Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Brasil - Marta Sala e Cheong Kin Man no país em ‘diálogo’ com a diáspora de Macau

O Consulado-Geral de Portugal no Rio de Janeiro acolheu na sexta-feira a estreia no Brasil da artista polaca Marta Stanisława Sala e do antropólogo de Macau Cheong Kin Man, que regressou ao país 17 anos depois de ter realizado uma investigação junto da diáspora de Macau. Promovida pela Câmara de Comércio, Indústria e Turismo Brasil-Macau (CCITBM), a mostra efémera “As Espantosas e Curiosas Viagens: As Viajantes Bonecas” reuniu, no Palácio de S. Clemente, várias obras da dupla, incluindo cerca de uma dúzia de corpos e máscaras têxteis, numa intervenção concebida especificamente para esse espaço.


A iniciativa retomou o contacto estabelecido através das entrevistas conduzidas por Cheong no Brasil em 2009, integrando-o numa investigação artística sobre migração, memória e formação de identidades entre Macau, Portugal, Brasil e outros territórios percorridos pela dupla.

Na cerimónia de abertura, a cônsul-geral adjunta de Portugal no Rio de Janeiro, Ana Rita Ferreira, observou que Macau raramente surge na programação do Palácio de S. Clemente, construído entre 1956 e 1961 para servir de sede à Embaixada de Portugal e inspirado nos palácios barrocos portugueses do século XVIII. “Precisamente porque é mais raro, também é um prazer redobrado”, disse a diplomata e cidadã honorária do Rio de Janeiro.

Por sua vez, Silvana d’Assumpção, presidente da CCITBM, destacou a continuidade desse diálogo. “Hoje, no Rio de Janeiro, a exposição prolonga esse diálogo e cria uma ponte entre Macau, Portugal e Brasil”, frisou, recordando as entrevistas de 2009.

Já Carolina Chediak, directora artística da Casa de Pedra, espaço do bairro carioca do Jardim Botânico onde a dupla se encontra em residência, salientou a “sensibilidade” do trabalho e o valor da sua mobilidade. “Fiquei encantada com o projecto, com a seriedade e com o sentido de um projecto como este, de circulação”, referiu.

No salão da mostra, várias “Viajantes Bonecas” foram dispostas sobre consolas e entre elementos do mobiliário histórico, estabelecendo relações com representações europeias da Ásia presentes no edifício.

Durante a visita conduzida pela dupla, uma cabeça escultórica inspirada na personagem orientalista Fu Manchu, instalada sob um retrato de Fernando Pessoa, despertou a curiosidade de Isabel Hölzl, directora do “Goethe-Institut” (Instituto Alemão) do Rio de Janeiro. Cheong descreveu a composição como uma reflexão sobre uma identidade formada por referências cantonesas e portuguesas, relacionando-a com o imaginário chinês inscrito na decoração do espaço. “Não foi apenas a sociedade chinesa ou cantonense que me ensinou a ser cantonense e chinês, mas também os portugueses”, explicou.

O antigo colaborador do Jornal Tribuna de Macau apontou ainda, no contexto português, formas próprias de representar a China e a identidade chinesa. “Há aspectos de Macau que se tornam muito mais chineses do que na própria China ou em Hong Kong, o que é muito curioso”, acrescentou.

O casal define estes corpos têxteis como “auto-etnografias artísticas”, construídas a partir de materiais, referências e memórias acumuladas em diferentes geografias.

O encontro encerrou com uma conversa gravada com Silvana d’Assumpção, destinada a dar continuidade à investigação.

A exposição segue agora para o Galpão Bela Maré, centro cultural do Observatório de Favelas situado no conjunto de favelas da Maré, onde estará patente entre hoje e sexta-feira. A programação inclui “Todas as Crianças São Poetas”, acção participativa que convida diferentes gerações a criarem colectivamente uma língua inexistente através da voz, do gesto, do movimento e de sistemas de escrita inventados.

