Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Moçambique - Insegurança e choques climáticos agravam situação alimentar no país

Cerca 3,5 milhões de pessoas enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda, deste número 277 mil necessitam de intervenção urgente para minimizar a situação


As regiões moçambicanas do norte e centro são as mais afetadas pela insegurança alimentar e por choques climáticos. São as províncias de Cabo Delgado e Nampula, no Norte, Zambézia, Tete e Sofala no Centro.

O deslocamento relacionado com o conflito, os impactos de ciclones e choques climáticos recorrentes têm degradado significativamente os meios de subsistência e a capacidade de resposta das populações.

Intervenção urgente

O líder da equipa de Análise de Vulnerabilidade e Mapeamento do WFP Moçambique, Domingos Reane, diz que os grupos mais afetados incluem agregados familiares rurais e populações em distritos afetados pelos ciclones.

“Deste número de 3,5 milhões temos cerca de 277 mil pessoas que estão na fase 4. A Fase 4 quer dizer que são pessoas que têm grande défice alimentar e por vezes com desnutrição aguda já elevada. São pessoas que necessitam de intervenção urgente para minimizar estes problemas de segurança alimentar”

Dos 108 distritos avaliados, o resultado é de 3,5 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda. É a combinação das duas avaliações que foram feitas em 2025. A avaliação pós-choque efetuada em abril de 2025 e avaliação pois colheita em setembro de 2025.

O especialista do WFP detalha a análise afirmando que todos os grupos enfrentam problemas de segurança alimentar. Ele cita os fatores que determinaram o elevado índice de insegurança alimentar no país.

Causas do elevado índice de Insegurança alimentar

“A irregularidade das chuvas e o período prolongado de seca, os efeitos cumulativos dos sucessivos ciclones, a insegurança persistente e o deslocamento que têm ocorrido na zona norte devido aos conflitos, continuam a perturbar os meios de subsistência e continuam a restringir acesso ao alimento, ao mercado e aos serviços básicos e por ultimo, os preços elevados dos alimentos e a redução do poder de compra continuam a limitar o acesso a alimentação de muitos familiares pobres.”

Embora algumas áreas produtivas tenham registado melhorias após a colheita de 2024/2025, especialistas afirmam que há uma necessidade de assistência humanitária sustentada para salvar vidas, bem como de proteção dos meios de subsistência.

Projeção

A projeção sobre a insegurança alimentar aguda no período de abril a setembro de 2026, indica que o número de necessitados de assistência urgente poderá reduzir de 1,2 milhão para cerca de 529 mil pessoas.

A insegurança alimentar aguda continua a ser um desafio para o governo e parceiros influenciados pela alta vulnerabilidade choques climáticos.

A questão é agravada pela localização ao longo da costa do Oceano Índico e pela instabilidade persistente no norte de Moçambique. Ouri Pota – Moçambique ONU News


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Moçambique - Unicef precisa de US$ 5 milhões para salvar milhares de crianças

A Agência diz que 15 mil crianças estão em risco de morte, 100 mil vão precisar de tratamento, mas há apenas capacidade para apoiar 20% dos casos. As províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa são as mais afetadas pela desnutrição


O Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, em Moçambique afirma que se não for garantido o novo financiamento, 15 mil crianças no país, poderão ficar sem tratamento para a desnutrição grave e a vida dessas crianças estará em risco.

A região norte é a mais afetada. São as províncias de Niassa, Nampula e Cabo Delgado devido ao conflito. O somatório dos casos das três províncias contribui para 40% de todas as ocorrências de desnutrição em Moçambique.

Apoio adicional urgente

Os suprimentos nutricionais escasseiam devido a cortes no financiamento. Sem apoio adicional urgente a vida das crianças estará em risco, segundo explica a gestora de nutrição do Unicef em Moçambique, Fanceni Baldé.

“Precisamos de pelo menos US$ 5 milhões até março deste ano para permitir-nos comprar 20 mil caixas de suplementos nutricionais que salvam vidas. Eles poderão ser distribuídos para 120 unidades de saúde em Moçambique. Com esse valor poderemos também apoiar as unidades sanitárias a realizar brigadas móveis, levar serviços de imunização, tratamento da desnutrição, atendimento a grávidas, tratamento de doenças diarreicas e malária, a nível de comunidades que mais necessitam.”

