Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 2 de novembro de 2024

Moçambique - Relatório aponta o país como um dos 22 focos de fome no mundo

Estima-se que 773 mil moçambicanos devem enfrentar níveis agudos de insegurança alimentar de outubro de 2024 a março de 2025, as razões incluem a violência na província de Cabo Delgado e maior probabilidade de tempestades tropicais, ciclones e inundações com a chegada do fenómeno La Niña


A insegurança alimentar aguda deverá aumentar tanto em magnitude como em gravidade em 22 países e territórios, de acordo com um novo relatório das Nações Unidas, divulgado nesta quinta-feira.
O levantamento destaca os Territórios Palestinos, Sudão, Sudão do Sul, Haiti e Mali como os locais sob o nível de alerta mais elevado. O conflito é a principal causa da fome em todas estas áreas.
Impacto da violência em Moçambique
A publicação, desenvolvida pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA, coloca Moçambique, juntamente com Chade, Líbano, Mianmar, Nigéria, Síria e Iémen, na lista de países de alta preocupação.
O relatório afirma que em Moçambique a situação de insegurança alimentar aguda deve piorar devido ao conflito na província de Cabo Delgado e eventos climáticos extremos induzidos pelo fenómeno La Niña, que estão a agravar perdas agrícolas.
Estima-se que 773 mil pessoas devem enfrentar níveis agudos de insegurança alimentar, de outubro de 2024 a março de 2025.
Aumento de tempestades ciclones e inundações
A situação de paz e segurança em Cabo Delgado deteriorou-se no primeiro semestre de 2024, após a retirada da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique.
A escalada, caracterizada por aumento e disseminação geográfica da violência, deixou mais de 160 mil deslocados de janeiro a julho de 2024, o que representa um aumento de 140% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Além disso, o evento La Niña aumenta a probabilidade de tempestades tropicais, ciclones e inundações mais frequentes de novembro a abril, o que deve impactar negativamente os meios de subsistência em todo o país.
Preocupação com seca em Angola
O levantamento da FAO e do PMA indica que apesar da falta de dados recentes, a situação de segurança alimentar em Angola é preocupante e requer monitoramento.
As províncias do sul e do leste foram afetadas por uma seca induzida pelo fenómeno El Niño. Os baixos estoques de alimentos e a falta de oportunidades de trabalho na agricultura diminuíram significativamente o poder de compra das famílias.
A inflação no país tem aumentado de forma constante, atingindo 31,1% em julho.
Soluções precoces, específicas e diplomáticas
O diretor geral da FAO, Qu Dongyu, disse que a situação nos cinco principais focos de fome é catastrófica.  Segundo ele, “as pessoas enfrentam uma situação de extrema falta de alimentos e fome sem precedentes, impulsionada pela escalada de conflitos, crises climáticas e choques económicos”.
Para a diretora executiva do PMA, Cindy McCain, “chegou a hora dos líderes mundiais intensificarem e trabalharem para alcançar as milhões de pessoas em risco de fome”. De acordo com ela, isso significa fornecer soluções diplomáticas para os conflitos e usar a influência para permitir que os profissionais humanitários trabalhem com segurança.
O relatório sublinha que é essencial tomar medidas precoces e específicas para evitar uma maior deterioração da crise e evitar mortes em massa relacionadas à fome.
A FAO e o PMA apelam aos líderes mundiais para que priorizem a resolução de conflitos, o apoio económico e as medidas de adaptação climática para proteger as populações mais vulneráveis à beira da fome. ONU News – Nações Unidas



sábado, 10 de fevereiro de 2024

Angola debate ação em favor da segurança alimentar e nutricional

O governo e agências parceiras discutiram medidas para o alcance das metas globais sobre segurança alimentar e nutricional. As Nações Unidas integram parceiros de cooperação que pretendem melhorar a nutrição infantil e promover o desenvolvimento do capital humano


A situação de segurança alimentar e nutricional em Angola reuniu autoridades do país e parceiros tendo como foco o processo de transformação desde a produção ao consumo. Até esta quinta-feira, a interação em Luanda incluiu agências da ONU.

Em 2021, a colaboração entre os participantes avaliou essas questões e definiu prioridades para o fortalecimento dos sistemas alimentares nacionais. A medida deu sequência à Cimeira das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares.

Fortalecimento dos sistemas alimentares

Falando no Workshop para Revisão e Atualização da Segunda Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Ensan II, o secretário de Estado das Florestas de Angola, André de Jesus Moda, pediu que a atuação na área continue sendo conjunta.

“As partes interessadas ao processo já estavam coincidentes da necessidade de atuar a todos os níveis e com a máxima urgência, de forma coerente e sustentável, para o alcance dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nos diálogos que foram realizados em quatro regiões.”

Participaram no evento entidades como Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, IFAD, e o Programa Mundial de Alimentação, PMA.

Futuro mais sustentável e inclusivo

O representante da Agência das Nações Unidas para Infância, Unicef, em Angola, Antero de Pina, falou a jornalistas sobre o benefício do intercâmbio entre instituições priorizando o cuidado de crianças desde a idade pré-escolar.

