. As imagens correram o mundo e deram a conhecer o drama timorense.

O seu profissionalismo e a sua extrema coragem impulsionaram a frente diplomática, catapultando Timor-Leste para as primeiras páginas dos meios de comunicação mundiais, depois de vários anos em que a situação timorense permanecia adormecida para a comunidade internacional.

Max Stahl entrevistou vários líderes da resistência timorense, como o Comandante David Alex Daitula e o Comandante Nino Konis Santana.

Criou o Centro Audiovisual Max Stahl em Timor-Leste (CAMSTL), com o intuito de preservar e divulgar a coleção audiovisual que documenta o período da resistência, os acontecimentos durante e após o referendo e os primeiros anos da independência até aos dias de hoje.

Esta coleção foi reconhecida, em 2013, pela UNESCO, ao ser inscrita no “Registo da Memória do Mundo”, um programa criado com o objetivo de proteger e promover o património documental mundial através da conservação e do acesso aos documentos.

O jornalista recebeu, em 2000, o Rory Peck Award, um prémio que homenageia jornalistas de vídeo independentes. Recebeu muitos outros prémios em reconhecimento do seu trabalho em zonas de conflito, como as guerras dos Balcãs e de El Salvador.

Em 2009, foi condecorado com a Insígnia da Ordem de Timor-Leste e, em 2019, recebeu o Colar da Ordem de Timor-Leste, a mais alta condecoração nacional.

Também em 2019, foi-lhe atribuída a nacionalidade timorense pelo Parlamento Nacional, num ato que “representa a homenagem do Povo de Timor-Leste ao espírito humanista, altruísmo e extraordinária coragem de Max Stahl” e que “expressa o agradecimento e reconhecimento dos feitos excecionais praticados por um homem excecional”.

Já o Ministro Fidélis Magalhães, em nome do Governo e de todo o povo timorense, manifestou as suas mais sentidas condolências à família e amigos de Max Stahl.

“O povo timorense estará para sempre grato pela sua contribuição para a autodeterminação nacional. A sua coragem e o legado do seu trabalho perdurarão para sempre na memória de todos nós”, concluiu. Domingos Freitas – Timor-Leste in “Tatoli”

 

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Timor-Leste – Max Stahl condecorado com o grau Colar da Ordem de Timor-Leste

DÍLI – Max Stahl foi condecorado com o grau Colar da Ordem de Timor-Leste pelo Chefe de Estado, Francisco Guterres Lú Olo, conforme previsto no Decreto do Presidente da República n.º 50/2019, de 21 de novembro.

Segundo a página oficial da Presidência da República, a que a Tatoli teve acesso, esta condecoração tem por objetivo reconhecer o seu contributo para o país na sua luta pela autodeterminação, levando Timor-Leste ao mundo.

Christopher Wenner, mais conhecido por Max Stahl, é um jornalista e realizador de filmes documentais. Nasceu na Inglaterra, no dia 6 de dezembro de 1954.

Max Stahl é descendente de uma família de diplomatas. O avô materno era diplomata sueco, que teve o privilégio de ser o Diretor da Instituição do Nobel durante mais de vinte anos. Cresceu com três irmãos. O pai, Christopher Max Stahl Wenner, é um diplomata suíço e a mãe francesa.

Além de virem de uma família de diplomatas, Stahl e os seus irmãos tomaram contacto com os problemas internacionais e mudavam-se de um país para outro – Bolívia, El Salvador, Áustria e Inglaterra.

Max estudou Literatura na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Fala fluentemente inglês, francês, alemão, espanhol, italiano e português. Sabe também russo e um pouco de árabe.

Max começou a sua carreira como autor de teatro e em programas de televisão dedicados às crianças, na Inglaterra.

A sua vocação de repórter de guerra surgiu quando vivia com a sua família no El Salvador, onde o pai exerceu as funções de embaixador. Começou por elaborar reportagens sobre a guerra civil de 1979 a 1992.  Foi depois para a Chechénia, Geórgia, Jugoslávia e Timor-Leste.

Sofreu inúmeras experiências amargas durante as suas funções – foi preso, assistiu à morte dos colegas, passou miséria junto dos guerrilheiros no mato e foi testemunha de genocídio, como no Massacre no Cemitério de Santa Cruz, em 1991. Foram-lhe atribuídos vários prémios, nomeadamente o Rory Peck Award, concedido a operadores de câmara que colocam a vida em risco em reportagem.

Em resposta ao convite de quadros da resistência timorense, Max Stahl chegou pela primeira vez a Timor-Leste, no dia 30 de agosto de 1991, como turista. Ao longo da sua estadia, entrevistou vários líderes da Frente Clandestina e guerrilheiros, nomeadamente o Comandante David Alex “Daitula”, Nino Konis Santana, entre outros.

O documentário de Max Stahl intitulado “In Cold Blood: The Massacre of East Timor” divulgou o Massacre de Santa Cruz. Max assistiu diretamente à brutalidade dos militares indonésios que tiraram a vida dos jovens timorenses. As imagens espalharam-se por todo o mundo, abrindo os olhos a diversos Estados para a luta pela independência. A filmagem de Santa Cruz foi levada para o estrangeiro graças a uma ativista holandesa, Saskia Kouwenberg.

O referendo de 1999 levou Max Stahl a regressar novamente a Timor-Leste, onde registou os sacrifícios e resiliência dos timorenses para ultrapassarem inúmeros desafios e criarem a República Democrática de Timor-Leste, que se tornou oficial a 20 de maio de 2002.

Na preservação da história da luta dos timorenses, Max Stahl criou e gere de forma independente o Centro Audiovisual Max Stahl em Timor-Leste (CAMSTL), onde regista vários acontecimentos históricos recolhidos ao longo dos últimos 25 anos. Todos estes arquivos foram considerados pela Organização da Nações Unidas para Educação, Ciências e Cultura (UNESCO, sigla em inglês) “Registo da Memória do Mundo”.

Para fins educativos e de investigação, o CAMSTL tem cooperado com a Universidade de Coimbra, em Portugal, de modo a arquivar os documentos históricos de Timor em formato digital.

O Estado timorense reconhece assim, através do grau Colar da Ordem de Timor-Leste, o empenho e a dedicação de Max Stahl. Xisto Freitas – Timor-Leste in “Tatoli”