Dados do inquérito demográfico de saúde, IDS 2022, indicam que o atraso de crescimento é o problema de nutrição mais significativo, afetando mais de 2 milhões de crianças moçambicanas anualmente.

Estima-se que 100 mil crianças com menos de cinco anos necessitam de tratamento para a desnutrição aguda grave. Em 2025, as províncias de Niassa, Nampula e Cabo Delgado registaram 47 mil casos de desnutrição nos últimos 12 meses.

Zonas prioritárias

A especialista em Nutrição da Unicef Moçambique destaca as zonas prioritárias face ao plano de contingência.

“Nós temos 15 mil crianças em risco de morte, mas sabemos que pelo menos 100 mil vão precisar de tratamento. O plano de contingência é a repriorização dos nossos recursos, estão muito escassos. Nós só temos capacidade neste momento para apoiar 20% dos casos que precisam de tratamento. Vamos priorizar as zonas mais afetadas. Em Cabo Delgado sete distritos, Nampula seriam quatro e Niassa apenas três. Mas sabemos que outras partes de cada uma destas províncias vão precisar desse apoio.”

Baldé afirma que investir no combate à desnutrição contribui para não deixar ninguém para trás, assim como, garante que Moçambique alcance as metas do desenvolvimento sustentável, ODS.

“Estimativas do Banco Mundial indicam que cada dólar que Moçambique investe no combate na desnutrição vai gerar pelo menos US$ 23 de retorno ao investimento. E é por isso que nos achamos que combater a desnutrição, prevenir mortes infantis evitáveis devido a desnutrição é uma das principais estratégias que podem garantir que Moçambique alcance as metas do desenvolvimento sustentável.”

Pobreza, insegurança alimentar e choques climáticos

Moçambique enfrenta um dos mais graves casos de desnutrição na África Subsaariana.  A pobreza, a insegurança alimentar, os choques climáticos, o acesso limitado aos serviços de saúde e saneamento são algumas das causas consideradas profundas.

Para Fanceni Baldé, a desnutrição contribui também para o aumento da mortalidade infantil no país.

“A desnutrição contribui com um terço de todas as mortes em Moçambique. Quer dizer uma criança com malária, por exemplo, se tiver desnutrição tem muito mais risco de morrer por causa dessa condição que está em baixo.

No ano passado morreram cerca de 300 crianças nas unidades de saúde por desnutrição, mas estimamos que este número não seja a realidade, tendo em conta que muitas das crianças que morrem por causas evitáveis como é o caso da malária, o sarampo ou até da cólera. O que lhe está a causar esse aumento da mortalidade é mesmo a desnutrição, a falta de alimentos.”

A Unicef trabalha em parceria com governo e outras entidades para fortalecer a resiliência de crianças e jovens diante dos desafios climáticos e hídricos.

A acão envolve a proteção das crianças por meio da melhoria de serviços essenciais, do desenvolvimento de habilidades para adaptação e a garantia de que elas sejam priorizadas na alocação de recursos financeiros e materiais relacionados a iniciativas climáticas. Ouri Pota – Moçambique ONU News


quarta-feira, 12 de junho de 2024

Guiné-Bissau - Programa Mundial de Alimentos apoia iniciativa de nutrição que beneficiou a população

O projeto contra a desnutrição envolve US$ 6,7 milhões da dívida convertida pela Espanha. Os pacientes de HIV nas regiões de Bafatá, Gabu, Oio, Cacheu, Quinara e Bissau receberão ajuda. A ação chegou a mais de 32 mil guineenses no ano passado


O Programa Mundial de Alimentos, PMA, implementará um projeto de nutrição que pretende fazer uma cobertura completa da ação do governo na Guiné-Bissau na sequência de uma troca da dívida de US$ 6,7 milhões com a Espanha.

As autoridades espanholas anularam US$ 5,3 dos 12 milhões da dívida da Guiné-Bissau, caso o país africano invista o valor restante no apoio à prevenção e ao tratamento da desnutrição implementados pela agência da ONU.