“É um esforço que tem sido feito de forma integrada. Não é só o Ministério da Agricultura e Florestas, mas também os da Saúde, da Educação e da Indústria e Comércio, que estão aqui a participar. E ainda o Ministério das Pescas. É um esforço conjunto para que as políticas e as estratégias nacionais coincidam em tudo para melhorar a situação nutricional do país, e em especial das crianças, que são as mais afetadas. Uma criança afetada por mal nutrição tem mais propensão para ter mais doenças e falecer se não dermos uma atenção particular a esta situação de mal nutrição. Essa é a preocupação que o Unicef tem: evitar que as crianças sofram dos impactos de mal nutrição”.

Alavancar a economia e o desenvolvimento

Tal como em 2021, o evento desta semana reavaliou a implementação dos resultados do processo de transformação dos sistemas alimentares e contribuições para que sejam alcançadas as metas globais.

A cooperação entre Angola e as Nações Unidas enfatiza medidas para que o país enfrente os desafios relacionados aos sistemas alimentares promovendo “um futuro mais sustentável e inclusivo para todos”, tal como prevê a Agenda 2030.

Com o Ensan II e os seus mecanismos, a meta é promover o desenvolvimento do capital humano que “a longo prazo geram retorno produtivo e consequentemente contribui para o alavancar da economia e desenvolvimento”. ONU News – Nações Unidas com “ONU Angola”   


terça-feira, 15 de agosto de 2023

Guiné-Bissau - Apoio alimentar da ONU chegou a mais de 179 mil em julho

Uma campanha do Programa Mundial de Alimentos, PMA, e o Governo da Guiné-Bissau distribui sementes, hortícolas e fertilizantes até ao final de agosto. A ação faz parte do Projeto de Apoio de Emergência à Segurança Alimentar, Pausa.

A meta do Projeto é alcançar mais de 47 mil produtores em situação vulnerável em Bissau e nas oito regiões administrativas do país.


Cereais e legumes

Pelo menos 44 mil potenciais beneficiários já foram identificados pela parceria envolvendo a agência da ONU e cinco organizações não governamentais no terreno.

Desde finais de julho, cerca de 2,5 mil comunidades receberam sementes de produtos como amendoim, feijão e milho. Os beneficiários têm direito entre 15 a 20 kg de uma das variedades e 12 a 35 quilogramas de fertilizante.    

A alta dos preços de alimentos e combustíveis influenciaram a piora da segurança alimentar e nutricional como efeito da Covid-19 e da crise na Ucrânia. O Projeto prevê alargar o acesso a alimentos para famílias vulneráveis.

Desnutrição aguda

O PMA indica que cerca de 96 mil pessoas enfrentam níveis agudos de insegurança alimentar no país. Em média, 28% das crianças dos seis aos 59 meses são debilitadas e 5% das de 6 aos 29 meses acabam perdendo a vida. A Guiné-Bissau é tida como importadora líquida de alimentos

Segundo o estudo, Nutrient Gap realizado pela agência em 2022, mais de dois terços da população não conseguem pagar uma dieta nutritiva saudável de US$ 4 diários para uma família de sete membros.

Horticultoras das regiões de Quinara e Gabu beneficiaram de poços de água, da compra de materiais e medição de perímetros de produção. Mulheres participaram em oficinas de planeamento comunitário sobre empoderamento.

Ações de resposta

Como parte de prevenção e tratamento da desnutrição aguda moderada, 9,3 milhões de toneladas de cereal enriquecido foram colocadas à disposição de 36 centros de saúde em maio. Mais de 520 beneficiários foram alcançados.

O PMA distribuiu arroz adquirido localmente para abastecer 852 cantinas escolares, atingindo perto de 179 mil crianças. Pelo menos 70 técnicos receberam treinamento em gestão integrada de desnutrição aguda, moderada-a-grave e prevenção de desnutrição crónica em Cacheu, Oio, Quinara Tombali.

Ainda no âmbito das atividades nutricionais, nove toneladas métricas de alimentos misturados fortificados foram entregues para ajudar 700 pessoas, 51% das quais são mulheres afetadas por um grande incêndio que atingiu o setor de Canhabaque em fevereiro.

O Projeto de Apoio a Segurança Alimentar coordenado pelo PMA tem duração de um ano. O financiamento é feito pelo Banco Africano de Desenvolvimento com US$ 6,6 milhões.

A distribuição envolve ONG parceiras lideradas por um Comité de Seguimento do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. ONU News – Nações Unidas

 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Angola, Cabo Verde e Moçambique na lista de países com risco de insegurança alimentar

Relatório da ONU alerta para grave situação de fome provocada por conflitos, choques climáticos, pandemia, enormes encargos da dívida pública e a guerra da Ucrânia

A guerra na Ucrânia agravou o aumento constante dos preços globais de alimentos e energia, minando a estabilidade económica em todo o mundo, alerta um relatório da ONU.

O estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e do Programa Mundial de Alimentos, PMA, aponta que o conflito levou a aumentos de preços, particularmente em áreas caracterizadas pela marginalização rural e sistemas agroalimentares frágeis.


Corrida contra o tempo

As duas agências pediram uma ação humanitária urgente para salvar vidas e meios de subsistência e prevenir a fome em 20 áreas onde a necessidade deve aumentar até setembro. Três países de língua portuguesa: Angola, Cabo Verde e Moçambique estão na lista de nações sob risco de insegurança alimentar.