A etapa carioca integra “As Espantosas e Curiosas Viagens”, série itinerante na qual a dupla cruza translingualidade, história e experiências de deslocação, fazendo dos percursos entre Europa, Ásia e o mundo de língua portuguesa parte do próprio processo artístico e antropológico. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Macau - Encontro artístico no Instituto Internacional de Macau explora a diversidade linguística

A cidade de Macau é composta por diversas formas de expressão linguística, que vão muito além das línguas oficiais chinesa e portuguesa. Numa sessão marcada para esta quinta-feira, às 18h30, no Instituto Internacional de Macau (IIM), a dupla constituída por Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man convida o público a partilhar as suas experiências sobre a “translingualidade quotidiana” da região. As intervenções dos participantes, limitadas a um minuto, serão depois integradas numa obra audiovisual sobre a diversidade linguística local


O Instituto Internacional de Macau (IIM) vai acolher esta quinta-feira, pelas 18h30, um encontro artístico integrado na série “As Espantosas e Curiosas Viagens”, da dupla artística composta por Marta Stanisława Sala e Cheong Kin Man.

A sessão tem o nome de “Midissage”, em referência ao termo franco-alemão que descreve um evento especial realizado a meio de uma exposição de arte. Neste caso, a iniciativa decorre a meio da residência da dupla em Macau e Hong Kong, que decorre até 15 de Agosto e que já passou pela Fundação Rui Cunha (FRC) no final de Julho.

O público é agora convidado a tornar-se parte integrante do projecto, organizado em sucessivas rondas de perguntas nas quais cada participante pode intervir durante um máximo de um minuto. Num comunicado do IIM, explica-se que “o formato procura reunir experiências relacionadas com as línguas utilizadas na vida familiar, profissional e urbana de Macau”, que vão para lá do chinês e do português. O encontro vai decorrer maioritariamente em inglês, estando também aberto a intervenções em qualquer outro idioma – incluindo, por exemplo, o tagalo.

As intervenções do público serão posteriormente incluídas numa obra audiovisual sobre “a translingualidade quotidiana” de Macau, “fazendo da própria participação pública parte do processo artístico e documental”. Citada no comunicado do IIM, a dupla explica que esta acção “procura abordar Macau não apenas como lugar de coexistência entre idiomas, mas como espaço onde diferentes formas de falar, escutar e traduzir participam diariamente na construção de presenças”.

No mesmo local, serão exibidos trabalhos têxteis concebidos pela dupla, nunca antes apresentados na Ásia, e uma selecção de entrevistas feitas pelo antropólogo visual Cheong Kin Man, entre 2008 e 2009, junto de comunidades da diáspora de Macau. Com curadoria de Sara Neves, a mostra resulta de uma residência artística que se prolongará até 15 de Agosto, dedicada às ligações humanas e culturais “entre Macau e o mundo, à translingualidade, às memórias diaspóricas e ao património afectivo”. Depois desta data, a exposição “continuará a evoluir diariamente e será gradualmente desfeita, em lugar de encerrar de forma convencional”, segundo adianta o IIM.

A residência em Macau e Hong Kong insere-se num projecto mais amplo de investigação doutoral de Cheong Kin Man em Antropologia, desenvolvido na Universidade Nova de Lisboa e no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, com bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Depois desta etapa, o projecto segue para o Brasil até ao final de Setembro e para Portugal entre Outubro e o início de Dezembro. No final do ano, haverá uma residência artística integrada na Bienal de São Tomé e Príncipe, concluindo assim o percurso por quatro continentes.

O programa conta com o apoio do Goethe-Institut Hongkong (Instituto Alemão de Hong Kong), o apoio institucional do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong e o patrocínio honorário do Consulado-Geral da Polónia em Hong Kong. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Portugal - “Apocalipses” na Feira do Livro do Porto

O livro artístico “Apocalipses”, projecto conjunto do visual antropólogo local Cheong Kin Man e da artista polaca Marta Stanisława Sala, integra, até 7 de Setembro, o stand da Greta Livraria de Lisboa na Feira do Livro do Porto, depois de ter percorrido Singapura, Kuala Lumpur, Nuremberga, Berlim, Lisboa, Słupsk, Katowice (Polónia) e Entroncamento. Inspirado em ficção científica, a obra narra a tensão entre humanos naturais e seres artificiais dotados de inteligência extrema.