Conversão de dívida

Uma delegação espanhola avaliou recentemente o progresso da iniciativa. Três centros de saúde foram visitados na região de Oio, que apresenta índices de atraso de crescimento mais críticos, com 36,8%, e onde os níveis de desnutrição aguda chegam a 6,6% em crianças menores de cinco anos.

Nas regiões de Bafatá e Gabu, o pico da prevalência é de 31,6 e 30,5 pontos percentuais. A situação nutricional é considerada deficiente, de acordo com a   classificação da Organização Mundial da Saúde, OMS.

A irmã Valéria Amato é responsável do Centro Sanitário Madre Caterina Troiani no setor de Nhacra, norte da Guiné-Bissau. Ela vê “esperança e satisfação da comunidade beneficiária” pela ação.

“O nosso povo precisa mais do que nunca, sabemos porque estamos nesta luta. Então, podemo-nos sentir mais aliviados e o povo, sobretudo os grupos vulneráveis como mães, crianças acometidos pelo HIV, com desnutrição e outros problemas, poderão vir a ser beneficiados. Isso nos dá grande consolo.”

Crianças e Mulheres

O programa presta apoio aos necessitados abordando questões de nutrição e segurança alimentar, especialmente em crianças. Muitas famílias guineenses não têm condições para dar alimentação adequada aos filhos. Apenas 32% da população têm acesso a uma alimentação saudável e nutritiva.

Entre as ações previstas pela iniciativa estão transferências em dinheiro a mulheres, meninas grávidas e novas mães que frequentam consultas pré e pós-natais.

O projeto deverá também sensibilizar estes grupos sobre práticas de alimentação de bebés e crianças na implementação do Programa da Gestão Comunitária de Desnutrição Aguda.

O ministro guineense da Saúde Pública, Domingos Malú, disse que a ideia é apoiar os esforços do governo para atingir as seis prioridades globais de nutrição da OMS.

HIV/Aids e Tuberculose

“Não é demais fazer seguimento àquilo que é execução, é nesta perspectiva que saímos em conjunto para vir às localidades e ver como é que são aplicados os fundos e como aquilo que é alocado é recebido pelos beneficiários. Constatamos enormes dificuldades, ainda há uma necessidade do engajamento do Estado da Guiné-Bissau.”

O projeto de nutrição do PMA cobrindo cinco regiões e Bissau atua desde 2022 na prevenção da desnutrição aguda em mulheres, crianças e pessoas vivendo com HIV e tuberculose. A iniciativa também oferece cuidados pré-natais.

Em 2023, um total de 31843 crianças e 607 mulheres foram assistidas pela iniciativa.

Impacto na vida das pessoas

Dados recentes indicam que 23% das pessoas vivendo com HIV, ou 3% da população do país, estão desnutridas. Nos pacientes com tuberculose, o número é de 43%. A insegurança alimentar afeta um quinto dos pacientes com as duas condições.

O PMA elogiou “o apoio de Espanha e a liderança do governo guineense” em implementar o projeto e destacou a atuação conjunta para tornar mais eficientes as mudanças com impacto na vida dos beneficiários. 

A agência atua com o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, em ações comunitárias de nutrição, água e saneamento em escolas e unidades de saúde em apoio a crianças menores de cinco anos e em idade escolar, além de mulheres grávidas e lactantes. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Timor-Leste - Parceria com o Programa Mundial de Alimentação garante alimento nutritivo para gestantes e lactantes

Acordo deve apoiar 10,8 mil beneficiários com 389 toneladas do suplemento. A agência da ONU alerta que mulheres e jovens em idade fértil são as que apresentam déficit alimentar e nutricional


O Programa Mundial de Alimentação, PMA, fechou uma nova parceria com Timor-Leste que vai investir no suplemento fortalecido Super Cereal que combate o atraso no crescimento infantil.

A iniciativa pretende adquirir stocks do alimento nutritivo especializado para combater a desnutrição para mais de 10,8 mil grávidas e lactantes. O fundo inicial é de US$ 600 mil.

Super Cereal

O acordo entre a agência da ONU e o Ministério da Saúde de Timor-Leste aplicará o valor na compra de 389 toneladas do Super Cereal a serem distribuídos em 2024.

A entrega do produto, que ajuda a abordar e gerir a desnutrição aguda e crónica, será feita em “13 municípios que enfrentam lacunas alimentares e nutricionais”, segundo o PMA.