Em meio a várias crises alimentares provocadas por conflitos, choques climáticos, consequências da Covid-19, enormes encargos da dívida pública e a guerra da Ucrânia, as condições devem ser particularmente graves onde a instabilidade económica e o aumento dos preços se juntam a queda na produção de alimentos induzida pelo clima.

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, afirmou que está “profundamente preocupado com os impactos de crises sobrepostas que comprometem a capacidade das pessoas de produzir e aceder a alimentos, levando milhões a níveis extremos de insegurança alimentar aguda”.

Ele adiciona que a FAO está numa “corrida contra o tempo” para ajudar os agricultores nos países mais afetados, aumentando rapidamente a produção potencial de alimentos e aumentando a sua resiliência diante dos desafios.

Desastres climáticos

Além dos conflitos, o relatório conclui que choques climáticos frequentes continuam a causar fome aguda e mostra que entramos num “novo normal”, no qual secas, inundações, furacões e ciclones dizimam repetidamente a agricultura e a pecuária, impulsionam o deslocamento da população e empurram milhões para a miséria em países de todo o mundo.

O diretor executivo do PMA, David Beasley, reforçou que a situação é uma terrível combinação e além de prejudicar os mais vulneráveis, também vai sobrecarregar milhões de famílias que até agora conseguiram encontrar formas de sobrevivência.

Ação rápida necessária

De acordo com o relatório, Etiópia, Nigéria, Sudão do Sul e Iémen permanecem em “alerta máximo” como lugares com condições catastróficas. Afeganistão e Somália estão perto desta categoria preocupante desde o último relatório, divulgado em janeiro.

Todos estes seis países têm partes da população enfrentando níveis de “catástrofe”, em risco de deterioração para condições catastróficas, com até 750 mil pessoas enfrentando fome e morte.

De acordo com o estudo, 400 mil estão na região de Tigray, na Etiópia, arrasada pela guerra – o número mais alto já registado num único país, desde a fome na Somália em 2011.

Primavera Árabe

A República Democrática do Congo, Haiti, Sahel, Sudão e Síria estão em situação de “alta preocupação”, como na edição anterior deste relatório, com o Quênia agora adicionado à lista.

Angola, Líbano, Madagáscar e Moçambique também continuam sendo foco de fome. Sri Lanka, Benin, Cabo Verde, Zimbabué, Guiné e Ucrânia entraram na classificação na publicação atual.

O chefe do PMA alerta que as condições agora são muito piores do que durante a Primavera Árabe, em 2011, e a crise dos preços dos alimentos de 2007 a 2008, quando 48 países foram abalados por distúrbios políticos, tumultos e protestos. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Madagáscar – Prepara-se para o quarto ciclone tropical num mês

A tempestade Emnati é a mais recente de uma série que o país enfrenta desde o final de janeiro. As agências da ONU pedem US$ 26 milhões para ajudar a população, são esperados ventos fortes e chuvas até 500 milímetros


Várias agências da ONU alertaram que Madagáscar deve preparar-se para o quarto ciclone tropical a atingir a nação insular no espaço de um mês. As entidades estão a contribuir com planos para apoiar as autoridades e os mais vulneráveis.

O ciclone tropical Emnati deve afetar a costa leste de Madagáscar assim como as áreas central e sul. O país, no Oceano Índico, está a 400 km da costa leste africana, através do Canal de Moçambique.

Corrida contra o tempo

O porta-voz do Escritório de Assistência Humanitária da ONU, OCHA, Jens Laerke, afirmou que Madagáscar está numa corrida contra o tempo para proteger a população, que já sofreram outros três eventos climáticos extremos.

Destacou que equipas de resposta foram acionadas anteriormente para apoiar as ações lideradas pelo governo.

O OCHA precisa de US$ 26 milhões desde que o ciclone Batsirai atingiu o país, no início deste mês.

Assistência humanitária

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, alertou que a nova tempestade agrava ainda mais a situação em Madagáscar, que ainda recupera de quatro semanas de instabilidade climática.

Dados da ONU indicam que mais de 1,6 milhão de pessoas precisam de assistência humanitária, incluindo as mais de 330 mil na região de Grand Sud que enfrentam níveis emergenciais de insegurança alimentar após secas recorrentes e o impacto da pandemia.

Além de aumentar o número de funcionários no local, o PMA está a coordenar com o governo a distribuição de refeições nas áreas afetadas e 148 toneladas de alimentos armazenados enquanto aguarda outros suprimentos.

Temporada de tufões

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, OMM, é raro ver-se quatro tempestades atingindo o mesmo país no espaço de quatro semanas, mesmo durante a temporada de tufões no Oceano Índico.

Os dados da OMM apontam que embora o ciclone deva ser mais fraco que o previsto, os ventos devem ser muito fortes, atingindo entre 150 e 200 km por hora.

Além do vento, deve chover fortemente com acúmulo até 250 milímetros no espaço de 24 horas nas regiões mais baixas e de 400 a 500 milímetros em altitudes mais elevadas.

Assim, a OMM alerta que as rajadas podem causar inundações e deslizamentos, bem como enchentes nas áreas costeiras pela formação de ondas próximas a 10 metros de altura e um aumento do nível do mar de cerca de um metro.