Originalmente concebido para a Bienal de Macau em 2023, o livro de artistas inclui 60 páginas e centenas de ideogramas fictícios. Esta versão inicial continua disponível em livrarias independentes de Berlim, como a Hopscotch e a Encounters Bookspace.

A edição expandida de 720 páginas, lançada em Junho no Instituto Goethe de Lisboa, contou com o patrocínio da Fundação Oriente (FO). Produzido em tiragem limitada, com exemplares numerados e assinados pelos artistas, o volume acrescenta mais de 500 novos signos ao livro inicial. O suplemento resultou de um projecto expositivo realizado em 2024 na Baviera, em cooperação com as Câmaras Municipais de Cracóvia e Nuremberga e o Instituto Confúcio, que teve igualmente apoio da FO.

Em Junho, o livro ainda acompanhou os eventos literários e musicais “bpM” de Macau em Lisboa, tendo sido apresentado no Atelier Artéria, no Instituto Goethe e no Hangar – Centro de Investigação Artística, assim como no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, segundo destacou a Câmara de Cracóvia numa nota à imprensa internacional. A curadora colombiana Lorena Tabares Salamanca, que integrou a recente mostra da dupla no Centro Científico e Cultural de Macau em Lisboa, enfatizou, numa declaração ao público, o livro pelo modo como “navega pelo carácter críptico de múltiplas linguagens e cosmogeografias”, recorrendo a “tácticas artísticas e relacionais, impulsionadas pela linguagem, que, em sua capacidade de convocar o gesto e o acto, nos convidam a participar” na “desconstrução” de significados. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

 

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Macau - Cheong Kin Man apresenta curta-metragem em Moçambique

O antropólogo visual de Macau vai apresentar uma nova versão da sua curta-metragem “Uma Ficção Inútil” na 3.ª Mostra de Cinema Contemporâneo em Língua Portuguesa, em Maputo, Moçambique. O filme será exibido na próxima terça-feira no festival moçambicano. A nova versão da curta-metragem é agora intitulada “Uma Ficção Inútil – A Resposta”. Juntamente com uma outra curta-metragem da cineasta guineense Vanessa Fernandes, “Mikambaru”, “Uma Ficção Inútil – A Resposta” vai ser projectada num evento chamado “Cinema contemporâneo em língua portuguesa: diálogos sobre filmes de Guiné-Bissau e Macau”, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.

Paola Prandini é co-fundadora da empresa brasileira “Afroeducação”, que organiza o festival, fazendo também a curadoria da mesma. “Pediu-me para legendar o antigo filme em português para o apresentar em Moçambique, mas, como a minha curta-metragem é um trabalho audiovisual que joga com os textos, a linguagem e as palavras, e como já estou demasiado desligado deste antigo trabalho, decidi aproveitar para fazer uma nova versão”, explica Cheong Kin Man em comunicado, acrescentando: “Aproveitei, por isso, o processo de legendagem em português para produzir um novo trabalho que integra num projecto colaborativo com a artista polaca Marta Sala. Vamos mostrar em Moçambique um trabalho em processo, cujo resultado faz parte de um projecto de criar uma exposição na Casa de Cracóvia, em Nuremberga, no estado alemão da Baviera, no próximo ano”.

Segundo explica o antropólogo de Macau sediado em Berlim, esta nova versão do filme aproveita os materiais de imagens em movimento cedidos pelo fotógrafo português Jorge Veiga Alves, antigo residente em Macau, que retratou momentos do período de transferência de soberania de Macau. “Juntamente com a Marta Sala, para a Mostra em Moçambique, procurei ter um equilíbrio de guardar a antiga versão ao adicionar os novos materiais. A nova versão fica, no entanto, cerca de 6 minutos mais curta, pois retirei a parte final inteira do filme, que foi originalmente pensada como uma carta dirigida à crítica americana de origem vietnamita, Trịnh Thị Minh Hà”, explica o antropólogo.

A antiga versão do filme já foi apresentada nos mais de 40 festivais de cinema e de arte – como Festival Internacional de Cinema de Singapura ou Festival de Cinema Independente da China – e em mais de 40 países e territórios. “Uma Ficção Inútil” foi premiado internacionalmente em festivais do Canadá, Espanha, EUA e Índia. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”