Para a ministra timorense da Saúde, Élia dos Reis Amaral, com a entrega do suplemento em Centros de Saúde Comunitários, o governo de Timor-Leste melhorará a nutrição dos beneficiários em período vital do desenvolvimento dos menores.

Peso das lacunas alimentares nutritivas

Já a representante do PMA em Timor-Leste, Alba Cecilia Garzon Olivares, sublinhou que mulheres e jovens em idade fértil enfrentam o peso das lacunas de acesso aos alimentos mais nutritivos no país.

A situação associada ao impacto da Covid-19, à alta de custos dos alimentos e aos choques climáticos coloca as mulheres em maior risco de desnutrição. O outro benefício da iniciativa é promover “um futuro mais saudável para mães e crianças” timorenses.

A nova iniciativa faz parte da estratégia de Timor-Leste para erradicar o atraso no crescimento e atingir a meta de fome zero até 2030.

De acordo com uma avaliação do PMA, as mulheres grávidas e lactantes, jovens, bebés e crianças pequenas correm o maior risco de desnutrição em Timor-Leste devido às altas necessidades de nutrientes e à sua baixa ingestão. ONU News – Nações Unidas



quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Moçambique - Mingau enriquecido tira crianças da desnutrição

Projeto da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, ensina mulheres na província de Cabo Delgado a prepararem refeições com alimentos locais. A província possui a maior taxa de desnutrição entre crianças até aos cinco anos no país, até agora, 6 mil mulheres já participaram no projeto

As mulheres em Cabo Delgado, norte de Moçambique, estão a receber ensinamento da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, para melhorarem as condições nutricionais das comunidades na região.

O preparo de um mingau enriquecido está a salvar a vida de crianças recém-nascidas e de até cinco anos, enquanto a província do norte do país tem as maiores taxas de desnutrição nessa faixa etária no país.

Alimentação

A refeição que ajuda a melhorar o nível da alimentação dos menores leva farinha de moringa, sal e manteiga de amendoim, e pode incluir ovo e açúcar.

Com o programa, as mulheres também aprendem mais sobre nutrição, práticas de higiene e receitas com alimentos locais. Os aprendizados ajudam a prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida das comunidades.

Com sementes de hortaliças e ferramentas agrícolas distribuídas pelo projeto, as mulheres plantam hortas caseiras, sendo capazes de preparar refeições mais nutritivas. Muitas participantes aprenderam a produzir alimentos pela primeira vez. 

As participantes dos ensinamentos são encorajadas a levar o conhecimento para as suas famílias e vizinhos, ampliando a adoção das boas práticas. 

Resposta

Desde o início deste projeto, 6 mil mulheres participaram nas sessões de educação nutricional. Em pouco tempo, a FAO observou que a diversificação alimentar e hortas caseiras melhoraram, ajudando a reduzir a desnutrição na comunidade.

O ciclone Kenneth, em abril de 2019, a intensificação de ataques de grupos armados e a pandemia de Covid-19 agravaram a situação em Cabo Delgado nos últimos anos.

De acordo com a FAO, estima-se que o conflito resultou numa queda de 30% na produção agrícola em comparação com a temporada anterior. 

Além disso, Cabo Delgado é a província com a maior população em insegurança alimentar aguda, em Moçambique.

Entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, a FAO forneceu crédito para 14 mil famílias comprarem sementes de cereais e vegetais e ferramentas agrícolas, garantindo que as pessoas afetadas possam produzir os seus próprios alimentos. ONU News – Nações Unidas

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Timor-Leste - Cria primeiro banco alimentar após parceria entre ONU e ONG local

Iniciativa quer combater a desnutrição e a fome doando alimentos aos necessitados. Mais de um terço da população timorense enfrenta insegurança alimentar, ONG vê mulheres e jovens atuando para mudar atual cenário


O Sistema das Nações Unidas em Timor-Leste criou um banco de alimentos no país em parceria com o Programa de Capacitação para Mulheres Jovens Adolescentes, Pro-EMA.

A fundadora e diretora da ONG, Simone Barbosa de Assis, disse que alimentos e serviços relacionados serão usados como um veículo de mudança. O plano é reaproveitar comida ou ingredientes, perecíveis ou não, para fazer refeições em cozinhas solidárias.