Estragos

No final de janeiro, Madagáscar foi atingido pela tempestade tropical Ana e em 5 de fevereiro, o ciclone tropical Batsirai atravessou as áreas centrais do país, impactando 270 mil pessoas.

O fenómeno climático deixou cerca de 21 mil deslocados e 20 mil casas destruídas, inundadas ou danificadas.

Mais de 21 mil pessoas ainda estão deslocadas e outras 5 mil foram afetadas pela tempestade tropical Dumako, em 15 de fevereiro, segundo o OCHA. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Brasil - Envia ajuda financeira a famílias afetadas por ciclone em Timor-Leste

O Brasil doou US$ 120 mil para ajudar ações do Programa Mundial de Alimentos, PMA, de apoio a agricultores; tempestades de abril destruíram 2,6 mil hectares de terras


O governo do Brasil acaba de doar US$ 120 mil para ações do Programa Mundial de Alimentos, PMA, em prol de famílias afetadas por um ciclone no Timor-Leste. 

O desastre natural, em abril, afetou mais de 31 mil famílias de agricultores e prejudicou 2,6 mil hectares de terras, na nação de língua portuguesa no sudeste da Ásia.

Sementes

A contribuição brasileira será utilizada para apoiar os esforços de recuperação do Ministério da Agricultura e da Pesca de Timor. O projeto, com duração de seis meses, procura melhorar a horticultura e a criação de gado no município de Bobonaro. 

O PMA explica que o dinheiro servirá para comprar sementes, fertilizantes, pesticidas e equipamentos agrícolas. O Ministro da Agricultura de Timor-Leste, Pedro dos Reis, agradeceu ao governo brasileiro por aquilo que considera ser uma “contribuição generosa”.

Fome Zero

Segundo Reis, o seu país está satisfeito em trabalhar lado a lado com o Brasil, com o PMA e com outros parceiros para restaurar “os meios de subsistência das pessoas afetadas pelo ciclone e para desenvolver ainda mais o setor”. 

Já o embaixador brasileiro em Timor-Leste, Maurício Medeiro Assis, afirmou que o “Brasil está sempre pronto para reforçar a sua cooperação com a ONU para ajudar Timor-Leste a implementar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e conseguir atingir a meta de Fome Zero”. 

Desnutrição afeta crianças

O país ainda sente os impactos do ciclone ocorrido em abril: a insegurança alimentar agravou-se, ainda mais num momento em que o mundo enfrenta a Covid-19. 

Antes da pandemia, um terço da população timorense já tinha insegurança alimentar crónica, quase metade das crianças menores de cinco anos estavam raquíticas e 30% das mulheres em idade reprodutiva sofriam de anemia. 

O aumento do preço dos alimentos e a perda de rendimento da população fez com que 38% das famílias enfrentassem redução da qualidade das suas dietas. 

O PMA destaca ainda que um número cada vez maior de pessoas em Timor abre mão de pelo menos uma refeição por dia devido a não ter o suficiente. 

A vice-diretora do PMA no Timor-Leste, Ashley Rogers, agradeceu ao Brasil pela doação, que segundo ela será essencial para ajudar os agricultores a reconstruírem os meios de subsistência perdidos com as cheias. ONU News – Nações Unidas   


terça-feira, 7 de dezembro de 2021

CPLP - Promove movimento internacional sobre sistemas alimentares sustentáveis

A implementação deve começar em abril de 2022. A aliança é inspirada na Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional adotada há uma década. São Tomé e Príncipe apresenta iniciativa sobre produção biológica em todo o seu território


A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, lançou uma proposta para que os países possam aderir a uma aliança sobre sistemas alimentares sustentáveis.

Representantes do bloco lusófono reuniram-se na sede da ONU em Nova Iorque para promover a ação que deve ser implementada em abril de 2022. A proposta reforça a meta da Cúpula de Alimentos Sustentáveis realizada pela ONU em setembro, durante o Debate Geral com líderes de todo o mundo.

Implementação

O diretor da Cooperação do Secretariado Executivo da CPLP, Manuel Lapão, falou à ONU News sobre as experiências em lidar com a segurança alimentar dos Estados-membros e que podem ser oferecidas neste espaço.

“Nós temos países com uma grande escala como é o caso de Brasil, Angola e Moçambique. Depois temos países com uma escala bem menor, como é o caso de Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e até Timor-Leste, por exemplo. Nesse sentido, como se olha para a segurança alimentar, também temos enquadramentos sobre todos eles de forma distinta. É evidente que as questões cada vez mais presentes das alterações climáticas implicam a necessidade de olhar para essas questões de uma forma mais atenta. Mais recentemente, com a pandemia de Covid, nós verificamos que a maneira como as pessoas passaram a aceder aos alimentos, ou as dificuldades que tiveram os acessos aos alimentos, veio complicar ainda mais a vida delas.”

Num cenário apresentado como modelo no bloco, o ministro da Agricultura de São Tomé e Príncipe, Francisco Ramos, contou que o arquipélago promove uma produção biológica em todo seu território.

“Exportamos a saúde e possivelmente importamos a doença. Os produtos que nós importamos carecem de certificação. Tão pouco sabemos quando é que produzimos, como foi produzido e como chegou. Sendo assim, temos as grandes culturas como cacau, café, milho e óleo de palma e já estão certificadas. Resta a menor parte, e a mais difícil, que é a horticultura, que é para daí desenvolvermos algumas atividades para certificarmos as hortícolas. Começamos um certo engajamento dos horticultores para dar resposta a produtos certificados de qualidade.”

Famílias deslocadas

Para garantir que nesse processo não sejam usados inseticidas ou adubos químicos, São Tomé e Príncipe tem interesse em fechar parcerias para alcançar o que chama futuro 100% biológico.

A segurança alimentar sustentável é uma meta a alcançar para que São Tomé e Príncipe apoie cerca de 16 mil famílias deslocadas pelas alterações do clima.

Cerca de 4% de território foram perdidos por causa da subida das águas do mar. 

As reuniões realizadas em Nova Iorque envolveram o Banco Mundial e representantes da União Europeia. Países como França, Itália, Espanha, Japão, Índia e Turquia também foram contactados para participar na iniciativa.

A CPLP destacou a Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional, lançada em 2011, tem inspirado o movimento para criar a futura aliança sobre sistemas alimentares sustentáveis. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 7 de julho de 2021

Moçambique – Deslocados em Cabo Delgado na iminência de uma “crise alimentar fora do controlo”

Programa Mundial de Alimentos quer apoio urgente no valor de US$ 121 milhões para a província no norte de Moçambique, a ação de grupos armados não-estatais começou em 2017. Vítimas da fome devem aumentar na estação de escassez que começa em outubro


Cerca de US$ 121 milhões são necessários, urgentemente, para apoiar 750 mil pessoas na região de Cabo Delgado, até ao final deste ano. A região é afetada pela violência de grupos extremistas desde 2017.

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, advertiu esta terça-feira que sem o dinheiro, “uma das crises de deslocados de crescimento mais rápido no norte de Moçambique corre o risco de se tornar uma emergência de fome.”

Auxílio 

Cabo Delgado é rica em recursos naturais. Com o agravamento do conflito, no último ano, o número de deslocados subiu sete vezes.

A agência receia que, sem recursos, já no próximo mês seja reduzida ou cortada a assistência alimentar aos deslocados.  

Com as famílias totalmente dependentes de apoio humanitário, uma eventual interrupção pode deixar a crise fora de controlo. Muitas famílias continuam a fugir da violência.

O chefe do PMA, David Beasley, que visitou Cabo Delgado em junho, contou que “o conflito destruiu os empregos, as vidas e as esperanças dos moçambicanos para o futuro. Os insurgentes destruíram famílias, queimando as suas casas, traumatizando crianças e matando pessoas”.

Vila de Palma

Neste momento, estas comunidades dependem completamente do PMA e parceiros para comer e se reerguer.

Mais de 730 deslocados perderam acesso às suas terras e meios para ganhar a vida. Antes do ataque à vila de Palma, em 24 de março, quase 228 mil pessoas sofriam de insegurança alimentar.

Na estação de escassez que começa em outubro o número deve subir para 363 mil, adverte o PMA.

Muitos dos que fugiram de Palma para os distritos vizinhos são acolhidos por pessoas vivendo em condições precárias.

Desnutrição 

A pressão adicional sobre os recursos já escassos afeta os anfitriães que já sofrem com o aumento dos preços dos alimentos e a perda de rendimento devido à pandemia. 

Vários distritos reportam insegurança alimentar causada pelo fluxo de deslocados.

A situação atinge com maior gravidade às crianças. 

Cerca de 75 mil menores de cinco anos sofrem de desnutrição aguda. A situação deverá piorar com mais distritos propensos a atingir os níveis considerados “críticos” de desnutrição. ONU News – Nações Unidas     


 

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Timor-Leste - Voos da ONU ajudam a analisar tamanho do estrago causados pelas cheias

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, realizou uma série de voos de avaliação para saber a exata extensão dos danos agrícolas e de infraestruturas causados ​​pelo ciclone Seroja, que atingiu Timor-Leste no início deste mês.

Chuvas torrenciais e as piores inundações em 40 anos foram o resultado do desastre natural. O governo declarou estado de calamidade e pediu ajuda internacional.


Apoio

Em comunicado, o secretário de Estado da Proteção Civil, Joaquim Martins, disse que, com o apoio logístico do PMA, o governo timorense conseguiu distribuir materiais de socorro às famílias afetadas em 48 horas. Díli, a capital do país, foi a área mais atingida.

Segundo Martins, “estas avaliações aéreas são críticas para ajudar a compreender a verdadeira extensão dos danos, não só em Díli, mas também em outros distritos.”

Dados preliminares indicam que 10325 pessoas foram atingidas em oito municípios timorenses. Em Díli, 76% da população sofreu com o desastre. 

Joaquim Martins contou ainda que, com a informação será possível “determinar as nossas necessidades, definir prioridades e conceber intervenções para o futuro.”

Danos

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pescas, cerca de 1,6 mil hectares de arroz e 295 hectares de plantações de milho foram danificados em seis municípios.