Fome e desnutrição

“O nosso objetivo é apoiar a comunidade, ajudar os comerciantes e as empresas na redução do desperdício de alimentos. Nós sabemos que Timor-Leste tem um alto nível de desnutrição e necessidades em termos alimentares. Nós acreditamos que a redução do desperdício é um caminho para resolver o problema da fome e desnutrição em Timor-Leste. Por isso, todos nós devemos somar esforços para, junto a esse novo projeto do banco alimentar, podermos conscientizar as pessoas, a sociedade civil e o governo de que todos nós podemos lutar contra a fome e desnutrição no Timor-Leste.”

Para o coordenador-residente da ONU em Timor-Leste, Roy Trivedy, a iniciativa é “uma etapa inovadora, oportuna e transformadora para lidar com a desnutrição e a fome por fornecer alimentos aos necessitados”. 

A inauguração acontece um mês antes da Cúpula de Sistemas Alimentares 2021 que reunirá líderes internacionais em Nova Iorque.

A atividade do banco de alimentos começa quatro meses após a queda de chuvas que afetaram mais de 30 mil lares timorenses. A situação levou as autoridades a acolher centenas em centros e abrigos na capital Díli.

Consumo 

As fortes chuvas causaram enchentes e deslizamentos de terra, no país que já tinha cerca de 430 mil pessoas em insegurança alimentar crónica severa e moderada. O número equivale a 36% da população.

Entre os principais fatores que contribuem para a situação estão os baixos níveis de produtividade agrícola, da qualidade e quantidade de consumo de alimentos e de estratégias de subsistência.

Combinados à alta dependência numa estratégia de subsistência, estes motivos ditaram a manutenção de um o índice de pobreza a 42%, aliada à desnutrição crónica.

Na parceria, a Pro-EMA deve fazer contatos e aumentar a consciência de entidades como empresas, supermercados, hotéis, restaurantes, igrejas e agências governamentais locais para incentivar doações de alimentos.

Comunidades

Cadeias alimentares também serão aproveitadas. Por exemplo, agricultores com alto desempenho ou com produtos pouco atraentes e a parte excedente da produção de fábricas ou encomendas de comerciantes.

Para produtos com prazos a expirar, o banco de alimentos pretende contatar indústrias e inspetores de alimentos para garantir que estes sejam seguros e legais para distribuição e consumo.

Já alimentos ou produtos que não sejam utilizados em cozinhas solidárias de comunidades, o destino serão orfanatos, abrigos ou organizações atuando na distribuição alimentar.

Escolas

Com os planos de encerramento de campos de deslocados, muitas famílias retornarão para as suas casas e comunidades. Em seis meses, a parceria prevê montar cozinhas comunitárias solidárias que semanalmente fornecerão refeições nutritivas priorizando crianças e grávidas.

Novos alunos terão aulas teóricas e práticas sobre nutrição num curso de gastronomia sustentável para campos de deslocados, sedes de aldeias, organizações comunitárias, escolas ou cozinhas de líderes da comunidade.

A ideia é promover a responsabilização individual no combate à desnutrição e ao desperdício alimentar. 

As mulheres, principalmente mães e idosas receberão cursos sobre o aproveitamento integral dos ingredientes e nutrição. ONU News – Nações Unidas   

sábado, 26 de dezembro de 2020

Angola - Programa Mundial de Alimentos em parceria com o governo leva alimentos a crianças de Luanda


O Programa Mundial de Alimentos e o Governo de Angola lançaram uma parceria para apoiar 1 milhão de crianças na capital do país, Luanda. A ação visa atender crianças sofrendo de má nutrição em comunidades afetadas pela Covid-19.  

Em comunicado, a diretora do Departamento de Saúde Pública de Luanda, Catarina Oatanha, disse que a colaboração com a ONU deve fortalecer o sistema nacional para responder rapidamente a crianças carentes.   

Crescimento

A desnutrição é uma das maiores causas de morte de crianças menores de cinco anos. Pelo projeto, o PMA realizará formação para agentes de saúde, que farão a avaliação nutricional em mais de 1,1 milhão de menores.

A agência da ONU também fornecerá suplementos altamente nutritivos para serem distribuídos pelas autoridades da província de Luanda a pelo menos 37 mil crianças, com menos de cinco, que estão subnutridas.  

Representando o PMA em Angola, Michele Mussoni, disse que a má nutrição aguda afeta a todos na comunidade, mas bebês e crianças são os que mais sofrem por precisarem da nutrição para o crescimento e o desenvolvimento.  

Amamentação

Com a pandemia, a principal fonte de sustento das famílias deixou de existir agravando a situação.  

A parceria do PMA com autoridades em Luanda também deve ajudar a melhorar capacidades e conhecimentos das famílias, cuidadores e sobre amamentação, higiene, nutrição e formas de prevenção da Covid-19.  

O programa tem o apoio do Banco Mundial e abrange a merenda escolar e avaliação sobre nutrição e segurança alimentar. ONU News – Nações Unidas  


 

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Moçambique – Programa Mundial de Alimentação preocupado com a situação da população na província de Cabo Delgado

PMA pede US$ 4,7 milhões para socorrer vítimas de conflito em Moçambique


O Programa Mundial de Alimentação, PMA, informou que está preocupado com a situação dos moradores em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A agência da ONU atua na área, que sofre uma crise humanitária após a intensificação da violência nos últimos anos.

Cabo Delgado, conhecido por suas belezas turísticas foi arrasado com a passagem do ciclone Kenneth, no ano passado. Nos últimos meses, ataques de militantes extremistas islâmicos provocaram uma intensificação das respostas por forças de segurança do país. De acordo com o PMA, sem financiamento adicional, a agência terá que reduzir a distribuição de alimentos já em dezembro.

Mulheres e crianças

Em comunicado, a representante do PMA em Moçambique, Antonella D’Aprile, afirmou que a crescente insegurança e a infraestrutura deficiente tornam difícil fazer chegar ajuda aos moradores. Com a Covid-19, a distribuição de alimentos tornou-se ainda mais complexa.

Desde 2017, Cabo Delgado tem sofrido com ataque de grupos armados não-estatais, que resultaram em perda de vidas e danificaram severamente a infraestrutura da província.

Milhares de pessoas fugiram para a Tanzânia, e analistas já manifestaram preocupação com uma regionalização do conflito.

Desnutrição

O PMA lembra que com a violência e a insegurança, as comunidades perderam o acesso a alimentos e fontes de rendimento. A situação pode ficar ainda mais grave para as mulheres e crianças.

A província de Cabo Delgado tem a segunda maior taxa de desnutrição crónica do país. Ali, mais da metade das crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição crónica. 

Milhares de deslocados internos procuram refugio nas províncias e países vizinhos. O PMA em colaboração com governo tem como plano atingir 310 mil pessoas por mês nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa com alimentos, apoio nutricional e vouchers. Ouri Pota – Moçambique ONU News


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Moçambique – Na lista de países com risco de insegurança alimentar por causa da pandemia

Nova pesquisa revela que o país de língua portuguesa é “considerado extremamente vulnerável a problemas económicos” devido à Covid-19; desvalorização da moeda, violência, redução das exportações e menos receitas do governo contribuem para a situação



Moçambique é um dos 27 países (*) que podem enfrentar uma crise alimentar provocada pela pandemia da Covid-19, informou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e o Programa Mundial de Alimentação, PMA.

As agências da ONU destacam vários motivos para a crise no país, como secas em províncias do sul, inundações no início de 2020, pragas e os efeitos dos ciclones Idai e Kenneth, ocorridos em 2019, e que ainda se fazem sentir.

Moçambique

As agências afirmam que “o país é considerado extremamente vulnerável a problemas económicos negativos causados pela pandemia de Covid-19”, destacando a dependência das importações de alimentos.

As exportações devem cair este ano, bem como o preço das matérias-primas, resultando em menos receitas para o governo e preços mais altos dos alimentos.

Ao mesmo tempo, restrições de combate ao vírus e a depreciação do metical, a moeda moçambicana, estão a diminuir o rendimento para muitas famílias urbanas e rurais.

A pesquisa destaca o problema da violência em Cabo Delgado, a província mais afectada pelo vírus. Segundo a FAO e o PMA, “a situação de segurança está-se a deteriorar rapidamente, com o aumento das capacidades dos insurgentes e a evolução das suas estratégias.”