Os dados foram recolhidos após três voos de avaliação cobrindo Viqueque, Manatuto, Baucau, Manufahi, Ainaro, Covalima, Oecussi, Bobonaro e outros distritos, entre 16 e 21 de abril.

O ministro da Agricultura e Pescas, Pedro Reis, informou que, depois das cheias, “muitos esquemas de irrigação foram danificados, o que é arrasador porque a maioria da população é composta por agricultores de subsistência.”

Avaliação

A partir desta semana, o PMA e a Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura, FAO, realizam uma missão de avaliação de colheitas e segurança alimentar para conhecer os impactos da crise na segurança alimentar.

O diretor nacional do PMA no país, Dageng Liu, disse que os voos da agência “permitiram avaliar os danos em dias em vez de semanas.”

A iniciativa, realizada em nome do governo, teve o apoio da Mission Aviation Fellowship, MAF. 

Liu afirmou estar satisfeito porque “a parceria deu uma contribuição positiva para a recuperação do país das inundações arrasadoras.”

Representantes da Secretaria de Estado da Proteção Civil, Ministério da Agricultura e Pesca, Ministério do Planejamento e Território, Ministério das Obras Públicas e da ONU têm participado das avaliações aéreas. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 23 de abril de 2021

Nações Unidas - Mais de 950 mil pessoas enfrentam fome severa no norte de Moçambique


O Programa Mundial de Alimentos, PMA, disse que a crise na província de Cabo Delgado em Moçambique está a agravar-se, à medida que milhares de pessoas fogem da violência.  

O conflito entre tropas do governo e extremistas agravou a insegurança alimentar no norte do país, onde mais de 950 mil pessoas passam fome severa.  O PMA aumentou a sua resposta e deve apoiar 750 mil deslocados internos e membros das comunidades de acolhimento em Cabo Delgado, Nampula, Niassa e Zambézia.

Ataques 

Os ataques de 24 de março, na vila de Palma, afetaram 50 mil pessoas. Muitos fugiram para Pemba, a capital da província, enfrentando jornadas perigosas em mares revoltos.

O PMA diz que atua sem parar para garantir o acesso aos mais necessitados. A agência usa barcos para chegar a áreas remotas, nas ilhas costeiras vizinhas.

Em comunicado, a diretora nacional do PMA no país, Antonella Daprile, disse que “as pessoas espalharam-se em muitas direções diferentes desde os recentes ataques.”

Segundo ela, “os sobreviventes ficam traumatizados” ao serem obrigados a fugir somente com a roupa do corpo. Muitas famílias foram separadas.      

Ela contou o caso de uma jovem mãe, que caminhou com as duas filhas por três dias sem comida ou água e sem saber se a família tinha escapado com vida.

Chuvas

Na última semana, a região foi afetada por fortes chuvas, agravando a situação.

O PMA lembra que a temporada de ciclones continua a ser uma ameaça. 

As crianças são as mais afetadas pela insegurança alimentar, com um aumento preocupante da desnutrição.

Segundo uma pesquisa recente do PMA com o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, quase 21% das crianças deslocadas com menos de 5 anos e 18% das crianças nas comunidades de acolhimento estão abaixo do peso.

Ao mesmo tempo, as taxas de desnutrição crónica, que tem consequências ao longo da vida, atingiram níveis alarmantes, afetando 50% das crianças deslocadas e 41% dos jovens das comunidades anfitriãs.

Resposta

O PMA organiza distribuições emergenciais de alimentos para as famílias que fugiram da violência em Palma. A agência fornece biscoitos energéticos e rações alimentares com arroz, leguminosas, óleo vegetal, alimentos enlatados como sardinha e feijão, biscoitos e água.

Mais tarde, as pessoas serão incluídas no programa regular mensal de assistência alimentar, que pretende chegar a 50 mil deslocado de Palma.

O PMA precisa de US$ 82 milhões para responder à crise na região e apoiar os mais vulneráveis, principalmente mulheres e crianças. In “ONU News” – Nações Unidas    


 

terça-feira, 30 de março de 2021

Moçambique – Nações Unidas profundamente preocupada com segurança de civis em Palma

O porta-voz do secretário-geral destaca relatos alarmantes de que dezenas de civis podem ter sido mortos durante ataques e confrontos desde a semana passada. A organização está preparada para responder à chegada de pessoas que fogem da violência no país africano de língua portuguesa

A ONU e os parceiros humanitários estão profundamente preocupados com a segurança dos civis na cidade de Palma, no norte de Moçambique, após um ataque por grupos armados. 

A ofensiva ocorreu em 24 de março, e segundo as agências de notícias, terroristas e extremistas islâmicos teriam assumido o controlo de partes da cidade, que fica perto de Pemba, capital de Cabo Delgado.

Verificar informações

Em nota emitida, nesta segunda-feira, o porta-voz do secretário-geral informou que as comunicações na cidade estão interrompidas e é extremamente difícil verificar os detalhes e desdobramentos no país africano de língua portuguesa.

Apesar das dificuldades, a ONU recebeu relatos alarmantes de que dezenas de civis podem ter sido mortos durante os ataques.

A ONU calcula que milhares fugiram de Palma a pé, de barco e pela estrada para escapar da violência. Muitos só levam a roupa do corpo, algumas pessoas entraram pelas matas e precisam de ajuda urgente.

As Nações Unidas e os seus parceiros estão a posicionar equipas de assistência humanitária.

Mas a organização precisa de financiamento adicional para responder a esta nova crise.

Crise alimentar

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, expressou preocupação com o agravamento da crise e a situação de segurança alimentar na região. 

A agência está enviando 2 mil rações de resposta imediata para apoiar a população deslocada, caso cheguem a Pemba, Ilha de Ibo ou Mueda.

Outros 2 mil kits de rações de resposta estão sendo posicionados para apoiar as populações deslocadas na parte sul do distrito de Palma. 

A assistência alimentar adicional foi temporariamente suspensa como resultado da violência contínua.

O Serviço Aéreo Humanitário administrado pelo PMA está apoiando a evacuação de civis, incluindo mulheres e crianças e equipes médicas foram mobilizadas para tratar os feridos. In “ONU News” – Nações Unidas


quinta-feira, 18 de março de 2021

Guiné-Bissau - Fraca campanha agrícola e pandemia agravam fome


O Programa Alimentar Mundial e o governo guineense querem melhorar a recolha de informação para reverter os impactos dos desastres, através de ajudas de proteção e assistência às populações vulneráveis em zonas de choques.

A ação coincide com o programa estratégico nacional ONU-Guiné-Bissau, assinado em meados de 2019.

Desastre

O número de pessoas com fome extrema subiu de um terço para a metade da população na Guiné-Bissau. Uma das causas pode ter sido as cheias que comprometeram a última campanha agrícola, em alguns pontos do país, e as repercussões da Covid-19 na frágil economia guineense.

Em conversa com a ONU News de Bissau, o representante do PMA salientou que os dois choques agravaram os indicadores de fome e pioraram o índice de sobrevivência. Para João Manja, as dificuldades são maiores por causa da nova norma de vida e a vitória contra o vírus é certa.

“O que as pessoas têm que fazer agora para ganhar a vida é bastante mais extremo do que faziam antes da Covid-19, mas por outro lado, há desafios de intervenção e nós estamos aqui, abraçando esta causa, aceitando-a como uma causa nossa juntamente com o governo e outros parceiros para dizer que havemos de vencer”.

Donativo

No âmbito de resposta a situações de crise, o PMA adotou o Serviço Nacional de Proteção Civil de uma ambulância, duas viaturas todo terreno, 30 telemóveis e quatro computadores. A formação dos funcionários públicos em gestão de emergências, coleta e a informatização dos dados sobre as infraestruturas para a gestão dos riscos de desastre foram outros dos apoios.

Em consequência, o fluxo e a qualidade de informações recebidas em tempo útil melhoraram bastante, explicou João Manja. Sustentou que a meta de transformar a Proteção Civil num centro de excelência vai moldar o comportamento das comunidades, permitindo-lhes melhorar a sua resposta aos desastres.

Quanto à novidade para este ano, o realce foi a introdução do componente dos sistemas alimentares. O trabalho envolve o escritório do chefe do Sistema das Nações Unidas e o Ministério da Agricultura.

Perspectivas

“Sentimos que este é um programa que vai trazer uma grande contribuição na área de resiliência e da melhoria da posição económica dos pequenos agricultores que muitas vezes são também as mesmas pessoas que passam situações sazonais de fome”. 

O representante afirmou que a parceria com o governo está não só a conhecer uma grande expansão, como a passar por uma fase de qualificação dos parceiros por forma a serem capazes de planear e implementar os programas do desenvolvimento e eliminação da fome  

Para ele, não há razão nenhuma para que continue a haver uma única pessoa que não tenha acesso a segurança alimentar adequada. Manja reiterou o engajamento do Programa no cumprimento da sua missão de eliminação de fome e combate a desnutrição. 

O PMA trabalha com o Serviço de Proteção Civil, tutelado pelo Ministério do Interior no alerta precoce, aviso prévio e na resposta a desastres, objetivo estratégico número um. Amatijane Candé – Guiné-Bissau, ONU News – Nações Unidas  


 

sábado, 26 de dezembro de 2020

Angola - Programa Mundial de Alimentos em parceria com o governo leva alimentos a crianças de Luanda


O Programa Mundial de Alimentos e o Governo de Angola lançaram uma parceria para apoiar 1 milhão de crianças na capital do país, Luanda. A ação visa atender crianças sofrendo de má nutrição em comunidades afetadas pela Covid-19.  

Em comunicado, a diretora do Departamento de Saúde Pública de Luanda, Catarina Oatanha, disse que a colaboração com a ONU deve fortalecer o sistema nacional para responder rapidamente a crianças carentes.   

Crescimento

A desnutrição é uma das maiores causas de morte de crianças menores de cinco anos. Pelo projeto, o PMA realizará formação para agentes de saúde, que farão a avaliação nutricional em mais de 1,1 milhão de menores.

A agência da ONU também fornecerá suplementos altamente nutritivos para serem distribuídos pelas autoridades da província de Luanda a pelo menos 37 mil crianças, com menos de cinco, que estão subnutridas.  

Representando o PMA em Angola, Michele Mussoni, disse que a má nutrição aguda afeta a todos na comunidade, mas bebês e crianças são os que mais sofrem por precisarem da nutrição para o crescimento e o desenvolvimento.  