Já o Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Ocha, acredita que o problema já causou mais de 200 mil deslocados. O número deve aumentar nos próximos meses assim como mais restrições para o acesso humanitário. 

Regiões

Nenhuma região está imune a estas crises, do Afeganistão ao Bangladesh, na Ásia, do Haiti, no Caribe, à Nigéria, na África. 

Em comunicado, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, disse que muitos países na lista dos 27 já tinham altos níveis de insegurança alimentar, causados por crises económicas, instabilidade e insegurança, eventos climáticos e pragas de plantas e doenças. 

Segundo ele, estas nações "sofrem agora os efeitos da Covid-19 nos sistemas alimentares, que estão criando uma crise de fome dentro de uma crise de saúde."

Para Dongyu, a comunidade internacional não pode encarar a situação "como um problema de amanhã, precisa fazer mais agora."

Efeitos

Segundo a FAO e o PMA, a Covid-19 está a aumentar a insegurança alimentar de quatro maneiras.

Primeiro: com o aumento do desemprego, as pessoas têm menos dinheiro para gastar em comida e os migrantes menos fundos para enviar remessas às famílias. 

Depois, uma série de interrupções está a reduzir a produção e fornecimento de alimentos. Além disso, a queda das receitas do governo significa que redes de segurança, como programas de proteção social e alimentação escolar, estão com problemas de financiamento. 

Por fim, a pandemia pode contribuir para a instabilidade política e intensificar conflitos sobre recursos naturais, como água e pastagens ou rotas de migração. ONU News – Nações Unidas


(*) Haiti, Nigéria, Venezuela, Camarões, República Centro-Africana, Etiópia, Somália, Sudão do Sul, Iraque, Líbano, Zimbábue, Peru, Equador, Colômbia, Afeganistão, Bangladesh, Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Síria, Sudão, Iémen, Moçambique, Libéria, Burkina Fasso, Mali, Níger, Serra Leoa e Honduras.


terça-feira, 30 de junho de 2020

Angola - Unicef envia suplementos para travar insegurança alimentar no sul do país

A agência quer garantir sobrevivência das crianças e evitar que a situação nutricional piore, cerca de 232 mil menores de cinco anos sofrem de desnutrição, a região teve recorde nacional de temperaturas altas dos últimos 45 anos



A seca no sul de Angola fez subir para mais de 56 mil, o número de famílias que enfrentam insegurança alimentar. Em tempos de pandemia, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, anunciou a entrega de 9,6 mil caixas de suplementos nutricionais a quatro províncias.

Para a agência, é essencial garantir que continuem os serviços para apoiar a sobrevivência da criança, incluindo o tratamento da desnutrição. Outra meta é evitar o piorar da situação nessas áreas como contou à ONU News a especialista em nutrição da Unicef em Angola, Fanceni Balde.

Governos locais

“Irão fortalecer o funcionamento das 28 unidades especiais e nutrição e das 210 unidades sanitárias, que têm unidades de tratamento em ambulatório nas províncias de Cuando Cubango, Cunene, Huíla e Namibe. Estes donativos são de grande importância para o combate das formas mais diversas de desnutrição e dos efeitos da seca nas comunidades mais vulneráveis prevenindo um futuro agravamento da situação nutricional e aumentando a resiliência das comunidades mais afectadas.”

A entrega dos suplementos nutricionais, anunciada esta segunda-feira, pretende reforçar os programas contra a desnutrição e as actividades dos governos locais. Mais de 10 mil crianças menores de cinco anos já beneficiam destas entregas.

A agência informou que o apoio à resposta do governo para a emergência tem impacto em sectores como a saúde, nutrição, água, saneamento e higiene, proteção da criança, mudança de comportamento e envolvimento comunitário. 

Este ano, mais de 300 técnicos de saúde foram capacitados para fornecer serviços de desnutrição aguda. Áreas como aconselhamento em alimentação infantil e suplementação com micronutrientes para pais e encarregados de crianças pequenas também fazem parte da ajuda.

Em 2019, a ONU e parceiros ajudaram a identificar e tratar cerca de 232 mil crianças menores de cinco anos sofrendo de desnutrição. 