Amamentação

Com a pandemia, a principal fonte de sustento das famílias deixou de existir agravando a situação.  

A parceria do PMA com autoridades em Luanda também deve ajudar a melhorar capacidades e conhecimentos das famílias, cuidadores e sobre amamentação, higiene, nutrição e formas de prevenção da Covid-19.  

O programa tem o apoio do Banco Mundial e abrange a merenda escolar e avaliação sobre nutrição e segurança alimentar. ONU News – Nações Unidas  


 

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Moçambique – Programa Mundial de Alimentação preocupado com a situação da população na província de Cabo Delgado

PMA pede US$ 4,7 milhões para socorrer vítimas de conflito em Moçambique


O Programa Mundial de Alimentação, PMA, informou que está preocupado com a situação dos moradores em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A agência da ONU atua na área, que sofre uma crise humanitária após a intensificação da violência nos últimos anos.

Cabo Delgado, conhecido por suas belezas turísticas foi arrasado com a passagem do ciclone Kenneth, no ano passado. Nos últimos meses, ataques de militantes extremistas islâmicos provocaram uma intensificação das respostas por forças de segurança do país. De acordo com o PMA, sem financiamento adicional, a agência terá que reduzir a distribuição de alimentos já em dezembro.

Mulheres e crianças

Em comunicado, a representante do PMA em Moçambique, Antonella D’Aprile, afirmou que a crescente insegurança e a infraestrutura deficiente tornam difícil fazer chegar ajuda aos moradores. Com a Covid-19, a distribuição de alimentos tornou-se ainda mais complexa.

Desde 2017, Cabo Delgado tem sofrido com ataque de grupos armados não-estatais, que resultaram em perda de vidas e danificaram severamente a infraestrutura da província.

Milhares de pessoas fugiram para a Tanzânia, e analistas já manifestaram preocupação com uma regionalização do conflito.

Desnutrição

O PMA lembra que com a violência e a insegurança, as comunidades perderam o acesso a alimentos e fontes de rendimento. A situação pode ficar ainda mais grave para as mulheres e crianças.

A província de Cabo Delgado tem a segunda maior taxa de desnutrição crónica do país. Ali, mais da metade das crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição crónica. 

Milhares de deslocados internos procuram refugio nas províncias e países vizinhos. O PMA em colaboração com governo tem como plano atingir 310 mil pessoas por mês nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa com alimentos, apoio nutricional e vouchers. Ouri Pota – Moçambique ONU News


terça-feira, 15 de setembro de 2020

Noruega – Apoio humanitário às populações do norte de Moçambique

O donativo norueguês deve apoiar dezenas de milhares de afetados por ataques armados no extremo norte, a agência Programa Mundial de Alimentação da ONU aponta que a situação humanitária requer intervenções em diferentes setores e de forma coletiva, o auxílio inclui apoio na resposta nacional à Covid-19



O Programa Mundial de Alimentação, PMA, anunciou que vai apoiar cerca de 32 mil deslocados na província moçambicana de Cabo Delgado com o donativo de US$ 1 milhão recebidos da Noruega.

A agência explicou que a resposta humanitária na região se deve aos ataques armados de insurgentes nos distritos no extremo norte. Estima-se que mais de 300 mil pessoas procurem refúgio nas províncias vizinhas de Nampula, Niassa e Zambézia.

Cooperação

O encarregado de Negócios da Embaixada da Noruega em Moçambique, Tom Edvard Eriksen, realçou os vínculos de cooperação de 40 anos com o país ao lamentar a situação humanitária.

“É uma grande tristeza ver todo um esforço de desenvolvimento colapsado, primeiro pelos ciclones Idai e Kenneth, que atingiram o país em março e abril de 2019 e agora, cada vez mais acelerados pela insurgência armada no norte de Cabo Delgado”.

Já a Representante do PMA em Moçambique, Antonella D’Aprile, agradeceu ao governo da Noruega pelo apoio nos últimos anos. Destacou o auxílio dado na sequência dos dois ciclones que atingiram o país em 2019.

“Esperamos que o acordo contribua para aliviar o sofrimento dos moçambicanos deslocados que se encontram em situação de calamidade e que além do apoio alimentar, possam ser erguidas instalações necessárias para ajudar a prevenir a contaminação comunitária pela Covid-19, que atualmente está a aumentar.”

Salvar vidas

A agência afirmou que a atual crise requer intervenções em diferentes setores e de forma coletiva. As metas incluem salvar vidas e trabalhar em prol de uma solução sustentável.

O PMA oferece ajuda alimentar a mais de 200 mil pessoas nas províncias de Cabo Delgado e Nampula, em colaboração com as autoridades locais e parceiros humanitários.

A agência distribui alimentos em espécie e em senhas de valor para os mais vulneráveis e trata crianças e mulheres desnutridas. Além disso realiza ações de comunicação para a mudança social e de comportamento para melhorar a nutrição.

O PMA colabora também com outras agências das Nações Unidas, organizações não-governamentais internacionais e parceiros do governo no estabelecimento de centros de tratamento da Covid-19. Ouri Pota – Moçambique in “ONU News”