Prevenção e rastreio

Este ano, cerca de 16 mil menores de cinco anos devem ter acesso à prevenção e ao rastreio da desnutrição aguda. Outros 12 mil menores em idade escolar beneficiarão de desparasitação e suplementação com micronutrientes.

O impacto das secas cíclicas é mais severo nas zonas semiáridas do Cunene, da Huíla e do Namibe. A situação piorou com a falta de chuvas no ano passado, que seguiu a tendência do último triénio. Esse período registou um recorde de temperaturas altas dos últimos 45 anos na região.

Um inquérito nutricional aponta ainda uma prevalência de desnutrição aguda de 13,6% em crianças menores de cinco anos na província da Huíla. Cerca de 3% das crianças da área correm o risco de morrer devido à desnutrição aguda severa. 

No Cunene, 12,9% enfrentam esta condição e 1,7% poderão perder a vida se não forem atendidas.

Em Angola, a seca afeta mais de 2,3 milhões de pessoas, incluindo 491 mil crianças com menos de cinco anos. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 13 de março de 2020

Moçambique - Programa Mundial de Alimentação forçado a reduzir apoio a vítimas do ciclone Idai

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, cortou para metade as rações alimentares devido à falta de fundos afetando cerca de 525 mil pessoas na província de Sofala. O apoio deve ser reduzido totalmente, ainda este mês, se o problema de financiamento não for resolvido, faz um ano neste 15 de março que o desastre aconteceu



Um ano após o ciclone Idai arrasar grande parte do centro de Moçambique, mais de meio milhão de sobreviventes sofrem outra ameaça: a da falta de apoio com alimentos entregues pela agência da ONU nesta área.

A falta de financiamento afeta muitas das pessoas mais atingidas, informou esta quinta-feira o Programa Mundial de Alimentação, PMA.

Hortas

Nas semanas após o desastre, a assistência de emergência do PMA chegou a 1,8 milhão de pessoas. Mas, um ano depois, muitos ainda enfrentam a incerteza.

Em fevereiro, a falta de financiamento obrigou o PMA a reduzir pela metade as rações alimentares para 525 mil pessoas na província de Sofala, a mais atingida pelo ciclone. Se a agência não receber mais fundos, em breve, esse apoio será interrompido completamente ainda este mês.

Em nota, a diretora regional do PMA para a África Austral, Lola Castro, disse que os projetos do PMA, que incluem hortas comunitárias, reparação de estradas, pontes e escolas, são “uma fonte de esperança." Ela afirmou que "esse trabalho essencial deve continuar para se alcançar uma recuperação real e duradoura."

Para 2020, o PMA precisa de US$ 91 milhões para implementar todos os seus projetos de reabilitação para as vítimas do Idai.



Insegurança alimentar

A agência prevê que a próxima colheita, que acontece entre abril e maio, seja relativamente boa. Ainda assim, poucas das 250 mil famílias que tiveram as suas casas danificadas pelo ciclone conseguiram retornar às suas aldeias.

Muitos são agricultores de subsistência, que tiveram as suas colheitas destruídas no ano passado e que não conseguiram replantar a tempo para este ano. A maioria tem níveis persistentes de "crise" ou "emergência" de insegurança alimentar, o que significa que não comem o suficiente e continuam a precisar de ajuda externa para sobreviver.

Moçambique tem uma das taxas mais altas de desnutrição crónica no mundo, atingindo 43% das crianças com menos de cinco anos. Segundo o PMA, a desnutrição aguda está aumentando, justamente, entre as comunidades afetadas pelo Idai.

Recentemente, um surto raro de pelagra, uma doença causada pela falta de vitamina B3, afetou quase 4 mil pessoas em Sofala e os números continuam aumentando rapidamente.

Adaptação

Devido à forte dependência da agricultura de pequena escala e vulnerabilidade às alterações climáticas, o PMA afirma que são necessários mais investimentos na adaptação a estas mudanças e redução de riscos de desastres.

Lola Castro lembrou que "melhorar a capacidade dos moçambicanos contra secas e inundações era o centro do trabalho” da PMA. Segundo a representante, esse trabalho deve recomeçar agora. ONU News – Nações Unidas